quarta-feira, janeiro 14, 2009

É o que vai valendo a José Sócrates

"Somos um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes demisérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas somoscapazes de sacudir as moscas …’

Guerra Junqueiro, escrito em 1886

terça-feira, janeiro 13, 2009

Professores não deixam que a luta esmoreça

Movimentos de professores convocam manifestação para dia 24 em frente ao Palácio de Belém. Tudo o que permita manter viva a luta dos professores contra as políticas educativas do Ministério da Educação, que tão mal tem tratado a Escola Pública, são bem-vindas. Seja através de manifestações, greves, manifestos, moções, o que quer que seja. O que é fundamental é aproveitar todas as oportunidades para manifestarmos o nosso desagrado, descontentamento e indignação, e fazer perceber à tutela e à opinião pública que os professores estão mais unidos do que nunca em torno de uma luta contínua pelos seus direitos e do respeito que devem merecer deste Governo.

A inenarrável Directora Regional de Educação do Norte

"A inenarrável directora regional de Educação do Norte, famosa pela desabrida forma como tratou um professor que terá dito uma graça sobre "o primeiro-ministro de Portugal", entendendo, em contrapartida, que encapuzar-se e, em plena aula, apontar uma pistola de plástico à cabeça da professora já é só uma brincadeira de mau gosto, voltou à ribalta, e de novo pelas melhores razões: um ofício dirigido às "suas" escolas sobre o não menos famoso "Magalhães", que a doutora (do latim "doctor", aquele que ensina) redige numa língua inédita, vagamente parecida com o português.
Algumas passagens do documento são verdadeiros clássicos do português técnico, versão Ministério da Educação. Repare-se, por exemplo, neste naco de prosa: "O pagamento dos Magalhães, nos casos em que a isso os pais sejam obrigados, estão a receber informação por sms devendo, em todas, constar a entidade 11023". Mas o resto, designadamente a inovadora técnica de pontuação que é pegar em vírgulas e atirá-las ao ar a ver onde caem, não é menos esclarecedor do nível hoje exigível para se ocupar um alto cargo educativo em Portugal".

Manuel António Pina
JN

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Será que temos coragem?

"(...)A reunião de ontem em Santarém de conselhos directivos contestatários deu sinais de fraqueza interna. Ao nível da mobilização, ela ficou aquém do esperado: só estiveram reunidas 139 direcções. Como nunca se esclarece se os presentes representam, apenas, a sua escola ou todo um agrupamento escolar não se sabe se estiveram 139 direcções entre 1200 executivos dos agrupamentos de todo o País ou 139 escolas entre as 12 500 existentes. Mas a decisão de enviar novo apelo à ministra para que suspenda o processo de avaliação - recusando, por suicidiária, a demissão colectiva em protesto pela insistência na avaliação dos professores em 2008/2009 - não é um sinal de força.
Para reganhá-la, perante um Governo, que à evidência não vai ceder no essencial, só resta radicalizar, e muito, o protesto. Como querem aliás os grupos de base: greve de duração indeterminada, boicote à avaliação dos alunos e o mais que, eventualmente, se verá. Resta saber se a grande massa de professores (mais propriamente, professoras) está disposta a seguir por essa via".

DN

sábado, janeiro 10, 2009

A montanha pariu um rato

Embora desiludido não fiquei surpreendido com as resoluções tomadas no conclave de Santarém. Aprovar um manifesto a pedir ao ME a suspensão do Simplex 2, é não acrescentar nada àquilo que tem sido feito, pois a maioria das escolas já fez o mesmo, tendo a tutela respondido sempre da mesma forma. Ora, se foi para isto que se reuniram melhor seria terem ficado em casa.
Ficámos também a saber que a preocupação fundamental destes 139 PCE´s, não é tanto o modelo em si, mas o trabalho acrescido que este Simplex 2 lhes acarreta, contrariamente ao que sucedia com o modelo original que fazia recair a maioria dos procedimentos da avaliação sobre os ombros dos coordenadores de departamento. Não fora isso e depreende-se que o Simplex 2 não ofereceria reparos de maior.
Ingénuos daqueles que ainda acreditam na solidariedade dos seus PCE's. A maioria deles representa-se a si próprio e vive apenas preocupado em manter o lugar que ocupa. Não dão aulas há largos anos e no que depender deles nunca mais voltarão a leccionar. Entregarmos a nossa luta nas mãos desta gente seria o nosso suicídio. Dependemos de nós e cabe-nos a nós continuar a lutar. Antes sós do que mal acompanhados.

"Tudo isto é um nojo" - Medina Carreira

sexta-feira, janeiro 09, 2009

É hora dos presidentes dos conselhos executivos mostrarem o que valem

Amanhã vamos estar todos curiosos em saber no que vai dar a reunião em Santarém, dos cerca de 100 presidentes de conselhos executivos. Vamos ver até onde vai a coragem destes senhores. Se a coerência mandasse eles só tinham um caminho a seguir: a demissão. Mas estou em crer que haverá por lá muito menino com ideias de chegar a director. E, sendo assim, algo me diz que a montanha vai parir um rato. A ver vamos.

Presidentes de Conselhos Executivos admitem demissão

"Os cerca de 100 presidentes de escolas que se vão reunir amanhã em Santarém estão a planear demitir-se em bloco como forma de protesto contra a avaliação dos professores. Ao que o DN apurou, os líderes dos conselhos executivos vão discutir esta hipótese por considerarem que as novas regras da avaliação, introduzidas com o simplex, lhes criou mais pressão e tornou intranquilo o ambiente nas escolas".

DN

João Dias da Silva, Secretário-geral da FNE, fala ao CM sobre o chumbo da suspensão da avaliação dos professores no Parlamento.

"Correio da Manhã – Ficou surpreendido com o chumbo da suspensão da avaliação de professores no Parlamento?
João Dias da Silva – Não muito. No âmbito parlamentar intervêm outras lógicas, que têm a ver com a vivência político-partidária, daí ter havido votações em sentido diverso. Foi uma grande oportunidade que se perdeu para voltar a tranquilizar as escolas.
Dia 23 a avaliação volta ao Parlamento pelo CDS-PP...
– Sei que o projecto de lei já deu entrada hoje (ontem) mas ainda não conheço o teor.
Acha que há um esmorecimento da luta dos professores?
– Os sinais que nos chegam são de um fortíssimo apoio no sentido de termos dia 19 uma grande greve, que acho que andará em patamares próximos da anterior.
Como comenta as ameaças de processos disciplinares?
– As declarações de Jorge Pedreira tiveram uma lógica intimidatória e não têm suporte legal.
Os sindicatos ponderam fazer greve por tempo indeterminado?
– Não está na nossa agenda. Estamos a preparar a jornada nacional de reflexão dia 13 e a greve de 19".

quinta-feira, janeiro 08, 2009

A incompreensível e reprovável atitude de Manuel Alegre

"Manuel Alegre é contra este modelo de avaliação dos professores, já votou contra ele e diz que se mantém solidário com a luta dos sindicatos. Então, esta quinta-feira, vai votar novamente contra a lei, certo? Errado. Já votou uma vez contra mas não volta a votar, quer a suspensão do modelo mas não o vai suspender, exige a mudança da lei mas não é ele que a vai mudar.
Este estilo Manuel Alegre na versão Gato Fedorento não é novo. O deputado do PS diz que mantém a posição que o levou, em Dezembro, a votar contra o modelo, mas agora não o fará - apesar de "continuar solidário" - porque não se deixa "instrumentalizar". E o que é que o deputado entende por "instrumentalizar"? Ajudar a oposição a aprovar uma lei contra o Governo. Entre o início de Dezembro e o início de Janeiro houve uma mudança fundamental. Antes não havia hipótese de aprovar a lei que suspende a avaliação, agora há. Os portugueses já perceberam uma coisa: podem contar com Manuel Alegre para falar. Quando as suas palavras podem ter consequências, aí não contem com ele. É por isso que lhe chamam o deputado poeta".

Sábado

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Exemplo a seguir

A Escola Infanta D. Maria de Coimbra decidiu manter suspenso o processo de avaliação docente. Ora aqui está uma excelente resposta às ameaças de Jorge Pedreira. Sendo uma escola com grande visibilidade a nível nacional, por força da sua posição nos rankings, pode ser que esta tomada de posição leve outras escolas a seguir o mesmo caminho. É fundamental que o ME perceba que os professores estão unidos e não se deixarão acobardar. Vamos ser coerentes com todas as posições tomadas até aqui e pôr os interesses da classe acima dos interesses individuais. Só assim conseguiremos ganhar este braço de ferro com o governo socialista. Doutra forma, deitaremos tudo a perder e nunca mais levantaremos a cabeça.

terça-feira, janeiro 06, 2009

A entrevista de Sócrates

"1. Não há a confissão de um erro, sequer um simulacro de humildade: só o permanente auto-elogio. Em entrevista à SIC, esta noite, José Sócrates foi igual a ele próprio: encheu a boca de propaganda, usou e abusou do pronome "eu" e até pretendeu dar uma lição de Direito Constitucional. O que diz tudo sobre o seu estilo de governação.
2. Muito bem conduzida por Ricardo Costa e José Gomes Ferreira, a entrevista foi percorrida pelos habituais chavões socráticos, quase tão repetitivos como a velha cassete do PCP. Lá vieram as inevitáveis referências à "banda larga", à "protecção do emprego", ao "investimento nas rodovias". E as "medidas", as célebres "medidas" repetidas até à náusea. Como os "seiscentos quilómetros de auto-estrada", eventualmente destinados a esvaziar ainda mais o interior do País. E também a "reduzir as mortes" no asfalto, alegação que merece figurar em qualquer manual de demagogia. Vai longe o tempo em que o PS clamava contra a "política do betão" praticada por outros.
3. Do essencial, quase nada ficou respondido. É certo que "tudo aponta para um cenário de recessão, reconheceu o primeiro-ministro com o ar casual de quem anuncia que amanhã vai chover. Também é verdade que em Setembro, quando elaborou o Orçamento de Estado para 2009, este governo tão perspicaz não fazia a mais pálida ideia da "profundidade da crise". E é inegável que desde 2005 o investimento estrangeiro em Portugal caiu, a dívida externa atinge hoje uns astronómicos 150 mil milhões de euros e a cada trimestre há mais 63 mil pessoas a acorrerem aos centros de emprego. Nada disto rouba por um instante a estudada convicção de Sócrates, que pedirá a maioria absoluta nas próximas legislativas: "A única certeza que tenho é a de merecer a vitória." Porreiro, pá".

Ministério da Educação aperta o cerco

"No dia em que foi publicado o decreto que simplifica a avaliação do desempenho, o Governo avisou que o processo tem mesmo de avançar. Agora, os avaliadores que não o apliquem podem ser substituídos e os avaliados que não realizem a sua auto-avaliação podem ser punidos nas escolas.
Os professores que não realizem a sua auto-avaliação podem ser alvos de processos disciplinares, revelou ao DN o secretário de Estado adjunto e da Educação. Jorge Pedreira frisa assim que os docentes que rejeitem ser avaliados podem não só ser prejudicados em termos de progressão da carreira mas também alvo de inquéritos. Durante o dia de ontem, em que foi publicado em Diário da República o decreto que simplifica a avaliação do desempenho, o secretário de Estado avisou que os avaliadores podem ser demitidos dos cargos caso não façam avançar o processo. As escolas têm agora, desde ontem, 10 dias para afixar o calendário da avaliação - prazo em que os conselhos executivos são obrigados a informar se os seus professores querem ser avaliados na componente lectiva, por um professor da sua área disciplinar, ou se querem repensar os seus objectivos individuais, depois da apresentação das simplificações do processo".

DN

domingo, janeiro 04, 2009

Pequenos ditadores

Carta da Semana
Expresso

Não existe capacidade, nem vontade, de combater a indisciplina

"São as explicações que se seguiram à publicitação do vídeo que fazem soar o alarme. Fica a sensação que não existe capacidade, nem vontade, de combater a indisciplina.
1- "Vê lá tu o que estes malucos fizeram - apontaram-me uma pistola e não me deixaram acabar o que estava a fazer", terá dito a professora para a presidente do Conselho Executivo. "Ó professora, desculpe, sabe que somos uns brincalhões", terão retorquido os alunos. Feito assim o relato do que acontecera na sala de aula, tendo em conta que os alunos são "normais e simpáticos" e que a própria professora "é muito brincalhona", o caso foi "arquivado". Afinal fora "uma brincadeira que toda a gente faz".
O que deu origem a estas explicações foi a divulgação de um vídeo em que um grupo de alunos da Escola Secundária do Cerco do Porto aponta uma arma de plástico a uma professora, exigindo melhores notas. Mexem-lhe nos cabelos e ensaiam poses de pugilista, cerrando os punhos. A professora ameaça marcar faltas disciplinares a todos, mas a "brincadeira" não acaba. A cena termina com a professora, impotente, abandonando a sala de aula.
O vídeo é um documento poderoso sobre o descontrolo a que chegaram algumas salas de aula. Mas são as explicações que se seguiram que fazem soar o alarme. Fica a sensação de que não existe capacidade, nem vontade, de combater a indisciplina. O vídeo põe a nu o pouco respeito que os alunos demonstram pelos professores. A forma como estes decidiram ignorar o que se passou põe a nu o pouco respeito que têm por si próprios e pela nobre e difícil missão de ensinar e educar. Para além de um inquérito ao que se passou na sala de aula é preciso um outro inquérito ao que se passou a seguir. Já não com o objectivo de punir, mas com o objectivo de identificar procedimentos errados e alterá-los".

Rafael Barbosa, JN

sábado, janeiro 03, 2009

Nogueira com sabor a eucalipto

"É triste o país que não consegue avaliar a qualidade dos profissionais que ensinam e avaliam os seus filhos. Agora já pouco interessa saber quem tem razão, os professores venceram. A maioria não queria ser avaliada e é isso que está acontecer.
Temos de reconhecer que alguma razão os professores hão-de ter. Parece que o processo de avaliação é muito complicado, a necessitar de um sistema informático que retire aos avaliadores a carga emotiva.
Duas manifestações, duas, com mais de 100 mil pessoas na rua, mostram que gente como eu ou a ministra da Educação não podem ter toda a razão contra toda a gente. Alguma coisa falhou no sistema proposto e aceite pelos sindicatos.
É nos sindicatos, aliás, que está o problema. Estão longe de aceitar o poder e muito longe de compreender a motivação desses professores que estão disponíveis a vir para a rua. Percebo que a maioria dos professores se mostre tão indignada com o Ministério como com os sindicatos.
É lamentável, indigno até, a forma como Mário Nogueira - líder da Fenprof - aproveita este movimento para fazer o seu caminho dentro do PCP, rumo à liderança da CGTP. Como custa aceitar, embora se perceba melhor, que a Oposição se 'cole' ao movimento, tentando capitalizar o descontentamento, sem cuidar de saber como pode o país sair a ganhar.
Mário Nogueira foi o dirigente sindical que assinou um acordo com o Governo, tentando aparecer como o vencedor da manifestação de Março. Rapidamente percebeu que tinha dado um tiro no pé e fez uma pirueta, dando o dito por não dito.
O senhor que me desculpe, mas parece um nogueira com características de eucalipto. Seca tudo à sua volta. Só ele existe, há muito que deixou de ser professor para ser, em exclusivo, sindicalista. Um sindicalista que pede para ele o que sabe não ser direito dos outros.
Convém que a memória não seja curta. Há sete anos, a Fenprof convocou uma paralisação em que os professores que aderiram ficaram sem o salário nesse dia, mas Nogueira foi até à última instância - onde perdeu - para receber o dia de salário que sabia não poder ser pago aos camaradas de profissão que paralisaram por sua proposta.
Nogueira faz a luta pela luta, para ele parece fazer pouco sentido o colectivo, por mais que essa seja a sua matriz ideológica. O país pouco importa, o sistema de ensino é secundário, ele cresceu no sindicalismo porque não desarma e sabe que importante é o fim, pouco importam os meios. Acontece que o fim é a promoção do PCP e a via sindicalista.
Por estes tempos, as coisas não lhe correm de feição tanto como parece. Os professores convencem cada vez mais gente sobre a justiça da sua luta e afastam-se na mesma distância de Maria de Lurdes Rodrigues e de Mário Nogueira. Uma e outro, convencidos da sua razão, dão passos em frente em direcção ao abismo.
Ao PSD, PCP e Bloco convém também deixar um aviso: O povo não é burro, não basta fazer uma declaração ou esperar na beira do passeio acenando para os manifestantes para ter razão. O povo que vota, quando está descontente com o rumo do país, quer alternativas viáveis. E, sobre a avaliação dos professores, que alternativas propõe a Oposição? Suspenda-se! Sabe a pouco e dá em nada".

Paulo Baldaia
JN

Ricardo Araújo Pereira analisa o episódio da escola do Cerco


sexta-feira, janeiro 02, 2009

O Magalhães é o que nos vai salvar. Com o pais a afundar temos um computador à prova de água.

Dizer que os assessores só trabalham com o "Magalhães", é um insulto aos próprios assessores. É verdadeiramente inacreditável, como é que ainda há tanta gente a dar crédito a este indivíduo.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

A "Sábado", sempre na linha da frente, na campanha de descredibilização dos professores


Cavaco promulgou diploma sobre a avaliação de professores

O Presidente da República promulgou, no último dia de 2008, o diploma sobre a avaliação de desempenho dos professores.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Ainda o Cerco

"O triste episódio da Escola do Cerco, no Porto – com um miúdo a gritar "dás-me positiva ou levas um tiro" –, foi desvalorizado porque as crianças, parece, podem fazer o que lhes apetece. Mas dá uma ideia – mais uma – do que o Ministério ignora sobre a vida das escolas. Tendo abandonado os professores em vez de atacar, como devia, a corporação que abunda pelos corredores e gabinetes do Ministério, Maria de Lurdes Rodrigues escolheu o alvo mais fácil e o mais errado.
Os professores são a instituição que resta de uma escola despedaçada e desprotegida, alvo fácil de associações de pedagogos, de pais, de políticos e de energúmenos. Diante da cena macabra divulgada em vídeo, devia-se defender a professora ameaçada, e não desculpar os patifes. Estamos num Mundo de pernas para o ar".

Francisco José Viegas

domingo, dezembro 28, 2008

Ano dos professores

"O ano de 2008 foi o ano dos professores em Portugal. As suas tarefas aumentam todos os dias.
Dão aulas, organizam a sua escola, abrem-na ao meio, dialogam com os pais, guardam as crianças durante o horário laboral em crescendo, tentam disciplinar os jovens numa sociedade opulenta de casos de vigarice económica e de violência. Além disso, têm de perceber a psicologia do aluno e até distinguir, num ápice, se uma pistola apontada à cabeça, na aula, é verdadeira ou falsa. Reparem que nem falo do estatuto da carreira ou da avaliação.
Estes foram porém os temas que encheram as ruas e esvaziaram as escolas em 2008. Este ano foi o ano em que o Estado se distanciou dos professores da escola pública e a Igreja Católica se aproximou deles. Assim começam as novas eras".

José Medeiros Ferreira
Correio da Manhã

O Cerco

"Acho que já todos viram o filme. Numa escola do bairro do Cerco, no Porto, um bando de "alunos" do 11.º ano aponta uma pistola de plástico à professora de Psicologia e exige notas positivas (com sucesso, viu-se depois). Um "aluno" com vocação jornalística filma a cena com o telemóvel e põe-na a circular na Internet. O país indigna-se durante a ressaca natalícia. O sindicalista Nogueira interrompe a preparação de greves e abaixo-assinados nunca vistos para emitir uns protestos vagos. A presidente da escola em questão define o episódio como "uma chatice". A directora da DREN chama-lhe "uma brincadeira de mau gosto". Uma mãe local garante que "os jovens de 17 e 18 anos são assim". Um representante das associações de pais culpa a DREN por não impedir os telemóveis nas salas de aula.
Se bem se percebe, o consenso geral determinou não ser grave que estudantes criativos simulem um ataque armado a uma docente. Aparentemente, também não será grave que, segundo testemunhos diversos, a maioria dos ataques em escolas não sejam simulados e decorram com relativa frequência e armas reais. Grave, gravíssimo é que as versões filmadas dos acontecimentos irrompam por aí ao desbarato.
Sinto-me obrigado a concordar. O caso do Cerco é um mero sintoma do estado do ensino público. A "luta" entre professores e ministério é outro. Se as causas da miséria não cabem neste texto, a cura não cabe na realidade: a educação desceu a um buraco do qual, por incrível que pareça, nem os incontáveis méritos do computador Magalhães a conseguirão resgatar. Dissolvidos os últimos vestígios de disciplina, exigência curricular e tino, o "sector", para usar uma expressão corrente, abandonou há muito os motivos que começaram por justificar a sua existência. Hoje, com variações de grau que não comprometem o cenário geral, existe somente para distribuir empregos e remover fedelhos do mundo exterior. Lá dentro, no mundo "deles", decorre uma encenação ficcionada ou verídica da violência, da resignação e da apatia. Não é um espectáculo bonito de se ver, logo não há motivos plausíveis para que o vejamos.
Hipocrisia? Uma dose moderada nunca matou ninguém. E se matar ou magoar um bocadinho nós não sabemos".

Alberto Gonçalves
DN

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Violência nas escolas

"Costuma dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras e de facto as imagens de alunos a apontarem uma arma a uma professora da Escola do Cerco, no Porto, falam por si. A pistola é de plástico, mas esse é um pormenor num bairro em que a facilidade de encontrar uma arma real é semelhante à de um brinquedo. Enquanto um adolescente apontava a arma, outro ensaiava golpes de boxeur e a professora ameaçava com faltas disciplinares.
Tal como na agressão da Escola Carolina Michaelis, este caso só é do conhecimento público porque um aluno filmou com o telemóvel e as imagens foram colocadas na internet.
Se não existissem as imagens, estes casos não passariam de pequenos episódios. Provavelmente nem haveria inquéritos internos nas escolas. Quantas vezes os professores são humilhados na sala de aula sendo estes incidentes desvalorizados como 'brincadeiras de mau gosto, como chamou a directora da DREN a este caso do Cerco. A profissão de professor é das actividades mais nobres. Mas infelizmente os docentes têm vindo a perder prestígio e autoridade.
Urge devolver autoridade aos professores. Não haverá educação de qualidade se não houver professores respeitados. E a educação é a única arma que pode evitar que as novas gerações mergulhem na pobreza".

Armando Esteves Pereira, Correio da Manhã

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Segundo a Presidente do Conselho Executivo, os alunos até são bastante simpáticos

Alunos simulando intimidação de uma professora com uma arma de plástico e gestos agressivos, estragou as férias de uma turma do Agrupamento Vertical do Cerco do Porto. Para ver aqui.