terça-feira, julho 01, 2008

Exames de Matemática: Um Caminho Trágico

"(...) É sabido que a Matemática é, para a maior parte da população portuguesa, incluindo os actuais estudantes, uma espécie de "bicho papão", uma "dor de cabeça" que (quase) todos bem dispensavam. E que se reflecte num preocupante nível de ileteracia que os resultados do Programa Internacional para a Avaliação de Alunos (PISA), publicado pela OCDE de três em três anos confirmam: na última edição, a de 2006, a média de conhecimentos a Matemática dos nossos alunos de 15 e 16 anos era de 466 pontos (média da OCDE: 498pontos), e Portugal ocupava o 26º lugar do ranking (em 30 países), deixando atrás de si apenas a Itália, a Grécia, a Turquia e o México. Pior: o valor de 2006 era o mesmo de 2003, provando não ter existido qualquer progresso nesta matéria desde então.
Ora, quando, à saída do referido exame nacional de Matemática, as opiniões mais ouvidas entre os estudantes sobre a prova que tinham acabado de realizar eram "fácil", "acessível", "sem problemas de maior", nem queria acreditar. Pior: os mesmos comentários eram semelhantes aos obtidos no fim de outras anteriormente realizadas - e a opinião dos alunos quanto à facilidade da prova era partilhada por professores e especialistas na matéria. Finalmente, a tendência dos resultados dos exames nacionais dos exames nacionais do 12º ano de Matemática nos últimos 3 anos é claramente ascendente: uma média de 6,9 valores em 2005; 7,3 em 2006; 9,6 em 2007...e, quase apostaria que será registada uma forte subida em 2008. Assim, o que parece é que os conhecimentos de Matemática dos nossos estudantes do 12º ano estão a melhorar ano após ano. O que, claro, se reflectirá nos rankings internacionais. Mas que, infelizmente, não corresponde à verdade - como mostra a coincidência entre a melhoria das classificações e a "facilidade" que alunos, professores e especialistas encontraram nos exames.
Em Portugal passou-se, pois, a trabalhar para os rankings - o que é inaceitável, porque revela uma tentação de mascarar a qualidade do nosso ensino, bem como a qualificação dos nossos estudantes. Resultados melhores com exames reconhecidos como mais fáceis por todos não indiciam qualquer melhoria na qualificação e na competência futura dos recursos humanos - ainda que os rankings possam (erroneamente, já se vê) apontar para isso. Ora, mesmo tendo um sistema fiscal mais atractivo e competitivo (área que considero fundamental para progredirmos economicamente), uma legislação laboral mais flexível, uma justiça mais rápida, e uma Administração Pública mais desburocratizada em todas as vertentes, nunca conseguiremos atingir um elevado nível de desenvolvimento sustentável se a qualificação dos nossos recursos humanos não melhorar... e muito. O que, a avaliar pelo caminho escolhido, de facilidade e de aparência, não irá suceder".
Queremos ter melhores resultados? Pois baixe-se o nível de exigência e torne-se os exames mais fáceis...e eis-nos a subir nos rankings! Mais exigência e rigor no ensino e nas provas? Não, isso nem pensar!
Desgraçado do país que tem um Governo que aposta nas aparências para mascarar a realidade!
Uma verdadeira tragédia".

Miguel Frasquilho
Sol

segunda-feira, junho 30, 2008

As estatísticas do sucesso

"Uma funcionária superior do Ministério da Educação, certamente avisada em matéria de avaliação, voltou à ribalta depois de afirmar que ‘os alunos têm direito a ter sucesso’.
É uma declaração e tanto, mas convém não mostrar escândalo. Ela tem razão. Os seus superiores também não mostraram escândalo quando viram os recentes testes de exames que hão-de vir a beneficiar as ‘estatísticas do sucesso’, apesar de os alunos declararem que eram fáceis de mais.
O País tem direito a ter sucesso. Se não o consegue pelos meios habituais – trabalho, exigência, aplicação, dificuldade –, então que se lhe facilitem as coisas. Os alunos do 4º ano não sabem a tabuada? Forneçamos-lhes calculadoras desde o 1º ano. Que isso não impeça o maravilhoso ‘sucesso’ que faz a alegria dos medíocres. É a vida".

Francisco José Viegas
Correio da Manhã

domingo, junho 29, 2008

sábado, junho 28, 2008

Exames fáceis?

"Os professores e os pais convergem na opinião de que há um esvaziamento dos exames nacionais. Quanto aos alunos, basta ver o que dizem na TV à saída das provas. Eu fui ver alguns exames deste ano e parece-me que alguém anda a brincar com o esforço de professores e alunos. Teme-se o pior: pelo caminho que as coisas levam, qualquer dia o exame de Portumática do 9º ano - uma só prova para ser mais fácil - será escrever a palavra "batata", dizer se é nome ou substantivo (a ver se sabe as TLEBS), contar o número total de letras dessa palavra e, finalmente, traçar uma circunferência à volta do resultado. Claro que vai ter a cotação toda um aluno que conte três, pois contou correctamente sílabas em vez de letras, e que desenhe um quadrado em vez de uma circunferência, pois também é uma figura geométrica. Seria cómico se não fosse trágico"
http://dererummundi.blogspot.com/

sexta-feira, junho 27, 2008

Grelhas de avaliação de desempenho

As definitivas grelhas de avaliação de desempenho. Aqui.

Megabytes

"Os senhores do Ministério da Educação andam muito satisfeitos com os resultados dos exames a Português e a Matemática. Os senhores que sabem português e matemática discordam. Segundo consta, os exames foram tão simples que podiam ter sido feitos com igual aproveitamento por chimpazés, embora chimpazés relativamente dotados. As críticas imediatas ao ministério prendem-se com a facilidade dos testes. As críticas a prazo sugerem que, a fim de favorecer as estatísticas do sucesso escolar, se estão a criar as bases do insucesso profissional, ao envolver-se as crianças num enganador mundo de faz-de-conta que, no futuro, não as levará a lado nenhum.
Julgo que o pessimismo é excessivo. Nos tempos que correm, é perfeitamente possível, até provável, conciliar a crença na irrealidade com o êxito. Conheço criaturas que sobem na carreira enquanto habitam uma dimensão paralela. Mesmo que numerosos estudos alertem para os malefícios dos computadores no ensino, criaturas dessas especializam-se na distribuição de "portáteis" a petizes. Mesmo que o País seja saqueado por camionistas, apostam no aumento da banda larga. Mesmo que a economia chafurde na lama, continuam a contemplar megabytes.
Há pessoas assim, alheadas do mundo real. Algumas vão longe na vida. Uma, por exemplo, foi a primeiro-ministro. Pelo menos nominalmente".

Alberto Gonçalves
Sábado

quinta-feira, junho 26, 2008

Maria de Lurdes Rodrigues

"Conseguiu finalmente o consenso. Pais, professores, alunos e especialistas concordam: os exames e as provas de aferição são uma anedota. A ministra do rigor passou a ministra do facilitismo".

Gonçalo Bordalo Pinheiro
Sábado

A ministra e o fim da exigência

"Quarta pergunta da prova de aferição do 6º ano - o momento mais exigente da avaliação: um gráfico mostra que na turma do Ricardo há seis estudantes que gostariam de aprender a tocar piano. Sendo que só duas raparigas estão nesse grupo, quantos rapazes gostariam de aprender a tocar piano?
Com mais umas palavras e mais alguns desenhos, é basicamente a perguntas deste tipo que o Ministério da Educação entende que os alunos de 11 e 12 anos devem saber responder. É claro que este nível de exigência continua pelos 13, 14, 15, 16 anos. Salva-se a universidade, pelo menos enquanto Maria de Lurdes Rodrigues não conseguir alargar a sua influência ao ensino superior.
Nos primeiros dois anos de mandato, a ministra tomou várias medidas que aumentavam a exigência no ensino: avaliação de professores, aulas de susbstituição, provas de aferição em todas as escolas. Nos últimos dois meses, deitou tudo fora: a avaliação de professores tornou-se uma inexistência formal, os exames nacionais são considerados demasiado fáceis por professores, pais e até alunos e as provas de aferição - que serviam para habituar os estudantes, desde cedo, ao rigor e à exigência - têm o único objectivo de reduzir a dificuldade e melhorar as estatísticas. Maria de Lurdes Rodrigues entrou como a grande promessa deste Governo. Sai como a maior desilusão".

Gonçalo Bordalo Pinheiro
Sábado

quarta-feira, junho 25, 2008

Professores queixam-se de insultos e agressões

"A agressão verbal e a indisciplina foram os maiores problemas relatados pelos docentes que recorreram à linha SOS-Professor entre Setembro de 2006 e Março de 2008, um serviço criado para prestar apoio ou aconselhamento a estes profissionais.
A violência escolar interpessoal existe e manifesta-se predominantemente de uma forma verbal e física.
A linha SOS professor, criada pela Associação Nacional de Professores em parceria com a Universidade Lusófona, é assegurada por uma equipa transdisciplinar composta por seis elementos, reunindo professores e especialistas da área de psicologia, psicopedagogia, mediação de conflitos e direito.
Um estudo ontem divulgado na 4ª Conferência Mundial sobre Violência Escolar e Políticas Públicas incidiu numa amostra de 308 professores desde o pré-escolar ao ensino secundário, com idades entre os 20 e os 65 anos, que recorreram a esta linha.
A maioria dos docentes que recorreram à linha eram professores do 1º Ciclo, mulheres, a leccionar na zona sul do país, com mais de 40 anos e com vários anos de serviço.
Segundo os dados apresentados por Elisabete Pinto da Costa, directora do Instituto de Mediação da Universidade Lusófona do Porto, os professores da amostra relataram na maioria dos casos situações de agressão verbal (41,9%) e de indisciplina (31,8%) . Contudo, o estudo revela ainda uma percentagem considerável de agressões físicas (26,9%).
A indisciplina é definida no estudo como comportamentos indesejáveis apresentados pelos alunos na sala de aula, que podem ir desde conversar uns com os outros, a desrespeito pelas regras da sala de aula e agressões mútuas, entre alunos, e à utilização de materiais e/ou equipamentos não permitidos.
Já a agressão verbal define-se como insultos, difamação ou ameaças proferidos por um qualquer interveniente, em relação ao professor.
No 1º Ciclo do ensino básico os problemas encontrados são as agressões verbais e a indisciplina, enquanto no 3º ciclo imperam as agressões verbais.
O trabalho dá ainda conta da repetição destas situações. Na maioria dos casos há uma repetição de 53,2%. Os problemas apontados ocorreram na maioria dos casos na sala de aula e na sala de apoio".

JN

Novo concurso para professor titular

O Decreto-Lei que define as regras de acesso ao novo concurso para professor titular já aqui estão.

terça-feira, junho 24, 2008

O suave milagre (II)

"Recusando-se a reconhecer os milagres estatísticos do Ministério da Educação, há quem aponte o facilitismo das provas de aferição deste ano e veja aí a explicação do súbito sucesso dos alunos portugueses a Matemática.
Mas não houve sombra de facilitismo. Foi mesmo milagre. A prova de aferição do 6.º ano incluiria, por exemplo, uma questão praticamente igual à da do 1.º Ciclo (ex-4.ª classe) do ano passado.
Nada menos verdadeiro. Na prova do 1.º Ciclo de 2007, a questão era sobre a turma do Nuno; este ano foi sobre a turma do Ricardo. No ano passado, o pictograma era feito com "smiles", este ano foi com bolinhas.
Na prova do 1.º Ciclo de 2007 perguntava-se sobre alunos que aprendiam informática; na prova do 6.º ano de 2008 foi sobre alunos que aprendiam piano. No ano passado, no 1.º Ciclo, para resolver o problema, bastava somar um "smile" e meio; agora, no 6.º ano, já era preciso somar três bolinhas e subtrair uma, o que é muito mais difícil.
Os críticos verão que, depois, no 9.º e no 12.º anos, já será preciso saber multiplicar, e até dividir! A epopeia educativa da Matemática é para continuar".

Manuel António Pina
JN

O suave milagre (I)

"Em "L'enfant", de Marguerite Duras, uma criança (de 40 anos…) recusa-se a ir à escola porque na escola só lhe ensinam coisas que não sabe.
Alguém do ME dever ter visto o filme e, na sua cabeça, como na fértil cabeça do Professor Pardal, luziu uma lampadazinha: porque não fazer umas provas de aferição "simplex" e perguntar aos alunos só o que eles sabem? Imagino o alvoroço no Ministério. Um milagre estatístico, especialmente na Matemática, vinha a calhar em vésperas de eleições. "Mas que sabem os alunos do 6.º ou do 9.º ano?", ter-se-á perguntado, subitamente inquieta, a ministra. Depressa se tranquilizou: que diabo, os alunos do 6.º haviam de saber a matéria do 4.º e os do 9.º a do 6.º… Era o ovo de Colombo. A prova de Matemática do 6.º ano incluiria matérias do 4.º (mesmo uma pergunta praticamente igual à prova do 4.º do ano passado), e a do 9.º matérias a que, segundo a SPN, até alunos da primária podiam responder. Foi, como se viu, um sucesso e a ministra já se autofelicitou por ele. E assim, de um ano para o outro, por suave milagre, os alunos portugueses passaram a ser génios matemáticos".

Manuel António Pina, JN

domingo, junho 22, 2008

Aferição aferida de morte

"Aferir não é abrir a ferida. Aferir é avaliar, comparar ou cotejar. As provas de aferição, do 4º e 6º ano (em Língua Portuguesa e Matemática), cujos resultados foram divulgados agora, não avaliam nada. Nem comparam. Limitam-se a apresentar resultados numa escala classificativa nova (A, B, C, D, E) para não aferir susceptibilidades.
Havia, e há, a antiquíssima escala de 0 a 20, a mais precisa, que se utiliza no ensino Secundário e no ensino Superior. Com o 25 de Abril inventou-se a escala de 1 a 5, para o 2º e 3º Ciclo, muito pouco rigorosa, para não traumatizar alunos e encarregados de educação. Haverá ainda a possibilidade de criar no futuro uma nova escala em que as notas negativas não existam. Será a escala perfeita.
As provas de aferição servem para aferir alguma coisa? Não. Servem para mostrar a competência do Ministério da Educação, a partir de dados não comparáveis, a mostrar que os alunos do Ensino Básico, em Língua Portuguesa e Matemática, continuam na senda do progresso vertiginoso para o sucesso absoluto. As provas, em 2007 e 2008, não são do mesmo tipo, não foram feitas com a mesma matriz, nem com os mesmos critérios. E, este ano, foram mais fáceis. Os resultados só poderão ser tendencialmente maravilhosos.
O Ministério da Educação gosta de ser exigente com os professores e indolente com os alunos. Em muitas escolas as provas de aferição, depois de afixados os resultados, foram enterradas. Nem para avaliação formativa serviram. Os alunos não ficaram a saber onde tinham errado. E não puderam corrigir seus erros. Coisa de somenos.
As provas tiveram, é certo, o mérito de proporcionar dois feriados oficiais aos alunos que as não realizaram. É pouco para provas de aferição nacionais. Não desejo que as provas de aferição fiquem feridas de morte. Mas por que não haverá coragem de as transformar em exames de fim de Ciclo? Feitos com critérios e técnicas fiáveis - como sugere Nuno Crato - que permitam comparar resultados, ano após ano, e intervir pedagogicamente para melhorá-los? Às vezes passa-me pela cabeça cada inconveniência! Falta de juízo aferido, provavelmente".

José Alberto Quaresma
Expresso

O país do faz-de-conta

"Esta foi uma semana de exames dos ensino básico e secundário. Mas foi uma semana onde vimos a ministra da Educação congratular-se com os magníficos resultados que os alunos obtiveram nas provas de aferição. De acordo com a ministra Maria de Lurdes Rodrigues esses resultados mostram um progresso assinalável na capacidade de aprendizagem dos nossos jovens.
Mas vejamos os números. Houve, em Matemática por exemplo, 8,8% de reprovações no 4º ano e 18,3% no 6º ano. Mas, se olharmos os números do ano passado, veremos que a taxa de reprovações foi mais do dobro (19,7% no 4º ano e 41% no 6º). O que significa isto? Que os nossos alunos progrediram assim tanto, de um ano para o outro, ou que os exames foram simplificados? cada um retirará as suas conclusões.
Vejamos, entretanto, o que dizem os estudantes no final dos exames que esta semana decorreram: de um modo geral que foram fáceis. Não haverá aqui uma estranha unanimidade? E o que dizem as associações como a dos professores de Português ou a Sociedade de Matemática? Que há facilidade excessiva! E o que dizem os especialistas e os professores? Mais ou menos o mesmo.
Acresce que nos exames actuais os alunos podem ter negativas sem ficarem chumbados. Além de que existem inúmeras facilidades que não existiam, em termos de apoios (v.g. máquinas de calcular, acesso a fórmulas, etc).
Ora isto, além de pouco resolver do ponto de vista do conhecimento, nada contribui para a motivação dos professores, atrapalha a autoridade das famílias (é muito difícil mandar uma criança estudar quando o sistema lhe diz que não é assim tão importante) e prepara os jovens para um mundo inexistente, um país do faz-de-conta.
Porque nada na vida real é assim tão simples".

Editorial, Expresso

sexta-feira, junho 20, 2008

Professores de Matemática consideram prova do 9.º ano a mais fácil de sempre

A Associação de Professores de Matemática (APM) considerou hoje que o exame nacional de 9.º ano da disciplina foi o "mais fácil" desde que a prova se realiza, sublinhando que algumas questões poderiam ser respondidas por alunos do 2º ciclo."Na generalidade, a prova é mais acessível e mais fácil do que nos anos anteriores. Algumas questões poderiam ser resolvidas por alunos do 2º ciclo", defendeu Sónia Figueirinhas, vice-presidente da APM.
"Em algumas questões ficou aquém das competências e conhecimentos que os alunos no final do 9.º ano deveriam ter. Se em exames anteriores as questões eram mais elaboradas e difíceis, não há razão para que este ano também não fossem", acrescentou.
Sublinhando que o exame "não tem erros" e que os 90 minutos, mais 30 de tolerância, estão adequados para a realização da prova, a responsável salientou que em relação à geometria, por exemplo, o exame aponta "mais para nomes do que para competências".
"Há questões que outros ciclos de ensino saberiam resolver de certeza, mas a prova é sobre os conteúdos leccionados no 7.º, 8.º e 9.º ano", lamentou.
Assim, a Associação de Professores de Matemática espera que haja "uma grande melhoria" nos resultados em relação a 2007, mas sublinha que as provas "não são comparáveis".
Já na quarta-feira, a APM lamentou que o exame nacional de 9.º ano da disciplina, realizado nesse dia, incluísse matéria do 2º ciclo (5.º e 6.º ano), considerando que esta opção pode ser "excessivamente fácil para os alunos".

Público

quarta-feira, junho 18, 2008

Entrevista da ministra da Educação à SIC sobre os exames nacionais












Para que não restem dúvidas sobre o facilitismo das provas de aferição do 1º e 2º ciclos



Resultados das provas de aferição do 1º e 2º ciclos

"Os resultados das provas de aferição em Língua Portuguesa e Matemática, realizadas pelos alunos dos 4.º e 6.º anos, que foram hoje divulgados às escolas, revelam uma melhoria face a 2007, reflectindo a realização de mais trabalho, orientado para objectivos claros, mais recursos e mais tempo dedicado ao estudo.
Um dos principais pontos a destacar é o aumento do número de alunos com resultados positivos, assinalável sobretudo em Matemática, disciplina onde os resultados eram tradicionalmente mais problemáticos.

As melhorias registadas na disciplina de Matemática, iniciadas no secundário em 2007 e no básico este ano lectivo, provam que o insucesso escolar não é uma fatalidade - é um problema, para o qual devem ser encontradas soluções adequadas.

Na base desta melhoria está mais trabalho reflectido e orientado para objectivos claros, mais recursos e mais tempo dedicado ao estudo.

Saliente-se, a propósito, no caso do básico, a importância da realização de provas de aferição universais, com resultados devolvidos às escolas e às famílias.

Esta devolução proporciona um conhecimento concreto do nível atingido pelos alunos e respectivas turmas, permitindo aos professores a identificação dos aspectos a melhorar.

Recorde-se que, em Outubro de 2007, foram, pela primeira vez, entregues às escolas os resultados individualizados dos alunos e das turmas, o que permitiu aos professores identificar as dificuldades e desenhar estratégias para a recuperação dos resultados.

Este imprescindível trabalho continuado e persistente, desenvolvido em várias frentes, envolvendo o Ministério da Educação, as escolas, os professores, os alunos e as famílias, tem sido feito desde 2005 e deverá prosseguir para os resultados continuarem a melhorar.

De várias medidas que contribuíram para os presentes resultados, mencionem-se, a título de exemplo:

A formação contínua, em Português e em Matemática, de milhares de professores do primeiro ciclo;

O Plano de Acção para a Matemática, concretizado em todos os agrupamentos de escolas;

O Plano Nacional de Leitura, que apetrechou e dinamizou as bibliotecas escolares de todos os agrupamentos;

A definição de orientações sobre os tempos de trabalho com os alunos do 1.º ciclo em leitura e em Matemática;

O reforço do Estudo Acompanhado, para os alunos dos 1.º e 2.º ciclos;

A disponibilização de um banco de mais de 3000 itens de Matemática;

A elaboração de brochuras de apoio científico e pedagógico, para os níveis do pré-escolar, dos 1.º e 2.º ciclos, em Matemática e em Língua Portuguesa.

1.º ciclo

Os resultados das provas de aferição do 1.º ciclo revelam que cerca de 90 por cento dos alunos do 4.º ano realizaram provas com sucesso, atingindo níveis de desempenho positivos, tanto em Matemática como em Língua Portuguesa.

Salienta-se uma recuperação significativa a Matemática, onde a percentagem de alunos com desempenho positivo passa de 81 por cento para 91 por cento.

O nível de Muito Bom é alcançado em Matemática por cerca de 15 por cento dos alunos, e, em Língua Portuguesa, por 6 por cento. Comparativamente, a percentagem de alunos com níveis de desempenho claramente insuficientes é muito residual (inferior a 1 por cento).

Adiante-se que as provas de Matemática e Língua Portuguesa, em 2008, são equivalentes em complexidade e dimensão às de 2007.

Enquanto a melhoria dos resultados se regista, sobretudo, nas componentes relativas ao conhecimento explícito da língua, as maiores dificuldades surgem na compreensão de textos informativos e poéticos, mais do que de textos narrativos.

Para mais informações, consultar os resultados das provas de aferição do 4.º ano [PDF]

2.º ciclo

Já no 2.º ciclo, os resultados indicam que os níveis de desempenho positivo nas provas de aferição foram atingidos por 90 por cento dos alunos em Língua Portuguesa e por 82 por cento em Matemática.

Isto aponta para uma recuperação significativa a Matemática, onde a percentagem total de alunos com desempenhos positivos passa de 59 por cento para 82 por cento.

Tal como no 1.º ciclo, também neste é muito residual a percentagem de alunos com níveis de desempenho claramente insuficientes, tanto em Língua Portuguesa como em Matemática.

Por fim, as provas de Matemática e Língua Portuguesa, em 2008, são equivalentes em complexidade e dimensão, às de 2007

Para mais informações, consultar os resultados das provas de aferição do 6.º ano [PDF]"

Nota- Em nenhum momento do documento se enaltece o contributo dos professores para esta melhoria dos resultados. Para o Ministério da Educação a explicação é só uma: se há resultados positivos, estes devem-se quase em exclusivo às políticas educativas por si implementadas. Quem está no terreno com certeza que tem outra leitura: o facilitismo das provas é que permitiu estes resultados; tudo o mais que se disser é propaganda política destinada a iludir o povinho.

terça-feira, junho 17, 2008

Matando o nosso gato


Billy Jean - Michael Jackson

A primeira vez que o "Moonwalk" foi introduzido. Já lá vão 25 anos. Ainda se lembram?

domingo, junho 15, 2008

A liberdade segundo os sindicatos

"A UGT está convencida de que presta um inestimável serviço à comunidade. E que como qualquer outro inestimável serviço, deve ser pago por todos - sindicalizados e não sindicalizados. Para a UGT, toda esta teoria inovadora não passa da mais elementar justiça. Para o resto do mundo, é impor o sindicalismo à maneira soviética.
Segundo João Proença, quando a UGT negoceia um contrato colectivo de trabalho, um aumento salarial ou umas horas extraordinárias, negoceia para todos - associados da UGT, associados da CGTP e associados do Benfica. Logo, se todos beneficiam da capacidade negocial de João Proença, todos devem ser obrigados a pagá-la, através de uma quota mensal. Mesmo que não concordem com as ideias da central sindical, mesmo que sejam contra o sindicalismo, mesmo que a negociação tenha terminado com aumento-zero.
Qual é o argumento da UGT? Além da necessidade de pagar o talento de João Proença e de mais umas dezenas de negociadores, há o exemplo espanhol. Em Espanha existe uma taxa sindical obrigatória e o país é democrata, justo e livre. Correcto. Também é o país onde se apedrejam os camionistas que se recusam a fazer greve e isso não torna o linchamento dos "capitalistas" uma barbárie louvável que podemos importar. A menos que a UGT considere que esse é outro serviço prestado à comunidade"

Gonçalo Bordalo Pinheiro
Sábado

sexta-feira, junho 13, 2008

65 horas semanais

"Delícias da globalização: agora é o Conselho Europeu dos ministros do Trabalho e dos Assuntos Sociais que aprovam uma proposta de directiva, que permitem aos Estados-membros alargarem o limite do horário semanal de trabalho até às 65 horas (contra as 48 horas actuais)
Ou seja, em matéria laboral, está a ganhar claramente o lado negro da força, aquele em que se trabalha muitas horas por pouco dinheiro, com reduzidas garantias quanto aos vínculos laborais e onde os direitos dos trabalhadores se vão fragilizando face à entidade patronal.
Para quem esperava que fosse ao contrário, que fosse o mundo asiático a adoptar os padrões europeus, a prova está feita. E também é interessante ver como a Organização Mundial do Comércio é cúmplice desta evolução.
Quanto a Portugal, más notícias. O nosso horário laboral de 40 horas não vai resistir a esta nova vaga. Vamos trabalhar mais pelo mesmo dinheiro".

Nicolau Santos
Expresso

quinta-feira, junho 12, 2008

O prestígio perdido dos professores

"Um estudo de João Ruivo, citado no “Público”, em 6 de Junho de 2008, alerta-nos para o facto de quase metade dos professores não voltarem a escolher esta profissão pela falta de prestígio e reconhecimento social. Passa novamente a merecer honras académicas um fenómeno social que desde há muito corre nas bocas do mundo e de que importa procurar razões.
Isto porque um outro estudo de Braga da Cruz (publicado em 1990) já nos tinha dado conta do facto dos professores do ensino primário, em reconhecimento público, ocuparem a 8.ª posição e o professor do ensino secundário a 14.ª, entre 20 profissões estudadas. Reminiscências do tempo em que o médico, o padre e os então chamados professores primários eram as pessoas mais prestigiadas nas aldeias?
Mas esta erosão do prestígio e reconhecimento das profissões não se confina a fronteiras docentes ou nacionais. Com fundamento no que se passa nos Estados Unidos, para João Lobo Antunes, médico neurocirugião e catedrático de Medicina, “apesar dos progressos maravilhosos da ciência médica, a verdade é que o respeito que a confiança que nós, neurocirurgiões, e os médicos em geral, merecemos do público leigo tem declinado substancialmente” (“Um modo de ser”, Gradiva, Lisboa, 1996, p. 43).
Seja como for, é altamente preocupante não ser, agora, unicamente “o público leigo”, mas os próprios usufrutuários da profissão docente a exprimirem este estado de desalento que contrasta com os hinos de louvor cantados pela professora universitária Clara Pinto Correia aos antigos professores do liceu (segundo ela, “mesmo que liceu seja uma palavra que já não se usa, dá jeito, no caso vertente, para simplificar o discurso”), quando escreveu: “A barbárie não anda longe. Nunca andou (…) Para evitar que assim seja temos nos professores do liceu a mais importante das nossas armas. Devíamos beijar-lhes as fímbrias do manto” (“Diário de Notícias”, 22 de Outubro de 1995).
Para o rasgar das fímbrias do manto julgo ter contribuído um Estatuto da Carreira Docente (do ensino não superior) que meteu no mesmo saco todos os docentes, do ensino infantil ao secundário, sem ter em devida conta as respectivas habilitações académicas, quer fossem a nível do ensino médio ou ensino superior. Aliás, princípio seguido pelos sindicatos dos professores da altura ao permitirem a inscrição de qualquer um que desse, ainda que esporadicamente, aulas sem qualquer espécie de habilitação que o creditasse ou mesmo enquanto estudante de um qualquer curso superior (ou nem isso).
Corria o ano de 1992. Em desacordo frontal com este “statu quo” foi criado o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados com os objectivos seguintes:
- “Defender os interesses específicos dos professores licenciados por universidades que eram, e continuam ainda a ser, postergados pela administração e ignorados pelos outros sindicatos e suas federações.
- Representar a ruptura com as orientações sindicais existentes, em oposição frontal à instituição de uma carreira única de professores, pois pretende revalorizar a profissão em todo o seu percurso, em consonância com os valores e as necessidades dos professores dos nossos dias” .
Numa verdadeira manta de retalhos de formações académicas, muitos outros se seguiram numa profusão de sindicatos de professores a puxarem a brasa à sua sardinha, que não encontra qualquer semelhança no associativismo sindical de mesteres nobilitados por ordens profissionais. Ainda que acompanhada de um repetitivo discurso de bondade, a união de 14 sindicatos dos professores numa plataforma comum apenas deve ser vista como a crisálida de uma espécie de unicidade sindical desajustada no tempo e sem lugar nas circunstâncias da nossa actual vivência democrática".

Rui Baptista