quarta-feira, novembro 12, 2008

Capricho e soberba

"Cento e vinte mil mil professores na rua não emocionaram o Governo. A ministra e Sócrates afirmaram-se renitentes nas decisões tomadas: é assim que dissemos, é assim que fazemos. Capricho, desdém e alarde não constituem excepção neste Executivo, o qual, sem ser, notoriamente, socialista, também não é carne nem peixe nem arenque vermelho. Mas 120 mil pessoas indignadas não são a demonstração de uma birra absurda nem a representação inútil de uma frivolidade. A cega teimosia de Sócrates pode, talvez, explicar que não está à altura do seu malogro, mas sim do seu umbigo. Porque de malogro e de narcisismo se trata. A qualidade de um Governo afere-se pelo grau de comunicabilidade que estabelece com os outros, e pelo sentido ascensional que possui do tempo e do espaço para elevar a vida colectiva. Sócrates esqueceu-se, ou ignora, que o homem é ele e a sua circunstância, como ensinou Ortega. E que num político a circunstância é criada por ele próprio, sem negligenciar os outros. A verdade é que não conhecemos os seus desígnios criativos, mas sim as variações desafortunadas da sua política.
Há tempos, João Lopes, o amigo e o crítico por igual excelente, dizia-me que Portugal tinha falta de compaixão. A palavra "compaixão" adquiria o sentido de simpatia e compreensão pelo outro. É verdade. Ausentamo-nos e negamo-nos, escarnecemo-nos e desprezamo-nos, deixámos de nos ouvir uns aos outros; nem transeuntes somos: trespassamo-nos porque dissipámos a consistência e, acaso, a ternura. Com a nossa desmedida indiferença permitimos o nascimento de gente presumidamente detentora da verdade. A soberba de Sócrates, ante o protesto dos 120 mil, advém, certamente, desse sombrio e feio convencimento. Em Fevereiro de 1947, quando, em França, se preparavam eleições, Camus escreveu, no Combat, um texto que assim começava: "Os problemas que há dois anos nos excedem vão cair no mesmo impasse. E, sempre que uma voz livre procurar afirmar, sem pretensões, aquilo que pensa, logo uma matilha de cães de guarda, de todas as cores e feitios, começará a ladrar furiosamente, para abafar o eco dessa voz." Em consciência, a impassibilidade de José Sócrates e a crispada frieza de Maria de Lurdes Rodrigues podem abafar o eco de 120 mil vozes, que protestam muitas razões de que não é preciso reter senão as mais importantes? Um Governo que recusa, constantemente, a obrigação de ouvir o outro, admite a possibilidade do direito à desobediência. A rigidez decisória não conduz ao apaziguamento e distancia-se dos verdadeiros interesses, criando rancores e ressentimentos desnecessários e duradouros. Conversar, escutar, dialogar, debater, por vezes com furor e impaciência, é solução muito mais eficaz do que alimentar uma inconsiderada teimosia, de consequências imprevisíveis".

Baptista Bastos
DN

E se no dia 15 voltasse a ser assim?




terça-feira, novembro 11, 2008

A mentira compulsiva

Sinal de que vivem momentos de pânico, a tríade do ministério da educação, não tem tido parança. Desdobram-se em declarações, onde a mentira e o insulto estão sempre presentes. Aliás, há que dizê-lo, estas criaturas têm evidenciado, ao longo dos tempos, uma compulsiva vontade em mentir. Começa a ser notório que mentem pelo prazer de mentir. Não perdem sequer uma oportunidade para dizer mais uma e outra mentira. A mentira faz-lhes bem à alma. Chega até a haver alturas em que eles parecem acreditar piamente no que estão a dizer. Criam uma lógica imaginária e passam a vivenciá-la como se realidade fosse. Esta tendência mórbida à mentira tem uma denominação: mitomania. Em muitos casos, esta patologia precisa de tratamento psiquiátrico, especialmente quando estas mentiras têm consequências gravosas para as outras pessoas. Tendo em conta os prejuízos que estas mentiras vêm causando no sistema educativo, é urgente que esta gente recorra a auxílio médico e seja afastada das funções que desempenha até recuperarem a sanidade mental. A bem da nação!

A ministra dos milagres

"Os professores portugueses parecem ter ganho o gosto às avaliações, e 120 mil (há oito meses foram "apenas" 100 mil) avaliaram de novo a ministra e a "sua" avaliação. Depois do milagre estatístico da Matemática, Lurdes Rodrigues conseguiu proeza ainda mais improvável, a da unanimidade dos professores. Se isso não chega para a sua beatificação - que Sócrates tem em marcha - vou ali e venho já. 120 mil professores na rua (uns "míseros votos", como lhes chamou Sócrates) contra o naufrágio do sistema educativo e o pesadelo burocrático em que foi transformada a sua profissão, e gritando "deixem-nos ser professores" não é sinal de descontentamento, é algo mais profundo.
Ou deveria ser, para quem tivesse um mínimo de humildade democrática e não confundisse firmeza com auto-suficiência e poder com mando. Se a passagem de Lurdes Rodrigues pelo ME constitui um "study case" de incapacidade técnica e autismo político, a reacção praticamente unânime dos professores em defesa da dignidade da profissão docente é um exemplo de cidadania activa cada vez mais raro no "país em diminutivo" em que nos tornámos".

Manuel Antonio Pina
JN

segunda-feira, novembro 10, 2008

Ainda há quem esteja com os professores

Vale a pena ouvir os "Sinais" de hoje na TSF. Sob o título "O abismo", Fernando Alves, consagrado jornalista desta estação radiofónica, faz um retrato acutilante do que se está a passar. Ouvir aqui.

domingo, novembro 09, 2008

ESQUERDA.NET | Grande Manifestação 120 Mil Professores





Como a opinião publicada vê o confrontro entre ministério da educação e os professores (III)

José Manuel Fernandes
Público

A marcha da indignação

















Como a opinião publicada vê o confronto entre o ministério da educação e os professores (II)

"Largos milhares de professores manifestaram-se ontem em Lisboa, pondo em causa o sitema de avaliação, a ministra, o próprio Governo.
Não vale a pena, aos críticos, invocar a impecável organização sindical pois até os partidos funcionam hoje assim: quando a "fé" escasseia, ou quando se quer ter a certeza que a coisa não falha, não há como uns autocarros e uns farnéis para manter a militância no alto.
É hoje óbvio para toda a gente que entre professores e ministra a corda partiu há muito. Mas, podendo a razão não estar do lado dela, é inequívoco que está a seriedade, porque Maria de Lurdes Rodrigues aceita fazer um balanço do processo de avaliação no final do ano e introduzir alterações para 2010. Os professores é que não, pois pretendem rebentá-lo desde já. É bom que se saiba que, por muitos professores que desçam e subam a Avenida da Liberdade, há escolas em que o processo de avaliação está a correr bem. São a maioria. E é bom que se saiba também que, no ano passado, 16 mil avaliações feitas revelaram 7% de professores cujo desempenho não era correcto. Só esta indicação é um bom motivo para continuar, não é? Ontem, na TSF, uma professora dizia que muitos professores investidos em avaliadores andam muito senhores de si por lhes ter sido atribuído esse pequeno poder. É possível, não custa a crer que sim. E custará a crer que alguns professores foram tomados de ataque de invejite por serem avaliados por pessoas com as quais certamente não simpatizam?
Como dizia Ferreira Leite em Março passado, o Governo não deve desistir deste processo de avaliação. É lamentável que a mesma Ferreira Leite, agora líder do PSD, agora necessitada de ver Sócrates e o Governo em perda, tenha vindo dizer, na véspera da manifestação de ontem, que o processo de avalição deveria ser suspenso. Ao menos tivesse a coragem de ser directa e pedisse aos professores do seu partido que engrossassem a coluna dos manifestantes (...)".

José Leite Pereira

JN

Como a opinião publicada analisa o confronto entre ministério da educação e os professores (I)

"Os sindicatos dos professores voltaram ontem a vincar uma posição de força contra o processo de avaliação de desempenho. Fizeram-no apoiados naquele que terá sido o maior desfile de manifestantes de sempre contra uma política educativa e prometeram insistir na radicalização das formas de luta.
A ministra Maria de Lurdes Rodrigues antecipou-se ao início dos discursos no Marquês de Pombal e voltou a basear a posição de manter firme a continuidade da avaliação em factos concretos: 1 - A maioria dos professores avaliados tem apenas de preencher uma ficha de definição de objectivos com duas páginas; 2 - O Ministério da Educação (ME) não impõe reuniões prolongadas ou complexos processos burocráticos, e se isso acontece deve terminar de imediato; 3 - O modelo de avaliação que está a ser aplicado foi aprovado pelo Conselho Científico composto por pessoas que não foram escolhidas pelo ME; 4 - Há muitos professores que já foram avaliados e outros que estão a fazer a avaliação; 5 - Desistir não é solução.
Sindicatos e ministra só convergem num ponto e, por sinal, aquele que é o mais importante: os interesses dos alunos e a actividade de os ensinar devem ser preservadas.
Mas o que é que de um e outro lados tem sido feito para isso? Nesta avaliação, pelo menos, o Governo leva vantagem. Os sindicatos dos professores ainda ontem reafirmaram a sua inflexibilidade: "Se eles [o Governo] não o suspendem, suspendêmo-lo nós!" Enquanto do lado Governo, há duas semanas em entrevista ao DN, José Sócrates anunciou e assumiu o compromisso: "Estamos disponíveis para, depois de fazer esta avaliação, melhorar o sistema e evoluir."

Editorial
DN

sábado, novembro 08, 2008

sexta-feira, novembro 07, 2008

Manuela Ferreira Leite pede suspensão de modelo de avaliação de professores

A presidente do PSD defendeu, esta sexta-feira, a suspensão imediata do actual modelo de avaliação dos professores, muito embora Manuela Ferreira Leite tenha defendido que a «avaliação dos professores é um princípio quo PSD defende intransigentemente».
Numa declaração na sede nacional do PSD, após um encontro com professores militantes do partido, Ferreira Leite defendeu que o modelo defendido pelo Governo «assenta em princípios inadequados e injustos».
Na opinião da líder social-democrata, este modelo está ainda assente «num esquema de tal forma burocrático e complexo que está a criar uma enorme perturbação nas escolas e a desfocar os professores da sua função essencial».
«A teimosia com que tem tratado esta questão está a afectar seriamente o que é essencial para a qualidade do ensino: a motivação dos professores», acrescentou Ferreira Leite, que aludiu a um «clima de tensão e crispação entre todos os intervenientes».
Na véspera de mais uma manifestação de professores, que foi convocada para Lisboa, Manuela Ferreira Leite considerou que «desde já, se deve começar a trabalhar num novo modelo de avaliação, sério e eficaz».
Na declaração que fez sem direito a perguntas, Ferreira Leite defendeu ainda a criação de uma avaliação «externa, retirando das escolas e dos docentes a carga burocrática e conflitual que os desviam da sua função primordial que é ensinar».
«A avaliação tem de procurar a efectiva valorização do mérito e da excelência, devendo por isso pôr-se fim às quotas administrativas criadas por este Governo», acrescentou a líder do PSD.
Ferreira Leite aproveitou também para pedir o fim da «divisão da carreira docente, iníqua e geradora de injustiças, entre professores titulares e professores que acabam por ser classificados como de segunda».
«Insistir no actual modelo é pura perda de tempo. Os professores não são justa e verdadeiramente avaliados e, principalmente, os alunos e as suas famílias estão a ser prejudicados com o clima de tranquilidade que se vive nas escolas», concluiu.
Pode ouvir aqui as declarações de Manuela Ferreira Leite.

Esta criatura fede

"O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Albino Almeida, afirma que «há um empolamento da desmotivação dos professores».
«Os professores mais antigos podem sentir maior dificuldade em adaptar-se às novas reformas. Os que se sentirem cansados e desmotivados, é melhor que saiam. Há muitos professores desempregados que querem entrar para o sistema», afirma."

Últimos dados da mobilização para 8 de Novembro

"Amigos, a mobilização assume contornos deveras interessantes. as viaturas contabilizadas, neste momento, são:

novembro 2008 - março 2008
spn: 266 - 216
sprc: 125 - 80
spgl: 54 - 38
spzs: 49 - 38
totais: 494 - 372

contando aqui com a plataforma, estamos próximos das 700 viaturas!e ainda faltam 2 dias!!!
inscreve-te! vem mostrar a mlr com quem está a lidar!"

http://diasdofim.blogspot.com/

quinta-feira, novembro 06, 2008

Grande entrevista: O PROmova e as causas dos professores

"Os professores regressam a Lisboa no próximo dia 8, em mais uma grande manifestação, contestando a política do Ministério de Educação que não evoluiu positivamente desde Março.

Embora as causas sejam várias – estatuto da carreira docente, estatuto do aluno, gestão escolar, quotas, concursos, prova de ingresso para docente – parece ser o modelo de avaliação proposto pela tutela o problema maior do mal-estar que varre as escolas de norte a sul e está a pôr em causa valores como a equidade, a credibilidade, a solidariedade e a amizade que deviam ser os elos a irmanar os docentes numa das funções mais nobres do homem: educar.
Porque o momento é difícil e urge salvar a Escola para salvar o País, fomos conversar com representantes de um dos movimentos de Professores – PROmova - com visibilidade neste caminho difícil por que segue hoje a Educação em Portugal: professores José Aníbal, Octávio Gonçalves e Pedro Areias.
NVR - Quais as causas que levam os professores novamente a Lisboa, depois de em Março se terem manifestado 100 mil professores a contestar a política do Ministério de Educação?
Octávio Gonçalves (OG) - A razão mais imediata prende-se com o facto da questão fundamental do ano anterior não ter ficado resolvida com o memorando de entendimento e de ter sido empurrada para Setembro. O PROmova tinha chamado a atenção que o problema não era somente de calendário, embora também o fosse pela implementação precipitada do modelo. Havia ali um problema que tinha a ver com a sua própria substância, conforme estava e está estruturado, com a sua complexidade, com a burocracia que nós consideramos ser gigantesca, por um lado, mas também inútil, do ponto de vista da qualificação das aprendizagens e da qualificação da própria escola. Isto sentiu-se mais, quando começou a sua implementação nas escolas, no momento em que os professores se começaram a confrontar com a extraordinária complexidade de grelhas, de itens e de descritores.
A grelha do avaliador integra, por exemplo, 80 descritores e cada um ainda tem diferentes parâmetros o que implica a recolha de informação de 300 ou mais variáveis. Ora isto é impossível, pois o avaliador, para ser rigoroso e objectivo, não fazia mais nada durante o ano.
NVR - Mas não é só avaliação que leva os professores a Lisboa…
OG - A avaliação do desempenho dos professores é o factor aglutinador. Depois há toda uma sequência legislativa que tem contribuído para a degradação da Escola, para a degradação do Ensino, para além da própria imagem pública dos professores. Nós também contestamos a estratégia de afronta, de confrontação que este governo adoptou quando seleccionou um conjunto de classes profissionais para lançar ataques que comprometeram aquilo que é a imagem pública dos professores, mas que também aconteceu com os juízes, com os militares, no sentido de dividir para reinar e de explorar um sentimento que não é lá muito nobre, entre nós, mas que também acontece, que é a inveja.
Mas o aspecto fundamental, aqui, é todo o edifício legislativo que estava orientado fundamentalmente para duas coisas. Uma é a perspectiva economicista, isto é a poupança de recursos com a educação e isso passa, fundamentalmente, por diminuir o nível de exigência nas escolas. A outra é política de favorecer as passagens, de favorecer as estatísticas para dizer que tudo isto é um sucesso extraordinário.
NVR - Mas o que se contesta, concretamente, neste modelo de avaliação?
OG - Vários aspectos. Um deles, que o desacredita, é o facto de todo este processo se estruturar à volta de uma avaliação inter-pares, que se baseou numa divisão dos professores que nós continuamos a contestar como sendo arbitrária, não tendo obedecido a critérios objectivos e justos.
NVR - Precisemos.
OG - Em primeiro lugar reduziu a avaliação da carreira dos professores de vinte ou trinta para os últimos sete anos, desrespeitando currículos, formações, experiências e empenhamentos pessoais. Em segundo lugar, esta avaliação integra itens, variáveis, que não são da responsabilidade exclusiva do professor: abandono escolar, insucesso dos alunos.
NVR – Ou seja, este modelo de avaliação culpabiliza os professores não só do insucesso como do abandono escolar dos alunos?
OG – Sim. Mas essa responsabilidade não pode ser assumida apenas pelo professor, porque estes fenómenos são multi-factoriais, alguns factores são sociais, etc. Isso tem um perigo que é o de incentivar o facilitismo. Um professor numa situação limite, para salvar a sua própria avaliação, pode ver-se tentado a «dar boas notas».
Pedro Areias (PA) – Para «dar boas notas», ignora-se a qualidade de ensino, não é? E nós estamos a criar o quê, como professores? A ser assim, como diz Medina Carreira, daqui a dez anos, teremos uma sociedade de jovens que, de facto, acabam por não ter aquelas competências que são fundamentais.
José Aníbal (JA) – Convém esclarecer que, ao dizermos isto, não estamos a pôr em causa nem o brio profissional dos colegas nem tão pouco o nosso. É que, quando confrontados com uma situação em que está em causa o seu futuro, que pode depender de um equilíbrio da própria estrutura familiar e está em causa o progredir ou não na carreira, com reflexos na economia familiar ou em condições de estabilidade e de qualidade de vida, o professor enfrenta um dilema.“Vou «dar notas» a estes alunos que considero que são as justas e as correctas, mas acabo por ser penalizado, porque os resultados não correspondem àquilo que querem que eu faça, quando esses resultados não são da minha exclusiva responsabilidade ou … atribuo classificações que não correspondem à realidade… e serei beneficiado!”
PA – Há outros aspectos com os quais nós não concordamos.
NVR – Quais?
PA - Esta avaliação sobrepõe-se à lei geral que está devidamente regulamentada na Constituição da República. Uma mãe que acabe de ter um filho fica penalizada por o ter. Se nos morre um familiar, o professor é penalizado porque faltou para ir ao funeral. Se nasce um filho, o pai não pode usufruir da licença de paternidade. Como se verifica, há, aqui, um conjunto de factores que são penalizadores para o professor. Isto jamais se poderá aceitar. Todo o modelo tem a função de penalizar e não de melhorar!
JA – Uma pessoa tem o direito de faltar 5 dias por falecimento do pai, mas é-se penalizado se se faltar. Já se sofre pelo falecimento de um familiar e depois ainda se vai ser penalizado?! Isto é extremamente desumano.
NVR – Esta é uma questão da assiduidade…
JA – É. Mas este modelo tem outros aspectos de uma grande subjectividade…
OG - O modelo de avaliação não pode permitir o favorecimento pessoal. Este modelo assenta, em grande medida, na avaliação feita por um único professor. A avaliação é, diga-se, complexa. Incluem-na as tecnologias de informação, os conteúdos científicos, as técnicas pedagógicas etc. Ora, um só professor não está em condições de avaliar com objectividade todos estes aspectos. Nós sabemos que em muitas escolas há relações de amizade, como as há de inimizade e isso pode interferir na avaliação (…)"

Chumbar para quê?

Visão

Dados actualizados da mobilização para 8 de Novembro

"Aqui ficam os dados actualizados da mobilização mais contável, a do número de viaturas completas:
novembro 2008 - março 2008
spn: 266 - 216
sprc: 114 - 80
spgl: 44 - 38
spzs: 45 - 38
totais: 469 - 372
e ainda faltam 3 dias!!!
inscreve-te! vem mostrar a mlr com quem está a lidar!!!"

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quarta-feira, novembro 05, 2008

Como vai indo a mobilização para 8 de Novembro

"o SPN já atingiu as 218 viaturas (216 em março)! o SPRC vai em 97 (95 em março). a direcção regional de santarém do SPGL já vai em 14 (em março foram 24) e muitas escolas por contar. há direcções de zona que já atingiram os números de março. as inscrições ainda estão a subir. mesmo reconhecendo a inutilidade da comparação, começa a ser tentador... eu, que às vezes discordo do umbigo dele, hoje concordei com o Paulo em relação a certa prudência que lhe li nas entrelinhas de um comentário ao titulado do Público. contudo, vejo, ainda prudente, uma possibilidade... fiz um pacto comigo mas não revelo. podem tentar adivinhar!"

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Professores e sindicatos

"Professores e sindicatos não vivem os seus dias mais felizes. Esta união, que sempre teve o seu quê, parece, neste momento estar em crise. A confiança esboroa-se, os comportamentos não ajudam. As divergências entre os sindicatos e os professores acentuaram-se nos últimos tempos. Os docentes estão insatisfeitos porque sentem verdadeiramente na pele o ardor do trabalho de «sol a sol».
São eles que cavam a terra e lhe deitam a semente e, por isso, querem ser os ceifeiros da messe. Os sindicatos, porque têm as «camionetas», gostam de ser os transportadores do trigo, levando-o para o seu celeiro e daqui para a padaria, de onde o levarão para «sua casa» e para seu «prazer», deixando aos primeiros as migalhas ou, no máximo, a côdea dura que só molhado em leite ou em cevada lhes servirá de ténue alimento.

Mais de trinta anos depois, os professores resolveram também participar no festim e criaram os seus próprios movimentos de autodefesa. Perceberam que a maior parte dos sindicalistas das centrais sindicais e dos muitos que gravitam no interior das dezenas de sindicatos filiados já pouco percebem da realidade objectiva e concreta da sala de aula e da sala dos professores. Sentados há anos nas cadeiras dos gabinetes, por muito que digam que passam dias e dias no «terreno», ganharam calo no rabo, que não se cansam de coçar, melhor, lhes sabe bem coçar.

Sabem lá eles o que é indisciplina na sala de aula! (Alguém se lembra do que disse o prof. Charrua, quando regressou à escola, passados 20 anos?). Ouvem falar e pensam que isso lhes dá a sabedoria para dissertarem sobre o assunto. Sabem lá eles o que os alunos falam, como falam, como respondem, como reagem! Ouvem dizer isto e aquilo nessas reuniões que convocam para não dizerem quase nada, mas para justificarem o lugar.

Estudam (?) pedagogia para debitar… para debitar, mas não conseguem entender que a realidade da Escola é diferente daquilo que apregoam. São uma espécie de gastrónomos que só sabem enumerar os ingredientes de uma sopa, mas não a sabem confeccionar. E acham-se tão doutos que nem querem ouvir o que os professores autênticos têm para lhes dizer. Os professores não deram nem vão dar o grito do Ipiranga em relação aos sindicatos, mas a «república» já chegou. As tropas já se juntaram uma vez e vão juntar-se outra.

Os professores, perante o inferno em que a Escola se está a transformar, convocaram uma manifestação para dia 15 de Novembro, em Lisboa. Este «povo» resolveu descer à capital, na tentativa de alertar «suas majestades», mais uma vez, sobre os graves rombos que o «barco da educação» está a sofrer e com risco de se afundar. Os novos «infanções» têm considerado que os «condes», os «duques», os «marqueses» ou os «barões» não estão a defender bem o «castelo». Então esta «velha nobreza», e em especial a Fenprof, tremeu e temeu que os seus «foros» estivessem em perigo.

Convocaram outro «exército» de professores para o dia 8. Uma traição? Talvez não seja necessário dizer tal, contudo… foi um exercício de força. Quiseram dizer que eles é que detêm poder e representatividade nas «cortes». E contaram as espingardas. Mas terão verificado que as notícias que os seus emissários lhes mandavam não eram favoráveis. O exército, que esperavam comandar, iria ser diminuto: havia escolas sem «voluntários» inscritos. Foi então que o «estado maior» da Frenprof chamou na quarta-feira passada (29 Out.) os movimentos de professores, para negociaram a paz.

O «tratado» fica, para já, com esta data, evitando, os professores, beijinhos e abraços, pois, conforme dizem elementos do PROmova, de Vila Real, “os movimentos vão continuar a existir até que ocorra a pacificação das escolas” ( ver entrevista). Estes movimentos não terão a «mentalidade e a estratégia» de D. Afonso Henriques nas lutas com o seu primo D. Afonso VII, ao agir por impulsos e segundo as suas conveniências, mas estão aí para se fortalecer, porque eles têm as «ementas» e sabem com «cozinhá-las». Para já avançam para a segunda conquista do «castelo» de Lisboa. A jornada é decisiva. Boa sorte".

Ribeiro Alves

O novo presidente da CCAP em discurso directo

"Alexandre Ventura, Presidente Conselho Avaliação Professores

Correio da Manhã – Foi nomeado presidente do Conselho Científico para a Avaliação de Professores. Quais os seus objectivos?
Alexandre Ventura – Toda a minha acção será no sentido de introduzir serenidade e diálogo no processo, que está com bastante ruído. O modelo pode ser objecto de melhoria com o contributo de todos. Cabe--nos encontrar as melhores soluções e apresentá-las à tutela, que decidirá se as adopta.
Num congresso na Madeira teve "posicionamentos críticos" face ao actual modelo...
– Não tenho consciência exacta das palavras que proferi, mas qualquer modelo é passível de melhoria.
Os professores queixam-se de falta de tempo para os alunos.
– Provavelmente é um dos aspectos que poderão ser sujeitos a alguma melhoria, para tornar o modelo mais eficaz e eficiente, atingindo o mesmo objectivo com menos dispêndio de energia e maior concentração no trabalho com os alunos.
Qual a autonomia de um Conselho a que a ministra preside se assim entender e com voto de qualidade?
– Foi em face desta configuração que aceitei o desafio e seria despropositado criticar. Não imagino que o órgão tivesse desenvolvido a sua actividade de forma menos livre. Não me parece que seja essa a atitude da tutela.
O Conselho fez recomendações críticas sobre o modelo e saíram a presidente Conceição Castro Ramos e Matias Alves...
– A presidente saiu por aposentação e Matias Alves porque deixou de ser professor titular.
É estranho ser nomeada e meses depois aposentar-se.
– São especulações. Não conheço declarações de Conceição Castro Ramos que refiram outra motivação para a saída.
Como encara a manifestação de professores de sábado?
– São aspectos de ordem política. Outros países viveram este fenómeno há 10/15 anos quando mudaram o paradigma da avaliação".

Bernardo Esteves
Correio da Manhã

O fim dos chumbos



Retirado daqui: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/57634.html

segunda-feira, novembro 03, 2008

Escolas não pagam horas extraordinárias

Mário Nogueira, Secretário-geral da Fenprof, fala ao CM sobre o descontentamento dos docentes com a carga horária de trabalho.
Correio da Manhã – Os professores estão descontentes com a carga horária de trabalho?
Mário Nogueira – Claro que sim! Todos nós sentimos que está a ser cometida uma série de ilegalidades quanto à excessiva carga horária de trabalho a que estamos submetidos.
De que ilegalidades estamos a falar?
– As ilegalidades que estão a ser cometidas têm a ver, por exemplo, com o número de horas excessivas de reuniões dos professores e com a utilização de horas extraordinárias dentro do estabelecimento de ensino para funções de coordenação pedagógica.
Como está a ser a posição dos estabelecimentos de ensino nessas situações?
– Não estão a agir, pelo contrário. As escolas não pagam as horas extraordinárias e nem regularizam os horários dos docentes.
Estamos a falar de quantos docentes com excessiva carga horária de trabalho?
– Existem escolas inteiras onde estas ilegalidades se verificam. Por exemplo, a Fenprof analisou uma escola secundária do País que tem 256 professores, todos fazem hora e meia a mais de trabalho e não são pagos para tal.
A Fenprof tem recebido muitas queixas a esse respeito?
– Temos recebido inúmeras queixas diariamente, o que também pode ser explicado pelo facto de ter sido a Fenprof quem denunciou primeiro esta situação.
Como é que a Fenprof fez a denúncia?
– No dia 14 de Outubro, entregámos uma carta à sr.ª ministra da Educação na qual acusamos o Governo destas ilegalidades e de tudo o que se relacione com as mesmas. Mas a nossa luta vai continuar com a manifestação do próximo dia 8, sendo que a excessiva carga horária dos professores é um dos motivos que nos faz regressar à rua para protestar.

Joana Freire
Correio da Manhã

O milagre

"O ANO LECTIVO DE 2007/2008 ficará para sempre na história da educação em Portugal. Nunca saberemos exactamente o que se passou. Mas a verdade é que ocorreu um milagre nos resultados dos exames (do básico e do secundário) e na avaliação das escolas e dos estudantes. Centenas e centenas de escolas viram as suas médias saltar, é esse o preciso termo, de negativas e medíocres níveis para positivas e gloriosos escalões. Mais de 400 escolas que hoje exibem médias positivas em todos os exames nacionais encontravam-se há um ano na lista negra das negativas. Considerando as vinte disciplinas do secundário com mais inscritos, mais de 82 por cento das escolas têm agora médias positivas. A média nacional dos exames de matemática, negativa há um ano, é agora de mais de 12 valores! Há um ano, apenas 200 escolas conseguiam média positiva a matemática. Agora, são mais de mil! Mais de 90 por cento das escolas têm agora média positiva a matemática. Há escolas com médias a matemática de 18 valores! No conjunto das duas disciplinas, Matemática e Português, 97 por cento obtiveram média positiva! Nas oito disciplinas principais do secundário, a média positiva foi atingida por 87 por cento das escolas!
As médias da matemática, crónico cancro do sistema, eram o quadro da desonra de uma população manifestamente incapaz de contar. Pois bem! São hoje o certificado de honra e talento de um povo para o qual as equações e as derivadas deixaram de ser mistério. É possível que muitas escolas portuguesas, para já não dizer a média de todas, se situem hoje entre as mais competentes do mundo em matemática!
Muita gente ficou feliz. Professores gratificados, estudantes recompensados e pais descansados podem comemorar o feito. Nas universidades, esperam-se agora massas de alunos motivados e qualificados. Nos empregos, sobretudo na banca, nos seguros, nas empresas de engenharia e nos laboratórios científicos, esfregam-se as mãos na expectativa de receber, dentro de poucos anos, profissionais extraordinariamente preparados para as contas, o cálculo e o raciocínio abstracto. Nos jornais e nas televisões, onde os jornalistas confundem milhares com milhões e não sabem calcular uma percentagem ou uma taxa de variação, teremos, brevemente, dados exemplares e contas limpas. Começa uma nova era!
O problema é que ninguém acredita! Os interessados não escondem um sorriso matreiro! Os outros, com sobrolho enrugado, desconfiam. Como foi possível? Tanto melhoramento em tão pouco tempo? De um ano para o outro? Melhores professores? Melhores alunos? Novos métodos? Programas renovados? Mais tempo de aulas? Manuais mais bem elaborados? Nova organização curricular? Professores mais empenhados e disponíveis para passar mais horas a ensinar matemática? Mais explicações privadas? Todas estas perguntas têm necessariamente resposta negativa. Nada disso era possível num ano, nem para a maioria dos alunos e das famílias. Quem desconfia tem razão. E só encontra três explicações: os exames foram incompreensivelmente fáceis; as regras de avaliação foram extraordinariamente benevolentes; ou houve ingerência administrativa para corrigir as notas. O ministério e o governo não escapam a estas hipóteses e, se estivessem realmente interessados em conhecer o que se passa na escola, teriam impedido este bodo, não se teriam mostrado beatamente satisfeitos e teriam já procurado saber as razões do milagre. A não ser, evidentemente, que o tenham preparado e encenado.
Se, até há dias, era indispensável estudar as causas e as consequências dos maus resultados em matemática (assim como do português, da física e da química), agora passa a ser urgente estudar as causas e as consequências deste milagre. Teria sido essa, aliás, a atitude honesta de um ministério e de um governo preocupados com a educação dos cidadãos. Se ambos são estranhos a esta hipertrofia de resultados, se nenhum teve qualquer influência no processo de avaliação e se ambos estão de boa-fé, então teríamos uma decisão oficial que, de imediato, se propusesse saber as razões e os fundamentos de tal facto. Ninguém duvida de que educar mal é tão pernicioso quanto não educar. Em certo sentido, é pior. Preparar profissionais, técnicos, cientistas e professores num clima de complacência e facilidade pode ter resultados desastrosos. As expectativas criadas não são satisfeitas. As capacidades presumidas são falseadas. O desperdício social e económico é enorme. E é criada uma situação fictícia onde fazer de conta se transforma em virtude. Para tranquilidade dos contemporâneos e para desgraça das gerações futuras.
A publicação de todos os resultados nacionais, seguida da elaboração dos rankings respectivos, transformou-se num hábito, em breve será uma tradição. Ainda hoje há erros de avaliação, de apuramento e de classificação, além de que alguns tentam distorcer os resultados para dramatizar o panorama. Com o tempo, as coisas vão melhorando. Mas, depois de resistências de toda a ordem, a começar pelas de ministros, funcionários e professores, o gesto anual faz parte do calendário educativo. Tem tido consequências positivas. Há escolas, autarquias, professores e pais realmente preocupados com a percepção que todos temos deles. Querem melhorar e querem que se saiba. Não desejam ser conhecidos como as ovelhas ranhosas. Mas o efeito mais perverso foi inesperado. Tudo leva a crer que este milagre é um resultado colateral da abertura de informação. Se os resultados continuassem secretos, talvez os governantes não se tivessem ocupado do assunto. O próximo mistério é este: como conseguirão o governo e o ministério convencer a comunidade internacional (já que, pelos vistos, a nacional não lhes interessa) da justeza e da bondade destes resultados?"

António Barreto