terça-feira, maio 06, 2008

Maria de Lurdes na TVI

Com entrevistadoras como esta, tensas e mal preparadas, a ministra da educação bem pode dormir descansada. De resto, Maria de Lurdes trouxe-nos o discurso habitual com apenas uma novidade: deixou no ar a possibilidade de num futuro próximo ser decretado o fim das retenções. Por mim pode ser já amanhã.

domingo, maio 04, 2008

Acções de formação gratuitas ou pagas pelos professores?

Uma situação que os sindicatos deviam esclarecer com urgência, é se os professores são obrigados a pagar a sua formação. Sabemos que os professores são obrigados a frequentar, com aproveitamento, acções de formação contínua para serem avaliados positivamente. Sabemos também que se forem classificados negativamente, designadamente por não terem frequentado as acções a que estão obrigados, serão excluídos da carreira. O que não nos dizem é se somos obrigados a pagar a nossa formação.
É de todo incompreensível e injusto que a maioria de nós ande a frequentar acções de formação a expensas próprias. Já não bastava que as tivéssemos que frequentar em horário pós-laboral e em fins-de-semana (como somos considerados um bando de privilegiados a tutela decidiu que temos que sacrificar a família e os nossos tempos livres), ainda somos obrigados a recorrer às nossas economias para sustentar um plano de formação que caberia ao Ministério da Educação financiar. Esta é, sem dúvida, uma boa matéria para os sindicatos se debruçarem

sábado, maio 03, 2008

One Republic feat Timbaland - Apologize

Mário Nogueira responde a Fernando Madrinha a propósito do "entendimento"

Nota - Ao ler Mário Nogueira, fico atónito com a quantidade de benefícios que o entendimento trouxe aos professores. Este senhor merece um rasgado elogio pelo acordo alcançado. Aliás, pelo que vamos ouvindo da boca da maioria dos professores, a satisfação é geral. As recentes manifestações foram prova disso mesmo, tão elevada que foi a participação dos docentes.
Agora a sério. Um dos nossos grandes erros tem sido acreditar em demasia nos sindicatos. Damos-lhes excessiva importância. E para piorar o cenário, teimamos em fazê-los sentir que são imprescindíveis e incontornáveis. Não admira que acumulemos desilusões.

quinta-feira, maio 01, 2008

O fim das reprovações

Depois de garantido o "entendimento", a ministra da educação anda muito atarefada, desdobrando-se em intervenções sobre tudo e sobre nada, mas sempre com um objectivo presente: diabolizar os professores aos olhos da opinião pública, acusando-os de todos os males que pairam no sistema de ensino. A estratégia é sobejamente conhecida e mete nojo pela forma recorrente como é utilizada.
Nos últimos dias, tem andado numa autêntica cruzada contra os "chumbos": que as reprovações só prejudicam os alunos; que nos outros países não se verificam tão altas taxas de retenção; que o objectivo actual é proporcionar a todos os alunos, sem excepção, a escolaridade básica de nove anos e as reprovações colidem com este objectivo, blá, blá, blá, blá...E repete este discurso até à exaustão.
Como esta senhora tem sempre segundas intenções naquilo que diz, quer-me parecer que ela anda a apalpar terreno com a clara intenção de decretar o fim das reprovações até ao 9ºano. Por muito absurda que possa parecer a implementação de uma medida desta natureza, Maria de Lurdes e seus pares, têm-nos dado provas mais do que suficientes de que com eles tudo é possível. No caso concreto, basta um sinal positivo da comunicação social e de uns quantos analistas encartados e a coisa avança sem espinhas. Não acreditam? Esperem e verão.

terça-feira, abril 29, 2008

Washed by the Water - Needtobreathe

E se te calasses!

A propósito da manifestação de ontem à noite em Lisboa, Mário Nogueira brinda-nos com esta pérola: "Salvámos o terceiro período, e evitaram-se outros protestos mais graves, como as greves, mas não há razão para se alterar o que ficou definido na marcha".
Apetece-me chamar nomes feios a este senhor, mas como sou uma pessoa educada fico-me pela intenção!

Outra coisa não se esperaria

Meia dúzia de "gatos pingados" manifestaram-se ontem em Lisboa em frente ao Ministério da Educação. Face à desastrosa estratégia seguida pelos sindicatos outro cenário não era esperado. Os professores estão desiludidos e por isso desmobilizaram. Os dirigentes sindicais já se devem ter apercebido do logro em que caíram, mas teimam em não reconhecer o erro. Quem se ri de tudo isto é a ministra que à beira do K.O. conseguiu novo fôlego graças à incompetência dos sindicatos.

domingo, abril 27, 2008

Tudo em favor das estatísticas

Tal como já sucede nos outros graus de ensino, o sucesso no ensino universitário vai disparar. Segundo Luís Reis Torgal, coordenador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, "o facilitismo de Bolonhavai contribuir para elevar ainda mais o grau de sucesso nos próximos anos". Segundo este professor, "há um mal estar na universidade. Basta falar com qualquer professor universitário. Bolonha podia ter sido uma oportunidade para fazer uma excelente reforma do ensino na Europa, mas acabou por ser um processo montado por razões económicas e os governos fazem um esforço por mostrarem as estatísticas do sucesso"

Nota - Pelos vistos andam todos ao mesmo. O que é importante é ficar bem na fotografia.

quinta-feira, abril 24, 2008

Os casos "isolados" de violência escolar

Cada vez que é confrontada com uma situação de violência escolar a ministra da educação responde sempre da mesma forma, i.e., "estamos perante um caso dramático, mas isolado". A questão é que estes casos sucedem-se diariamente e, apesar disso, a senhora mantém o discurso: isolado+isolado+isolado...sempre igual a "isolado". Suponhamos que um dia destes numa visita a uma escola a senhora ministra é vítima de agressão. Nessa altura, nós também poderemos argumentar que se trata de um caso "isolado", logo com pouca relevância.
Gostaria de poder afirmar que estamos perante um caso isolado de estupidez e pura ignorância. Mas infelizmente não estamos. Comentários desta natureza, repetem-se amiúde com esta ministra. Começaram por ser isolados, tornaram-se frequentes e depois generalizaram-se. Ora, isto sim, é motivo para grande dramatismo.

terça-feira, abril 22, 2008

As asneiras pagam-se caro

Os professores estão desmoralizados e começam a desmobilizar na sua luta, fruto do precipitado entendimento da Plataforma Sindical com o Ministério da Educação. As concentrações de ontem em Viseu e Coimbra são disso um claro exemplo. Mário Nogueira e seus pares, deviam meter a mão na consciência e reconhecer que a estratégia escolhida foi uma machadada fatal nas aspirações dos professores. Sermos enganados por quem nos deve defender é algo que custa muito a engolir.

segunda-feira, abril 21, 2008

Seja coerente, Srª ministra

Depois da deplorável entrevista ao Correio da Manhã, a ministra da Educação voltou hoje a defender que os alunos não devem "chumbar", pois entende que a reprovação só os desmotiva e não lhes traz quaisquer benefícios e, além disso, compromete a posição de Portugal nas estatísticas europeias. Todos já percebemos que esta é a principal preocupação da ministra. Ora, se o que está em causa são as estatísticas porque não decretar o fim das reprovações, ficando assim o problema resolvido em definitivo?

domingo, abril 20, 2008

O Memorando e a Moção dos sindicatos de professores

"Amanhã é outro dia: tempo de combate e esperança. Tempo moral.

Um comentário sobre a consulta aos professores relativamente ao acordo entre os sindicatos de professores e o Governo de 11-4-2008. Mais tarde, farei aqui uma análise e síntese do contexto político do acordo.

O acordo entre sindicatos de professores e Governo de 11-4-2008 - "Memorando de Entendimento entre a Plataforma Sindical de Professores e o Ministério da Educação" (não-datado) - envolveu ainda, em anexo, uma Declaração da Plataforma Sindical e uma Declaração da Ministra da Educação que têm o objectivo de limpar a face de cada um, tentando cada um demonstrar que não cedeu e que ganhou.

Como tenho repetido, os 100 mil professores não participaram na manifestação por causa do absurdo do método e da substância da avaliação dos docentes, mas por causa da regressão do ensino, no meio do delírio pedagógico e didáctico do Ministério da Educação, e da degradação da função do professor. Ora, o acordo não resolve, nem estabelece um método para resolver, as queixas maiores e, portanto, despreza-as, reduzindo o capital de descontentamento à fatídica avaliação.

Mais ainda, o Memorando de Entendimento contém, no seu ponto 9, um saco-de-trinta-dinheiros de um novo escalão remuneratório no topo da carreira, o que não vi ninguém na Marcha pedir e envergonha o sentido missionário da indignação. A reivindicação de mais dinheiro acaba por ser sempre a prova-do-algodão das lutas dos sindicatos politicamente alinhados. Mesmo quando a questão não é dinheiro - e na luta dos professores não é! -, a tentação do capital (o vil metal) bate mais forte, principalmente nos sindicatos comunistas. Enlameia-se a indignação funda dos professores quando na luta os sindicatos misturam o dinheiro - qualquer que seja o eufemismo usado para o designar (carreiras, escalões e outros palavras do jargão esotérico) - e o quadro (que não o da aula).

Por isso, considerei que o acordo significa a venda dos professores ao Governo pelos sindicatos politicamente controlados pelo PC e PS. Os 100 mil professores que se manifestaram não são todos comunistas: na manifestação existiria uma representação mais ou menor proporcional da preferência partidária dos eleitores, corrigida, admita-se, pela não participação de professores que tenham considerado que participar na manifestação constituiria uma forma de ataque ao Governo que apoiam politicamente. Foi com desconforto que os professores assistiram no Terreiro do Paço em 8 de Março de 2008, no final da Marcha, o discurso de... Manuel Carvalho da Silva, que pareceu uma tentativa de instrumentalizar professores para objectivos que a larga maioria não partilhava; enquanto não foi consentida a intervenção de nenhum líder independente de uma luta que começou inorgânica até ser montada pelos sindicatos.

A motivação dos sindicatos politicamente controlados parece ter sido conseguir um acordo a qualquer preço, adoçado pela oferta do bombom amargo do novo escalão, para partir os dentes ao sindicalismo independente que se divisava, mantendo a função de intermediário exclusivo da classe e... do Governo.

Como temiam os sindicatos políticos, que, numa admissão da sua perda de representatividade, afirmaram ir proceder a uma espécie de ratificação do acordo celebrado pelas cúpulas em plenários nas escolas, a primeira reacção pública dos professores ao acordo foi negativa, conforme se pôde ver pelos blogues, caixas de comentários e fórum livres do controlo, directo e indirecto, governamental dos media.

Avisado por uma leitora, li a revelação do prof. Mário Lopes no blog Movimento Cívico em Defesa da Escola Pública e da Dignidade da Docência de que na prometida consulta aos professores após acordo com o Ministério as cúpulas sindicais, numa evidência de deslealdade política, não terem submetido o texto do próprio Memorando de Entendimento aos professores nos plenários - organizados e preparados pelos sindicatos -, mas uma Moção em que o acordo é referido de passagem. Fui confirmar e verifiquei que é verdade a tese do "Gato por lebre". O que foi dado a votar aos professores, nas escolas onde os sindicatos organizaram reuniões, foi uma moção reivindicativa face ao Governo, cujos resultados (até 17/04/2008, com 766 escolas: 669 - 87,3% - aprovaram a moção; e 97 - 12,7% rejeitaram a moção) são, paradoxalmente, usados para demonstrar adesão ao acordo dos sindicatos com o Ministério!...



A luta dos professores foi instrumentalizada pelos sindicatos controlados parapropósitos políticos que desonram as suas justas razões".




Só a Plataforma Sindical parece não ter entendido

"Tal como estava escrito nas estrelas e se escreveu aqui na semana passada, os sindicatos chegaram a um entendimento como o Ministério da Educação sobre as avaliações dos professores. A pressa com que correram a cantar vitória denuncia a urgência que tinham no acordo. É verdade que houve cedências dos dois lados. Mas, tanto quanto se percebe, a cedência da ministra resume-se a isto: a avaliação "simplificada", que vinha defendendo desde há muito, será igual para todos as escolas, em vez de caad escola definir o seu modelo. Só este ano, para os professores contratados, pois a partir do próximo ano lectivo, mantêm-se na íntegra as regras que constam do decreto. Já a cedência dos sindicatos consistiu na aceitação de um processo de avaliação que queriam ver suspenso. O líder da Fenprof explicou porquê ao "DN": "Não podíamos continuar a gritar suspenda-se a avaliação, suspenda-se, e, à nossa volta, todas as escolas estariam a aplicar o modelo de avaliação porque não teriam alternativa". Porque fala então de "vitória"?"


Fernando Madrinha

Expresso

sábado, abril 19, 2008

Entrevista de Mário Nogueira ao JN/Antena 1

Na manifestação dos 100 mil disse que não havia hipótese de diálogo com esta equipa ministerial mas afinal houve. Enganou-se?
Não. Quem dialogou connosco foi o Governo. O diálogo que tivemos resultou de um pedido de reunião dirigido ao primeiro-ministro .
O que aconteceu?
O primeiro-ministro delegou competências na senhora ministra. Aceitámos.
Foi a primeira vez?
Até Outubro de 2005 houve duas, três reuniões com a ministra, mas como considerava que os sindicatos deveriam concordar com as suas posições, deixou de estar. Delega sempre no secretário de Estado-adjunto. Obviamente que esteve em representação do Governo, seguramente se fossem reuniões com o ministério não estaria, como aconteceu durante três anos. Foi uma excepção provocada pela força dos 100 mil.
Recorreu ao primeiro-ministro, também houve mediação da presidência da República?
O presidente disse-nos que estava a acompanhar a situação e que esperava que pudesse existir diálogo.
Sentiu que tinha de haver resultados?
Sim, quando recebemos uma resposta urgente do primeiro-ministro, percebemos que havia preocupação em desbloquear a situação e quando a senhora ministra se veio sentar à mesa percebemos que era de facto excepcional.
Não podia ficar-se num impasse?
Há pessoas que acham que as lutas quando se fazem é o tudo ou nada ou se demite a equipa ministerial; ou se revoga um decreto como o Estatuto da Carreira Docente ou não vale a pena. Não penso assim. Para se continuar a lutar, tem de haver resultados. Não são os pretendidos? Pois não, mas o contexto político é muito complicado.
Falaram com o Governo sobre a continuidade dos protestos?
Não, nem tínhamos. Não sei se consegue fazer este exercício colocar-se no papel do ME que assina um entendimento com os sindicatos e continuam os protestos...Coloco-me. Aquilo que pretendíamos com esta negociação foi salvar o 3º período. Passava por duas coisas a não introdução da avaliação nas escolas neste período e a não realização de greves aos exames ou classificações. Era isso que íamos discutir no dia D.
Até final do ano lectivo não haverá interrupções?
O que decidimos no dia D foi consensual acordou-se o não recurso à greve, independentemente do que pensam do entendimento. Mas não há pactos de silêncio. Outra coisa que disse no dia 8 é que esta equipa ministerial não tinha condições para continuar mas pelos vistos tem. Não. Continuo a pensar que esta equipa não deve continuar.
O que representa o entendimento?
Evita a introdução da avaliação e salvaguarda os professores, contratados ou em mudança de escalão que, a mês e meio das férias, iam ser alvos de processos completamente absurdos.
O que o Governo deixou cair?
Se não fosse este entendimento os professores, este ano, perderiam contratos, iriam para o desemprego, perderiam tempo de serviço, os sindicatos estavam afastados e não estava prevista qualquer negociação para revisão do modelo.
Anunciou que 86% dos professores aprovaram o entendimento mas há muitas críticas.
A avaliação ia existir com ou sem entendimento. Podíamos ter virado as costas. Provavelmente algumas das pessoas que nos acusam agora - se não assinássemos - estariam a acusar-nos de defender estratégias partidárias em vez dos professores.
Receia que o movimento de professores extravase o sindical?
Os sindicatos não têm que controlar os professores.
Mas reconhece que os 100 mil não se deveram só à mobilização sindical.
Sim. Mas, já agora, que 106 mil dos 136 mil professores registados no ME são sindicalizados. A Fenprof tem cerca de 70 mil. O ME desvalorizou a elevadíssima taxa de sindicalização. Diria que os 100 mil não eram todos nossos sócios mas nem todos os nossos sócios lá estiveram. Penso que ME deve estar contentíssimo na primeira vez que a grande unidade consegue resultados está a desunir-se. Deve estar a bater palmas.
Como se controla uma manifestação por telemóvel ou pela Internet?
Nós também usamos, são as novas tecnologias de convocação.
O que o preocupa mais?
O futuro da escola pública.

sexta-feira, abril 18, 2008

As razões das professoras e professores

"O acordo celebrado entre a Plataforma Sindical e o governo dividiu o movimento de professores. Houve quem com ele embandeirasse em arco, houve quem achasse que foi uma derrota trágica. Ainda bem que todas as visões foram e estão a ser discutidas nas escolas. Depois da grande manifestação e ainda mais depois do acordo, é fundamental definir uma estratégia para a luta ao longo destes meses do fim do ano lectivo e sobretudo ao longo do próximo ano. É sobre isso que quero apresentar aqui alguns argumentos.

Primeiro argumento: o governo foi forçado a recuar. O governo recuou de facto, mas numa única matéria: foi vencido na chantagem contra os professores contratados, porque queria fazer deles cobaias para o processo de avaliação e foi forçado a aceitar um processo de classificação que tem em conta unicamente a auto-avaliação e a assiduidade ou presença em acções de formação, excluindo assim o arbítrio. Não se pode diminuir o significado deste recuo. Pelo contrário: tem faltado aos movimentos de professores a solidariedade com os contratados, e que seja agora aceite que eles e elas têm os mesmos direitos e deveres de todos os docentes, pelo menos na avaliação, é um passo importante. Para o Bloco de Esquerda, que tinha e tem como objectivo a integração dos contratados na carreira docente, este recuo do governo é importante.

Segundo argumento: o governo, mesmo com esse recuo, procura preservar o essencial, que é a posição da ministra e o processo de avaliação. E o processo de avaliação ficou previsto para o próximo ano lectivo, o que agrava ainda mais as duas outras batalhas em que os sindicatos recuaram: o novo modelo de gestão e o estatuto da carreira docente. O governo tem um plano e ele é implacável: gestão, carreira e avaliação são três momentos da mesma ofensiva. A ministra e o primeiro-ministro querem continuar esta ofensiva. Assim, o segundo objectivo do Bloco de Esquerda, contribuir para parar a avaliação persecutória e abrir espaço para um modelo de avaliação novo, não foi conseguido. Foi por isso que, à RTP e a propósito do acordo, lancei um alerta contra o governo manhoso e insisti na necessidade de continuar a construir um movimento por um modelo de avaliação que derrote o do governo. É na avaliação que está a fragilidade do governo e a força dos professores. É na avaliação que se travarão os confrontos que contam. É aí que o governo quer ser forte porque intransigente e os professores e professoras têm de ser fortes porque sensatos.

Terceiro argumento: é preciso um modelo de avaliação alternativo, que demonstre a incompetência do governo e que reforce a ligação dos movimentos dos professores aos pais, aos alunos e à opinião pública. A avaliação deve avaliar e avaliar o essencial: como é que a escola está a melhorar ou a piorar no combate ao insucesso e à exclusão escolar. A avaliação deve medir os desenvolvimentos dos planos de trabalho e dos seus resultados, por regiões, por escolas, por grupos de cadeiras, e deve envolver todos os professores nas metas e nos modos de trabalho definidos para essa construção da inclusão escolar. Onde o governo quer perseguição aos professores, estou certo que os professores querem respostas aos problemas dos alunos e das escolas.

Quarto argumento: os sindicatos são precisos e devem responder perante os professores, mas são precisos também movimentos mais profundos que disputem o conteúdo da educação, que pensem a educação, que proponham alternativas de estratégia para a educação. E só as professoras e professores podem criar esses movimentos, escola a escola. Esse é o desafio mais importante. É o que fica depois de cada confronto com cada ministro. E, se do governo nada há a esperar senão afrontas aos professores naquele estilo gelado e imperial da ministra e no apoio total do primeiro-ministro, então cabe aos professores criar a sua própria voz nas questões mais importantes, que são as das escolhas sobre uma educação moderna e inclusiva. Nesse campo, só os professores defendem a paixão pela educação e esse é o sentido democrático da movimentação pela escola pública".

Francisco Louçã
www.esquerda.net

Léo Ferré - La Solitude

quarta-feira, abril 16, 2008

Ana Drago: "O ministério chantageia os professores"

Esta senhora toca na ferida - a divisão da carreira -, algo que os sindicatos parecem ter esquecido.

Lembrem-se de Pirro

"Comecemos por uma questão semântica: entendimento e acordo são vocábulos sem diferenças, do ponto de vista da significação, que justifiquem o esforço da Plataforma Sindical para os distinguir. Vão a um bom dicionário. No contexto que “aproximou” sindicatos e ministério, são sinónimos. Mas se essa fosse a questão, então capitular dirimia o conflito. E não estou a ser irónico. Voltem a um bom dicionário.
Posto isto, passemos ao que importa. ministério e sindicatos acertaram, concertaram sob determinadas condições. No fim, os sindicatos cantaram vitória. Permitam-me que invoque alguns argumentos para desejar que os sindicatos não voltem a ter outra vitória como esta.
A actuação política deste Governo e desta ministra produziu diplomas (estatuto de carreira, avaliação do desempenho, gestão das escolas e estatuto do aluno) que envergonham aquisições civilizacionais mínimas da nossa sociedade. A rede propagandística que montaram procurou denegrir os professores por forma antes inimaginável. Cortar, vergar, fechar foram desígnios que os obcecaram. Reduziram salários e escravizaram com trabalho inútil. Burocratizaram criminosamente. Secaram o interior, fechando escolas aos milhares. Manipularam estatísticas. Abandalharam o ensino com a ânsia de diminuir o insucesso. Chamaram profissional a uma espécie de ensino cuja missão é reter na escola, a qualquer preço, os jovens que a abandonavam precocemente. Contrataram crianças para promover produtos inúteis. Aliciaram pais com a mistificação da escola a tempo inteiro ( que sociedade é esta em que os pais não têm tempo para estar com os filhos? Em que crianças passam 39 horas por semana encerradas numa escola e se aponta como progresso reproduzir o esquema no secundário, mas elevando a fasquia para as 50 horas?). Foram desumanos com professores nas vascas da morte e usaram e deitaram fora milhares de professores doentes (depois de garantir no Parlamento que não o fariam). Promoveram a maior iniquidade de que guardo recordação com o deplorável concurso de titulares. Enganaram miseravelmente os jovens candidatos a professores e avacalharam as instituições de ensino superior com a prova de acesso à profissão. Perseguiram. Chamaram a polícia. Incitaram e premiaram a bufaria. Desrespeitaram impunemente a lei que eles próprios produziram. Driblaram as leis fundamentais do país. Com grande despudor político, passaram sem mossa por sucessivas condenações em tribunais. Fizeram da imposição norma e desrespeitaram continuadamente a negociação sindical. Reduziram a metade os gastos com a Educação, por referência ao PIB. No que era essencial, no que aumentaria a qualidade do ensino, não tocaram, a não ser, uma vez mais, para cortar e diminuir a exigência e castrar o que faz pensar e questionar.
A questão que se põe é esta: por que razão esta gente, que tanto mal tem feito ao país e à Escola, que odeia os professores, que espezinhou qualquer discussão ou concertação séria, que sempre permaneceu irredutível na sua arrogância de quero, posso e mando, de repente, decidiu “aproximar-se” dos sindicatos? A resposta é evidente: porque os 100.000 professores na rua, a 8 de Março, provocaram danos. Porque a campanha eleitoral começou a reparar os estragos para garantir mais quatro anos.
O tempo e a oportunidade política da plataforma sindical aconselhava uma firmeza que claudicou. Porque quem estava em posição de impor contemporizou. Porque de um dia para o outro se esqueceram as exigências da véspera. Porque quem demandou a lei em tribunal pactuou com uma farsa legal. Porque quem acusou de chantagem acabou a negociar com o chantagista. Porque quem teve nos braços uma unidade de professores nunca vista pensou pouco sobre os riscos de a pôr em causa.
É verdade que os sindicatos ganharam uns trocos. Mas o lance não era para trocos. Era para devolução integral: da dignidade perdida.
Aqui chegados, permitam-me a achega: pior que isto é não serem capazes de superar isto. E lembrem-se de Pirro, quando agradeceu a felicitação pela vitória: ” Mais uma vitória como esta e estou perdido”.

Santana Castilho
Professor do ensino superior

A futura avaliação de professores