segunda-feira, outubro 22, 2007

Palavras sábias

Extracto de uma entrevista de Marçal Grilo, há sete anos atrás, após deixar a pasta da Educação.

Nunca sentiu falta dessa formação em Ciências da Educação?
Não. Nunca me fez falta. Acho que as Ciências da Educação têm um contributo muito importante para o futuro da educação, mas têm uma linguagem e uma forma de abordar os problemas… Não me fez falta, e não sei se faz falta a alguém, em termos de política educativa. Eu não tenho nada contra as pessoas das Ciências da Educação.
Num gabinete de Ministro, ou de Secretário de Estado, faz mais falta um jurista do que alguém especialista em Ciências da Educação?
Um jurista é absolutamente indispensável.
Era uma coisa que faltava no gabinete da sua Secretária de Estado, mas havia muita gente de Ciências da Educação.
Eu nunca tive ninguém. As Ciências da Educação são uma área… Conheço uns textos, mas a linguagem… Há uma coisa em alguma da sua mensagem que me faz um bocadinho de impressão. Talvez seja heresia o que estou a dizer: à educação e formação das pessoas está ligado trabalho intenso, esforço, algum sacrifício. O estudar ou formarmo-nos não é sempre uma coisa agradável, muito colorida. O rigor, a disciplina, o trabalho, fazem parte do processo educativo e quanto mais cedo se aprender isto melhor. Acho que, aqui, as Ciências da Educação simplificam um bocadinho.
No sentido da permissividade?
Não, mas no sentido em que há uma super-vontade de aceitar tudo e de tudo desculpar, e de tudo entender, e de tudo compreender, e de tudo justificar.(…)
Há, muitas vezes, a sensação de que as pessoas que giram em torno da educação são quase sempre as mesmas?
Não é só isso. Eles, no mundo da educação, conhecem-se todos uns aos outros. E têm ódios internos, os seus amores e as suas desavenças. Isso está permanentemente a vir ao de cima. Por exemplo, com aqueles que não gostam das Ciências da Educação (sou insuspeito nessa matéria, porque sou engenheiro mecânico… por isso estou completamente fora dessas questiúnculas), isso é perfeitamente notório.
Por isso não fala eduquês?
Pois. Nunca falei. Mas, dentro do mundo das pessoas que falam sobe educação, que fizeram teses sobre educação, há escolas entre eles, conhece-se dos júris, das teses, das faculdades, dos estudos que fizeram no estrangeiro, etc. Escrevem coisas que, muitas vezes, são reflexo das posições que têm à partida e não propriamente em relação ao tema específico. Este é mais um pretexto para voltar a afirmar determinada posição contra o senhor tal ou a senhora tal.
Reconhece-lhes algum valor, porque chamou alguns deles para fazerem estudos…
Com certeza. São doutorados, são pessoas qualificadas, com grandes qualidades, mas, na expressão das suas posições públicas, normalmente escrevem por razões que não têm a ver com o tema em si, mas com o que está por detrás disso.
Pensa, então, que há um grupo de pessoas que acha que percebe muito sobre educação e, afinal, percebe pouco?
Eu acho que devem perceber. O cidadão normal tem obrigação de saber coisas sobre educação, todos nós passamos pela escola".

sexta-feira, outubro 19, 2007

Exames só com matéria do 12º ano

"Os alunos que estão no 12.º ano e que realizem exames nacionais no final deste ano lectivo vão ter menos matéria para estudar. Uma portaria do Ministério da Educação (ME) determina que os exames às disciplinas trienais (Português, Matemática A, História A, Língua Estrangeira e Desenho A) incidam apenas sobre os programas do último ano, em vez de avaliarem os três anos do Secundário".

Invariavelmente, toda e qualquer orientação vinda do Ministério da Educação aponta no caminho do facilitismo ( a exigência é só para os professores). E assim se promove o sucesso escolar em Portugal.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Caixa Geral de Aposentações recusa reforma a professora com cancro na língua

Crueldades deste calibre nem no tempo de Salazar. Em contrapartida, com este governo, estas e outras selvajarias vão-se tornando o pão nosso de cada dia. De forma incompreensível e com o beneplácito da maioria dos portugueses, conforme indicam as sondagens. É caso para dizer: estranho povo este que permite que pessoas nestas condições sejam obrigadas a manter-se no activo enquanto deputados e gestores públicos se vão “abotoando” a indignas reformas milionárias que pouco fizeram por merecer. Um novo 25 de Abril precisa-se. E com a máxima urgência.

quinta-feira, outubro 11, 2007

quarta-feira, outubro 10, 2007

Menos paleio e mais acção, é o que se exige

Nos seus habituais comentários das terças-feiras na TVI, Miguel Sousa Tavares, convidado a fazer uma apreciação sobre os acontecimentos da Covilhã, não desaproveitou a oportunidade para mais uma vez zurzir nos sindicatos de professores. Até aqui tudo normal: é sabido que o indivíduo não suporta os representantes legais dos professores, em especial a Fenprof, por quem nutre um profundo ódio, como aliás tem sido notório sempre que se pronuncia sobre temas da educação.
Mas o que mais me incomodou na dita intervenção foi ele dizer que ainda está por provar se os professores se revêem na contestação que os sindicatos fazem relativamente à política educativa do governo, apresentando como exemplo dessa sua tese o famigerado ECD. São estes considerandos que deviam fazer tocar os sinais de alarme da classe docente. Declarações como esta deviam preocupar todos os professores pois pode prevalecer a ideia de que MST é bem capaz de ter razão naquilo que afirma. A verdade é que nesta luta contra as diatribes do Ministério da Educação só os sindicatos se chegam à frente. Da parte dos professores continuamos a assistir a uma passividade preocupante que não abona em nosso favor. A atitude da maioria dos professores faz-me lembrar a velha imagem que o mundo do futebol costuma ter do futebol português: muito rodriguinho, muita capacidade técnica, mas na hora de rematar à baliza adversária somos um completo desastre. Com os professores passa-se exactamente o mesmo: muita retórica, muita falinha mansa, aparentemente muita vontade em demonstrar a nossa indignação mas no momento de traduzir esse descontentamento em actos concretos falhamos rotundamente. Assim sendo, não devemos depois admirar-nos que a opinião pública e MST em particular, possam ter naturais reservas sobre se os sindicatos efectivamente são a voz da contestação dos professores ou se ao invés se representam a si próprios.

A improdutiva Área de Projecto

"Costumo ler a secção "Pingue­-Pongue", onde escrevem, alternadamente, Rui Tavares e Helena Matos. Estando mais atento e manifestando mais interesse pela opinião da v/colaboradora, porque mais objectiva, mais pragmática e realista, não posso deixar de concordar, de uma maneira geral, com as análises que Helena Matos desenvolve, principalmente quando envereda por temas relacionados com a Educação. E, na minha opinião, sabe do que fala. Exemplo vivo disso foi a sua afirmação, no passado dia 11 de Setembro, de que a "Área de Projecto" é uma fraude". Sem dúvida.
Como professor - e leccionando, contrariado, esta abominável "disciplina" da área curricular não disciplinar -, verifico que a carga horária da mesma interfere com outras disciplinas, bem mais importantes, para a formação intelectual e científica dos jovens, coarctando-lhes a liberdade para o convívio, para a partilha, para o desporto. Em suma: sobrecarrega­-lhes os horários.
De resto é sabido que a designada Área de Projecto (AP), introduzida no ensino básico e secundário, pouco ou nada tem contribuído para a suposta autonomia, organização, capacidade de trabalho e espírito de inter·ajuda dos alunos. Esta cretina invenção dos "cientistas da educação" tem contribuído, ainda mais, para o descalabro e decadência do ensino no nosso país. Esta área curricular não disciplinar, a famosa A.P., acaba por degradar a qualidade da relação professor-aluno; promove e estimula a balbúrdia e a indisciplina; desvaloriza o verdadeiro conhecimento; sobrecarrega os curriculos e impede que outras áreas do conhecimento como as ciências, geografia, filosofia e história disponham de mais horas. Aliás, é patente a revolta dos professores das disciplinas que referi por verificarem que várias horas lectivas são desperdiçadas na vacuidade da AP, enquanto não lhes sobejam horas para desenvolverem, com proficiência, a consolidação dos conhecimentos e as matérias das disciplinas aludidas. Também tenho constatado, como professor, que os melhores alunos não gostam desta "disciplina" pois afirmam que é inútil, maçadora, vazia, "roubando-lhes" precioso tempo para estudarem as disciplinas fulcrais que os prepararão, verdadeiramente, para a vida profissional. Deixemo-nos, de uma vez por todas, de tretas, do "encher chouriços" e do "eduquês" que está subjacente à Área de Projecto! Não se inventem ocupações sem sentido algum, sobrecarregando os alunos! Já nos basta o supérfluo Estudo Acompanhado e a inoperante Educação Cívica que podem, muito bem, "substituir" a vacuidade da AP. Por estas e por outras é que a decadência da educação vai continuar. Convirá lembrar que, em grande parte, os factores do fracasso do sistema educativo português são os "cientistas da educação" que, com as suas teorias e o gosto pela papelada inútil, se instaIaram no sistema educativo e continuam, de forma perniciosa, a influenciar as determinações dos ministros. Mais: continuam estes "cientistas" enredados numa visão panglossiana a falar em sucesso educativo nesta escola democrática massificada, sucesso esse que - com esta política educativa de torniquete e sopeamento dos professores -, há-de vir numa manhã de nevoeiro envolvendo os ditos iluminados encabeçados pelos "três mosqueteiros" (uma e dois) que julgam, ilusoriamente, estar realizando um trabalho meritório e profícuo no Ministério da Educação ...
(...) Enquanto isso os alunos continuam com a indisciplina, a violência, os maus comportamentos dentro e fora da sala de aula e a isto o ministério nada diz. Ou melhor, descarta-se "dizendo": aturem-nos e aguentem. Se não conseguirem metam baixa e inundem os consultórios dos psiquiatras!".

António Cândido Miguéis
Vila Real

sexta-feira, outubro 05, 2007

O discurso de Cavaco Silva

Muitos professores terão ficado com a lágrima ao canto do olho só porque o Presidente da República alertou para a necessidade de se prestigiar a função docente. Pensam eles que o discurso de hoje pode constituir um sinal de mudança. Decididamente a classe não aprende. Não foi Cavaco Silva que promulgou um ECD que só desprestigia e desqualifica a profissão? Alguém o viu colocar em causa a constitucionalidade do documento quando havia pareceres a indicar a inconstitucionalidade de vários artigos? Porventura veio defender os professores dos constantes ataques de que têm sido vítimas por parte da tutela e da sociedade civil? Alguma vez criticou a política educativa do Governo? Caríssimos colegas, não sejam ingénuos, não se deixem levar por discursos de circunstância. Estas palavras, como bem sabemos, vão ser levadas pelo vento. Não terão efeitos práticos rigorosamente nenhuns. O Governo irá continuar a sua campanha de combate aos professores e estes manterão a sua habitual passividade, ou seja, continuarão a comer e a calar como sempre têm feito até aqui. Querem apostar?

quarta-feira, outubro 03, 2007

Realidade vs Marketing

"Os discursos oficiais anunciavam um caminho capaz de tirar Portugal rapidamente dos últimos lugares no que respeita à qualidade do ensino.
As famílias que se preocupam com o futuro dos filhos já tinham razões para desconfiar de tão fabuloso marketing, porque a experiência de grande parte das escolas desmentia o optimismo oficial.
É também por causa da deficiente qualidade do ensino público que as melhores escolas privadas das grandes cidades têm listas de espera infindáveis. Muitas escolas públicas transformaram-se em simples depósitos de alunos, onde a preocupação dos professores é cumprir o programa, aprendam os alunos ou não.
No final do ano passam todos para evitar chatices e pressões por causa das más estatísticas. Assim chegam ao antigo ciclo preparatório alunos que praticamente não sabem ler, escrever ou contar. E concluem o Ensino Secundário jovens que não conseguem entender o sentido de um texto.
Há alunos sem professor, escolas sem condições e contentores transformados em salas de aula.
Não basta as boas intenções do Ministério para que a Educação seja um efectivo investimento no capital humano".

Armando Esteves Pereira
Director Adjunto
Correio da Manhã

terça-feira, outubro 02, 2007

Escola triste, triste Escola...

"A inauguração oficial de mais um ano lectivo, distribuída por diversos estabelecimentos de ensino, foi um espaço de afirmação de um poder que mexe, que sabe aparecer, que manda, que controla, que até oferece computadores com uma prodigalidade nunca vista!... Tudo sucedeu em ar de festa… Para tentar alegrar (ludibriar?) a malta?... Apenas para inglês ver?...
Não assisti a nenhum desses actos. Discordo do seu formato tradicional, muito formal, com convidados importantes, bem trajados e frios. Daqueles que não passam cartão ao povo, sobretudo aos alunos que não lhes batem palmas nem lhe estendem a passadeira. Reprovo o repetido aproveitamento destas sessões. Têm um ar postiço, cheiram a falso. Será que mobilizam as comunidades escolares?... Não creio…
Neste início de ano lectivo, por razões diversas, fui visitar três escolas. Quando lá cheguei, já estavam a funcionar. Ou, melhor, já estavam atulhadas de gente. Em todas elas reinava a confusão. Seria a barafunda própria do recomeço?... Talvez. Vejamos: encontrei professores de cabeça baixa, em fila de espera, sentados nos sofás dos corredores de acesso aos Gabinetes dos Conselhos Executivos, resmungando contra a sobrecarga dos seus horários, barafustando contra a incerteza e a indefinição que caracterizam o momento actual da Escola Portuguesa; ouvi pais e encarregados de educação indecisos, desconfiados com o rumo da educação escolar ministrada aos seus educandos; falei com empregados ensonados, indiferentes ao momento, passivos, à espera de melhores dias; escutei alunos com a atenção voltada para a brincadeira, confortados com o convívio do recreio, enfadados com o recomeço das actividades lectivas.
As três escolas que eu visitei são o espelho da Escola Portuguesa. Uma grande Casa sombria, triste, desanimada, sem esperança, derrotada.
Aquele acumular de tristeza que invade as nossas escolas, que lhes arrefece o ambiente, incomodou-me. Fiquei impressionado, desolado. Como é que o ensino pode frutificar num terreno tão abandonado, tão melancólico, tão desapontado? Como é que os alunos e os professores podem desenvolver um trabalho alegre e produtivo num espaço inundado de revolta surda e de desapontamento? Como é que nós queremos que as nossas escolas sejam agentes positivos de mudança quando elas estão transformadas em ninhos de uma enorme e generalizada revolta e frustração?
Que tristeza!... Que desgosto ver a Escola mergulhada na mais profunda desolação e amargura!... Que dor!... Haverá inaugurações oficiais, com festas e com brindes, que sejam capazes de mudar o estado de alma das nossas escolas? Não cremos. As causas da tristeza são profundas, são estruturais, entroncam num sistema remendado que não entusiasma ninguém, em práticas continuadas de afronta e de descrédito dos profissionais do ensino, numa navegação à vista, na prevalência de critérios de natureza financeira sobre critérios de ordem pedagógica, numa nova categorização dos docentes que comporta as mais gritantes injustiças, etc.
Uma Escola triste, não pode entusiasmar ninguém, não pode animar e pintar de esperança o futuro das crianças e dos jovens que a frequentam. Ou seja, uma Escola triste não pode cumprir o seu papel, a sua função.
Uma Escola triste é uma fonte de amargura que se espalha por toda a sociedade. Já viram o que sente um jovem, na sua irrequietude e vontade de viver, ao encontrar na escola um ambiente acabrunhado e pesaroso? Não liga.
Uma Escola triste é uma triste Escola... Anda muito triste a Escola Portuguesa... Os jovens não gostam de ambientes deprimentes… Mudemos a Escola, rapidamente, para que os jovens, libertos deste desconsolo, possam mudar esta Sociedade murcha em que nos vamos consumindo".

José Fernando Rodrigues Alves Pinto
Mestre em Estudos Económicos e Sociais
O Primeiro de Janeiro

segunda-feira, outubro 01, 2007

O homem odeia os professores

"Saiu o regulamento para a classificação dos professores com vista à sua subida na carreira. Desapareceu a enormidade da participação dos pais no processo (a menos que sejam os próprios professores a requerê-lo), evitou-se a discriminação entre escolas boas e escolas "difíceis" e o que restou pareceu-me um sistema adequado e justo para premiar o mérito, a assiduidade e o esforço - certamente melhor do que nada. Mas, claro, a Fenprof está contra - como sempre, sempre, está contra qualquer medida que exija resultados ao sistema e aos professores e que tente inverter a situação catastrófica em que tem vivido o ensino. À fenprof interessa apenas o que respeite ao bem-estar dos professores, mesmo à custa da perpetuação do subdesenvolvimento cultural do país. A Fenprof acha que um professor que falte deve ter os mesmos direitos que um que não falte; acha que um que obtenha melhores resultados não deve ser beneficiado relativamente a outro que se está nas tintas para os resultados dos alunos; acha que um sistema de classificação em que nem todos podem obter a classificação máxima está desvirtuado à partida; acha, em suma, que classificar professores em função do seu mérito e dos resultados obtidos é uma ofensa aos direitos adquiridos".

Miguel Sousa Tavares
Expresso

sábado, setembro 29, 2007

As quatro fases do ensino ao longo dos tempos

Recebido via e-mail:

"- 1ª fase (antes de 1974) : O aluno ao matricular-se ficava automaticamente chumbado. Teria de provar o contrário ao professor.
- 2ª fase (até 1992) : O aluno ao matricular-se arriscava-se a passar.
- 3ª fase (actual) : O aluno ao matricular-se já transitou automaticamente de ano, salvo casos muito excepcionais e devidamente documentados pelo professor, que terá de incluir no processo, obrigatoriamente um “curriculum vitae” extremamente detalhado do aluno e nalguns casos da própria família.
- 4ª fase ( em vigor a partir de 2007) : O professor está proibido de chumbar o aluno; nesta fase quem é avaliado é o próprio professor, pelo aluno e respectiva família, correndo o risco quase certo de chumbar… "

sexta-feira, setembro 28, 2007

Santana Lopes versus José Mourinho versus SIC Notícias



Uma lição de dignidade

Não se deixem enganar

Recebido via e-mail:
"Os computadores que a TMN propõe por quase 800 euros (150 € de entrada + 3 anos x 17,50€ / mês) estão à venda na FNAC por 499 euros... e a FNAC tb oferece crédito que acaba por sair mais barato do que a oferta do nosso governo no âmbito do seu programa de choque tecnológico. O que me assusta é que tenho a certeza que não vão faltar professores para cair na esparrela e comprar aquilo. Se não acreditam investiguem, e... É só fazer as contas!... "

sexta-feira, setembro 21, 2007

Novas Oportunidades e desemprego de licenciados

"O problema das dezenas de milhares de candidatos a professores que não obtiveram emprego não é, como é óbvio, um problema só do Ministério da Educação. Também o é em parte, mas como diz e bem a ministra é um problema de desemprego mais global do País. E tem acrescentado, com uma rara frontalidade, que não se prevê tão cedo que esses licenciados possam obter emprego com as qualificações que têm. Os 40 mil rejeitados da educação são apenas a face mais visível do desemprego de jovens qualificados, que apenas uma minoria supera e uma minoria da minoria resolve indo para fora de Portugal.
Ora, no mesmo momento em que o Governo diz às pessoas no seu programa das Novas Oportunidades que "se tivesses estudado não serias balconista mas locutora de televisão", tem de admitir que muitos que estudaram para professores, engenheiros, advogados, psicólogos, sociólogos e outras profissões, que implicam esses mesmos "estudos" e qualificações que se propagandeiam nas Novas Oportunidades, acabem por ser balconistas, na melhor das hipóteses, quando não desempregados. Uma mão dá, outra mão tira".

Pacheco Pereira
"Sábado"

quarta-feira, setembro 19, 2007

Perseguição injusta

O Ministério da Educação não gostou do estudo feito pela DECO sobre a temperatura e a qualidade do ar nas salas de aula. Como as conclusões do dito não lhe são favoráveis nada melhor do que colocar em causa a credibilidade dos mesmos.
Hoje mesmo, o Supremo Tribunal Administrativo confirmou a ilegalidade da repetição dos exames do 12ºano. Querem ver que o STA também se está a autopromover e esta decisão é mais uma barbaridade que tem como objectivo descredibilizar o excelente trabalho da tutela?

terça-feira, setembro 18, 2007

Acabaram-se os males na educação

O Ministério da Educação quer-nos fazer crer que descobriu a receita para o êxito na educação. Segundo a tutela e mais uns quantos especialistas encartados, é no ensino técnico-profissional que reside a cura para a desorientação que se instalou no sistema de ensino, desde há várias décadas. A partir de agora tudo vai mudar. Para melhor. Basta para tanto investir na formação profissional e o caminho do sucesso está logo ali, ao virar da esquina. Pois sim! Como se o ensino profissional já não existisse há uma catrefada de anos com os resultados que se conhecem.

segunda-feira, setembro 17, 2007

www.netparatodos-bluff.gov

"Quando na passada semana abordei o despedimento colectivo de milhares de professores contratados com quem o Governo quis poupar mais alguns milhões de euros, estava longe de imaginar o degradante espectáculo de propaganda que o Governo tinha preparado para a abertura do ano lectivo.
Em nenhum país do mundo desenvolvido o início de um novo ano escolar merece dos respectivos governos uma atenção muito especial. É geralmente considerado um acto administrativo importante mas quase normal, no fundamental destinado a promover o reencontro de alunos, pais e professores com as respectivas escolas e projectos educativos. Assim deveria ser também entre nós mas não é. Em Portugal, Sócrates quis que a abertura do ano lectivo entrasse no Guinness, por isso mandou quase todos os seus ministros abandonar a governação e passar uma semana a fazer pose e a distribuir computadores! Foram 21 os governantes empenhados nesta megaoperação de propaganda, verdadeiro paradigma do ridículo e do anedotário da "nossa" Presidência Europeia!
Mas o que ninguém viu foi Sócrates e Lurdes Rodrigues a entregar computadores e a abrir o ano lectivo em escolas inseridas em áreas e bairros problemáticos, com edifícios cinzentos de humidade e apoios miseráveis para alunos cuja origem social só por milagre lhes permite almejar a tão falada igualdade de oportunidades.
O que ninguém ouviu foi Lurdes Rodrigues explicar porque é que este ano mudou as regras do mais recente concurso de professores, exactamente no dia em que a lista das colocações foi afixada!
O que ninguém ouviu foi Sócrates explicar a "nova teoria pedagógica" que exulta com o aumento do número de alunos e a diminuição do número de professores!
O que ninguém viu foi José Sócrates ou Maria de Lurdes Rodrigues prestar a mínima atenção aos milhares de profissionais da educação contratados a menos de oito euros por hora (e pagos por períodos lectivos de 50 minutos) para darem as aulas de extensão curricular do 1º ciclo com que o Governo "enche a boca" em actos de propaganda!
Perante tudo isto chego a imaginar que José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues pensam que é possível melhorar a formação, combater o abandono escolar, enfim, reformar a Educação em Portugal, continuando a desprezar os professores, a fomentar a sua desvalorização profissional e "guetização" social. Oxalá os professores deste país tenham a capacidade e memória suficientes para lhes fazer engolir - mais tarde ou mais cedo, no máximo em 2009 - tamanha pesporrência!"

Honório Novo
Jornal de Notícias

quinta-feira, setembro 13, 2007

Exigências da propaganda

Nos últimos tempos, tantas têm sido as vezes que José Sócrates e a sua entourage reclamam a presença dos media nas cerimónias de entrega de computadores portáteis que, qualquer dia, a RTP vai ter de reservar um espaço próprio na sua programação para fazer eco de tão “importante” acto. É que ainda estão muitos milhares por entregar e os escassos minutos dos Telejornais começam a ser exíguos para tanta solicitação.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Ainda há quem tenha orgulho em ser português

Propaganda enganosa

O primeiro-ministro, José Sócrates, considera que o sistema de ensino do país está a “ganhar eficiência” e que, actualmente, “há menos professores e mais alunos, assim como menos desperdício de dinheiro.

Ainda na semana passada a “nossa” Maria de Lurdes justificava o desemprego de 45.000 professores por haverem menos alunos e agora vem o engenheiro congratular-se com o facto de haver mais alunos no sistema de ensino. Mas afinal em que é que ficamos? Qual dos dois está a mentir?

Relativamente ao aumento do sucesso escolar ser resultado da política educativa do governo, aí estamos de acordo. Na verdade, ao diminuir-se o nível de exigência é evidente que o sucesso aumenta. Claro está que os alunos não sabem mais, não estão melhor preparados, mas isso não parece preocupar a tutela. O que importa é reduzir o insucesso. A qualquer preço.

domingo, setembro 09, 2007

Não precisamos de tantos professores

"Os sindicatos grelharam esta semana a ministra da Educação porque 45 mil professores ficaram sem colocação nos concursos. Porque é o resultado de uma política errada (fecho de escolas), porque é um ataque “à classe”, etc, etc. Nenhum reconheceu o óbvio: se a pirâmide etária se inverteu ...
Nenhum reconheceu o óbvio: se a pirâmide etária se inverteu (menos alunos), há professores que deixam de fazer falta. E das duas uma: ou é um problema passageiro, e faz sentido ajudar a “classe”; ou é um problema estrutural, e é melhor dizer aos excedentários para irem tratando da vidinha.
Como se pode ver pela taxa de natalidade, a segunda hipótese é a mais provável. Então se não é um problema passageiro, para quê desencorajar os professores de procurarem profissões de que a Economia necessita? Os professores deviam saber que a lei da oferta e da procura (tão velhinha que até os da área de Letras a estudaram é eficientíssima a alocar recursos. Neste caso o Trabalho. Ou seja, em vez de subsídio de desemprego, o Governo devia pagar-lhes para estudarem profissões em défice.
É claro que, mesmo com os incentivos correctos, haverá gente a recusar a reconversão: “Se eu tenho jeito para ensinar, porque vou ‘aprender computadores’?”, perguntou-me um dos tais 45 mil? “Porque eu não quero pagar a tua ociosidade”, respondi. A minha mãe não iria gostar de ouvir o que ouvi..."

Camilo Lourenço
Jornal de Negócios

sábado, setembro 08, 2007

A orientação escolar e profissional tem falhado

"
JOSÉ CANAVARRO, ex-secretário de Estado da Educação

Que razões explicam a elevada e persistente taxa de abandono escolar, que é mais do dobro da média da UE?

Haverá condições socioeconómicas que podem explicar o fenómeno, combinadas com falhas de orientação profissional por parte do sistema de ensino. Mas a investigação internacional que existe sobre o assunto demonstra que não são os períodos de crise económica que são responsáveis pelo aumento do abandono escolar. Porque quando há recessão há menos emprego e alternativas para os jovens no mercado de trabalho.

Se a crise económica está afastada, que outras razões?

O Governo está a fazer uma aposta meritória nos cursos profissionalizantes, embora os resultados só devam começar a aparecer em 2009 ou 2010. Ainda não se conhecem os resultados dessas apostas, que foram introduzidas no último ano lectivo. Mas o essencial é que a orientação escolar e profissional tem falhado. É preciso repensar toda a oferta profissionalizante a partir do 3.º ciclo do ensino básico. Ou seja, ao contrário do que acontece agora, a oferta profissionalizante deveria começar logo no 7.º ano e não no 9.º. Porque desde relativamente cedo se conseguem perceber as capacidades cognitivas dos alunos e os seus níveis de interesse.

O Ministério da Educação deve apostar mais na orientação profissional?

É crucial que o ministério contrate mais pessoal especializado na orientação profissional, porque actuar num aluno em risco só a partir dos 15 anos já é muito tarde. Esse trabalho deve ser feito em articulação com as famílias dos alunos em risco.

Não deveríamos estar já a convergir de forma muito mais rápida com a média da União Europeia?

Absolutamente. Penso que as prioridades do Governo têm estado mais centradas na qualificação de adultos, através dos centros de novas oportunidades, do que nos jovens, que permitem uma qualificação muito rápida, a meu ver, rápida demais. Isso permite mudar mais rapidamente as estatísticas comparativas da população em geral e melhorar a imagem de Portugal. Mas a qualificação dos adultos não se reflecte na estatística do abandono escolar.

Porque há uma tão grande disparidade (15 pontos) entre a taxa de abandono escolar dos rapazes e das raparigas? E em Portugal é três vezes maior do que na UE...

Os estudos dizem que desde os quatro anos de idade, as meninas pontuam 10% acima dos rapazes em capacidades cognitivas e de memória, sendo os rapazes mais indisciplinados. Isto é a regra. Mas num país como o nosso, em que ainda é possível sair da escola para ir trabalhar nas obras e noutro tipo de trabalho desqualificado, as condições para o abandono escolar são facilitadas".

Entrevista publicada no
Diário de Notícias

sexta-feira, setembro 07, 2007

A estatística "mentirosa"

"Com a arrogância só possível de exibir por quem nada entende do que fala, a “sinistra” ministra dispara estatísticas estarrecedoras: afinal o rácio professor/aluno é em Portugal dos mais baixos da Europa, cerca de 9 alunos por professor. Escândalo, pensa o “povão”, tão ignorante nestas matérias quanto a “sinistra”, então que querem os malandros dos professores? Não contentes com os três meses de férias e só terem de trabalhar 14 ou 16 horas por semana, afinal só têm esses alunos? E depois ainda se queixam que não têm tempo para ver “tantos” testes? Deviam era de mandar mais umas dezenas de milhar para a rua!! Bom, vamos lá ver se introduzimos alguns neurónios neste assunto. Para simplificar a compreensão do “fenómeno estatístico” consideremos uma escola somente com 4 turmas, cada turma com 25 alunos, frequentando 10 disciplinas, cada uma leccionada por um professor diferente, que leccionando às 4 turmas fica com horário completo. Assim, a escola tem 100 alunos e 10 professores, portanto o rácio é de 10 alunos por professor. Significa isso que cada professor tem 10 alunos? Não, com 4 turmas de 25 alunos, cada professor tem 100 alunos! E com isto, penso que está feito o esclarecimento".

Anónimo