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sexta-feira, outubro 20, 2006

A luta continua

Tal como se esperava, o 2º dia de greve não teve a mesma taxa de adesão do 1º dia. Foi, contudo, uma baixa pouco significativa (5%) e perfeitamente compreensível atendendo a que, para algumas carteiras, dois dias consecutivos de paralisação são bastante penalizadores. Seja como for, um valor global de 80%, é algo que eu, muito honestamente, não estava à espera e que me deixa bastante satisfeito. Talvez agora a srª ministra tenha finalmente percebido que os professores não são nenhuns paspalhos a quem ela espezinha quando muito bem quer e lhe apetece. Pelo contrário. Os professores demonstraram cabalmente que sabem lutar pelos seus direitos e vão continuar a prová-lo no futuro. No entanto, é bom que tenhamos consciência que esta guerra ainda agora começou e muita água ainda vai correr por debaixo das pontes. A ministra não vai capitular facilmente, como aliás ficou bem patente na reunião desta tarde com os sindicatos. A 4ª versão do ECD, mantém no essencial tudo o que as outras versões continham, o que significa que temos ainda muito caminho por desbravar. As sondagens favoráveis, a concordância dos analistas e da maioria da população à sua política, dão-lhe força para continuar a manter a intransigência. Esta inflexibilidade da ministra só pode ser quebrada com uma classe unida e perseverante na luta por um ECD que dignifique a profissão docente e a qualidade do ensino em Portugal.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Os números da greve

Na guerra habitual dos números, temos um primeiro balanço: do lado dos sindicatos, os números de adesão à greve foram assoladores (85%); na perspectiva dos serviços do ministério estes ficaram-se pelos 39%. A diferença nas duas leituras é abissal, como era de esperar. Por aquilo que verifiquei na minha escola e dos dados que fui recolhendo de outras escolas vizinhas, estou tentado a apontar um número na casa dos 70%. Certo ou errado, ainda assim é um número bastante significativo. Aguardemos o que nos diz o dia de amanhã.

sexta-feira, outubro 13, 2006

As greves da próxima semana

Tal como se previa, vamos ter greve nos dias 17 e 18 de Outubro. Na reunião de ontem com os sindicatos, o Ministério da Educação manteve a sua intransigência em fazer concessões nas matérias fundamentais da carreira docente e, por isso, não restou outra alternativa aos professores que não fosse avançar para mais uma jornada de luta. Pretende-se como é óbvio que a greve venha a ter a mesma dimensão que teve a manifestação do dia 5. Bem gostaríamos que assim fosse. Porém a experiência diz-nos que quando toca a greves o professorado encolhe-se. Pelas mais variadas razões. A principal das quais prende-se com questões monetárias: a classe docente é mal paga e um dia de greve faz sempre mossa no orçamento familiar; acresce que, desta vez, a greve prolonga-se por mais um dia o que penaliza ainda mais quem já vive com dificuldade. Este facto, que não é tão desprezível quanto isso, poderá condicionar a adesão de muitos professores. E infelizmente parece-me que é isso que vai acontecer. A imagem de unidade que tão bem soubemos dar na semana passada sairá assim bastante beliscada. Oxalá os meus prognósticos não se confirmem e que quarta feira eu tenha a grande satisfação de admitir que afinal os meus receios não se justificavam. Para bem de todos nós, professores!

sábado, outubro 07, 2006

Demonstração de força

A manifestação de ontem excedeu as minhas melhores expectativas. Confesso que não estava à espera de uma participação tão massiva: 20.000 ou 25.000 manifestantes, é um número nada desprezível, bem pelo contrário, e revelador do grande descontentamento dos professores face à política da ministra e, em especial, das barbaridades inscritas no novo ECD. Os professores parece que finalmente acordaram e tomaram consciência de que têm de lutar se quiserem fazer valer os seus direitos. Deseja-se que este dia de luta tenha constituído um factor motivador para todos aqueles docentes que, pelos mais variados motivos, não puderam ou não quiseram estar presentes. Novas jornadas de luta se avizinham - 17 e 18 de Outubro - e todos aqueles que não participaram ontem, têm nestes dias uma boa oportunidade de o fazer. Quanto mais não seja por uma questão de respeito por todos aqueles colegas que andam a lutar por eles. É imprescindível que os professores dêem uma imagem de unidade num combate onde não nos é permitido perder.

terça-feira, junho 20, 2006

A luta continua

No rescaldo da greve do dia 14, tivemos a habitual guerra dos números entre os sindicatos e o ministério da educação. Enquanto uns situavam a adesão nos 70% os outros ficavam-se nos 30%, valores bem mais modestos. Com a manifestação passou-se exactamente o mesmo: se os sindicatos afirmaram que estiveram presentes 10.000 professores já a polícia, que acompanhou a manifestação, refere que o número não ultrapassou os 7000. Independentemente de uns e outros poderem estarem errados na apreciação que fizeram, e com certeza que estarão, o que interessa aqui relevar, para nós professores, foi o número bastante significativo de professores que estiveram em Lisboa, num dia particularmente difícil tendo em conta as condições atmosféricas, mas que ainda assim não quiseram deixar de manifestar o seu veemente repúdio, a sua indignição face aos constantes ataques de que têm sido vítimas por parte da ministra. Não me ocorre de alguma vez os professores se terem manifestado de forma tão massiva como aconteceu no dia 14. Espero que esta tenha sido a primeira de outras lutas que se seguirão na defesa de um ECD digno da classe docente. É certo que dias difíceis nos esperam, pois a ministra ainda há poucos dias reafirmou que não admite rever as matérias essenciais do ECD que, segundo ela, não serão passíveis de negociação com os sindicatos. Quanto muito estará disponível para alterar algumas questões de pormenor que evidentemente não porão em causa o espírito do ECD. E quando já não bastava o apoio da opinião pública e dos media, eis que a ministra recebe a solidariedade do Presidente da República o que, como é óbvio, reforça a sua política e a levará a manter o rumo traçado. Perante isto só nos resta continuar a lutar. Não temos outra alternativa. E esta luta terá de ser feita junto da opinião pública: enquanto não conseguirmos alterar a imagem negativa que os professores vão tendo na sociedade portuguesa, todas as nossas reinvindicações estarão condenadas ao insucesso. Quanto a isto não tenho a menor dúvida.

quarta-feira, junho 14, 2006

Chegou a hora da verdade

Amanhã é o primeiro dia de uma luta que se prevê dura, e onde temos de demonstrar que estamos à altura do adversário. Veremos como vão os professores responder a este desafio.

P.S. Oxalá não deitemos a toalha ao tapete, logo no 1º round.

quarta-feira, junho 07, 2006

Descrédito

Tendo em conta o que vou lendo na blogosfera e aquilo que vou observando na minha escola, ou muito me engano ou a greve do dia 14 vai ficar muito aquém das nossas - professores - expectativas. Os zunzuns que apareceram na comunicação social que dão conta de haver uma grande percentagem de professores que torce o nariz ao facto de a greve ter sido marcada junto a feriados, não augura nada de bom. A confirmar-se uma baixa adesão será uma machadada muito séria nas nossas pretensões. A ministra esfregará as mãos de contentamento e, por certo, aproveitará o facto para dizer que afinal a maioria dos professores até subscreve as suas propostas. Há muito que defendo que somos uma classe de gente acrítica e abúlica que cinge os seus protestos à sala de professores. Quando é preciso lutar pelos seus direitos, encolhe-se e fica à espera que outros resolvam os problemas que deviam merecer o contributo de todos. Se numa altura difícil como esta não estamos unidos quando é que vamos estar?

segunda-feira, junho 05, 2006

Pedido de esclarecimento

Porque é que sempre que os professores convocam uma greve se verifica uma condenação quase generalizada dos media e da opinião pública em geral, e quando o mesmo acontece com outras corporações não se observa idêntica manifestação de repúdio? Alguém me consegue explicar?

domingo, junho 04, 2006

A greve do dia 14 de Junho

A FENPROF convocou uma greve para o próximo dia 14. A FNE, à semelhança do que tem feito, volta a ficar de fora (esta falta de unidade entre os sindicatos é exasperante e só serve para nos desacreditar). Confesso que estas greves não me seduzem. Não só porque nos retiram legitimidade aos olhos da opinião pública - mais ainda, quando são encostadas a um feriado, o que dá sempre aquela ideia negativa de um fim-de-semana prolongado -, mas também porque elas são habitualmente marcadas pela guerra dos números entre os sindicatos e o Ministério da Educação, com os primeiros a sobrevalorizar os níveis de adesão e o ME a procurar desvalorizá-los.
Até aqui a ministra da educação tem tido o maior acolhimento dos media na sua tarefa de achincalhamento dos professores. Este apoio dos media tem sido fundamental na sua estratégia. Ultimamente começam a aparecer vozes discordantes, algumas com peso no panorama nacional, o que pode constituir um duro revés nesta linha de actuação. Vários analistas têm vindo a apontar alguns erros à sua política e a recente reportagem da RTP sobre a violência e a indisciplina nas escolas deu um precioso contributo nesse sentido. Considero até que a referida reportagem causou um grande impacto na opinião pública, e terá feito mais pelos professores do que os nossos sindicatos têm conseguido fazer nos últimos anos.
Temos de saber passar para a opinião pública a mensagem de que a ministra está errada quando diz que o principal factor que impossibilita o salto qualitativo no ensino em Portugal, reside nos professores, na sua incompetência e no seu mau profissionalismo. Nós que trabalhamos nas escolas todos os dias sabemos que isto não é verdade, mas à força de a ministra tantas vezes repetir esta ideia, a sociedade portuguesa convenceu-se de que é essa a leitura correcta. A nossa luta deve passar por convencer a opinião pública de que a desacreditação do nosso sistema de ensino reside fundamentalmente nas políticas educativas, nomeadamente nas sucessivas reformas que as várias equipas ministeriais não se têm cansado de implementar. Bem sei que nos falta a capacidade mediática de outras corporações, mas é por aqui que devemos centrar os nossos esforços.
Claro está que esta greve dever ter a adesão de todos, caso contrário daremos uma imagem de desunião que em nada nos favorece. Quero contudo acreditar que a nossa luta não se fique apenas pelo recurso à greve, porque se assim for dificilmente alcançaremos os nossos objectivos. Pode ser um 1º passo, mas não pode ser o único.