Miguel Frasquilho
terça-feira, julho 01, 2008
Exames de Matemática: Um Caminho Trágico
Miguel Frasquilho
segunda-feira, junho 30, 2008
As estatísticas do sucesso
É uma declaração e tanto, mas convém não mostrar escândalo. Ela tem razão. Os seus superiores também não mostraram escândalo quando viram os recentes testes de exames que hão-de vir a beneficiar as ‘estatísticas do sucesso’, apesar de os alunos declararem que eram fáceis de mais.
O País tem direito a ter sucesso. Se não o consegue pelos meios habituais – trabalho, exigência, aplicação, dificuldade –, então que se lhe facilitem as coisas. Os alunos do 4º ano não sabem a tabuada? Forneçamos-lhes calculadoras desde o 1º ano. Que isso não impeça o maravilhoso ‘sucesso’ que faz a alegria dos medíocres. É a vida".
Francisco José Viegas
domingo, junho 29, 2008
sábado, junho 28, 2008
Exames fáceis?
sexta-feira, junho 27, 2008
Megabytes
Alberto Gonçalves
quinta-feira, junho 26, 2008
Maria de Lurdes Rodrigues
Gonçalo Bordalo Pinheiro
A ministra e o fim da exigência
Gonçalo Bordalo Pinheiro
quarta-feira, junho 25, 2008
Professores queixam-se de insultos e agressões
A violência escolar interpessoal existe e manifesta-se predominantemente de uma forma verbal e física.
A linha SOS professor, criada pela Associação Nacional de Professores em parceria com a Universidade Lusófona, é assegurada por uma equipa transdisciplinar composta por seis elementos, reunindo professores e especialistas da área de psicologia, psicopedagogia, mediação de conflitos e direito.
Um estudo ontem divulgado na 4ª Conferência Mundial sobre Violência Escolar e Políticas Públicas incidiu numa amostra de 308 professores desde o pré-escolar ao ensino secundário, com idades entre os 20 e os 65 anos, que recorreram a esta linha.
A maioria dos docentes que recorreram à linha eram professores do 1º Ciclo, mulheres, a leccionar na zona sul do país, com mais de 40 anos e com vários anos de serviço.
Segundo os dados apresentados por Elisabete Pinto da Costa, directora do Instituto de Mediação da Universidade Lusófona do Porto, os professores da amostra relataram na maioria dos casos situações de agressão verbal (41,9%) e de indisciplina (31,8%) . Contudo, o estudo revela ainda uma percentagem considerável de agressões físicas (26,9%).
A indisciplina é definida no estudo como comportamentos indesejáveis apresentados pelos alunos na sala de aula, que podem ir desde conversar uns com os outros, a desrespeito pelas regras da sala de aula e agressões mútuas, entre alunos, e à utilização de materiais e/ou equipamentos não permitidos.
Já a agressão verbal define-se como insultos, difamação ou ameaças proferidos por um qualquer interveniente, em relação ao professor.
No 1º Ciclo do ensino básico os problemas encontrados são as agressões verbais e a indisciplina, enquanto no 3º ciclo imperam as agressões verbais.
O trabalho dá ainda conta da repetição destas situações. Na maioria dos casos há uma repetição de 53,2%. Os problemas apontados ocorreram na maioria dos casos na sala de aula e na sala de apoio".
JN
Novo concurso para professor titular
terça-feira, junho 24, 2008
O suave milagre (II)
Mas não houve sombra de facilitismo. Foi mesmo milagre. A prova de aferição do 6.º ano incluiria, por exemplo, uma questão praticamente igual à da do 1.º Ciclo (ex-4.ª classe) do ano passado.
Nada menos verdadeiro. Na prova do 1.º Ciclo de 2007, a questão era sobre a turma do Nuno; este ano foi sobre a turma do Ricardo. No ano passado, o pictograma era feito com "smiles", este ano foi com bolinhas.
Na prova do 1.º Ciclo de 2007 perguntava-se sobre alunos que aprendiam informática; na prova do 6.º ano de 2008 foi sobre alunos que aprendiam piano. No ano passado, no 1.º Ciclo, para resolver o problema, bastava somar um "smile" e meio; agora, no 6.º ano, já era preciso somar três bolinhas e subtrair uma, o que é muito mais difícil.
Os críticos verão que, depois, no 9.º e no 12.º anos, já será preciso saber multiplicar, e até dividir! A epopeia educativa da Matemática é para continuar".
Manuel António Pina
O suave milagre (I)
"Em "L'enfant", de Marguerite Duras, uma criança (de 40 anos…) recusa-se a ir à escola porque na escola só lhe ensinam coisas que não sabe.
Alguém do ME dever ter visto o filme e, na sua cabeça, como na fértil cabeça do Professor Pardal, luziu uma lampadazinha: porque não fazer umas provas de aferição "simplex" e perguntar aos alunos só o que eles sabem? Imagino o alvoroço no Ministério. Um milagre estatístico, especialmente na Matemática, vinha a calhar em vésperas de eleições. "Mas que sabem os alunos do 6.º ou do 9.º ano?", ter-se-á perguntado, subitamente inquieta, a ministra. Depressa se tranquilizou: que diabo, os alunos do 6.º haviam de saber a matéria do 4.º e os do 9.º a do 6.º… Era o ovo de Colombo. A prova de Matemática do 6.º ano incluiria matérias do 4.º (mesmo uma pergunta praticamente igual à prova do 4.º do ano passado), e a do 9.º matérias a que, segundo a SPN, até alunos da primária podiam responder. Foi, como se viu, um sucesso e a ministra já se autofelicitou por ele. E assim, de um ano para o outro, por suave milagre, os alunos portugueses passaram a ser génios matemáticos".
Manuel António Pina, JN
domingo, junho 22, 2008
Aferição aferida de morte
Havia, e há, a antiquíssima escala de 0 a 20, a mais precisa, que se utiliza no ensino Secundário e no ensino Superior. Com o 25 de Abril inventou-se a escala de 1 a 5, para o 2º e 3º Ciclo, muito pouco rigorosa, para não traumatizar alunos e encarregados de educação. Haverá ainda a possibilidade de criar no futuro uma nova escala em que as notas negativas não existam. Será a escala perfeita.
As provas de aferição servem para aferir alguma coisa? Não. Servem para mostrar a competência do Ministério da Educação, a partir de dados não comparáveis, a mostrar que os alunos do Ensino Básico, em Língua Portuguesa e Matemática, continuam na senda do progresso vertiginoso para o sucesso absoluto. As provas, em 2007 e 2008, não são do mesmo tipo, não foram feitas com a mesma matriz, nem com os mesmos critérios. E, este ano, foram mais fáceis. Os resultados só poderão ser tendencialmente maravilhosos.
O Ministério da Educação gosta de ser exigente com os professores e indolente com os alunos. Em muitas escolas as provas de aferição, depois de afixados os resultados, foram enterradas. Nem para avaliação formativa serviram. Os alunos não ficaram a saber onde tinham errado. E não puderam corrigir seus erros. Coisa de somenos.
As provas tiveram, é certo, o mérito de proporcionar dois feriados oficiais aos alunos que as não realizaram. É pouco para provas de aferição nacionais. Não desejo que as provas de aferição fiquem feridas de morte. Mas por que não haverá coragem de as transformar em exames de fim de Ciclo? Feitos com critérios e técnicas fiáveis - como sugere Nuno Crato - que permitam comparar resultados, ano após ano, e intervir pedagogicamente para melhorá-los? Às vezes passa-me pela cabeça cada inconveniência! Falta de juízo aferido, provavelmente".
José Alberto Quaresma
Expresso
O país do faz-de-conta
Editorial, Expresso
sábado, junho 21, 2008
sexta-feira, junho 20, 2008
Professores de Matemática consideram prova do 9.º ano a mais fácil de sempre
Público
quarta-feira, junho 18, 2008
Resultados das provas de aferição do 1º e 2º ciclos
Um dos principais pontos a destacar é o aumento do número de alunos com resultados positivos, assinalável sobretudo em Matemática, disciplina onde os resultados eram tradicionalmente mais problemáticos.
As melhorias registadas na disciplina de Matemática, iniciadas no secundário em 2007 e no básico este ano lectivo, provam que o insucesso escolar não é uma fatalidade - é um problema, para o qual devem ser encontradas soluções adequadas.
Na base desta melhoria está mais trabalho reflectido e orientado para objectivos claros, mais recursos e mais tempo dedicado ao estudo.
Saliente-se, a propósito, no caso do básico, a importância da realização de provas de aferição universais, com resultados devolvidos às escolas e às famílias.
Esta devolução proporciona um conhecimento concreto do nível atingido pelos alunos e respectivas turmas, permitindo aos professores a identificação dos aspectos a melhorar.
Recorde-se que, em Outubro de 2007, foram, pela primeira vez, entregues às escolas os resultados individualizados dos alunos e das turmas, o que permitiu aos professores identificar as dificuldades e desenhar estratégias para a recuperação dos resultados.
Este imprescindível trabalho continuado e persistente, desenvolvido em várias frentes, envolvendo o Ministério da Educação, as escolas, os professores, os alunos e as famílias, tem sido feito desde 2005 e deverá prosseguir para os resultados continuarem a melhorar.
De várias medidas que contribuíram para os presentes resultados, mencionem-se, a título de exemplo:
A formação contínua, em Português e em Matemática, de milhares de professores do primeiro ciclo;
O Plano de Acção para a Matemática, concretizado em todos os agrupamentos de escolas;
O Plano Nacional de Leitura, que apetrechou e dinamizou as bibliotecas escolares de todos os agrupamentos;
A definição de orientações sobre os tempos de trabalho com os alunos do 1.º ciclo em leitura e em Matemática;
O reforço do Estudo Acompanhado, para os alunos dos 1.º e 2.º ciclos;
A disponibilização de um banco de mais de 3000 itens de Matemática;
A elaboração de brochuras de apoio científico e pedagógico, para os níveis do pré-escolar, dos 1.º e 2.º ciclos, em Matemática e em Língua Portuguesa.
1.º ciclo
Os resultados das provas de aferição do 1.º ciclo revelam que cerca de 90 por cento dos alunos do 4.º ano realizaram provas com sucesso, atingindo níveis de desempenho positivos, tanto em Matemática como em Língua Portuguesa.
Salienta-se uma recuperação significativa a Matemática, onde a percentagem de alunos com desempenho positivo passa de 81 por cento para 91 por cento.
O nível de Muito Bom é alcançado em Matemática por cerca de 15 por cento dos alunos, e, em Língua Portuguesa, por 6 por cento. Comparativamente, a percentagem de alunos com níveis de desempenho claramente insuficientes é muito residual (inferior a 1 por cento).
Adiante-se que as provas de Matemática e Língua Portuguesa, em 2008, são equivalentes em complexidade e dimensão às de 2007.
Enquanto a melhoria dos resultados se regista, sobretudo, nas componentes relativas ao conhecimento explícito da língua, as maiores dificuldades surgem na compreensão de textos informativos e poéticos, mais do que de textos narrativos.
Para mais informações, consultar os resultados das provas de aferição do 4.º ano [PDF]
2.º ciclo
Já no 2.º ciclo, os resultados indicam que os níveis de desempenho positivo nas provas de aferição foram atingidos por 90 por cento dos alunos em Língua Portuguesa e por 82 por cento em Matemática.
Isto aponta para uma recuperação significativa a Matemática, onde a percentagem total de alunos com desempenhos positivos passa de 59 por cento para 82 por cento.
Tal como no 1.º ciclo, também neste é muito residual a percentagem de alunos com níveis de desempenho claramente insuficientes, tanto em Língua Portuguesa como em Matemática.
Por fim, as provas de Matemática e Língua Portuguesa, em 2008, são equivalentes em complexidade e dimensão, às de 2007
Para mais informações, consultar os resultados das provas de aferição do 6.º ano [PDF]"
Nota- Em nenhum momento do documento se enaltece o contributo dos professores para esta melhoria dos resultados. Para o Ministério da Educação a explicação é só uma: se há resultados positivos, estes devem-se quase em exclusivo às políticas educativas por si implementadas. Quem está no terreno com certeza que tem outra leitura: o facilitismo das provas é que permitiu estes resultados; tudo o mais que se disser é propaganda política destinada a iludir o povinho.
terça-feira, junho 17, 2008
Billy Jean - Michael Jackson
A primeira vez que o "Moonwalk" foi introduzido. Já lá vão 25 anos. Ainda se lembram?
domingo, junho 15, 2008
A liberdade segundo os sindicatos
Gonçalo Bordalo Pinheiro
sexta-feira, junho 13, 2008
65 horas semanais
Nicolau Santos
quinta-feira, junho 12, 2008
O prestígio perdido dos professores
Isto porque um outro estudo de Braga da Cruz (publicado em 1990) já nos tinha dado conta do facto dos professores do ensino primário, em reconhecimento público, ocuparem a 8.ª posição e o professor do ensino secundário a 14.ª, entre 20 profissões estudadas. Reminiscências do tempo em que o médico, o padre e os então chamados professores primários eram as pessoas mais prestigiadas nas aldeias?
Mas esta erosão do prestígio e reconhecimento das profissões não se confina a fronteiras docentes ou nacionais. Com fundamento no que se passa nos Estados Unidos, para João Lobo Antunes, médico neurocirugião e catedrático de Medicina, “apesar dos progressos maravilhosos da ciência médica, a verdade é que o respeito que a confiança que nós, neurocirurgiões, e os médicos em geral, merecemos do público leigo tem declinado substancialmente” (“Um modo de ser”, Gradiva, Lisboa, 1996, p. 43).
Seja como for, é altamente preocupante não ser, agora, unicamente “o público leigo”, mas os próprios usufrutuários da profissão docente a exprimirem este estado de desalento que contrasta com os hinos de louvor cantados pela professora universitária Clara Pinto Correia aos antigos professores do liceu (segundo ela, “mesmo que liceu seja uma palavra que já não se usa, dá jeito, no caso vertente, para simplificar o discurso”), quando escreveu: “A barbárie não anda longe. Nunca andou (…) Para evitar que assim seja temos nos professores do liceu a mais importante das nossas armas. Devíamos beijar-lhes as fímbrias do manto” (“Diário de Notícias”, 22 de Outubro de 1995).
Para o rasgar das fímbrias do manto julgo ter contribuído um Estatuto da Carreira Docente (do ensino não superior) que meteu no mesmo saco todos os docentes, do ensino infantil ao secundário, sem ter em devida conta as respectivas habilitações académicas, quer fossem a nível do ensino médio ou ensino superior. Aliás, princípio seguido pelos sindicatos dos professores da altura ao permitirem a inscrição de qualquer um que desse, ainda que esporadicamente, aulas sem qualquer espécie de habilitação que o creditasse ou mesmo enquanto estudante de um qualquer curso superior (ou nem isso).
Corria o ano de 1992. Em desacordo frontal com este “statu quo” foi criado o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados com os objectivos seguintes:
- “Defender os interesses específicos dos professores licenciados por universidades que eram, e continuam ainda a ser, postergados pela administração e ignorados pelos outros sindicatos e suas federações.
- Representar a ruptura com as orientações sindicais existentes, em oposição frontal à instituição de uma carreira única de professores, pois pretende revalorizar a profissão em todo o seu percurso, em consonância com os valores e as necessidades dos professores dos nossos dias” .
Numa verdadeira manta de retalhos de formações académicas, muitos outros se seguiram numa profusão de sindicatos de professores a puxarem a brasa à sua sardinha, que não encontra qualquer semelhança no associativismo sindical de mesteres nobilitados por ordens profissionais. Ainda que acompanhada de um repetitivo discurso de bondade, a união de 14 sindicatos dos professores numa plataforma comum apenas deve ser vista como a crisálida de uma espécie de unicidade sindical desajustada no tempo e sem lugar nas circunstâncias da nossa actual vivência democrática".
Rui Baptista





