sexta-feira, fevereiro 27, 2009

O que o "Magalhães" não mostra







"A Escola E B 2 3 Marquesa de Alorna só tem uma retrete para centenas de alunos utilizarem, todas as outras estão partidas. Poucas são as torneiras que funcionam. Os urinóis estão como se podem ver nas imagens. Estes factos parecem não perturbar ninguém. Nem professores, nem pais, nem alunos... A Ministra da Educação esteve na Escola a visitar as obras de melhoramento, pena foi não lhe ter dado uma indisposição, apenas para que tivesse a oportunidade de ver as condições dos alunos nas escolas modelo do ministério que tutela. Não sei se a ideia é os alunos ficarem à espera que acabem as obras. Entretanto o governo vai distribuindo “Magalhães”. Haja vergonha! E a Câmara Municipal de Lisaboa ou a Junta de Freguesia não querem saber, nem em ano de eleições? Já nada me espanta..."

http://www.lisboasos.blogspot.com/

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Jovem de 14 anos presa por se ter recusado a deixar de enviar SMS durante uma aula

"A polícia de Wauwatosa, nos EUA, prendeu uma rapariga de 14 anos por se ter recusado a deixar de enviar SMS durante uma aula. A jovem vai ter de ir a tribunal em Abril responder por conduta desordeira.
O caso teve lugar numa escola secundária da localidade do estado do Wisconsin, onde a jovem não parou de enviar mensagens através do telemóvel durante uma aula de Matemática.
Quando foi apanhada pela professora, a rapariga recusou-se a entregar o equipamento e continuou a enviar SMS, o que obrigou a docente a chamar um segurança da escola.
Perante o segurança a jovem negou ter um telemóvel, que acabou por ser encontrado por uma agente da polícia durante uma revista.
Segundo o relatório oficial do incidente o aparelho encontrava-se escondido «na zona das nádegas».
A jovem recebeu uma notificação por conduta desordeira e foi multada em 298 dólares, cerca de 233 euros, tendo agora de ir a tribunal em Abril responder por crime menor".

SOL

Os erros graves de Português, da directora regional de Educação do Norte (II)

"Agora que o ME divulgou novos programas de Português preconizando que, no final do Ensino Básico, os alunos devem ser capazes de produzir "textos coesos e coerentes" e "correctos em português padrão", o caso da DREN continua a ser exemplar do "português padrão" em uso no ME e do nível de exigência do Ministério em relação à avaliação das "competências" dos seus altos (ou baixos, sei lá) funcionários.
Depois do histórico ofício sobre os "Magalhães", a directora de Educação do Norte (que é suposto ter concluído o Básico) escreve agora, em novo ofício, coisas "coesas e coerentes" como: "Sendo certo que muitos docentes não se aceitam o uso dos alunos nesta atitude inaceitável"; ou: "a sua [da escola] missão de processos de socialização"; ou: "razão central porque", e por aí fora.
Pelos vistos, as palavras e a gramática insistem em não respeitar a autoridade da senhora directora e, folionas (o ofício é, apropriadamente, sobre o Carnaval), fazem dela gato-sapato e escrevem-se como muito bem lhes apetece. Eu já lhes teria posto, como ao outro da piada sobre a licenciatura, um processo disciplinar".
António José Pina
JN

Os erros graves de Português, da directora regional de Educação do Norte (I)

"A directora regional de Educação do Norte tornou-se conhecida por ter instaurado (a um professor) um processo disciplinar de contornos políticos. Não contente com isso, que já é demais em qualquer país decente, avisou que coleccionava jornais e blogues que a criticassem, certamente para perseguir os seus autores.
Pode bem fazê-lo: circulam pela net algumas das suas maiores pérolas ortográficas e sintácticas, de bradar aos céus. Por menos do que isso pode negar-se emprego a muita gente. O problema é que esses erros graves de Português em documentos oficiais são dados por uma responsável do Ministério da Educação. Que confiança podemos ter num Ministério que mantém no seu posto uma chefe de serviços que atropela a Língua Portuguesa em documentos que levam o seu selo? Nenhuma".

Francisco José Viegas
Correio da Manhã

domingo, fevereiro 22, 2009

Mais um desencantado com o rumo que o país leva - António Pires de Lima

Os Pesos e as Medidas

"Porque é que Dias Loureiro já foi condenado em público num processo, o do BPN, em que nem sequer é arguido? Porque é que a presunção de inocência não se aplica a Dias Loureiro? Porque é que Dias Loureiro não suscita vozes reflectidas a censurar os julgamentos populares? Porque é que ninguém supõe existir uma campanha negra contra Dias Loureiro? Porque é que poucos ou nenhuns desconfiam da "instrumentalização política" das notícias sobre Dias Loureiro? Porque é que não se censura a violação do segredo de justiça a propósito do "caso" BPN e do respectivo envolvimento de Dias Loureiro? Porque é que as opiniões publicadas acerca de Dias Loureiro não primam pela cautela e pelos escrúpulos? Porque é quase unânime a exigência de que Dias Loureiro se demita imediatamente do Conselho de Estado em nome da respeitabilidade do cargo? Porque é que a direcção da Lusa não impõe a supressão da informação desagradável relativa a Dias Loureiro? Porque é que a PGR não emite comunicados regulares a fim de proteger o bom nome de Dias Loureiro?
Juro: não tenho a mais vaga admiração, ou até simpatia, pelo indivíduo. Tenho apenas curiosidade em comparar o tratamento que lhe é dispensado à decência recomendada em histórias que eu julgava idênticas, não que de momento me ocorra alguma".
Alberto Gonçalves
DN

sábado, fevereiro 21, 2009

E depois ainda se chateia que o chamem de Pinóquio

José Sócrates em mais uma acção de propaganda - é raro o dia em que não há uma - veio dizer que Portugal era um dos poucos países da OCDE em que não havia aulas de substituição e que, por isso, este governo está de parabéns ao ter conseguido implementá-las. Pena foi que se tenha esquecido de dizer que ao contrário desses países, onde estas aulas são pagas, em Portugal os professores as leccionam de borla. Uma pequena nuance que por sinal faz toda a diferença.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Proposta do PSD para a Educação

"Quando o PSD não deve estar em todo o lado, não significa que defenda o fim da escola pública. A predominância das instituições estatais, com parcerias público privadas, Faz parte da concepção de Estado dos sociais-democratas. Mas o cidadão deve ter possibilidade de escolher entre um e outro modelo e o direito à Educação deve depender apenas das capacidades de cada um e não das condições materiais de existência. As reformas na Educação deverão ir no sentido de garantir maior autonomia às escolas (reforçando, ao mesmo tempo, a regulação do sector), tornando-as em instituições verdadeiramente integradas nas suas comunidades, com lideranças fortes, projectos educativos próprios e formações diversificadas. Tudo isto implica um modelo de gestão diferente do actual, mais flexível, moderno e exigente, que ponha de parte o facilitismo e reforce a noção de disiciplina. Implica ainda que a intervenção do Estado se concentre na definição dos projectos pedagógicos e na avaliação das escolas, em vez dos professores".

Sábado

Um autêntico roubo ao bolso dos professores

"As alterações introduzidas pelo Governo ao Estatuto da Carreira Docente (ECD), em especial a divisão entre professores e titulares, podem chegar a custar 174 mil euros a um professor ao longo da sua trajectória profissional. As contas feitas pela Fenprof, num estudo a que o CM teve acesso, permitem perceber melhor o impacto que as medidas da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, tiveram, têm e terão no bolso dos docentes. E permitem também contextualizar melhor a contestação que geraram.
Chegar a titular depende sempre da existência de vagas, que nunca podem exceder 1/3 do total de docentes do agrupamento, escola ou departamento. No limite, um professor pode nunca chegar a essa categoria ao longo de 40 anos de serviço, acumulando prejuízos de 174 287,82 euros. Com 18 anos de serviço, se tiver sido aprovado na prova de acesso, um docente pode candidatar-se a titular. Mas, caso não haja vagas, determinadas em conjunto pelos ministérios da Educação e das Finanças, não pode lá chegar. No primeiro ano, perde logo 3437,42€; no segundo, 2164,40€; nos três anos seguintes acumula perdas de 12095,02€; a partir do 7º ano e até ao 12º perde 41248,20€. O docente tem agora 30 anos de serviço e perderia 12 094,46€ por ano até final da carreira. "Não sabemos quanto é que o Governo consegue poupar, mas é de certeza uma quantia astronómica", disse ao CM José Manuel Costa, da Fenprof".

Correio da Manhã

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Mais uma para o saco das agressões "pontuais"

"Uma professora de História da Escola Secundária Bernardino Machado, na Figueira da Foz, foi alegadamente agredida a murro pela mãe de uma aluna do 11º ano, tendo apresentado queixa na PSP, disse hoje fonte policial.
"Foi uma agressão física sem arma. A senhora foi vista no centro de saúde e depois formalizou a queixa", disse fonte da PSP da Figueira da Foz.
O caso aconteceu sexta-feira durante uma reunião na escola sobre o rendimento escolar da aluna, entre a mãe da rapariga - já identificada pelas autoridades -- e a docente, ambas com cerca de 40 anos.
A fonte da PSP considerou estar-se perante uma "situação muito grave", dado o contexto em que a alegada agressão ocorreu.
"Nem sequer necessita de queixa, segundo o Código Penal. É um crime público, porque há uma relação directa entre a função da docente e a agressão", explicou.
O caso está entregue ao Ministério Público".

Público

Pobre classe que teima em não saber lutar

Há motivo para ficarmos preocupados. Muitos Conselhos Executivos prorrogaram os prazos de entrega dos objectivos individuais, procurando dessa forma que mais professores cumprissem essa meta. A verdade é que estão a consegui-lo: contrariando posições anteriormente assumidas cada vez são mais os professores a capitular. Numa altura decisiva na luta contra a política educativa deste governo, em que os professores precisavam de estar unidos, eis que muitos colegas não conseguem resistir à pressão e entregam de mão beijada o ouro ao bandido. Lastimam-se estas atitudes mas, infelizmente, é a classe que temos.

Aprovado pedido de explicações ao Governo sobre objectivos individuais dos docentes

"O PS viabilizou hoje um pedido de esclarecimento ao Ministério da Educação sobre as "consequências legais e disciplinares" da não entrega por parte dos professores dos objectivos individuais, no âmbito do processo de avaliação de desempenho. Na Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República, os partidos aprovaram por unanimidade uma proposta do PSD neste sentido, na qual a ministra Maria de Lurdes Rodrigues é ainda questionada sobre o "enquadramento legal" decorrente do incumprimento daquele procedimento".

Público

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Presidentes de Conselhos Executivos denunciam “pressão” do Ministério da Educação

"A docente que este mês foi escolhida para porta-voz dos 212 presidentes dos conselhos executivos que contestam a avaliação dos professores, Isabel Le Gué, interpretou hoje como “uma forma de pressão” e “uma manobra intimidatória” a mensagem de correio electrónico enviada pela Direcção Regional de Educação do Centro (DREC) para escolas daquela área do país, em que se pergunta qual “a posição da Comissão Executiva relativamente aos docentes que não entregaram os Objectivos Individuais”.
“Não vejo que utilidade possa ter essa informação para a DREC ou para o Ministério da Educação”, disse, quando contactada pelo PÚBLICO, Isabel Le Gué, presidente do Conselho Executivo (PCE) da secundária Rainha D. Amélia, de Lisboa, considerando que o objectivo “só pode ser pressionar, no pior sentido”.
Contesta, em concreto, aquela pergunta, enviada, pelo menos às escolas da Região Centro, no âmbito de um inquérito em que se pedem, também, o número de professores que entregaram objectivos, o dos que os não entregaram, o dos que requereram avaliação científico-pedagógica e avaliador do próprio grupo disciplinar e ainda o daqueles que pediram dispensa de avaliação. “Que relevância tem a posição do PCE em relação aos que não entregaram os objectivos individuais? Infelizmente, só posso interpretar a pergunta como uma manobra intimidatória, como forma de levar os PCE a agirem – não com o propósito que devia ter qualquer avaliação, a de melhorar o desempenho dos avaliados – mas sim por medo de serem prejudicados”, reagiu Isabel Le Gué.
Na sua perspectiva, a intenção “poderá ser impedir o movimento [de PCE contestatários] de crescer. “Somos muitos, mas podemos vir a ser muitos mais e penso que esta será uma maneira de nos tentarem silenciar”, acusou".

Jornal Público

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Governo quer contratar médicos reformados

Depois dos professores é agora a vez dos médicos. Até aqui tudo bem. O que indigna é a "pequena" diferença: enquanto os professores regressam de borla, os médicos retornam com contrapartidas financeiras. Ou seja, para uns tudo, para outros uma mão cheia de nada. E assim vai a democracia em Portugal.

Professores em voluntariado

"O Dr. Valter Lemos vem a público, neste momento (com certeza para que se esqueçam os reais problemas da educação), com o projecto de despacho sobre o trabalho voluntário de professores aposentados.
Não lhe chegou frustrar as perspectivas dos professores enquanto estavam no activo, prolongar-lhe o percurso que tinham traçado, humilhá-los, injuriá-los, etc. Vem agora em perseguição dos que saíram, muitos em ruptura com o sistema, com punições materiais elevadas para além de atentados à sua dignidade.
O despacho contem uns longos considerandos seguidos de seis pontos ainda com alíneas e terminando com um anexo que destaco aqui
Anexo
Áreas de eventual intervenção do professor voluntário
- Apoio à formação de professores e pessoal não docente;
- Planeamento e realização de Acções de Formação para Encarregados de Educação;
- Apoio a professores - na programação, na construção de materiais didácticos;
- Apoio a alunos nas salas de estudo;
- Apoio e integração de alunos imigrantes - complementando o trabalho levado a cabo pelas escolas, nomeadamente através do reforço no ensino da Língua Portuguesa ou na ajuda ao estudo das disciplinas;
- Ajuda ao funcionamento das bibliotecas escolares / Centros de Recursos Educativos - através de projectos de leitura recreativa, ajuda à pesquisa bibliográfica ou electrónica, elaboração de trabalhos;
- Apoio aos Projectos Curriculares de Turma - através, nomeadamente, do apoio à interdisciplinaridade (análise e concertação de programas);- Acompanhamento dos percursos escolares dos alunos;
- Apoio a visitas de estudo;
- Apoio burocrático-administratívo;
- Dinamização do binómio Escola / Família - através da ajuda na mediação escolar ou na recolha, criação e divulgação de materiais sobre temas de interesse dos Encarregados de Educação;
- Articulação Vertical e Horizontal dos currículos, privilegiando o contacto com as escolas e a programação vertical (ou horizontal) dos programas e de outros projectos visando o sucesso educativo dos alunos;
- Articulação de Projectos internos ou Escola / Autarquias/ Empresas visando a angariação de recursos e/ou integração profissional de alunos;- Dinamização de Projectos de Aproximação da Escola ao Meio buscando o envolvimento da comunidade nas actividades escolares tendo em vista a consecução de objectivos específicos;
-Apoio e dinamização de actividades extracurriculares com a criação e/ou ajuda na dinamização de Clubes de Tempos Livres;
- Participação no Observatório de Qualidade da Escola/Agrupamento de Escolas;
- Elaboração da biografia da Escola / Agrupamento de Escolas;
- Criação e dinamização de um espaço de informação para professores sobre congressos, efemérides, projectos escolares, projectos sociais, publicações, boas práticas...;
- Apoios específicos em áreas de formação académica dos candidatos;- Envolvimento em Projectos de melhoria da sociedade local;
- Desempenho de funções de tutoria;- Apoio a programas de investigação.

Penso eu:
1- Tudo isto é trabalho para pessoal no activo!
2 - Ou será que se aposentaram os profs excelentes e agora o ME precisa deles?! À borla, claro!
3 - Será que os voluntários dos hospitais também ajudam na formação dos médicos e demais pessoal?! Será que tb ajudam em programas de investigação?!"

Joviana Benedito

Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora

domingo, fevereiro 15, 2009

Afinal são só precisas 25 horas de formação

Contrariamente ao que era voz corrente nas escolas e nos Centros de Formação, os professores não são obrigados a apresentar 50 horas, mas sim 25 horas de formação até final de 2009
Finalmente o Ministério da Educação (ME) vem ao encontro da exigência apresentada pelo Sindicato dos Professores da Zona Centro (SPZCentro/FNE) de os professores apresentarem até finais de 2009 apenas um total de 25 horas de formação.

sábado, fevereiro 14, 2009

É isto o que nos espera

"Paulo Guinote, mentor do pedido de parecer a Garcia Pereira, afirmou ao CM que “este documento servirá de suporte a todos os professores notificados pelos Conselhos Executivos e que queiram fundamentar a adesão à não-entrega dos objectivos individuais”.

Com este parecer, sublinha Paulo Guinote, os professores podem “avançar com pedidos concretos de fiscalização ao Tribunal Constitucional”, ressalvando, porém, que os docentes “têm de estar preparados para uma ‘guerra’ jurídica longa, que implica muita resistência”. “Temos de estar preparados para sofrer consequências mesmo antes de conseguirmos demonstrar que temos razão”, concluiu.

Portugal Diário

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Ministra da Educação desvaloriza parecer de Garcia Pereira sobre avaliação

Como era de prever, a ministra da Educação desvalorizou o parecer de Garcia Pereira: "Não valorizo os pareceres. Os pareceres são encomendados e devem ser valorizados por quem os encomendou. Não pedi nada ao professor Garcia Pereira, portanto, não tenho que valorizar nada".
Ou seja, como este parecer não lhe convém há que não lhe dar importância. Pelos vistos, para a senhora ministra e o governo socialista, só devem ser tidos em conta os estudos encomendados e pagos por eles. Esses sim, devem ser valorizados. Tal como o recente estudo sobre o 1º ciclo que o primeiro ministro tão prontamente publicitou.

A "vitória da educação" chama-se "melhoria das estatísticas"

"A frase (de Marçal Grilo, ex-ministro da Educação) deveria ser pacífica: "O País e as famílias perceberam que não basta andar na escola e passar de ano, é preciso saber." Mas não é.
A grande ‘vitória da educação’, nos últimos tempos, chama-se ‘melhoria das estatísticas’; melhorando-se as estatísticas, melhora-se oficialmente a ‘qualidade do ensino’, em vez de ser ao contrário. Ora, acontece que, na maior parte das vezes, a melhoria das estatísticas não tem a ver com a melhoria do aproveitamento escolar. Todos os instrumentos estão lá, na escola – mas falta os ingredientes fundamentais, a exigência, uma certa disciplina e autonomia. A escola não pode progredir se estiver dependente de todas as influências e pressões. Não pode ser uma extensão do Governo ou da família".

Francisco José Viegas, Correio da Manhã

terça-feira, fevereiro 10, 2009

O parecer de Garcia Pereira

Contrariamente ao que a maioria dos docentes pensará por esta altura, não me parece que o parecer de Garcia Pereira valha de muito no braço de ferro entre professores e Ministério da Educação. A verdade é que se trata apenas de um parecer e os pareceres não fazem doutrina. Ainda por cima, é um parecer pago por uma das partes (um grupo de professores) e como todos sabemos ainda está para nascer o primeiro parecer que não seja favorável ao pagante. Em suma, por muita razão que tenha o digníssimo advogado nas suas alegações, estas só terão consequências se forem validadas pelos tribunais. O que significa que muita água ainda correrá por debaixo das pontes até que esta questão esteja resolvida. E sabemos como o tempo joga a favor do Ministério da Educação.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Está bem...façamos de conta

"Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos".

Mário Crespo
JN