Mostrar mensagens com a etiqueta Imagem dos professores. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Imagem dos professores. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, outubro 10, 2006

Maria de Lurdes garante que os professores desconhecem o novo ECD

Questionada sobre a manifestação da passada semana, a ministra da educação resolveu passar mais um atestado de menoridade aos professores. Segundo ela, somos todos uma cambada de iletrados e analfabetos, sem vontade própria, e comandados por sindicatos que se servem a si próprios em vez de se preocuparem em defender os nossos interesses. Considera a manifestação um equívoco, fruto da ignorância dos professores face à proposta de revisão do ECD: parece que não o lemos, porque se o tivéssemos feito facilmente reconheceríamos estar perante um documento cheio de virtudes que toda a classe docente deveria subscrever e aclamar.
Já nem vale a pena comentar estes dislates da senhora tão óbvio se torna que a sua sanidade mental se degrada a cada dia que passa. Maria de Lurdes precisa urgentemente de acompanhamento médico especializado de modo a travar esta espiral de insensatez de que, há muito, dá mostras de estar possuída.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Os campeões do arrependimento

Um recente inquérito feito pela Associação Nacional de Professores a 3252 professores concluiu que 43,6% não escolheriam esta profissão se pudessem voltar atrás. Tendo em conta tudo o que se tem dito dos professores, nomeadamente, que se trata duma classe privilegiada e bem remunerada, este resultado deve-nos fazer reflectir. Das duas uma: ou os professores gostam de dramatizar - se calhar é por isso que os consultórios dos psiquiatras se enchem desta gente! - e, nesse caso, não responderam ao inquérito com seriedade, ou então tudo o que se tem dito sobre eles não passa de um enorme embuste que deve ser desmascarado. Eu sei a resposta. E você, caro leitor?

quarta-feira, junho 14, 2006

Um grito de revolta

Este texto merece ser lido, especialmente num dia como o de hoje em que os professores vivem uma jornada de luta.

"(...) Perguntem a qualquer professor digno desse nome se ele quer ser avaliado. E a resposta é SIM! Claro que sim! Mas qual é o bom profissional que investe na carreira e que quer ter o mesmo Satisfaz automático num relatório para progressão na carreira que aquele que vê o ensino como uma forma de ganhar dinheiro "para os alfinetes"? Qual é o bom profissional que investe muito do seu tempo e da sua energia para querer depois ser "metido no mesmo saco" daquele que pouco ou nada faz??? Qual é o professor digno desse nome que gosta de ganhar o mesmo (ou ainda menos, se estiver num escalão inferior) do que aquele que é bem pior profissional do que ele?

Será este país tão estúpido e tão cegamente arrogante para achar que pode existir sem professores? Será este país tão estúpido para achar que a forma de limpar o ensino dos maus profissionais (que existem, claro que sim! E não contem comigo para ser corporativista...) é atacar todos os professores, atribuir-lhes as causas de todos os males da sociedade, desde os meninos que se drogam porque os professores faltam (ouvi isto da boca do senhor Albino, da Confederação de Pais) até aos de falta de produtividade do país? Será este país tão estúpido e tão arrogante que entenda poder não reconhecer as horas que os professores dedicam a preparar as aulas, a pensar em como “agarrar” aquele aluno que anda meio perdido, a telefonar vezes sem conta para os pais do outro miúdo que anda completamente desorientado, a gastar dinheiro do seu bolso em materiais de apoio, a levá-los em visitas de estudo a ver museus, teatros, exposições, conhecer coisas que muitos pais, confortáveis nos seus fins de semana de centro comercial, não estão para fazer? Já agora, para os que dizem que os professores só querem passear, pensem que o podemos fazer com os nossos filhos e amigos, sem ter que passar 12 horas fora de casa de um dia que, passado na escola, seria de muitas menos e sem a responsabilidade de tomar conta dos filhos dos outros. Será este país tão estúpido e tão arrogante que esqueça que são os professores, como é, obviamente, sua função e responsabilidade, a dar a todos os alunos o melhor das ferramentas de que dispõem, sejam elas científicas, intelectuais, sociais, de cidadania e de tudo o mais que possam imaginar e entender necessárias?

Será este país tão estúpido e tão cegamente arrogante que não perceba que sem os professores que tentam tirar os miúdos do miserabilismo intelectual em que muitos vivem (independentemente da classe social) teremos cada vez mais uma escola de pobrezinhos onde, para não haver insucesso, devo partir daquilo que "a criança" é e sabe, descer ao encontro dos seus interesses, por causa do insucesso, etc,etc,etc... (como isto dá jeito aos donos dos colégios...)? Assim, ajudamos os “pobrezinhos” a cumprirem o seu (pré)desígnio na vida... Será este país tão estúpido que não perceba que sem os professores que se estão a borrifar para estes determinismos sociais e que tanto trabalham, se for essa a vontade do aluno, para ser médico o filho do cozinheiro como o do deputado, teremos cada vez mais o país da elite, a quem tudo é possível, e o dos outros, fechados e condenados ao atraso e a perpetuarem o meio onde tiveram o azar de nascer?

Será este país de "professores de bancada" (pois, tal como no futebol, todos parecem saber mais do que é ser professor do que nós, pelos vistos os mais incompetentes de todos os profissionais deste país!) capaz de parar de gastar o tempo (tempo este em que muitos se poderiam dedicar, digamos, a educar os próprios filhos, a ir à escola saber deles, a dedicar-lhes uns minutos, sei lá...!) a fazer analogias entre as empresas privadas e os professores? Será este país tão estúpido e tão cego que não veja, nas empresas, as políticas de incentivo, os prémios de produtividade, os seminários de motivação, os telemóveis de serviço, os computadores da empresa para trabalhar em casa e, sem ir ao mais óbvio, os ordenados? Será este país tão estúpido que não entenda que os professores são profissionais qualificados, não têm o 9º ano nem tão só o 12º? Portanto, sejam pelos menos honestos (se não conseguirem ser inteligentes!) nas comparações.

Será este país tão estúpido e tão cegamente arrogante? Quantos de vós não devem muito do que são a professores que tiveram? Ou os vossos filhos?

Será o meu país tão cego e tão arrogante???

Assim, perguntem a qualquer professor digno desse nome se ele que ser avaliado... E ele responde-vos que SIM! O que não queremos mais é ser constantemente humilhados, culpabilizados, achincalhados, denegridos, tratados sem a consideração, o respeito e a inteligência que a minha profissão e o meu profissionalismo me concedem o direito de exigir!

E, citando Almada Negreiros:

UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM DANTAS É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO!

... cada geração tem o Dantas que merece! Mas também tem nas suas mãos o poder de o reduzir à sua insignificância... Até porque do Dantas, o verdadeiro, o Júlio, não fora o testemunho/desabafo do Almada Negreiros, e já se teria dissolvido na poeira dos tempos..."

5 de Junho de 2006

(Ana Cristina Mendes da Silva, professora do departamento de Língua Portuguesa do quadro de nomeação definitiva da Escola Secundária da Amadora)

sábado, junho 10, 2006

"Analfabetolândia da Europa"

"O velho sonho de gerações e gerações de madraços pode finalmente realizar-se graças à ideia da senhora ministra da Educação - com a avaliação dos professores por parte de papás ultraliberais e educadores demissionários, que só têm olhos para os seus queridos e superdotados cabulazinhos, o ensino ficará entregue a quem reúne de facto condições para fazer de Portugal a Analfabetolândia da Europa.
Para nos irmos defendendo, o melhor é seguir os conselhos do médico Fernando Vale, por altura do seu centenário: andar informado e acompanhar a novidade. Querem acabar com o que resta de bom-senso e racionalidade? Façam favor, vocelências é que sabem. Depois, não será difícil adivinhá-lo, chegará a vez de pôr os maluquinhos a avaliar os psiquiatras, os arguidos a avaliar os juízes e outras patetices nascidas na cabeça de quem, querendo deixar uma marca, não hesitará em nos sujeitar às maiores barbaridades.
Os saloios do meu tempo, que tiveram de aprender - a bem ou à custa da avaliação de bofetões e palmatoadas - os rios, as serras, as linhas de comboio e outras fantásticas minudências, bem podem ir metendo os papéis para a reforma, mesmo que Sócrates os queira no activo até aos 70. É que já não podem mais aguentar-se à tona na torrente de facilidade com que se destrói tudo o que, tendo defeitos, vai funcionando em Portugal. Foi assim com as polícias, foi assim com os militares, só não foi assim com os juízes porque eles teimam em resistir, jamais será assim com os médicos porque há sempre um dia em que um ministro depende do bisturi - e chegou agora a vez dos professores. Já eram insultados e agredidos pelos alunos, se calhar os moços até têm razão, portanto vamos lá meter estes déspotas na ordem.
Seria preferível menos espalhafato e menos demagogia, e mais respeito por pessoas que, em não poucos casos com gritante falta de condições, tanto se dedicam à nobre função de ensinar. E mais atenção, por exemplo, à orientação pedagógica, não só aconselhando aos jovens as profissões para as quais mostrem mais aptidões, como apontando os cursos que permitam, no futuro, trabalho e motivação, remuneração digna e realização pessoal. É criminoso que, por carência de informação, desinteresse do Estado e incompetência dos avaliadores políticos, mlhares de famílias portuguesas gastam fortunas para obter um diploma cujo primeiro destino é a sua exibição no centro de (des)emprego.
Mas a ânsia é a de cortar supostos privilégios e banalizar tudo o que se reja por princípios e obedeça a regras, e agradar à mole imensa do funcionalismo indiferenciado, condenando às galés das tarefas mais duras e mais mal remuneradas, e àquela tropa fandanga que vive na subsidiodependência sem que dela efectivamente necessite. O esforço de progressão na carreira, o sacrifício pelo conhecimento ou o investimento na qualificação merecem o desprezo desta gente. Avaliámo-los mal, foi o que foi."

Alexandre Pais, Director do "Record", na revista Sábado.

sexta-feira, março 03, 2006

E a tudo isto os professores respondem com a passividade absoluta

O texto que aqui coloco é da autoria da jornalista da revista "Sábado", Filomena Martins:
"No dia em que os professores iniciavam greve por causa das aulas de substituição no ensino básico, José Sócrates anunciou que já no próximo ano elas serão também obrigatórias no secundário. Uma afronta? Não. Uma boa razão. Porque pior que não ter argumentos é usar argumentos falsos. E é o que fazem os professores.
Comecemos pelos ordenados e pelo tempo. Os professores queixam-se porque estas aulas não são pagas apesar do tempo que perdem com elas. Esquecem-se de dizer que passam em média menos 379 horas por ano nas escolas que os colegas da OCDE e que ao nível dos salários ganham acima da média europeia. E esquecem-se de dizer que as aulas de substituição não afectam o horário de trabalho (35 horas por semana), fazem parte do tempo sem aulas (máximo de 25 horas semanais).
A seguir, as condições. Dizem os professores que não há espaços nas escolas. Esquecem a lógica: se um professor falta e eles têm de o substituir, podem usar a sala de aula que ficou vazia.
Por fim, a formação. Para os professores, não faz parte do seu estatuto entreter os alunos, apenas ensiná-los. Esquecem-se que se pode entreter ensinando; que é preferível o Sudoku ao cigarrinho nos furos; que podem aproveitar esse tempo para tirar dúvidas sobre as próprias matérias que ensinam. Enfim, que podem dar explicações sem ser em casa, pagos a peso de ouro e livres de impostos"
Um mimo! Cheio de inverdades e falsidades, mas cumpre o objectivo a que se propôs: achincalhar a classe dos professores, denegrindo a sua imagem perante a opinião pública. O que se estranha é que, perante tudo isto, os professores continuem a responder com a passividade absoluta!

segunda-feira, novembro 21, 2005

Os mal amados dos professores

Um texto de Miguel Beleza, esta semana no "Independente", que atesta bem o quão degradante é actualmente a imagem dos professores deste País:
" A ministra da Educação não gosta dos professores. Há pouco violentou-os, obrigando-os a fazer exames. Não é justo. O facto de os alunos e os pais poderem perder um ano não tem qualquer importância face às legítimas e nada corporativas razões dos professores. Segundo li, vi e ouvi, a ministra prepara-se agora para aumentar o horário de trabalho dos professores para 29 (!) horas por semana e substituir professores que faltam. É injusto. Vinte e nove horas é pouco menos do que eu próprio trabalho durante dois ou três dias e é claramente preferível que os alunos aproveitem para descansar durante as inúmeras horas de aula em que o professor titular é obrigado a faltar por razões totalmente legítimas.
Mas há pior. A ministra quer que os professores se fixem nas escolas por três ou quatro anos. Além da monotonia que para eles significa vários anos na mesma escola, retira aos professores o prazer de ter de mudar de alojamento com tanta frequência. Por outro lado, é sabido que há toda a vantagem em que os alunos sejam sujeitos a diferentes professores todos os anos. Evita-se assim, por exemplo, a permanência de professores mais aborrecidos ou piores pedagogos durante mais de um ano. Além disso, mudar todos os anos de professor aumenta a capacidade dos alunos de se adaptarem a situações novas.
Finalmente, e ao que parece, a ministra prepara-se para copiar o que acontece à generalidade dos trabalhadores portugueses. Quando um dos cônjuges ou equivalente é colocado noutro local, têm que resolver o problema. É uma medida de combate à família, ao arrepio das anunciadas intenções governamentais.
Há que apoiar a greve."

sexta-feira, novembro 18, 2005

Simplesmente vergonhoso!

O Ministério da Educação teve hoje uma atitude inqualificável ao lançar cá para fora, no dia da greve, um estudo sobre o absentismo dos professores. É inadmissível do ponto de vista da ética política e tem como objectivo passar, mais uma vez a mensagem, de que os professores são uma classe de gente irresponsável que não cumpre as suas obrigações. Esta imagem é falsa, não corresponde minimamente à verdade e não se compreende o porquê desta perseguição sistemática aos professores. Querem fazer crer à opinião pública de que tudo o que vai mal no ensino se deve à incúria e à incompetência da classe docente. Uma vergonha!

quarta-feira, setembro 14, 2005

Os professores portugueses são uns calões

Um estudo realizado pela OCDE, revela que os professores portugueses do ensino Básico e Secundário passam, em média, menos 379 horas por ano nas escolas que os seus colegas da OCDE, apesar do número de semanas de trabalho ser idêntico. Os docentes portugueses estão cerca de 21 horas por semana nas escolas, enquanto a média dos professores dos países da OCDE ultrapassa as 31 horas semanais. O que vale é que com as novas medidas da Srª Ministra no próximo estudo vamos estar nos primeiros lugares do ranking. Agora só falta um estudo comparativo relativo às condições de trabalho e aos vencimentos. Neste é que a Srª Ministra não nos consegue colocar no topo da classificação. Nem sequer lá perto. Ah, pois não!