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quinta-feira, julho 20, 2006

Regras na avaliação de professores: se o pai do puto dá nota positiva e a mãe dá nota negativa, o amante de um dos dois desempata

Eduardo Maracangalha, especialista em Ciências da Educação, discorda completamente da iniciativa de colocar os pais a avaliar professores: “implica a formação de mini-orgãos colegiais constituídos pelos pais de cada aluno. Ora um órgão colegial é sempre constituído por um número de membros ímpar porque uma votação não pode ficar empatada. Isso remete-nos para uma situação incómoda visto a nossa estrutura familiar moderna ser nuclear e biparental. Repare que está vedado o direito aos avós, tias, primas desse aluno para avaliar o professor. Esta concepção do Governo desrespeita totalmente o modelo da família tradicional porque não nomeia uma terceira pessoa da família para desempatar. Isto vai estimular ainda mais as relações extra-conjugais, promiscuidade e desigualdade porque um dos membros do casal terá direito a ter mais um amante que o outro porque a soma tem de ser ímpar”. O BISCOITO veio a saber, mais tarde, que este especialista era um professor mascarado.

João Miguel Henrique
www.biscoitointerrompido.blogspot.com

segunda-feira, maio 29, 2006

Ministério propõe que pais avaliem os professores

O Ministério da Educação (ME) quer que os pais passem a participar na avaliação do desempenho dos professores dos filhos, necessária para a progressão na carreira dos docentes. Segundo a proposta de alteração do Estatuto da Carreira Docente (ECD) que o Ministério apresentou sábado à comunicação social e aos sindicatos, cada encarregado de educação individualmente vai fazer uma avaliação do trabalho dos professores que dão aulas aos seus filhos, uma apreciação que será depois tida em conta, juntamente com outros factores, para a subida de escalão por parte dos docentes.

Sobre a imbecilidade desta proposta há que dizer o seguinte:

1- A ministra da educação na sua cruzada contra a desacreditação dos professores conseguiu marcar mais um ponto perante a opinião pública, em especial pais e encarregados de educação. Esta ministra tem feito mais pela imagem do governo do que todos os outros ministros juntos. Sócrates bem lhe pode agradecer.

2- O que está subjacente a esta proposta não é mais nem menos do que uma forma encapotada de combater o insucesso e o abandono escolar e assim apresentar resultados em Bruxelas.

3- Que moralidade têm os pais para avaliar os professores quando a maioria deles se demite da função de educar e delegam na escola essa responsabilidade? Desde quando os pais têm condições para avaliar a competência científica, pedagógica ou relacional dos professores? Se lhes é reconhecida essa capacidade então, por uma questão de justiça e coerência, que se aplique esta medida a todas as outras profissões da função pública. Passaremos todos a avaliar juízes, médicos, enfermeiros, polícias, funcionários da administração pública e, inclusivé, os próprios políticos.

4- Quantos pais serão justos e imparciais na avaliação de um professor? Há aqui um claro conflito de interesses que não pode ser esquecido. O que a maioria dos pais quer é que os seus filhos tenham boas classificações, estando pouco preocupados se eles as merecem ou não. Por forma a não serem penalizados pelos pais, os professores serão impelidos a inflaccionar as notas. O “sucesso” escolar continuará a ser mascarado à custa da diminuição do nível de exigência.

5- O poder dos alunos sai reforçado – com a consequente desautorização dos professores - uma vez que a opinião dos pais sobre os professores é habitualmente determinada por aquilo que lhes é transmitido pelos seus filhos.

Chegou a hora de, uma vez por todas, os professores darem uma resposta cabal à constante descredibilização de que têm sido alvo por parte desta ministra. E não é através de protestos confinados aos corredores das escola e às salas dos professores que o nosso descontentamento será ouvido. Teremos de endurecer as formas de luta, através de todos os instrumentos disponíveis ao nosso alcance, de modo a fazermos ver ao país e à srª ministra que não somos uma classe de “panhonhas”, mas antes um grupo social que pode e deve fazer valer os seus direitos. De forma responsável e sustentada.