segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Que avaliação de docentes?

"O actual diploma sobre a avaliação de docentes contém uma série de omissões e arbitrariedades e levará, na sua aplicação concreta, a situações graves, considerando que estamos a falar da vida pessoal e profissional de milhares de professores, com reflexos imediatos na qualidade do ensino futuro do país.
Na prática (e falo de casos concretos e reais que conheço), teremos professores de Educação Visual a avaliar a competência técnica e pedagógica de professores de Educação Física. Um professor de Geografia, do 8º escalão, a aferir a qualidade de ensino de um professor titular do 10º escalão, coordenador na escola, do agrupamento de Economia ou Contabilidade. Um professor de Biologia a verificar a justeza do planeamento de Matemática e da adequação dos seus testes escritos aos alunos de cada turma. Etc.
A propalada justificação de que nem todos os militares poderão chegar a generais, como gostavam de dizer os responsáveis pela política educativa, passa então, no nosso insólito sistema de ensino, por esta via: um sargento da Marinha, a quem nunca foi exigido sequer se sabe nadar, irá aferir da competência de um general aviador certificando que está em condições de voar. E ambos foram “encartados” pelo sistema de pontos do tal concurso de titulares.
A necessidade de ultrapassar os “indicadores de medida” levará os professores a “puxar” cada vez mais as classificações dos seus alunos, que em breve atingirão os vinte valores. Só que, com uma diferença: o professor que tiver exames finais será confrontado, com a diferença entre a sua classificação e a dos exames. Os professores sem exames finais…nem por isso.
Teremos professores beneficiados na avaliação porque, de antemão, têm cargos atribuídos nos horários ou integram actividades diversas (e isto dependeu, em larga medida, das necessidades do preenchimento de horários). Teremos professores beneficiados à partida na avaliação do item da “relação com a comunidade”, em função da presença dos pais nas reuniões das turmas dos centros mais urbanos ou dos cursos que leccionam (vejam-se os cursos técnicos ligados à Acção Social, por exemplo).
E onde está o tempo para preencher fichas atrás de fichas, proposta do avaliado, planos, autoavaliações, instrumentos de registo, planos de aulas… E as aulas? E os testes? E as aulas de substituição? E as reuniões que, para resolver estes problemas, já duram seis e sete horas? E as reuniões entre coordenadores e professores a avaliar, nalguns casos em números bem elevados? E as acções de formação que continuam obrigatórias? E como se avaliam os professores sem funções docentes? Ah, diz o diploma que “pelo serviço que lhes tiver sido distribuído pelo Órgão Executivo” e ponto final. Uma avaliação equitativa, objectiva, rigorosa. Não é?
Pede-se uma intervenção urgente do Presidente da República. Hoje, há revolta, humilhação, desmotivação, cansaço entre os docentes".

F.A.
Professor do 10º escalão
Jornal Sol

Avaliação dos professores comprometida

"Mais de duas dezenas de agrupamentos de escolas, de vários pontos do País, comunicaram ao Ministério da Educação que é “impossível” avançar com a avaliação dos professores segundo as regras estabelecidas no Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro".

Correio da Manhã

sábado, fevereiro 02, 2008

Cat Power - Willie

A Escola Democrática

"No noticiário da RDP de ontem de manhã, que ia ouvindo na lentidão do IC19, avultava a notícia da manifestação dos alunos do secundário. Um “estudante” lá ia explicitando o nobre motivo da manifestação: razões várias e ponderosas!...
Em primeiro lugar, a luta contra o excesso de tempo passado na escola. O aluno referiu mesmo a sua experiência pessoal, a violência extrema de ter que se levantar todos os dias às sete horas e meia, para ter a primeira aula às oito horas e só sair às 16 horas e quarenta minutos!...
Em segundo lugar, a luta por uma verdadeira educação sexual, disciplina básica dada de forma insuficiente.
Em terceiro lugar, a luta contra as aulas de substituição.
Em quarto lugar, a luta contra os exames.
E havia mais uma ou duas razões muito justas, mas que agora me escapam.
À noite, no sentido inverso, e também na RDP, a inefável Drª Ana Benavente, antiga Secretária de Estado da Educação de um Governo de Guterres, representando um qualquer grupo ad-hoc, não sei se formado apenas para a entrevista, também perorava exaltadamente sobre o tema, nomeadamente sobre a falta de democracia nas escolas. Não resisti e pus música.
Visto tudo isto e concluído, a escola como local de ensino já foi.Modernamente, e em Portugal, a escola é para se passar por lá, assistir a umas aulas facultativas, porque se pode faltar à vontade, ter umas aulas teóricas de educação sexual, e sair rapidamente, para ter tempo de praticar.
Respeito pelos Professores? Aulas obrigatórias? Possibilidade de reprovar por faltas? Exames? Possibilidade de reprovar por falta de conhecimentos? Quem é que ainda fala nessas excentricidades? Mas não basta: há ainda muito para aprofundar na escola democrática!...
Por mim, estou de acordo e aprofundava-a de vez. Num buraco profundo e bem fechado, mas bem assinalado, para não esquecer a imbecilidade dos que a vêm promovendo".

Pinho Cardão

quinta-feira, janeiro 31, 2008

terça-feira, janeiro 29, 2008

Não há que ter dúvidas sobre a estratégia a seguir

O ministro da Saúde foi demitido, aparentemente, para se acabar com o clima de crispação no sector. Não estando em causa as políticas, que, no essencial, estou em crer, vão ser seguidas pela nova responsável, esta decisão nasce do facto de Sócrates não ter sido capaz de resistir à pressão da sociedade civil e da comunicação social. Percebe-se a medida: as eleições já se vislumbram no horizonte e, por isso, há que ter um certo cuidado em não hostilizar em demasia os eleitores.
Na Educação, apesar da quantidade e, sobretudo, da gravidade dos erros acumulados, a contestação não existe, ou se existe, tarda em ser compreendida pela maioria das pessoas. Daí que o “trio maravilha”, continue, de forma imperturbável, a dar cartas como muito bem entende. Está visto que isto só lá vai com berros e murros na mesa. Os professores, lamentavelmente, ainda não perceberam isso.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

A Geração dos Morangos com Açúcar

"Escreveu Mao Tse-Tung (cito de memória) que “um caminho demasiado plano não desenvolve os músculos das pernas”. E que bem se adaptam estas sentenciosas palavras a um ensino facilitador – como o nosso – em que alunos há que saem com diplomas do ensino básico mal sabendo ler e escrever. Como sempre, as excepções mais não fazem que confirmar a regra!
O “caminho demasiado plano” dos três ciclos do ensino básico faz com que os alunos circulem velozmente em auto-estradas sem paragens e quaisquer percalços, mas ao depararem-se com a primeira portagem a pagamento, para prosseguirem os exigentes ensino secundário e universitário, levando as mãos às algibeiras, verificam ter os bolsos vazios de conhecimento e cheios de cotão de ignorância.
Mas não se pense que este é apenas um mau fado de gente lusitana!
Charles Sykes, docente da Universidade de Wisconsin-Milwake e palestrante nas principais universidades norte-americanas, no seu livro “Dumbing down our kids” (“New York: St. Martin’s Press, United States, 1995) dá-nos conta de princípios que os estudantes do ensino secundário e diplomados do ensino superior não aprendem na escola por o “sistema” criar uma geração de jovens sem o sentido da realidade promotora do respectivo falhanço na vida que os espera no futuro. Para que os estudantes possam vir a ter sucesso na vida profissional, estabeleceu onze regras:

Regra nº1: “A vida não é justa, acostuma-te a isso”.

Regra nº2: “O mundo não se importa com a tua auto-estima. O mundo espera que faças alguma coisa por ele para te sentires bem contigo próprio”.

Regra nº3: “Não ganharás 40.000 dólares por ano mal saias da escola secundária. Não serás um vice-presidente com carro e telefone ao teu dispor até os mereceres”.

Regra nº4: “Se achas que o teu professor é exigente espera até teres um patrão. Este não será tolerante”.

Regra nº5: “Fazeres hambúrgueres não rebaixa a tua dignidade. Os teus avós têm uma expressão diferente para isso – chama-lhe oportunidade”.

Regra nº6: “Se fracassares não é por culpa dos teus pais. Por isso, não te lamentes com os teus erros. Aprende com eles”.

Regra nº7: “Antes de nasceres, os teus pais não eram tão aborrecidos como agora. Tornaram-se assim ao pagarem as tuas contas, limparem o teu quarto e se aperceberem do teu grande idealismo. Por isso, antes de exterminares os parasitas que julgas ser a geração dos teus pais, tenta arrumar o teu quarto”.

Regra nº8: “A tua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e vencidos, mas a vida não. Em algumas escolas aboliram as reprovações dando-te todas as oportunidades que queres para dares a resposta correcta. Isto, naturalmente, não tem a menor semelhança com alguma coisa da vida real”.

Regra nº9: “A vida não se divide em semestres. Não terás verões livres e poucos empregadores estão interessados em ajudar a te encontrares a ti próprio. Fá-lo-ás por ti só”.

Regra nº10: “A televisão não é a vida real. Na vida real, as pessoas têm de deixar a vida de café e irem trabalhar”.

Regra nº11: “Sê simpático para com os patetas. Há uma possibilidade de trabalhares para um”.

Face ao descarado facilitismo que assentou arraiais num país em que “a escola, a boa escola, não ocupa ainda o lugar a que tem direito” (Carlos Fiolhais), não será chegada a altura das entidades ministeriais competentes oferecerem à República Portuguesa e aos seus cidadãos um sistema educativo de qualidade e sem ser a duas velocidades? De morado e exigente para jovens que são obrigados a satisfazer um percurso académico normal. E, por outro lado, deveras permissivo e rápido no caso de adultos na obtenção do diploma do 12º ano de escolaridade, através do Programa Novas Oportunidades, e complemento de habilitações em universidades privadas, a fim de passagem de bacharel a licenciado num percurso académico do género de “Morangos com Açúcar”!
No início do ano, o Presidente da República, Cavaco Silva, com a experiência de um percurso académico nada fácil, lançou o aviso: “Não podemos dispensar a exigência para com os alunos”. Em minha opinião, nem que para isso se torne necessária a criação de uma Junta de Salvação Nacional da Educação, formada por personalidades, sem tutelas ou fretes partidários, desvinculadas de meras questões sindicais entre o Estado-patrão e o professor-empregado, e, principalmente, sem qualquer responsabilidade pelo actual estado caótico a que chegou a Educação.
Ou seja, personalidades independentes que sejam capazes de assumir o papel de destemidos forcados no redondel onde resfolega ameaçador o touro da IGNORÂNCIA, e em que os professores – com ou sem razão – têm servido de cepo de marradas de uma sociedade civil mal informada pelas entidades oficiais. De forma mais ou menos intencional, de maneira mais ou menos perversa!".

Rui Baptista
Ex-docente da Universidade de Coimbra
Diário de Notícias

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Um Governo inimputável

“Em Anadia, um bebé morreu enquanto era socorrido à porta das “urgências” locais, as quais estavam fechadas desde o início do ano por decisão do ministro da Saúde. Alguns indivíduos relacionaram os factos de deixaram o eng. Sócrates irritadíssimo. Para o primeiro-ministro, “utilizar a morte como arma de arremesso político” é caso de “demagogia”, “mesquinhez” e “oportunismo”. Talvez seja. A bem da elevação democrática, convém é definir as condições em que a crítica ao Governo não incorra em tais baixezas e, sobretudo, não ofenda o eng. Sócrates.
Em primeiro lugar, e pelas razões acima, não se acusa o Governo em casos que envolvam falecimentos ou doenças terminais. Se meia dúzia de anónimos são mortos a tiro por um gangue que passeia metralhadoras ante a indiferença das autoridades, o Governo não tem culpa – e insinuar que tem é demagógico, mesquinho e oportunista. Se um canceroso vê o seu estado agravado após ser forçado a trabalhar pela Caixa Geral de Aposentações, o Governo não tem culpa – e insinuar que tem é demagógico, mesquinho e oportunista.
A contenção não se limita ao luto. Visto que o eng. Sócrates se irrita com praticamente tudo, é provável que praticamente nada possa ser utilizado como argumento contraditório sem merecer a imediata classificação de demagógico, mesquinho, etc. Na economia, nas finanças, na educação, nas polícias e no que calha, o Governo age sempre com suprema e comprovada sabedoria, pelo que os únicos comentários legítimos à acção governativa se resumem a louvores. Se a realidade tende para o torto, e tende com curiosa frequência, isso é fruto do acaso.
No fundo, trata-se de instaurar um regime levemente inimputável e metafísico, onde quem manda não pode ser responsabilizado pelas suas escolhas e quem obedece não deve pedir contas senão ao destino.
Se a impunidade desse para os dois lados, pelo menos os descontentes sentiam-se aliviados por terem eleito o eng. Sócrates. Mas não dá”.

Alberto Gonçalves
Sábado

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Nada se consegue sem luta

O Ministério da Educação não pára de brincar com a dignidade dos professores. Não é de hoje. Desde que esta equipa tomou contas dos destinos da Educação, outra coisa não tem feito. E os professores o que fazem? Indignam-se, barafustam, desacreditam, desmotivam, mas esquecem o essencial. Para combater esta gente que desgoverna as nossas escolas é preciso muito mais. É chegada a altura de dizer basta! Basta de mentiras, basta de incompetência, basta de prepotência, basta de subordinação. Exijamos respeito. Não somos nem queremos ser mais do que os outros. Somos apenas profissionais que merecem ser respeitados. E só conseguiremos que nos respeitem quando tivermos a coragem de acabar com esta atitude cobarde, passiva e submissa com que aceitamos todos os ditames da tutela. Afinal de contas, de que massa somos feitos?!

terça-feira, janeiro 22, 2008

A escola não deve ser fácil

"Costumo dizer aos meus alunos : escola fácil igual a vida difícil, escola difícil igual a vida fácil. A escola não deve ser fácil. A escola deve ser acolhedora, mas muito exigente, difícil. A escola tem de preparar as pessoas para a sociedade moderna. Mas no nosso país tem havido ideias erradas em relação a isto. Ainda há pouco tempo havia quem defendesse que os níveis de exigência deveriam ser definidos na escola, resultantes da interacção entre professores e alunos. Isto é uma patetice. Os níveis de exigência são os necessários para eles se prepararem para a competição global em que vão viver".

Professor Valadares Tavares
"Público"

sexta-feira, janeiro 18, 2008

A avaliação de desempenho

A implementação da nova avaliação de desempenho tem deixado os professores à beira de um ataque de nervos. Por estes dias, nas escolas, vive-se um ambiente de grande alvoroço. A confusão está generalizada, ninguém se entende, as dúvidas são mais que muitas, os esclarecimentos devidos por parte de quem manda, leia-se Ministério da Educação, são escassos e incongruentes, com inconcebíveis atropelos à lei, o que por certo irá inviabilizar o cumprimento dos prazos estabelecidos. Perante este cenário às escolas só resta uma saída: não dar seguimento ao processo enquanto tudo não estiver devidamente clarificado, sob pena da avaliação dos docentes se transformar numa enorme bandalhice.

Alterações ao Estatuto do Aluno

Foram publicadas em Diário da Repúbica as primeiras alterações ao Estatuto do Aluno. O novo diploma permite que os estudantes passem de ano sem frequentar as aulas, desde que sejam aprovados nas provas de recuperação. A partir de agora a reprovação só ocorre se o aluno faltar sem justificação à prova de recuperação, ficando retido, no caso do básico, ou excluído da frequência da disciplina, no caso do secundário.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Resumo dos aspectos essenciais da avaliação de desempenho dos docentes

"O novo regime de avaliação, mais exigente e com efeitos no desenvolvimento da carreira, tem como principal objectivo a melhoria dos resultados escolares dos alunos e da qualidade das aprendizagens, proporcionando condições para o desenvolvimento profissional dos docentes, tendo em vista o reconhecimento do mérito e da excelência.

De acordo com estes princípios, a avaliação de desempenho tem como referência os objectivos e as metas fixados no projecto educativo e no plano anual de actividades dos agrupamentos e das escolas, podendo ainda considerar os objectivos definidos no projecto curricular de turma.

São ponderados, igualmente, os indicadores de medida previamente estabelecidos pelas escolas, nomeadamente quanto ao progresso dos resultados escolares esperados para os alunos e à redução das taxas de abandono escolar, tendo em conta o contexto socioeducativo.

Os objectivos individuais da avaliação de desempenho são fixados por acordo entre os avaliadores e o professor avaliado, com base numa proposta por este apresentada, no início do período em avaliação.

O sistema de avaliação de desempenho abrange os professores em exercício efectivo de funções, incluindo os docentes em período probatório e os contratados, bem como aqueles que se encontram em regime de mobilidade em organismos da Administração Pública, que são avaliados nesses organismos segundo as funções que aí exercem.

A avaliação dos professores titulares que exercem as funções de coordenadores do conselho de docentes e de departamento curricular é igualmente regulamentada, clarificando-se que estes docentes também são avaliados pelo exercício da actividade lectiva.

A avaliação realiza-se no final de cada período de dois anos escolares e reporta-se ao tempo de serviço prestado nesse período. Para tal, é necessário que os professores tenham prestado serviço docente efectivo durante, pelo menos, um ano escolar, independentemente do estabelecimento de ensino onde exerceram funções. Este tempo pode ser inferior no caso dos docentes contratados, realizando-se a avaliação no termo do contrato.

Os avaliadores, no âmbito deste processo, são os coordenadores dos departamentos curriculares e os presidentes dos conselhos executivos ou os directores. A prática lectiva dos coordenadores dos departamentos curriculares é avaliada por inspectores em termos a regulamentar.

A comissão de coordenação da avaliação de desempenho, a quem cabe validar as classificações de Excelente, de Muito Bom e de Insuficiente, é integrada pelos presidentes do conselho pedagógico, que assumem a coordenação, e por quatro outros membros do mesmo conselho com a categoria de professores titulares.

Fases do processo de avaliação

O processo de avaliação processa-se de acordo com as seguintes fases, estabelecidas de forma sequencial:


-Preenchimento da ficha de auto-avaliação;

-Preenchimento das fichas de avaliação pelos avaliadores;

-Conferência e validação das propostas de avaliação com a menção qualitativa de Excelente, de Muito Bom ou de Insuficiente, pela comissão de coordenação da avaliação;

-Realização de entrevista individual dos avaliadores com o respectivo avaliado;

-Realização da reunião conjunta dos avaliadores para atribuição da avaliação final.

A diferenciação dos desempenhos é assegurada pela definição de patamares de exigência que se concretizam na fixação de percentagens máximas para a atribuição das classificações de Muito Bom e de Excelente, por agrupamento ou por escola, tendo como referência os resultados obtidos na respectiva avaliação externa.

Para mais informações, consultar o Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro".

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Publicação do regime de avaliação dos docentes

Decreto Regulamentar nº2/2008 de 10 de Janeiro que regulamenta a avaliação de desempenho dos docentes do ensino pré-primário, básico e secundário.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

A mentira que representa o Programa Novas Oportunidades

Os portugueses receberam de braços abertos o Programa Novas Oportunidades. A julgar pela adesão e pelos resultados, este tem tido um enorme êxito. Registaram-se 250.000 inscrições só no primeiro trimestre de 2007, sendo que os números não param de crescer.
Carlos Pereira, 45 anos, tinha apenas o ensino primário. Em 3 meses já conseguiu elevar, e muito, o seu nível de escolaridade. Acabou de fazer o 9º ano e não pensa ficar por aqui. Inscreveu-se numa nova etapa e nos próximos 3 meses pensa concluir o 12º ano e depois, quem sabe, tirar Engenharia Informática que é o seu grande sonho.
Aquilo que a maioria de nós foi obrigado a fazer em 12 anos, é possível agora fazer-se em 6 meses. Parece mentira mas é verdade. Contrariamente ao que José Sócrates tem apregoado, assim é fácil voltar à escola. Seria excelente que estes portugueses voltassem à escola para aprenderem alguma coisa. Infelizmente, não é isso que acontece e, aliás, nem é isso que os motiva a lá voltarem. Eles voltam apenas porque sabem que não têm de se esforçar minimamente para alcançarem os seus objectivos. Fosse outra a exigência e veríamos quantos se inscreveriam no programa. Ora, com todo este facilitismo é óbvio que só os totós desaproveitariam uma oportunidade destas. Do mesmo modo se percebe porque é que os portugueses tanto valorizam a prestação da ministra da Educação. Pudera, com benesses destas como é que a maioria não há-de gostar da dita senhora. O governo, claro está, não olha a meios na implementação do Programa porque sabe que tudo isto representa muitos votos nas urnas.
E assim se combate de forma administrativa o analfabetismo em Portugal e se elevam as qualificações dos portugueses. Certificação sem qualificação é o que oferece tão badalado Programa. Isto é só mais um escândalo a juntar a tantos outros que com notável regularidade vão acontecendo em Portugal e que, curiosamente, não tem merecido da parte dos fazedores de opinião a crítica exigível. Não se percebe o silêncio desta gente, pois são medidas como esta que comprometem definitivamente o futuro de um país inteiro. Se considerarmos a Educação como o garante básico do progresso, se aceitarmos que a Educação representa o sustentáculo dessa esperança, e que a esperança é tudo aquilo que temos para o futuro, então teremos de reconhecer que esta lógica assente no facilitismo, esta ânsia de perversão cega da realidade estatística, irá fatalmente e a curto prazo custar muito caro a todos nós. E quando isso acontecer sempre quero ver quem é que vai assumir a responsabilidade deste completo desnorte.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Triste povo

Mais um ano que começa. Para nós, portugueses, será mais um ano de privações, desilusões e de um profundo e crescente desapontamento. Desiludam-se aqueles que ainda pensam que há solução para este país. Não há. Com a classe política que nos governa e com uns empresários e gestores que só pensam em enriquecer rapidamente, explorando quem trabalha, é evidente que não se pode ter esperança num futuro melhor. Acresce o facto de sermos um povo de brandos costumes que se resigna facilmente e teima em não lutar pelos seus direitos. Toleramos o intolerável e isso tem sido a nossa desgraça. Por isso, somos um país eternamente adiado, que não cresce quando os outros crescem, que não ousa quando os outros, apesar de tudo, ainda ousam, que não reclama, que não vive e se entrega a sonhar com um D.Sebastião que nos venha salvar do abismo a que, aparentemente, estamos condenados. Até quando vamos permitir que nos roubem o futuro?

terça-feira, janeiro 01, 2008

Glen Hansard - trailer do filme "Once"

Para quem nunca ouviu este senhor tem aqui uma excelente oportunidade. Soberbo.

Novo regime jurídico de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário

Aqui pode ler-se o projecto de Decreto-lei que está para consulta pública.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Uma primeira avaliação ao Plano Tecnológico, ao Simplex e às Novas Oportunidades

“ Três programas emblemáticos caracterizaram este Governo: o Plano Tecnológico, o Simplex e as Novas Oportunidades. O que de melhor o Governo Sócrates fez, passou por aqui. Talvez, de todos, o Simplex tenha sido o que melhores resultados trouxe. Ainda é cedo para se fazer uma avaliação global, mas a simplificação burocrática conheceu um impulso sério.

O Plano Tecnológico traduz muito do deslumbramento de Sócrates e da sua geração pelo poder das tecnologias, e pela crença de que as tecnologias têm efeitos sociais de per se. Não têm. São instrumentos que só actuam em contextos sociais próprios e muitos milhares de euros de material avariado, computadores, gadgets estão por essas escolas e instituições públicas onde, depois de belas sessões públicas de ofertas e inaugurações, não se cuidou, por exemplo, da manutenção. Para além disso, ter banda larga em Ferreira do Alentejo é excelente se ela servir para alguma coisa, se as literacias para a usar existirem para além da ida à Internet para ver os sítios de futebol, pornografia e as fotografias da turma no hi5.
Terá ainda que se esperar para ver outros resultados do Plano Tecnológico, mas este perdeu dinâmica no último ano.

Quanto às Novas Oportunidades, foram no seu início um sucesso naquilo que era mais difícil: revalorizar o papel do ensino, da educação, da aprendizagem, do saber, em sectores da população que na sua vida tinham voltado as costas a esses valores, por necessidade ou por facilidade. Porém, o programa entra agora numa fase crucial: após os momentos de arranque inicial, é suposto que se comece agora a aprender e a ser avaliado. Essa é a parte mais difícil, mas a que justifica o projecto. E aqui as intenções iniciais começam a esmorecer, os atrasos a somarem-se, a perplexidade dos formadores a aumentar e o anúncio regular pelo Governo da outorga de mais uns milhares de diplomas faz suspeitar de facilitismo. Vamos ver”.

Pacheco Pereira
Revista Sábado

quinta-feira, dezembro 20, 2007

A Escola e o mundo perfeito

"O presidente da República sonha, como todos nós, com um mundo perfeito. Por isso, neste fim-de-semana, não só defendeu que os governantes devem ouvir o povo (está em causa a relação entre o Ministério da Educação e os professores), como insistiu que os problemas da educação não se resolvem com a baixa dos critérios de exigência e rigor na avaliação. O exemplo da matemática serviu-lhe que nem uma luva "A resposta a esse problema não pode ser a desculpabilização do insucesso nem tão pouco dizer que a matemática é fácil e divertida."
Em linhas gerais, é esse o caminho que tem sido seguido ou se alargam as estatísticas para servir os propósitos de "inclusão", ou se alargam os métodos para que todos brinquem na sala de aula e ninguém se aborreça. É um método conhecido de todos os que se interessam pelas coisas da educação. Se as notas andam muito baixas, levantam-se as médias; se os alunos não se interessam, aligeiram-se os conteúdos e introduz-se a variante "divertimento na sala de aula". E o mundo ficaria muito mais perfeito.
O governo tem, como todos os outros, os anteriores e os que lhe seguirão (lamento informar o senhor primeiro-ministro, mas haverá mais governos depois deste), um problema com as estatísticas. Geralmente, e muito surpreendentemente, as estatísticas atrapalham os números e, sobretudo, os bons números. Um dos processos para contrariar esta desobediência das estatísticas é o de impedir que elas "excluam"; pelo contrário, devem "incluir". Se há notas muito negativas a matemática, ou a, digamos, física-química, um dos processos que pode ser usado é o de subir as notas ou moderar os critérios de classificação. Logo, fica muito mais gente "incluída" e as estatísticas melhoram. Se há "abandono escolar", acabar-se com os chumbos por faltas pode ser um processo "facilitador". Acontece que o papel das autoridades não é o de serem "facilitadores" de coisas que não podem ser facilitadas, sobretudo quando são exaradas lá do alto, dos corredores do Ministério da Educação. Uso a palavra "corredores" porque qualquer responsável do ME sabe que se trata de um labirinto onde tudo se perde. Os pais sabem, às vezes tardiamente, os bons professores sabem, por muitos anos de experiência, que "facilitar as coisas" pode mostrar um mundo perfeito. Mas o mundo perfeito não existe. Eu entendo bem os pedagogos visionários e utópicos, que prevêm que com divertimento e tolerância tudo se arranja e o mundo ficará melhor. Mas não fica. Não vai ser. Pensamos que basta dar o exemplo, ler, ouvir música, usarmos computadores, sermos tolerantes - e generosos, educados, prestáveis, interessados. Com isso o mundo seria melhor. Mas não basta, infelizmente não basta. Com isso, os adolescentes das escolas seriam pessoas melhores, não usariam aquela gramática de grunhos, não faltariam às aulas, não desdenhariam dos professores que se esforçam e lhes ensinam a diferença entre o culto e o inculto, o cru e o cozido, o bem e o mal. O mundo seria perfeito. As famílias seriam honradas, pacíficas, passeariam ao domingo, fariam piqueniques, todos ajudariam a arrumar a cozinha e dormiriam a horas. Os nossos filhos leriam Dickens e Eça - ou, na pior das hipóteses, arrumariam os livros nas estantes. Interessar-se-iam por ciência e por política. Eu bem os entendo - mas não basta. É muitas vezes necessário ser cruel, usar a autoridade quando não se quer, dizer "não" quando até poderíamos dizer "sim", pensar no que significa, de facto, a palavra exigência. A vida não é fácil. Não nos basta sermos o que somos. É preciso pensarmos nisso - que a vida não é fácil e que aprender exige esforço. A democracia, que transformou as escolas em "estabelecimentos de ensino", como se fossem "lojas do cidadão", tem de resolver esse problema. Para ver se a escola volta a ser escola".

Francisco José Viegas
JN