terça-feira, janeiro 11, 2011

Mais de 60 professores aposentados por semana

"Desde 2006, quadro do ME perdeu mais de 23 mil docentes. Saíram 3174 em 2010.

Entre Janeiro e Dezembro de 2010, 3174 professores dos quadros do Ministério da Educação (ME) passaram à reforma. Um número que equivale a cerca de 61 aposentações por semana, mas que ainda assim é inferior às aposentações em massa de anos anteriores - em 2008 foram mais de 5000. Desde 2006, os quadros perderam mais de 23 mil professores.

Os números do ano passado não são do ME - que desde Novembro de 2009 não actualiza a informação sobre o seu quadro, apesar dos pedidos do DN, reiterados ontem. Foram compilados, com base nos registos online da Caixa Geral de Aposentações (CGA), por José Marques, professor de Matemática na Escola Anselmo de Andrade, Almada, e autor do blogue Pé-ante-pé (http://japm-pe-ante-pe.blogspot.com).

"Todas as semanas temos notícia de colegas que se reformam. Havia indicações de que esta tendência estaria a abrandar, mas ainda assim tinha a sensação de que o número seria significativo, e isso confirma-se", explicou ao DN este professor.

"O número poderia ser ainda superior, mas sabemos que ultimamente a CGA está a demorar muito a dar resposta aos pedidos", acrescentou. "Sabemos que há pessoas que aguardam resposta desde Março. Mesmo assim, são muitos professores experientes a sair do sistema, boa parte deles aceitando penalizações até 30% nas reformas."

Curiosamente, a maioria das aposentações concedidas pela CGA em 2010 coincidiu com o início do actual ano lectivo, o que pode ajudar a explicar os problemas de falta de docentes em várias escolas que foram relatados na altura. Em Setembro passaram à reforma 407 docentes, em Outubro 445 e em Novembro 310".

DN

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Andam os pais a pagar um curso para isto

Governo acaba com Área de Projecto e cria Formação Cívica no Secundário

"O Conselho de Ministros aprovou um projecto de decreto-lei que introduz o exame final nacional optativo de Filosofia, elimina a disciplina de Área de Projecto e cria a de Formação Cívica dos cursos científico-humanísticos.
O Governo explica que um dos objectivos da reorganização curricular do ensino secundário é diminuir a carga lectiva semanal dos alunos no último ano, para que estes se preparem para os exames nacionais.
O projecto vai contra as recomendações do Conselho Nacional de Educação que defendia a manutenção da Área de Projecto no 12º ano.
O diploma aprovou a disciplina de Formação Cívica para o 10º ano, como forma de reforçar a formação nas áreas da educação para a cidadania, para a saúde e para a sexualidade. O parecer do Conselho Nacional de Educação sugeria a criação da disciplina em todos os cursos e em todos os anos de escolaridade, contestando os 45 minutos atribuídos.
Esta é a quarta alteração aprovada do decreto-lei nº 74/2004 de 26 de Março que estabelece os princípios orientadores da reorganização curricular do ensino secundário e da avaliação das aprendizagens".

CM

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Santana Castilho põe o dedo na ferida

Público

Interpretar um texto no tempo de Facebook

"Quem ainda ficou surpreendido com os resultados dos exames intermédios dos alunos portugueses, provavelmente não se relaciona com professores ou não tem filhos a frequentar o terceiro ciclo do ensino básico. Os outros, receberam os resultados com normalidade. Alunos que não sabem estruturar um texto, ler e raciocinar é a realidade das nossas escolas.

No meio da desgraça estudantil, uma coisa não se percebe. Como é que estes alunos, semi-analfabetos, transitam de ano? Chegar ao 10º ano do ramo de humanidades e deparar com jovens incapazes de intrepretar um texto, ou de dar uma resposta correcta, do ponto de vista gramatical e da sintaxe, é deveras preocupante.

E enganem-se os que pensam e actuam como se o drama de desconhecer a Língua materna fosse exclusivo dos chamados alunos de Letras. Os de Ciências, esses que consideram inútil o português na sua formação, estão redondamente equivocados. Como o relatório dos últimos exames intermédios, publicados pelo Gabinete de Avaliação Educacional do Ministério da Educação, deixa claro: os maus resultados a Matemática e a Biologia, decorrem, não em exclusivo, mas também, do facto de os meninos e meninas que sonham ser cientistas, não conseguirem perceber um enunciado. Nos casos em que o conseguem entender as perguntas, são incapazes de redigir uma resposta bem estruturada - clara e perceptível, portanto.

Não se iludam, portanto, os que vêem nos resultados do PISA 2009 a salvação do nosso sistema de ensino. Houve progressos inegáveis. Os esforços de Maria de Lurdes Rodrigues não foram em vão. Há, porém, ainda um longo caminho a percorrer. O PISA diz-nos somente que não estamos tão mal como antes. Estamos ainda mal, como agora se viu.

Espanta a ineficácia de tantas aulas semanais de presença na escola. Para quê? Não consegue a escola cativar os mais novos? Parece que não. Numa sociedade da instantaneidade, dos SMS, Youtube e Facebook, como pode um modelo com aulas de 90 minutos prender a atenção de mentes cada vez mais preguiçosas e voláteis? Esse é o grande desafio.

Maria de Lurdes Rodrigues mostrou seguir o bom caminho. Inverter ou parar a marcha, acomodando-se ao facilitismo, pode ser perigoso".

Paula Ferreira
JN

terça-feira, janeiro 04, 2011

João Dias da Silva, Presidente da FNE sobre o corte no financiamento às escolas com contrato de associação.

"Correio da Manhã – Que consequências pode ter a aplicação do decreto que baixa o financiamento do Estado às escolas privadas com contrato de associação?

João Dias da Silva – Há instituições que podem não ter sustentabilidade financeira para continuarem abertas e há professores que estão em risco de despedimento. Isto porque as escolas não tiveram tempo para reorganizar a sua vida e assumiram compromissos tendo em conta um determinado valor anual por turma e, agora, vêem esse valor diminuído de forma cega e abrupta.

– Porquê de forma cega?

– Porque penaliza as que apresentam melhores projectos. Se o Ministério da Educação considera que houve dinheiros mal empregues por algumas escolas particulares, então devia ter feito actuar a Inspecção-Geral, para averiguar esses alegados maus usos.

– Que solução pode ser encontrada?

– Defendemos um financiamento à medida de cada realidade sócio--educativa e de cada projecto. Não se pode financiar da mesma forma uma escola com vários projectos e actividades e outra escola com menos oferta.

– Quantos professores podem ter os contratos em risco?

– Ainda não temos uma estimativa, mas são números significativos, pois estamos a falar de um universo de cinco mil docentes nas escolas com contratos de associação".


– As famílias também são prejudicadas com estes cortes?

– Sim, claro. Por exemplo, no caso de uma família que tenha um filho no 7.º ano e outro no 6.º, significa que, enquanto o do 7.º vai ter apoio até ao 9.º ano, o do 6.º vai perder esse apoio. Além disso, as escolas com contrato de associação têm um nível de adaptação aos horários dos encarregados de educação que as escolas estatais ainda não conseguem oferecer".

João Dias da Silva
CM

domingo, janeiro 02, 2011

Avaliação docente

"Anda meia escola a avaliar outra meia escola". É assim que Manuel Pereira, director do agrupamento de escolas de Cinfães, sintetiza o que se está a passar com a avaliação de desempenho docente. Com o novo modelo, que foi aprovado após o acordo de 8 de Janeiro, a avaliação deixou de ser feita pelos coordenadores de departamento para passar a ser realizada "entre pares, o que poderá "criar uma maior competitividade, mas no mau sentido", alerta Isabel Le Gué, directora da Escola Secundária Rainha D. Amélia.

As classificações de mérito, que são as que permitem uma progressão mais rápida, estão sujeitas a quotas e os avaliadores e avaliados podem ser concorrentes neste processo. "Em vez de partilharem materiais e estratégias, como tem sucedido até agora, receio que os professores comecem a olhar para o seu vizinho do lado como um problema", admite aquela directora. Fátima Gomes, que pertence à direcção da Escola Secundária de Barcelos, corrobora: "As relações entre os professores, que não têm hierarquias entre si, ficarão feridas pela sombra do avaliador e do avaliado. A escola vai perder aquilo que tinha de melhor - a dimensão humana".

Depois de constatar que muitas escolas não tinham meios para responder aos critérios definidos para a escolha dos avaliadores, agora designados relatores, o Ministério da Educação alterou em Novembro um dos princípios de base negociados com os sindicatos: desde que o aceite, um professor poderá agora ser avaliado por outro que esteja num escalão inferior ou mesmo em princípio de carreira, e que também não pertença ao seu grupo disciplinar. Para além de apreciarem o relatório de auto-avaliação, obrigatório, os relatores também procedem à observação das aulas. Este procedimento é obrigatório para o acesso a três dos 10 escalões da carreira docente e também para os professores que se queiram candidatar às classificações de Muito Bom e de Excelente.

"Têm sido nomeados relatores com os mais desvairados critérios e quase toda a gente está à espera para ver quando as coisas explodem", comenta Paulo Guinote, autor do blogue A Educação do Meu Umbigo. "Está a criar muita instabilidade e ainda só estamos no princípio", frisa Manuel Pereira. O Ministério Educação, que não respondeu ao PÚBLICO, tem afirmado que o processo está a correr normalmente. "É o oposto da política de verdade que as pessoas merecem", acusa Dias da Silva, da Federação Nacional dos Sindicatos de Educação. A Fenprof já solicitou a interrupção da avaliação em curso",

Público

Os básicos

"Escrevi há tempos, em plena euforia com os resultados do PISA, que os nossos alunos estavam menos burros, mas continuavam burros.
O Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) do Ministério da Educação veio agora confirmá-lo: depois de uma análise exaustiva a 1700 escolas, parece que os alunos do 8º ao 12º ano não sabem raciocinar nem escrever. Segundo o GAVE, as nossas ‘crianças’ são incapazes de estruturar um texto; explicar um raciocínio com lógica; utilizar linguagem rigorosa; e, Deus meu, utilizar diferentes conceitos da mesma disciplina. Por outras palavras: as nossas ‘crianças’ são capazes de exercícios elementares, como acontece com alguns símios de laboratório; mas o passo final para o conhecimento humano está-lhes interdito.
Isto, ao contrário do que sucedeu com o PISA, não mereceu do governo um comentário. O que se compreende: os nossos governantes, a começar pelo líder da banda, são também um produto do analfabetismo e da lassidão que reinam no sistema de ensino. Confrontados com o relatório do GAVE, o mais certo é não saberem lê-lo ou interpretá-lo".

João Pereira Coutinho
CM

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Estudantes portugueses têm dificuldade em escrever e raciocionar

Os alunos portugueses do 8.º ao 12º ano têm dificuldade em escrever, raciocinar e resolver problemas mais complexos, revela o um estudo do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) para o Ministério da Educação.

Este estudo ensombra os bons resultados revelados pelo estudo do PISA (programa internacional que avalia sistemas educacionais) da OCDE, que dava bons resultados aos lunos portugueses.

Foram analisadas 1700 escolas e o gabinete de avaliação educacional concluiu que os alunos entre o 8º e o 12º ano têm ainda muitas fragilidades, por exemplo em resolver problemas complexos ou explicar um raciocínio com lógica.

Na disciplina de Língua Portuguesa, por exemplo, as fragilidades detectam-se sobretudo ao nível do funcionamento da língua. Construir texto explicativos com frases que tenham lógica e coerência é uma das grandes dificuldades dos alunos.

Nas disciplinas que envolveram contas (Matemática e Física/Química), os adolescentes só conseguiram completar correctamente os exercícios quando o desafio passou por resolver «cálculos elementares».

Em termos gerais este relatório do gabinete de avaliação educacional revela que «a melhor qualidade do desempenho está fortemente associada à presença de enunciados de reduzida extensão, bem como à utilização de suportes textuais simples e também pouco extensos», analisa o jornal i.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Comparação dos Suplementos Remuneratórios: Directore, Subdirector e Adjuntos



http://adduo.blogspot.com/2010/12/comparacao-dos-suplementos.html

Horários nocturnos nas escolas vão começar duas horas mais tarde

"Os directores das escolas públicas com ensino nocturno têm até segunda-feira para encontrar uma ocupação para os professores que, a partir de agora, estão com tempo a mais, pelo menos no recibo de vencimento. Até aqui os docentes que davam aulas a partir das 20h00 recebiam uma bonificação que, por exemplo, fazia com que cada 60 minutos equivalessem ao pagamento de 90 minutos do horário diurno. Agora, até às 22h00, entra em vigor a tabela do regime geral da função pública. Como os salários e as horas não podem ser reduzidos a meio do ano lectivo, professores e directores vão ter de encontrar uma solução para justificar o tempo e o dinheiro gasto.

A instrução chegou aos seus emails ao fim da tarde do dia 27, através de uma circular conjunta da Direcção-geral dos Recursos Humanos da Educação e do Gabinete de Gestão Financeira. As regras do Código do Trabalho são para aplicar imediatamente e o reajuste dos horários terá de ficar concluído até ao fim das férias de Natal, a 3 de Janeiro. Com esta medida, o Ministério da Educação deixa de pagar a bonificação atribuída aos docentes que davam aulas a partir das 20h00 e, no próximo ano lectivo, há condições para dispensar mais pessoal docente.

A lei é para cumprir, só que agora há directores de escolas obrigados a refazer horários, a redistribuir as turmas e ainda a encontrar tarefas para ocupar os professores que ficaram com tempo de sobra. A notícia não podia chegar em pior altura, censura Adelina Precatado, subdirectora da Escola Secundária de Camões, em Lisboa: "Não me passa pela cabeça mudar os professores de turma ou atribuir meia turma a um professor por causa de uma circular que chega no início do segundo período."

A nova medida irritou também o director da Escola Secundária António Sérgio, em Gaia, que critica a tutela por obrigar as escolas a tomar decisões sob pressão: "Não é agora, a meio do ano lectivo, que vou alterar os horários nem improvisar tarefas para preencher os tempos dos professores", avisa António Teixeira. Até porque há pouco a fazer nos casos dos docentes que vão passar a ter horários incompletos: "Já viu o que era pôr um professor da área de Construção Civil a dar aulas de Electricidade só para acertar as horas lectivas?", questiona o director da Escola António Sérgio, onde estudam 700 alunos no regime nocturno.

O serviço lectivo "está distribuído" desde o início do ano e não restam mais tarefas não lectivas para atribuir, explica Agostinho Guedes, director da Escola Secundária Inês de Castro, em Vila Nova de Gaia: "Vamos ter de repensar, voltar a fazer novos cálculos com grandes probabilidades de tomar decisões precipitadas. Se tivéssemos mais tempo, faríamos outras contas", diz o director da Escola Inês de Castro.

O certo é que há outras contas que vão ter de ficar para mais tarde. No início do próximo ano lectivo, cada uma das escolas com ensino nocturno terá de saber quantos professores terá de dispensar: "Por enquanto só consigo dizer que, com o prolongamento do serviço diurno até às 22h00, vamos precisar de menos docentes em 2011/12. Saber quantos são ao certo é ainda uma incógnita", conta Adelaide Inês, adjunta da direcção da Escola Secundária da Lousada.

Adelina Precatado, da Escola Secundária de Camões (Lisboa), confessa ter muita dificuldade em fazer esses cálculos, até porque não quer ser "cúmplice" de mais uma medida "economicista" do governo: "Se calhar vamos ser obrigados a tomar uma posição de firmeza. Se calhar essa posição passa por fechar a nossa escola às 10 da noite", remata a subdirectora".

Jornal i

domingo, dezembro 26, 2010

Um ano muito português

"(...) A sanha descentralizadora do eng. Sócrates prosseguiu com o fecho de mais 701 escolas da província, as quais se somam às 3200 já fechadas durante o respectivo reinado. Não consigo discordar da medida. A partir do momento em que se decidiu abolir a educação do sistema educativo, é absurdo continuar a ocupar milhares de edifícios com inutilidades. Se a escola, no sentido lato, é hoje apenas um meio de armazenar crianças enquanto os progenitores labutam no emprego ou na papelada do rendimento mínimo, nada justifica que não se utilizem armazéns de facto, deixando as escolas, no sentido estrito, disponíveis para reconversão a actividades realmente úteis: restaurantes, adegas regionais, etc. Muitos acham que o turismo é o futuro de Portugal, mesmo porque não vêem outro".

Alberto Gonçalves
DN

Directores de escolas vão ganhar menos em 2011

"Os directores, subdirectores e adjuntos das escolas vão sofrer, já a partir do dia 1 de Janeiro, um corte nos suplementos remuneratórios que lhes são acrescentados aos salários pelas funções que desempenham.
Na sexta-feira, o Ministério da Educação fez publicar em Diário da República um decreto regulamentar que altera a tabela que vigorava até aqui e que faz depender o valor a pagar a cada director do número de alunos inscritos nas respectivas escolas. Há situações, sobretudos nas escolas de menores dimensões, em que os directores irão auferir menos 400 euros mensais.
O Decreto Regulamentar n.º 5/2010 revoga o n.º 1-B, que vigorava desde 1 de Janeiro de 2009. As alterações preconizadas, diz o documento, "pretendem distinguir claramente o maior ou menor grau de exigência no exercício de funções de gestão, que é aferido pela população escolar, isto é, pelo número de alunos de cada agrupamento de escolas ou de cada escola não agrupada".
Assim, face às novas regras, são os directores das escolas até 300 alunos que vão sofrer os maiores cortes. Enquanto antes auferiam 600 euros mensais (verba que na anterior tabela se destinava a escolas até 800 alunos), agora passam apenas a ganhar 200. Nestes estabelecimentos, os subdirectores e os adjuntos ganhavam 310 euros e vão agora ganhar, respectivamente, 150 e 130 euros.
Mas também nas escolas de maiores dimensões haverá alterações nos suplementos pagos. Enquanto o antigo decreto atribuía 750 euros por mês aos directores das escolas que tivessem mais de 1200 alunos, esse valor, que é o montante máximo previsto, passará agora a ser pago apenas aos directores de escolas com mais de 1800 alunos. Por sua vez, nas escolas que só vão até aos 1200 educandos, a verba a auferir será apenas de 650 euros.
Com as novas tabelas passam a existir sete escalões remuneratórios, contra os três que vigoravam até aqui. Os directores recebem um mínimo de 200 euros e um máximo de 750, enquanto os subdirectores vão receber entre 150 e 400 euros. Já os adjuntos terão um pagamento máximo de 375 euros e um mínimo de 130, quando antes estavam perfeitamente equiparados aos subdirectores. Esta diferenciação é justificada pelo facto de o Ministério da Educação considerar que as duas funções têm graus de exigência distintos".

Público

sábado, dezembro 25, 2010

Conselho de Educação rejeita reorganização curricular

"O Conselho Nacional de Educação aprovou, por unanimidade, dois pareceres que criticam a reorganização curricular do ensino básico e secundário, proposta pelo Governo. Os professores garantem que não sabem como as escolas vão funcionar a partir de Setembro.
"Trata-se de uma alteração curricular que, na sua essência, é determinada por critérios económicos e não por questões educativas e pedagógicas", lê-se no parecer referente à reorganização do ensino básico. Os conselheiros consideram "discriminatórias" as limitações a Estudo Acompanhado, "perigosa" a redução de dois para um dos docentes de Educação Visual e injustificada a eliminação da Área Projecto.
Os dois documentos, apurou o JN, foram aprovados por unanimidade pelo CNE, órgão consultivo do Ministério da Educação (ME) com representatividade plural, já que inclui membros nomeados pelo Governo e grupos parlamentares, sindicatos, Associação de Municípios e confederação de pais, além de associações do ensino privado, superior e de juventude. A rejeição à reorganização proposta pelo ME transmite, por isso, alegam dirigentes ao JN, a posição do sector. O problema, insistem, é que o "Ministério das Finanças não terá em conta o parecer" e face aos cortes orçamentais - que, garantem os sindicatos, podem conduzir ao despedimento de 30 mil docentes, no próximo ano lectivo - as organizações não sabem como as escolas vão funcionar a partir de Setembro.
Nos pareceres, o CNE acusa a tutela de propor alterações "pontuais ou desconexas" e "sem fundamentação", especialmente pedagógica. "Não deve ser o caminho a seguir no sistema educativo português", sublinham os conselheiros, apelando "à tomada de medidas devidamente sustentadas por estudos de avaliação das práticas" curriculares.
Os presidentes da associação de directores (Andaep) e do Conselho de Escolas (CE), e os líderes da Fenprof, FNE e Sindep defenderam ao JN que urgente seria uma revisão global do sistema, que abrangesse a carga horária dos alunos, o número de disciplinas, programas e até reorganização dos ciclos de ensino. João Dias da Silva, da FNE, considera mesmo que a Lei de Bases do Sistema Educativo deve ser revista.
Manuel Esperança, presidente do CE, garante não estar previsto os directores pronunciarem-se sobre a proposta, porque o ME não pediu parecer ao órgão (também consultivo). No entanto, frisou, o Conselho de Escolas tem dois representantes no CNE.
O secretário-geral da Fenprof insiste nas contas: só as alterações curriculares propostas (eliminação da Área Projecto, reduções do Estudo Acompanhado e Educação Visual) podem determinar despedimento de 12 mil docentes. A partir de Janeiro, as escolas vão sentir o corte nas verbas de funcionamento, previstas no Orçamento de Estado, mas após as férias sentirão a redução de docentes. "Vai ser muito violento. Não sei como as escolas vão funcionar", diz Mário Nogueira.
Confrontado com o parecer pelo JN, o ministério rejeitou comentar a posição do CNE ou revelar quando pretende aprovar a proposta em Conselho de Ministros. Fonte oficial garante, porém, que vai "considerar o parecer, no âmbito das decisões que tem de tomar".

JN

sexta-feira, dezembro 24, 2010

"Estado Social" - o que é?

"As últimas (?) notícias acerca do "Estado Social" vêm do Tribunal de Contas, que ontem divulgou o parecer sobre a Conta Geral do Estado de 2009: 97% dos 2 200 milhões de euros afectados no ano passado pelo Governo ao combate à crise foram parar ao bolso sem fundo da banca (61%) e às empresas (36%); já com os apoios ao emprego, o "Estado Social" gastou... 1%. Como Guterres diria, é só fazer as contas.

Mas, se foi assim em 2009, as notícias de 2010 são igualmente esclarecedoras. De acordo com dados do Ministério das Finanças citados pelo DN, o Governo estará por fim a conseguir reduzir o défice público (assim terá acontecido em Novembro), e isso graças, principalmente, "aos cortes nos apoios sociais a desempregados e crianças".

Entretanto Portugal alcançou já um honroso 2.º lugar no pódio dos países com maiores desigualdades sociais na UE e há hoje mais de 300 000 portugueses (entre eles milhares de crianças, que comem diariamente uma única refeição que lhes é servida na escola) a passar fome e dependendo, para sobreviver, de instituições como o Banco Alimentar, a Legião da Boa Vontade e outras, ou das espontâneas iniciativas de solidariedade que cidadãos anónimos, contando exclusivamente consigo, vêm promovendo um pouco por todo o país.

É talvez, pois, altura de a Ciência Política e o Dicionário da Academia reverem em conformidade a definição do que seja essa coisa de "Estado Social".

Manuel António Pina
JN

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Só quatro escolas tiveram “Muito Bom”

"Muito empenho, dedicação e a envolvência de todos, desde pessoal docente a não-docente, no trabalho a realizar." Esta é a chave do sucesso, que valeu a quatro escolas a classificação de "Muito Bom" em todos os domínios da avaliação externa, realizada pela Inspecção-Geral de Educação.

Os Agrupamentos de Escolas de Minde (Alcanena), D. João II (Santarém), Joaquim Inácio da Cruz Sobral (Sobral de Monte Agraço) e Grão Vasco (Viseu) ganharam a ‘medalha’.

No total, foram avaliadas 300 escolas – 233 agrupamentos e 67 escolas não agrupadas –, tendo em conta cinco parâmetros: resultados, prestação de serviço educativo, organização e gestão escolar, liderança e capacidade de auto-regulação e melhoria. "É um prémio merecido para todos os professores, alunos e auxiliares educativos", explicou ao CM a directora do Agrupamento Grão Vasco, Maria Inês Campos, que nunca duvidou do "excelente" trabalho realizado na escola. "Temos protocolos com vários organismos, em que os alunos participam em várias actividades, enriquecem conhecimentos e têm contacto com diferentes realidades".

O Agrupamento de Escolas D. João II realiza avaliações internas trimestrais. "Há maior autocrítica de todos os envolvidos, o que contribui para uma evolução permanente do projecto educativo", explica o presidente do agrupamento, António Pina Braz. A responsável do Agrupamento de Sobral de Monte Agraço, Margarida Silva, diz que "os benefícios da boa avaliação ainda não foram visíveis". A responsável defende a existência de um incentivo para as escolas que estão no caminho certo".

CM

terça-feira, dezembro 21, 2010

Inspecção aponta resultados fracos em 45% das escolas

"IGE dá boa nota à maioria das 300 escolas avaliadas, mas sucesso académico e auto-avaliação são pontos fracos.

Perto de metade (45%) das 300 escolas avaliadas em 2009/2010 pela Inspecção-Geral da Educação (IGE) não conseguiram ir além da nota "Suficiente" ou "Insuficiente" (3%) ao nível do "sucesso académico", que reflecte aspectos como as taxas de abandono e as classificações obtidas pelos alunos em provas internas e externas.

Um número que, ao DN, o inspector-geral da Educação preferiu analisar de uma perspectiva positiva: "Também se pode dizer que 55% das escolas avaliadas obtiveram 'Bom' e 'Muito Bom'", defendeu José Maria Azevedo, acrescentando que "em termos gerais, tem-se verificado uma melhoria nos indicadores de abandono e de sucesso", ainda que com "muito caminho a percorrer".

No relatório da IGE, os avaliadores acabaram mesmo por considerar "bons" ou "muito bons" os resultados alcançados por 76% das escolas. Isto sendo que para esses resultados, além do sucesso, pesaram factores, como "participação e desenvolvimento cívico", o "comportamento e disciplina" dos alunos e a "valorização e impacto das aprendizagens".

Um critério "justo", defendeu Adalmiro da Fonseca, da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP). "Houve um esforço das escolas, que deve ser reconhecido, como de resto o foi recentemente", disse, numa alusão aos testes PISA, da OCDE."Hoje as escolas trabalham muito mais para os resultados", acrescentou, admitindo também haver ainda "muito trabalho pela frente".

Entre os cinco domínios analisados pela IGE, é na capacidade das escolas para avaliarem os seus pontos fortes e fracos e agirem - "auto-regulação" - que os valores são mais fracos, com 47% de notas "Suficiente e 3% "Insuficiente".

Um aspecto, admite o IGE, em que têm havido "avanços e recuos", embora "de tendência predominantemente positiva".

Por outro lado, é na "liderança" e na "organização e gestão" que as escolas melhor se comportam, com 92% de bons ou muito bons".

JN

sábado, dezembro 18, 2010

Proletarização dos professores: um fenómeno português

"Os alunos são os novos analfabetos, numa altura em que devíamos investir tudo para pôr os jovens à altura dos de outros países europeus
Desde há muito que o poder político no nosso país tem, relativamente ao corpo docente do ensino primário e secundário, um propósito claro. Considerações em tudo semelhantes se podem fazer para o ensino superior. É preciso aumentar a escolaridade e o "sucesso" escolar, seja a que preço for, de modo a colocar em termos estatísticos, não em qualidade, o país ao nível dos seus congéneres europeus.
Para tanto, delineou-se uma "estratégia" adequada. O raciocínio, longamente amadurecido nos gabinetes do Ministério da Educação, é elementar, como seria de esperar.
Havia duas soluções em alternativa; ou se optava pela excelência do ensino interessando o corpo docente na carreira pela criação de condições para a sua dedicação, formação e permanência, o que custa caro e requer muitos esforços, ou se opta pela solução mais simples, conhecendo a estrutura social portuguesa; proletariza-se o professorado.
Os sucessivos governos optaram obviamente pela segunda solução.
E, vai daí, paga-lhe mal, desinveste na sua formação, precariza o emprego, fiscaliza-o, retira-lhe toda autoridade dentro da escola, chantageia-o com ou sem lei, coloca-o de acordo com um critério que faria inveja na antiga União Soviética, faz-lhe exigências que roçam o sadismo, inventa cursos que não fazem sentido e não têm alunos, proíbe-o de reprovar, põe-no a fazer trabalho de secretaria para poupar nos ordenados de empregados e auxiliares e proíbe acumulações no sector privado com o pretexto de necessidades "funcionais". Sabendo-se que num país onde o emprego qualificado não abunda e vai sendo cada vez mais raro, o pobre do docente integra agora um novo "exército industrial de reserva" superabundante, mal pago e desgraçado.
O fenómeno começou no sector público mas o privado aprendeu depressa com o exemplo.
Assim se logram objectivos estatísticos, com relevância eleitoral, à custa da exploração dessa nova mão--de-obra abundante e cada vez mais desqualificada que são os professores. Não há exemplo em Portugal de mais clara exploração do homem pelo Estado. Quem recebe a mais--valia é o governo.
A consideração óbvia segundo a qual sem professores motivados, bem pagos e satisfeitos na sua carreira não pode haver bom ensino nem passou pela cabeça dos burocratas do Ministério da Educação.
O resultado está à vista, os alunos são os novos analfabetos, o Estado finge que paga e despromove os professores e estes fingem que trabalham.
O ensino vai, portanto, pelo bom caminho. Podemos estar satisfeitos. Com filhos e netos desinstruídos ou munidos de licenciaturas que na sua maioria não valem nada no mercado, podemos encarar o futuro com confiança".

Luís Cabral de Moncada
Professor universitário
Jornal i

terça-feira, dezembro 14, 2010

Começa-se a desvendar a patranha

"Exmos. Srs.: Jornalistas:
Cansada de ouvir elogios aos resultados do PISA 2009, transcrevo abaixo carta com aviso de recepção enviada aos serviços centrais do PISA em Bruxelas, que questiona a seleção aleatória de alunos que deveria ter acontecido, e que nunca mereceu qualquer resposta. Na altura tentei também fazer chegar esta minha preocupação aos media, sem sucesso.
Confrontada com os resultados agora divulgados estou firmemente convencida que houve manipulação dos alunos selecionados, ou seja, estando o Ministério da Educação na posse informatizada das classificações anteriores dos alunos, selecionou os que entendeu por melhor. Desafio os srs. jornalistas a ir junto das turmas e dos alunos selecionados no 10º ano, na Escola ****************, em ************, confirmarem que as amostras escolhidas para serem analisadas estão longe de aleatórias; e junto do Secretariado do PISA confirmar se alguma medida de fiscalização foi tomada.
Possuo ainda o aviso de recepção.
Obrigada pela vossa atenção"


http://educar.wordpress.com/

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Menos burros

"Como estão os nossos alunos de 15 anos? Para o engº Sócrates, estão bem e recomendam-se.
O último estudo da OCDE, conhecido pelo suculento nome de Pisa, revela uma melhoria geral a leitura, matemática e ciências que, na opinião de Sócrates, se deve às ‘aulas de substituição’ e à ‘avaliação dos professores’. Deixemos de lado estas duas últimas fantasias, que no caso em apreço apenas existiram na cabeça do primeiro-ministro.
Fiquemos pelos números. Melhoraram? Inegável. E inevitável: passar da miséria (em 2006) para a pobreza (em 2009) é, sem dúvida, uma melhoria relativa. Pena que continuemos na pobreza, ou seja, abaixo da média da OCDE. Em matemática, temos 487 pontos; a média é de 496. Em ciências, temos 493 pontos; a média é de 501. E, em leitura, o cenário é ligeiramente menos deprimente: temos 489 pontos; a média é de 493. Por outras palavras: continuamos burros, mas menos burros a fazer o básico. Nada disto devia ser motivo para festejos, excepto para quem se contenta com um pouco menos de analfabetismo".

João Pereira Coutinho
CM

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Os portugueses dirão que estes resultados são fruto da pressão que o ME exerceu sobre os professores

"Os alunos portugueses conseguiram melhores resultados do que em anos anteriores nos testes feitos no âmbito do PISA (Programme for International Student Assessment), que avalia o desempenho escolar dos jovens de 15 anos dos países da OCDE e de outros países ou parceiros económicos. As áreas avaliadas são a literacia em leitura, na matemática e na ciência.
Portugal está, assim, pela primeira vez "perto da média" dos países que participam no PISA.
O relatório PISA 2009, que testa os conhecimentos dos alunos de 15 anos nas áreas de leitura, matemática e ciências, coloca Portugal na mesma categoria que os Estados Unidos, Suécia, Alemanha, Irlanda, França, Dinamarca, Reino Unido, Hungria e Taipei, uma das "economias de parceria" da avaliação.
A ministra da Educação considerou "muitíssimo expressiva" a melhoria dos resultados dos alunos portugueses no estudo da OCDE, atribuindo-a aos professores, às famílias, à políticas educativas e à avaliação.
"Em primeiro lugar, os resultados devem-se ao trabalho dos professores e à sua qualidade, investimento e empenho", disse Isabel Alçada em declarações à agência Lusa.
As conclusões do PISA 2009, um extenso documento em cinco volumes com a exposição e interpretação dos resultados dos testes feitos a alunos de 65 países, foram hoje apresentadas na sede da OCDE pelo secretário geral da organização, José Ángel Gurría.
Os alunos portugueses obtiveram uma classificação de 489 pontos, quase ao nível da média geral, que foi de 493 no parâmetro principal de avaliação, centrado na leitura. Nos conhecimentos de matemática, os portugueses conseguiram 487 pontos e na avaliação dos conhecimentos em ciência 493.
Coreia e Finlândia são os países com melhor resultado (539 e 536 pontos, respectivamente) mas Xangai (China) ultrapassa ambos, com 556 pontos.
Dentro do grupo dos países ou regiões com melhores resultados estão Hong-Kong, Singapura, Canadá, Nova Zelândia, Japão e Austrália. Holanda, Bélgica, Noruega, Estónia, Suíça, Polónia, Islândia e Liechtenstein têm também pontuações acima da média".

CM