Helena Matos, jornalista
terça-feira, março 11, 2008
Encalhados
Helena Matos, jornalista
segunda-feira, março 10, 2008
"Séquesso"
Henrique Mendes
domingo, março 09, 2008
Avaliação
António Barreto
Público
E agora o que fazer?
sábado, março 08, 2008
Excelente reflexão
Pacheco Pereira
sexta-feira, março 07, 2008
Educação e exemplos
Valerá a pena mudar?

Que tempo resta para ensinar? A cabeça dos agentes educativos fica atafulhada de tarefas estupidificantes, inúmeros papeis para preencher e não sobra um cantinho para o que devia ser a sua mais nobre missão: ensinar. Além disso, são obrigados a permanecer num local sem o mínimo de condições para pensar e trabalhar. Eu sei o que é ter de passar os intervalos numa sala de professores, onde há cerca de 20 pessoas a conversar sobre tudo e sobre nada, a falar ao telefone e a fazer barulho. Sem secretárias, muito menos computadores. Como pode um professor aproveitar esses tempos, fora das aulas, para trabalhar, para aprofundar a sua formação científica, ou para pensar? Completamente impossível! Em casa ou no jardim sempre se consegue mais privacidade, ambiente de estudo e capacidade de se concentrar. Fala-se tanto em comparar uma escola a uma empresa. Nas empresas os funcionários têm um local de trabalho. Mesmo no ensino dito superior, muitos docentes não têm um local de trabalho, quanto mais os docentes do básico e secundário. Isto passa-se numa escola superior pública em Lisboa, não é nos confins da província. Tenho colegas que compraram a secretária e a cadeira onde se sentam e instalaram num cubículo que conseguiram surripiar mediante secretas manobras de bastidores. Outros nem isso. Lâmpadas, papel e material de escrita, temos de levar de casa. Isto para não falar de computadores ou de ar condicionado.
Qualquer pai que se preze e tenha possibilidades para isso, não sujeita os seus filhos a esta fantochada, simulacro de escola. Se quiser que eles tenham uma formação a sério, que eles aprendam alguma coisa, que eles consigam entrar num curso de medicina, têm de os colocar numa escola privada, ou contratar bons e caríssimos explicadores.
Custa muito mais que nos tentem enganar, do que dizer as verdades, por mais duras que sejam. Por favor, digam-nos claramente, a todos os cidadãos, ao País, que o Estado não suporta as actuais despesas com a educação pública nem com o serviço nacional de saúde e que se está a fazer tudo para reduzir os seus raios de acção e em consequência os seus gastos. O resto é folclore.O que se quer é pura e simplesmente privatizar a saúde e a educação.Não nos enganem dizendo que estão a cuidar dos alunos e das futuras gerações, quando estão apenas a economizar, mas economizar sem racionalizar, sem iliminar os gastos supérfluos, mas sim e erradamente, cortando no que é básico e essencial".
quinta-feira, março 06, 2008
Carta de agradecimento
A Senhora faça é aquilo que decidiu e não oiça o que os inimigos dos pais e das mães lhe tentam dizer (já agora, lembre-se da minha sugestãozita!). Assim, os professores, com medo da sua própria avaliação, passam a dar boas notas e a passar todos os miúdos e, desta forma, o nosso país varre o lixo para debaixo do tapete, porque é muito feio e incomodativo mostrarmos, lá fora, que somos menos capacitados que os nossos “hermanos” europeus".
Uma mãe e encarregada de educação agradecida
quarta-feira, março 05, 2008
Ex-Director Regional fala sobre momento que se vive na Educação
A revolta dos professores é justificada?
Mais do que justificada. Os professores têm sido enxovalhados e desacreditados no que têm de mais sagrado, a sua honorabilidade profissional.
Há medo nas escolas?
Quem o confessa é quem lá trabalha e têm-me chegado ecos desse sentimento através de professores e de gestores escolares.
O que está errado em toda esta equação: a reforma, a ministra da Educação ou os professores?
O que está errado é pretender-se fazer reformas, necessárias diga-se, sem contar com a colaboração dos professores e mesmo contra os professores. É uma ilusão pensar que isto é possível. O que esta equipa do ME, com o apoio expresso do Primeiro-Ministro, anda a fazer é a desestabilizar as escolas convencida de que vai conseguir mudar o rumo da educação. Quando a situação se deteriorar completamente vão-se embora e o sistema fica pior do que estava.
Maria de Lurdes Rodrigues tem condições para continuar no cargo?
Objectivamente tem enquanto o Primeiro-Ministro assim o entender. Mas depois das declarações feitas hoje (terça-feira) pela nova Ministra da Saúde acerca da necessidade de conseguir a colaboração dos profissionais da saúde para as reformas que quer fazer, pois contra eles não se pode fazer nada, não sei como podem coexistir no seio do mesmo governo duas Ministra com pontos de vista antagónicos sobre a forma de gerir os recursos humanos de que dispõem.
Identifique a principal virtude e o principal defeito da actual política de educação?
Virtude - a capacidade demonstrada no início do mandato para definir os principais problemas estruturais que afectavam/afectam o sistema educativo. Defeito - a incapacidade de mobilizar os profissionais da educação para as reformas pretendidas e com isto desestabilizar as escolas e criar um clima completamente oposto ao que é desejável em instituições educativas.
Na reunião promovida pelo Movimento em Defesa da Escola Pública, em Leiria, alguns docentes denunciaram a existência de grelhas de avaliação que levavam em conta a posição dos professores em relação à política educativa do governo. Como comenta?
Trata-se de uma situação absurda e ilustra como se pode ser "mais papista do que o Papa". Infelizmente, Portugal tem uma larga tradição de espias e bufos, denunciantes e similares e, pelos vistos, há quem não queira deixar morrer a tradição. Acredito que essas situações serão corrigidas de imediato.
José Manuel Silva,
ex-Director Regional de Educação do Centro
http://www.campolavrado.blogspot.com
Mais um iludido pelas estatísticas
João Marcelino
terça-feira, março 04, 2008
Mais um "Prós e Contras" dedicado à Educação
segunda-feira, março 03, 2008
Que me lembre, este é o texto mais infame que alguma vez se escreveu sobre a classe dos professores!
António Ribeiro Ferreira
Impertinências
"Das duas uma ou a ministra se cansou muito depressa do breve intervalo de paz que as circunstâncias lhe concederam ou não percebeu como escapou ao cutelo da remodelação a que se atreveu o primeiro-ministro. Seja como for, aí está ela de volta às hostilidades com os professores.
Medindo a tarefa ciclópica (e onde é que eu já ouvi isto?) de educar e ensinar os jovens portugueses, muitos dos quais não querem ser ensinados (e ainda menos educados), qualquer alma caridosa não deveria desejar à ministra um tão sinistro destino. Mas lá que ela o merece - ai isso merece!
Na história moderna, e nem por isso honrosa, do Ministério, cujos resultados os portugueses pagam mas não vêem, não pode ser ignorada a comissão de "sábios" que por lá se foi instalando. Não agora, mas desde há anos. Faltava juntar à obra, se é que faltava, a desautorização dos professores, expondo-os ao desrespeito atrevido e ignorante de toda a gente, incluindo pais (eles próprios tantas vezes carecidos de educação e instrução). Foi o que a ministra fez - ou consentiu que se fizesse - alienando os que melhor apoio lhe poderiam dar, os mais antigos, ultrapassados por motivos pouco claros.
Não consigo apartar-me de três ideias: primeiro, quem anda por lá a teorizar já esqueceu (se é que alguma vez soube) o que é uma escola; depois, não conhecem limites o autismo e a arrogância dos que nada perguntam, a ninguém ouvem e tudo sabem; finalmente, importantes são as estatísticas para Bruxelas, em nome das quais todas as enormidades se admitem. Esta ministra, cujo feitio nem sequer nos seduz a reconhecer-lhe a razão mesmo quando ela acaso a tem, deveria aprender com o que aconteceu ao colega que foi queimado em lume brando até que a rua o mandou para a rua. Sem piedade.
António Freitas Cruz, jornalista
JN
domingo, março 02, 2008
E a mentir se faz a cabeça da opinião pública
José António Lima
Nota: o sublinhado é meu.
Vital Moreira no seu melhor estilo
sábado, março 01, 2008
A guerra dos profs
Basta ver na proposta a confusão que resulta de um projecto ultra-burocrático para se perceber que o modelo jamais será implantado, pelo menos de forma imparcial e justa. O modelo do Ministério, ao invés de ser simples e concreto, de forma a que não só os professores, como os pais e os próprios alunos mais crescidos, compreendam, investe por uma série de caminhos, atalhos e impasses próprios de quem quer prever todas as situações e acaba perdido na teia que, entretanto, teceu.
É, pois, normal, que os professores repudiem tal método.
Mas há o lado negro, aquele que é impulsionado pela maioria dos dirigentes sindicais: o medo da avaliação. Na verdade, subsiste quem acha que jamais deve ser avaliado num sistema em que chegou a haver créditos fornecidos aos professores pela sua participação em cursos idiotas. É por este lado que o Governo se defende, atirando as culpas para cima de professores preguiçosos, indolentes e incompetentes, como se dos professores fosse a culpa (exclusiva ou principal) do sistema de ensino que temos.
Porque, antes da avaliação e da própria gestão das escolas (que são boas ideias, ainda que com concretizações muito discutíveis) há aquilo que é essencial e que sai directamente da 5 de Outubro: os programas, os métodos de avaliação e de imposição de disciplina.
Estes três vectores podem resumir-se assim: maus programas, pouca e facilitista avaliação e indisciplina generalizada.
E disto não têm culpa nenhuma 99 por cento dos professores".
Henrique Monteiro
Expresso
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Mais uma voz contra a ministra
Ricardo Paes Mamede
Num outro palco, Ana Benavente volta à carga
Avaliação: formar ou punir os professores?
Se for por diante o novo sistema de avaliação, a grande maioria dos professores verá reduzido em cerca de um terço o tecto salarial que pode atingir ao longo de toda uma carreira de quarenta anos de trabalho. Dois em cada três professores ficarão nessa situação, porque só um terá hipótese de chegar à categoria de professor titular, sujeita a "numerus clausus". Os outros serão professores de segunda categoria, administrativamente considerados como maus professores, ou pelo menos deficientes.
Logo para entrar na carreira, os jovens professores saídos das faculdades serão sujeitos a um exame "probatório", em que os conhecimentos aprendidos nas universidades serão de novo postos à prova, lançando assim uma insuportável suspeita sobre o esforço, os custos e o sucesso conseguido numa licenciatura inteira e dezenas de cadeiras feitas. Por isso, é justa a crítica dos sindicatos, quando dizem que se o ministério desconfia da qualidade das licenciaturas, é sobre as escolas de ensino superior que deveria actuar. Do que se trata, neste caso, é de aliviar as estatísticas do desemprego docente, eliminando à partida uma larga percentagem de pessoas que fizeram cursos para a docência.
O novo sistema de avaliação pretende pura e simplesmente dividir em duas categorias os que já estão na carreira, hierarquizar, criar a concorrência em vez da cooperação, e simultaneamente controlar e "punir". Isto é, fazê-los pagar pela incapacidade e incompetência de todo um sistema de carências, pobreza e exclusão social, que o sistema económico e o poder político produziram e intensificam, de um sistema de ensino cheio de falhas e atrasos imputáveis aos sucessivos governos e ministros da educação.
A avaliação punitiva, que enforma o modelo que a ministra quer impor, é socialmente inaceitável. Não é possível admitir que uma grande parte dos alunos do sistema de ensino seja sujeita ao trabalho de profissionais considerados "maus" ou de segunda e terceira categoria. Imaginem o que seria estender este "dogma" (de que é fatal haver maus e bons profissionais) a outros sectores, por exemplo os pilotos de aviões? Pilotos maus profissionais? Para transportar quais passageiros? Do mesmo modo: professores "maus" para crianças, adolescentes e jovens? A ministra afirma que se pretende "reconhecer o mérito e a excelência", "diferenciar e premiar os melhores". Premiar? Ou antes castigar salarial e estatutariamente dois terços dos profissionais, com quotas decretadas arbitrariamente para o grau de titulares? Como é possível decretar quotas de "muito bons" e "excelentes" professores, mediante despacho governamental anual?
A avaliação de que precisamos como de pão para a boca é, antes, a avaliação formativa: avaliar para melhorar o trabalho, para compreender os pontos fortes e fracos, para potenciar o trabalho em equipa, para poder corrigir falhas, para acompanhar a evolução dos tempos.
Convém que se saiba como o ministério trata o assunto da formação: os professores serão obrigados a frequentar acções de formação profissional todos os anos até à reforma. E como serão garantidos cursos de formação para 150.000 professores, anualmente? Os custos dessas tenderão a ser suportados pelos profissionais. Decorrerão em horário pós-laboral. Muitos estão já a acorrer às escassas ofertas de formação, muitas vezes a dezenas de quilómetros da sua residência. Tudo saído do seu bolso e do seu tempo de lazer.
Como observa José Ribeiro (Jornal de Letras, 13/2/2008), o governo e o seu sistema de avaliação roça o desumano: em vez do apoio profissional e pessoal que é tão necessário e urgente, ameaça-se com a porta da rua, agravando o stress nestes profissionais que são já campeões das consultas de psiquiatria.
Como refere Sérgio Niza no mesmo jornal, o novo sistema de avaliação constitui "um programa de vigilância e controle em vez de valorizar os professores e proporcionar estímulos para o seu aperfeiçoamento".
Por este andar, o atraso do sistema de ensino básico e secundário português, que nos envergonha e que ficou refém de alguns preconceitos salazarentos, corre o sério risco de se prolongar por este novo século adentro.
A população escolar é constituída pelos alunos e pela "tripulação" - os professores. Estamos no mesmo barco. Só juntos e com respeito pela nossa dignidade poderemos chegar a bom porto. Esta tentativa de virar uns contra os outros, num momento de grave crise, é o pior que se poderia fazer".
Jaime Pinho
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
A situação de revolta nas escolas
Pacheco Pereira
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Até parece que vivemos em países diferentes!
O decreto legislativo regional, ontem publicado em Diário da República, apenas se aplica aos docentes que dão aulas na Madeira.
De acordo com o Estatuto, não é exigida uma prova de avaliação de conhecimentos e competências para o ingresso na carreira, não há hierarquização da carreira em duas categorias (professor e professor titular) e não há quotas no escalão máximo (oitavo) da carreira docente (no Continente, foi estabelecido um limite de Professores Titulares por escola).
O Estatuto dos Professores da Madeira estipula que o ingresso na carreira faz-se por concurso, quando no Continente é obrigatória a realização de uma prova de avaliação".
Correio da Manhã
