
quarta-feira, abril 30, 2008
terça-feira, abril 29, 2008
E se te calasses!
Outra coisa não se esperaria
domingo, abril 27, 2008
Tudo em favor das estatísticas
Nota - Pelos vistos andam todos ao mesmo. O que é importante é ficar bem na fotografia.
sábado, abril 26, 2008
quinta-feira, abril 24, 2008
Os casos "isolados" de violência escolar
terça-feira, abril 22, 2008
As asneiras pagam-se caro
segunda-feira, abril 21, 2008
Seja coerente, Srª ministra
domingo, abril 20, 2008
O Memorando e a Moção dos sindicatos de professores
Um comentário sobre a consulta aos professores relativamente ao acordo entre os sindicatos de professores e o Governo de 11-4-2008. Mais tarde, farei aqui uma análise e síntese do contexto político do acordo.
O acordo entre sindicatos de professores e Governo de 11-4-2008 - "Memorando de Entendimento entre a Plataforma Sindical de Professores e o Ministério da Educação" (não-datado) - envolveu ainda, em anexo, uma Declaração da Plataforma Sindical e uma Declaração da Ministra da Educação que têm o objectivo de limpar a face de cada um, tentando cada um demonstrar que não cedeu e que ganhou.
Como tenho repetido, os 100 mil professores não participaram na manifestação por causa do absurdo do método e da substância da avaliação dos docentes, mas por causa da regressão do ensino, no meio do delírio pedagógico e didáctico do Ministério da Educação, e da degradação da função do professor. Ora, o acordo não resolve, nem estabelece um método para resolver, as queixas maiores e, portanto, despreza-as, reduzindo o capital de descontentamento à fatídica avaliação.
Mais ainda, o Memorando de Entendimento contém, no seu ponto 9, um saco-de-trinta-dinheiros de um novo escalão remuneratório no topo da carreira, o que não vi ninguém na Marcha pedir e envergonha o sentido missionário da indignação. A reivindicação de mais dinheiro acaba por ser sempre a prova-do-algodão das lutas dos sindicatos politicamente alinhados. Mesmo quando a questão não é dinheiro - e na luta dos professores não é! -, a tentação do capital (o vil metal) bate mais forte, principalmente nos sindicatos comunistas. Enlameia-se a indignação funda dos professores quando na luta os sindicatos misturam o dinheiro - qualquer que seja o eufemismo usado para o designar (carreiras, escalões e outros palavras do jargão esotérico) - e o quadro (que não o da aula).
Por isso, considerei que o acordo significa a venda dos professores ao Governo pelos sindicatos politicamente controlados pelo PC e PS. Os 100 mil professores que se manifestaram não são todos comunistas: na manifestação existiria uma representação mais ou menor proporcional da preferência partidária dos eleitores, corrigida, admita-se, pela não participação de professores que tenham considerado que participar na manifestação constituiria uma forma de ataque ao Governo que apoiam politicamente. Foi com desconforto que os professores assistiram no Terreiro do Paço em 8 de Março de 2008, no final da Marcha, o discurso de... Manuel Carvalho da Silva, que pareceu uma tentativa de instrumentalizar professores para objectivos que a larga maioria não partilhava; enquanto não foi consentida a intervenção de nenhum líder independente de uma luta que começou inorgânica até ser montada pelos sindicatos.
A motivação dos sindicatos politicamente controlados parece ter sido conseguir um acordo a qualquer preço, adoçado pela oferta do bombom amargo do novo escalão, para partir os dentes ao sindicalismo independente que se divisava, mantendo a função de intermediário exclusivo da classe e... do Governo.
Como temiam os sindicatos políticos, que, numa admissão da sua perda de representatividade, afirmaram ir proceder a uma espécie de ratificação do acordo celebrado pelas cúpulas em plenários nas escolas, a primeira reacção pública dos professores ao acordo foi negativa, conforme se pôde ver pelos blogues, caixas de comentários e fórum livres do controlo, directo e indirecto, governamental dos media.
Avisado por uma leitora, li a revelação do prof. Mário Lopes no blog Movimento Cívico em Defesa da Escola Pública e da Dignidade da Docência de que na prometida consulta aos professores após acordo com o Ministério as cúpulas sindicais, numa evidência de deslealdade política, não terem submetido o texto do próprio Memorando de Entendimento aos professores nos plenários - organizados e preparados pelos sindicatos -, mas uma Moção em que o acordo é referido de passagem. Fui confirmar e verifiquei que é verdade a tese do "Gato por lebre". O que foi dado a votar aos professores, nas escolas onde os sindicatos organizaram reuniões, foi uma moção reivindicativa face ao Governo, cujos resultados (até 17/04/2008, com 766 escolas: 669 - 87,3% - aprovaram a moção; e 97 - 12,7% rejeitaram a moção) são, paradoxalmente, usados para demonstrar adesão ao acordo dos sindicatos com o Ministério!...
Só a Plataforma Sindical parece não ter entendido
Fernando Madrinha
sábado, abril 19, 2008
Entrevista de Mário Nogueira ao JN/Antena 1
sexta-feira, abril 18, 2008
As razões das professoras e professores
"O acordo celebrado entre a Plataforma Sindical e o governo dividiu o movimento de professores. Houve quem com ele embandeirasse em arco, houve quem achasse que foi uma derrota trágica. Ainda bem que todas as visões foram e estão a ser discutidas nas escolas. Depois da grande manifestação e ainda mais depois do acordo, é fundamental definir uma estratégia para a luta ao longo destes meses do fim do ano lectivo e sobretudo ao longo do próximo ano. É sobre isso que quero apresentar aqui alguns argumentos.
Primeiro argumento: o governo foi forçado a recuar. O governo recuou de facto, mas numa única matéria: foi vencido na chantagem contra os professores contratados, porque queria fazer deles cobaias para o processo de avaliação e foi forçado a aceitar um processo de classificação que tem em conta unicamente a auto-avaliação e a assiduidade ou presença em acções de formação, excluindo assim o arbítrio. Não se pode diminuir o significado deste recuo. Pelo contrário: tem faltado aos movimentos de professores a solidariedade com os contratados, e que seja agora aceite que eles e elas têm os mesmos direitos e deveres de todos os docentes, pelo menos na avaliação, é um passo importante. Para o Bloco de Esquerda, que tinha e tem como objectivo a integração dos contratados na carreira docente, este recuo do governo é importante.
Segundo argumento: o governo, mesmo com esse recuo, procura preservar o essencial, que é a posição da ministra e o processo de avaliação. E o processo de avaliação ficou previsto para o próximo ano lectivo, o que agrava ainda mais as duas outras batalhas em que os sindicatos recuaram: o novo modelo de gestão e o estatuto da carreira docente. O governo tem um plano e ele é implacável: gestão, carreira e avaliação são três momentos da mesma ofensiva. A ministra e o primeiro-ministro querem continuar esta ofensiva. Assim, o segundo objectivo do Bloco de Esquerda, contribuir para parar a avaliação persecutória e abrir espaço para um modelo de avaliação novo, não foi conseguido. Foi por isso que, à RTP e a propósito do acordo, lancei um alerta contra o governo manhoso e insisti na necessidade de continuar a construir um movimento por um modelo de avaliação que derrote o do governo. É na avaliação que está a fragilidade do governo e a força dos professores. É na avaliação que se travarão os confrontos que contam. É aí que o governo quer ser forte porque intransigente e os professores e professoras têm de ser fortes porque sensatos.
Terceiro argumento: é preciso um modelo de avaliação alternativo, que demonstre a incompetência do governo e que reforce a ligação dos movimentos dos professores aos pais, aos alunos e à opinião pública. A avaliação deve avaliar e avaliar o essencial: como é que a escola está a melhorar ou a piorar no combate ao insucesso e à exclusão escolar. A avaliação deve medir os desenvolvimentos dos planos de trabalho e dos seus resultados, por regiões, por escolas, por grupos de cadeiras, e deve envolver todos os professores nas metas e nos modos de trabalho definidos para essa construção da inclusão escolar. Onde o governo quer perseguição aos professores, estou certo que os professores querem respostas aos problemas dos alunos e das escolas.
Quarto argumento: os sindicatos são precisos e devem responder perante os professores, mas são precisos também movimentos mais profundos que disputem o conteúdo da educação, que pensem a educação, que proponham alternativas de estratégia para a educação. E só as professoras e professores podem criar esses movimentos, escola a escola. Esse é o desafio mais importante. É o que fica depois de cada confronto com cada ministro. E, se do governo nada há a esperar senão afrontas aos professores naquele estilo gelado e imperial da ministra e no apoio total do primeiro-ministro, então cabe aos professores criar a sua própria voz nas questões mais importantes, que são as das escolhas sobre uma educação moderna e inclusiva. Nesse campo, só os professores defendem a paixão pela educação e esse é o sentido democrático da movimentação pela escola pública".
Francisco Louçã
www.esquerda.net
quinta-feira, abril 17, 2008
quarta-feira, abril 16, 2008
Ana Drago: "O ministério chantageia os professores"
Esta senhora toca na ferida - a divisão da carreira -, algo que os sindicatos parecem ter esquecido.
Lembrem-se de Pirro
Santana Castilho
terça-feira, abril 15, 2008
Mentira
Enigma
Até Ana Benavente percebeu
Em declarações ao Rádio Clube Português, Ana Benavente afirmou que “quando escolas afirmam que não têm condições para fazer a avaliação este ano”, dizer aos professores contratados que “no próximo ano não serão colocados”, é “ameaçar com o desemprego”. “Isto é uma forma de chantagem”, sublinhou.
Ana Benavente, diz também que lhe dói mais por esta chantagem ter sido feita por um Governo do PS e que aparentemente ela surtiu efeito. “Acho que os sindicatos se assustaram”, afirma.
Considera que os sindicatos não ganharam o braço-de-ferro com o Governo e que não honraram os cem mil professores de todo o país que se manifestaram em Lisboa, porque “a avaliação a que chegaram é a que existe”.
Público
segunda-feira, abril 14, 2008
Imperdível
Pedro Ribeiro fala da situação dos professores, da educação, da evolução, da Ministra e dos psicólogos infantis.
domingo, abril 13, 2008
Vitória dos professores ou de Sócrates?
Então, podem todos clamar vitória? Cada um canta a sua, e é legítimo que, nesta dura batalha contra a prepotência e a ausência de senso, papo-secos tenham o sabor de searas ao vento.
A ministra mente quando diz que não há suspensão nem adiamento. Esta é uma das vitórias do 8 de Março: há adiamento. Mas há mais: manter a tranquilidade do final do ano, permitir que professores cumpram a sua obrigação, e consagrar a uniformidade de critérios mínimos são pedras no sapato desta espécie de feudalismo selvagem, que se instalou, e em que cada escola, consoante os poderes, fazia o que queria e lhe dava na real gana. Ganharam sindicatos (e professores, claro) por se sentarem na futura comissão paritária e pela introdução de uma fatia de bom senso no horário de trabalho.
Ganhámos, pois, dois meses e meio e temos uma equipa autocrática e completamente desacreditada a recuar, fingindo que não recua.
Ganhámos os próximos anos? Não. O novo modelo de gestão foi ontem promulgado. Daqui a dois anos este modelo de avaliação não vale nada e vale tudo. O director da escola reúne os seus apaniguados e diz: este ano vamos dar excelente ao Manuel e à Maria. Porquê? Porque ela teve tuberculose e veio trabalhar, porque ele teve o filho no hospital e veio trabalhar, porque têm umas fichas muito bonitas e fazem tudo o que lhes pedimos. E continuará: vamos é chamar o presidente da câmara e o presidente da junta, fazer o festim, distribuir as medalhinhas, a ver se eles nos fazem mais uns favorzinhos.
Se a avaliação de professores vingar intacta para 2008 é um ganho certo para Sócrates. Ele precisa desesperadamente de dizer em 2009 que, pela primeira vez na história, os professores foram avaliados e que isto lhe confere o grau "zen" da modernidade. Vale qualquer coisa, desde que se faça. É uma vitória, mesmo que desesperada e à custa da fantochização do que o Ministério queria para este ano.
Há quem, na entrevista à SIC, tenha procurado a "pessoa" Sócrates no Zangão, ou na irritação pela mulher de António Costa ter estado na rua a 8 de Março, mas pouco se comentou o seu amor aos dias cinzentos e ao nevoeiro.
Nevoeiro e talha dourada. O nevoeiro, segundo José Gil, é essa espécie de entorpecimento colectivo onde se instala a dificuldade de pensar, a impossibilidade de agir, uma certa "estupidez reinante", o burgessismo. Eles querem lá saber se o modelo de avaliação é burocraticamente infernal, se não contribui para a qualificação da escola pública, se a avaliação é feita por quem possa não saber fazer melhor nem tenha formação para isso, que não tenha uma componente externa e salvaguarde a independência, que não preserve e valorize o trabalho em equipa, das escolas aos conselhos de turma. Eles querem lá saber, se o único sinal que deram até hoje do que é um "bom professor" foi o de que o bom professor é aquele que ocupou cargos durante os últimos sete anos de uma carreira de vinte ou trinta, independentemente das circunstâncias e da qualidade com que os ocupou.
O modelo é barato, reforça as dependências e a cadeia de obediência e, sobretudo, poderão clamar que o aplicaram e que isso é que é muito moderno, "o passo mais importante na reforma da educação" como garantia hoje a Ministra. É o que lhes interessa.
O que interessa aos professores e professoras é outra coisa. É o que aprofunda a sua missão de servidores da causa pública, da escola pública, do futuro das crianças e jovens, contra o nevoeiro e os burgessos. A Ministra diz que "não há mais acertos". Ou ela mente ou ganhámos rebuçados, ou o primeiro-ministro e o presidente suspiram de alívio ou conseguimos manter a luta e a qualidade das exigências. A escolha é, como a 8 de Março, nossa".
Cecília Honório



