sexta-feira, agosto 03, 2012

Nenhum professor do quadro vai ficar de fora

Apesar dos mais de 13 mil professores do quadro que estão sem horário para o ano letivo de 2012/2013, o ministro da Educação e Ciência garante que «nenhum será deixado de fora nem deixará de ser necessário ao sistema educativo».

«Estamos a meio de um processo que vai sendo pouco a pouco completado. Todos os professores do quadro vão contribuir para o sistema», assegura Nuno Crato. Há, portanto, lugar e trabalho para todos. Mas o que vão então fazer os professores que estão, neste momento, no chamado horário zero? Irão, no fundo, servir de apoio aos docentes com horário, continuando a ter parte ativa no sistema de ensino e na formação dos mais jovens.

«Vão dar aulas, vão coadjuvar os colegas e vão também dar apoio aos alunos», contribuindo para o combate ao insucesso e abandono escolar, explicou Nuno Crato.

São 13.306 os professores que, a este ponto, estão sem horário para o próximo ano letivo e sujeitos a concurso de mobilidade interna, segundo os dados do Ministério da Educação e Ciência.
 

quarta-feira, agosto 01, 2012

Mais de 15.000 professores com horário zero

Lista provisória de retirados - Mobilidade interna
Listas provisórias de admissão-ordenação - Mobilidade interna
Lista provisória de exclusão - Mobilidade interna

O Tirano - crónica de Santana Castilho

"Para quem se tenha esquecido, recordo que o concurso nacional de professores já foi um processo administrativo estabilizado e que não provocava conflitos. Políticas incompetentes e recentes inovações sem sentido, de vários donos, encarregaram-se, porém, de recuperar desastres de tempos idos. Mas a taça leva-a Nuno Crato, o tirano. Tanta ignorância, técnica e política, tamanha crueldade moral exercida sobre os docentes, surpreendem os mais treinados. Ontem, terminou o prazo para os novos escravos concorrerem. Terão sido mais de 40 mil, que aguentaram horas e horas de atalaia a uma aplicação informática que lhes fazia continuadamente o que os professores, desunidos, já deviam ter feito ao tirano: um continuado manguito. Servidor em baixo no fim de cada tempo infindo a meter códigos de fazer inveja a Sísifo e babar Kafka, foi a regra. Aceder à coisa, depois de horas de martírio, foi uma lotaria. Até a lei o tirano mudou, depois do concurso começado. Abriu com uma e terminou com outra, sem que o arbítrio tenha provocado mais que incómodos suportados. O que se passa com uma classe inteira, que assim é espezinhada e não consegue pôr cobro a tamanha sucessão de nunca vistos, resta campo para investigação futura.
Primeiro, sem que se conhecessem os créditos atribuídos às escolas, sem que as matrículas estivessem terminadas e as turmas constituídas, o tirano obrigou os directores das “unidades orgânicas” (escola é vocábulo em vias de proscrição) a determinarem e comunicarem o número de “horários zero” para 2012-2013, sob ameaça de procedimento disciplinar. Milhares e milhares de descartáveis docentes, com dezenas de anos de serviço público desalmadamente ignorado, fizeram fila para o concurso crematório da dignidade mínima. Kapos, de reacção capada pela servidão a que o poleiro obriga, e classe inteira vergada pelo medo e desorientada pela surpresa, obedeceram. Foi a uma sexta-feira, simbolicamente 13. Mas na semana seguinte, qual Nero arrependido, o tirano mandou recuperar o que antes havia incendiado, ordenando a indicação mínima possível de horários zero e permitindo tudo o que antes proibira. Dos números, disse que não estavam “consolidados” e guardou-os na mesma gaveta onde há muito arrumou o rigor de outrora.
A dança macabra foi temporariamente (sublinho temporariamente) adoçada com um empreendedorismo inventivo de recurso: “apoios” de todo o tipo, “coadjuvações” de várias estirpes, combate ao insucesso, patati-patatá, rebéu-béu, pisca-pisca, “cratês” onde havia “eduquês”. Não o tratem que ele vos tratará, orçamento de 2013 a obrigar, volta ao texto do Tribunal Constitucional a justificar, Portas a satisfazer. Ou julgam que o tirocínio na Comissão Permanente do Conselho Nacional da UDP não foi útil? Qualquer tirano sabe que, vendido o inferno ardente, o purgatório passa por paraíso.
Por que invoco aqui Portas? Porque é dele esta recente frase assassina, que Crato subscreverá com entusiasmo: «Temos de saber e entender que, se o problema de Portugal é défice do Estado, não é justo pretender que o sector privado tenha a mesma responsabilidade de ajudar.» Professores e demais funcionários públicos têm que fazer engolir a ambos a hipocrisia do argumento. Porque o que se gasta com hospitais, escolas, tribunais e tudo o que é público serve a todos, independentemente do sector em que trabalham; porque os 8 mil milhões que se sublimaram sem rasto na canalhice do BPN foram pagos por todos, embora, esses sim, só dissessem respeito a privados, pouquíssimos privados.
Teremos para o ano professores imersos em trabalho, com uma dúzia de turmas a seu cargo, coexistindo com colegas com uma só turma e resto do horário preenchido por “apoios”. As interpretações locais, casuísticas, do que dizem as normas sem norma sobre o que é lectivo e não lectivo, ampliarão a confusão e a nova injustiça, que se soma a tantas outras acumuladas em passado recente.
Nenhuma circunstância permite a um político maltratar pessoas. Mas Nuno Crato ofendeu a dignidade profissional de milhares de professores. Fez sofrer inutilmente as suas famílias. Ultrajou o trabalho dos que preparavam o ano-lectivo. Tratou grosseiramente o interesse da escola pública, dos pais e das crianças. As duas últimas semanas foram devastadoras e trouxeram-nos uma prática governativa mais perversa e iníqua que a pior do pior tempo de Maria de Lurdes Rodrigues.
A seriedade intelectual de Nuno Crato em matéria de Educação implodiu definitivamente. Falo da seriedade transmitida nas intervenções públicas que precederam a corrida ao cargo e da seriedade apreendida por quem se deixou enganar pelo seu discurso farsola. Não falo de seriedade intelectual intrínseca, que, essa, nunca existiu. Demonstra-o a curta história do seu ministério".

Notas dos exames desceram na 2ª fase

Ver aqui.

terça-feira, julho 31, 2012

Parcerias, alto lá!

"As parcerias público-privadas (PPP) estão a arruinar as finanças do estado. Passos Coelho prometeu travar este descalabro, mas, ao fim de um ano de governação, não se vislumbra qual a sua estratégia nesta matéria. A defesa do interesse colectivo obriga a uma acção incisiva e urgente, que comece por suspender de imediato todo e qualquer pagamento aos concessionários de PPP. De seguida, há que resgatar o estado destes negócios ruinosos.
Antes de mais, proceda-se à verificação da legalidade dos acordos de parceria celebrados. Alguns não terão mesmo qualquer validade, a fazer fé nas palavras do presidente do Tribunal de Contas, que diz ter sido ludibriado pelo governo de Sócrates, através da ocultação de contratos. Ora, como é sabido, contratos públicos nunca podem ser secretos. Não tendo o visto do Tribunal competente, são nulos e não vinculam quaisquer compromissos financeiros por parte do Estado.
Relativamente aos contratos juridicamente válidos, há que proceder à sua apreciação em termos económico-financeiros, tarefa aliás bem simples. Para cada caso, bastará determinar o valor actualizado do contrato e compará-lo com o que resulte de uma avaliação independente da infra-estrutura a que diz respeito. A partir daqui, uma vez quantificado o prejuízo infligido ao erário público, o governo dispõe de três opções.
A primeira consiste numa renegociação que coloque os níveis de rentabilidade dos investimentos na ordem dos seis ou sete por cento e rejeite os valores de agiotagem em vigor, que representam o dobro ou o triplo.
Uma segunda possibilidade seria a expropriação por utilidade pública dos equipamentos, calculando-se o montante da indemnização em função da avaliação independente referida. As rendas a pagar aos financiadores da operação seriam muito menores do que as que hoje são extorquidas pelos concessionários. Há ainda uma terceira opção, que se resume à ampliação dos prazos de cada contrato. Neste modelo, os privados deverão partilhar, equitativamente, as receitas das concessões com o estado, que, desta forma, passaria a receber rendas, em vez de pagar.
Este processo negocial tarda. Já não se aguenta mais esta ruinosa inacção do governo, nem se tolera a sua vil submissão face aos detentores das PPP".

Paulo Morais
CM

segunda-feira, julho 30, 2012

Constituição a pedido

"O presidente do BPI, Fernando Ulrich, já classificara a decisão do TC que confirmou a inconstitucionalidade dos confiscos dos subsídios de férias e Natal a funcionários públicos e pensionistas de "negativa", "perigosa" e "inaceitável". Agora é o presidente do BCP, Nuno Amado, a clamar que foi "uma decisão muitíssimo infeliz".
A banca (falta conhecer a opinião de Ricardo Salgado, do omnipresente BES, para o ramalhete ficar completo) não só tem enormes responsabilidades na crise como tem sido beneficiária da maior parte dos sacrifícios que, a pretexto dela, vêm sendo impostos aos portugueses. Mas a banca quer mais do que o seu financiamento com a "ajuda" que a 'troika' cobra ao país em desemprego, fome e miséria ou do que a destruição do SNS que alimenta os seus negócios na Saúde, a banca quer também uma Constituição "sua", já que a Constituição da República se revela, pelos vistos, "negativa", "perigosa", "inaceitável" e "muitíssimo infeliz" para os seus interesses.
Nem Ulrich nem Amado o escondem: "É premente alguma revisão da Constituição" (Amado), e a decisão do TC pode "justificar a discussão de uma revisão constitucional, o que até seria positivo" (Ulrich).
Numa democracia que cumprisse os serviços mínimos, os desejos de dois banqueiros valeriam apenas dois votos. Não tardará que vejamos quanto valem num regime do género "que se lixem as eleições".

Manuel António Pina
JN

sábado, julho 28, 2012

Nuno Crato em entrevista à RTP

Continua o assalto aos funcionários públicos

Os funcionários públicos vão ser mais penalizados do que os trabalhadores do privado.
Apesar da decisão do Tribunal Constitucional, o Governo considera que equidade não significa tratar todos por igual e entende que a austeridade deve recair mais sobre os trabalhadores do Estado.
«Equidade não significa ser igual. Vamos continuar a tratar de forma diferente o que é diferente e a equidade é isso mesmo», segundo a explicação dada por um membro do Governo ao semanário, lembrando que os funcionários públicos estão mais protegidos no que toca ao salário, emprego e sistema de saúde.
O Executivo de Passos Coelho vai ter que encontrar medidas alternativas que permitam tapar o buraco de 2 mil milhões deixado pela suspensão no corte dos subsídios.
Em relação aos trabalhadores do Estado, o Governo pode cortar mais nos salários, despedir ou pagar os subsídios em títulos de dívida.

Nuno Crato admite rever horários zero

"O ministro da Educação, Nuno Crato, vai analisar três propostas ontem apresentadas pelos dirigentes da Federação Nacional de Professores (Fenprof). O primeiro aspecto que poderá levar a uma cedência do Governo é permitir aos 18 mil professores que deverão ficar colocados com horário-zero a possibilidade de darem aulas um mínimo de seis horas por semana.
Mário Nogueira, secretário--geral da Fenprof, referiu que Nuno Crato vai analisar também neste ano lectivo a possibilidade de vinculação extraordinária de professores. A medida que garante a um professor ficar efectivo tinha já sido admitida por Nuno Crato na Assembleia da República.
O ministro da Educação garantiu também que vai analisar o pagamento da compensação por caducidade aos professores, a exemplo do que acontece com os restantes trabalhadores, sempre que a entidade patronal decida colocar fim ao contrato.
A Fenprof contesta a política que visa reduzir o número de professores – e que poderá levar ao despedimento de 20 mil contratados. A Fenprof associa aredução de professores com a menor qualidade de ensino. Recorde-se que em Junho havia 7432 professores desempregados, quase o triplo dos 2963 em igual período de 2011. A análise aos resultados dos exames nacionais levou, de manhã, o ministro Nuno Crato a reunir-se em Cascais com o Conselho das Escolas. À saída, o ministroapenas referiu que o encontro pretendia "agilizar a relaçãoentre as escolas e o ministério".

CM

sexta-feira, julho 27, 2012

Adiar o problema por um ano

Os representantes das duas associações de directores de escolas do país calculam que nesta quinta-feira tenham sido retirados "milhares" de professores do concurso para Destacamento por Ausência de Componente Lectiva (DACL). Mas, apesar de aliviados com a redução dos chamados horários zero, não estão satisfeitos. Dizem que o processo criou desigualdades e "esgotou" professores e directores.

quarta-feira, julho 25, 2012

MEC está a brincar com os professores contratados

"A Direcção-Geral da Administração Escolar reconheceu esta quarta-feira “a existência de uma anomalia” na aplicação informática disponibilizada para o concurso de cerca de 40 mil professores contratados.                           
Através de uma nota informativa, avisa que, na sequência disso, irá contactar todos os docentes que submeteram as candidaturas entre segunda-feira e as 9h16 de hoje, “com vista à eventual revalidação das suas preferências e subsequente submissão”.
A nota foi colocada na página da internet da DGAE esta manhã, mais de doze horas depois de o Ministério da Educação e Ciência ter admitido que, devido à lentidão da aplicação, o prazo para as candidaturas seria alargado de sexta para terça-feira, 31 de Julho.
Agora, a DGAE vem confirmar aquilo que dirigentes de sindicatos também têm vindo a denunciar - a existência de uma anomalia que “poderá ter impedido alguns candidatos de registarem a totalidade das suas preferências”.

Público

terça-feira, julho 24, 2012

A incompetência tomou conta do MEC

Para além de não permitir que se concorra a nível nacional em todas as modalidades de horário, a aplicação informática disponibilizada pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC) para a "manifestação de preferências" por parte dos professores contratados está “constantemente bloqueada ou a bloquear”, lançando “o caos e o desespero entre os docentes”, denunciou esta terça-feira João Paulo Silva, dirigente do Sindicato dos Professores do Norte (SPN/

Público

És um cromo, ó Albino!

Correio da Manhã – Segundo um estudo da Universidade do Porto, os alunos das escolas privadas têm notas mais altas e são beneficiados no acesso à universidade. Como comenta?
Albino Almeida – Este estudo vem confirmar uma noção empírica que existe entre os pais. No ensino privado, os conselhos de turma valorizam o que consideram ser o projecto de vida do aluno em relação ao ensino universitário.
– De que forma é que isso se manifesta?
– Por exemplo, no privado a nota de Educação Física não mata a média dos alunos, como acontece na escola pública. Daí que o Governo tenha decidido retirar esta disciplina da contagem para a média.
– O que deve ser feito para acabar com esta vantagem dos alunos do privado?
– É preciso, rapidamente, que o Ministério da Educação reduza o peso da média final do Secundário e que sejam as universidades a elaborar as provas de acesso em função do que pretendem.

segunda-feira, julho 23, 2012

Nada que já não se soubesse

"Uma equipa de investigadores da Universidade do Porto esteve a analisar as bases de dados dos exames nacionais do ensino secundário, que são a matéria-prima para a elaboração dos rankings das escolas, e concluiu que os alunos das escolas particulares têm sido favorecidos por comparação com os que frequentam o ensino público.
Esta conclusão tem por base a diferença entre a média que os alunos obtêm nas provas nacionais (classificação externa) e aquela que lhes é atribuída nas suas escolas de origem (classificação interna), dados que também estão disponíveis nas bases de dados dos exames. Depois de compararem os dados existentes entre 2002 e 2010, os investigadores Tiago Neves, João Pereira e Gil Nata verificaram que estes mostram "que de forma sistemática existe um padrão de diferença entre a classificação interna e a classificação externa que tem favorecido os estudantes das escolas privadas", explicaram ao PÚBLICO. "Este facto é particularmente acentuado nas classificações onde mais se joga o acesso ao ensino superior", sublinham".

Público

O desemprego dos professores

"Vai por aí um enorme choradinho sobre o facto de, em 2012/1013, o Ministério da Educação ir contratar menos professores. E por muitos professores do quadro irem ficar sem turmas. Acusam-se os mega-agrupamentos, a revisão curricular e o tamanho das turmas, como se medidas destinadas a gerir melhor os recursos humanos não fossem necessárias, como se o dever do Estado fosse arranjar emprego para os professores e não utilizar da melhor forma o dinheiro dos nossos impostos.
Ninguém refere um dado essencial: há menos alunos nas nossas escolas. Há menos alunos porque os portugueses há muitos anos que deixaram de ter muitos filhos. No ensino básico, por exemplo, em 1985 havia 1.487.600 alunos no ensino público regular, em 2011 já só eram 932.297. Nos cursos gerais do ensino secundário o pico foi atingido em 1996, com um total de 272.951 alunos, mas em 2010 já só eram 175.658.
Em contrapartida, o número de professores esteve sempre a crescer até 2005 e, de então para cá, só desceu marginalmente. Resultado: fazendo umas contas grosseiras sobre o rácio alunos/professores, que era de 15 para 1 no início da década de 1980, verifica-se que foi descendo sempre, passando a 12 para 1 no início da década de 1990, 9 para 1 na viragem do século e chegando ao mínimo de 7,72 para 1 no último ano para que há dados, 2010.
Poderá alguém explicar aos sindicatos dos professores e aos senhores jornalistas que, com menos alunos nas escolas porque há menos portugueses em idade escolar (uma escolha dos portugueses que têm menos filhos, não de nenhum governo), necessariamente haverá menos postos de trabalho para professores?"

José Manuel Fernandes
http://blasfemias.net/2012/07/22/o-desemprego-dos-professores-13-2/

sábado, julho 21, 2012

O destino do país está na mão de aposentados

"O destino do país está na mão de aposentados. O presidente Cavaco Silva, a primeira figura do Estado, é reformado. A segunda personalidade na hierarquia protocolar, Assunção Esteves, é igualmente pensionista. Também nos governos nacional e regionais há ministros que recebem pensão de reforma, como Miguel Relvas ou até Alberto João Jardim. No Parlamento, há dezenas de deputados nesta situação. Mas também muitas câmaras são presididas por reformados, do Minho, ao Algarve, de Júlia Paula, em Caminha, a Macário Correia, em Faro.
É imensa a lista de políticos no activo que têm direito a uma pensão. Justificam este opulento rendimento com o facto de terem prestado serviço público ao longo de doze anos ou, em alguns casos, apenas oito. Esta explicação não convence, até porque uma parte significativa deste bando de reformados não só não prestou qualquer relevante serviço à nação como ainda utilizou os cargos públicos para criar uma rede clientelar em benefício próprio. Foi graças a esta teia que muitos enriqueceram e acederam a funções para que nunca estiveram curricularmente habilitados. A manutenção até hoje destes privilégios e prebendas é inaceitável, em particular nos tempos de crise que atravessamos. Sendo certo que a responsabilidade por este anacronismo não é de nenhum destes políticos e ex-políticos em particular - também é verdade que todos têm uma culpa partilhada por não revogarem este sistema absurdo que atribui tenças milionárias à classe que mais vem destruindo o país. Urge substituir este modelo pelo único sistema admissível que é o de que os titulares de cargos públicos, quando os abandonam, sejam indemnizados exactamente nos mesmos termos que qualquer outro trabalhador.
E que passem a reformar-se, como todos os restantes cidadãos, quando a carreira ou a idade o permita. É claro que dirigentes habituados a acumular reformas de luxo com bons salários jamais compreenderão os problemas dos que têm de viver com salários de miséria; ou sequer entenderão as dificuldades dos que sobrevivem apenas com pensões de valor ridículo. Não serão certamente estes reformados de luxo que conseguirão proceder às reformas estruturais de que Portugal tanto está a precisar."

Paulo Morais
CM

quinta-feira, julho 19, 2012

Asquerosa personagem

"De repente horário zero tornou-se sinónimo de maus trato para o professor. Enfim a infâmia do horário zero é recente. Recordo dos meus tempo de professora e de associação de pais a existência duma casta que se caracterizava precisamente por não ter turma. Não tinham cargos especiais nem trabalho que se entendesse. Simplesmente faziam parte dos quadros das escolas mas não tinham turmas. Nunca vi sindicato, federação ou associação protestar contra esta pouca vergonha. Agora que horário zero já não significa privilégio antes insegurança tudo parece valer para combater os horários zero. Mas à partida convém lembrar que o objectivo da escola é ensinar os alunos e não empregar todos aqueles que têm formação no ensino".

Helena Matos
http://blasfemias.net/2012/07/19/horarios-zero/

Nuno Crato e os computadores

Professores vão receber 100 euros por cada colega que avaliem

Os professores que vão fazer a avaliação externa dos seus colegas, com base na observação de aulas, vão auferir 100 euros por avaliado.
Estes docentes terão ainda asseguradas ajudas de custo caso se desloquem mais de cinco quilómetros (12 euros por Km), prevê o Ministério da Educação no despacho que está a negociar com os sindicatos. Até aqui, a avaliação era feita internamente nas escolas, pelo que não havia lugar a remuneração.

No projecto de despacho, a que o PÚBLICO teve acesso, prevê-se a constituição de bolsas de avaliadores externos em cada um dos Centros de Formação de Associações de Escolas (CFAE). Aquelas serão constituídas por docentes de carreira de todos os grupos de recrutamento das escolas associadas que estejam integrados no 4.º escalão ou noutro superior e que sejam titulares do grau de mestre ou doutor. Também farão parte da bolsa os que, em alternativa, detenham formação especializada em avaliação do desempenho docente, em supervisão pedagógica ou ainda experiência profissional no exercício de funções de supervisão pedagógica que integrem observação de aulas.

As listas de avaliadores serão remetidas pelos directores das escolas para o responsável máximo do respectivo CFAE, que terá a responsabilidade de gerir a bolsa, garantindo sempre que o avaliador pertence ao mesmo grupo de recrutamento do avaliado, que está em escalão da carreira igual ou superior e não exerce funções no mesmo agrupamento. A atribuição, no mesmo ano escolar, de mais de 12 docentes a um avaliador requer autorização expressa do ministério.

quarta-feira, julho 18, 2012

Uma classe zombie e um ministro bárbaro - crónica de Santana Castilho

"Numa sexta-feira, 13, a tampa de um enorme esgoto foi aberta ante a complacência de uma classe que parece morta em vida. Nuno Crato exigiu e ameaçou: até 13 de Julho, os directores dos agrupamentos e das escolas que restam tiveram que indicar o número de professores que não irão ter horário no próximo ano-lectivo. Se não indicassem um só docente que pudesse vir a ficar sem serviço, sofreriam sanções. Esta ordem foi ilegítima. Porque as matrículas e a constituição de turmas que delas derivam não estavam concluídas a 13 de Julho. Porque os créditos de horas a atribuir às escolas, em função da deriva burocrática e delirante de Nuno Crato, não eram ainda conhecidos e a responsabilidade não é de mais ninguém senão dele próprio e dos seus ajudantes incompetentes. Não se conhecendo o número de turmas, não se conhecendo os cursos escolhidos pelos alunos e portanto as correspondentes disciplinas, não se conhecendo os referidos créditos, como se poderia calcular o número de professores? Mas, apesar de ilegítima, a ordem foi cumprida por directores dúcteis. Como fizeram? Indicaram, por larguíssimo excesso, horários zero. Milhares de professores dos “quadros” foram obrigados, assim, a concorrer a outras escolas por uma inexistência de serviço na sua, que se vai revelar falsa a breve trecho. Serão “repescados” mais tarde, mas ficarão até lá sujeitos a uma incerteza e a uma ansiedade evitáveis. Por que foi isto feito? Que sentido tem esta humilhação? Incapacidade grosseira de planeamento? Incompetência? Irresponsabilidade? Perfídia? Que férias vão ter estes professores, depois de um ano-lectivo esgotante? Em que condições anímicas se apresentarão para iniciar o próximo, bem pior? Que motivação os animará, depois de tamanha indignidade de tratamento, depois de terem a prova provada de que Nuno Crato não os olha como Professores mas, tão-só, como reles proletários descartáveis? É de bárbaro sujeitar famílias inteiras a esta provação dispensável. É de bárbaro a insensibilidade demonstrada. Depois do roubo dos subsídios, do aumento do horário de trabalho, da redução bruta dos tempos para gerir agrupamentos e turmas, da tábua rasa sobre os grupos de recrutamento com essa caricatura de rigor baptizada de “certificação de idoneidade”, da menorização ignara da Educação Física e do desporto escolar, da supina cretinice administrativa da fórmula com que o ministro quer medir tudo e todos, da antecipação ridícula de exames para o início do terceiro período e do folclórico prolongamento do ano-lectivo por mais um mês, esta pulseira electrónica posta na dignidade profissional dos professores foi demais.
Todas as medidas de intervenção no sistema de ensino impostas por Nuno Crato têm um objectivo dominante: reduzir professores e consequentes custos de funcionamento. O aumento do número de alunos por turma fará crescer o insucesso escolar e a indisciplina na sala de aula. Mas despede professores. A revisão curricular, sem nexo, sem visão sistémica, capciosa no seu enunciado, que acabou com algumas disciplinas e diminuiu consideravelmente as horas de outras, particularmente no secundário, não melhorará resultados, nem mesmo nas áreas reforçadas em carga horária. Mas despede professores. Uma distribuição de serviço feita agora ao minuto, quando antes era feita por “tempos-lectivos”, vai adulterar fortemente a continuidade da leccionação das mesmas turmas, em anos consecutivos, pelos mesmos professores (turmas de continuidade), com previsível diminuição dos resultados dos alunos. Mas despede professores. As modificações impostas à chamada “oferta formativa qualificante”, mandando às urtigas a propalada autonomia das escolas, substituídas nas decisões pelas “extintas” direcções-regionais (cuja continuidade já está garantida, com mudança de nome) não melhora o serviço dispensado aos alunos. Mas despede professores.
Ao que acima se enunciou, a classe tem assistido em letargia zombie. Não são pequenas ousadias kitsch ou jograis conjuntos de federações sindicais, federações de associações de pais e associações de directores, carpindo angústias e esmagamentos, que demovem a barbárie. Só a paramos com iniciativas que doam. Os professores têm a legitimidade profissional de defender os interesses da classe. Digo da classe, que não de cada um dos grupos dentro da classe. E têm a responsabilidade cívica de defender a Escola Pública, constitucionalmente protegida. Crato vai estatelar-se e perder-se no labirinto que criou para o ano-lectivo próximo. Perdidos tantos outros, é o tempo propício para um novo discurso político, orientador e agregador da classe. A quem fala manso e age duro, urge responder com maior dureza. Lamento ter que o dizer, mas há limites para tudo. Como? Assim a classe me ouvisse. Crato vergava num par de semanas".

Mapa nacional de horários eliminados - DACL e Contratados

A consultar aqui.

Informação que tarda

Por esta altura já o MEC devia ter informado do número de professores que concorrem a DACL, em nome da transparência e para que o país tenha conhecimento do maior ataque à escola pública de que há memória.

terça-feira, julho 17, 2012

Crato garante que haverá lugar para todos os professores do quadro e nos grupos mais requisitados haverá a possibilidade de ir buscar contratados

O ministro da Educação, Nuno Crato, garantiu nesta terça-feira, em conferência de imprensa, que haverá lugar nas escolas para todos os professores do quadro “e ainda para mais”.
A ver vamos, como diz o cego.