segunda-feira, julho 07, 2008

Margarida Moreira

"Portugal já se inquietava com o desaparecimento de Margarida Moreira, directora regional de Educação do Norte. Mas é com grata satisfação que saudamos o seu regresso de acordo com o relato de um professor, registado em acta, a dra. Margarida pediu aos Conselhos Executivos das escolas para terem cuidado na escolha dos docentes que vão corrigir os exames nacionais. Para a dra. Margarida, existem por aí professores que têm o hábito desagradável de "atribuir classificações muito distantes da média". Isto, para a dra. Margarida, é um abuso e uma violência porque "os alunos têm direito a ter sucesso".
Eu, com a devida vénia, iria mais longe e acabava simplesmente com os exames. Para que servem eles afinal? Obviamente, para dar mau nome à casa. Se são demasiado difíceis, a casa afunda nas estatísticas internacionais. Se são demasiado fáceis, ninguém se cala com o facilitismo da coisa: oposição, cientistas, pais, professores. E, até alunos, que deviam calar o bico e agradecer aos céus. Razão têm o PCP e o Bloco, que consideram o exercíco "injusto" e "elitista". Absolutamente de acordo. Uma medida igualitária no sentido pleno da palavra, permitiria atribuir a cada cidadão, nascido em território nacional, uma licenciatura logo nos primeiros dias de vida. E à escolha dos progenitores. Se os pais escolhem o nome dos filhos, por que motivo não podem escolher também o "dr." ou o "eng." que precede o "Manel" e o "Joaquim"?
O gesto permitiria duas coisas: primeiro, colocar Portugal no topo das classificações internacionais, com dez milhões de doutores e engenheiros, uma proeza em todo o Ocidente letrado; e, em segundo lugar, uma vez despachado o canudo para a maioria, existiria uma ridícula minoria que frequentaria voluntariamente as escolas e as universidades com o intuito simples de "aprender" qualquer coisa. Seria, no fundo, um retorno à Idade Média e à excelência do monaquismo ocidental: depois da passagem dos bárbaros, é sempre preciso apanhar os cacos e começar, seriamente, outra vez".

João Pereira Coutinho
Expresso

sábado, julho 05, 2008

Galeria

"ANTES DE MAIS, porquê Dezembro de 1962? Para excluir o ministro da crise académica de 1962 e marcar uma fase “democrática” do salazarismo e marcelismo, com os ministros Galvão Teles, José Hermano Saraiva e Veiga Simão? Ou será porque, contando com o ministro Manuel Lopes de Almeida se tornaria mais difícil à actual titular da pasta bater o recorde da permanência à frente dos destinos da educação nacional? Talvez sim, porque já antes se suspeitava que a ministra, particularmente com os novos e altamente tolerantes critérios de avaliação, andava a trabalhar para as galerias.
De qualquer forma, o singular passadiço do Ministério tem uma vantagem. De agora para o futuro, se alguma instituição ou alguém quiser saber dos regentes pelos dramáticos resultados da educação em Portugal tem o cadastro dos responsáveis relativamente à mão. Alvíssaras! Procura-se! Estão ali. E, tirando muito raras excepções, ali estão os homens e mulheres que deveriam responder pelo abandono e insucesso escolar, pelo baixo desempenho e competência dos jovens portugueses, pela péssima média das habilitações da população, pela insatisfação generalizada com o sistema de educação, por tudo o que faz da educação o maior caso de insucesso de Portugal na Europa.
Ali estão: de um fugaz ministro por um mês ao ministro da Educação que “interviu”, do ministro dos “vigilantes” nas Faculdades à ministra contestada na rua pela “geração rasca”. Todos juntos formam a galeria de um dramático insucesso".

João Paulo Guerra

Milagre na Matemática

"Num ano, num simples ano, os jovens portugueses do secundário resolveram milagrosamente os seus problemas com a Matemática e passaram de uma média de 9,4 para 12,5. Em sentido inverso, mas ainda mais positivo, as próprias reprovações, que eram de 18%, baixaram para 7%. Um duplo êxito? Não! A Associação Portuguesa de Matemática, obviamente, desconfia; o ministério, incomodado, admite que "não se podem fazer comparações seguras" com o ano anterior; e, perante este quadro, nada impede um cidadão de temer que tal fenómeno se deva apenas a uma mudança de critérios, agora mais "amigos" na avaliação da ignorância.
Seja como for, esta situação ilustra o que nos últimos anos se tem passado na sociedade portuguesa e a todos os níveis.
Esmagado pela estatística, sobretudo no ensino e na saúde, o País interiorizou, com os governantes à cabeça, que a convergência com a Europa é um simples exercício numérico. Tudo estará bem se as estatísticas, ratificadas na Europa, forem melhores.
Fosse assim tão simples tratar da realidade".

João Marcelino
Diário de Notícias

sexta-feira, julho 04, 2008

Ministério da Educação faz a leitura dos resultados dos exames nacionais do secundário

Os resultados da 1.ª fase dos exames do Ensino Secundário revelam uma melhoria global, verificando-se o aumento do número de disciplinas com média positiva, a subida das médias e a diminuição das reprovações.
O número de exames com médias de resultado abaixo dos 10 valores continua a descer: enquanto neste ano lectivo houve seis exames com médias abaixo dos 10 valores, no ano anterior foram sete e em 2006 treze.

Considerando apenas disciplinas homólogas, este ano a média mais baixa foi de 9,2 valores em História B, enquanto em 2007 foi de 7,1 em Física e Química.

Registam-se oito disciplinas com mais de 10 por cento de reprovações, enquanto em 2007 esta situação se verificou em 12 disciplinas. Particularmente, na disciplina de Físico Química a percentagem de reprovações desceu de 31 por cento para 22 por cento no mesmo período de tempo.

Matemática

Apesar do decréscimo na média da Matemática Aplicada às Ciências Sociais (passa de 11,3 valores para 9,6 valores), regista-se uma melhoria global de resultados, em particular na Matemática A (cuja média passa de 9,4 valores para 12,5 valores) e na Matemática B (cuja média passa de 7,5 valores para 11,4 valores), tendo diminuído a percentagem de reprovações.

Esta melhoria, que se verifica, pelo terceiro ano consecutivo, é seguramente o efeito combinado de três factores:

. mais tempo de trabalho e de estudo por parte dos alunos, acompanhado pelos professores, no quadro das actividades das escolas no âmbito do Plano de Acção para a Matemática;

. provas de exame correctamente elaboradas, sem erros e com mais tempo para a sua realização;

. maior alinhamento entre o exame, o programa e o trabalho desenvolvido pelos professores, designadamente através dos vários testes intermédios realizados nas escolas e da utilização do banco de itens disponibilizado pelo Gabinete de Avaliação Educacional por alunos e professores.

De salientar a elevada correlação (0,71) entre as classificações internas e as do exame nacional.

Português

Regista-se um decréscimo nos resultados do exame de Português (cuja média passa de 10,8 para 9,7), aumentando ligeiramente o número de reprovações na disciplina, que passa de 5 por cento para 8 por cento, não obstante o acréscimo de tempo para a realização da prova.

Este é o exame que abrange o maior número de alunos, sendo realizado pela quase totalidade dos estudantes que terminam o ensino secundário nos cursos científico-humanísticos.

Importa equacionar medidas de reforço do trabalho dos alunos nesta disciplina, designadamente estendendo ao ensino secundário as dinâmicas do Plano Nacional de Leitura.


Disciplinas de Ciências

Verificou-se uma melhoria nas disciplinas de Biologia e Geologia (cuja média passa de 9,1 valores para 10,5 valores) e de Física e Química (cuja média passa de 7,2 valores para 9,3 valores).

É de salientar que em Biologia e Geologia a média atingiu valores positivos, enquanto em Física e Química, apesar da melhoria registada, ainda apresenta um valor ligeiramente negativo.

Estas duas disciplinas são as que apresentam as mais elevadas correlações entre as classificações internas e externas (respectivamente 0,75 e 0,76).

Também nestas disciplinas se concretizou um esforço de alinhamento do exame com o programa e o trabalho dos professores, através dos testes intermédios, bem como do aumento do tempo para a realização da prova.

Registou-se, ainda, durante o ano lectivo que agora termina, um reforço dos tempos de leccionação destas disciplinas e das condições para a realização do trabalho experimental.

Os resultados indicam a necessidade de continuar o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelos professores e pelas escolas, com vista a consolidar esta tendência de melhoria.

Nota - As justificações para os resultados de Matemática são de chorar a rir. Em dois anos os nossos alunos tornaram-se barras em Matemática. Inacreditável. A ministra rejubila conforme se pode ouvir em entrevista dada à RTP1. Nuno Crato diz que estamos perante "o milagre da multiplicação das notas". Ganda Ministério!!

Resultados dos exames nacionais do 12º ano


Os testes de Português podiam ser substituídos por uns papeluchos como os do Totobola

Imperdível este texto de Maria Filomena Mónica, sobre os exames de Português, no jornal Público.

quarta-feira, julho 02, 2008

Galeria dos horrores

O Ministério da Educação inaugurou hoje uma galeria de retratos de todos os detentores da pasta da Educação nos últimos 40 anos, homenageando desta forma os cerca de 100 ministros que ocuparam o lugar durante este período. Não importa se desempenharam bem o lugar, não importa saber que há décadas que a Educação se encontra num estado calamitoso. Não, nada disso é relevante. Toda esta gente é responsável pelo descalabro, mas mesmo assim merece ser distinguida. A lata desta gente não tem limites. Só neste País!

O Novo Código do Trabalho

"O que me espanta é que ainda se debata o Código do Trabalho. Pergunto: nos últimos 30 anos, a ideia de se alterar a lei laboral não foi sempre no sentido de retirar direitos a quem trabalha e procurar “salvar a economia nacional” (isto é, injectar oxigénio no chamado “tecido empresarial”, em geral pobre e medíocre, para que não sucumba à competência internacional...)? Alguma vez se deixou de falar em crise, mesmo quando não havia crise? Alguma vez se pretendeu outra coisa que não a dignificação do estatuto do gestor por conta do desprezo pelo estatuto do trabalhador? Há memória (depois de 1976...) de uma reforma na legislação laboral que atribuísse mais direitos a quem trabalha, melhores condições de acesso ao trabalho, mais garantias em tempo de crise ou de expansão?
Cada vez que se sentam à mesa das negociações, o que está em causa é sempre o mesmo: como liberalizar e flexibilizar mais o mercado (querem os patrões, e sabem que vão conseguir), como tentar o equilíbrio do impossível (quer o Governo, o PC fere-lhe sempre o desígnio), como perder o mínimo possível sendo certo que se perde sempre mais do que se ganha (é o máximo que podem querer os representantes do mundo do trabalho).
Isto não muda. Persistir em confiar no consenso, na concertação e no equilíbrio social é mais ou menos como acreditar no Pai Natal: basta crescer para perceber que não existe".

terça-feira, julho 01, 2008

Exames de Matemática: Um Caminho Trágico

"(...) É sabido que a Matemática é, para a maior parte da população portuguesa, incluindo os actuais estudantes, uma espécie de "bicho papão", uma "dor de cabeça" que (quase) todos bem dispensavam. E que se reflecte num preocupante nível de ileteracia que os resultados do Programa Internacional para a Avaliação de Alunos (PISA), publicado pela OCDE de três em três anos confirmam: na última edição, a de 2006, a média de conhecimentos a Matemática dos nossos alunos de 15 e 16 anos era de 466 pontos (média da OCDE: 498pontos), e Portugal ocupava o 26º lugar do ranking (em 30 países), deixando atrás de si apenas a Itália, a Grécia, a Turquia e o México. Pior: o valor de 2006 era o mesmo de 2003, provando não ter existido qualquer progresso nesta matéria desde então.
Ora, quando, à saída do referido exame nacional de Matemática, as opiniões mais ouvidas entre os estudantes sobre a prova que tinham acabado de realizar eram "fácil", "acessível", "sem problemas de maior", nem queria acreditar. Pior: os mesmos comentários eram semelhantes aos obtidos no fim de outras anteriormente realizadas - e a opinião dos alunos quanto à facilidade da prova era partilhada por professores e especialistas na matéria. Finalmente, a tendência dos resultados dos exames nacionais dos exames nacionais do 12º ano de Matemática nos últimos 3 anos é claramente ascendente: uma média de 6,9 valores em 2005; 7,3 em 2006; 9,6 em 2007...e, quase apostaria que será registada uma forte subida em 2008. Assim, o que parece é que os conhecimentos de Matemática dos nossos estudantes do 12º ano estão a melhorar ano após ano. O que, claro, se reflectirá nos rankings internacionais. Mas que, infelizmente, não corresponde à verdade - como mostra a coincidência entre a melhoria das classificações e a "facilidade" que alunos, professores e especialistas encontraram nos exames.
Em Portugal passou-se, pois, a trabalhar para os rankings - o que é inaceitável, porque revela uma tentação de mascarar a qualidade do nosso ensino, bem como a qualificação dos nossos estudantes. Resultados melhores com exames reconhecidos como mais fáceis por todos não indiciam qualquer melhoria na qualificação e na competência futura dos recursos humanos - ainda que os rankings possam (erroneamente, já se vê) apontar para isso. Ora, mesmo tendo um sistema fiscal mais atractivo e competitivo (área que considero fundamental para progredirmos economicamente), uma legislação laboral mais flexível, uma justiça mais rápida, e uma Administração Pública mais desburocratizada em todas as vertentes, nunca conseguiremos atingir um elevado nível de desenvolvimento sustentável se a qualificação dos nossos recursos humanos não melhorar... e muito. O que, a avaliar pelo caminho escolhido, de facilidade e de aparência, não irá suceder".
Queremos ter melhores resultados? Pois baixe-se o nível de exigência e torne-se os exames mais fáceis...e eis-nos a subir nos rankings! Mais exigência e rigor no ensino e nas provas? Não, isso nem pensar!
Desgraçado do país que tem um Governo que aposta nas aparências para mascarar a realidade!
Uma verdadeira tragédia".

Miguel Frasquilho
Sol

segunda-feira, junho 30, 2008

As estatísticas do sucesso

"Uma funcionária superior do Ministério da Educação, certamente avisada em matéria de avaliação, voltou à ribalta depois de afirmar que ‘os alunos têm direito a ter sucesso’.
É uma declaração e tanto, mas convém não mostrar escândalo. Ela tem razão. Os seus superiores também não mostraram escândalo quando viram os recentes testes de exames que hão-de vir a beneficiar as ‘estatísticas do sucesso’, apesar de os alunos declararem que eram fáceis de mais.
O País tem direito a ter sucesso. Se não o consegue pelos meios habituais – trabalho, exigência, aplicação, dificuldade –, então que se lhe facilitem as coisas. Os alunos do 4º ano não sabem a tabuada? Forneçamos-lhes calculadoras desde o 1º ano. Que isso não impeça o maravilhoso ‘sucesso’ que faz a alegria dos medíocres. É a vida".

Francisco José Viegas
Correio da Manhã

domingo, junho 29, 2008

sábado, junho 28, 2008

Exames fáceis?

"Os professores e os pais convergem na opinião de que há um esvaziamento dos exames nacionais. Quanto aos alunos, basta ver o que dizem na TV à saída das provas. Eu fui ver alguns exames deste ano e parece-me que alguém anda a brincar com o esforço de professores e alunos. Teme-se o pior: pelo caminho que as coisas levam, qualquer dia o exame de Portumática do 9º ano - uma só prova para ser mais fácil - será escrever a palavra "batata", dizer se é nome ou substantivo (a ver se sabe as TLEBS), contar o número total de letras dessa palavra e, finalmente, traçar uma circunferência à volta do resultado. Claro que vai ter a cotação toda um aluno que conte três, pois contou correctamente sílabas em vez de letras, e que desenhe um quadrado em vez de uma circunferência, pois também é uma figura geométrica. Seria cómico se não fosse trágico"
http://dererummundi.blogspot.com/

sexta-feira, junho 27, 2008

Grelhas de avaliação de desempenho

As definitivas grelhas de avaliação de desempenho. Aqui.

Megabytes

"Os senhores do Ministério da Educação andam muito satisfeitos com os resultados dos exames a Português e a Matemática. Os senhores que sabem português e matemática discordam. Segundo consta, os exames foram tão simples que podiam ter sido feitos com igual aproveitamento por chimpazés, embora chimpazés relativamente dotados. As críticas imediatas ao ministério prendem-se com a facilidade dos testes. As críticas a prazo sugerem que, a fim de favorecer as estatísticas do sucesso escolar, se estão a criar as bases do insucesso profissional, ao envolver-se as crianças num enganador mundo de faz-de-conta que, no futuro, não as levará a lado nenhum.
Julgo que o pessimismo é excessivo. Nos tempos que correm, é perfeitamente possível, até provável, conciliar a crença na irrealidade com o êxito. Conheço criaturas que sobem na carreira enquanto habitam uma dimensão paralela. Mesmo que numerosos estudos alertem para os malefícios dos computadores no ensino, criaturas dessas especializam-se na distribuição de "portáteis" a petizes. Mesmo que o País seja saqueado por camionistas, apostam no aumento da banda larga. Mesmo que a economia chafurde na lama, continuam a contemplar megabytes.
Há pessoas assim, alheadas do mundo real. Algumas vão longe na vida. Uma, por exemplo, foi a primeiro-ministro. Pelo menos nominalmente".

Alberto Gonçalves
Sábado

quinta-feira, junho 26, 2008

Maria de Lurdes Rodrigues

"Conseguiu finalmente o consenso. Pais, professores, alunos e especialistas concordam: os exames e as provas de aferição são uma anedota. A ministra do rigor passou a ministra do facilitismo".

Gonçalo Bordalo Pinheiro
Sábado

A ministra e o fim da exigência

"Quarta pergunta da prova de aferição do 6º ano - o momento mais exigente da avaliação: um gráfico mostra que na turma do Ricardo há seis estudantes que gostariam de aprender a tocar piano. Sendo que só duas raparigas estão nesse grupo, quantos rapazes gostariam de aprender a tocar piano?
Com mais umas palavras e mais alguns desenhos, é basicamente a perguntas deste tipo que o Ministério da Educação entende que os alunos de 11 e 12 anos devem saber responder. É claro que este nível de exigência continua pelos 13, 14, 15, 16 anos. Salva-se a universidade, pelo menos enquanto Maria de Lurdes Rodrigues não conseguir alargar a sua influência ao ensino superior.
Nos primeiros dois anos de mandato, a ministra tomou várias medidas que aumentavam a exigência no ensino: avaliação de professores, aulas de susbstituição, provas de aferição em todas as escolas. Nos últimos dois meses, deitou tudo fora: a avaliação de professores tornou-se uma inexistência formal, os exames nacionais são considerados demasiado fáceis por professores, pais e até alunos e as provas de aferição - que serviam para habituar os estudantes, desde cedo, ao rigor e à exigência - têm o único objectivo de reduzir a dificuldade e melhorar as estatísticas. Maria de Lurdes Rodrigues entrou como a grande promessa deste Governo. Sai como a maior desilusão".

Gonçalo Bordalo Pinheiro
Sábado

quarta-feira, junho 25, 2008

Professores queixam-se de insultos e agressões

"A agressão verbal e a indisciplina foram os maiores problemas relatados pelos docentes que recorreram à linha SOS-Professor entre Setembro de 2006 e Março de 2008, um serviço criado para prestar apoio ou aconselhamento a estes profissionais.
A violência escolar interpessoal existe e manifesta-se predominantemente de uma forma verbal e física.
A linha SOS professor, criada pela Associação Nacional de Professores em parceria com a Universidade Lusófona, é assegurada por uma equipa transdisciplinar composta por seis elementos, reunindo professores e especialistas da área de psicologia, psicopedagogia, mediação de conflitos e direito.
Um estudo ontem divulgado na 4ª Conferência Mundial sobre Violência Escolar e Políticas Públicas incidiu numa amostra de 308 professores desde o pré-escolar ao ensino secundário, com idades entre os 20 e os 65 anos, que recorreram a esta linha.
A maioria dos docentes que recorreram à linha eram professores do 1º Ciclo, mulheres, a leccionar na zona sul do país, com mais de 40 anos e com vários anos de serviço.
Segundo os dados apresentados por Elisabete Pinto da Costa, directora do Instituto de Mediação da Universidade Lusófona do Porto, os professores da amostra relataram na maioria dos casos situações de agressão verbal (41,9%) e de indisciplina (31,8%) . Contudo, o estudo revela ainda uma percentagem considerável de agressões físicas (26,9%).
A indisciplina é definida no estudo como comportamentos indesejáveis apresentados pelos alunos na sala de aula, que podem ir desde conversar uns com os outros, a desrespeito pelas regras da sala de aula e agressões mútuas, entre alunos, e à utilização de materiais e/ou equipamentos não permitidos.
Já a agressão verbal define-se como insultos, difamação ou ameaças proferidos por um qualquer interveniente, em relação ao professor.
No 1º Ciclo do ensino básico os problemas encontrados são as agressões verbais e a indisciplina, enquanto no 3º ciclo imperam as agressões verbais.
O trabalho dá ainda conta da repetição destas situações. Na maioria dos casos há uma repetição de 53,2%. Os problemas apontados ocorreram na maioria dos casos na sala de aula e na sala de apoio".

JN

Novo concurso para professor titular

O Decreto-Lei que define as regras de acesso ao novo concurso para professor titular já aqui estão.

terça-feira, junho 24, 2008

O suave milagre (II)

"Recusando-se a reconhecer os milagres estatísticos do Ministério da Educação, há quem aponte o facilitismo das provas de aferição deste ano e veja aí a explicação do súbito sucesso dos alunos portugueses a Matemática.
Mas não houve sombra de facilitismo. Foi mesmo milagre. A prova de aferição do 6.º ano incluiria, por exemplo, uma questão praticamente igual à da do 1.º Ciclo (ex-4.ª classe) do ano passado.
Nada menos verdadeiro. Na prova do 1.º Ciclo de 2007, a questão era sobre a turma do Nuno; este ano foi sobre a turma do Ricardo. No ano passado, o pictograma era feito com "smiles", este ano foi com bolinhas.
Na prova do 1.º Ciclo de 2007 perguntava-se sobre alunos que aprendiam informática; na prova do 6.º ano de 2008 foi sobre alunos que aprendiam piano. No ano passado, no 1.º Ciclo, para resolver o problema, bastava somar um "smile" e meio; agora, no 6.º ano, já era preciso somar três bolinhas e subtrair uma, o que é muito mais difícil.
Os críticos verão que, depois, no 9.º e no 12.º anos, já será preciso saber multiplicar, e até dividir! A epopeia educativa da Matemática é para continuar".

Manuel António Pina
JN

O suave milagre (I)

"Em "L'enfant", de Marguerite Duras, uma criança (de 40 anos…) recusa-se a ir à escola porque na escola só lhe ensinam coisas que não sabe.
Alguém do ME dever ter visto o filme e, na sua cabeça, como na fértil cabeça do Professor Pardal, luziu uma lampadazinha: porque não fazer umas provas de aferição "simplex" e perguntar aos alunos só o que eles sabem? Imagino o alvoroço no Ministério. Um milagre estatístico, especialmente na Matemática, vinha a calhar em vésperas de eleições. "Mas que sabem os alunos do 6.º ou do 9.º ano?", ter-se-á perguntado, subitamente inquieta, a ministra. Depressa se tranquilizou: que diabo, os alunos do 6.º haviam de saber a matéria do 4.º e os do 9.º a do 6.º… Era o ovo de Colombo. A prova de Matemática do 6.º ano incluiria matérias do 4.º (mesmo uma pergunta praticamente igual à prova do 4.º do ano passado), e a do 9.º matérias a que, segundo a SPN, até alunos da primária podiam responder. Foi, como se viu, um sucesso e a ministra já se autofelicitou por ele. E assim, de um ano para o outro, por suave milagre, os alunos portugueses passaram a ser génios matemáticos".

Manuel António Pina, JN

domingo, junho 22, 2008

Aferição aferida de morte

"Aferir não é abrir a ferida. Aferir é avaliar, comparar ou cotejar. As provas de aferição, do 4º e 6º ano (em Língua Portuguesa e Matemática), cujos resultados foram divulgados agora, não avaliam nada. Nem comparam. Limitam-se a apresentar resultados numa escala classificativa nova (A, B, C, D, E) para não aferir susceptibilidades.
Havia, e há, a antiquíssima escala de 0 a 20, a mais precisa, que se utiliza no ensino Secundário e no ensino Superior. Com o 25 de Abril inventou-se a escala de 1 a 5, para o 2º e 3º Ciclo, muito pouco rigorosa, para não traumatizar alunos e encarregados de educação. Haverá ainda a possibilidade de criar no futuro uma nova escala em que as notas negativas não existam. Será a escala perfeita.
As provas de aferição servem para aferir alguma coisa? Não. Servem para mostrar a competência do Ministério da Educação, a partir de dados não comparáveis, a mostrar que os alunos do Ensino Básico, em Língua Portuguesa e Matemática, continuam na senda do progresso vertiginoso para o sucesso absoluto. As provas, em 2007 e 2008, não são do mesmo tipo, não foram feitas com a mesma matriz, nem com os mesmos critérios. E, este ano, foram mais fáceis. Os resultados só poderão ser tendencialmente maravilhosos.
O Ministério da Educação gosta de ser exigente com os professores e indolente com os alunos. Em muitas escolas as provas de aferição, depois de afixados os resultados, foram enterradas. Nem para avaliação formativa serviram. Os alunos não ficaram a saber onde tinham errado. E não puderam corrigir seus erros. Coisa de somenos.
As provas tiveram, é certo, o mérito de proporcionar dois feriados oficiais aos alunos que as não realizaram. É pouco para provas de aferição nacionais. Não desejo que as provas de aferição fiquem feridas de morte. Mas por que não haverá coragem de as transformar em exames de fim de Ciclo? Feitos com critérios e técnicas fiáveis - como sugere Nuno Crato - que permitam comparar resultados, ano após ano, e intervir pedagogicamente para melhorá-los? Às vezes passa-me pela cabeça cada inconveniência! Falta de juízo aferido, provavelmente".

José Alberto Quaresma
Expresso

O país do faz-de-conta

"Esta foi uma semana de exames dos ensino básico e secundário. Mas foi uma semana onde vimos a ministra da Educação congratular-se com os magníficos resultados que os alunos obtiveram nas provas de aferição. De acordo com a ministra Maria de Lurdes Rodrigues esses resultados mostram um progresso assinalável na capacidade de aprendizagem dos nossos jovens.
Mas vejamos os números. Houve, em Matemática por exemplo, 8,8% de reprovações no 4º ano e 18,3% no 6º ano. Mas, se olharmos os números do ano passado, veremos que a taxa de reprovações foi mais do dobro (19,7% no 4º ano e 41% no 6º). O que significa isto? Que os nossos alunos progrediram assim tanto, de um ano para o outro, ou que os exames foram simplificados? cada um retirará as suas conclusões.
Vejamos, entretanto, o que dizem os estudantes no final dos exames que esta semana decorreram: de um modo geral que foram fáceis. Não haverá aqui uma estranha unanimidade? E o que dizem as associações como a dos professores de Português ou a Sociedade de Matemática? Que há facilidade excessiva! E o que dizem os especialistas e os professores? Mais ou menos o mesmo.
Acresce que nos exames actuais os alunos podem ter negativas sem ficarem chumbados. Além de que existem inúmeras facilidades que não existiam, em termos de apoios (v.g. máquinas de calcular, acesso a fórmulas, etc).
Ora isto, além de pouco resolver do ponto de vista do conhecimento, nada contribui para a motivação dos professores, atrapalha a autoridade das famílias (é muito difícil mandar uma criança estudar quando o sistema lhe diz que não é assim tão importante) e prepara os jovens para um mundo inexistente, um país do faz-de-conta.
Porque nada na vida real é assim tão simples".

Editorial, Expresso

sexta-feira, junho 20, 2008

Professores de Matemática consideram prova do 9.º ano a mais fácil de sempre

A Associação de Professores de Matemática (APM) considerou hoje que o exame nacional de 9.º ano da disciplina foi o "mais fácil" desde que a prova se realiza, sublinhando que algumas questões poderiam ser respondidas por alunos do 2º ciclo."Na generalidade, a prova é mais acessível e mais fácil do que nos anos anteriores. Algumas questões poderiam ser resolvidas por alunos do 2º ciclo", defendeu Sónia Figueirinhas, vice-presidente da APM.
"Em algumas questões ficou aquém das competências e conhecimentos que os alunos no final do 9.º ano deveriam ter. Se em exames anteriores as questões eram mais elaboradas e difíceis, não há razão para que este ano também não fossem", acrescentou.
Sublinhando que o exame "não tem erros" e que os 90 minutos, mais 30 de tolerância, estão adequados para a realização da prova, a responsável salientou que em relação à geometria, por exemplo, o exame aponta "mais para nomes do que para competências".
"Há questões que outros ciclos de ensino saberiam resolver de certeza, mas a prova é sobre os conteúdos leccionados no 7.º, 8.º e 9.º ano", lamentou.
Assim, a Associação de Professores de Matemática espera que haja "uma grande melhoria" nos resultados em relação a 2007, mas sublinha que as provas "não são comparáveis".
Já na quarta-feira, a APM lamentou que o exame nacional de 9.º ano da disciplina, realizado nesse dia, incluísse matéria do 2º ciclo (5.º e 6.º ano), considerando que esta opção pode ser "excessivamente fácil para os alunos".

Público