domingo, outubro 12, 2008

A manifestação de 15 de Novembro

Finalmente, parece que estamos dispostos a ir à luta. Já era sem tempo. Dia 15 de Novembro, os professores estão determinados em dar uma resposta cabal à política educativa deste governo que atenta contra a nossa dignidade e compromete de forma inequívoca o futuro do ensino público em Portugal. Até aqui totalmente de acordo. O (grande) senão reside no facto de muita gente pensar que se pode avançar para uma manifestação desta dimensão sem o apoio dos sindicatos. Quem assim pensa está a cometer um erro crasso que nos poderá ser fatal. É necessário traquejo na organização destes eventos e isso é algo que nos falta por muita boa vontade que possamos ter. Sem o apoio logístico dos sindicatos a manifestação pode redundar num fracasso e aí o feitiço vira-se contra o feiticeiro. Por outro lado, este é um momento-chave em que é necessário união de esforços e não de fracturas e discórdias. É verdade que os sindicatos têm cometido erros indesculpáveis, como foi aquele do “entendimento” com a tutela, mas há que deitar esses ressentimentos para trás das costas e avançarmos em conjunto, na defesa do interesse de todos. É fundamental termos a noção da proporção das coisas: o nosso inimigo é este governo e o Ministério da Educação e não os sindicatos.
Convém também que fique claro que a luta dos professores não se pode esgotar na manifestação, até porque o Ministério da Educação já deu provas que não verga com facilidade (ainda para mais quando as sondagens colocam o partido socialista perto da maioria absoluta). Esse foi o nosso erro, depois do 8 de Março. Pensámos que bastava reunir 100.000 professores e que, a partir daí, as nossas reivindicações seriam atendidas. Lixámo-nos, como bem sabemos. É bom que tenhamos aprendido a lição e não voltemos a cair nesse logro. Acredito que o sucesso da manifestação poderá ser importante, mas deverá funcionar apenas como um factor catalisador de um confronto com o Ministério que se prevê longo, conturbado e de grande desgaste. Seguramente que outras formas de luta têm de ser encontradas, sob pena de os nossos objectivos não virem a ser alcançados. O que não podemos, de forma nenhuma, é baixar os braços e esperar que outros resolvam os nossos problemas.

sábado, outubro 11, 2008

Educação é propaganda

"Não há registos, na memória da política da res publica portuguesa, de um Governo que tenha orquestrado uma tal campanha de propaganda baseada na tecnologização do ensino, que só tem paralelo no marketing da venda de produtos de multinacionais, a que o Governo retira os custos e lhes dá os benefícios. Computadores, o Magalhães - falsamente aclamado como o "primeiro portátil luso" -, quadros interactivos, ligações de banda larga, distribuição gratuita a alguns alunos - e nunca à maioria deles, mesmo que carenciados - promovidos por 23 ministros, secretários de Estado, directores-gerais, foram as notícias da educação, num mundo cor-de-rosa, em que o futuro em Portugal será, na perspectiva do primeiro-ministro, o da melhor educação.Só que o primeiro-ministro vive numa realidade virtual, convencido de que o faz-de-conta muda a realidade da educação. Até julgamos que a sua convicção é genuína, mas alguém terá de lhe dizer que, antes das tecnologias nas escolas, os alunos devem saber bem ler, escrever e contar, para depois as dominar, e que este desiderato deve ser validado por exames externos.Depois, a educação básica, obrigatória e gratuita, deveria, pois, possibilitar que todos tivessem, acessíveis e sem custos, os materiais de apoio às aprendizagens. Acrescentamos, ainda, que pouco ou nada resultará desta propaganda, se não se contemplar a formação de todos os docentes nas tecnologias da informação e comunicação (TIC), para rentabilizar as tecnologias, uma vez que a maioria dos jovens possui um domínio superior em relação a grande parte dos docentes.É necessário que os pais e encarregados de educação disponham de suficiente literacia e apetrechamento de competências nas tecnologias, para acompanhar os filhos. O Governo deveria disponibilizar aos pais mais carenciados, que hoje já abrange a classe média portuguesa - os novos pobres da Europa -, o acesso gratuito à Internet. Por último, todos estes itens devem estar garantidos à totalidade das escolas e dos alunos, pois só assim faz sentido o Estado democrático.Como nada disto corresponde à verdade da realidade portuguesa, a propaganda do Governo, na área da educação, pretende não só esconder a falência da sua pseudo-reforma, em que o insucesso está dissimulado pelo facilitismo, como também canalizar para áreas fictícias o descontentamento e desmotivação dos professores. Acena-se com tecnologia de ponta para a educação portuguesa, mas a iliteracia continua a alastrar, ameaçando a salubridade educacional do País.Nesta primeira etapa do ano escolar, o marketing do Governo venceu! Esperamos pelas etapas seguintes que, para já, não auguram nada de bom para a escola, pais e alunos que, deslumbrados pela propaganda do entretenimento tecnológico, se encontram pouco preocupados com a cultura do saber e desenvolvimento das capacidades dos jovens".

Carlos Alberto Chagas, Secretário-geral da FENEI/SINDEP
DN

quinta-feira, outubro 09, 2008

Golden State - All Roads Lead Home

Muitas semelhanças com os U2.

A grande evasão

"Se não ficasse na história da educação em Portugal como autora do lamentável "pastiche" de Woody Allen "Para acabar de vez com o ensino", a actual ministra teria lugar garantido aí e no Guinness por ter causado a maior debandada de que há memória de professores das escolas portuguesas. Segundo o JN de ontem, centenas de professores estão a pedir todos os meses a passagem à reforma, mesmo com enormes penalizações salariais, e esse número tem vindo a mais que duplicar de ano para ano.
Os professores falam de "desmotivação", de "frustração", de "saturação", de "desconsideração cada vez maior relativamente à profissão", de "se sentirem a mais" em escolas de cujo léxico desapareceram, como do próprio Estatuto da Carreira Docente, palavras como ensinar e aprender. Algo, convenhamos, um pouco diferente da "escola de sucesso", do "passa agora de ano e paga depois", dos milagres estatísticos e dos passarinhos a chilrear sobre que discorrem a ministra e os secretários de Estado sr. Feliz e sr. Contente. Que futuro é possível esperar de uma escola (e de um país) onde os professores se sentem a mais?"

Manuel António Pina
JN

quarta-feira, outubro 08, 2008

Ante-projecto da Fenprof sobre a Avaliação do Desempenho Docente

O ante-projecto da Fenprof sobre a Avaliação do Desempenho Docente pode ser consultado aqui

Os mais invejados

Para quem quiser consultar a última lista de reformados do Ministério da Educação. Saiu hoje. Vejam aqui.

Professores reformam-se à média de 400 por mês

"Em 2008 já se reformaram quase quatro mil professores e educadores de infância. E, apesar de perderem regalias, cada vez mais optam pela reforma antecipada. Só no mês passado houve 510 docentes a reformar-se.
Das duas uma: os professores portugueses estão a ficar velhos ou cansados. O JN comparou as listas de aposentados da função pública e constatou que, de um ano para o outro, estão a reformar-se, todos os meses, duas vezes mais professores e educadores de infância.
Por exemplo, comparando o mês de Setembro deste ano com o do ano anterior verifica-se que o número de aposentados mais que duplicou: de 249 passou para 510. Esta é uma tendência que parece estar a ganhar forma porque o número de professores e educadores de infância que se reformaram este mês de Outubro (322) é bem maior do que os reformados no conjunto de Outubro e Novembro de 2007 (272).
Ao todo e ainda com dois meses para contabilizar, este ano já pediram a reforma 3821 professores e educadores de infância. Sendo que os meses com mais reformas concretizadas foram Setembro (510) e Agosto (485) e o com menos foi o mês deMaio (126).
Como parece pouco crível que de um ano para o outro a população docente tenha envelhecido brutalmente e atendendo a que muitos pedem a reforma antecipadamente, sujeitando-se às respectivas penalizações (ver caixa), a resposta mais provável é que eles andam mesmo cansados e fartos. De quê, só os próprios poderão responder.
"Os professores estão saturados e desmotivados e, por mais que tentemos que não saiam prejudicados querem a reforma de qualquer maneira e com qualquer idade", diz Teresa Maia Mendes, do Sindicato de Professores do Norte. Esta docente auxilia os professores a calcularem quais os termos em que se poderão reformar e, por isso, conhece bem os motivos. Na sua opinião, "muitos professores, especialmente os que estão em topo de carreira, não estão a conseguir aguentar o ritmo da escola e dizem que mais vale sair com qualquer coisa porque, com o desgaste que estão a ter, vão acabar é no cemitério antes da idade da reforma".
A professora tem visto no Diário da República vários professores com pensões baixas o que significa que "muitos não estão a aguentar ir até ao fim". E comprova isso todos os dias pessoalmente. "Temos muitos pedidos de ajuda para a reforma antecipada e, mesmo avisando que vão ter uma quebra enorme com a aposentação, eles dizem que o clima nas escolas está impraticável e que não há maneira de dar a volta. Por isso, raramente mudam de opinião e fogem em frente", explicou ao JN".

Tiago Rodrigues Alves
JN

20 deputados chegavam

"(...) A bancada parlamentar do Partido Socialista, que tanto se orgulha da sua liberdade, é assim como uma claque de futebol: o chefe manda bater palmas, eles batem palmas; o chefe manda sentar, eles sentam-se; o chefe manda levantar a mão, eles levantam a mão. Sinto até um certo embaraço por um dia ter pensado que cada deputado tinha o seu próprio cérebro e que era com ele que votava na Assembleia de República. Graças ao badalado projecto de lei do Bloco de Esquerda, o grupo parlamentar do PS teve a amabilidade de me mostrar o quanto eu estava enganado.Por isso, pedia humildemente aos especialistas em ciência política que tivessem a caridade de esclarecer esta alma baralhada: para que raio serve, afinal, a disciplina de voto? Porque é que devemos permitir que os deputados que nós elegemos e cujos salários nós todos pagamos votem como se a única coisa que os distinguisse de um rebanho fosse a gravata? Para que é que existem 230 deputados na Assembleia da República se no momento mais nobre da sua actividade - a votação das propostas - eles não estão autorizados a decidir segundo a sua consciência? É que se cada deputado está impossibilitado de se exprimir individualmente, uns 20 tipos chegavam e sobravam para distribuir proporcionalmente os votos do País. Se a disciplina de voto é a regra, então há pelo menos 210 cabeças a mais em São Bento. (...)"

João Miguel Tavares
DN

sábado, outubro 04, 2008

A domesticação da sociedade


Revista Visão

O factor humano

"Não há ensino de qualidade, não há verdadeira Escola se os professores não contarem ou contarem pouco”.
Nos inúmeros périplos que o Governo tem efectuado pelo País a distribuir computadores, cheques e, principalmente, auto-elogios, os professores têm sido esquecidos como se na Escola fossem quem menos conta!
O ataque aos professores começou por ter expressão no plano social, tendo essa primeira fase pretendido preparar o terreno para as medidas que se seguiriam e que, sabiam os governantes, seriam fortemente contestadas.
Sobre os docentes abateram-se todas as medidas que se aplicaram à Administração Pública e, no caso do ensino particular e cooperativo, as decorrentes do código de trabalho… a que se juntaram mais algumas. Foi o novo estatuto da carreira docente que introduziu focos de grave instabilidade na profissão, com o seu absurdo e muito penalizador modelo de avaliação, a divisão da carreira em duas categorias ou a criação de uma prova de ingresso que visa empurrar milhares de jovens para fora da profissão; foram os horários de trabalho, muitas vezes ilegais, que impõem horas de actividade burocrática que seriam preciosas para o trabalho individual e vieram desorganizar, completamente, a própria vida profissional, pessoal e familiar dos professores; foi a nova gestão escolar, assente no pressuposto da desconfiança sobre os docentes e na necessidade de estender, para dentro das escolas, os tentáculos da tutela; foi a supressão dos apoios a milhares de alunos com necessidades educativas especiais, tornando mais difícil o trabalho na sala de aula.
É verdade que há escolas com quadros interactivos, com mais computadores nas salas e alguns edifícios foram recuperados… mas não foi dada a devida importância ao mais importante dos factores: o factor humano e, em especial, os profissionais docentes.
Como a UNESCO e a Internacional de Educação lembram no Dia Mundial dos Professores que amanhã se celebra, "os Professores contam!" Só que no nosso país, para o nosso Governo, estes têm contado pouco, o que é grave.
Não há ensino de qualidade, não há verdadeira Escola se os Professores não contarem ou contarem pouco, como tem acontecido, sendo natural que, quando assim é, as políticas educativas fracassem.
Seria perda de tempo esperar que para os actuais governantes os Professores passassem a contar; essa é razão suficientemente forte para que sejamos nós, Professores, com a nossa luta, a fazê-los compreender quanto contamos!"

Mário Nogueira, secretário geral da Fenprof
Correio da Manhã

sexta-feira, outubro 03, 2008

Antes "Henrique" que "Magalhães"

"Numa iniciativa que se saldou num enorme sucesso, o Grupo de Mulheres do PSD de Vila do Conde organizou, na passada semana, um «Fórum Educação». Quem esteve presente ouviu coisas de estarrecer, algumas que bastaria o recurso ao senso comum para serem corrigidas. A contestação à política educacional governativa é tão vasta e uniforme que, a crer na sua integridade de opiniões, não deve haver um único professor a votar no PS nas próximas legislativas. É a Lei da Avaliação, a da Autonomia das Escolas, são as medidas avulso que nada resolvem, pela simples razão que não há estratégia, mas apenas uma escolha casuística de acções.
Veja-se, por exemplo, o caso do computador Magalhães. Passando ao lado de que aquele produto já tem dois anos no mercado, não tenho o mínimo problema em aplaudir esta iniciativa. È fantástica a ideia de que cada aluno, na sala de aulas, possua um computador. Acontece que este equipamento, por si, não tem valor didático. Porque um computador é apenas uma ferramenta de trabalho, um auxiliar electrónico na acção educativa. Não é por existir um computador para cada aluno que os níveis de literacia e de sucesso escolar irão aumentar.
Por isso, talvez tivesse sido boa ideia abordar a questão de outra forma, começando pela formação dos alunos e dos professores. Poderia chamar-se «Henrique» a este projecto. Porquê? Porque evocaria o Infante D. Henrique que, antes de se lembrar de andar pelo país a distribuir naus e caravelas, criou uma escola, a «Escola de Sagres», dedicada ao estudo e planeamento das viagens marítimas. Ou seja, primeiro pensou e depois é que executou, num plano com princípio, meio e fim.
É isso que falta à actual política educativa: estratégia e planeamento. As medidas são debitadas arbitrariamente, os objectivos são apresentados e alterados aleatoriamente e nem sequer se escuta o que os visados têm para dizer. Com estes ingredientes, é óbvio que o apanágio governamental de uma política de educação com qualidade não encontra eco na realidade, já que alunos, pais e professores só conseguem ver uma acção errante, sem bússola, nem Norte".

Pedro Brás Marques

Vereador na CM de Vila do Conde

http://debateeducacao.blogs.sapo.pt/9433.html#cutid1

Professora com mestrado e doutoramento não é titular

"É o que sucede com Virgínia, que aos 50 anos já foi presidente do Conselho Executivo de uma escola do Algarve durante doze e tem mestrado e doutoramento na área da biologia e geologia. Ainda assim, arrisca-se a ser avaliada por professores apenas licenciados. «Sou das mais qualificadas e, ainda assim, acabo por ser a única não titular da Escola Secundária Dr. Mário Sacramento, em Aveiro», contou.
Este afastamento surge, por si, só como uma nítida violação do pressuposto principal de candidatura ao cargo de professor titular, explicado pelo ME: «É necessário ter 18 anos de tempo de serviço, podendo este período ser reduzido através da aquisição dos graus de mestre ou doutor e da obtenção de avaliações de Excelente ou Muito Bom».
Procurando justificações para o sucedido, Virgínia soube que a Comissão de Certificação da sua escola «entendeu que o doutoramento não estava de acordo com o decreto lei que regulamenta o concurso a professor titular». Incrédula, reclamou para o Ministério e até avançou para os tribunais, mas o problema continua por resolver. Não obteve qualquer resposta e os prazos foram ultrapassados".

Portugal Diário

quinta-feira, outubro 02, 2008

Professores do distrito de Leiria contra o actual código do trabalho

Categoria há só uma: professor e mais nenhuma" ou "Avaliação, sim, mas esta não" foram algumas das palavras de ordem gritadas, ontem, pelos professores do distrito de Leiria que se manifestaram em algumas artérias da cidade, na direcção do Governo Civil. Aí, foi entregue uma moção, aprovada durante o plenário para professores e educadores, organizado pelo Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC), que teve lugar no auditório da Escola Superior de Educação. O plenário ficou marcado pela discussão das leis que "maltratam os direitos laborais".Da ordem de trabalhos do SPRC constava a discussão sobre o actual Código do Trabalho e as repercussões que tem para a docência. Os professores, que compareceram de vários pontos do distrito, apresentaram as suas preocupações, e exemplificaram com casos reais o que dizem viver nas escolas e agrupamentos a que pertencem. Durante a sessão foram apresentadas questões sobre o actual estatuto da carreira de professor, avaliação de desempenho, regime de educação especial e actividades extra-curriculares. Os dirigentes sindicais presentes consideram que muitas das medidas tomadas "tiram qualidade ao serviço que prestamos e ao ensino público", e deram exemplos de professores que estão "mais tempo a preencher papéis" do que a leccionar. "Os horários são completamente subvertidos", afirmaram os dirigentes. No final do plenário, ficou patente um apelo à sindicalização dos professores. O Sindicato balizou uma meta de 10 mil sócios activos, para que os direitos sindicais não se percam. Depois de aprovada a moção onde se lê que os professores e educadores "rejeitam a política anti-social do Governo" e que prometem continuar "em luta em defesa dos seus direitos e por uma escola democrática", seguiram em manifestação até ao Governo Civil. "Parece que andam a gozar com a profissão", foi um dos desabafos mais ouvidos.

Diário de Leiria

quarta-feira, outubro 01, 2008

Jersey Girl - Bruce Springsteen

Um cover espectacular. Tom Waits sai prestigiado.

terça-feira, setembro 30, 2008

Estão todos loucos

“Cantando e rindo, com um ‘Magalhães’ debaixo do braço, as crianças irão felizes para a escola de sonho, sem exames e sem chumbos”.
Uma universidade do sítio, provavelmente sem mais nada de interessante para fazer, decidiu elaborar um estudo sobre o custo das explicações para as famílias que não só desconfiam da excelência do ensino público como têm a sorte de poder gastar algum dinheiro do seu orçamento para ajudar os filhos a falarem melhor a língua do sítio e não serem analfabetos em Matemática. Caiu o Carmo e a Trindade.
Os autores deram o tom e alguma Comunicação Social amplificou a indignação que varreu este sítio manhoso, hipócrita, cada vez mais pobre e cada vez mais mal frequentado. O problema com as malditas explicações é que a sua existência é um caso flagrante de desigualdade social. Porque, a exemplo do Sol, as explicações só são aceitáveis se forem para todos, sem excepção. Ricos, pobres e remediados. Caso contrário, devem ser pura e simplesmente proibidas ou, em alternativa, acabe-se com os motivos que levam as famílias a procurar explicadores para os filhos. Isto é, enterre-se de vez os malditos exames, que não só provocam um insuportável stress às criancinhas como criam essa execranda figura que é o chumbo, na versão antiga e autoritária, ou retenção, na versão socialista e moderna, que não magoa tanto os sensíveis ouvidos de pais, professores e alunos.
A sugestão do fim dos exames não partiu de qualquer grupo de cábulas, putativos delinquentes, nem de um bando de bêbedos apanhados à saída de uma taberna por uma qualquer televisão sequiosa da opinião popular ao vivo e em cima da hora. Não. A proposta veio das confederações de pais, essas misteriosas organizações que ganharam estatuto de parceiro social sabe-se lá como e porquê. Uma sugestão que caiu bem na 5 de Outubro, com uma ministra a bramar contra essa gritante desigualdade social e a prometer uma vigilância apertada aos energúmenos que dão aulas na escola pública e que não têm qualquer pudor em receber uns cobres extras com explicações a meninos ricos e betinhos que assim conseguem melhores notas nos malditos exames. Uma ministra que, diga-se em abono da verdade, tem um sonho que mostra definitivamente como o sítio não só é pobre, manhoso e cada vez mais mal frequentado mas como está a resvalar perigosamente para a loucura.
O sonho da ministra da Educação é acabar com os chumbos, perdão, as retenções. E assim, cantando e rindo, com um ‘Magalhães’ debaixo do braço, as crianças irão felizes para a escola de sonho, sem exames e sem chumbos".

António Ribeiro Ferreira, Jornalista
Correio da Manhã

Mário Nogueira em entrevista ao Correio da Manhã

Correio da Manhã – Pediram uma reunião de urgência com a ministra da Educação. O que pretendem discutir?
Mário Nogueira
– A ministra andou a varrer o lixo para debaixo do tapete e não arrumou a casa. Existem vários pontos que estão a provocar uma insatisfação ainda maior nos professores, como os horários de trabalho ilegais, arbitrariedades e os procedimentos abusivos na avaliação de desempenho.
Isso significa que vão voltar às jornadas de luta, com manifestações na rua?
– Se continuarmos como estamos, não será difícil prever que vamos regressar à rua. Nos próximos dias vamos sentir o pulsar dos professores, e o mais certo é regressarmos já em Outubro ou em Novembro.
O facto de o aproveitamento dos alunos ter influência na avaliação e progressão dos professores não abre portas à falsificação de resultados?
– Não posso garantir que isso não vá acontecer, mas os professores são pessoas de bem e não vão abdicar nem colocar em causa valores éticos por causa dessa pressão do Governo.
Que pressão é essa?
– A leitura feita pelos professores – e não só – é que há uma intenção de melhores taxas de sucesso e de aproveitamento escolar. Mais tarde, o Ministério da Educação e o Governo vão aproveitar números, dizendo que são resultado das suas políticas.
A avaliação dos professores não era um assunto arrumado?
– Com o memorando de entendimento conseguimos que a maioria dos professores não fosse avaliada. Apenas cinco por cento o foi e mesmo neste pequeno grupo já temos centenas de queixas dos professores. Determinou-se que este seria um ano experimental, mas já se começou a perceber que se trata de um modelo pesado. Os professores ou passam o tempo a avaliarem-se uns aos outros ou a darem aulas.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Enfiar cerca de 50 crianças numa sala

"Nestes dias de Setembro, muito se fala de “oferta” de livros e de computadores ao ensino básico, de contribuições de €25,00, de contribuições de resmas de papel e de papel higiénico (?!), mas também se devia falar no que se passa depois das actividades lectivas do dia terminarem...
O que aqui vou contar passa-se numa escola do ensino básico (1º ciclo) da cidade da Maia. Nesta escola ?funciona? o chamado período de ?prolongamento?, que não é mais do que um período em que as crianças ficam na escola à espera que os pais ou encarregados de educação os possam ir buscar (este período é pago, à Associação de Pais, que contrata funcionárias para zelarem pelo bem estar das crianças).
Até aqui, tudo bem. Deviam funcionar todas assim.
Mas, e quando a falta de visão dos responsáveis (e não os donos) pela escola ultrapassa os limites do razoável e se enfiam cerca de 50 crianças, com idades entre os 3 e os 10 anos, numa sala (existem mais duas salas pelo menos, e novas!!!) e não se lhes dá “liberdade” para criar, brincar ou até estudar... (as crianças da pré-escola são “autorizadas” a ver televisão até alguém as ir buscar).
Algumas crianças esperam até às 19:00h, sendo que nesta escola as actividades terminam às 17:30h.
É assim que se educam os nossos filhos, a ver televisão... Talvez se devesse oferecer bom senso aos adultos...
É este o País que estamos a criar...
Disseram-me que este problema seria resolvido. Espero que sim!"

Maria Fernandes
JN

domingo, setembro 28, 2008

Para quando a "playstation" portuguesa?

"Ao contrário de Pacheco Pereira, gostei da propaganda, perdão, das reportagens da RTP em volta da entrega do famoso Magalhães, o computador mais português produzido no estrangeiro. Numa época de amargura, a televisão do Estado esmerou-se em mostrar as criancinhas felizes, as professoras felizes e o eng. Sócrates, em pleno exercício das funções comerciais a que se reduziu, felicíssimo. E riam porquê? As criancinhas, pelo brinquedo que ganharam. As professoras, pelos nervos decorrentes da visita de sua excelência. E sua excelência pelos votos que tamanha generosidade eventualmente trará.
O eleitor médio talvez questione o custo da generosidade governamental (o repórter da RTP médio nem isso). Porém, não lhe ocorre questionar a contribuição dos computadores para o desenvolvimento dos fedelhos. Nos tempos que correm, o computador é fundamental, não é? Curiosamente, há quem discorde.
João Miranda já escreveu no DN sobre as limitações óbvias: colocados perante uma máquina cujo funcionamento os ultrapassa, os alunos não aprendem nada excepto o uso do rato. Mas parecem existir complicações adicionais. Nos últimos anos, frequentes estudos alertam para as desgraçadas consequências dos computadores no ensino: o que, a olhos públicos, passa por um instrumento incontornável de acesso à era tecnológica pode ser, afinal, uma distracção e um obstáculo à aquisição de conhecimentos básicos.
Pior, o computador subverte a relação das crianças com o mundo "exterior", e o retrocesso em curso não carece de estudos comprovativos. O convívio com os meninos e as meninas de hoje basta para constatar as dificuldades de concentração e "sociabilização" que exibem: regra geral, trata-se de umas coisinhas tolhidas e dependentes, uns zombies hiperactivos que não lêem, não respondem a estranhos e não mantêm a mesma actividade por um período superior a dez minutos. A não ser, claro, que a actividade inclua uma geringonça electrónica e botões.
No mundo "normal", onde também se distribuem computadores e onde também se faz propaganda da distribuição, o efeito dos ditos na peculiar evolução da espécie tem causado crescente apreensão. Em Portugal, onde a educação trocou de vez o ensino de ciências pelo festival informático, causa somente entusiasmo. Recentemente, uma investigadora da Faculdade de Psicologia do Porto decidiu que atafulhar as escolas de computadores, Internet e videoconferências não chega, e exige que as consolas de jogos se juntem ao pacote. Segundo a senhora, as consolas "desenvolvem a coordenação motora, a estratégia, a resolução de problemas, a pesquisa e a exploração". No mundo de bonecos em que os jogadores e a tal investigadora habitam, não duvido. No mundo real, isto anda um bocadinho mais complicado".

Alberto Gonçalves
Diário de Notícias

sexta-feira, setembro 26, 2008

quarta-feira, setembro 24, 2008

Fenprof lança petição pela revogação Estatuto Carreira Docente

A Federação Nacional dos Professores lança a 1 de Outubro um abaixo-assinado a favor da revogação do Estatuto da Carreira Docente, iniciativa promovida no âmbito do Dia Mundial dos Professores.
«Sem professores respeitados, dignificados e valorizados não há escola, nem ensino de qualidade. E essa é a questão que não pode continuar a ser ignorada, sendo esse o mote da campanha em torno do Dia Mundial dos Professores», afirma a federação, em comunicado.
Além desta iniciativa, será apresentada a 8 de outubro uma proposta sobre avaliação de desempenho para discussão pública nas escolas, que decorrerá até ao final do ano.
Após o contributo dos estabelecimentos de ensino, será definido o documento final que o sindicato apresentará no período já definido pela tutela para alterações ao modelo de avaliação de desempenho actualmente em vigor, que deverá decorrer em Junho e Julho do próximo ano.
A 5 de Outubro, Dia Mundial do Professor, será distribuído nas capitais de distrito e em outras cidades um folheto às populações sobre «a importância da profissão de professor».
O secretário-geral da Federação, Mário Nogueira, participará nas actividades previstas para o Funchal.
Por outro lado, foi enviado a todos os grupos parlamentares um apelo aos deputados para que aprovem uma «Saudação aos Professores».

Diário Digital / Lusa

terça-feira, setembro 23, 2008

Save You (Live) - Matthew Perryman Jones

A prática das "explicações"

"A ministra da Educação acha terceiro-mundista a prática das ‘explicações’ que visam (uso palavras suas) "recuperar o que o aluno não aprendeu na escola". Ora, todos sabemos para que servem as ‘explicações’ – e conhecemos o sacrifício dos pais que podem pagar mais de cem euros por mês (118 em média, segundo um estudo da Universidade de Aveiro) para que os seus filhos tenham acesso a esse apoio escolar extra.
Por um lado, mostra como as famílias temem o falhanço científico ou pedagógico no sistema educativo; por outro, revela que as famílias se preocupam, o que não é mau; finalmente, constitui o retrato do sistema que não muda desde os anos 70. Ou seja: o palavreado sobre a qualidade da escola é a única coisa que muda; porque a realidade, essa, é sensivelmente a mesma".

Francisco José Viegas, Correio da Manhã