terça-feira, maio 12, 2009

Docentes enviam carta aberta a um primeiro-ministro “insensível e indiferente”

"Insensível, indiferente, inflexível e arrogante. Estes são quatro dos adjectivos que a Plataforma Sindical dos Professores dirige ao Governo numa carta aberta enviada hoje ao primeiro-ministro".

Público

Comentário - Srs. da Plataforma Sindical: façam o favor de me desculpar, mas esta carta aberta serve exactamente para quê? Para que Sócrates, altere a opinião que tem a respeito dos professores? Para que Sócrates altere a sua política educativa? Outra razão qualquer que eu não esteja a ver? Elucidem-me, por favor.

segunda-feira, maio 11, 2009

Foleiros & doutores

"Terminaram as chamadas "Queimas das Fitas" e, salvo raras excepções, o balanço foi o do costume: alarvidade+Quim Barreiros+garraiadas+comas alcoólicos. No antigo regime, os estudantes universitários eram pomposamente designados de "futuros dirigentes da Nação". Hoje, os futuros dirigentes da Nação formam-se nas "jotas" a colar cartazes e a aprender as artes florentinas da intriga e da bajulice aos poderes partidários, enquanto à Universidade cabe formar desempregados ou caixas de supermercado. A situação não é, pois, especialmente grave. Um engenheiro ou um doutor bêbedo a guiar uma carrinha de entregas com música pimba aos berros não causará decerto tantos prejuízos como se lhe calhasse conduzir o país. Acontece é que muitos dos que por aí hoje gozam como cafres besuntando os colegas com fezes, emborcando cerveja até cair para o lado, perseguindo bezerros e repetindo entusiasticamente "Quero cheirar teu bacalhau" andam na Universidade e são "jotas". E a esses, vê-los-emos em breve, engravatados, no Parlamento ou numa secretaria de Estado (Deus nos valha, se calhar até já lá estão!)".

Manuel António Pina, JN

CDS-PP quer professores com formação específica

"O CDS-PP quer alterar o Estatuto da Carreira Docente e vai submeter à opinião pública um projecto de resolução, onde defende uma carreira única e a existência de formação para aceder a patamares mais elevados da carreira. "A proposta vai ser colocada [hoje] no site do grupo parlamentar e estamos abertos a receber comentários durante vinte dias", explicou ao CM o deputado Diogo Feio.
A proposta dos centristas, a que o CM teve acesso, defende que todos os professores se podem candidatar a funções de coordenação, administração escolar ou supervisão pedagógica, estabelecendo que para aceder a estes patamares, os docentes terão de ter formação especializada na área. O projecto do CDS-PP defende ainda que todos os professores devem poder progredir até aos mais altos escalões".

Correio da Manhã

domingo, maio 10, 2009

Educação. Quem se interessa?

"Por muito que queiramos adornar o estado da Educação no País e na Região não há jeito a dar-lhe…colocamos uma rosa ali, um laço acolá, experimentamos alguma verdura, mas o resultado é sempre mau. É como se agarrássemos num caco de barro e o quiséssemos transformar na mais bela princesa do mundo; jamais o conseguiríamos!
É urgente repensar o ensino desde a base até ao topo. Pôr ao chão tudo o que tem sido feito nos últimos anos - e não estou a referir projectos Educativos saídos de Governos de quaisquer Partidos Políticos em particular -, juntar uma equipa formada pelos melhores daqueles que conhecem o terreno e avançar para a interessante e indispensável aventura em que o objecto a encontrar é o “ensino de excelência”. É possível consegui-lo nas escolas públicas, com critérios bem definidos e exigentes, para não continuarmos a ser confrontados com pessoas que vêm para a vida activa quase sem saber escrever nem ler, mas já com diplomas de anos avançados de escolaridade, e com um desinteresse completo pelo estudo e pelos saberes que tão necessários são para continuar a cultivar o “espírito” ao longo do tempo que lhes foi dado para cá estar (leia-se, na terra). Ao falarmos de Ensino temos sempre que referir-nos a saberes reais, assentes em bases sólidas de conhecimento reprodutivo, ou seja, em que cada ano de escolaridade deverá ser alicerce do ano seguinte já que ninguém consegue aprender a andar sem que os primeiros passos tenham sido bem dados. Não é isto que está a acontecer nas nossas escolas, nas nossas universidades…Numa ânsia desenfreada de contabilizar “êxitos” através da apresentação de um elevado número de alunos a transitarem ao ano seguinte, ao outro ano seguinte e por aí fora, com medidas de avaliação pouco exigentes e uma exagerada e exaustiva justificação para os casos considerados de insucesso, estamos a cair num fosso infestado de falta de saberes que já apresenta resultados nada benéficos para os indivíduos que pretendem entrar no circuito do trabalho que, mais do que nunca, necessita de pessoas técnica e intelectualmente bem preparadas.
Estamos todos a hipotecar o futuro das crianças e dos jovens, uns por produzirem más leis, outros por omissão. Uma Escola, como centro educativo que é, tem que ser espaço de preparação, nos mais diversos âmbitos do saber e do ser, das gerações que nos vão seguir nesta caminhada que é a vida a “mudar de donos” a cada volta irreversível que dá".

Maria da Conceição Brasil
DN

sábado, maio 09, 2009

Crimes de violência escolar aumentam

"A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa registou 31 casos de violência em meio escolar nos primeiros três meses do ano (mais de dois por semana) e 2506 casos de violência doméstica, revela um documento divulgado hoje onde se faz a análise da actividade investigatória do Ministério Público neste distrito judicial.

Um balanço divulgado em Agosto do ano passado revelava que o Ministério Público tinha registado só nos primeiros seis meses de 2008 um total de 57 casos de violência escolar, à média de dois por semana. Este ano, com 31 casos contabilizados em apenas três meses, a média não melhorou. Pelo contrário".

Público

sexta-feira, maio 08, 2009

Parlamento manda para o Tribunal Constitucional a avaliação dos professores

"Mais de quatro dezenas de deputados de todos os partidos políticos, incluindo do PS, assinaram um requerimento pedindo ao Tribunal Constitucional (TC) que aprecie a legalidade de vários artigos do último diploma relativo à avaliação de desempenho dos professores e que estabeleceu para este ano regras simplificadas.
O requerimento seguiu hoje para o TC, depois do PCP se ter encarregue, a pedido de um grupo de professores, de recolher as 23 assinaturas necessárias. Foram conseguidas praticamente o dobro, naquela que é mais uma etapa da batalha jurídica que tem oposto professores e Ministério da Educação.
Os quatro deputados socialistas que mais críticas têm manifestado à forma como o novo processo de avaliação dos professores tem sido conduzido - Manuel Alegre, Maria Eugénia Alho, Maria Júlia Carré e Teresa Alegre Portugal - também se juntaram à iniciativa. A estes juntam-se deputados do PCP, Bloco de Esquerda, CDS-PP, Os Verdes, não inscritos e PSD, com o líder do grupo parlamentar social-democrata, Paulo Rangel, a colocar também a sua assinatura, numa convergência política pouco vulgar.
"Esta é uma questão que, politicamente, divide os partidos. O modelo de avaliação defendido pelo PCP é diferente do defendido por outros partidos. Mas a matéria invocada no requerimento de inconstitucionalidade é de carácter formal", explicou o deputado comunista Miguel Tiago.
Em causa está uma alegada violação da Constituição, já que o "simplex" da avaliação introduziu, através de um decreto regulamentar, alterações e revogou disposições que constam de leis de valor jurídico superior.
É o caso, por exemplo da abolição temporária dos resultados escolares dos alunos como factor de avaliação, princípio que está consagrado no Estatuto da Carreira".

Expresso

Novas Oportunidades - "qualificação" em série

"São já 18.136 os adultos que conseguiram um diploma de 12.º ano através do programa Novas Oportunidades. O número de inscritos duplicou desde finais de 2007. Já passaram pelo programa 713 mil pessoas desde 2006.
Segundo dados a que o JN teve acesso, desde o lançamento do programa em 2006, inscreveram-se 713 mil pessoas - mais do dobro dos inscritos até ao final de 2007 (323.467) -, das quais 209.240 já viram as suas competências validadas. Dessas, 191.104 obtiveram equivalência ao 9º ano e 18.136 ao 12º ano. O objectivo é chegar às 650 mil certificações em 2010.
A medida não deverá, por si só, gerar um volume de formados que permita retirar Portugal do último lugar entre os países da OCDE. Os dados mais recentes apontam 28% dos adultos portugueses dos 25 aos 64 anos com o secundário concluído, ao lado da Turquia e muito abaixo dos 68% da média dos países analisados. A taxa melhora (44%) entre os adultos dos 25 aos 34 anos, mas não o suficiente para fazer subir Portugal na tabela. Espera-se agora que, com a decisão de tornar obrigatórios doze anos de escolaridade [e não o 12.º ano, como tem sido veiculado nalguma comunicação social] ou a permanência no sistema até aos 18 anos, para todos os alunos que iniciem em Setembro o 7º ano de escolaridade, os índices nacionais comecem a melhorar.
A necessidade de melhorar a qualificação dos portugueses assenta nos cálculos da OCDE. Mais um ano de escolaridade contribui para aumentar a taxa de crescimento anual do PIB entre 0,3 e 0,5 pontos percentuais. Além de que a validação de competências pode ajudar a subir nas carreiras.
O programas de RVCC avaliam competências em áreas previamente definidas. Depois de delinear uma autobiografia, os candidatos têm que desenvolver vários temas, num trabalho escrito apoiado por sessões explicativas do processo. Em caso de necessidade, podem ser remetidos para acções de formação complementar de curta duração. No final, a validação de competências é feita perante um júri, que incluiu a equipa de formadores e um avaliador externo".

JN

terça-feira, maio 05, 2009

Assim não vamos lá

Quem fizer uma passagem pelos blogues de Educação mais significativos depara com um cenário desolador. A confusão está generalizada, todos barafustam e ninguém se entende. O motivo de toda esta "guerrilha", prende-se com o calendário e as formas de luta propostas pela Plataforma Sindical, até ao final do 3º Período. A querela já atingiu tal proporção que os bloguistas se insultam entre si. Um espectáculo deplorável que não se percebe a quem beneficia. Aos professores, não certamente. Aliás, toda esta situação só favorece os interesses da tutela que há muito percebeu que a melhor estratégia para derrotar os professores é apostar na divisão da classe. E a verdade é que a pouco e pouco o vai conseguindo, sem sequer precisar de "sujar os calções".

domingo, maio 03, 2009

Lá como cá - A ler com atenção

"Na casa simples de madeira e material na Vila Elza, periferia de Viamão, na Grande Porto Alegre (RS), o retrato de formatura da professora Glaucia Teresinha Souza da Silva, 25 anos, ocupa lugar de destaque. Da parede da sala, voltada para a porta da frente e os olhos dos visitantes, pende a imagem sorridente da jovem educadora de 1ª a 4ª séries. Mas a face de Glaucia, sentada no sofá abaixo da foto afixada com orgulho pelos pais, com quem mora, em nada lembra a felicidade eternizada no papel. Cabisbaixa, com crises ocasionais de choro, ela luta para se recuperar do traumatismo craniano provocado pela agressão de uma aluna na Escola Estadual Bahia, na capital gaúcha, no dia 23 de março. Além das dores de cabeça, arrasta-se apoiada em muletas e enfrenta um trauma psicológico que a inibe até de sair ao pátio da casa. A realização do sonho da filha de uma merendeira escolar de virar professora se transformou em pesadelo quando deparou com a crescente hostilidade dos alunos. Embora pretenda voltar a lecionar, precisa recuperar os movimentos e superar o medo. Confira trechos da entrevista concedida à Agência RBS em que a professora, também estudante de Direito com a matrícula trancada por falta de recursos, expõe um pouco do cotidiano vivido no interior das salas de aula do Brasil:
Diário Catarinense – Vale a pena lecionar?
Glaucia Teresinha Souza da Silva – É uma coisa que sempre gostei de fazer. Por mais que outras pessoas digam “tu ganha tão pouco”. Quando fazia Pedagogia, saía de casa de manhã cedo, ia para a faculdade, voltava para trabalhar em Porto Alegre, voltava para a faculdade de noite. Mas eu gostava. Me perguntavam se valia a pena tudo isso para ganhar uma miséria, e eu dizia “Não me importo, é o que eu gosto”.
DC – E gosta, ainda?
Glaucia – Eu gosto de dar aula. Claro, estão acontecendo coisas violentas, mas prefiro acreditar que isso é uma coisa à parte, que alguém vai tomar uma providência. Devemos pensar que, para cada aluno violento, tem 10, 15 outros que estão lá para aprender.
DC – Quando passou a perceber a mudança no ambiente escolar?
Glaucia – O que noto é cada vez mais os pais delegarem as responsabilidades para a escola. Antigamente, as crianças também não vinham prontas para a sala de aula, mas se esperava que chegassem com um mínimo de educação e respeito. Hoje, os pais acham que os professores devem ensinar tudo, até palavras mágicas, como “por favor” e “com licença”.
DC – Os pais dos alunos dizem isso abertamente?
Glaucia - Muitos pais dizem isso mesmo: “A obrigação é de vocês”. Os pais trabalham cada vez mais. A gente passa quatro horas com os alunos, mas o dia tem 24 horas. O resto do tempo eles passam onde, com quem, ouvindo o quê? Eles aprendem com a sociedade. Tem de ter alguém com eles dizendo isso pode, isso não pode. Os alunos estão muito largados. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) tem leis maravilhosas, mas está sendo mal-interpretado, porque ali tem direitos, mas tem deveres. Aprenderam a ler só os direitos.
DC – O professor se sente desamparado?
Glaucia – O adolescente percebeu que pode tudo. Pode desafiar, xingar, bater, jogar, fazer o que for, porque é menor de idade. Se o professor levantar um pouco o tom de voz, está errado. Se for um pouco mais ríspido, está errado. O professor não pode dizer não. Alguns pais dizem que o professor não pode xingar. Não é questão de xingar, mas de mostrar que não é assim que funcionam algumas coisas.
DC – O que leva a isso: o perfil do colégio, dos alunos, da direção?
Glaucia – Um pouco de tudo. A Bahia, escola onde sou docente, é bem localizada, mas atende um público que se considera excluído. O nível socioeconômico é muito baixo, então eles já vêm para a aula com a questão da diferença: “Vão me tratar de tal jeito porque eu sou assim”. E a gente não trabalha assim, não interessa a cor, a classe social. Tu estás ali para trocar conhecimento. Quando tive problema com um aluno, no ano passado, ele disse que já tinha mandado três professores embora. Eu disse para ele: “Eu não vou embora”.
DC – Em muitas escolas, a aula acaba virando uma queda de braço com alunos que querem tirar o professor?
Glaucia – Tem, tem disso. É a realidade.
DC – É uma experiência diária?
Glaucia – É um baque diário que se tem. É gritaria, xingamento, agressão verbal o tempo inteiro. É a disputa de dizer “não vou sair”, “não vou fazer”, “não estou nem aí”. No final do dia, o professor está arrasado. É cumulativo. Tu chegas ao final do ano e pensas: “O que vou fazer? Quero continuar aqui? Será que estou preparada? Vale a pena?”
DC – Se o ambiente escolar fosse menos estressante, teria sido mais fácil evitar o confronto que ocorreu?
Glaucia – Quando tu tens um ambiente que te ampara, coisas como a que aconteceu poderiam ser evitadas. Mas precisaria ser um amparo geral, ao professor e ao aluno. Eu sempre busquei soluções. Em momento nenhum fui para agredir a aluna. Acordo às 5h, às 6h estou saindo de casa, caminho um horror para chegar até a escola. O acesso para mim é superdifícil. Mesmo assim, levanto, faço o planejamento, vou para lá, dou aula. Para quê? Para ouvir falarem mal de mim? Para me xingarem? Os alunos já chegam com essa característica de se acharem excluídos. Qualquer palavra, qualquer coisa que tu fales, eles levam para o outro lado, porque estão preparados para brigar, para bater. É um clima pesado. Tudo o que tu falas pode ser mal interpretado.
DC – Os estudantes levam as avaliações para o lado pessoal?
Glaucia – Depende de como tu colocas isso para eles. No ano passado, tive três alunos que foram reprovados. Chamei para conversar na hora de dar a notícia. Falei direto para eles, porque os pais, por mais que a gente chame, não vão à escola.
DC – Em que ocasião a senhora consegue ter contato com pais de alunos?
Glaucia – Quando eu imploro. Aí, às vezes, algum se compadece. O pai do aluno que me desafiou no ano passado apareceu só dois meses depois. Havíamos solicitado que o pai ou a mãe comparecesse. A mãe nunca podia porque trabalhava. Passou-se um tempo, o pai apareceu com o menino e pediu desculpas. Assinamos um termo, por questão de segurança, que o menino não poderia me agredir de novo, e ele voltou a frequentar a escola. Ele frequentou mais um mês de aula, vinha um dia, faltava três, vinha dois, faltava quatro. Um dia não apareceu mais.
DC – A senhora vê muitos professores desesperados?
Glaucia – Muitos. É um estresse a que todos estão submetidos, do Jardim até a 8ª série, porque não é só uma situação de adolescentes, é desde os pequeninos, de fugirem da sala, de saírem correndo, de não respeitarem, de jogarem coisas no professor. É a situação rotineira. A maioria acaba chorando. Parece que a gente perde o chão em certos momentos, perde o controle no sentido de não saber o que fazer. É comum que alguém chore quando nos reunimos.
DC – Hoje a senhora teria condições de encarar uma aula?
Glaucia – (Chorando) Não, não teria. Vou ser bem sincera, ainda não saí da sala da minha casa para o pátio. Não vou nem ao pátio. Já estou começando a caminhar de muleta, caminhando mais firme. Mas não vou. Não sei explicar. Não quero que as pessoas me vejam. Não quero.
DC – A senhora acredita que é possível ter uma educação de qualidade?
Glaucia – Acredito. Estudei sempre em escola pública e acredito que foram escolas muitas boas.
DC – Qual seria a primeira medida para recuperar esses padrões?
Glaucia – Levar as famílias para dentro da escola, oferecer mais palestras, integração dos pais com os alunos, mostrar que a escola é uma ampliação da casa deles, que eles estão ali para ampliar o conhecimento, mas que não é só ali que vão aprender. No ano passado, fiz uma apresentação de final de ano com os alunos e me surpreendi. Ensaiamos dança e música. A apresentação foi linda, eles estavam muito felizes. Pais, tios, primos compareceram. No final, alguns vieram falar comigo: “Professora, prazer, sou a mãe do fulano. Parabéns, meu filho mudou.”

Diário Catarinense
Brasil

Medina Carreira a falar sobre Educação

"(...)LC – Mas o principal factor, os salários baixos, não era o ideal.
-
Mas o ideal do ponto de vista da mão-de-obra não é este que se prega aqui. Nós para termos uma mão-de-obra que ganhe bem temos de ter outra escola. Nós não podemos andar a formar analfabetos e depois dizermos para arranjarem empregos bons a esta gente. A gente tem de ir à escola.
ARF – Aumentar a escolaridade obrigatória nestas condições é uma ideia má?
- Teoricamente é uma boa medida. Como mexer na Justiça também seria uma boa medida.
LC – Mas é preciso que a escola seja boa.
- Agora mexer na escola e ficar tudo na mesma não interessa. Se os alunos estiverem lá e são tão bons os bons como são bons os maus, quer dizer, anda lá um número grande a atrapalhar o trânsito, em nome de uma coisa esquisitíssima e que eu não aceito que é a escola inclusiva. Ora, a escola é inclusiva se as pessoas estão lá para aprender. Se não estão para aprender têm de ir para outro sítio. Um estádio de futebol, põe-se lá toda a gente aos pontapés na bola. Agora, na escola só pode estar quem queira aprender. Mas isso tem de ser aferido. Nós temos todos os anos de verificar se eles aprenderam.
ARF – Têm de ter exames, não é?
- Fazer exames. Nós temos de ter programas decentes, feitos por intelectuais, por artistas, por técnicos. Nem sei quem é que os fez. São uns programas horríveis, os manuais são de fugir. E depois inverte-se tudo. Nós não podemos ter professores a ensinar bem se os alunos nem os ouvem. O senhor pode arranjar 200 mil catedráticos que não consegue ensinar esta gente. Porque eles não querem aprender. Oitenta por cento dos que estão lá não querem aprender. Bons são sempre bons. Quando nós éramos crianças também havia bons e havia maus. E havia uns médios e estes estudavam por causa dos exames.
LC – Seriam a maioria.
- Isso foi ontem, é hoje e será na próxima geração. Agora não. Temos os bons que eram bons e temos o resto. E como não há exames nunca chega a ocasião para estudar. Portanto isto é uma falsificação. O ensino em Portugal é uma intrujice. Uma intrujice cara. E depois inverte-se isto. Vamos avaliar os professores, nem sei quais são os critérios. No estado em que aquilo está parece-me uma tontice, mas não se avaliam os alunos. Isto tem pés e cabeça? Isto é de uma sociedade de gente com juízo?
ARF – Esta nossa escola é uma certa escola, que dura há anos e anos.
- É uma escolinha. Não é uma escola, é uma escolinha. É um grupo de gente que está a praticar um crime gravíssimo que vai liquidar uma geração. Se não mais. Mas a próxima geração maioritariamente está liquidada. As pessoas não aprendem a língua. Nós pensamos em português. Se a gente não sabe bem português não pensa bem. Nós não sabemos fazer contas, nós não sabemos geografia. Se perguntarem a um rapazito qualquer onde é que é Washington não faz ideia nenhuma, é capaz de dizer que é na Ásia.
LC – Acha que a geração que vai estar no mercado de trabalho daqui a dez , vinte anos vai ser pior?
- Vai ser cada vez pior. Porque está a enraizar-se esta decadência do ensino. O ensino está numa decadência profunda.
LC – E algum dia foi melhor? Nestes últimos 30 anos?
- Para os que podiam andar na escola foi muito melhor. Andavam eram poucos. Mas o problema não é esse.
LC – Estamos a falar de quando?
- Do tempo em que eu estudei. No século passado. E da minha filha, que andou na escola pública.
LC – Antes do 25 de Abril.
- Sim, muito antes.
LC – A escola era melhor antes do 25 de Abril do que é agora?
- Incomparavelmente. A diferença é que eram poucos. Eram para aí 30 por cento menos do que hoje.
LC – E preferia que fossem poucos?
- Não, não prefiro que sejam poucos. Eu prefiro é autenticidade, porque isto é uma vigarice. É que os pais dos que lá estão têm de ter a certeza de que estão a aprender. Não é serem poucos ou muitos. Não interessa nada produzir quantidade que é lixo. Nada.
LC – Mas a quantidade á partida diminui sempre a qualidade. A massificação do ensino diminui a qualidade, não acha?
- Mas não é diminuir até zero. Nós estamos a bater no chão. É diminuir um pouco. Agora isto não é nada. Um aluno sai dali e não sabe escrever. Eu ensinei muitos anos e acabei por me irritar com o ensino. Dava-lhes provas escritas e era dificílimo de entender o que escreviam. Cheias de erros, linha sim, linha não um erro, expunham pessimamente, tudo aquilo era um ver se te avias.
LC – Acha que no Ministério da Educação não sabem isso?
- O Ministério da Educação, como os outros Ministérios neste nosso regime, está ali para parecer, para apresentar uma estatísticas lá forjadas não sei como. Para vocês nas sondagens descobrirem que este Governo é um Governo muito próspero".

Correio da Manhã

sábado, maio 02, 2009

sexta-feira, maio 01, 2009

Pequena entrevista de João Grancho, presidente da Associação Nacional de Professores

Sábado

Ética mínima

"Face às críticas dos pais que acusam os inspectores do ME que inquiriram alunos da Secundária de Fafe acerca de uma manifestação contra a ministra de terem utilizado, nos interrogatórios dos jovens, métodos "absolutamente inconcebíveis depois do 25 de Abril" e os terem incitado a acusar e denunciar os seus professores, defende-se a Inspecção-Geral da Educação dizendo que tudo o que fez foi "legal". Juntamente com o "cumprimento de ordens", a "legalidade" sempre foi (foi-o em momentos sórdidos do século XX e continua a sê-lo) a explicação mais à mão para justificar o injustificável. Como se só o que é ilegal fosse condenável. Os inspectores do ME terão contudo lido Jellinek na Faculdade e saberão que o direito é apenas o "mínimo ético" (e conhecendo nós quem faz as leis, podemos ter uma ideia de quão eticamente mínimo é esse mínimo…). Ora talvez a um ministério da "Educação" seja exigível, nas relações com escolas e com jovens, um pouco mais - a não ser que no Ministério se esteja em greve à ética - que o cumprimento de serviços mínimos éticos. Mas, se calhar, sou eu que estou a ver mal a coisa".

Manuel António Pina, JN

O Ministério da propaganda e da estatística

"Uma das coisas que nos devia preocupar e deixar inquietos é a balbúrdia em que se transformou o Ministério da Educação – fábrica de estatísticas e instrumento de propaganda básica. Uma pena. Uma pena para a educação, para o ensino e para a decência.
Com tanto tempo ocupado a fazer política e propaganda, a promover inquéritos disciplinares e a conspirar, é natural que ao Ministério sobre pouco tempo para pensar em assuntos sérios que ultrapassem o tempo imediato e as necessidade do actual ciclo eleitoral. O episódio dos ‘Magalhães’ em Castelo de Vide é um triste acontecimento que o pedido de desculpas do primeiro--ministro não explica nem resume: a confusão entre o partido e o Estado, o Ministério como instrumento do partido. E uma amostra da miséria intelectual reinante".

Francisco José Viegas
Correio da Manhã

quinta-feira, abril 30, 2009

Com a escolaridade obrigatória até aos 18 anos, teremos um 12º Ano transformado numa simples meta de ignorância

Editorial
Sábado

“É ilegal averiguar sem informar os pais”

Maria José Viseu, Pres. Confed. Nac. Indep. Pais e Enc. Educação
Correio da Manhã – Como viu os inquéritos da Inspecção-Geral de Educação (IGE) aos alunos envolvidos nos incidentes de Fafe, em que foram arremessados ovos ao carro que transportava a ministra da Educação?
Maria José Viseu – É mais um caso a juntar a outros. Esse processo de averiguações deveria ter tido o acordo dos pais. É ilegal a IGE ou a escola procederem a uma averiguação que envolva alunos menores sem que os pais sejam informados.
– Se defende que houve uma ilegalidade, o que espera agora que a tutela faça?
– Espero que a tutela accione um processo ao inspector responsável. Se é sempre necessário o aval dos pais mesmo para os alunos menores responderem a inquéritos de opinião, não se percebe porque é que neste caso não deram conhecimento a quem de direito.
– Noutro âmbito, qual a posição da CNIPE sobre o alargamento da escolaridade obrigatória?
– Concordamos, mas julgo que as escolas não estão estruturadas para isso e toda a estrutura terá de ser repensada. Poderemos vir a ter alunos de 18 anos no 8.º ano e teremos de criar estruturas para acompanhar esses percursos.

Bernardo Esteves

Correio da Manhã

quarta-feira, abril 29, 2009

Quem disse que atitudes pidescas acabaram?

"Vários meses depois de Maria de Lurdes Rodrigues ser recebida com ovos, um inspector foi ouvir os estudantes da escola local.
A Inspecção-Geral de Educação (IGE) já assegurou, através de ofício, que nada de ilegal ocorreu na Escola Secundária de Fafe. Mas o presidente da associação de pais, Manuel Gonçalves, não se conforma. Em carta enviada ao procurador-geral da República, ao provedor de Justiça e aos grupos parlamentares, denuncia o método usado por um inspector da IGE que, para apurar o eventual envolvimento de professores numa manifestação contra a ministra, interrogou alguns dos alunos, "incentivando um comportamento denunciante" que, considera, "é absolutamente inconcebível depois do 25 de Abril".

Público

terça-feira, abril 28, 2009

PS usou em tempo de antena imagens de crianças com o Magalhães pedidas pelo Ministério da Educação

"O Ministério da Educação pediu a uma escola do primeiro ciclo de Castelo de Vide autorização para filmar crianças a utilizar o Magalhães. Mas, segundo conta hoje o Rádio Clube e o jornal “24 Horas”, as imagens acabaram por passar num tempo de antena do Partido Socialista, na RTP, no passado dia 22.
Os pais pediram já uma reunião na escola, a exigir uma explicação e a escola por sua vez, pediu explicações ao ministério, como adiantou ao Rádio Clube Ana Travassos, presidente do Conselho Executivo do agrupamento de escolas de Castelo de Vide".

Público

Comentário - Este governo tem-nos habituado a situações destas com demasiada frequência, daí que já não surpreendam ninguém. Para atingirem os seus objectivos, esta gente é capaz de tudo sem que isso os envergonhe minimamente. Sem vergonha sobra-lhes o descaramento. Saibam os portugueses dar-lhes a resposta merecida nos próximos actos eleitorais.

domingo, abril 26, 2009

Doze anos obrigatórios

Público

É só doutores

"Passou sem polémica o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano. Pediram-se apenas melhores condições para as escolas e o inevitável ajustamento das leis laborais. Mas ninguém formulou a questão básica: e se, por absurdo que pareça, nem todos os alunos tiverem capacidade intelectual para chegar ao 12º ano?
Que fazer? Baixar, ainda mais, os níveis de exigência do ensino secundário para distribuir democraticamente os diplomas? Tudo perguntas proibidas. Para o romantismo educacional, o sucesso escolar nunca depende da inteligência do aluno. Depende das condições que o rodeiam, do esforço dos professores e até do eventual milagre do santo padroeiro.
O que espanta neste optimismo é o governo não ser ainda mais ambicioso e alargar a escolaridade obrigatória até ao doutoramento. Mas lá chegaremos".

João Pereira Coutinho
Correio da Manhã

sexta-feira, abril 24, 2009

José Sócrates mentiu mais uma vez: na maioria dos países europeus, a escolaridade obrigatória não vai até aos 18 anos


E a perseguição aos professores continua

Com o alargamento da escolaridade obrigatória, prevê-se a entrada de mais 30.000 alunos no sistema de ensino, o que faria supor a contratação de mais professores. Maria de Lurdes acha que não. Segundo ela, os professores que hoje estão nas escolas são mais do que suficientes para fazer face ao aumento do número de alunos. Ora isso só se consegue de duas formas: ou aumentando o número de alunos por turma, ou aumentando o número de horas lectivas dos professores. Se o próximo ministro da educação pensar da mesma forma, a vida dos professores vai-se tornar num verdadeiro inferno. Não tenhamos a menor dúvida.

Quatro ex-ministros da educação pronunciam-se sobre o alargamento da escolaridade até ao 12º Ano

"1 - Apoia o alargamento da escolaridade obrigatória ao 12.º ano?

2 - As escolas estão prontas para a mudança?

Marçal Grilo

1 - É uma medida muito positiva.

2 - Acho que é preciso criar as condições integrais para a cumprir, tal como ocorreu em 1986 quando se decidiram os nove anos de escolaridade obrigatória.

Roberto Carneiro

1 - Era uma medida que, mais dia menos dia, era esperada. A sociedade do conhecimento não pode repousar sobre um patamar abaixo do 12º ano de escolaridade. A cidadania, as empresas, a tecnologia não se compadecem com um nível inferior ao 12º ano. Temos ainda 35 por cento dos jovens que não concluem o 12º ano, mas temos de ter ambição. A medida legislativa por si só não resolve nada, é preciso medidas sociais e pedagógicas que apoiem e tornem possível uma medida legal.

2 - Imediatamente, se calhar, as escolas não estão preparadas. É preciso haver formação dos professores. Tem de haver formação muito intensa e, no concreto, cada escola tem de se organizar e tem de haver algum dinheiro disponível para isso.

Júlio Pedrosa

1 - Considerando que este Governo promoveu já um alargamento significativo do ensino secundário profissional, criando um leque de ofertas diversificadas, creio que se está em condições de considerar esta medida. Isto desde que se garanta um número de condições para a equidade no acesso e no seu sucesso: o apoio social aos estudantes de condição socio-económica mais vulnerável, mas também a consolidação deste universo diversificado de ofertas, a qualidade e condições de funcionamento das escolas, recursos humanos qualificados, acessibilidade dos próprios e um currículo adequado quer para as ofertas profissionais, quer para as ofertas de formação secundária geral.

2 - Não estamos ainda com os padrões adequados, mas temos três anos à nossa frente. Todos temos de ter consciência de que não podemos dar-nos ao luxo de usar mal esse tempo: temos de usar todos os minutos destes três anos para criar essas condições.

Couto dos Santos

1 - Acho a medida positiva. A grande dúvida é saber se existem condições de garantir, do ponto de vista social, que essa medida possa ser cumprida na sua plenitude. Temos hoje escolaridade obrigatória até ao 9º ano e há muitos que têm abandonado por dificuldades económicas. De nada servia estar a pôr o alargamento na lei se não houver condições que permitam que a grande maioria - se não todos - possa lá chegar.

2 - As escolas preparam-se rapidamente, temos professores com muita capacidade, mas se não houver um período transitório, com o diálogo e envolvimento de todos os agentes, corre o risco do fracasso. É algo que vem aumentar mais as responsabilidades das escolas, que já têm uma grande carga de trabalhos. Se houver um período de transição, há condições para preparar os órgãos da escola. Espero que o façam em diálogo com eles, porque vai exigir muito dos professores e dos pais".

Público

Isto já é diário

"Um homem armado entrou ontem de manhã no Conservatório de Música do Porto e ameaçou uma professora. Em causa terá estado uma classificação negativa, que a docente deu à filha do agressor e com a qual aquele não concordou.
Segundo fonte da PSP, o homem entrou nas instalações e pediu à professora para assistir a uma aula, mas aquela recusou. De seguida o pai da aluna apontou a arma à docente e exigiu explicações sobre a nota atribuída à filha.
Alguns alunos, que estavam no local, deram conta do que se estava a passar e chamaram as autoridades. O indivíduo não ofereceu resistência, acabando por ser detido pela polícia. Durante a tarde de ontem, o agressor foi presente ao Tribunal de Pequena Instância Criminal do Porto e foi libertado.
O incidente gerou uma enorme confusão no estabelecimento de ensino. Ao verem o homem armado alguns alunos entraram em pânico e tentaram fugir pelas janelas do conservatório.
O Conselho Executivo recusou-se a prestar qualquer esclarecimento sobre o sucedido".

Correio da Manhã