sexta-feira, janeiro 09, 2009

João Dias da Silva, Secretário-geral da FNE, fala ao CM sobre o chumbo da suspensão da avaliação dos professores no Parlamento.

"Correio da Manhã – Ficou surpreendido com o chumbo da suspensão da avaliação de professores no Parlamento?
João Dias da Silva – Não muito. No âmbito parlamentar intervêm outras lógicas, que têm a ver com a vivência político-partidária, daí ter havido votações em sentido diverso. Foi uma grande oportunidade que se perdeu para voltar a tranquilizar as escolas.
Dia 23 a avaliação volta ao Parlamento pelo CDS-PP...
– Sei que o projecto de lei já deu entrada hoje (ontem) mas ainda não conheço o teor.
Acha que há um esmorecimento da luta dos professores?
– Os sinais que nos chegam são de um fortíssimo apoio no sentido de termos dia 19 uma grande greve, que acho que andará em patamares próximos da anterior.
Como comenta as ameaças de processos disciplinares?
– As declarações de Jorge Pedreira tiveram uma lógica intimidatória e não têm suporte legal.
Os sindicatos ponderam fazer greve por tempo indeterminado?
– Não está na nossa agenda. Estamos a preparar a jornada nacional de reflexão dia 13 e a greve de 19".

quinta-feira, janeiro 08, 2009

A incompreensível e reprovável atitude de Manuel Alegre

"Manuel Alegre é contra este modelo de avaliação dos professores, já votou contra ele e diz que se mantém solidário com a luta dos sindicatos. Então, esta quinta-feira, vai votar novamente contra a lei, certo? Errado. Já votou uma vez contra mas não volta a votar, quer a suspensão do modelo mas não o vai suspender, exige a mudança da lei mas não é ele que a vai mudar.
Este estilo Manuel Alegre na versão Gato Fedorento não é novo. O deputado do PS diz que mantém a posição que o levou, em Dezembro, a votar contra o modelo, mas agora não o fará - apesar de "continuar solidário" - porque não se deixa "instrumentalizar". E o que é que o deputado entende por "instrumentalizar"? Ajudar a oposição a aprovar uma lei contra o Governo. Entre o início de Dezembro e o início de Janeiro houve uma mudança fundamental. Antes não havia hipótese de aprovar a lei que suspende a avaliação, agora há. Os portugueses já perceberam uma coisa: podem contar com Manuel Alegre para falar. Quando as suas palavras podem ter consequências, aí não contem com ele. É por isso que lhe chamam o deputado poeta".

Sábado

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Exemplo a seguir

A Escola Infanta D. Maria de Coimbra decidiu manter suspenso o processo de avaliação docente. Ora aqui está uma excelente resposta às ameaças de Jorge Pedreira. Sendo uma escola com grande visibilidade a nível nacional, por força da sua posição nos rankings, pode ser que esta tomada de posição leve outras escolas a seguir o mesmo caminho. É fundamental que o ME perceba que os professores estão unidos e não se deixarão acobardar. Vamos ser coerentes com todas as posições tomadas até aqui e pôr os interesses da classe acima dos interesses individuais. Só assim conseguiremos ganhar este braço de ferro com o governo socialista. Doutra forma, deitaremos tudo a perder e nunca mais levantaremos a cabeça.

terça-feira, janeiro 06, 2009

A entrevista de Sócrates

"1. Não há a confissão de um erro, sequer um simulacro de humildade: só o permanente auto-elogio. Em entrevista à SIC, esta noite, José Sócrates foi igual a ele próprio: encheu a boca de propaganda, usou e abusou do pronome "eu" e até pretendeu dar uma lição de Direito Constitucional. O que diz tudo sobre o seu estilo de governação.
2. Muito bem conduzida por Ricardo Costa e José Gomes Ferreira, a entrevista foi percorrida pelos habituais chavões socráticos, quase tão repetitivos como a velha cassete do PCP. Lá vieram as inevitáveis referências à "banda larga", à "protecção do emprego", ao "investimento nas rodovias". E as "medidas", as célebres "medidas" repetidas até à náusea. Como os "seiscentos quilómetros de auto-estrada", eventualmente destinados a esvaziar ainda mais o interior do País. E também a "reduzir as mortes" no asfalto, alegação que merece figurar em qualquer manual de demagogia. Vai longe o tempo em que o PS clamava contra a "política do betão" praticada por outros.
3. Do essencial, quase nada ficou respondido. É certo que "tudo aponta para um cenário de recessão, reconheceu o primeiro-ministro com o ar casual de quem anuncia que amanhã vai chover. Também é verdade que em Setembro, quando elaborou o Orçamento de Estado para 2009, este governo tão perspicaz não fazia a mais pálida ideia da "profundidade da crise". E é inegável que desde 2005 o investimento estrangeiro em Portugal caiu, a dívida externa atinge hoje uns astronómicos 150 mil milhões de euros e a cada trimestre há mais 63 mil pessoas a acorrerem aos centros de emprego. Nada disto rouba por um instante a estudada convicção de Sócrates, que pedirá a maioria absoluta nas próximas legislativas: "A única certeza que tenho é a de merecer a vitória." Porreiro, pá".

Ministério da Educação aperta o cerco

"No dia em que foi publicado o decreto que simplifica a avaliação do desempenho, o Governo avisou que o processo tem mesmo de avançar. Agora, os avaliadores que não o apliquem podem ser substituídos e os avaliados que não realizem a sua auto-avaliação podem ser punidos nas escolas.
Os professores que não realizem a sua auto-avaliação podem ser alvos de processos disciplinares, revelou ao DN o secretário de Estado adjunto e da Educação. Jorge Pedreira frisa assim que os docentes que rejeitem ser avaliados podem não só ser prejudicados em termos de progressão da carreira mas também alvo de inquéritos. Durante o dia de ontem, em que foi publicado em Diário da República o decreto que simplifica a avaliação do desempenho, o secretário de Estado avisou que os avaliadores podem ser demitidos dos cargos caso não façam avançar o processo. As escolas têm agora, desde ontem, 10 dias para afixar o calendário da avaliação - prazo em que os conselhos executivos são obrigados a informar se os seus professores querem ser avaliados na componente lectiva, por um professor da sua área disciplinar, ou se querem repensar os seus objectivos individuais, depois da apresentação das simplificações do processo".

DN

domingo, janeiro 04, 2009

Pequenos ditadores

Carta da Semana
Expresso

Não existe capacidade, nem vontade, de combater a indisciplina

"São as explicações que se seguiram à publicitação do vídeo que fazem soar o alarme. Fica a sensação que não existe capacidade, nem vontade, de combater a indisciplina.
1- "Vê lá tu o que estes malucos fizeram - apontaram-me uma pistola e não me deixaram acabar o que estava a fazer", terá dito a professora para a presidente do Conselho Executivo. "Ó professora, desculpe, sabe que somos uns brincalhões", terão retorquido os alunos. Feito assim o relato do que acontecera na sala de aula, tendo em conta que os alunos são "normais e simpáticos" e que a própria professora "é muito brincalhona", o caso foi "arquivado". Afinal fora "uma brincadeira que toda a gente faz".
O que deu origem a estas explicações foi a divulgação de um vídeo em que um grupo de alunos da Escola Secundária do Cerco do Porto aponta uma arma de plástico a uma professora, exigindo melhores notas. Mexem-lhe nos cabelos e ensaiam poses de pugilista, cerrando os punhos. A professora ameaça marcar faltas disciplinares a todos, mas a "brincadeira" não acaba. A cena termina com a professora, impotente, abandonando a sala de aula.
O vídeo é um documento poderoso sobre o descontrolo a que chegaram algumas salas de aula. Mas são as explicações que se seguiram que fazem soar o alarme. Fica a sensação de que não existe capacidade, nem vontade, de combater a indisciplina. O vídeo põe a nu o pouco respeito que os alunos demonstram pelos professores. A forma como estes decidiram ignorar o que se passou põe a nu o pouco respeito que têm por si próprios e pela nobre e difícil missão de ensinar e educar. Para além de um inquérito ao que se passou na sala de aula é preciso um outro inquérito ao que se passou a seguir. Já não com o objectivo de punir, mas com o objectivo de identificar procedimentos errados e alterá-los".

Rafael Barbosa, JN

sábado, janeiro 03, 2009

Nogueira com sabor a eucalipto

"É triste o país que não consegue avaliar a qualidade dos profissionais que ensinam e avaliam os seus filhos. Agora já pouco interessa saber quem tem razão, os professores venceram. A maioria não queria ser avaliada e é isso que está acontecer.
Temos de reconhecer que alguma razão os professores hão-de ter. Parece que o processo de avaliação é muito complicado, a necessitar de um sistema informático que retire aos avaliadores a carga emotiva.
Duas manifestações, duas, com mais de 100 mil pessoas na rua, mostram que gente como eu ou a ministra da Educação não podem ter toda a razão contra toda a gente. Alguma coisa falhou no sistema proposto e aceite pelos sindicatos.
É nos sindicatos, aliás, que está o problema. Estão longe de aceitar o poder e muito longe de compreender a motivação desses professores que estão disponíveis a vir para a rua. Percebo que a maioria dos professores se mostre tão indignada com o Ministério como com os sindicatos.
É lamentável, indigno até, a forma como Mário Nogueira - líder da Fenprof - aproveita este movimento para fazer o seu caminho dentro do PCP, rumo à liderança da CGTP. Como custa aceitar, embora se perceba melhor, que a Oposição se 'cole' ao movimento, tentando capitalizar o descontentamento, sem cuidar de saber como pode o país sair a ganhar.
Mário Nogueira foi o dirigente sindical que assinou um acordo com o Governo, tentando aparecer como o vencedor da manifestação de Março. Rapidamente percebeu que tinha dado um tiro no pé e fez uma pirueta, dando o dito por não dito.
O senhor que me desculpe, mas parece um nogueira com características de eucalipto. Seca tudo à sua volta. Só ele existe, há muito que deixou de ser professor para ser, em exclusivo, sindicalista. Um sindicalista que pede para ele o que sabe não ser direito dos outros.
Convém que a memória não seja curta. Há sete anos, a Fenprof convocou uma paralisação em que os professores que aderiram ficaram sem o salário nesse dia, mas Nogueira foi até à última instância - onde perdeu - para receber o dia de salário que sabia não poder ser pago aos camaradas de profissão que paralisaram por sua proposta.
Nogueira faz a luta pela luta, para ele parece fazer pouco sentido o colectivo, por mais que essa seja a sua matriz ideológica. O país pouco importa, o sistema de ensino é secundário, ele cresceu no sindicalismo porque não desarma e sabe que importante é o fim, pouco importam os meios. Acontece que o fim é a promoção do PCP e a via sindicalista.
Por estes tempos, as coisas não lhe correm de feição tanto como parece. Os professores convencem cada vez mais gente sobre a justiça da sua luta e afastam-se na mesma distância de Maria de Lurdes Rodrigues e de Mário Nogueira. Uma e outro, convencidos da sua razão, dão passos em frente em direcção ao abismo.
Ao PSD, PCP e Bloco convém também deixar um aviso: O povo não é burro, não basta fazer uma declaração ou esperar na beira do passeio acenando para os manifestantes para ter razão. O povo que vota, quando está descontente com o rumo do país, quer alternativas viáveis. E, sobre a avaliação dos professores, que alternativas propõe a Oposição? Suspenda-se! Sabe a pouco e dá em nada".

Paulo Baldaia
JN

Ricardo Araújo Pereira analisa o episódio da escola do Cerco


sexta-feira, janeiro 02, 2009

O Magalhães é o que nos vai salvar. Com o pais a afundar temos um computador à prova de água.

Dizer que os assessores só trabalham com o "Magalhães", é um insulto aos próprios assessores. É verdadeiramente inacreditável, como é que ainda há tanta gente a dar crédito a este indivíduo.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

A "Sábado", sempre na linha da frente, na campanha de descredibilização dos professores


Cavaco promulgou diploma sobre a avaliação de professores

O Presidente da República promulgou, no último dia de 2008, o diploma sobre a avaliação de desempenho dos professores.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Ainda o Cerco

"O triste episódio da Escola do Cerco, no Porto – com um miúdo a gritar "dás-me positiva ou levas um tiro" –, foi desvalorizado porque as crianças, parece, podem fazer o que lhes apetece. Mas dá uma ideia – mais uma – do que o Ministério ignora sobre a vida das escolas. Tendo abandonado os professores em vez de atacar, como devia, a corporação que abunda pelos corredores e gabinetes do Ministério, Maria de Lurdes Rodrigues escolheu o alvo mais fácil e o mais errado.
Os professores são a instituição que resta de uma escola despedaçada e desprotegida, alvo fácil de associações de pedagogos, de pais, de políticos e de energúmenos. Diante da cena macabra divulgada em vídeo, devia-se defender a professora ameaçada, e não desculpar os patifes. Estamos num Mundo de pernas para o ar".

Francisco José Viegas

domingo, dezembro 28, 2008

Ano dos professores

"O ano de 2008 foi o ano dos professores em Portugal. As suas tarefas aumentam todos os dias.
Dão aulas, organizam a sua escola, abrem-na ao meio, dialogam com os pais, guardam as crianças durante o horário laboral em crescendo, tentam disciplinar os jovens numa sociedade opulenta de casos de vigarice económica e de violência. Além disso, têm de perceber a psicologia do aluno e até distinguir, num ápice, se uma pistola apontada à cabeça, na aula, é verdadeira ou falsa. Reparem que nem falo do estatuto da carreira ou da avaliação.
Estes foram porém os temas que encheram as ruas e esvaziaram as escolas em 2008. Este ano foi o ano em que o Estado se distanciou dos professores da escola pública e a Igreja Católica se aproximou deles. Assim começam as novas eras".

José Medeiros Ferreira
Correio da Manhã

O Cerco

"Acho que já todos viram o filme. Numa escola do bairro do Cerco, no Porto, um bando de "alunos" do 11.º ano aponta uma pistola de plástico à professora de Psicologia e exige notas positivas (com sucesso, viu-se depois). Um "aluno" com vocação jornalística filma a cena com o telemóvel e põe-na a circular na Internet. O país indigna-se durante a ressaca natalícia. O sindicalista Nogueira interrompe a preparação de greves e abaixo-assinados nunca vistos para emitir uns protestos vagos. A presidente da escola em questão define o episódio como "uma chatice". A directora da DREN chama-lhe "uma brincadeira de mau gosto". Uma mãe local garante que "os jovens de 17 e 18 anos são assim". Um representante das associações de pais culpa a DREN por não impedir os telemóveis nas salas de aula.
Se bem se percebe, o consenso geral determinou não ser grave que estudantes criativos simulem um ataque armado a uma docente. Aparentemente, também não será grave que, segundo testemunhos diversos, a maioria dos ataques em escolas não sejam simulados e decorram com relativa frequência e armas reais. Grave, gravíssimo é que as versões filmadas dos acontecimentos irrompam por aí ao desbarato.
Sinto-me obrigado a concordar. O caso do Cerco é um mero sintoma do estado do ensino público. A "luta" entre professores e ministério é outro. Se as causas da miséria não cabem neste texto, a cura não cabe na realidade: a educação desceu a um buraco do qual, por incrível que pareça, nem os incontáveis méritos do computador Magalhães a conseguirão resgatar. Dissolvidos os últimos vestígios de disciplina, exigência curricular e tino, o "sector", para usar uma expressão corrente, abandonou há muito os motivos que começaram por justificar a sua existência. Hoje, com variações de grau que não comprometem o cenário geral, existe somente para distribuir empregos e remover fedelhos do mundo exterior. Lá dentro, no mundo "deles", decorre uma encenação ficcionada ou verídica da violência, da resignação e da apatia. Não é um espectáculo bonito de se ver, logo não há motivos plausíveis para que o vejamos.
Hipocrisia? Uma dose moderada nunca matou ninguém. E se matar ou magoar um bocadinho nós não sabemos".

Alberto Gonçalves
DN

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Violência nas escolas

"Costuma dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras e de facto as imagens de alunos a apontarem uma arma a uma professora da Escola do Cerco, no Porto, falam por si. A pistola é de plástico, mas esse é um pormenor num bairro em que a facilidade de encontrar uma arma real é semelhante à de um brinquedo. Enquanto um adolescente apontava a arma, outro ensaiava golpes de boxeur e a professora ameaçava com faltas disciplinares.
Tal como na agressão da Escola Carolina Michaelis, este caso só é do conhecimento público porque um aluno filmou com o telemóvel e as imagens foram colocadas na internet.
Se não existissem as imagens, estes casos não passariam de pequenos episódios. Provavelmente nem haveria inquéritos internos nas escolas. Quantas vezes os professores são humilhados na sala de aula sendo estes incidentes desvalorizados como 'brincadeiras de mau gosto, como chamou a directora da DREN a este caso do Cerco. A profissão de professor é das actividades mais nobres. Mas infelizmente os docentes têm vindo a perder prestígio e autoridade.
Urge devolver autoridade aos professores. Não haverá educação de qualidade se não houver professores respeitados. E a educação é a única arma que pode evitar que as novas gerações mergulhem na pobreza".

Armando Esteves Pereira, Correio da Manhã

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Segundo a Presidente do Conselho Executivo, os alunos até são bastante simpáticos

Alunos simulando intimidação de uma professora com uma arma de plástico e gestos agressivos, estragou as férias de uma turma do Agrupamento Vertical do Cerco do Porto. Para ver aqui.

terça-feira, dezembro 23, 2008

John Hiatt - Have A Little Faith In Me

Jorge Pedreira, o careca

Alexandre Pais
Sábado

Conselhos Executivos organizam-se para “reflectirem” e “acertarem posições” sobre avaliação de professores

"Um grupo de presidentes de conselhos executivos (CE) de escolas da Região Centro está a organizar uma reunião inédita, de representantes dos órgãos de gestão de estabelecimentos de ensino de todo o país, para “reflectir” “e acertar posições” sobre o modelo de avaliação de desempenho dos professores, soube o PÚBLICO.
A iniciativa partiu dos CE de 20 escolas de Coimbra, mas conta com a colaboração de representantes dos órgãos de gestão de estabelecimentos escolares de Viseu e de Santarém para fazer reunir, já no início do segundo período, todos os que se sentem “preocupados” com o actual “clima de intranquilidade”.

Público

sexta-feira, dezembro 19, 2008

A deterioração do regime democrático, os professores e uma lúcida e sensata opinião

"Em estudo recente sobre a “Reforma institucional em Portugal, perspectiva das elites e das massas”, da autoria de André Freire, Manuel Meirinho e Diogo Moreira, dá conta que 71.5 % dos eleitores não “estão satisfeitos com a qualidade da democracia em Portugal”( esta era a pergunta) e somente 28.5% afirma “estar satisfeita com a democracia em Portugal”. Em 1999 o “grau de satisfação com o regime democrático” era de 35%, enquanto em 1985 atingiu 40%. Em traços gerais, e sem esgotar o estudo, que concluir deste trabalho de André Freire, Manuel Meirinho e Diogo Moreira? Que o descrédito tem vindo a acentuar-se e a insatisfação com o regime democrático é a mais alta dos últimos 23 anos… Logo, algo vai mal no “reino da democracia”.
Na realidade, a satisfação das pessoas relativamente ao regime democrático passa, entre outros aspectos, pela resposta que este regime consegue prestar a questões como a habitação, a saúde, o apoio digno à terceira idade, a qualidade de vida, o ambiente, a criação de postos de trabalho e a consequente empregabilidade, a inserção e o bem-estar dos cidadãos na sociedade, a eficácia e a funcionalidade dos serviços, o apoio estatal às pequenas e médias empresas no sentido de as revitalizar… Sem esquecer uma política educativa que prepare adequadamente os jovens - cidadãos futuros deste país - para as variadas funções nos diversos sectores. E quem tenta preparar esses jovens? Naturalmente que os professores, ministrando-lhes conhecimentos, saberes, competências. Educando-os para a cidadania no pleno uso de comportamentos cívicos civilizados que permitem o bom relacionamento e o respeito mútuo na sociedade em que estão inseridos.
Hoje que vemos? Professores a serem acossados e violentados pelo ministério da educação com a descabelada avaliação “sem pés nem cabeça”, onde impera a burocracia, a injustiça, a trapalhada e onde a cizânia e o mau relacionamento inter pares começa já a ser uma realidade tangível. No entanto, da parte do ministério, as medidas economicistas são o principal escopo. De resto a putativa avaliação surge mais como manobra de diversão que se destina a deitar poeira nos olhos para distrair os portugueses do problema fulcral que é, na generalidade, o depauperamento e os problemas graves com que se debate o país e, em particular, o problema do actual sistema educativo, incidindo, ou pretendendo incidir as atenções sobre a classe profissional. Culpando-a. Pretendendo atingi-la na sua honorabilidade e dando a entender que com a execrável avaliação o sistema educativo melhorará, o que é falso. Não se esqueça que muitos alunos com comportamentos derrancados, desembestados, indisciplinados, violentos, continuam impunemente a perturbar o desenrolar das actividades nas salas de aulas, colocando os professores num ambiente desagregador, numa tensão permanente. Junte-se a cultura relaxada, laxista, permissiva e o “faz de conta que o aluno tem proveito”, estimulado pelo próprio ministério da educação que “não quer que os alunos chumbem” pois ficam muito caros ao Estado… Os alunos, numa visão romântica, lírica e puramente na linha do eduquês, “têm todos a mesma capacidade” e ao professor compete, por artes de prestidigitação e magia, exercer o “modus faciendi” para o pleno sucesso educativo. Não esquecendo as turmas de poucos alunos interessados, amalgamados com alunos inteligentes, normais, portadores de deficiências com maior ou menor gravidade, oligofrénicos, hiperactivos, malcriados, perturbadores… Para que servem os professores de educação especial? Por que têm os professores do ensino normal, de trabalhar com alunos a necessitarem, urgentemente, de necessidades educativas especiais? Foi contra este estado de coisas, que a súcia medíocre que está aboletada no ministério não resolve e não se cansa de destruir, a que se juntou a astuciosa invencionice da disparatada e disfuncional avaliação - medida puramente economicista, não será demais repetir - que se insurgiram os docentes nas grandiosas manifestações de Março e Novembro, revelando a sua “indignação”. O tal “direito à indignação” de que fala o sr. doutor Mário Soares, a “reserva moral e ética” da Pátria. Pois este indefectível demófilo aburguesado do “socialismo de lagosta” não teve pejo, num comentário inserido na pág. 2 do “Diário de Notícias” do pretérito dia 11 de Dezembro, afirmar que a simpática ministra “ tem uma orientação e tem sentido de responsabilidade e até uma coragem invulgar. Eu aprecio as pessoas de coragem”. Soares dixit (possivelmente o doutor Soares estaria também a pensar na coragem de Salvador Allende que resistiu a Augusto Pinochet; ou na coragem de Hugo Chavez que resiste ao imperialismo do tio Sam; ou em Fidel Castro que resistiu aos americanos; ou, até, na coragem de António de O. Salazar que resistiu aos terroristas, quando, em 1961, massacraram colonos, mulheres e crianças brancas, enviando as nossas forças armadas para a chacina não continuar e para defender os portugueses, independentemente da cor da pele, que labutavam nas colónias).
Então para este demófilo, as duas grandiosas manifestações de milhares e milhares de professores não “ tiveram uma orientação e um sentido de responsabilidade e até uma coragem invulgar” ao manifestarem-se contra a Medusa da educação? Então para este demófilo das “grandes causas”, não terão sentido de responsabilidade as palavras do sr. doutor João Lobo Antunes, distinto e simpático neurocirurgião, verdadeiro gentlemen, que afirmou numa recente entrevista que (e passo a citar): “conheço bastantes professores e nestes últimos meses não vi nenhum feliz”. Então para este demófilo, o facto de a Conferência Episcopal reconhecer como justa a luta dos professores, “não tem sentido de responsabilidade e coragem”? Então para este demófilo, a tomada de posição da srª drª Maria do Rosário Gama - (detentora de cartão socialista!), presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Infanta Dª Maria de Coimbra (a melhor escola pública do país no ranking nacional)-, arrasando este injusto, desmedido, inexequível e desconchavado sistema avaliativo não” tem sentido de responsabilidade e coragem invulgar”?
O sr. dr. Mário Soares ignora e desconhece o que se passa nas escolas públicas, mas, no entanto, fala, fala e aprecia “pessoas de coragem”… Melhor seria que apreciasse a abnegação, a disponibilidade e o sacrifício dos professores portugueses que lidam, diariamente, com alunos desrespeitadores, desordeiros, malcriados, indisciplinados, insolentes, boçais e violentos. E a culpa é, em muitos casos, dos pais que não os educam, não lhes modelam valores e referências, nem estarão para aí virados! O tempora! O mores!
À guisa de conclusão não posso deixar de reproduzir parte de um artigo do Prof. Doutor Soares Martinez (que o dr. Soares por certo muito apreciará) escrito num semanário no pretérito dia 25 de Novembro. Em vez de “apreciar a coragem” de Lurdes Rodrigues (qual coragem? Sim teimosia, arrogância, desprezo), o Professor Martinez faz a justiça de compreender os professores, escalpelizando a verdadeira origem de todo este mal-estar difuso e demolidor. Vale a pena transcrever parte do seu texto intitulado,”Quando os professores estão inocentes”, máxime a parte 3,”O caos do ensino não é imputável aos professores”. Afirma o Professor(...)”no seu conjunto, trata-se de uma classe profissional e social que a nação deverá especialmente acarinhar em termos de prosseguir, paulatinamente, com compreensão por alguma via que possa ainda conduzir a soluções de equilíbrio, de razoabilidade. No plano do ensino, a tarefa mais delicada, mais morosa, respeita à cautelosa formação de docentes. E os erros que aí se cometem repercutem-se por longos períodos. EM QUALQUER CASO, O ACTUAL CAOS DO ENSINO NÃO PODE SER ATRIBUÍDO AOS PROFESSORES. Resulta de um ambiente geral de indisciplina, de inconformismo, de impaciência, que, naturalmente, mais perturba os jovens de idade escolar do que a gente madura. Mas nem um mínimo de aproveitamento do ensino é exigível quando o professores ficam forçados a subordinarem-se a programas e compêndios inteiramente desajustados ao meio nacional, quando não se acham em condições de impor alguma ordem e alguma compostura nas próprias aulas, quando têm de dar por aprovados examinandos, ou frequentadores das escolas, ou meros inscritos nelas, contra a sua própria consciência de docentes-examinadores. A condição de professor passou a ser deplorável, a vários títulos. E, pela degradação das escolas públicas, sobretudo, o ENSINO TORNOU-SE OSTENSIVAMENTE ANTI-DEMOCRÁTICO, como nunca o fora antes. Porque quase só conseguem realmente aprender os filhos de gente rica, orientados por explicadores de satisfatória preparação e assídua aplicação; assim como aqueles que dispõem de um ambiente familiar de bom nível cultural, acrescido de disponibilidades bastantes para encaminhamento dos mais jovens. Mas os professores, colectivamente, estão inocentes. São as vítimas, em primeiro escalão, do caos do ensino, que a todos agrava, que a todos ofende, porque afecta e corrói os mais diversos aspectos da vida nacional”.
Mais palavras para quê? Está tudo dito".

António Cândido Gavaia
Semanário Transmontano

Sopa de Pedra

"Nos anos de chumbo da Guerra Fria, a propaganda ocidental comparava a economia soviética a um comboio parado dentro do qual, para que quem estivesse de fora acreditasse que a coisa estava em movimento, os passageiros, sob a batuta do PCUS, se iam inclinando ritmadamente para a frente e para trás. Passa-se algo parecido com o famoso modelo de avaliação que o ME desencantou, pronto a vestir, no Chile e importou com a louvável intenção de "chilenizar" a escola portuguesa.
Tendo-se os custos da coisa, principalmente os políticos, descontrolado, neste momento, a ministra já não quer saber do modelo para nada, só estando preocupada, ela e o Governo, que quem estejade fora acredite que a "reforma" vingou. Depois de todas as simplificações, alterações, excepções e derrogações em matérias que ainda no dia anterior eram "essenciais", agora são os professores que se reformarem até 2011 que já não "têm direito" a ser avaliados. O modelo de avaliação da ministra tornou-se numa sopa de pedra ao contrário. Vai-lhe tirando, um a um, todos os ingredientes e condimentos, desde que fique, ao menos, a pedra".

Manuel António Pina
JN

Quase 3/4 dos professores escolheria outra profissão se pudesse

"Os professores portugueses estão desiludidos com a profissão e quase 75 por cento preferia exercer outra actividade. Mais: 81 por cento dos docentes admite que se pudesse pediria a reforma, mesmo com penalizações. Estes dados pertencem ao Observatório da Avaliação de Desempenho, órgão criado pela Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) e pelo Instituto Superior de Educação e Trabalho (ISET) e resultam de um inquérito realizado entre 10 de Outubro e 15 de Novembro a 1018 professores a nível nacional.
O estudo revelou ainda que 40 por cento dos docentes não reconhece aos seus avaliadores "capacidade de avaliar com rigor e isenção", nem tão-pouco "conhecimento na sua especialidade".
Por outro lado, mais de 60 por cento dos professores considera que o processo de avaliação de desempenho vai "prejudicar" ou "prejudicar muito" a preparação e concretização das aulas.
Quase 70 por cento defende que o processo vai prejudicar a relação com os conselhos executivos, com os professores avaliadores e ainda a colaboração com os colegas.
Para João Dias da Silva, secretário-geral da FNE, estes dados revelam que o modelo de avaliação constitui "um corpo estranho" que as escolas rejeitam porque "não contribui para que o sistema educativo melhore".

Correio da Manhã

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Esta ministra é refinada

Maria de Lurdes veio hoje dizer que os professores em condições de pedir a reforma até 2011 estão dispensados da avaliação. E se estes professores decidirem não se aposentar mesmo estando em condições de o fazer? Ou quer isto significar que mesmo não se aposentando estes professores a partir de agora não mais serão avaliados? E assim se tenta "adesivar" mais uns milhares de professores para a causa da ministra.

Sigamos os bons exemplos

O Ministério da Saúde vai ter em conta as queixas dos médicos e vai reformular as propostas para a revisão das carreiras. Bastou apenas uma ameaça de greve e o governo recuou em toda a linha com medo da classe médica. É assim com os médicos, é assim com os juízes. Só com os professores é que a música é outra. Bem podem os professores fazer greves, bem podem os professores clamar pelos seus direitos que nunca as suas reivindicações são atendidas. E a culpa é toda nossa. Ao longo dos anos temo-nos habituado a amouchar, a sermos uns meninos bem comportados e os resultados estão à vista. Que o exemplo destas corporações nos faça reflectir e nos leve a tomar as medidas adequadas faça ao constante desrespeito e achincalhamento de que somos alvo pelo Ministério da Educação. Os próximos dias serão decisivos para se perceber o que é que os professores afinal pretendem. Uma coisa é certa: se capitularmos desta vez, nunca mais nos voltaremos a erguer!