quinta-feira, janeiro 31, 2008
terça-feira, janeiro 29, 2008
Não há que ter dúvidas sobre a estratégia a seguir
Na Educação, apesar da quantidade e, sobretudo, da gravidade dos erros acumulados, a contestação não existe, ou se existe, tarda em ser compreendida pela maioria das pessoas. Daí que o “trio maravilha”, continue, de forma imperturbável, a dar cartas como muito bem entende. Está visto que isto só lá vai com berros e murros na mesa. Os professores, lamentavelmente, ainda não perceberam isso.
segunda-feira, janeiro 28, 2008
A Geração dos Morangos com Açúcar
O “caminho demasiado plano” dos três ciclos do ensino básico faz com que os alunos circulem velozmente em auto-estradas sem paragens e quaisquer percalços, mas ao depararem-se com a primeira portagem a pagamento, para prosseguirem os exigentes ensino secundário e universitário, levando as mãos às algibeiras, verificam ter os bolsos vazios de conhecimento e cheios de cotão de ignorância. Mas não se pense que este é apenas um mau fado de gente lusitana!
Charles Sykes, docente da Universidade de Wisconsin-Milwake e palestrante nas principais universidades norte-americanas, no seu livro “Dumbing down our kids” (“New York: St. Martin’s Press, United States, 1995) dá-nos conta de princípios que os estudantes do ensino secundário e diplomados do ensino superior não aprendem na escola por o “sistema” criar uma geração de jovens sem o sentido da realidade promotora do respectivo falhanço na vida que os espera no futuro. Para que os estudantes possam vir a ter sucesso na vida profissional, estabeleceu onze regras:
Regra nº1: “A vida não é justa, acostuma-te a isso”.
Regra nº2: “O mundo não se importa com a tua auto-estima. O mundo espera que faças alguma coisa por ele para te sentires bem contigo próprio”.
Regra nº3: “Não ganharás 40.000 dólares por ano mal saias da escola secundária. Não serás um vice-presidente com carro e telefone ao teu dispor até os mereceres”.
Regra nº4: “Se achas que o teu professor é exigente espera até teres um patrão. Este não será tolerante”.
Regra nº5: “Fazeres hambúrgueres não rebaixa a tua dignidade. Os teus avós têm uma expressão diferente para isso – chama-lhe oportunidade”.
Regra nº6: “Se fracassares não é por culpa dos teus pais. Por isso, não te lamentes com os teus erros. Aprende com eles”.
Regra nº7: “Antes de nasceres, os teus pais não eram tão aborrecidos como agora. Tornaram-se assim ao pagarem as tuas contas, limparem o teu quarto e se aperceberem do teu grande idealismo. Por isso, antes de exterminares os parasitas que julgas ser a geração dos teus pais, tenta arrumar o teu quarto”.
Regra nº8: “A tua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e vencidos, mas a vida não. Em algumas escolas aboliram as reprovações dando-te todas as oportunidades que queres para dares a resposta correcta. Isto, naturalmente, não tem a menor semelhança com alguma coisa da vida real”.
Regra nº9: “A vida não se divide em semestres. Não terás verões livres e poucos empregadores estão interessados em ajudar a te encontrares a ti próprio. Fá-lo-ás por ti só”.
Regra nº10: “A televisão não é a vida real. Na vida real, as pessoas têm de deixar a vida de café e irem trabalhar”.
Regra nº11: “Sê simpático para com os patetas. Há uma possibilidade de trabalhares para um”.
Face ao descarado facilitismo que assentou arraiais num país em que “a escola, a boa escola, não ocupa ainda o lugar a que tem direito” (Carlos Fiolhais), não será chegada a altura das entidades ministeriais competentes oferecerem à República Portuguesa e aos seus cidadãos um sistema educativo de qualidade e sem ser a duas velocidades? De morado e exigente para jovens que são obrigados a satisfazer um percurso académico normal. E, por outro lado, deveras permissivo e rápido no caso de adultos na obtenção do diploma do 12º ano de escolaridade, através do Programa Novas Oportunidades, e complemento de habilitações em universidades privadas, a fim de passagem de bacharel a licenciado num percurso académico do género de “Morangos com Açúcar”!
No início do ano, o Presidente da República, Cavaco Silva, com a experiência de um percurso académico nada fácil, lançou o aviso: “Não podemos dispensar a exigência para com os alunos”. Em minha opinião, nem que para isso se torne necessária a criação de uma Junta de Salvação Nacional da Educação, formada por personalidades, sem tutelas ou fretes partidários, desvinculadas de meras questões sindicais entre o Estado-patrão e o professor-empregado, e, principalmente, sem qualquer responsabilidade pelo actual estado caótico a que chegou a Educação.
Ou seja, personalidades independentes que sejam capazes de assumir o papel de destemidos forcados no redondel onde resfolega ameaçador o touro da IGNORÂNCIA, e em que os professores – com ou sem razão – têm servido de cepo de marradas de uma sociedade civil mal informada pelas entidades oficiais. De forma mais ou menos intencional, de maneira mais ou menos perversa!".
Rui Baptista
sábado, janeiro 26, 2008
Fichas de avaliação do desempenho docente
Ficha de avaliação do desempenho dos docentes do 2º e 3ºCiclos e do Ensino Secundário - avaliação efectuada pelo Coordenador de Departamento.
Ficha de avaliação do desempenho dos docentes do 2º e 3ºCiclos e do Ensino Secundário com funções de avaliador - avaliação efectuada pelo Coordenador de Departamento.
Ficha de avaliação do desempenho dos docentes do 1º, 2º e 3ºCiclos e do Ensino Secundário - avaliação efectuada pelo presidente do Conselho Executivo.
Ficha de avaliação do desempenho do Coordenador do Conselho de Docentes ou do Departamento Curricular - avaliação efectuada pelo presidente do Conselho Executivo.
Ficha de avaliação global do desempenho dos docentes do pré-escolar, 1º, 2º e 3ºCiclos e do Ensino Secundário.
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Um Governo inimputável
Em primeiro lugar, e pelas razões acima, não se acusa o Governo em casos que envolvam falecimentos ou doenças terminais. Se meia dúzia de anónimos são mortos a tiro por um gangue que passeia metralhadoras ante a indiferença das autoridades, o Governo não tem culpa – e insinuar que tem é demagógico, mesquinho e oportunista. Se um canceroso vê o seu estado agravado após ser forçado a trabalhar pela Caixa Geral de Aposentações, o Governo não tem culpa – e insinuar que tem é demagógico, mesquinho e oportunista.
A contenção não se limita ao luto. Visto que o eng. Sócrates se irrita com praticamente tudo, é provável que praticamente nada possa ser utilizado como argumento contraditório sem merecer a imediata classificação de demagógico, mesquinho, etc. Na economia, nas finanças, na educação, nas polícias e no que calha, o Governo age sempre com suprema e comprovada sabedoria, pelo que os únicos comentários legítimos à acção governativa se resumem a louvores. Se a realidade tende para o torto, e tende com curiosa frequência, isso é fruto do acaso.
No fundo, trata-se de instaurar um regime levemente inimputável e metafísico, onde quem manda não pode ser responsabilizado pelas suas escolhas e quem obedece não deve pedir contas senão ao destino. Se a impunidade desse para os dois lados, pelo menos os descontentes sentiam-se aliviados por terem eleito o eng. Sócrates. Mas não dá”.
Alberto Gonçalves
Sábado
quinta-feira, janeiro 24, 2008
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Nada se consegue sem luta
O Ministério da Educação não pára de brincar com a dignidade dos professores. Não é de hoje. Desde que esta equipa tomou contas dos destinos da Educação, outra coisa não tem feito. E os professores o que fazem? Indignam-se, barafustam, desacreditam, desmotivam, mas esquecem o essencial. Para combater esta gente que desgoverna as nossas escolas é preciso muito mais. É chegada a altura de dizer basta! Basta de mentiras, basta de incompetência, basta de prepotência, basta de subordinação. Exijamos respeito. Não somos nem queremos ser mais do que os outros. Somos apenas profissionais que merecem ser respeitados. E só conseguiremos que nos respeitem quando tivermos a coragem de acabar com esta atitude cobarde, passiva e submissa com que aceitamos todos os ditames da tutela. Afinal de contas, de que massa somos feitos?!
terça-feira, janeiro 22, 2008
A escola não deve ser fácil
Professor Valadares Tavares
sexta-feira, janeiro 18, 2008
A avaliação de desempenho
Alterações ao Estatuto do Aluno
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Resumo dos aspectos essenciais da avaliação de desempenho dos docentes
De acordo com estes princípios, a avaliação de desempenho tem como referência os objectivos e as metas fixados no projecto educativo e no plano anual de actividades dos agrupamentos e das escolas, podendo ainda considerar os objectivos definidos no projecto curricular de turma.
São ponderados, igualmente, os indicadores de medida previamente estabelecidos pelas escolas, nomeadamente quanto ao progresso dos resultados escolares esperados para os alunos e à redução das taxas de abandono escolar, tendo em conta o contexto socioeducativo.
Os objectivos individuais da avaliação de desempenho são fixados por acordo entre os avaliadores e o professor avaliado, com base numa proposta por este apresentada, no início do período em avaliação.
O sistema de avaliação de desempenho abrange os professores em exercício efectivo de funções, incluindo os docentes em período probatório e os contratados, bem como aqueles que se encontram em regime de mobilidade em organismos da Administração Pública, que são avaliados nesses organismos segundo as funções que aí exercem.
A avaliação dos professores titulares que exercem as funções de coordenadores do conselho de docentes e de departamento curricular é igualmente regulamentada, clarificando-se que estes docentes também são avaliados pelo exercício da actividade lectiva.
A avaliação realiza-se no final de cada período de dois anos escolares e reporta-se ao tempo de serviço prestado nesse período. Para tal, é necessário que os professores tenham prestado serviço docente efectivo durante, pelo menos, um ano escolar, independentemente do estabelecimento de ensino onde exerceram funções. Este tempo pode ser inferior no caso dos docentes contratados, realizando-se a avaliação no termo do contrato.
Os avaliadores, no âmbito deste processo, são os coordenadores dos departamentos curriculares e os presidentes dos conselhos executivos ou os directores. A prática lectiva dos coordenadores dos departamentos curriculares é avaliada por inspectores em termos a regulamentar.
A comissão de coordenação da avaliação de desempenho, a quem cabe validar as classificações de Excelente, de Muito Bom e de Insuficiente, é integrada pelos presidentes do conselho pedagógico, que assumem a coordenação, e por quatro outros membros do mesmo conselho com a categoria de professores titulares.
Fases do processo de avaliação
O processo de avaliação processa-se de acordo com as seguintes fases, estabelecidas de forma sequencial:
-Preenchimento da ficha de auto-avaliação;
-Preenchimento das fichas de avaliação pelos avaliadores;
-Conferência e validação das propostas de avaliação com a menção qualitativa de Excelente, de Muito Bom ou de Insuficiente, pela comissão de coordenação da avaliação;
-Realização de entrevista individual dos avaliadores com o respectivo avaliado;
-Realização da reunião conjunta dos avaliadores para atribuição da avaliação final.
A diferenciação dos desempenhos é assegurada pela definição de patamares de exigência que se concretizam na fixação de percentagens máximas para a atribuição das classificações de Muito Bom e de Excelente, por agrupamento ou por escola, tendo como referência os resultados obtidos na respectiva avaliação externa.
Para mais informações, consultar o Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro".
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Publicação do regime de avaliação dos docentes
segunda-feira, janeiro 07, 2008
A mentira que representa o Programa Novas Oportunidades
Carlos Pereira, 45 anos, tinha apenas o ensino primário. Em 3 meses já conseguiu elevar, e muito, o seu nível de escolaridade. Acabou de fazer o 9º ano e não pensa ficar por aqui. Inscreveu-se numa nova etapa e nos próximos 3 meses pensa concluir o 12º ano e depois, quem sabe, tirar Engenharia Informática que é o seu grande sonho.
Aquilo que a maioria de nós foi obrigado a fazer em 12 anos, é possível agora fazer-se em 6 meses. Parece mentira mas é verdade. Contrariamente ao que José Sócrates tem apregoado, assim é fácil voltar à escola. Seria excelente que estes portugueses voltassem à escola para aprenderem alguma coisa. Infelizmente, não é isso que acontece e, aliás, nem é isso que os motiva a lá voltarem. Eles voltam apenas porque sabem que não têm de se esforçar minimamente para alcançarem os seus objectivos. Fosse outra a exigência e veríamos quantos se inscreveriam no programa. Ora, com todo este facilitismo é óbvio que só os totós desaproveitariam uma oportunidade destas. Do mesmo modo se percebe porque é que os portugueses tanto valorizam a prestação da ministra da Educação. Pudera, com benesses destas como é que a maioria não há-de gostar da dita senhora. O governo, claro está, não olha a meios na implementação do Programa porque sabe que tudo isto representa muitos votos nas urnas.
E assim se combate de forma administrativa o analfabetismo em Portugal e se elevam as qualificações dos portugueses. Certificação sem qualificação é o que oferece tão badalado Programa. Isto é só mais um escândalo a juntar a tantos outros que com notável regularidade vão acontecendo em Portugal e que, curiosamente, não tem merecido da parte dos fazedores de opinião a crítica exigível. Não se percebe o silêncio desta gente, pois são medidas como esta que comprometem definitivamente o futuro de um país inteiro. Se considerarmos a Educação como o garante básico do progresso, se aceitarmos que a Educação representa o sustentáculo dessa esperança, e que a esperança é tudo aquilo que temos para o futuro, então teremos de reconhecer que esta lógica assente no facilitismo, esta ânsia de perversão cega da realidade estatística, irá fatalmente e a curto prazo custar muito caro a todos nós. E quando isso acontecer sempre quero ver quem é que vai assumir a responsabilidade deste completo desnorte.
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Triste povo
terça-feira, janeiro 01, 2008
Glen Hansard - trailer do filme "Once"
Para quem nunca ouviu este senhor tem aqui uma excelente oportunidade. Soberbo.
Novo regime jurídico de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário
quinta-feira, dezembro 27, 2007
Uma primeira avaliação ao Plano Tecnológico, ao Simplex e às Novas Oportunidades
O Plano Tecnológico traduz muito do deslumbramento de Sócrates e da sua geração pelo poder das tecnologias, e pela crença de que as tecnologias têm efeitos sociais de per se. Não têm. São instrumentos que só actuam em contextos sociais próprios e muitos milhares de euros de material avariado, computadores, gadgets estão por essas escolas e instituições públicas onde, depois de belas sessões públicas de ofertas e inaugurações, não se cuidou, por exemplo, da manutenção. Para além disso, ter banda larga em Ferreira do Alentejo é excelente se ela servir para alguma coisa, se as literacias para a usar existirem para além da ida à Internet para ver os sítios de futebol, pornografia e as fotografias da turma no hi5.
Terá ainda que se esperar para ver outros resultados do Plano Tecnológico, mas este perdeu dinâmica no último ano.
Quanto às Novas Oportunidades, foram no seu início um sucesso naquilo que era mais difícil: revalorizar o papel do ensino, da educação, da aprendizagem, do saber, em sectores da população que na sua vida tinham voltado as costas a esses valores, por necessidade ou por facilidade. Porém, o programa entra agora numa fase crucial: após os momentos de arranque inicial, é suposto que se comece agora a aprender e a ser avaliado. Essa é a parte mais difícil, mas a que justifica o projecto. E aqui as intenções iniciais começam a esmorecer, os atrasos a somarem-se, a perplexidade dos formadores a aumentar e o anúncio regular pelo Governo da outorga de mais uns milhares de diplomas faz suspeitar de facilitismo. Vamos ver”.
Pacheco Pereira
quinta-feira, dezembro 20, 2007
A Escola e o mundo perfeito
Francisco José Viegas
segunda-feira, dezembro 17, 2007
segunda-feira, dezembro 10, 2007
Doutores e Engenheiros
João Pereira Coutinho
domingo, dezembro 09, 2007
Violência nas escolas
Alice Vieira
sábado, dezembro 08, 2007
Professor denuncia ruína do ensino profissional
"Qual o motivo que o levou a recorrer ao Presidente?
Recorri ao Presidente da República por ser quem nos representa e quem deve saber tudo o que se passa no país. E é preciso que o país saiba que tipo de filhos estão as famílias portuguesas a criar e que os professores estão cansados, desanimados, desautorizados e com vontade de arranjar outra ocupação. Os professores estão transformados em amanuenses, obrigados a preencher papelada e mais papelada, e dentro da sala de aula a sua “luta” não é ensinar mas manter os alunos quietos, calados e se possível atentos. O PR tem o direito, o dever e a obrigação de perguntar ao Governo que sucesso é esse tão apregoado no ensino. Escrevi-lhe, também, em nome dos que não podem falar, porque é preciso que se saiba que as escolas estão preocupadas não com a transmissão de conhecimentos mas em “levar” os alunos até ao mês de Junho, de modo a poderem ter um diploma. Transformaram-se em “carimbadoras” de certificados, servindo-se das assinaturas dos professores para dar cobertura legal a esta mentira e a este engano que são os Cursos de Educação e Formação (CEF). Parece estar toda a gente muito feliz e contente a ver passar o cortejo onde o rei vai rotunda e adiposamente nu.
Porque só agora escreveu?
Tive, no ano passado, e pela primeira vez, turmas dos Cursos de Educação e Formação (CEF). Foi um grande choque ver a indiferença com que estes frequentadores da escola encaravam a sua actividade de estudantes (não lhes fica bem o nome de “alunos”, porque um aluno tem um compromisso com a escola e o objectivo de aprender). Estes frequentadores da escola aparecem nas aulas sem trazer uma esferográfica ou uma folha de papel. Trazem o boné, o telemóvel, os “headphones” e uma vontade incrível de não aprender nem deixar aprender.
Admite que a situação que viveu possa ser um problema localizado a esse ano ou a esse grupo de alunos?
Dos perto de 500 “mails”, chamadas telefónicas e mensagens de telemóvel que recebi, fiquei com a informação de que esta informação é geral. O comentário mais comum é de admiração por eu ter descrito exactamente o que se passa nas suas turmas. Muitos dizem-me que pensavam que isto só acontecia com eles e agradecem-me por tê-los ajudado a verificar que, afinal, não estão loucos. Eu mesmo senti, numa aula, que devia ter desembarcado num outro planeta, ao ver os alunos numa grande algazarra, como se a sala de aula fosse uma extensão do recreio. Apenas uma professora me diz que os cursos de jardinagem funcionam bem numa escola de Loures.
Na sua opinião, qual o nível de conhecimentos com que os alunos saem dos CEF?
Não sei qual o nível de aprendizagem noutras componentes, mas em Física e Química mostram um desconhecimento atroz de assuntos básicos. Não sabem que um livro corresponde a um decímetro cúbico, não sabem converter centímetros em metros e vice-versa. Pensam que se passa de minutos para horas andando com a vírgula para a esquerda. Se lhes der a velocidade de um móvel não sabem calcular a distância percorrida ao fim de um certo período de tempo. E o mal não é o desconhecimento, pois a minha função era eliminá-lo. O mal residia no facto de esses conhecimentos não serem assimilados por maior que fosse o meu esforço. Como se consegue ensinar alguém que está sempre a enviar mensagens de telemóvel? Mas o espírito dos CEF é este: se o aluno não aprende “a+b”, basta que aprenda apenas “a”. Se não aprende “a”, basta que aprenda metade de “a”, e se não aprender “metade de a”, basta que aprenda a milésima parte. É por isto que um diploma destes cursos é um atestado de ignorância e incompetência. E quando um empregador perguntar: “Quem foram os professores que disseram que tu sabias, quem foi que te deixou passar?” estará em causa o prestígio de toda uma classe e todos deveremos sentir vergonha.
O seu pedido de passagem à reforma está relacionado com esta experiência nos CEF?
A minha aposentação resultou da reunião das condições de tempo de serviço e de idade necessárias para o efeito. Mas há muitos professores que se querem reformar antecipadamente por que não aguentaram mais.
Estava à espera do impacto que teve a sua carta?
Sinceramente, não!. Escreveram-no contando histórias de arrepiar: desde o professor que aos 52 anos se vê obrigado a ir pela primeira vez ao psiquiatra, sabendo perfeitamente que o seu mal é a escola, até à professora que tentou suicidar-se não sabe se terá forças para tornar a entrar numa sala de aula. Lembro-me, também, de uma senhora me ter dito que tão ou mais grave do que as alterações do clima são as alterações de comportamento e a perda de valores por parte de uma geração que não está preparada para o futuro".
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Relatório do PISA 2006
Quem parece ter ficado bastante desiludido foi o sub-secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, para quem esta má performance dos alunos portugueses se deve às reprovações inúteis e injustas que vão acontecendo com demasiada frequência, por força da irredutibilidade de muitos professores que tardam em perceber a mensagem de que os “chumbos” devem ser encarados como uma solução extrema e de último recurso e não como uma prática corrente. Ora se no entender do digníssimo sub-secretário de Estado adjunto, a melhoria dos resultados nas provas internacionais passa por acabar com as reprovações, é de prever que, no sentido de reforço desta tese, as escolas venham a ser invadidas, muito proximamente, com despachos normativos a impedir as retenções. A bem ou a mal, urge que os professores aprendam, de uma vez por todas, quem é a voz da razão. A bem da nação!





