sexta-feira, julho 10, 2009

Avaliação das Novas Oportunidades apresentada - estudo não avalia rigor do ensino

"A equipa da Universidade Católica encarregue da avaliação externa da Iniciativa Novas Oportunidades (INO) não está a aferir qual a qualidade das aprendizagens, assumiu ontem Roberto Carneiro, líder da equipa. "O nosso objectivo não é avaliar o rigor e a qualidade da INO. Avaliámos foi a percepção das pessoas sobre a INO", disse o ex-ministro da Educação na apresentação das primeiras conclusões da avaliação efectuada.
O programa já certificou cerca de 250 mil adultos mas os partidos da oposição têm acusado o Governo de facilitismo e de formar para as estatísticas. Carneiro deixou mesmo no ar a ideia de que é impossível avaliar se háfacilitismo. "Mais fácil ou não em relação a quê? Quem tem de avaliar isso é o mercado", afirmou.
Uma das conclusões a que chegou a equipa da Católica foi de que as pessoas que aderiram à Iniciativa Novas Oportunidades avaliam o programa de forma muito positiva mas queixam-se do reduzido impacto que a melhoria de qualificações teve na sua vida profissional. "Há aqui um desafio de qualificar os empresários", disse Roberto Carneiro.
A avaliação externa da Católica – que será hoje debatida num seminário em Lisboa – vai durar 3,5 anos e custar 300 mil euros anuais".

Correio da Manhã

quarta-feira, julho 08, 2009

Sempre as mesmas desculpas esfarrapadas

"O ministério da Educação (ME) não aprende. Confrontado com a duplicação da taxa de reprovações a matemática no 12º ano, a resposta oficial foi a de que houve "menos investimento, menos trabalho e menos estudo" por parte dos alunos – o que é uma resposta honesta e louvável.
Mas logo a seguir tinha de vir a asneira: o ME atribui "à comunicação social" a despreparação dos alunos por ter dito que "os exames eram fáceis". Além de não aprender, o ME não tem vergonha: não foi "a comunicação social" que difundiu a ideia – foram professores ou especialistas nacionais e estrangeiros, depois de terem visto os testes dos exames e não antes. A ministra não percebeu que, em vez de festejar estatísticas, lhe pedimos para dar um ralhete aos alunos. Isso seria bem visto. E seria pedagógico".

Francisco José Viegas
Correio da Manhã

terça-feira, julho 07, 2009

Resultados da 1ª fase dos exames do ensino secundário


Resultados dos exames do 12º ano: a excepção do ano passado não se verificou este ano

Contrariando a tendência do ano passado, a média das classificações dos exames do 12º ano, na disciplina de Matemática, sofreram uma descida acentuada. De 12, 5 passou para 10 valores, duplicando ainda o número de reprovações.
A explicação para a subida da média no ano passado tinha-se devido, segundo explicações do Ministério da Educação na altura, às medidas implementadas, nomeadamente o Plano Nacional da Matemática. Este ano a tutela explica a descida dos resultados graças ao "menor investimento, menor trabalho e menor estudo" do lado dos alunos, fruto da ideia de que os exames seriam fáceis. Graças a isso os alunos aplicaram-se menos e por isso as classificações ressentiram-se.
A verdade é que bastou que os exames aumentassem ligeiramente o grau de dificuldade para que os resultados fossem piores. Fica assim provado o porquê de as médias no ano passado terem atingindo valores nunca antes alcançados. Pelos vistos, só a ministra da Educação não quer ver aquilo que salta à vista de todos.
Quanto aos exames nas outras disciplinas os resultados foram os habituais com particular destaque nas médias negativas a Biologia e Geologia e a Física e Química.

domingo, julho 05, 2009

Não insultem

"Um grupo de matemáticos espanhóis e franceses foi convidado a pronunciar-se sobre os nossos exames nacionais da especialidade. Ficaram aterrados: a coisa, segundo eles, não se destina a seres humanos na posse das suas faculdades; destina-se ao sr. Forrest Gump e respectiva descendência.
Verdade que, na opinião dos sábios, o cenário em Espanha e em França não é muito melhor, prova de que o romantismo educacional não é apenas um produto lusitano. O que talvez só seja um produto lusitano é ouvir os próprios alunos a confessar espanto perante a facilidade dos exercícios. Se a farsa continua, desconfio que ainda veremos as nossas crianças perfeitamente indignadas e até violentas com o nível da exigência praticado. O que se compreende. No fundo, no fundo, quem gosta de ser insultado?"

João Pereira Coutinho
Correio da Manhã

sábado, julho 04, 2009

A precariedade dos professores

"Ora cá temos mais um estudo realizado pela OCDE e não por qualquer outra desacxreditada entidade ou instituição, ainda que mesmo assim o Ministério da Educação possa tentar mais uma vez desmentir. (...) Trata-se do primeiro estudo realizado pela OCDE sobre as condições de trabalho dos docentes portugueses e as conclusões são preocupantes. Ou seja, 32,4% não têm contrato permanente, o dobro da média dos 23 países analisados. O estudo revela também que 17,4% dos professores portugueses têm contratos inferiores a um ano. Os sindicatos confirmam que muitos docentes estão há mais de 15 anos em situação precária.
Portugal é assim o campeão da precariedade docente, mesmo atrás de países como a Eslovénia, Turquia, Estónia, Brasil, Malásia e Polónia, sendo o único com valores inferiores aos 70% de estabilidade contratual (67,6%), contrastando com a média dos restantes países, que é de 84,5%. (...)

José Lopes, Cartas de Leitores
Expresso

sexta-feira, julho 03, 2009

Caso o PS ganhe as eleições, manter-se-á o modelo simplificado de avaliação de desempenho

José Sócrates afirmou ontem no Parlamento, durante o debate do Estado da Nação, que no próximo ano lectivo os professores serão avaliados. «Haverá avaliação», garantiu o Primeiro-Ministro em resposta a uma pergunta de Paulo Portas.
O líder do CDS questionou José Sócrates sobre «qual vai ser o modelo de avaliação em 2009/2010. Se é o que foi considerado absurdo ou a caricatura desse modelos».
José Sócrates afirmou que o Governo anunciará em breve como se processará a avaliação já que «o modelo que aplicámos precisa de ganhar consistência», admitiu, mas afirmou que o do próximo ano, não andará longe do modelo simplificado.

quinta-feira, julho 02, 2009

PSD quer mudar muita coisa na Educação

Manuela Ferreira Leite promete mudar tudo na Educação caso vença eleições

"A presidente do PSD prometeu hoje mudar os estatutos do aluno e da carreira docente, o sistema de avaliação dos professores e aliviar a carga burocrática a que estão sujeitos, caso vença as eleições legislativas. Esses quatro compromissos farão parte do programa eleitoral social-democrata, anunciou Manuela Ferreira Leite, em declarações aos jornalistas, em Lisboa, a meio de uma reunião sobre educação enquadrada no Fórum Portugal de Verdade do PSD.“No nosso programa não poderemos deixar de contemplar a alteração destes quatro aspectos que estão a paralisar o sistema, estão a torná-lo inviável, desmotivador da acção dos professores”, declarou".

Público

Listas de colocação de professores saem em breve

"O Ministério da Educação (ME) garante que as listas definitivas de colocação de professores estão prestes a ser divulgadas, mas não indica uma data precisa. Fonte oficial do ME disse ao CM que a publicação das listas "está para breve", garantindo que "não há qualquer problema".
Segundo Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), as listas devem ser divulgadas a partir de hoje, "de acordo com o calendário previsto". O dirigente sindical considera a data tardia, pois afecta a planificação do próximo ano lectivo. "É tarde para as escolas e o Ministério devia ter previsto isso." Milhares de professores aguardam pela divulgação para saber em que escola irão dar aulas.
Pela primeira vez, os docentes serão colocados por um período de quatro anos, depois de o último concurso os ter fixado por três anos".

Correio da Manhã

quarta-feira, julho 01, 2009

Fenprof abandona negociações com Ministério da Educação

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) anunciou esta terça-feira o abandono das negociações com o Ministério da Educação, que visavam a possível revisão do estatuto da carreira docente, reafirmando assim o seu desacordo total com as posições da tutela.

domingo, junho 28, 2009

sábado, junho 27, 2009

Governo tem de qualificar mil por dia para cumprir Novas Oportunidades

Aguardo com enorme curiosidade o relatório de Roberto Carneiro que lidera uma equipa que avaliará a execução do programa escolar Novas Oportunidades. Chamar "qualificação" a um programa que em nada qualifica as pessoas, e que se resume a uma mera certificação administrativa, é uma burla, uma fraude, que tem de ser desmascarada.

quinta-feira, junho 25, 2009

Ministério da Educação mantém-se intransigente

Ministério da Educação assume que acordo com sindicatos não é possível quanto à revisão do Estatuto da Carreira Docente, uma vez que "para os sindicatos tudo o que não seja a abolição das duas categorias não é valorizado".

Comentário - Não querem negociar? Tudo bem. Em Outubro, os professores darão a resposta devida à prepotência do ME.

quarta-feira, junho 24, 2009

Economia e educação: pode o Governo estar contra a nação?

Público

No mundo ideal devíamos andar contentes

"No mundo ideal devíamos andar contentes. Os técnicos do Ministério da Educação que elaboraram os exames de Matemática do 9º ano, por exemplo, acreditam nisso e gostariam que vivêssemos nesse mundo.
O mundo não está para exigências suplementares nem para construirmos a 'excelência' sobre os escombros do Ensino Básico. A Matemática lá se há de fazer. Devagar. E o Português também. E o que vier. O Ministério, coitado, enfrenta uma série de gente zangada com o mundo e que protesta sempre nesta altura dos exames. São uns chatos, uns aborrecidos.
O que importa é desenrascar, ir fazendo, ter bom aproveitamento, passar de ano, engordar a felicidade das estatísticas. Daqui a um mês, os resultados vão aparecer, luminosos e positivos. O que eles são, senhora ministra, é uns invejosos".

Francisco José Viegas
CM

terça-feira, junho 23, 2009

O que pensa a SPM sobre as provas de Matemática, realizadas hoje.

"As resoluções propostas pela Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) estão nas palavras subinhadas. Quanto ao que a SPM pensa sobre as mesmas...
... o exame de Matemática A "é mais razoável que a do ano anterior. Sem ser difícil, não é escandalosamente fácil". A parte sobre os números complexos estava bem concebida; sobre as questões de probabilidades as perguntas não são difíceis. A matéria de trigonometria "é tratada marginalmente". A parte de funções tem perguntas "razoáveis, mas pouco exigentes no cálculo (predominância de equações lineares)". O raciocínio dedutivo continua a estar praticamente ausente da prova.A SPM questiona a duração de prova de três horas. "Apesar de o exame não ser trivial e testar adequadamente algumas partes do programa, não nos parece ainda que, na sua globalidade, cubra bem as matérias, com o grau de exigência necessário. Um desempenho positivo nesta prova não é ainda garantia de uma preparação adequada à saída do ensino secundário e entrada no superior".
... o exame de Matemática B "não tem incorrecções científicas e contempla bem os diversos tópicos do programa", à excepção da Estatística, que apenas surge numa pergunta "trivial" (questão 2 do grupo II). "O enunciado de algumas questões é desnecessariamente complicado e palavroso: são exemplos o grupo I e o grupo IV. Neste último, à força de se tentar ser preciso, acaba-se por gerar um texto que pode confundir os alunos. A tentativa de encontrar a qualquer preço aplicações da Matemática às chamadas “questões da vida real” tem o seu expoente máximo no grupo II, formado por uma série de questões desconexas."Muitas questões são "excessivamente fáceis": o grupo I está ao nível de um 7º ano de escolaridade e o grupo V ao nível do 9º ano. Mesmo as perguntas sobre tópicos do secundário são "tão elementares que não permitem distinguir os alunos que dominam realmente bem a matéria daqueles que têm apenas os conhecimentos mínimos".

segunda-feira, junho 22, 2009

Para não variar, o exame de Matemática do 9º ano foi fácil

"A Sociedade Portuguesa de Matemática considera que o exame a esta disciplina que foi hoje realizado pelos alunos do 9º ano do ensino básico “é de novo demasiado elementar”.
“Há uma pergunta que “está ao nível do 3º ano de escolaridade” e em quase todas as questões “os conceitos são testados com exemplos demasiado elementares”. No seu parecer, a SPM indica que “grande parte da matéria do 9ºano de escolaridade não foi coberta por esta prova”.
“Não há problema algum em introduzir num exame perguntas de anos anteriores ou de grau de dificuldade baixo. O que é prejudicial é que um número exagerado de perguntas corresponde a tópicos que deveriam estar sabidos anos antes e que todas ou quase todas as perguntas tenham um grau de dificuldade muito baixo". Para a SPM, “o que exames deste tipo transmitem é a ideia de que não vale a pena estudar mais do que as partes triviais". “Tanto os jovens que prosseguem os seus estudos no Secundário como os que terminam aqui a sua escolaridade não podem concluir estar bem preparados pelo facto de conseguirem um resultado satisfatório neste exame”, frisa a SPM, que alerta para o seguinte: “uma prova demasiado elementar como esta não serve o progresso do ensino. Pelo contrário, cria precedentes difíceis de contrariar”.

Público

Comentário - Até agora ainda não ouvi ninguém dos envolvidos nos exames, sejam alunos ou professores, a dizerem que as provas têm sido difíceis. Pelo contrário. Até a Sociedade Portuguesa de Matemática e a Associação de Professores de Português têm alertado para a facilidade dos exames. É pelo caminho do facilitismo que o Ministério da Educação quer fazer progredir o ensino em Portugal. Eu prefiro dizer que é assim que estamos a criar um país de ignorantes.

Exames mais fáceis levam alunos a cancelar matrícula

"Este ano houve mais alunos do 12.º ano a cancelar a matrícula em matemática e a propor-se directamente para exame. Uma consequência da "subida de seis valores da média de notas nos últimos dois anos", diz Nuno Crato, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática. "Muitos alunos cancelaram a matrícula porque estão convencidos que vão ter melhores notas". Estão inscritos 56 925 alunos nas provas de matemática A e B, que se realizam amanhã. Mas já hoje, 97 mil alunos do 9.º ano testam os seus conhecimentos.
A Sociedade Portuguesa de Matemática acredita que o nível das provas de matemática do 12.º deverá ser semelhante ao do ano passado. "Se tivermos o exemplo das provas de aferição realizados, podemos calcular que os exames vão manter-se muito simples", diz.
As consequências de se colocar uma fasquia mais baixa não são as melhores, garante: "nem os melhores nem os piores alunos beneficiam e depois há os que cancelam a matrícula porque sabem que não precisam de trabalhar tanto nem de ir às aulas", lamenta.
O Ministério da Educação não possuí dados sobre o número de alunos que não se matricularam. No entanto, fonte da tutela contestou que um eventual aumento se devesse ao facilitismo dos exames: "foram tomadas medidas para melhorar os resultados. Houve mais investimento no sistema, no plano de acção e uma melhoria na qualidade das provas", disse.
Também Rita Bastos, ex-presidente da Associação dos Professores de Matemática acredita que o nível dos exames do 9.º ano e do 12.º se vai manter. "Não houve grandes mudanças, por isso devem ser acessíveis". Nuno Crato refere que o grau de exigência das aulas é superior ao dos exames. "A média subiu muito e isto não corresponde a uma melhoria real e nem sequer permite compara resultados dos últimos anos", frisa.
Mesmo no 9.º ano, teme que "o facilitismo tenha vindo para ficar". No ano passado, 44,9% obtiveram nota negativa no exame do 9.º ano, muito abaixo dos 72,2% de 2007. A média da matemática A, de 12.º , subiu três valores num ano".

DN

domingo, junho 21, 2009

Educação: Sindicatos fazem balanço "muito negativo" do ano lectivo

"As duas maiores federações sindicais fazem um balanço muito negativo do ano lectivo que agora termina, enquanto a Associação Nacional de Professores afirma que não se perdeu apenas um ano nas relações dos docentes com o Governo, mas toda uma legislatura.
Em declarações à Agência Lusa, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) faz um balanço "completamente negativo" deste ano lectivo, reprovando a actuação do Governo com uma classificação "baixissíma", nota 1 numa escala até 5.
"A grande atitude dos professores e o seu profissionalismo, apesar dos ataques e injúrias de que foram alvo, é o aspecto mais positivo do ano lectivo. Lutaram como nunca, mas mantiveram uma atitude irrepreensível de forma a que os alunos não perdessem o ano", afirmou Mário Nogueira .
Já João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), faz um balanço "extremamente negativo" do ano lectivo, sublinhando a "mudança significativa" no clima interno das escolas.
"Deterioraram-se as relações entre as pessoas por imposição de um estatuto da carreira que não responde às necessidades das escolas. Deteriorou-se o clima de autoridade dos professores em relação aos alunos", exemplificou, atribuindo nota quatro (numa escala até 20) à forma como decorreu o ano lectivo, mas também toda a legislatura.
João Grancho, presidente da Associação Nacional de Professores (ANP) classifica o Governo com um 9,5, reconhecendo o cumprimento de alguns pontos positivos, como a requalificação do parque escolar, o alargamento da acção social escolar ou o plano tecnológico da educação.
No entanto, no relacionamento entre docentes e tutela, considera que "não se perdeu apenas um ano, mas toda a legislatura".
Para João Dias da Silva também existem aspectos positivos ao longo da legislatura, como a generalização do Inglês, a distribuição de computadores ou o redimensionamento da rede escolar, por exemplo.
No entanto, adivinha que o desafio na próxima legislatura passa por pacificar a escola e reganhar os trabalhadores docentes e não docentes, ao mesmo tempo que apela a uma "maior responsabilização dos políticos pelas decisões que tomam e pelo seu impacto".
"Se for negativo, que sofram politicamente consequências pelas suas decisões", afirmou.
Como aspectos muito negativos, Mário Nogueira destaca um ano lectivo de grandes conflitos e muito negativo para as escolas, pela implementação do novo diploma de gestão escolar, "que veio retirar autonomia aos estabelecimentos de ensino".
"Era o ano em que deveria estar implementada a escolaridade obrigatória de 12 anos e a cobertura de 100% para as crianças de cinco anos. Não está. O cumprimento deste compromisso do programa do Governo é o reconhecimento do fracasso das políticas", acrescentou".

Expresso Online