quinta-feira, novembro 27, 2008

Modelos

Áurea Sampaio
Visão

quarta-feira, novembro 26, 2008

Obviamente, demitam-se!


"Em três anos, conseguiram instalar o caos nas escolas públicas. Já não discuto as intenções, nem as causas; limito-me a registar as consequências: professores furibundos e insubordinados, que nenhum sindicato ou conselho executivo consegue já controlar; alunos nervosos e insurrectos, à espera do menor pretexto para fazerem desacatos; pais perplexos e divididos. Eu sei que o governo não desejava isto. Mas a realidade é esta e está à vista de todos. No caos, ninguém ensina e ninguém aprende e o processo educativo converte-se num pesadelo diário. As escolas públicas precisam urgentemente de paz. E precisam de um novo fôlego motivacional. Maria de Lurdes Rodrigues, Valter Lemos e Jorge Pedreira deixaram de ser parte da solução, para passarem a ser, simplesmente, o problema. Se são pessoas de bem e ainda querem o melhor para as escolas e para o país, só lhes resta um caminho: pedirem a demissão e darem o lugar a outros. E quanto mais depressa, melhor".
http://abnoxio.weblog.com.pt/

Um cadáver político


Santana Castilho
Público

terça-feira, novembro 25, 2008

segunda-feira, novembro 24, 2008

Suspensão ou simplificação?

Esta noite, no "Prós e Contras", debate-se a avaliação docente. A não perder.

domingo, novembro 23, 2008

A sorte da ministra

Expresso

Aplicar o modelo de avaliação a outras profissões

Alberto Diamantino Costa
Encarregado de Educação
Expresso

Confap - O outro parceiro

"Salvo as devidas, e raríssimas, excepções, a Educação não está a ser discutida por gente muito educada, pois não? Nem falo dos alunos indignados, já que os pobres não imaginam com quê ou com quem. Mas os jornalistas dedicam à ministra do ramo a arrogância que escondem no contacto com os restantes intervenientes da "luta". A ministra responde aos jornalistas com arrogância similar. Os professores na rua, pelo menos alguns dos que as televisões mostram, garantem que a dra. Maria de Lurdes "é feia" (sic). E Mário Nogueira, típico sindicalista indígena, dispensa comentários.
De longe, porém, o mais excêntrico dos "parceiros sociais" (desculpem o termo) é uma tal Confap, indistinguível do senhor que a preside. Se é público que a Confap é a Confederação Nacional das Associações de Pais e o presidente um sr. Albino Almeida, a natureza de ambos permanece um mistério. O que são? De onde vêm? Para onde vão? O "site"da Confap jura tratar-se de uma estrutura "independente", empenhada em "estudar os problemas relativos à formação global dos jovens" e "intervir junto dos poderes", informações algo vagas. Fora do "site", lembrei-me de dois ou três pormenores sobre a Confederação: costuma opor-se à avaliação e à reprovação das criancinhas; esforça-se por manter as criancinhas presas em "actividades extracurriculares"; defende que as criancinhas "são biologicamente nossas, mas socialmente de toda a comunidade"; certa ocasião, ameaçou processar os blogues que divulgaram o financiamento estatal que, na verdade, recebe. É pouco? Chega.
E sobra. Isto não faz um "parceiro social", faz uma paródia inadvertida dos piores delírios do ministério e dos piores pais. Em lugares menos exóticos, a Confap serviria no máximo de "sidekick", o figurante que dá as deixas essenciais às piadas. O esquisito é que ninguém, na balbúrdia egocêntrica em que o debate do ensino se transformou, aproveita as primeiras para dizer as segundas. Aqui, uma organização como a Confap é ouvida, comentada e levada a sério, o que não tem graça nenhuma. Ou tem, se formos particularmente perversos e, além disso, pudermos pagar escolas privadas".

Alberto Gonçalves
DN

sábado, novembro 22, 2008

A escola e a qualidade da educação

"Para se compreender o mal-estar que hoje grassa nas nossas escolas é preciso conhecer o que lá se passa, nas salas de aula, nos corredores, nas cafetarias, nos recreios, nas salas de professores, nos gabinetes dos conselhos executivos, sob pena de continuarmos a negligenciar a educação e a empenhar o sucesso dos nossos alunos, entendendo-se por "sucesso" tudo aquilo que possa vir a beneficiar um aluno quer em termos de aprendizagens quer em termos de atitudes e de preparação para a cidadania. Contudo, a grande ênfase tem sido dada não à procura desse conhecimento mas a outros factores de índole política, social e económica, olvidando-se que a educação de qualidade se processa nas escolas. Se a melhoria do ensino é uma prioridade, então será com base nas escolas que ela se processará e nunca através de um processo político baseado em premissas que se afastam dos interesses dos alunos, das famílias e dos professores. É da responsabilidade da comunidade escolar - professores, executivos, agentes especializados e pais - a organização de actividades multifacetadas que favoreçam o processo educativo, numa constante procura da excelência, excelência essa que só será atingida por aqueles, e só por aqueles, que fazem parte da realidade educativa que cada escola prefigura. Seja qual for a concepção de educação, a excelência só se obtém através de um processo educativo de qualidade sedeado nas escolas e não fora delas.
Este facto, geralmente reconhecido pela maioria dos professores e dos pais, continua à margem das esferas sociais e políticas, levando a mal-entendidos que, como temos tido a oportunidade de verificar, têm dominado a discussão pública. O desafio com que os professores, os alunos e os pais se têm vindo a confrontar tem-se mostrado de uma dificuldade extrema, tantas têm sido as pressões a que eles têm sido expostos, sem que elas se identifiquem com objectivos e processos educativos de qualidade. E se as expectativas e aspirações dos alunos podem, eventualmente, ser inculcadas por factores externos, será o ambiente escolar, com toda a carga que esta expressão acarreta, que virá a acentuar as suas capacidades e a moldar os seus comportamentos pela vida fora, reflectindo-se em contributos, mais ou menos positivos, nas comunidades onde vierem a inserir-se. A educação, de facto, será, assim, o resultado das aprendizagens que ocorrem durante o processo formal de ensino acrescido das experiências informais a que os alunos são expostos nas escolas. Deste modo, a maioria das aprendizagens dos alunos, bem como a sua qualidade, depende dos esforços conscienciosos, abnegados e laboriosos dos professores, sem os quais, provavelmente, a educação nunca se processará integralmente.
Assim sendo, o dilema que ora se nos coloca, com um braço-de-ferro declarado entre os professores, os alunos (e os seus pais?) e a ministra da Educação, traz consigo prejuízos avultadíssimos para os alunos e sequelas que, caso a situação continue, podem revelar-se desastrosas em termos de resultados escolares. Esta situação, sem precedentes nas últimas décadas, não emerge, subitamente, com o problema da avaliação dos professores, mas é consequência de uma política educativa infeliz que nos últimos anos tem contribuído para a degradação do ensino no País. Os erros têm-se sucedido, traduzidos numa catadupa de decisões políticas nada consentâneas com os resultados da investigação mais recente, apoiada em práticas educativas eficazes, por oposição a deliberações que, meramente, pretendem soar convincentes. Não soam. E por não soarem é que, cada vez mais, as carruagens se afastam da locomotiva ao ponto de poderem prescindir dela".

Luís de Miranda Correia
Professor Catedrático da Universidade do Minho
DN

Pacheco Pereira analisa a ministra da educação, os professores e os sindicatos


Sábado

sexta-feira, novembro 21, 2008

quinta-feira, novembro 20, 2008

Mais uma sessão de propaganda

Numa operação de charme a Ministra da Educação veio a terreiro procurar convencer a opinião pública da sua imensa bondade, apresentando um conjunto de medidas que permitem descomplicar o modelo de avaliação docente. Decidiu simplificá-lo porque finalmente percebeu (só agora?!) que as escolas estão a ter dificuldades na sua implementação, ainda que na sua douta opinião, estas dificuldades derivem da inabilidade dos professores que não o souberam interpretar. Esta simplificação em nada altera o essencial do modelo que continua a ter como objectivo único institucionalizar uma cadeia hierárquica dentro das escolas e impedir a progressão na carreira à maioria dos professores. Perante tal inflexibilidade da ministra, resta-nos continuar a lutar pela abolição deste modelo, o que permitiria o restauro da normalidade no quotidiano escolar e o recentrar da atenção dos professores naquilo que é realmente importante: ensinar.

Grande reportagem sobre a vida docente - Revista Visão (I)




Grande reportagem sobrea vida docente - Revista Visão (II)
















Ricardo de Araújo Pereira na Visão

quarta-feira, novembro 19, 2008

O "diálogo" segundo o Ministério da Educação

"(...) primeiro o ME põe a cassete a tocar, depois os restantes participantes dizem coisas distintas e o ME faz o fecho, terminando com a elaboração das conclusões do encontro, que são iguais ao conteúdo da cassete de abertura".

Anónimo

Simplesmente impressionante!


I think he Can Dance - Watch more Entertainment

Balanço do debate na SIC Notícias

O debate foi um "flop". Os colegas que nos representaram ficaram aquém das expectativas. Os aspectos mais tenebrosos deste modelo de avaliação não foram devidamente explorados. Apresentaram-se muito brandos, muito educados, aparentemente com receio de ferir susceptibilidades. Fica a impressão de que fizeram um pacto de não agressão. Em resumo: foi uma oportunidade perdida no que concerne ao esclarecimento da opinião pública.

terça-feira, novembro 18, 2008

Aprender...com os professores

"O pior cego é o que não quer ver. O Governo não pode continuar a afirmar que os professores não querem ser avaliados ou que estão a ser instrumentalizados pelas variadas oposições. Três manifestações em menos de um ano e sindicatos arrastados por movimentos independentes só podem querer dizer que a escola está a funcionar mal.
O mundo do ensino não pode estar recheado de professores que não querem trabalhar, que querem faltar, que não querem ser avaliados, que não querem que os seus alunos sejam bem sucedidos e passem de ano, que estão ao serviço de sindicatos ou oposições ao Governo.
É preciso começar a apelar ao bom senso de quem governa. A cegueira de não querer ver anda de mãos dadas com batalhas contra moinhos de vento, inimigos que se vêem por todo lado, como se quem governa estivesse isolado e fosse o único interessado na prosperidade e progresso do país. As verdades absolutas contribuem mais para o retrocesso que para o progresso, como nos revelam vários casos históricos. O permanente estado de crispação entre a ministra da Educação e os professores está a fazer pior ao ensino, nesta fase, que o bem que faria o novo estatuto ou a avaliação dos professores.
Ninguém com o mínimo de seriedade é contra a mudança na cultura da escola. Todos queremos uma escola em que o trabalho e mérito de professores e alunos sejam premiados. Todos queremos uma escola que ensine melhor e onde não se permita o que estivemos anos a ver, um grupo de professores dedicados, sem qualquer retribuição por isso, enquanto outros - em regra uma minoria - usavam o ensino como meio de ter um rendimento, ou antes, uma renda, ao fim do mês.
Querer não é suficiente para ter. É necessário conseguir concretizar as mudanças sem que a transformação destrua o património fundamental para que o novo ensino não acabe pior que o velho, apesar de todos os bons desejos.
Mudar é sempre difícil, para quem lança a mudança e para quem é alvo dela. Mas a política é isso mesmo, a capacidade de mudar o possível no tempo certo e com o mínimo de contestação. Compreendendo a dor que significa mudar para quem está no terreno e não caindo na tentação de ver em cada obstáculo mãos de opositores que apostam apenas no fracasso.
A ministra da Educação revelou desde o primeiro momento grande capacidade para lançar a mudança no ensino. Mostrou ser menos capaz em ouvir e compreender os custos da reforma no ensino, ajustando a sua velocidade ao ritmo possível da escola.
Não se muda o funcionamento de uma escola por decreto. Quando se lê o decreto regulamentar publicado em Maio deste ano e os diversos esclarecimentos do Ministério da Educação percebe-se, mesmo conhecendo mal o funcionamento actual das escolas, as dificuldades que os professores, avaliadores e avaliados, estão a enfrentar.
Uma escola onde o professor basicamente "dava aulas" não se transforma de um dia para o outro, por vontade política, numa escola participada por professores e alunos, numa organização com vida própria, com todos os procedimentos que isso exige.
É preciso abandonar a cegueira ditada pelo medo de ser dado como vencido. A escola e os professores precisam de apoio para concretizarem a mudança".

Helena Garrido
Jornal de Negócios

Professores vão estar esta noite num debate na SIC Notícias

Quatro professores vão estar esta noite na SIC Notícias, pelas 23 horas, num debate sobre a avaliação docente.

Entrega de objectivos individuais on-line

A anunciada aplicação informática para entrega dos objectivos individuais já se encontra aqui, mas é fundamental que nenhum professor proceda ao seu lançamento. Nesta fase da nossa luta deitaríamos tudo a perder se o fizéssemos. Aliás, é bom que se diga que esta medida é ilegal pois vai contra ao que a legislação diz relativamente à privacidade da avaliação.

Conselho das Escolas pede à ministra que suspenda a avaliação

A maioria dos professores presentes ontem na reunião do Conselho de Escolas com a ministra da Educação aprovou um documento pedindo à tutela que suspenda o processo de avaliação de desempenho.
O documento foi aprovado por 30 votos contra 23, sendo esta mais uma posição que fragiliza Maria de Lurdes Rodrigues na sua teimosia em manter este modelo de avaliação docente. Por esta altura, a tutela já só tem o apoio da CONFAP, devido a razões que se entendem perfeitamente.

segunda-feira, novembro 17, 2008

A desmontagem perfeita relativamente à "clarificação" do Estatuto do Aluno

"O Governo emitiu ontem um despacho para “clarificar” o Estatuto do Aluno. Clarificar é um eufemismo. O despacho altera materialmente o disposto na lei e cede às pretensões dos estudantes e oposição, pondo um ponto final no exame com carácter reprovatório para os alunos com faltas justificadas. Para salvar o que resta da face de um ministério moribundo, o secretário de Estado responde que a confusão teve origem nas escolas. Os regulamentos “não eram claros sobre essa questão”, diz Valter Lemos. Mesmo a desonestidade intelectual tem limites. O Estatuto do Aluno é bem claro e permitia, até hoje, a reprovação dos alunos com faltas justificadas.
É só comparar o que diz o despacho com o Estatuto do Aluno.

Ponto 5 do despacho do ME: “Da prova de recuperação realizada na sequência das três semanas de faltas justificadas não pode decorrer a retenção, exclusão ou qualquer outra penalização para o aluno, apenas medidas de apoio ao estudo e à recuperação das aprendizagens, sem prejuízo da restante avaliação”.

Artigo 22.ª, 2, do Estatuto do Aluno: “Sempre que um aluno, independentemente da natureza das faltas, atinja um número total de faltas correspondente a três semanas no 1.º ciclo do ensino (…) deve realizar, logo que avaliados os efeitos da aplicação das medidas correctivas referidas no número anterior, uma prova de recuperação, na disciplina ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite, competindo ao conselho pedagógico fixar os termos dessa realização.

Artigo 22.ª, 3, do Estatuto do Aluno: “Quando o aluno não obtém aprovação na prova referida no número anterior, o conselho de turma pondera a justificação ou injustificação das faltas dadas, o período lectivo e o momento em que a realização da prova ocorreu e, sendo o caso, os resultados obtidos nas restantes disciplinas, podendo determinar:

b) A retenção do aluno inserido no âmbito da escolaidade obrigatória ou a frequentar o ensino básico, a qual consiste na sua manutenção, no ano lectivo seguinte, no mesmo ano de escolaridade que frequenta;

c) A exclusão do aluno que se encontre fora da escolaridade obrigatória, a qual consiste na impossibilidade de esse aluno frequentar, até ao final do ano lectivo em curso, a disciplina ou disciplinas em relação às quais não obteve aprovação na referida prova”.

O Ministério da Educação tem razão num ponto. O despacho é clarificador. Sobre a incompetência legislativa da sua equipa e sobre o peso político que lhe resta. Mais leve que um ovo".

Pedro Sales
http://arrastao.org

A batalha dos ovos

"O país das escolas está a ferver. Os professores nas ruas. Os estudantes encerram escolas. A ministra promete que não verga. O primeiro-ministro promete que verga. Os sindicatos estão de cabeça perdida. O governo embasbacado. O Presidente da República vem pedir que tenham calma. Faz-me lembrar um adepto a pedir calma a uma claque enfurecida. A verdade é que as imagens que chegam espelham um conflito grave e revelam episódios bem tristes com estudantes, desbragados, a atirar ovos contra membros do Governo.
Nada disto faz sentido trinta anos depois da Democracia. Depois de muitos governos reformarem, depois de muitos professores protestarem, depois de muitos sindicatos reivindicarem, não faz sentido que uma querela laboral se transforme numa batalha campal de ovos e tomates.
Podem os professores ter razão nos protestos contra a avaliação. Pode, até, a ministra ter razão na sua intransigência radical. Ou pode ninguém ter razão. Mas a verdade é que quando deflagra um conflito destas dimensões creio que a única solução é o debate e a discussão aberta e franca sem que o poder ganhe radicalidade nem os manifestantes a falta de gosto a que temos assistido nos últimos dias. O exercício do debate democrático não retira privilégios a quem detém o poder. Pelo contrário, enobrece-o. Assim como a exigência legítima de condições dignas de avaliação de trabalho não pode deixar indiferentes os pais de muitos estudantes que percebem a necessidade de fazer regressar à escola a tranquilidade, a alegria de aprender e também a alegria de ensinar. Professores tristes, em luta, indignados, não é o modelo de professor mais adequado às exigências do futuro. E as crianças, aqueles a quem se destina o subsistema de educação, terão de estar acima de indignações profissionais e de pesporrênciasministeriais. Neste momento tão crítico do sistema educativo, não tenho a menor dúvida de que só o regresso ao espírito da democracia, ao espírito da tolerância e da inteireza democrática, pode devolver a dignidade a todo este processo.
Há momentos da nossa vida em que é preciso parar para pensar. Julgo que o Governo e os professores chegaram a esse momento de tomar decisões que motivem os professores, que não ignorem a legitimidade do Governo mas que, acima de tudo, devolvam à escola o que é da escola: aprender".

Francisco Moita Flores

Correio da Manhã

domingo, novembro 16, 2008