domingo, junho 10, 2012

Façam-nos esse favor

Manuel Esperança, presidente do Conselho de Escolas, ameaça com o fim deste orgão farto que está deste governo ignorar os diretores. 
Alguma vez esta gente se preocupou com a escola ou os professores? Nunca. Apenas se representam a si próprios e em defender os seus interesses. Sendo assim, eram um favor que nos faziam caso o orgão fosse extinguido.

quinta-feira, junho 07, 2012

Revisão do Estatuto do Aluno prevê multas para pais incumpridores que podem ir até 79 euros

"Multas para os pais com filhos faltosos que vão até 79 euros, vítimas com direito a solicitar a transferência de turma do agressor ou prazos de suspensão alargados são algumas das novidades que constam na proposta de lei do Estatuto do Aluno e Ética Escolar ontem entregue no parlamento. A partir do próximo ano lectivo, professores ou alunos vítimas de agressão “física ou moral” de outro aluno podem solicitar ao director que este seja transferido para outra turma. Para isso é preciso que o agressor já tenha cumprido uma suspensão superior a oito dias e que o seu regresso provoque um “grave constrangimento aos ofendidos” ou então perturbem a convivência escolar.
O director só pode recusar o pedido quando não há na escola ou no agrupamento outra turma com a mesma disciplina ou quando a transferência implica “grave prejuízo para o percurso formativo” do aluno agressor. Outra novidade do diploma, que será debatido na Assembleia da República a 6 de Julho, é que os alunos com mais de 18 anos voltam a poder ser expulsos da escola, ficando impedidos de regressar nos dois anos lectivos seguintes. A sanção, que tinha sido eliminada em 2008, é decidida pelo director-geral da educação e só poderá ser adoptada como último recurso. Nesta proposta, os prazos para suspender os alunos também crescem. O director pode suspender preventivamente o aluno durante três dias sem recorrer a um processo disciplinar. Actualmente o limite não ultrapassa um dia. O prazo máximo da suspensão, após o processo disciplinar sobe de dez para 12 dias e é decidido pelo director que define também um plano de actividades para o aluno. No caso de danos materiais, o director pode ainda determinar a obrigação do aluno em reparar o material ou indemnizar a escola.
Os pais passam a ser responsabilizados pelas faltas e pelo comportamento dos filhos. O incumprimento “consciente e reiterado” desses deveres dá origem a coimas a variar entre os 13 e os 79 euros. Os valores correspondem ao valor máximo definido para o escalão B do ano ou ciclo de escolaridade para adquirir manuais escolares. Tratando-se de pais cujos filhos recebem já apoios de acção social, em vez de coimas pode ser determinada o corte desses apoios ou a sua restituição. O estatuto obriga ainda as escolas a comunicar à comissão de protecção de crianças ou ao Ministério Público, podendo os pais ter de frequentar programas de educação parental ou enfrentar intervenções “relacionadas com o desempenho do exercício do poder paternal”.
Jornal i

sábado, junho 02, 2012

Entrevista de João Dias da Silva (FNE) ao Correio da Manhã

Correio da Manhã – Como comenta esta proposta de lei, que reforça a responsabilização das famílias em caso de incumprimento dos deveres dos alunos?
João Dias da Silva – Sublinho que se trata só de uma proposta, que cria agora uma responsabilidade da Comissão de Educação da Assembleia da República para ouvir as associações de professores, de pais e de alunos. É um documento de partida e não de chegada e esperemos que haja disponibilidade para ouvir da parte dos grupos parlamentares, mesmo os que constituem a maioria.
– Concorda com a redução dos apoios sociais das famílias cujos filhos não cumprem os deveres na escola?
– A escola tem de ser entendida como uma responsabilidade e não como algo que apetece. Ser assíduo às aulas não tem só a ver com o aluno, a responsabilidade também é das famílias. Se as aulas começam às 08h00, mas o pai e a mãe gostam de se levantar tarde têm de ser responsabilizados.
– Quer dizer que concorda com a redução dos apoios?
– A lei é cega e por vezes fecha os olhos a realidades. Em princípio posso concordar, mas a escola deve ter soluções alternativas se o contexto o justificar, particularmente na situação actual de crise que vivemos.
– O fim dos planos individuais de trabalho para alunos que passam o limite de faltas é uma boa medida?
– Sim. Os professores é que eram castigados com os planos de recuperação e acho bem que sejam substituídos por outras formas em que os alunos e famílias sintam os efeitos da sua irresponsabilidade. Mas temos de ver a relação entre impacto das faltas e aproveitamento escolar. Pode-se faltar e ter sucesso e faltar e não ter sucesso.
 

sexta-feira, junho 01, 2012

O novo Estatuto do Aluno

Sem que os alunos possam reprovar por faltas tudo ficará como dantes. Quem pensar o contrário está redondamente enganado.

sexta-feira, maio 25, 2012

quinta-feira, maio 24, 2012

Ide trabalhar, malandros

"O Governo soube através do INE que anda por aí um milhão de madraços sem trabalhar e decidiu dar-lhes que fazer. A boa nova foi levada à AR pelo secretário de Estado da Administração Interna, que anunciou que o seu ministério e os da Economia e Agricultura estão a ultimar um protocolo que visa pôr os desempregados a aproveitar a sua "oportunidade de mudar de vida" iniciando uma promissora carreira no sector da prevenção de fogos florestais. Assim ocuparão os tempos livres em vez de (a ociosidade é mãe de todos os vícios) os ocuparem a pensar.
O programa (que abrange ainda os beneficiários de RSI) prevê que os desempregados se encarreguem da vigilância e limpeza das florestas que os seus proprietários, Estado e privados, não limparam e de... funções de ordenamento do território e gestão do combustível existente.
O subsídio de desemprego é, para o Governo, uma esmola que dá aos desempregados e não uma prestação a que estes têm direito por terem, ao longo da vida profissional, confiado todos os meses ao Estado uma parte do salário para esse e outros fins.
A coisa será, até ver, numa "base voluntária". E, posto que na lista dos ministérios falta o das Finanças, não custa a crer que também numa "base gratuita". Já que os desempregados (como os reformados, que provavelmente se seguirão) recebem esmola do Estado, que se mostrem agradecidos".

Manuel António Pina
JN

quarta-feira, maio 23, 2012

A dislexia das crianças e a dislexia dos que mandam - crónica de Santana Castilho

"1. O júri nacional de exames (JNE) recusou que a uma aluna de 14 anos fosse lido o enunciado do exame a que se submetia, obrigatoriamente. A aluna é disléxica. A leitura era prática seguida há anos. Aparentemente, a questão resume-se a saber se a um aluno disléxico devem ou não ser lidos os enunciados dos exames. O JNE diz que não. Os especialistas dizem que sim, pelo menos em casos determinados, dependendo da dificuldade do aluno. No caso em apreço, a escola da aluna recomendou a leitura. A terapeuta que a assiste também, aliás secundada pela respectiva direcção regional. Alega o JNE que os alunos disléxicos têm uma tolerância de 30 minutos relativamente ao tempo de duração das provas e são classificados segundo regras concebidas para que as suas limitações não se reflictam no resultado final. O JNE invoca uma generalização de abusos quanto a condições especiais, que se tornaram regra para alunos disléxicos. Da literatura disponível sobre a matéria inferem-se factos, a saber: a dislexia é uma limitação do foro neurológico, com diferentes graus de gravidade; uma dislexia moderada pode dispensar a leitura do enunciado dos exames, mas uma dislexia severa não; assim, alguns disléxicos podem cognitivamente dominar um saber e prová-lo se interrogados oralmente, embora não consigam entender ou sequer ler a pergunta, se esta for formulada por escrito. Num exame de Matemática, por exemplo, mede-se um conhecimento específico que um aluno pode deter em grau máximo, apesar da sua dislexia severa. Mas não o conseguirá provar se as questões estiverem escritas. Num exame de Português, o mesmo aluno pode ter uma fina capacidade de interpretar um texto complexo que lhe seja lido. Mas não entenderá coisa alguma se for obrigado a lê-lo. Pode o Estado certificar proficiência em leitura a um aluno com uma dislexia severa? Não. Mas não pode deixar que a limitação do aluno se reflicta noutras áreas do conhecimento, somando à respeitável penalização da natureza humana com que aquele aluno nasceu, outra penalização, desta feita nada respeitável. Porque entre o tempo em que se fechavam em galinheiros crianças deficientes e hoje houve um percurso, embora a tónica esteja agora posta em retrocessos a que chamam progressos. Não é redundante, por isso, recordar a alguns disléxicos que mandam que estão para breve mais exames a que se submeterão mais alunos disléxicos, com níveis de conhecimento que nunca poderão demonstrar se os econometristas da moda persistirem em confundir velocidade com toucinho, uma recorrente dislexia política dos tempos que correm.
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2. Passos Coelho e Miguel Relvas, que se saiba, não são disléxicos, por via neurológica. Mas dão sinais preocupantes de dislexia política. As afirmações do primeiro sobre a ventura feliz que o desemprego constitui, demonstraram uma profunda incapacidade de leitura do drama social dos portugueses desempregados. E a censura cínica que lhes dirigiu por preferirem ser assalariados a “empreendedores” (ele que, no curto tempo em que desempenhou alguma actividade produtiva se acolheu prudentemente ao Estado e a Ângelo Correia) mostra que não sabe, também, ler dados estatísticos. É que, se por um lado Portugal é o quarto país da OCDE que mais empresários tem, por outro, três quartos das empresas criadas ficam insolventes nos primeiros anos de actividade. Se esta dislexia for recuperável, perceberá um dia, tarde, que as causas do desastre, a que ele chama sorte, são outras. Começando por ele e pelo seu pensamento fundamentalista, socialmente darwinista.
Quanto ao homem do avental, ele que ousa dissertar sobre “jornalismo interpretativo”, acometido que parece de dislexia político/comunicacional (que generoso estou, não falando de pulsões chantagistas), avanço propostas terapêuticas para a interpretação do “texto”, que qualquer assessor lhe pode ler:
- Diga, em adenda à carta que dirigiu à Entidade Reguladora para a Comunicação Social, se sim ou não ameaçou a jornalista Maria José Oliveira com a publicação de dados sobre a sua (dela) vida privada.
- Diga, do mesmo passo, como saneia uma aparente contradição, quando depois de garantir que conheceu o ex-espião Jorge Silva Carvalho depois de Março de 2010, referiu na Assembleia da República ter dele recebido um “clipping” reportando uma visita de Bush ocorrida … em 2007. Esclareça se era habitual Silva Carvalho fazer “remakes” do “Canal História”, via SMS.
Claro está que isto é retórica de escriba. De escriba que expôs ao ministro Relvas, acabado de empossar, uma estranha “dislexia”, que continua por tratar ou explicar. Ainda os casos Nuno Simas e Pedro Rosa Mendes vinham longe".

segunda-feira, maio 21, 2012

E lá foram 1800 milhões para o lixo

A maior parte dos adultos que conseguiram uma certificação escolar através do programa Novas Oportunidades não ficou, por isso, com mais probabilidades de encontrar um emprego ou, caso já o tivesse, de obter uma melhor remuneração, conclui uma avaliação da iniciativa, que foi um dos emblemas dos executivos de José Sócrates.

sábado, maio 19, 2012

Mentirosos

Para fundamentar a criação dos mega e giga agrupamentos, o Governo socorre-se de algumas mentiras que vale a pena citar:
- "As agregações agora efetuadas permitem reforçar o projeto educativo e a qualidade pedagógica das escolas, através da articulação dos diversos níveis de ensino, do pré-escolar ao secundário".
- "Facilitam o trabalho dos professores, que podem contar com o apoio de colegas de outros níveis de ensino, e ajudam a superar o isolamento de algumas escolas".


sexta-feira, maio 18, 2012

Concluída a 1ª fase das agregações de escolas

Podem consultar aqui.

Não ponham mão nisto, não...

"Alunos da escola Professor Ruy Luís Gomes, no Laranjeiro, em Almada, entraram ontem de manhã com facas nas mochilas, dispostos a um ajuste de contas com o membro de um grupo rival. O alvo já estava traçado – era C.C., 16 anos – e no intervalo o grupo executou o plano.
O jovem foi agredido a murro e pontapé e esfaqueado na zona dos rins, estendendo-se depois a confusão a um grupo generalizado. Mais de 40 alunos acabaram à pancada.
Os cinco envolvidos no esfaqueamento já estão identificados pela PSP, mas ainda não foram localizados.
As agressões, que começaram na zona do pavilhão da escola, acabaram com os jovens a agredirem-se no meio da avenida onde fica o estabelecimento de ensino.
"Os que tinham facas utilizaram-nas, os que não tinham usaram as pedras da calçada", disse ao CM o aluno Rodrigo. A direcção da escola não presta declarações. Segundo fonte da PSP, os dois grupos rivais já se tinham envolvido em agressões na quarta-feira à tarde. "Isto foi um verdadeiro terror, toda a gente a fugir e a gritar na escola", disse a aluna Noemie. Os pais dos alunos ficaram em choque com o sucedido".

CM


quinta-feira, maio 17, 2012

Mobilidade geral na função pública terá como limite 60 km

Mobilidade geral só para serviços até 60 km de casa e o Estado pagará parte das deslocações.




domingo, maio 13, 2012

Canalhice pura

"Estar desempregado é uma boa oportunidade para mudar de vida", palavras de Passos Coelho.
Se assim é, aconselho o nosso primeiro-ministro a desempregar-se e a juntar-se às filas nos Centros de Emprego. Talvez um emprego na construção civil lhe aclarasse as ideias.

quinta-feira, maio 10, 2012

Nuno Crato está-se a revelar uma enorme desilusão

Interpelado na Assembleia da República sobre a trapalhada que se verifica na constituição dos agrupamentos escolares, o ministro da educação sai-se com está pérola:" Destinam-se a reforçar a coerência do projeto educativo e a qualidade pedagógica". Já pouco falta para Nuno Crato se equivaler às anteriores ministras de má memória que nos últimos anos lideraram a pasta da Educação.

segunda-feira, maio 07, 2012

Contado ninguém acredita

O Ministério prepara agrupamento em Mafra com 9 mil alunos. Já agora porque não um só agrupamento por cada distrito?

domingo, maio 06, 2012

sexta-feira, maio 04, 2012

É caso para perguntar em que é que este governo difere do anterior?

"Dois meses após ter sido detectado o "erro ou inércia" nos serviços que impediu a progressão na carreira de cerca de 1.200 professores, e depois de ter assegurado que iria regularizar a situação, o Governo ainda não corrigiu a situação destes professores.
Além de não ter enviado uma nota circular às escolas com indicações para corrigir as progressões - como havia assegurado ao Diário Económico em Fevereiro - vários docentes ouvidos pelo jornal dizem ter entrado em contacto com o Ministério da Educação e Ciência e que a resposta recebida por parte de responsáveis do gabinete de gestão financeira foi que "haviam recebido ordem para suspender todos os pagamentos, pelo que ficou tudo sem efeito".
Também as várias escolas contactadas pelo Diário Económico dizem não ter recebido, até hoje, qualquer indicação ou instrução do Ministério da Educação para que se corrija as progressões. A Fenprof também confirma que a tutela de Nuno Crato ainda não enviou nenhum documento às escolas e que "não quer regularizar a situação para poupar", diz Mário Nogueira".

Diário Económico

segunda-feira, abril 30, 2012

Vão gozar com o ...

"O Governo prevê que os subsídios de férias e Natal, cujo pagamento foi suspenso, começarão a ser repostos a partir de 2015, a um ritmo de 25% por ano.
Neste ritmo, só em 2018 os funcionários públicos e pensionistas poderão voltar a receber os subsídios por inteiro. Mas não é certo que o ritmo de reposição seja este, já que vai depender do andamento do ajuste orçamental, anunciou nesta segunda-feira o ministro das Finanças, Vítor Gaspar.
Esta é uma “hipótese de trabalho” em que o ritmo está “condicionado pela existência de espaço orçamental”, frisou, no final do Conselho de Ministros onde foi aprovado o Documento de Estratégia Orçamental que o Governo conta entregar esta tarde na Assembleia da República".
Público

Os horários escolares em Portugal

"Portugal está entre os países da União Europeia onde os alunos, do 1.º ciclo ao secundário, mais horas passam nas aulas todos os anos letivos. É pelo menos o que diz um balanço sobre esta matéria divulgado pela rede educativa europeia Eurydice.
Este número está longe de se refletir nos resultados alcançados pelos alunos portugueses, que, apesar dos progressos assinaláveis dos últimos anos, continuam distantes dos melhores, como a Finlândia, que por sinal aplica uma carga horária bem mais modesta aos seus estudantes dos vários ciclos letivos.
O porquê deste aparente contrassenso varia em função do interlocutor. Para o Ministério da Educação e Ciência, o principal problema nacional é a "dispersão curricular" em que o País é "campeão" a nível europeu. Por isso mesmo, diz o ministério, foi decidido rever os currículos, reforçando as áreas "nucleares" e cortando no supérfluo.
Mas pais e professores têm visões diferentes. Para quem tem a responsabilidade de ensinar, de pouco servirá mexer nos currículos enquanto as disciplinas continuarem a ter programas gigantescos, carregados de matéria.
Já os pais associam as mexidas nos currículos sobretudo a objetivos de poupança: a demografia indica que, no futuro próximo, teremos cada vez menos alunos. Por isso, para quem governa, faz sentido começar já a cortar nos professores. O problema, defendem, é que a aposta deveria estar a ser feita na qualidade e exigência da formação destes e não em mais ou menos horas desta ou daquela disciplina
Manda o bom senso que se ouça quem sabe. E os professores, estando no terreno, terão a autoridade necessária para se pronunciarem sobre esta matéria. A verdade é que, parece evidente, para se obterem ganhos de eficiência em matéria escolar é necessário reduzir a carga horária em vez de a aumentar. Mas para que tal seja possível, é obrigatório rever os tais programas que, de tão extensos, não cabem num ano letivo, por maior que seja a carga horária".

Editorial
DN

quinta-feira, abril 26, 2012

Os farsolas do regime - crónica de Santana Castilho

"1. Comemora-se hoje o 25 de Abril. Foi há 38 anos. “O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. O povo está na miséria. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. O tédio invadiu as almas. A ruína económica cresce. O comércio definha. A indústria enfraquece. O salário diminui. O Estado tem que ser considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo”. Estas frases corridas pertencem a Eça de Queirós e foram citadas por Paulo Neves da Silva, em livro editado pela Casa das Letras. A quem revê nelas o país em que hoje vive, pergunto: e não fazemos nada?
2. A evolução dos indicadores é oficial: desemprego em dramático crescimento, PIB em queda alarmante e execução orçamental do primeiro trimestre do ano muito longe do equilíbrio prometido. Dizem os farsolas do regime que não há tempo para resultarem as políticas de extermínio dos funcionários públicos, classe média e reformados. Asseveram que é preciso esperar. Aceita-se, naturalmente, que a falta de recursos traga os custos para a primeira linha das análises e que a eficiência preocupe a governação. Mas no binómio “recursos mobilizados- resultados obtidos”, gastar menos, obtendo piores resultados, mesmo que melhore a eficiência, é inaceitável. Cortar despesas de modo cego, mantendo intocáveis os grandes sugadores do país, é inaceitável. Em Washington, Vítor Gaspar teve o topete de declarar que as medidas de austeridade não afectaram os mais vulneráveis. E a propósito dos subsídios confiscados, o decoro mínimo não impediu Paula Teixeira da Cruz de desmentir o primeiro-ministro, que já tinha desmentido Vítor Gaspar. Como se a confiança no Estado aguentasse todas as diatribes. “Não podemos viver acima das nossas possibilidades” é uma frase batida dos farsolas do regime. A dívida pública e a dívida privada têm que ser pagas, recordam-nos. Aos funcionários públicos espoliados e aos que nunca viveram acima das suas possibilidades, pergunto: e não fazemos nada?
3. Na quarta-feira passada ouvi Nuno Crato na TVI 24. Afirmou que não há razões pedagógicas para dizer que 30 alunos por turma seja mau. Perante o esboço de contraditório do entrevistador, perguntou-lhe quantos alunos tinham as turmas no tempo dele. Esta conversa não é de ministro. É de farsola, que não distingue pedagogia de demagogia. No meu Alentejo e no meu tempo, não raro se encontravam à porta de uma ou outra casa, em dias de sol, dejectos humanos a secar. Eram de um doente com icterícia, que os tomaria posteriormente, secos, diluídos e devidamente coados. Pela ministerial lógica justificativa, bem pode Sua Excelência anotar a receita para os futuros netos. Garanto-lhe, glosando Américo Tomás, pensador do mesmo jeito, que os que não morriam salvavam-se! A dimensão das turmas tem óbvia implicação no aproveitamento e na disciplina. William Gerald Golding, Nobel da literatura em 1983, foi, durante 3 décadas, professor. Interrogado uma vez por um jornalista sobre o método que usava para ensinar, respondeu que com 10 alunos na sala de aula qualquer método servia, mas com 30 nenhum resultava. A resposta de Golding retorna à minha mente cada vez que surge um econometrista moderno a tentar convencer-me de que o tamanho das turmas não tem a ver com o sucesso das aprendizagens. Não nos iludamos com a profusão de estudos sobre a relevância das variáveis que condicionam as aprendizagens e, particularmente, com as correlações especulativas estabelecidas entre elas. Imaginemos que os resultados obtidos num sistema de ensino onde as turmas têm, em média, 35 alunos, são melhores que os obtidos por turmas de 20, de outro sistema. Alguma vez permite essa constatação concluir que o tamanho da turma não importa? Que aconteceria aos resultados do primeiro sistema se as turmas passassem de 35 para 20 alunos, no pressuposto de que tudo o mais não se alterava?
Poderíamos e deveríamos discutir se temos recursos financeiros para manter a actual dimensão máxima das turmas. E poderíamos concluir que não. Poderíamos e deveríamos discutir o peso e a hierarquia, em termos de resultados, das diferentes variáveis que condicionam as aprendizagens. E poderíamos concluir que, antes da dimensão das turmas, outras se impõem pelo seu impacto e relevância. Mas não afrontemos com pseudo razões pedagógicas a experiência comprovada da sala de aula, que torna evidente que a probabilidade de sucesso aumenta se cada professor tiver menos alunos com quem repartir esforços e atenção. Aos professores adormecidos pergunto: e não fazemos nada?"
Santana Castilho