quarta-feira, novembro 19, 2008
Balanço do debate na SIC Notícias
terça-feira, novembro 18, 2008
Aprender...com os professores
O mundo do ensino não pode estar recheado de professores que não querem trabalhar, que querem faltar, que não querem ser avaliados, que não querem que os seus alunos sejam bem sucedidos e passem de ano, que estão ao serviço de sindicatos ou oposições ao Governo.
Helena Garrido
Professores vão estar esta noite num debate na SIC Notícias
Entrega de objectivos individuais on-line
Conselho das Escolas pede à ministra que suspenda a avaliação
O documento foi aprovado por 30 votos contra 23, sendo esta mais uma posição que fragiliza Maria de Lurdes Rodrigues na sua teimosia em manter este modelo de avaliação docente. Por esta altura, a tutela já só tem o apoio da CONFAP, devido a razões que se entendem perfeitamente.
segunda-feira, novembro 17, 2008
A desmontagem perfeita relativamente à "clarificação" do Estatuto do Aluno
É só comparar o que diz o despacho com o Estatuto do Aluno.
Ponto 5 do despacho do ME: “Da prova de recuperação realizada na sequência das três semanas de faltas justificadas não pode decorrer a retenção, exclusão ou qualquer outra penalização para o aluno, apenas medidas de apoio ao estudo e à recuperação das aprendizagens, sem prejuízo da restante avaliação”.
Artigo 22.ª, 2, do Estatuto do Aluno: “Sempre que um aluno, independentemente da natureza das faltas, atinja um número total de faltas correspondente a três semanas no 1.º ciclo do ensino (…) deve realizar, logo que avaliados os efeitos da aplicação das medidas correctivas referidas no número anterior, uma prova de recuperação, na disciplina ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite, competindo ao conselho pedagógico fixar os termos dessa realização.
Artigo 22.ª, 3, do Estatuto do Aluno: “Quando o aluno não obtém aprovação na prova referida no número anterior, o conselho de turma pondera a justificação ou injustificação das faltas dadas, o período lectivo e o momento em que a realização da prova ocorreu e, sendo o caso, os resultados obtidos nas restantes disciplinas, podendo determinar:
b) A retenção do aluno inserido no âmbito da escolaidade obrigatória ou a frequentar o ensino básico, a qual consiste na sua manutenção, no ano lectivo seguinte, no mesmo ano de escolaridade que frequenta;
c) A exclusão do aluno que se encontre fora da escolaridade obrigatória, a qual consiste na impossibilidade de esse aluno frequentar, até ao final do ano lectivo em curso, a disciplina ou disciplinas em relação às quais não obteve aprovação na referida prova”.
O Ministério da Educação tem razão num ponto. O despacho é clarificador. Sobre a incompetência legislativa da sua equipa e sobre o peso político que lhe resta. Mais leve que um ovo".
Pedro Sales
A batalha dos ovos
Nada disto faz sentido trinta anos depois da Democracia. Depois de muitos governos reformarem, depois de muitos professores protestarem, depois de muitos sindicatos reivindicarem, não faz sentido que uma querela laboral se transforme numa batalha campal de ovos e tomates.
Podem os professores ter razão nos protestos contra a avaliação. Pode, até, a ministra ter razão na sua intransigência radical. Ou pode ninguém ter razão. Mas a verdade é que quando deflagra um conflito destas dimensões creio que a única solução é o debate e a discussão aberta e franca sem que o poder ganhe radicalidade nem os manifestantes a falta de gosto a que temos assistido nos últimos dias. O exercício do debate democrático não retira privilégios a quem detém o poder. Pelo contrário, enobrece-o. Assim como a exigência legítima de condições dignas de avaliação de trabalho não pode deixar indiferentes os pais de muitos estudantes que percebem a necessidade de fazer regressar à escola a tranquilidade, a alegria de aprender e também a alegria de ensinar. Professores tristes, em luta, indignados, não é o modelo de professor mais adequado às exigências do futuro. E as crianças, aqueles a quem se destina o subsistema de educação, terão de estar acima de indignações profissionais e de pesporrênciasministeriais. Neste momento tão crítico do sistema educativo, não tenho a menor dúvida de que só o regresso ao espírito da democracia, ao espírito da tolerância e da inteireza democrática, pode devolver a dignidade a todo este processo.
Há momentos da nossa vida em que é preciso parar para pensar. Julgo que o Governo e os professores chegaram a esse momento de tomar decisões que motivem os professores, que não ignorem a legitimidade do Governo mas que, acima de tudo, devolvam à escola o que é da escola: aprender".
domingo, novembro 16, 2008
sábado, novembro 15, 2008
Os sindicatos, entre governo e professores
Depois ouviu-se a voz de Manuel Alegre.
Agora, a incomodidade socialista face ao protesto dos professores estendeu-se também a António Costa, o antigo n.º 2 do Governo.
Pelo meio, até o Presidente da República, sempre parco nas palavras que lança geometricamente, veio reconhecer o "direito constitucional à manifestação".
Quer tudo isto dizer que o primeiro-ministro, por muita solidariedade que demonstre à sua colaboradora para a área da Educação e das escolas, tem um problema delicado entre mãos chamado Maria de Lurdes Rodrigues.
Com um ano eleitoral à porta, e uma maioria absoluta que as sondagens demonstram ser possível, José Sócrates não pode deixar de estar a avaliar todos os cenários. Todos.
2 . O problema não é só a segunda manifestação dos professores ter contado de novo com mais de cem mil pessoas, mobilização que não parece estar hoje ao alcance de nenhuma central sindical, apesar das condições propícias geradas pela crise.
O verdadeiro problema reside na possibilidade do iminente colapso do polémico sistema de avaliação em resultado de uma desobediência generalizada nas escolas, o que hoje também é reclamado pela Fenprof e o seu ambicioso líder, Mário Nogueira, que tem reforçado o seu peso no PCP e está na primeira linha de sucessão a Carvalho da Silva, na CGTP.
A este propósito deve dizer-se que os sindicatos têm sabido, com habilidade, não perder a orientação deste movimento, que obviamente vai muito para além de qualquer partido e é transversal às diversas correntes políticas. Essa é, aliás, a base da sua força. E é incompreensível, também por isso, a falta de tacto político revelado pela ministra.
3 . A qualidade do ensino e a paz nas escolas deveriam obrigar as partes a sentarem-se à mesa, mas aqui reside um dos dramas deste processo.
Quem, na verdade, representa este movimento? Quem pode ser parceiro fiável do Governo na resolução da crise?
Como se viu depois da manifestação de Março, os sindicatos assinaram com o Governo um acordo que não estão a cumprir porque as reivindicações dos professores os ultrapassaram. Esta é uma luta original igualmente por esse facto: talvez pela primeira vez em Portugal, são os sindicatos quem corre a enquadrar um movimento espontâneo dos trabalhadores de um determinado sector.
Este facto, no entanto, levanta o tal problema de representatividade. Se o acordo não resolveu a questão de fundo e a avaliação continua a merecer o repúdio maioritário dos professores, quem são as partes e como se encontram? Que têm os sindicatos, desta vez, para oferecer a ambos os lados na vista de uma solução - e quererão mesmo encontrá-la?
4 . Maria de Lurdes Rodrigues, por muito que desagrade a alguns professores reconhecê-lo, tem produzido trabalho à frente do ministério. É pena que se tenha deixado barricar, sem necessidade, neste preciso modelo de avaliação, cujo repúdio faz a união dos professores.
Depois de ter liderado o reconhecimento do essencial - que quem ensina deve ter um sistema que classifique, distinga e guie a progressão na carreira -, deverá igualmente entender que está a pedir mais do que aquilo que os professores podem dar nesta fase.
Chegados a este ponto, a estratégia dos pequenos passos, seguros e simples, tem de ser a marca condutora da introdução da avaliação. Haverá tempo para refinar o processo, depois de os professores se sentirem confortáveis e perceberem o que tem a ganhar com ele.
Todos os agentes deste conflito, sem excepção, precisam de assumir as respectivas responsabilidades e reconhecer o essencial: é necessário promover a qualidade do ensino e tirar os ovos das mãos dos alunos e devolver a paz às escolas.
A ministra daria um bom exemplo se descesse ao terreno e voltasse a negociar".
João Marcelino
sexta-feira, novembro 14, 2008
Angústia nas escolas
A situação é preocupante. Entra pelos olhos dentro que o desfile de uma centena e tal de milhares pela avenida da Liberdade não é um milagre dos sindicatos. Os sindicatos estão sim a aproveitar a revolta e angústia dos professores aflitos com o kafkiano dilúvio de despachos despejados pelo Ministério da Educação.
O pesadelo que se vive nas escolas não dá para acreditar: para além de reuniões esgotantes e interpretação de objectivos impenetráveis, pela confusão entre desempenho individual e actividades colectivas, os professores enfronham-se na elaboração de ‘portofolios’ com 15 separadores, que obrigam a comprar dois dossiês porque nos supermercados não há capas com mais de 12 divisões. O retrato da tragi-comédia é estar esgotado um ‘Guia de Avaliação do Desempenho do Docente’, livro de 96 páginas acompanhado de um CD-ROM com "propostas práticas para cada interveniente". Na província, onde as disponibilidades são melhores, o guia não é conhecido e poupa-se à obsessão do ‘portfolio’. À sua maneira define que o melhor para satisfazer o Ministério é dar 3 a todos os alunos.
O ensino precisa de outras mentalidades. Na situação actual é impossível tornar a ver professores públicos como aquele que há umas dezenas de anos apostou em empurrar para o liceu o filho de famílias humildes que é hoje o empresário de êxito Belmiro de Azevedo. Subir na vida tornou-se mais apertado. É preciso investir na educação dos filhos como fez a avó de Obama: meteu-o numa escola privada cara, com toda a convicção de que o primeiro presidente negro dos EUA conseguisse depois ganhar asas e com o apoio de bolsas e aplicação ao estudo concretizasse um sonho à americana com diplomas de excelência em universidades como Columbia e Harvard.
A angústia dos professores lembra para azar do País as anedotas do comunismo: dois cidadãos desesperados com o desgraçado rumo da vida perguntaram a um chefe partidário quem inventara o socialismo científico. Um político ou um cientista? A resposta foi um político. Logo um disse para o outro: "Eu não te disse, se fosse um cientista tinha experimentado primeiro em animais."
João Vaz
quinta-feira, novembro 13, 2008
Qual "pesadelo burocrático"?
"Um responsável do SINDEP revelou ao DN, ilustrando o modelo de avaliação da ministra Lurdes Rodrigues, o caso concreto de uma professora com 9 turmas e 193 alunos que vai ter que introduzir manualmente no computador 17 377 registos e fazer 1456 fotocópias, além de participar em algo como 91 reuniões. Contas feitas, a 1 minuto por registo, e visto que a professora é um Usain Bolt informático, e não dorme nem come, nem se coça, nem se assoa, inteiramente entregue à avaliação, são 290 horas, isto é, 12 dias (noites incluídas).
Já 1456 fotocópias a 1 minuto cada (tirar o papel do monte, pô-lo na bandeja da fotocopiadora topo de gama da escola, esperar que saia fotocopiado e colocá-lo noutro monte), levam-lhe mais um 1 dia (noite incluída). E 91 reuniões, também de 1 minuto, mais 91 escassos minutos. Ao todo, a professora fará a coisa em pouco mais de 13 dias (noites incluídas). Qual "pesadelo burocrático" qual quê! No fim ainda lhe sobrarão, se alguém a conseguir trazer do cemitério ou do manicómio, 152 dias para dar aulas, aprovar os 193 alunos e contribuir para as estatísticas da ministra".
Manuel António Pina, JN
O que é preciso para avaliar?
Maria José Nogueira Pinto
quarta-feira, novembro 12, 2008
Capricho e soberba
Baptista Bastos
terça-feira, novembro 11, 2008
A mentira compulsiva
A ministra dos milagres
Ou deveria ser, para quem tivesse um mínimo de humildade democrática e não confundisse firmeza com auto-suficiência e poder com mando. Se a passagem de Lurdes Rodrigues pelo ME constitui um "study case" de incapacidade técnica e autismo político, a reacção praticamente unânime dos professores em defesa da dignidade da profissão docente é um exemplo de cidadania activa cada vez mais raro no "país em diminutivo" em que nos tornámos".
Manuel Antonio Pina















