quarta-feira, julho 25, 2012

MEC está a brincar com os professores contratados

"A Direcção-Geral da Administração Escolar reconheceu esta quarta-feira “a existência de uma anomalia” na aplicação informática disponibilizada para o concurso de cerca de 40 mil professores contratados.                           
Através de uma nota informativa, avisa que, na sequência disso, irá contactar todos os docentes que submeteram as candidaturas entre segunda-feira e as 9h16 de hoje, “com vista à eventual revalidação das suas preferências e subsequente submissão”.
A nota foi colocada na página da internet da DGAE esta manhã, mais de doze horas depois de o Ministério da Educação e Ciência ter admitido que, devido à lentidão da aplicação, o prazo para as candidaturas seria alargado de sexta para terça-feira, 31 de Julho.
Agora, a DGAE vem confirmar aquilo que dirigentes de sindicatos também têm vindo a denunciar - a existência de uma anomalia que “poderá ter impedido alguns candidatos de registarem a totalidade das suas preferências”.

Público

terça-feira, julho 24, 2012

A incompetência tomou conta do MEC

Para além de não permitir que se concorra a nível nacional em todas as modalidades de horário, a aplicação informática disponibilizada pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC) para a "manifestação de preferências" por parte dos professores contratados está “constantemente bloqueada ou a bloquear”, lançando “o caos e o desespero entre os docentes”, denunciou esta terça-feira João Paulo Silva, dirigente do Sindicato dos Professores do Norte (SPN/

Público

És um cromo, ó Albino!

Correio da Manhã – Segundo um estudo da Universidade do Porto, os alunos das escolas privadas têm notas mais altas e são beneficiados no acesso à universidade. Como comenta?
Albino Almeida – Este estudo vem confirmar uma noção empírica que existe entre os pais. No ensino privado, os conselhos de turma valorizam o que consideram ser o projecto de vida do aluno em relação ao ensino universitário.
– De que forma é que isso se manifesta?
– Por exemplo, no privado a nota de Educação Física não mata a média dos alunos, como acontece na escola pública. Daí que o Governo tenha decidido retirar esta disciplina da contagem para a média.
– O que deve ser feito para acabar com esta vantagem dos alunos do privado?
– É preciso, rapidamente, que o Ministério da Educação reduza o peso da média final do Secundário e que sejam as universidades a elaborar as provas de acesso em função do que pretendem.

segunda-feira, julho 23, 2012

Nada que já não se soubesse

"Uma equipa de investigadores da Universidade do Porto esteve a analisar as bases de dados dos exames nacionais do ensino secundário, que são a matéria-prima para a elaboração dos rankings das escolas, e concluiu que os alunos das escolas particulares têm sido favorecidos por comparação com os que frequentam o ensino público.
Esta conclusão tem por base a diferença entre a média que os alunos obtêm nas provas nacionais (classificação externa) e aquela que lhes é atribuída nas suas escolas de origem (classificação interna), dados que também estão disponíveis nas bases de dados dos exames. Depois de compararem os dados existentes entre 2002 e 2010, os investigadores Tiago Neves, João Pereira e Gil Nata verificaram que estes mostram "que de forma sistemática existe um padrão de diferença entre a classificação interna e a classificação externa que tem favorecido os estudantes das escolas privadas", explicaram ao PÚBLICO. "Este facto é particularmente acentuado nas classificações onde mais se joga o acesso ao ensino superior", sublinham".

Público

O desemprego dos professores

"Vai por aí um enorme choradinho sobre o facto de, em 2012/1013, o Ministério da Educação ir contratar menos professores. E por muitos professores do quadro irem ficar sem turmas. Acusam-se os mega-agrupamentos, a revisão curricular e o tamanho das turmas, como se medidas destinadas a gerir melhor os recursos humanos não fossem necessárias, como se o dever do Estado fosse arranjar emprego para os professores e não utilizar da melhor forma o dinheiro dos nossos impostos.
Ninguém refere um dado essencial: há menos alunos nas nossas escolas. Há menos alunos porque os portugueses há muitos anos que deixaram de ter muitos filhos. No ensino básico, por exemplo, em 1985 havia 1.487.600 alunos no ensino público regular, em 2011 já só eram 932.297. Nos cursos gerais do ensino secundário o pico foi atingido em 1996, com um total de 272.951 alunos, mas em 2010 já só eram 175.658.
Em contrapartida, o número de professores esteve sempre a crescer até 2005 e, de então para cá, só desceu marginalmente. Resultado: fazendo umas contas grosseiras sobre o rácio alunos/professores, que era de 15 para 1 no início da década de 1980, verifica-se que foi descendo sempre, passando a 12 para 1 no início da década de 1990, 9 para 1 na viragem do século e chegando ao mínimo de 7,72 para 1 no último ano para que há dados, 2010.
Poderá alguém explicar aos sindicatos dos professores e aos senhores jornalistas que, com menos alunos nas escolas porque há menos portugueses em idade escolar (uma escolha dos portugueses que têm menos filhos, não de nenhum governo), necessariamente haverá menos postos de trabalho para professores?"

José Manuel Fernandes
http://blasfemias.net/2012/07/22/o-desemprego-dos-professores-13-2/

sábado, julho 21, 2012

O destino do país está na mão de aposentados

"O destino do país está na mão de aposentados. O presidente Cavaco Silva, a primeira figura do Estado, é reformado. A segunda personalidade na hierarquia protocolar, Assunção Esteves, é igualmente pensionista. Também nos governos nacional e regionais há ministros que recebem pensão de reforma, como Miguel Relvas ou até Alberto João Jardim. No Parlamento, há dezenas de deputados nesta situação. Mas também muitas câmaras são presididas por reformados, do Minho, ao Algarve, de Júlia Paula, em Caminha, a Macário Correia, em Faro.
É imensa a lista de políticos no activo que têm direito a uma pensão. Justificam este opulento rendimento com o facto de terem prestado serviço público ao longo de doze anos ou, em alguns casos, apenas oito. Esta explicação não convence, até porque uma parte significativa deste bando de reformados não só não prestou qualquer relevante serviço à nação como ainda utilizou os cargos públicos para criar uma rede clientelar em benefício próprio. Foi graças a esta teia que muitos enriqueceram e acederam a funções para que nunca estiveram curricularmente habilitados. A manutenção até hoje destes privilégios e prebendas é inaceitável, em particular nos tempos de crise que atravessamos. Sendo certo que a responsabilidade por este anacronismo não é de nenhum destes políticos e ex-políticos em particular - também é verdade que todos têm uma culpa partilhada por não revogarem este sistema absurdo que atribui tenças milionárias à classe que mais vem destruindo o país. Urge substituir este modelo pelo único sistema admissível que é o de que os titulares de cargos públicos, quando os abandonam, sejam indemnizados exactamente nos mesmos termos que qualquer outro trabalhador.
E que passem a reformar-se, como todos os restantes cidadãos, quando a carreira ou a idade o permita. É claro que dirigentes habituados a acumular reformas de luxo com bons salários jamais compreenderão os problemas dos que têm de viver com salários de miséria; ou sequer entenderão as dificuldades dos que sobrevivem apenas com pensões de valor ridículo. Não serão certamente estes reformados de luxo que conseguirão proceder às reformas estruturais de que Portugal tanto está a precisar."

Paulo Morais
CM

quinta-feira, julho 19, 2012

Asquerosa personagem

"De repente horário zero tornou-se sinónimo de maus trato para o professor. Enfim a infâmia do horário zero é recente. Recordo dos meus tempo de professora e de associação de pais a existência duma casta que se caracterizava precisamente por não ter turma. Não tinham cargos especiais nem trabalho que se entendesse. Simplesmente faziam parte dos quadros das escolas mas não tinham turmas. Nunca vi sindicato, federação ou associação protestar contra esta pouca vergonha. Agora que horário zero já não significa privilégio antes insegurança tudo parece valer para combater os horários zero. Mas à partida convém lembrar que o objectivo da escola é ensinar os alunos e não empregar todos aqueles que têm formação no ensino".

Helena Matos
http://blasfemias.net/2012/07/19/horarios-zero/

Nuno Crato e os computadores

Professores vão receber 100 euros por cada colega que avaliem

Os professores que vão fazer a avaliação externa dos seus colegas, com base na observação de aulas, vão auferir 100 euros por avaliado.
Estes docentes terão ainda asseguradas ajudas de custo caso se desloquem mais de cinco quilómetros (12 euros por Km), prevê o Ministério da Educação no despacho que está a negociar com os sindicatos. Até aqui, a avaliação era feita internamente nas escolas, pelo que não havia lugar a remuneração.

No projecto de despacho, a que o PÚBLICO teve acesso, prevê-se a constituição de bolsas de avaliadores externos em cada um dos Centros de Formação de Associações de Escolas (CFAE). Aquelas serão constituídas por docentes de carreira de todos os grupos de recrutamento das escolas associadas que estejam integrados no 4.º escalão ou noutro superior e que sejam titulares do grau de mestre ou doutor. Também farão parte da bolsa os que, em alternativa, detenham formação especializada em avaliação do desempenho docente, em supervisão pedagógica ou ainda experiência profissional no exercício de funções de supervisão pedagógica que integrem observação de aulas.

As listas de avaliadores serão remetidas pelos directores das escolas para o responsável máximo do respectivo CFAE, que terá a responsabilidade de gerir a bolsa, garantindo sempre que o avaliador pertence ao mesmo grupo de recrutamento do avaliado, que está em escalão da carreira igual ou superior e não exerce funções no mesmo agrupamento. A atribuição, no mesmo ano escolar, de mais de 12 docentes a um avaliador requer autorização expressa do ministério.

quarta-feira, julho 18, 2012

Uma classe zombie e um ministro bárbaro - crónica de Santana Castilho

"Numa sexta-feira, 13, a tampa de um enorme esgoto foi aberta ante a complacência de uma classe que parece morta em vida. Nuno Crato exigiu e ameaçou: até 13 de Julho, os directores dos agrupamentos e das escolas que restam tiveram que indicar o número de professores que não irão ter horário no próximo ano-lectivo. Se não indicassem um só docente que pudesse vir a ficar sem serviço, sofreriam sanções. Esta ordem foi ilegítima. Porque as matrículas e a constituição de turmas que delas derivam não estavam concluídas a 13 de Julho. Porque os créditos de horas a atribuir às escolas, em função da deriva burocrática e delirante de Nuno Crato, não eram ainda conhecidos e a responsabilidade não é de mais ninguém senão dele próprio e dos seus ajudantes incompetentes. Não se conhecendo o número de turmas, não se conhecendo os cursos escolhidos pelos alunos e portanto as correspondentes disciplinas, não se conhecendo os referidos créditos, como se poderia calcular o número de professores? Mas, apesar de ilegítima, a ordem foi cumprida por directores dúcteis. Como fizeram? Indicaram, por larguíssimo excesso, horários zero. Milhares de professores dos “quadros” foram obrigados, assim, a concorrer a outras escolas por uma inexistência de serviço na sua, que se vai revelar falsa a breve trecho. Serão “repescados” mais tarde, mas ficarão até lá sujeitos a uma incerteza e a uma ansiedade evitáveis. Por que foi isto feito? Que sentido tem esta humilhação? Incapacidade grosseira de planeamento? Incompetência? Irresponsabilidade? Perfídia? Que férias vão ter estes professores, depois de um ano-lectivo esgotante? Em que condições anímicas se apresentarão para iniciar o próximo, bem pior? Que motivação os animará, depois de tamanha indignidade de tratamento, depois de terem a prova provada de que Nuno Crato não os olha como Professores mas, tão-só, como reles proletários descartáveis? É de bárbaro sujeitar famílias inteiras a esta provação dispensável. É de bárbaro a insensibilidade demonstrada. Depois do roubo dos subsídios, do aumento do horário de trabalho, da redução bruta dos tempos para gerir agrupamentos e turmas, da tábua rasa sobre os grupos de recrutamento com essa caricatura de rigor baptizada de “certificação de idoneidade”, da menorização ignara da Educação Física e do desporto escolar, da supina cretinice administrativa da fórmula com que o ministro quer medir tudo e todos, da antecipação ridícula de exames para o início do terceiro período e do folclórico prolongamento do ano-lectivo por mais um mês, esta pulseira electrónica posta na dignidade profissional dos professores foi demais.
Todas as medidas de intervenção no sistema de ensino impostas por Nuno Crato têm um objectivo dominante: reduzir professores e consequentes custos de funcionamento. O aumento do número de alunos por turma fará crescer o insucesso escolar e a indisciplina na sala de aula. Mas despede professores. A revisão curricular, sem nexo, sem visão sistémica, capciosa no seu enunciado, que acabou com algumas disciplinas e diminuiu consideravelmente as horas de outras, particularmente no secundário, não melhorará resultados, nem mesmo nas áreas reforçadas em carga horária. Mas despede professores. Uma distribuição de serviço feita agora ao minuto, quando antes era feita por “tempos-lectivos”, vai adulterar fortemente a continuidade da leccionação das mesmas turmas, em anos consecutivos, pelos mesmos professores (turmas de continuidade), com previsível diminuição dos resultados dos alunos. Mas despede professores. As modificações impostas à chamada “oferta formativa qualificante”, mandando às urtigas a propalada autonomia das escolas, substituídas nas decisões pelas “extintas” direcções-regionais (cuja continuidade já está garantida, com mudança de nome) não melhora o serviço dispensado aos alunos. Mas despede professores.
Ao que acima se enunciou, a classe tem assistido em letargia zombie. Não são pequenas ousadias kitsch ou jograis conjuntos de federações sindicais, federações de associações de pais e associações de directores, carpindo angústias e esmagamentos, que demovem a barbárie. Só a paramos com iniciativas que doam. Os professores têm a legitimidade profissional de defender os interesses da classe. Digo da classe, que não de cada um dos grupos dentro da classe. E têm a responsabilidade cívica de defender a Escola Pública, constitucionalmente protegida. Crato vai estatelar-se e perder-se no labirinto que criou para o ano-lectivo próximo. Perdidos tantos outros, é o tempo propício para um novo discurso político, orientador e agregador da classe. A quem fala manso e age duro, urge responder com maior dureza. Lamento ter que o dizer, mas há limites para tudo. Como? Assim a classe me ouvisse. Crato vergava num par de semanas".

Mapa nacional de horários eliminados - DACL e Contratados

A consultar aqui.

Informação que tarda

Por esta altura já o MEC devia ter informado do número de professores que concorrem a DACL, em nome da transparência e para que o país tenha conhecimento do maior ataque à escola pública de que há memória.

terça-feira, julho 17, 2012

Crato garante que haverá lugar para todos os professores do quadro e nos grupos mais requisitados haverá a possibilidade de ir buscar contratados

O ministro da Educação, Nuno Crato, garantiu nesta terça-feira, em conferência de imprensa, que haverá lugar nas escolas para todos os professores do quadro “e ainda para mais”.
A ver vamos, como diz o cego.

São situações como estas que nos revoltam

"O destino do país está na mão de aposentados. O presidente Cavaco Silva, a primeira figura do Estado, é reformado. A segunda personalidade na hierarquia protocolar, Assunção Esteves, é igualmente pensionista. Também nos governos nacional e regionais há ministros que recebem pensão de reforma, como Miguel Relvas ou até Alberto João Jardim. No Parlamento, há dezenas de deputados nesta situação. Mas também muitas câmaras são presididas por reformados, do Minho, ao Algarve, de Júlia Paula, em Caminha, a Macário Correia, em Faro.
É imensa a lista de políticos no activo que têm direito a uma pensão. Justificam este opulento rendimento com o facto de terem prestado serviço público ao longo de doze anos ou, em alguns casos, apenas oito. Esta explicação não convence, até porque uma parte significativa deste bando de reformados não só não prestou qualquer relevante serviço à nação como ainda utilizou os cargos públicos para criar uma rede clientelar em benefício próprio. Foi graças a esta teia que muitos enriqueceram e acederam a funções para que nunca estiveram curricularmente habilitados. A manutenção até hoje destes privilégios e prebendas é inaceitável, em particular nos tempos de crise que atravessamos. Sendo certo que a responsabilidade por este anacronismo não é de nenhum destes políticos e ex-políticos em particular - também é verdade que todos têm uma culpa partilhada por não revogarem este sistema absurdo que atribui tenças milionárias à classe que mais vem destruindo o país. Urge substituir este modelo pelo único sistema admissível que é o de que os titulares de cargos públicos, quando os abandonam, sejam indemnizados exactamente nos mesmos termos que qualquer outro trabalhador.
E que passem a reformar-se, como todos os restantes cidadãos, quando a carreira ou a idade o permita. É claro que dirigentes habituados a acumular reformas de luxo com bons salários jamais compreenderão os problemas dos que têm de viver com salários de miséria; ou sequer entenderão as dificuldades dos que sobrevivem apenas com pensões de valor ridículo. Não serão certamente estes reformados de luxo que conseguirão proceder às reformas estruturais de que Portugal tanto está a precisar".

Paulo Morais, professor universitário
CM 

segunda-feira, julho 16, 2012

Mais uma palhaçada

Ministério Público pede absolvição dos dois arguidos no caso Freeport.

A minha solidariedade

para os milhares de colegas que iniciam hoje o calvário da candidatura para o concurso de mobilidade interna.

sábado, julho 14, 2012

Avaliação de Crato

"Tenho a fundada convicção que Nuno Crato é o pior ministro da educação de Portugal, desde o 25 de abril, pois consegue juntar o pior de dois males para quem ocupa aquelas funções: a sua ação é condicionada pelo preconceito ideológico em relação ao passado recente da nossa escola pública e as medidas que emanam da sua equipa revelam um profundo desconhecimento da realidade do nosso sistema de educativo. Sublinho que esta minha apreciação não decorre de leituras partidárias, já que considero que outros ministros do PSD, como David Justino e até Roberto Carneiro, tiveram desempenhos competentes e inovadores. Crato deslumbra-se consigo mesmo, parecendo crer que a história começou há pouco mais de um ano e, como tal, pretende fazer tábua-rasa de tudo o que foi sendo feito pelos seus predecessores. As suas palavras brandas embrulhadas em retórica sedutora são contraditas pela sua própria prática como, por exemplo, quando anuncia que o próximo ano letivo será dedicado à ciência, mas simultaneamente, retira horas curriculares a Biologia e Química no 12º ano, dificulta a gestão horária do ensino experimental nos 2º e 3º ciclos ou sufoca financeiramente a Fundação de Ciência e Tecnologia que apoia a investigação científica. Assegura que pretende reforçar a disciplina nas escolas através de um novo e polémico estatuto do aluno, mas ao impor a formação de mega-agrupamentos e a redução de horas das equipas das direções escolares, induz maiores dificuldades de gestão de proximidade e de atuação pronta em eventuais casos de indisciplina. Anuncia com pompa e gaudio o reforço da autonomia das escolas, mas nunca se viu tanta regulamentação espartilhante, inútil ou e de difícil aplicação como a que, recentemente, tem sido publicada. Diz querer uma escola pública eficaz e relevante, mas coloca obstáculos à abertura dos cursos profissionais, desqualifica disciplinas consideradas “ menos académicas” e enreda-se na sua própria armadilha dos mil e um exames como certificação definitiva de qualidade. Faz aprovar a lei do alargamento da escolaridade obrigatória para os 12 anos, mas não dá os necessários passos no enquadramento estrutural, humano e material desse objetivo. Com Nuno Crato e a sua equipa de secretários de estado, a escola pública portuguesa corre, de facto, o perigo de se tornar uma “escola pobre para pobres”, minimalista nas condições de eficiência e maximalista no controlo de resultados, acentuando, pelo caminho, as diferenças entre escolas, sem olhar ao seu contexto.
O que é dramático é que a opinião pública, compreensivelmente mais preocupada com as dificuldades crescentes da vida, ainda não deu conta deste meticuloso e brutal ataque que o sistema educativo está a ser alvo. É preciso fazer passar a mensagem, com caráter de urgência!"

Pedro Biscaia

sexta-feira, julho 13, 2012

E quantos mais terão utilizado este esquema?

Uma aluna fez-se, alegadamente, substituir por outra pessoa que fez os exames de Biologia e Geologia A, Física e Química A e Matemática do secundário, tendo já admitido a fraude à Sic.
Este caso terá começado com uma denúncia, que está a ser investigada pela Inspeção-Geral de Educação. A Sic revela que uma aluna do ensino recorrente apresentou-se a exame de Português, Matemática, Biologia e Geologia A e Física e Química A numa escola secundária pública de Lisboa para obter melhores notas para ingressar no curso de Medicina.
Depois de uma denúncia anónima, as caligrafias dos quatro exames foram comparadas e a estudante foi chamada, não tendo sido capaz de identificar os professores que tinham vigiado as provas. Já um dos docentes disse não ser aquela a aluna que tinha chegado atrasada e tinha apresentado um comprovativo do pedido de Cartão de Cidadão, em vez do documento - tratou-se de uma fraude, uma vez que o comprovativo é uma folha de papel sem um carimbo ou selo branco e a fotografia pode ser adulterada.
Três dias antes de realizar o primeiro exame, a aluna pediu o Cartão de Cidadão alegando que teria perdido os documentos durante os santos populares, em Lisboa. A estudante terá admitido, à Sic, a fraude, dizendo que só fez o exame de Português e que pediu a outra pessoa, que descobriu na Internet, que a substituisse nos outros exames, a troco de 600 euros.
Acabou suspensa.



O "mercado" universitário

"Ontem fui atendido numa caixa de supermercado por uma licenciada em Engenharia, área em que parece não faltar emprego. O seu problema, explicou-me resignada, era a universidade que lhe atribuíra o diploma...
Muitas escolas de ensino superior privado são hoje apenas negócios (e sem departamentos de pós-venda). Comercializam diplomas de "dr", de "mestre" e de "doutor por extenso" como poderiam comercializar frutas ou legumes. Com uma diferença: o sector das frutas e legumes é mais fiscalizado e os seus consumidores mais protegidos do que os do "sector" do ensino superior.
As universidades públicas, apesar do "salve-se quem puder" orçamental para que foram empurradas, vão sobrevivendo ao naufrágio. E o mesmo se diga de algumas universidades privadas, que mantêm cotação de exigência e rigor. (Uma sugestão ao ME: já que o ensino superior é uma actividade empresarial "liberalizada", por que não uma Bolsa de Valores Universitária? Assim, os alunos saberiam o que compram ao matricular-se em certas universidades. Um "outlet" para diplomas inúteis ou com defeito também não seria má ideia.)
Há muita hipocrisia em tudo isto. Porque não "liberaliza" o ME também os cursos de Medicina? Talvez porque, parafraseando Harold Bloom a propósito da política de quotas nos EUA, o ministro não queira ser um dia operado ao cérebro por um turbolicenciado à bolonhesa ou por um mestre ou doutor "equivalentes".

Jornal Noticias

quarta-feira, julho 11, 2012

Tivesse a classe de professores o mesmo espírito e outro galo cantaria na nossa profissão

Na defesa dos seus direitos os médicos fizeram o que lhes competia e aderiram em massa à greve que os sindicatos haviam convocado.

FENPROF. Professores contratados vão todos para o desemprego

"São pelo menos 25 mil horários das escolas que no próximo ano lectivo vão ser eliminados, deixando “praticamente todos” os 20 mil professores no desemprego. As contas são do dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof), que avaliou o impacto das medidas anunciadas pelo Ministério da Educação, concluindo também que milhares de docentes dos quadros não vão ter turmas e horários atribuídos.
“Desempregados vão ficar praticamente todos os contratados, entre 15 mil e 20 mil professores”, denunciou Mário Nogueira, acrescentando que “entre 7 e 8 mil professores vão ficar com horário zero”. A “hecatombe” como classifica o líder da federação é motivo suficiente para convocar já para amanhã, às 14h30, no Rossio (Lisboa), uma manifestação de professores que vai “mostrar a indignação contra o que está a acontecer”.
Entre as políticas com maior impacto, Mário Nogueira destaca a fusão de escolas que deu origem a 150 novos agrupamentos, o aumento de alunos por turma (30 no máximo), ou a revisão da estrutura curricular. Para a Fenprof, a agregação de escolas e agrupamentos “é apenas uma peça de um puzzle que vai provocar uma catástrofe em Setembro”. Segundo Mário Nogueira, “o objectivo que havia por trás das fusões foi “atingir professores”.
“O Ministério da Educação tinha a intenção de limpar do sistema todos os contratados, mas a dose foi de tal forma forte que, não só limpou os contratados como provocou consequências entre os dos quadros e agora são milhares os professores que vão ficar com horário zero”, denunciou o dirigente sindical, revelando também que 50% das câmaras estiveram contra as agregações do seu concelho”. Mário Nogueira exige que a tutela esclareça estas dissonâncias, uma vez que alegou ter existido consenso no processo de fusão de escolas. De acordo com o levantamento da Federação Nacional de Professores, 77,8% dos conselhos gerais dos agrupamentos estiveram contra a fusão".

Jornal i