sexta-feira, março 30, 2012

Triste realidade

Os mega e os tera agrupamentos vão ser a machadada final nos contratados.

quarta-feira, março 28, 2012

O homem tem razão

"Na oposição, PSD e CDS foram dos partidos que mais criticaram, e bem, a constituição de agrupamentos de escolas de dimensão irracional e desequilibrada.
Em 2010/11, Isabel Alçada criava os mega-agrupamentos que chegaram a atingir uma população escolar da ordem dos 3000 alunos. Não estranharam, por isso, as críticas a este processo de desumanização da escola. Depois de um ano de paragem para, segundo o atual MEC, avaliar e dialogar, este escreveu, em projeto de diploma legal, que a constituição de agrupamentos de escolas obedecerá, entre outros critérios, a uma "dimensão equilibrada e racional".
Nunca quis o MEC esclarecer o que era esta dimensão, mas à medida que começam a conhecer-se as propostas das quase extintas direções regionais de educação, começa a perceber-se a razão do silêncio: o teto furou e os agrupamentos a criar chegam aos 3600 alunos! Confirma-se que estes políticos do arco do poder gostam que olhemos para o que dizem (na oposição), mas não para o que fazem (no poder) e são, na verdade, as principais forças de bloqueio ao desenvolvimento de uma Educação de qualidade".

Mário Nogueira
CM

sábado, março 24, 2012

Tera agrupamento em Vila Nova de Gaia

Por este andar ainda vai chegar o dia em que só haverá um agrupamento por distrito. O senhores da troika agradeciam.

sábado, março 17, 2012

Carta da Sara, filha de Professora, aos Professores

"É um dos posts mais complicados que “tenho” para escrever no Aventar.
Conheci a mãe da Sara. Com ela discuti política e sindicalismo, com ela aprendi. Eu, um puto armado em revolucionário. Ela, a Professora disponível para ajudar, para dar a cara, para estar presente, como sempre esteve desde a fundação.
Estupidamente tudo acabou!
E a filha, Sara, revolveu escrever um apelo aos Professores:
Carta a professores, alunos, pais, governantes, cidadãos e quaisquer outros que possam sentir-se tocados e identificados.
As reformas na educação estão na boca do mundo há mais anos do que os que conseguimos recordar, chegando ao ponto de nem sabermos como começaram nem de onde vieram. Confessando, sou apenas uma das que passou das aulas de uma hora para as aulas de noventa minutos e achei aquilo um disparate total. Tirava-nos intervalos, tirava-nos momentos de caçadinhas e de saltar à corda e obrigava-nos a estar mais tempo sentados a ouvir sobre reis, rios, palavras estrangeiras e números primos.
Depois veio o secundário e deixámos de ter “folgas” porque passou a haver professores que tinham que substituir os que faltavam e nós ficávamos tristes. Não era porque não queríamos aprender, era porque as “aulas de substituição” nos cansavam mais do que as outras. Os professores não nos conheciam, abusávamos deles e era como voltar ao zero.
Eu era pequenina. E nunca me passou pela cabeça pensar no lado dos professores.Até ao dia 1 de Março.
Foi o culminar de tudo. Durante semanas e semanas ouvi a minha mãe, uma das melhores professoras de Inglês que conheci, o meu pilar, a minha luz, a minha companhia, a encher a boca séria com a palavra depressão. A seguir vinham os tremores, as preocupações, as queixas de pais, as crianças a quem não conseguimos chamar crianças porque são tão indisciplinadas que parece que lhes falta a meninice. Acreditem ou não, há pais que não sabem o que estão a criar. Como dizia um amigo meu: “Antigamente, fazíamos asneiras na escola e quando chegávamos a casa levávamos uma chapada do pai ou da mãe. Hoje, os miúdos fazem asneiras e os pais vão à escola para dar a dita chapada nos professores”. Sim, nos professores. Aqueles que tomam conta de tantos filhos cujos pais não têm tempo nem paciência para os educar. Sim, os professores que fazem de nós adultos competentes, formados, civilizados. Ou faziam, porque agora não conseguem.
A minha mãe levou a maior chapada de todas e não resistiu. Desculpem o dramatismo mas a escola, o sistema educativo, a educação especial, a educação sexual, as provas de aferição e toda aquela enormidade de coisas que não consigo sequer enumerar, levaram deste mundo uma das melhores pessoas que por cá andou. E revolta-me não conseguir fazer-lhe justiça.
Professores e responsáveis pela educação, espero que leiam isto e acordem, revoltem-se, manifestem-se (ainda mais) mas, sobretudo e acima de qualquer outra coisa, conversem e ajudem-se uns aos outros. Levem a história da minha mãe para as bocas do mundo, para as conversas na sala dos professores e nos intervalos, a história de uma mulher maravilhosa que se suicidou não por causa de uma vida instável, não por causa de uma família desestruturada, não por dificuldades económicas, não por desgostos amorosos mas por causa de um trabalho que amava, ao qual se dedicou de alma e coração durante 36 anos.
De todos os problemas que a minha mãe teve no trabalho desde que me conheço (todos os temos, todos os conhecemos), nunca ouvi a palavra “incapaz” sair da boca dela. Nunca a vi tão indefesa, nunca a conheci como desistente, nunca pensei ouvir “ando a enganar-me a mim mesma e não sei ser professora”. Mas era verdade. Ela soube. Ela foi. Ela ensinou centenas de crianças, ela riu, ela fez o pino no meio da sala de aulas, ela escreveu em quadros a giz e depois em quadros electrónicos. Ela aprendeu as novas tecnologias. O que ela não aprendeu foi a suportar a carga imensa e descabida que lhe puseram sobre os ombros sem sentido rigorosamente nenhum. Eu, pelo menos, não o consigo ver.
E, assim, me manifesto contra toda esta gentinha que desvaloriza os professores mais velhos, que os destrói e os obriga a adaptarem-se a uma realidade que nunca conheceram. E tudo isto de um momento para o outro, sem qualquer tipo de preparação ou ajuda.
Esta, sim, é a minha maneira de me revoltar contra aquilo que a minha mãe não teve forças para combater. Quem me dera ter conseguido aliviá-la, tirar-lhe aquela carga estupidamente pesada e que ninguém, a não ser quem a vive, compreende. Eu vivi através dela e nunca cheguei a compreender. Professores, ajudem-se. Conversem. E, acima de tudo, não deixem que a educação seja um fardo em vez de ser a profissão que vocês escolheram com tanto amor.
Pensem no amor. E, com ele, honrem a vida maravilhosa que a minha mãe teve, até não poder mais.

Sara Fidalgo
P.S. – Não posso deixar de agradecer a todos os que nos ajudaram neste momento de dor *"

Crónica de Santana Castilho


Público

quinta-feira, março 15, 2012

Professores portugueses estão cada vez mais horas nas escolas

"À medida que os anos foram passando, os professores portugueses foram permanencendo mais horas nas escolas. Os valores ficam acima da média da OCDE.
Segundo o estudo Preparing Teachers and Developing School Leaders for the 21st century apresentado ontem, em Nova Iorque, EUA, no âmbito do segundo encontro sobre a profissão docente, promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) – os professores viram as horas lectivas aumentar, entre 2000 e 2009.

Em 2000, os professores do 1.º ciclo leccionavam 815 horas anuais e, nove anos depois, esse valor subiu para 875. Quanto aos dos 2.º e 3.º ciclos aumentaram de 595 para 770; e os do secundário de 515 para as mesmas 770 horas.

Estes valores estão todos acima dos da média da OCDE, que, em 2009 é de 779 para os docentes do 1.º ciclo; de 701 para os do 2.º e 3.º; e de 656 para os do secundário.

Em termos de horário de trabalho, os professores portugueses também se situam acima da média da OCDE. Em Portugal, os docentes, do 1.º ciclo ao secundário, trabalham 1289 horas, quando a média da OCDE é de 1182 para os do 1.º ciclo, 1198 para os dos 2.º e 3.º ciclos, e de 1137 para os do secundário, nas escolas públicas.

Contudo, os docentes portugueses trabalham menos uma semana (37) quando comparados com a OCDE (38). Assim como, por cá, os dias de aulas são menos: os professores portugueses têm 175 dias, a média da OCDE é de 186 para o 1.º ciclo; 185 para os 2.º e 3.º ciclos; e 183 para o secundário".

Público

domingo, março 11, 2012

Coitados dos diretores

"Só o diretor é que não manda em ninguém. O seu papel está mal definido nesta proposta do Ministério da Educação e acaba por fragilizar a escola pública", lamentou Adalmiro Fonseca, no final da Assembleia Geral da ANDAEP, que hoje decorreu em Leiria.
"O facto de, no novo diploma que está em discussão, se prever que os coordenadores dos departamentos nas escolas sejam eleitos e não nomeados fragiliza a liderança dos diretores, que não podem sequer escolher a sua própria equipa", exemplifica".

quarta-feira, março 07, 2012

Concursos: análise ao acordo entre o MEC e alguns sindicatos

"Depois do acordo entre o MEC e alguns sindicatos, este é o momento de analisar o que foi assinando, comparando o acordo com a legislação hoje existente. Será falta de honestidade argumentar que entre a primeira proposta do MEC e esta última há muitas coisas melhores. Pois, mas essa todos perceberam que era, a primeira, apenas um isco.
Vamos lá então analisar o que está assinado:
a) É positivo que um só documento regule o sistema de colocação de professores. No entanto, continuam por esclarecer algumas questões que outro tipo de documentos poderão clarificar.
b) É negativo que o estado, enquanto patrão, admita que vai continuar a violar a lei e a ter professores com anos (mais de dez em muitos casos) e anos de contrato. Seria honesto que os sindicatos signatários escrevessem algo sobre isto.
c) É positivo (MUITO!) que se clarifique a situação dos professores com horário zero. Com um mas. Até agora, um docente não teria horário zero desde que houvesse uma hora para leccionar.
Agora, são seis horas (1ª prioridade – Docentes de carreira a quem não é possível atribuir pelo menos 6 horas de componente letiva). Os professores ficam a perder. No caso de existir horário zero, o Director tem que respeitar a graduação (a) Caso o número de voluntários exceda a necessidade, o diretor deve indicar por ordem decrescente da graduação profissional;b) Na falta de docentes voluntários, deve o diretor indicar por ordem crescente da graduação profissional.)
d) Os concursos eram de 4 em 4 anos. Continuam de 4 em 4 anos.
e) Agora existem critérios para regular as ofertas de escola. Acontece que 50% dos critérios são entrevista. Ou seja, o Director escolhe quem quer. Alarga-se a todas as escolas o erro das escolas TEIP! É algo negativo.
f) Até hoje, os Professores contratados tinham 4 intervalos de horários para concorrer. Perdem um: agora são 3.
g) Para ficar na primeira prioridade, um professor contratado deverá ter trabalhado “em pelo menos 365 dias no ensino público nos últimos seis anos.” Isto são regras piores do que aquelas que existiam. A brincadeira dos 4 anos completos em 6, era isso mesmo, uma brincadeira.
h) Docentes do privado – esta foi uma das questões mais polémicas, que pelo silêncio da FNE, sempre adivinhamos ver escrita no acordo final: “São igualmente ordenados na 1ª prioridade os docentes de estabelecimentos particulares com contrato de associação.”
i) Na legislação actual não há qualquer tipo de obrigação de preferências para os docentes dos quadros, é isso que fica com a legislação assinada".

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Directores exigem indemnização

"Os directores exigem ser indemnizados no caso de os seus mandatos serem interrompidos devido ao processo de agregação de escolas.
A proposta do Governo de novo modelo de gestão escolar prevê que, em caso de fusão, seja nomeada uma comissão administrativa provisória e o director afastado.
Para Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), trata-se de "uma falta de respeito lamentável pelos directores". "Se um mandato de quatro anos é interrompido por questões administrativas, o director deve ser respeitado e até indemnizado pela quebra de expectativas", afirma.
Tutela e sindicatos de professores vão hoje reunir-se para negociar o diploma de gestão escolar. As associações de directores e o Conselho de Escolas não participam".

CM

terça-feira, fevereiro 28, 2012

Concursos só em 2013

O secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova de Almeida, garantiu ontem que o concurso de professores para lugares de quadro terá lugar apenas em 2013 e não este ano, como queriam os sindicatos. Até lá, o método é, “grupo a grupo, perceber as necessidades do sistema”, disse.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Entrevista de Mário Nogueira

Mário Nogueira, Secretário-geral da Fenprof, sobre proposta do Governo de novo regime de concursos de professores
CM - O que lhe parece a proposta do Governo?
Mário Nogueira - Ainda temos de analisar melhor. Mas queremos primeiro perceber se esta pressa do Governo em apresentar o documento significa que vai haver concurso para lugares de quadro este ano.
- O actual regime prevê que o concurso ocorra a cada quatro anos e esta proposta nada altera, pelo que o próximo concurso deve manter-se em 2013.
- A proposta diz que o concurso será quadrienal mas nada impede que comece já este ano. Queremos concurso já em 2012, é a grande prioridade e foi um compromisso do anterior Governo. Mas é preciso que haja vagas, porque em 2009 só houve 396.
- Porque é essa a prioridade?
- As escolas precisam do concurso, porque desde 2006 reformaram-se 23 mil professores que foram substituídos por precários e só entraram os tais 396 para os quadros. Este ano lectivo houve 12 a 15 mil lugares que correspondem a necessidades permanentes e foram ocupados por contratados.
- O que lhe parecem os outros aspectos da proposta?
- É negativo que não preveja um regime de vinculação para contratados, alguns com 15 anos de serviço, quando no privado ao fim de três anos, no limite seis, entra-se nos quadros.

CM

sábado, fevereiro 18, 2012

Conselho das Escolas concorda com reforma no recrutamento de docentes

"O Governo vai adoptar várias reformas no recrutamento e gestão dos horários nas escolas. O professor Manuel Esperança, do Conselho das Escolas, elogia algumas das medidas avançadas.
“A questão da abertura de quadros penso que vai ser fundamental devido à saída de muita gente, será uma forma de estabilizarmos mais os quadros das escolas. Tem uma parte negativa que é a parte dos contratados, mas os contratados não fazem parte do sistema”.
Outra medida positiva “é a possibilidade da permuta: um professor que é colocado no Algarve pode fazer a permuta com outro que esteja colocado em Lisboa”.
“Considero também como medida positiva que um professor que tenha um horário incompleto – se surgirem horas para que os miúdos não percam as aulas – possa fazer esse complemento de horário”.
Manuel Esperança deixa, no entanto, uma sugestão. “Era fundamental também rever a questão dos atestados médicos. Só a partir de um atentado médico de 30 dias é que podemos proceder à substituição de um professor. Penso que isso devia ser revisto”.
Segundo o projecto do Governo, nestas contratações os critérios de antiguidade e classificação profissional devem pesar 50% na decisão, ficando os outros 50% dependentes de entrevista ou análise curricular da escola. Esta é uma regra que, segundo fonte do Ministério da Educação, serve para dar um critério único a este tipo de contratações.
O diploma do Governo espera ainda conseguir colmatar mais rapidamente as situações de doença e baixa, permitindo aos professores que não têm horário completo, preencher as vagas desde que para isso tenham habilitações. Professores portadores de deficiência passam a ter prevalência na integração do quadro da escola".

RR

domingo, fevereiro 12, 2012

As alterações que o Governo pretende fazer ao modelo de gestão das escolas

- aos candidatos a diretores ser-lhes-á exigido que tenham no mínimo cinco anos de serviço como docentes e ainda formação específica na área da gestão e administração escolar;
- ser eleito com pelo menos um quarto dos votos do Conselho Geral, que é composto por um máximo de 21 elementos;
- ser avaliado pelo Conselho Geral;
- o número de departamentos curriculares passará a variar, de acordo com a realidade das escolas, que passarão a ter autonomia para o determinar;
- os coordenadores de departamento, deixam de ser nomeados pelo diretor, que passará a indicar 3 nomes, um dos quais será escolhido pelos docentes.

sábado, fevereiro 11, 2012

Provas da 1ª fase obrigatórias

A 1ª fase dos exames finais dos 11º e 12º anos, que se vai realizar entre 18 e 26 de Junho, passa este ano a ter "carácter obrigatório para todos os alunos internos e autopropostos", de acordo com o calendário de provas, ontem publicado em Diário da República. Os alunos deixam de poder optar por fazer directamente as provas na 2ª fase, este ano entre 13 e 18 de Julho. A 2ª fase fica "reservada para os alunos que na 1ª fase não tenham obtido aprovação [ou que] pretendam realizar melhoria da classificação", esclarece o Ministério da Educação e Ciência (MEC).

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Professores são os mais afectados pelo bloqueio das progressões

"Fenprof estima que número de docentes que não progrediram por erro dos serviços ascende a 1.200.
O Governo garante que "são poucos" os funcionários públicos afectados pela falha nas progressões na carreira devido a uma má interpretação da lei do OE/2011 e que se tratam de casos que foram indentificados na Educação. Porém, os sindicatos asseguram que muitos trabalhadores de vários sectores do Estado estão nestas condições e que, só entre docentes, os casos deverão rondar os 1200.
Em causa, tal como avançou ontem o Diário Económico, estão trabalhadores do Estado que tinham reunido as condições para subir na carreira até Dezembro de 2010 e que, até agora, ainda não viram as progressões concretizadas. Isto porque houve um "erro ou inércia" dos serviços - tal como admitiu o Ministério das Finanças - na interpretação de um artigo da Lei do OE/2011 que veio proibir valorizações remuneratórias a partir de Janeiro de 2011. Mas o número 4 do mesmo artigo excepciona as promoções "que devessem obrigatoriamente ter ocorrido em data anterior àquela."
Foi esta norma que levantou dúvidas nos serviços e fez com que as progressões fossem bloqueadas. O Governo já reconheceu o erro e garantiu que irá regularizar a situação e pagar a diferença salarial com retroactivos".

Diário Económico 







quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Portugal tem a 2.ª pior taxa de abandono escolar na UE

Um relatório divulgado, esta quarta-feira, em Bruxelas, mostra que na União Europeia, segundo dados de 2010, Malta tem a maior taxa de abandono escolar (36,9 por cento), seguida de Portugal (28,7 por cento) e Espanha (28,4 por cento).
No entanto que Portugal e Espanha melhoraram a taxa de abandono escolar precoce, em relação a 2009 (31,2 por cento em ambos os países), enquanto em Malta se manteve inalterada.
A média dos 27 Estados-membros era, há dois anos, de 14,1 por cento, tendo baixado 0,3 pontos percentuais em relação a 2009.

domingo, fevereiro 05, 2012

No ensino contemporâneo compete aos alunos bater nos professores

"De vez em quando, o meu pai contava episódios alusivos ao professor dele na "primária", um sádico chamado Miranda que passava metade das aulas a impor aos alunos uma disciplina militar e a metade restante a espancá-los sob divertidos pretextos. Num dos episódios mais memoráveis, o meu pai e o meu avô encontraram o emérito pedagogo na rua. Perante a criança aterrada, os adultos trocaram conversa e cortesias. À despedi- da, o meu avô instruiu o professor: "Já sabe: dê-lhe! Dê-lhe com força!" Trinta ou quarenta anos depois, mas só trinta ou quarenta anos depois, o meu pai ria-se da completa redundância do conselho.
Hoje, semelhante brutalidade é vista como um anacronismo ou mesmo uma lenda: nem os professores batem nos alunos nem os familiares destes incentivam aqueles a fazê-lo. No ensino contemporâneo, compete aos alunos bater nos professores, directamente ou por intermédio de familiares. É por isso que a notícia do docente de matemática assistido no hospital de Vila Nova de Gaia mal chega a ser notícia.
A história é simples. De manhã, o professor dispensou, e consta que empurrou, uma menina da sala por esta insistir em ouvir música no telemóvel. À hora do almoço, três ou quatro parentes da menina interpretaram à letra os recorrentes apelos à participação dos progenitores no quotidiano das crianças e deixaram o homem de 63 anos inconsciente mediante argumentos racionais, ameaças de morte, socos e pontapés. O Ministério da Educação condenou "veementemente este tipo de comportamentos". Estranhamente, ninguém perguntou a opinião ao ministro da Administração Interna, o qual tutela as polícias, as quais deviam tutelar a escola tolerante e moderna que erguemos sobre as ruínas da velha intolerância.
Haverá meio-termo? Espero que sim. Em não havendo, sobra uma certeza: o meu pai foi criado no medo e acabou por levar uma vida, perdoem a expressão, honrada. Seria interessante acompanhar o futuro da menina de Gaia criada na impunidade. Acompanhar à distância, claro".

Alberto Gonçalves
DN

sábado, fevereiro 04, 2012

Professor e polícia

A maioria que nos governa, e bem, quer equiparar o estatuto de professor ao de polícia. Nada mais oportuno depois da tareia que um docente apanhou de familiares de uma aluna que perturbava aula de Matemática e foi expulsa.
A Matemática perturba. Esta aluna do 5º ano, dela não precisa para nada. Treinada em atrapalhar, tinha o direito de reforçar aqui as suas competências. E o professor não deixou. Esteve mal. Recebeu tratamento no hospital. Um hospital está sempre mal localizado. Devia estar junto a cada escola.
O estatuto de professor-polícia, ou de polícia-professor (no caso de se pretender reforçar a componente pedagógica do papel da autoridade policial na aquisição de conhecimento), poderá resolver a questão da violência parental sobre a filharada, a parentela próxima, e sobre a classe docente, a parentela afastada.
Esta mudança de estatuto do professor, há muito que se impunha. Em boa hora, a maioria vai pô-la em prática. O que é necessário é não descurar a componente da formação do polícia que passará a viver em cada professor que, esperamos, se venha a apresentar devidamente fardado na esquadra, perdão, na escola.
Em primeiro lugar, a componente da acção psicológica. O futuro agente da autoridade terá de compreender que se não é bruto, para bruto deve evoluir. Imbuir-se deste espírito de corpo de intervenção é fundamental.
Luta corpo a corpo, e toda a panóplia de artes marciais, devem entrar nessa formação específica. Mas exercícios de tiro também. A progressão na carreira deve a exigir, como pré-requisito essencial, a carreira de tiro e gestão de paióis. Aprender a acertar em alvo humano com cabecinha diminuta deve ser basilar. A cabecinha destes petizes, com o amor à matemática e às outras disciplinas, tem tendência a mirrar. E só com mira telescópica se pode acertar no alvo. É que os professores, não raro, têm dificuldade em mirar alunos indisciplinados. Muitos não só não os vêem, como não os ouvem. Os centros de novas oportunidades que vão ser extintos - e que não fazem falta porque já temos oportunistas habilitados que cheguem - poderão ser, depois de adapatados, lugares muito interessantes para aprender a manejar o cassetete, a despoletar uma granada de mão, a redigir um auto de polícia. De autos, como é notório, os professores só conhecem o Fiat Punto.
Depois é só chegar à sala de aula e despejar a pistola engatilhada em cima da secretária. Mandar escrever o sumário de rajada. Esvaziar o tambor dos conhecimentos. Quem não ouviu, ouvisse. Uma descarga tonitruante, em voz de cabo de esquadra, é audível até em casa. E, os pais dos meninos, assim poderão adquirir muitos conhecimentos. Sim, porque um progenitor bem formado, musculado, treinado em sopapo e biqueirada, faz sempre falta para animar as reuniões com encarregados de educação.
Ensinar um pai, também, a lidar com um professor não é fácil. Embora gente educada, e bons educadores dos filhos, alguns vão confundindo um docente com um saco de kickboxing. Mas o docente, que não enche completamente o saco, também deve estar preparado para reagir. Sim. Só os professores de Química conhecem reacções apropriadas. Outros deprimem à falta de pior reacção. Este estatuto de polícia, com que os professores vão ser agraciados, vai permitir, em tempo de crise severa, extinguir a "Escola Segura" e poupar muitos milhões de euros em passeios diletantes de escola em escola que polícias, que não apreciam andar a pé, fazem. Depois, é só mudar a nomenclatura da carreira docente. Na sala de aula o aluno terá de aprender a chamar ao professor "nosso praça"; o director de turma pode ter o honorífico cargo de "cabo de esquadra"; o director da escola, "senhor comissário". 
E, assim que surja qualquer dúvida, na matéria, chamem a polícia...

José Alberto Quaresma
Expresso

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Não ponham um travão nisto e um dia acontece uma desgraça

Um professor de matemática de 63 anos, que expulsou uma aluna da sala de aula por estar a perturbar a lição, foi agredido terça-feira em Gaia a murro e pontapés à frente da escola por alegados familiares da estudante do 6.º ano.




Escolas querem mais tempo para Português no 12º Ano

"O Conselho das Escolas (CE) quer aumentar a carga horária de Português em 45 minutos no 12.º ano, devido à extensão e exigência do programa e aos resultados "cada vez mais baixos" nos exames nacionais.
A posição deste órgão consultivo do Ministério da Educação está espelhada no parecer que entregou na segunda-feira ao secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova de Almeida e a que a agência Lusa teve acesso.
No documento, aprovado pelos conselheiros na sexta-feira, a propósito da revisão da estrutura curricular do ensino básico e secundário, sustenta-se ainda que a necessidade de reforço se deve também à "complexidade conceptual dos conteúdos literários" e à falta de tempo para desenvolver actividades necessárias para se atingir a eficácia de expressão escrita e oral exigida neste nível de escolaridade.
O CE diz ainda que a actual carga horária é inferior à das demais disciplinas sujeitas a exame nacional.
O conselho considera, por outro lado, que deve manter-se uma área curricular não disciplinar de formação cívica do 5.º ao 12.º ano porque dá "um contributo valioso para a formação integral dos jovens, para a construção da sua cidadania e para a melhoria do clima de escola".
A actualização do leque de opções no ensino secundário, tendo em conta o seguimento dos estudos e as necessidades do mercado de trabalho são outra proposta do CE.
Para o efeito, propõe-se a criação de disciplinas e a focalização da atenção do aluno no conhecimento fundamental, proporcionando "uma melhor gestão do tempo de estudo".

CM 

domingo, janeiro 29, 2012

Urgência

A disciplina tem de voltar às escolas o quanto antes, sob pena de estas se tornarem num pântano. Já não há quem aguente alunos mal educados, insubordinados, e que fazem da escola um local para descarregarem as suas frustrações. Quem não sabe respeitar normas de conduta só tem um caminho: rua. E ponto final.

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Aula semanal para preparar exames

"A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) propôs a criação de um bloco semanal de 90 minutos no 12º ano para preparar os alunos para os exames de acesso ao ensino superior.
A proposta foi avançada pela presidente da CNIPE, Maria José Viseu, na audição pública sobre a revisão da estrutura curricular, que juntou mais de quarenta agentes educativos na Assembleia da República.
Segundo afirmou Maria José Viseu, a medida não representa "nenhuma despesa" acrescida.
Na proposta de revisão curricular apresentada em Dezembro de 2011 pelo ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, o 1º ano perde a segunda opção anual, que representava três blocos de aulas de 90 minutos cada. Trata-se de uma redução de trinta por cento na carga horária, que pode deixar margem para cedências".

CM