domingo, agosto 31, 2008

Valter Lemos no seu melhor estilo

João Pereira Coutinho
Expresso

quarta-feira, agosto 27, 2008

Transferência de competências para as autarquias já não se vai efectuar

Ao contrário do que estava inicialmente previsto, a transferência de competências para as autarquias das escolas até ao 9º ano não vai avançar em Setembro, devido ao facto de a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) ter rejeitado o documento final apresentado pelo Ministério da Educação.
A ANMP justifica a rejeição com o facto de considerar que o Governo não respeitou alguns dos pontos acordados. A Associação aguarda agora uma resposta por parte do Ministério tutelado por Maria de Lurdes Rodrigues “sobre um conjunto de questões levantadas”, afirmou o vice-presidente da ANMP, António Ganhão.
O Ministério da Educação pretendia que as competências com o pessoal não docente e com o parque escolar passassem a ser da responsabilidade das autarquias já no início do próximo ano lectivo. No entanto a ANMP recusa, queixando-se de problemas financeiros mal resolvidos, inexistência de percentagens de pessoal a contratar e falta de articulação entre Escola e Câmara.
“A maioria das autarquias não vai contratualizar com o Ministério da Educação a transferência de competências. As que o farão servirão como experiência piloto, que pode ser importantíssima para análise e avaliação futura”, afirmou António Ganhão.

Correio da Manhã

sexta-feira, agosto 22, 2008

Os portugueses, esses ingratos

"O estudo internacional ontem divulgado pela Lusa acerca da confiança dos cidadãos em várias profissões é decepcionante. Parece que as profissões em que os portugueses mais confiam são os bombeiros (94%) e, logo a seguir, os carteiros e os professores (89%).
Os bombeiros e os carteiros ainda vá lá, mas os professores? Foi então inútil o esforço do Ministério da Educação, ao longo de quase uma legislatura, diabolizando os professores e culpando-os, e aos seus "privilégios", de todas as desgraças do sistema educativo? Felizmente a ministra é (ou foi) professora, pelo que, ao menos por esse facto, sempre há-de merecer também alguma confiança aos portugueses. Neles, nos portugueses, é que não se pode confiar. Pois não é que, segundo o mesmo estudo, persistem em confiar igualmente em outras "corporações" cujos "privilégios" o Governo não se tem cansado também de denunciar, como os militares ou os polícias (só ficam a faltar os magistrados e os funcionários públicos…), que têm a confiança de 80% e de 75% dos portugueses? E não é que, ó ingratidão!, só uns escassos 14% confiam nos políticos?"

Manuel António Pina
JN

quinta-feira, agosto 14, 2008

O computador Magalhães

" A apresentação pública do "computador português" Magalhães e o modo como nos dias seguintes, a comunicação social, com relevo para a RTP, tratou o assunto é um bom exemplo de como a perspectiva crítica, "editorial" como lhe chamariam os jornalistas de bom tempo e boa escola, escasseia na comunicação social, com enorme vantagem para um Governo que sabe muito bem manipulá-la profissionalmente. A apresentação do "computador português" foi um bom exemplo daquilo que Orwell chamava newspeak: como a República Democrática Alemã não era nem República, nem Democrática, nem Alemã, o Magalhães não é português, é o Classmate da Intel, a sua escolha face a outros modelos é contestável, e a sua utilidade como computador para as crianças do básico é contestada por muitos pedagogos, é uma solução do Terceiro Mundo, que os países europeus não adoptam, etc, etc. Tudo isto e muito mais devia ser sujeito a escrutínio e a regra básica de não aceitar o discurso do Governo pelo seu valor facial devia ter sido seguida, mas não foi".

Pacheco Pereira
Sábado

sábado, agosto 09, 2008

CONFAP quer que Código de Trabalho assegure tempo para pais acompanharem filhos na escola

"A Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) quer ver garantido no Código de Trabalho um crédito de quatro horas por filho e por mês para todos os encarregados de educação acompanharem melhor a vida escolar dos educandos.

Numa petição entregue na Assembleia da República, a confederação solicita que se legisle no sentido de atribuir aos pais direitos laborais que assegurem a sua participação na educação dos filhos, que se regulamente o estatuto do dirigente associativo voluntário e que se isentem de IRC as Associações de Pais.

Actualmente, o Código do Trabalho estipula como faltas justificadas "as ausências não superiores a quatro horas e só pelo tempo estritamente necessário, justificadas pelo responsável pela educação do menor, uma vez por trimestre, para deslocação à escola tendo em vista inteirar-se sobre a situação educativa do filho menor".

A Confap entende ainda que as associações de pais devem beneficiar de isenção de tributação em IRC, nos mesmos termos das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). Em relação ao estatuto do dirigente voluntário, a confederação considera-o insuficiente, afirmando que foi pensado para os dirigentes que se mantêm nas associações sem limite de tempo, enquanto no caso das associações de pais, por regra, os dirigentes apenas se mantêm durante o período em que têm os filhos na escola".

Público

terça-feira, agosto 05, 2008

Imaginem

"Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados.
Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação. Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.
Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.
Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês.
Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.
Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.
Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.
Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo. Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos. Imaginem que país seremos se não o fizermos".

Mário Crespo
JN

sábado, agosto 02, 2008

Não há motivo para preocupação, são apenas 57 casos isolados

Nos primeiros seis meses do ano, o Ministério Público registou 57 casos de violência nas escolas de Lisboa, avança hoje o “Correio da Manhã”, citando dados oficiais divulgados pela Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa. As principais vítimas são professores e auxiliares, agredidos por encarregados de educação.
Estes dados são o primeiro balanço oficial sobre violência no meio escolar, resultado da Lei de Política Criminal que entrou em Janeiro em vigor. Mas até ao momento só são públicos os dados do distrito judicial de Lisboa. E não estão incluídas as agressões verbais, as ameaças, etc. Caso contrário os números disparavam.

quarta-feira, julho 30, 2008

Quem vier atrás...

"Porque a clareza se tornou, em tempos em que as palavras caíram nas mãos dos usurários, a mais rara das matérias-primas, vale a pena ler a entrevista que o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática deu ao "Jornal de Negócios" sobre a situação de desastre do ensino em Portugal.
Maria de Lurdes Rodrigues realizou, de facto, o milagre grouchiano de partir do nada e conseguir chegar à mais extrema miséria. Diz Nuno Crato, a propósito da política dos exames fáceis de Matemática, que "daqui a dez anos somos capazes de olhar para o que se passou nos exames este ano e pensar que foi das coisas mais negativas que aconteceram na educação nas últimas décadas". Daqui a dez anos, os jovens formados na pedagogia da não exigência terão descoberto que, ao contrário do ME, "la vie ne fait pas de cadeaux" e deveriam poder pedir responsabilidades a alguém. Mas daqui a dez anos a ministra terá regressado às profundezas do ISCTE e os seus secretários de Estado ao anonimato, e não é provável que saiam da obscuridade para assumir qualquer responsabilidade. Como sempre, quem vier atrás que feche a porta".

Manuel António Pina
JN

Uma machadada na propaganda política

Os resultados dos exames em Matemática A passaram de uma média de 12,5 na 1ª fase para 8,9 na 2ª fase. Se bem nos lembramos, para o Ministério da Educação, os bons resultados da 1ª fase deveram-se às medidas por si implementadas, nomeadamente o Plano de Acção para a Matemática. Pelos vistos este Plano já não funcionou nesta 2ª fase, o que não deixa de ser estranho. Conviria que Maria de Lurdes explicasse o porquê deste falhanço.

terça-feira, julho 29, 2008

Resultados da 2ª fase dos exames do secundário

"A média da segunda fase do exame nacional de Matemática A do 12º ano não atingiu os nove valores, registando um resultado pior que o do ano passado (9,3) e contrariando, assim, a tendência positiva da primeira época em que a média foi de 12,5 valores – a melhor dos últimos anos. Nas restantes disciplinas registou-se uma melhoria global dos resultados, ainda que sejam inferiores aos da primeira chamada, com 16 a subirem a sua média e 70 por cento a terem resultados positivos.
Matemática A obteve piores resultados que no ano anterior, passando de 9,3 para 8,9 valores, o que significa que 24 por cento dos estudantes chumbaram, face aos 18 por cento de 2007. No exame de Português, a média subiu de 10,4 para 11,3, ou seja, quatro por cento dos alunos chumbaram, contra os oito do ano anterior. No de Física e Química A a progressão foi mínima e insuficiente para abandonar o terreno negativo, ao passar de 9,2 para 9,3. Pelo contrário Biologia e Geologia conseguiram ultrapassar a barreira do dez, ao melhorar de 9,0 para 11,4".

Público

A escandalosa mentira de que os professores portugueses são dos mais bem pagos do espaço europeu

O último número da revista Visão apresenta-nos um casal de professores noruegueses, ambos com trinta e poucos anos, que ganham 7800 euros por mês, depois de descontados 35% de impostos e segurança social que lhes asseguram a gratuitidade da saúde e da educação dos três filhos. Em Portugal, um casal de professores da mesma faixa etária não leva sequer 2500 euros no final do mês e ainda tem de suportar os cuidados médicos e a educação dos seus filhos. Para quem diz que os professores portugueses têm ordenados acima da maioria dos outros países europeus tem aqui uma boa oportunidade de verificar que se está perante uma escandalosa mentira. No caso concreto, a diferença é superior a 5000 euros o que não deixa de ser uma diferença considerável. Se a isto juntarmos os gastos com a saúde e a educação dos filhos então a diferença é abissal.

domingo, julho 27, 2008

Ministra assegura que novas regras para o 2º ciclo vão ser aplicadas sem problemas

"A ministra da Educação garantiu hoje que está tudo preparado para as novas regras que definem a distribuição de serviços aos docentes do 2º ciclo.
Segundo foi divulgado no início da semana, a partir de Setembro, em média, cada turma do 2º ciclo passa a ter menos dois professores.
De acordo com as orientações do Ministério da Educação, cada professor deve leccionar mais do que uma disciplina na mesma turma.
A Fenprof considera precipitada a entrada em vigor destas novas regras já no próximo ano lectivo, argumentando que o novo ano lectivo começou a ser preparado sem que as escolas tivessem conhecimento da alteração.
No entanto, esta tarde, Maria de Lurdes Rodrigues afirmou desconhecer as críticas dos sindicatos, garantindo que «as escolas e os professores têm todas as condições para trabalhar».
TSF

sexta-feira, julho 18, 2008

Pobre justiça!

Em Portugal a justiça tem duas caras: frouxa e permissiva para os ricos e poderosos; cega e implacável para os pobres e descamisados. Qualquer semelhança com um país sul-americano é pura coincidência!

terça-feira, julho 15, 2008

Ensino elitista

"O ensino público português não está a cumprir o seu papel social de dar oportunidades aos estudantes oriundos de famílias culturalmente carenciadas. Isto acontece porque as políticas do Ministério da Educação têm tido o efeito de dificultar cada vez mais a aprendizagem desses estudantes. Vejamos porquê.
A convicção que tem orientado as políticas educativas dos últimos anos é a seguinte: os estudantes culturalmente carenciados não são realmente ensináveis, nem podem ter qualquer interesse em física, medicina ou geografia, porque são cognitivamente deficientes: só os filhos das famílias culturalmente privilegiadas são ensináveis, porque não são cognitivamente deficientes, e por isso só eles podem ter interesse nas matérias “elitistas”. Esta convicção não só é uma aberração biológica, como põe o mundo de pernas para o ar: o elitismo é precisamente a crença de que a física quântica, por exemplo, ou o piano, é só para certos estudantes privilegiados, ao passo que para aos outros só pode interessar o surf. Esta atitude é parecida ao racismo, porque em vez de ver os estudantes individualmente como seres humanos, vê os estudantes apenas como membros de classes sociais, e presume que os estudantes culturalmente carenciados o são não por serem vítimas da falta de oportunidades, mas por incapacidade cognitiva.
Ao eliminar as disciplinas centrais das diversas áreas académicas que constituem o legado da humanidade, substituindo-as por vacuidades escolares que visam aparentemente a integração social ou a educação para a cidadania, a escola pública faz precisamente o oposto: não permite que um estudante culturalmente carenciado possa tornar-se um cidadão pleno porque não lhe dá as competências cognitivas relevantes, nem lhe ensina os conteúdos sem os quais só poderá ser um consumidor passivo de Coca-Cola, telenovelas e futebol. Ao tornar os exames cada vez mais fáceis, a escola pública prejudica exclusivamente os estudantes mais carenciados, pois está efectivamente a dizer-lhes que não precisam de estudar, ao mesmo tempo que aprofunda o fosso entre eles e os mais privilegiados, pois estes estudam em qualquer caso, com exames fáceis ou difíceis.
O Ministério da Educação não consegue persuadir os estudantes mais carenciados do valor intrínseco do conhecimento, do estudo e consequentemente da escola, porque considera que estes estudantes não têm capacidade cognitiva para valorizar tais coisas. Mas qualquer agência de publicidade conhece as técnicas básicas para criar nas pessoas apetência pelo que elas antes não valorizavam. Proponho por isso que se substitua o Ministério da Educação por uma agência de publicidade. Se é possível convencer os estudantes mais carenciados a valorizar inanidades como a Coca-Cola, os ténis Nike e os bonés americanos de basebol, tanto mais fácil será ensinar-lhes a valorizar o que realmente tem valor intrínseco: o legado cognitivo da humanidade, codificado em coisas como a matemática, a física ou a história".

domingo, julho 13, 2008

O diagnóstico da SEDES

A Sedes - Associação Cívica para o Desenvolvimento Económico e Social - lançou o debate sobre o Estado da Nação e, mais uma vez, a Educação levou que contar. "Uma catástrofe. Nunca se desceu tão baixo" disse Maria Filomena Mónica. Por sua vez, Vitor Bento considerou a Educação como "o grande fracasso deste regime, não deste Governo". Considerou ainda que "as políticas sociais de apoios aliviam a pobreza, mas não retiram ninguém dela. A falha da Educação é tanto mais grave quanto expropria os pobres do direito de libertação da situação em que se encontram". Maria de Lurdes Rodrigues ouviu e não deve ter gostado.

sábado, julho 12, 2008

A ministra ri de quê?

"No Expresso da semana passada, os entrevistadores de Maria de Lurdes Rodrigues notaram que "a ministra nunca se ri" sofreu uma mutação ao longo da conversa, descontraindo-se progressivamente, de modo que o ar grave foi dando lugar a um sorriso aberto e - vê-se nas fotos - chegou mesmo à gargalhada. A evolução do estado emocional da ministra da Educação ao longo da entrevista do Expresso vale como representação simbólica do seu mandato. Começou tensa e de rosto fechado, ma cheia de iniciativa e coragem política; vai acabar sorridente e descontraída, mas deixando pelo caminho a promessa de exigência contra o chamado "facilitismo", uma palavra que é todo um programa político (foi inventada pelo engenheiro Couto dos Santos, que também tem uma fotografia na galeria dos ex-ministros da Educação inaugurada há duas semanas por Maria de Lurdes Rodrigues).
A actual ministra tinha todas as condições políyicas - ou teve, até certo momento - para ficar na história como a grande modernizadora, não só do funcionamento das escolas, mas da própria escola e do ensino em Portugal. Tudo indica, porém, que, em relação ao essencial, deixará pouco mais do que a sua fotografia, talvez sorridente, na tal galeria dos ex-ministros. Quando chegamos ao ponto de o país também sorrir dos extraordinários resultados dos exames de Matemática, agora do 9º ano - com menos 40% de negativas do que no ano passado - é difícil conceber situação mais trágica".

Fernando Madrinha
Expresso

sexta-feira, julho 11, 2008

Negativas na prova de Matemática do 9º ano caem quase 40 por cento num ano

Depois do sucesso no exame nacional de Matemática do 12.º ano, com a média nacional dos alunos internos a disparar para os 14 valores (em 20), agora foram os alunos do 9.º que revelaram uma melhoria muito significativa em relação à prova de 2007. A percentagem de negativas caiu de 72,8 por cento para 44,9 por cento, o que significa que há menos 38,3 por cento de notas negativas face à prova de 2007.
Para o Ministério estes resultados devem-se: ao esforço de professores e alunos e aos instrumentos de apoio (leia-se Plano de Acção para a Matemática). Curiosamente este mesmo programa não havia dado resultados o ano passado, tendo-se verificado inclusive os piores resultados de sempre em que quase três em cada quatro alunos havia reprovado na disciplina.
Para a Sociedade de Professores de Matemática bem como a Associação de Professores de Matemática a razão principal para estes resultados reside na facilidade da prova.
O ministério bem queria que os portugueses exultassem com esta performance, mas estes já perceberam que tudo isto foi uma fraude revoltante com o mero objectivo de melhorar as estatísticas. A certificação em massa está em marcha em Portugal. Teremos um país mais analfabeto mas "escolarizado". Perfeito.

quinta-feira, julho 10, 2008

Algo nunca visto

Ao examinar na minha escola as pautas dos exames nacionais do Secundário, fiquei absolutamente deliciado com as classificações a Matemática. Fiquei eu e ficaram os alunos, como é óbvio. Os miúdos nem queriam acreditar no que lhes estava a acontecer já que, em momento algum, pensaram que lhes calhasse em sorte um exame tão fácil. Em consequência deste facilitismo criado pelo Ministério da Educação, os 20s e 19s foram mais que muitos e geraram um clima de grande satisfação entre alunos e encarregados de educação, pois não é todos os dias que se consegue um feito destes, numa disciplina que por norma apresenta os piores resultados em exames nacionais. Muitos mostraram-se arrependidos de não terem anulado a matrícula na disciplina já que a nota do exame foi, na maioria dos casos, bem superior à nota da frequência (não me admiraria que no próximo ano, alguns dos melhores alunos venham a usar este expediente para assim poderem ter uma média final mais elevada). Mas não se pense que foram apenas os melhores alunos a terem motivos de satisfação: muitos dos que há anos tentavam, em vão, fazer a disciplina, não perderam esta oportunidade caída dos céus e finalmente conseguiram chegar à positiva. Quem diria que algum dia iríamos viver uma situação destas a Matemática?! E tudo isto graças à boa vontade da ministra e à sua obsessão pelas estatísticas.

quarta-feira, julho 09, 2008

Ordem dos engenheiros critica facilitismo para entrar nalguns cursos

Ordem dos engenheiros critica facilitismo para entrar nalguns cursos
"O sistema alimenta-se de números. Como repetia o ministro Gago, ao longo do dia, temos poucos licenciados. Por outras palavras temos que ter mais, custe o que custar. Ora o Governo já mostrou que não é gago a arranjar maneiras.Não sabem nada de matemática? Não sabem nada de Física? Quem sabe se não estamos perante futuros excelentes engenheiros. Tudo pode acontecer num país tão dado aos milagres, acredite o Bastonário ou não.Se um rapaz pouco dado ao estudo ao longo da vida, que nunca acabou o 8º ano, consegue, via Novas Oportunidades, obter em poucos dias o 12º ano e de seguida ingressar numa licenciatura, numa instituição privada, que lhe dará em três anos o grau de "licenciado", o que será que não conseguimos fazer neste país? Claro que tudo tratado pela instituição que lhe fornecerá a "licenciatura" e lhe cobrará as indispensáveis propinas.
Estamos a produzir os licenciados mais rápidos e mais ignorantes da nossa história. E estamos a ensinar às novas gerações que não vale muito a pena estudar afincadamente porque mais tarde podemos fazer como vizinho que nunca acabou o 12º ano, não sabe nada de matemática, não fala nenhuma língua, além da materna, e está a acabar a "licenciatura".
http://pedradohomem.blogspot.com/

As Escolas Superiores de Educação deviam ser encerradas

"A socióloga Maria Filomena Mónica apontou baterias à educação, considerando que «as faculdades de Ciências da Educação deviam ser encerradas imediatamente. Não servem para nada e fazem muito mal». Explicando que o «linguajar pedagógico» - “é preciso aprender a brincar” ou “os alunos não devem ser avaliados” - é um flagelo do nosso sistema de ensino actual, Maria Filomena Mónica afirmou que «a doutrina começou na esquerda, mas é agora transversal».

Luís Campos e Cunha não tem dúvidas desta premissa e sublinha que «o nosso ensino estaria hoje muito melhor» se «as escolas de educação» não existissem. «Deveriam ser todas fechadas». O tema dá pano para mangas e foi voltando ao debate. O economista Vítor Bento considera mesmo que a «educação é o grande fracasso deste regime porque ela própria tem promovido um rebaixamento de qualidade, com excessiva complacência com a mediocridade».