Os pensionistas que ganhem mais de 293 euros terão de entregar IRS, este ano. Tudo porque, segundo as novas regras, quem tenha pensões superiores a 4104 euros por ano (equivalentes aos tais 293/mês) terão de o passar a fazer agora.
quinta-feira, janeiro 31, 2013
terça-feira, janeiro 29, 2013
Triste realidade
Aparentemente, estiveram na manifestação de sábado 30 a 40 mil professores. Resultados práticos desta iniciativa para a vida dos professores: rigorosamente nenhuns. Basta olharmos para o tratamento que a comunicação social deu à manifestação para facilmente chegarmos a essa conclusão.
domingo, janeiro 27, 2013
Sempre a roubar
Governo baixa salários na função pública. Cortes salariais temporários devem passar a definitivos. Mas alguém esperava outra coisa?
quarta-feira, janeiro 23, 2013
terça-feira, janeiro 22, 2013
Os cortes e a Corte
"O estado português tem de reduzir a despesa em quatro mil milhões de euros, por imposição dos compromissos que assumiu com a troika. Na hora de proceder a cortes, exige-se que esta redução atinja os privilégios e as rendas atribuídos aos mais poderosos e não seja feita à custa de mais sofrimentos infligidos ao povo. Até porque ao nível dos privilégios há muito por onde cortar.
Comecem, de uma vez por todas, por reduzir os custos das parcerias público-privadas (PPP), desde logo as rodoviárias. Não é admissível que se continuem a garantir, apenas pela existência e disponibilidade de uma qualquer autoestrada, rentabilidades anuais de dezassete a vinte por cento aos concessionários privados. E muito menos se admite que no fim de cada ano estes sejam ainda compensados com bónus milionários... por causa da baixa sinistralidade. Os governantes estão obrigados a baixar os custos que as PPP representam para o erário público em, pelo menos, mil milhões de euros. Para tal, negoceiem a sério ou, em alternativa, expropriem os equipamentos pelo seu real valor, o que diminuiria brutalmente os custos. Em qualquer caso, suspendam de imediato os pagamentos.
Haja ainda coragem de estancar a sangria dos juros da dívida pública, que representam a maior despesa do estado e consomem treze por cento dos impostos pagos por todos os cidadãos e empresas. Para baixar o custo do serviço da dívida é necessário competência para a reescalonar e renegociar, coragem para enfrentar o "lobby" financeiro e credibilidade para colocar parte da dívida no mercado interno. Com uma nova atitude, o estado pouparia bem mais de dois milhões de euros.
Poder-se-iam ainda economizar largas centenas de milhões nas rendas imobiliárias que o estado continua a pagar para favorecer amigos, começando no Campus de Justiça de Lisboa e acabando em qualquer pequena repartição pública na província.
É ao nível dos grandes negócios de favor e da Corte indecente de privilégios que se deve provocar a diminuição da despesa do estado; antes sequer de se discutirem quaisquer novos cortes na saúde ou na educação. Reduzir mais as regalias sociais, apenas para manter intactas as prebendas dos grupos económicos favorecidos pelo regime, seria uma infame traição ao povo".
Paulo Morais
CM
quinta-feira, janeiro 17, 2013
Uma nota para Moedas - crónica de Santana Castilho
"Como estaria a educação nacional se tivéssemos um curriculum coerente, de alto a baixo? E se o modelo de gestão das escolas atraísse os melhores? Que teria acontecido se a política educativa privilegiasse a cooperação, que une, em detrimento da competição, que divide? E se os professores fossem respeitados, que não vilipendiados? O exercício dicotómico que esbocei prolongar-se-ia longamente, opondo o que é ao que poderia ser. Mas porque não aconteceu cada metade de cada pergunta, os putativos resultados permanecerão no campo da dialéctica. Diferente é o que está apurado e passou a factual. É por isso que o relatório do FMI está mal feito. Nesta crónica, que é uma nota para Moedas, apontarei alguns dos muitos erros que tornam mau aquilo que Moedas diz que é bom. E porque nem eles, técnicos, nem ele, político, podem ignorar a verdade, concluirei dizendo que uns e outro foram desonestos. Eles, intelectualmente. Ele, politicamente.
Diz o relatório, a abrir (p.58), que o sistema de educação em Portugal perde por comparação com os demais países da Europa, no que toca à relação entre os custos, por referência ao PIB, e os resultados. O relatório diz que gastámos, em 2010, 6,2 por cento do PIB. Está errado. Gastámos cinco, inferior à média da UE. Mas, porquê 2010? Depois de tanta avaliação e tantas missões, estes mafarricos não conhecem o valor actual, que se cifrará por volta dos 3,8 por cento? A afirmação é falsa e particularmente grave, por coexistir com a recente divulgação dos resultados de dois dos mais credíveis instrumentos de notação dos sistemas de educação: o TIMMS (Trends in International Mathematics and Science Study) e o PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study). Como, aliás, referi no meu último artigo, Portugal foi o país que mais progrediu no ensino da Matemática e o segundo que melhores resultados obteve no que toca às ciências. Que mundo observam estes peritos? Linhas à frente, afirmam que nos dois últimos anos o Governo melhorou a avaliação dos professores. Saberão que nesse tempo a coisa não mexeu, simplesmente hibernou?
Afirma o relatório (p. 61) que é evidente que o custo por aluno nas escolas privadas é inferior ao das públicas. Cita os dois estudos recentemente divulgados, o do Tribunal de Contas e o do grupo de trabalho designado pelo MEC. Mas só utiliza as conclusões do primeiro, aliás com validade condicionada pela própria autoria. Diligentemente, manhosamente, como se os colonizados fossem estúpidos e não simples vítimas de meliantes da mesma ideologia, o relatório escamoteia as conclusões do segundo estudo. Porquê? Porque essas conclusões dizem que 80 por cento das turmas financiadas pelo Estado ao privado têm um custo superior às públicas, de cerca de 15 mil euros. Porque, de outro modo, não poderiam sugerir à privatização do ensino. Demasiado baixo. Mesmo má moeda.
Recomenda o relatório (p. 63) o aumento das propinas no ensino superior. Mas mostra a realidade que os valores cobrados já são dos mais elevados da Europa, apesar de termos um rendimento per capita dos mais baixos e a carga de impostos mais alta. Dado o tom de sofisticação analítica que 24 quadros, cinco tabelas e duas caixas emprestam ao documento, seria de esperar um quadro comparativo com os valores cobrados no espaço Europeu. Como convém a recomendações pré-ordenadas, o documento é aí omisso. Como estamos a ver, a ocultação cirúrgica e a distorção mascarada de tecnicidade são figuras de estilo do relatório.
Exemplos similares podem ser abundantemente colhidos se deslocarmos a análise para as áreas da saúde ou segurança social e evidenciam que o relatório não conclui como corolário de uma exposição sequencial de factos. Antes, manipula números para forçar um preconceito, qual seja o de apontar o Estado social como o responsável pela crise. E não é. As despesas sociais pesam 19 por cento no PIB português, enquanto a média da zona Euro se cifra nos 21 por cento. A crise resulta da acumulação de erros políticos, nossos e da Europa. Só se resolve à escala transnacional, com crescimento económico. Se este relatório colhesse crédito, os países escandinavos seriam miragem. E não são. Existem.
Sem negar a importância dos dados quantitativos, temos que ter bem presente que a realidade, particularmente nas áreas sociais, não é redutível à simples linguagem numérica. Porém, quando intencionalmente distorcemos a realidade e por via da manipulação dos números, ocultando aqui, distorcendo ali, pretendemos modificar a percepção que os outros têm dela, resvalamos para o campo da canalhice. Em tempo de protectorado humilhante, importa redobrar a atenção cívica aos canalhas e aos colaboracionistas".
terça-feira, janeiro 15, 2013
Sem dó nem piedade
"Aos políticos corruptos nunca são assacadas nenhumas responsabilidades pelos seus atos. Violam leis e regulamentos, patrocinam negócios ruinosos para o Estado, enriquecem de forma obscena e nada lhes acontece.
Até hoje, a impunidade tem sido absoluta. O regime jurídico da tutela administrativa impõe, por exemplo, a perda de mandato num conjunto de circunstâncias. Na prática, Macário Correia ou Valentim Loureiro foram condenados pelos tribunais em perda de mandato, mas continuam em funções.
A legislação estabelece responsabilidade criminal aos titulares de cargos políticos que violem regras urbanísticas. No entanto, as alterações ilícitas aos planos diretores são prática comum, com ganhos milionários para os promotores imobiliários que financiam os partidos. Por todo o país nascem edifícios ilegais, do Vale do Galante na Figueira da Foz, ao edifício Cidade do Porto… mas a culpa sempre morre solteira. Enquanto em Espanha há mais de cem autarcas presos por crimes urbanísticos, em Portugal nem um! Nem sequer Isaltino Morais, várias vezes condenado, está preso.
Também nunca são acusados os responsáveis pelos desvios orçamentais. Quem contrate à revelia do orçamento incorre em responsabilidade criminal. Mas até hoje não há condenados, não obstante os milhares de milhões de desvios nos orçamentos na administração central e local. Como também não há responsabilização dos políticos que contratam negócios ruinosos para o Estado, tal é o caso das parcerias público-privadas. Além do mais, jamais são recuperados os bens que os corruptos subtraem à sociedade. E seria bem simples, afinal. Os edifícios ilegais deveriam ser demolidos ou, em alternativa, expropriados por valor zero. As fortunas acumuladas na sequência de fraude fiscal ou de processos de corrupção como o do BPN deveriam ser confiscadas. Apreendendo tanto o património detido em território nacional, como até os depósitos em bancos estrangeiros; à semelhança do que outros países vêm fazendo, como a Alemanha, a França, a Itália ou até a Grécia.
Já vai sendo tempo de punir políticos corruptos, retirando-lhes mandatos, obrigando-os a responder perante a justiça e confiscando-lhes as fortunas que têm vindo a acumular à custa do que roubam ao povo português".
Paulo Morais
CM
domingo, janeiro 13, 2013
Eu também não percebo
"(...) Desta vez, as notícias, entre outros apertos, procuram colocar mais 50 mil professores na rua. Não percebo a embirração com os professores. Sobretudo neste país semianalfabeto, com níveis de iliteracia angustiantes, sem formação que permita competitividade, produção de elites capazes, que consolide valores europeus no domínio do conhecimento e dos saberes. Não se percebe, já que se diz que este corte tem a ver com a refundação do Estado, qual a razão por que não é antes discutido o País que queremos daqui a dez, vinte anos, que mercado de trabalho se perspetiva, organizar a escola e a universidade em função dessa finalidade e, depois, logo se verá se é necessário prescindir de professores ou se é necessário formar ainda mais para as áreas consideradas estratégicas. Não! Cinquenta mil para o olho da rua e depois logo se vê. Por aqui não vamos lá".
Francisco Moita Flores
CM
sábado, janeiro 12, 2013
Extermínio puro e simples
Os professores vão ser tratados por este Governo como os judeus o foram por Hitler na 2ª guerra mundial.
quarta-feira, janeiro 09, 2013
Propostas do FMI para a Educação
Uma terceira grande proposta do FMI dirige-se ao sector da educação. O Estado pode colocar entre 30 a 50 mil funcionários da educação em regime de mobilidade especial, o que permitiria uma poupança na ordem dos 430 a 710 milhões de euros por ano.
A juntar-se à entrada na mobilidade especial está ainda a proposta do FMI para que os funcionários do Ministério da Educação passem a trabalhar 40 horas semanais, uma proposta que, a ser aplicada, resultaria num corte de despesa de 150 milhões de euros por ano. Outros 300 milhões de euros de poupança podem ser conseguidos através do alargamento do bloco de aulas dos 45 para os 60 minutos, escreve nesta quarta-feira o Jornal de Negócios.
Com a saída dos quadros, o Estado consegue assim não só poupar com a factura da educação como também, defende o FMI, incentivar o “desempenho” dos professores “que querem ficar de fora das listas de mobilidade”.
terça-feira, janeiro 08, 2013
Banca Rota
"O país está falido, não há dinheiro para nada. Mas, para os bancos, os recursos continuam ilimitados. Sempre que um banco está em apuros, logo os governantes o auxiliam com os dinheiros públicos; isto apesar de o estado português se encontrar, ele próprio, em situação de pré-bancarrota.
Foi assim com o BPN. Ao longo de anos, a Sociedade Lusa de Negócios (SLN), grupo detentor do banco, realizou todo o género de negócios. Acumulou os lucros nas empresas da SLN, enquanto os prejuízos engrossavam o passivo do BPN. Em 2008, José Sócrates nacionalizou o banco, assumindo todos os seus prejuízos, mas deixou intacta a SLN. De seguida, o estado saneou as finanças do banco e vendeu-o a preço de saldo.
Triste é também a história do Millennium-BCP, entidade tomada de assalto pelo Partido Socialista no tempo de Sócrates e que, sob a gestão de Armando Vara, concedeu empréstimos sem critério e sem garantias. Está perto da falência, começa a despedir pessoal. E vem agora o estado, já em 2013, comparticipar, com apoios sociais, na operação de despedimento coletivo do banco.
A estes bancos falidos junta-se ainda o Banif, instituição cuja imagem foi profundamente afetada pelo escândalo da herança de Horácio Roque, disputada pela sua mulher Fátima, guerrilheira da Unita, e suas filhas Teresa e Cristina. Descapitalizado, sem quota de mercado, o banco vê agora os seus problemas resolvidos, pois recebe uma injeção de 1100 milhões do estado. Um absurdo!
Igualmente estranha foi a aquisição do Finibanco pelo Montepio Geral (MG). O MG, não sendo uma entidade pública, tem responsabilidades sociais óbvias, pois é a maior associação portuguesa, com cerca de 530 mil associados. Quando o Finibanco acumulava já enormes prejuízos, surge uma oportuna OPA por parte do MG. O Finibanco apresentou lucros apenas no semestre da venda, as ações valorizaram artificialmente dias antes da operação, com uma valorização de 22% em apenas três dias, inflacionando o valor da OPA em dezenas de milhões. O MG comprou muito caro o Finibanco, prejudicando os mutualistas.
Os exemplos sucedem-se de forma agonizante. Os bancos constituem autênticos sacos rotos onde são despejados, criminosamente, os escassos recursos do povo português".
Paulo Morais
CM
sexta-feira, janeiro 04, 2013
Excelente texto de Pacheco Pereira
"O ano de 2013 vai ser o ano da viragem que dará razão ao Governo e às folhas de
Excel. No fundo, sabemos todos que a Microsoft não teria um software tão famoso,
se ele não funcionasse. Ao lado do Excel, as previsões da oposição são feitas
com as cartas do Tarot e vendo os programas da Maya.
Dizem que as coisas estão muito mal, mas não
estão tão mal como isso. Vejam os manifestantes do 15 de Setembro. São contra o
governo? Não, foram contra a TSU, um “erro de comunicação” identificado pelo
professor Marcelo e rapidamente corrigido. Para além disso, os mesmos
manifestantes são contra as greves e contra os funcionários públicos. Estão os
pobres urbanos a favor da revolução? Enganam-se, já os viram a falar contra a
greve dos transportes quando as televisões os procuram nas estações? Por eles,
acabava o direito á greve já amanhã, juntando-se a Ferraz da Costa numa diatribe
sobre o excesso de indisciplina nas empresas públicas e a libertinagem permitida
pela Constituição. O Salazar é que os punha na ordem.
Estão os jovens indignados? Estão, estão,
contra aqueles que por tornarem “rígido” o “mercado do emprego”, ocupam os
empregos enquanto eles são “precários”. Vejam lá se eles vão às manifestações da
CGTP? Não vão, porque eles leem blogues, e sabem que os sindicalistas querem
continuar a ser “sanguessugas” dos nossos impostos, a ganhar sem trabalhar. Para
além disso, os jovens sabem muito bem que o estado não vai garantir-lhes as
reformas no futuro e, por isso, para que é que têm que estar a pagar hoje as
reformas milionárias acima dos 1300 euros? Os velhos que se cuidem, porque estão
a prejudicar os mais novos, como disse o senhor Primeiro-ministro aos jovens da
JSD, cheios de confiança nos seus “projectos de futuro” e de carreira. No fundo,
sabem que são os “seus” que estão no poder.
Há gente zangada nos restaurantes, nos
professores, nos trabalhadores das diversões, nos polícias, nos médicos, nas
forças armadas? Não se iludam, são apenas grupos corporativos que estão a perder
os privilégios que tinham e a ter que pagar impostos que nunca pagaram. Aliás,
são os poderosos que mais estão contra este governo. É o lóbi dos restaurantes
que não quer passar facturas, todos representantes de um sector sem interesse
para a economia exportadora que queremos construir. Militares? Isso são os
restos do PREC e um anacronismo que é preciso corrigir. Já acabamos com o
Serviço Militar Obrigatório, agora para que é que são precisas as forças armadas
a não ser como uma polícia “pesada” anti-motim? São como os juízes do Tribunal
Constitucional, um grupo que julga em causa própria, para defender as suas
chorudas reformas, mesmo que para isso tenha que matar a economia. Aliás os
verdadeiros inimigos do governo são gente sem valor que se habituou toda a vida
a viver do estado e que está apenas a defender a sua reforma atacando vilmente
este corajoso governo. Não é Bagão Félix?
Falam contra os bancos e acusam o governo de
lhes dar tudo o que pode? Esquerdismo à Louçã, porque a saúde do sistema
financeiro é fundamental para a nossa economia e os bancos fazem a sua parte. Há
quem coloque o dinheiro no estrangeiro e em offshores? É apenas a natural
expressão do receio que tiveram com a bancarrota de Sócrates, a quem apoiaram
apenas por engano. No fundo estão a comportar-se racionalmente como deve fazer o
grande capital. E a verdade é que, à medida que os seus nomes aparecem no “Monte
Branco”, portam-se como devem e pagam os seus impostos. Não é muito, mas eles
percebem bem como este governo está ao serviço dos “interesses da economia”, que
são também os seus. Tudo gente patriótica.
Só uns intriguistas é que podem dizer que o
governo não cumpre contractos com os trabalhadores, ao mesmo tempo que é mole
com os offshores e respeitador dos contratos blindados das PPPs. É
verdade que muitos dos seus autores, - da blindagem,- estão no governo ou
trabalham para o governo nas grandes firmas de advogados e consultadoria, mas
isso é porque são competentes e confiáveis. Foram-no antes e são-no hoje. O que
é que queriam, que o governo os colocasse á margem, com tudo o que eles sabem e
podem? Intrigas e inveja.
2013 vai ser o ano do pensamento positivo, vai
mostrar que o optimismo é a melhor atitude a ter na vida. Há crise, sim senhor,
mas nós aguentamos. Os portugueses no meio de grandes dificuldades em ajustar-se
vão cortar no supérfluo, deixar de comer bifes, lavar só metade dos dentes, e ir
ao hospital quando já estão de maca. No fim, vamos chegar vivos. Vamos aguentar.
Vamos continuara a dar mostras de civismo e das qualidades de paciência que
tornaram o “bom povo português” um exemplo que a Europa segue com carinho e
inveja. Na Europa, também tudo está mudar. O país e Vítor Gaspar tem um
prestígio incalculável, que é o melhor asset para Portugal. Ele é a
Merkel, o Schauble, o Draghi, o Trichet a debitarem elogios e a aprenderem muito
connosco. Não cumprir o défice deixou de ser muito importante. Vamos fazer duas
ou três emissões com sucesso em 2013, pequenas, a vários prazos, prudentes, e
depois os alemães vão colocar-nos a mão por baixo e defender-nos dos mercados,
porque com esse sucesso, já podemos ser apoiados pelo BCE. Foi o que nos
prometeram, para podermos apresentar a saída da troika como um grande trunfo
político. Esperemos que resulte. O resto não interessa, mesmo que isto não seja
bem voltar aos mercados, mas só a cabeça negra da oposição dirá isso. E não me
venham com tretas sobre a sustentabilidade, porque sustentáveis só temos que ser
até ao “que se lixem as eleições”. Depois a culpa passa outra vez para o
PS.
Com a saída da troika o governo pode aparecer
aos olhos dos eleitores como tendo cumprido o memorando “que outros assinaram”,
e, retomado a “soberania” nacional, que “outros perderam”. É verdade que
continuamos a ser obrigados a fazer a mesma política mesmo sem a troika, mas
deixam-nos uma pequena folga para haver eleições sem ser em estado de
calamidade. A troika zela pelos seus e o Pacto Orçamental está lá sempre para
por na ordem as tentações keynesianas. Para além disso, como disse Passos
Coelho, os números vão ser ter baixos que alguma vez têm que subir.
Vamos continuar a confiar nos dois partidos corajosos que nos vão retirar da bancarrota para onde nos atirou o Sócrates. Vejam a inteligência de Portas, a teimosia convicção de Passos Coelho, a tenacidade de Relvas contra a campanha miserável que lhe fazem, o saber profundo de Vítor Gaspar, a lealdade daqueles deputados que, contra ventos e marés, votam tudo o que é preciso, a fidelidade quase canina dos propagandistas, bloguistas amigos, também assessores, também a trabalhar com os gabinetes nas agências de comunicação e imagem, um serviço muito importante para não haver “falhas de comunicação”. E se as há, é porque não contratam os serviços que deviam, os especialistas nessa arte de “persuasão” que as almas danadas da oposição chamam de manipulação.
Vamos continuar a confiar nos dois partidos corajosos que nos vão retirar da bancarrota para onde nos atirou o Sócrates. Vejam a inteligência de Portas, a teimosia convicção de Passos Coelho, a tenacidade de Relvas contra a campanha miserável que lhe fazem, o saber profundo de Vítor Gaspar, a lealdade daqueles deputados que, contra ventos e marés, votam tudo o que é preciso, a fidelidade quase canina dos propagandistas, bloguistas amigos, também assessores, também a trabalhar com os gabinetes nas agências de comunicação e imagem, um serviço muito importante para não haver “falhas de comunicação”. E se as há, é porque não contratam os serviços que deviam, os especialistas nessa arte de “persuasão” que as almas danadas da oposição chamam de manipulação.
Eles sim são homens de princípios. E se estão
surpreendidos pelo “canino” na fidelidade, é porque desprezam o melhor amigo do
homem, ali, a dar a dar, e que ladra e morde quando é preciso. Fazem-nos muita
falta neste tempo de crise, em que, aparentemente solitários, os homens que nos
governam, têm consigo a maioria silenciosa dos melhores portugueses e os seus
cães. Pensamento positivo, que o pior já passou.
MAS, HÁ UM PEQUENO PROBLEMA…
É que não acredito numa linha do que está escrito antes".
É que não acredito numa linha do que está escrito antes".
quarta-feira, janeiro 02, 2013
Obrigado, professores!
(...) "2. Quem revisite o anterior discurso do ora ministro da Educação facilmente
acreditaria que, uma vez no posto, dele só se poderiam esperar políticas que
conduzissem ao crescente interesse dos professores pelo ensino. Mas o engano foi
colossal. Tão-só seguiu e ampliou à dimensão do desumano a estratégia de
proletarização dos docentes: desinvestiu na sua formação; reduziu-lhes os
salários e aumentou-lhe os horários de trabalho; manteve exigências burocráticas
que roçam o sadismo; fixou-lhes vários locais de trabalho, obrigando-os a
deslocarem-se de uns para os outros em períodos não remunerados e a expensas
próprias; desafiou os tribunais não cumprindo as sentenças favoráveis aos
despedidos; com um volume de despedimentos nunca visto em alguma classe
profissional em Portugal (30 mil, segundo os critérios mais generosos), criou um
exército de mão-de-obra barata, na reserva, miserável, chantageado e sem
horizontes de futuro. Poderá o país aceitar este desperdício de gente formada à
custa de muitos milhões? A fome das crianças já não está encapotada. Diminuiu
drasticamente o apoio aos alunos deficientes e aos grupos social e culturalmente
mais debilitados. Ampliou-se e prossegue o hediondo agrupamento de escolas,
contra tudo e contra todos, sobretudo contra os alunos. Quando o resultado deste
crime político for visível, daqui a anos, acontecerá aos protagonistas
responsáveis o mesmo que aconteceu aos que trouxeram o país às catacumbas em que
se encontra: nada.
3. A International Association for the
Evaluation of Educational Achievement realiza, cada quatro anos, dois
estudos conceituados internacionalmente: o TIMMS (Trends in International
Mathematics and Science Study) e o PIRLS (Progress in International
Reading Literacy Study). Portugal participou na edição de ambos de 1995,
tendo ficado nos últimos lugares do ranking. Ausente dos estudos de 1999, 2003 e
2007, voltou a ser cotado em 2011. Entre 50 países ficou no 15º lugar em
matemática e 19º em ciências. Entre 45 países, foi 19º no PIRLS. Em valor
absoluto, os resultados são positivamente relevantes. Mas em valor relativo
ainda são mais: de 1995 para 2011 foi Portugal o país que mais progrediu em
matemática e o segundo que mais avançou no ensino das ciências; se reduzirmos o
universo aos países da união europeia, estamos na 12ª posição em ciências,
sétima em matemática e oitava em leitura; se ponderarmos estes resultados face
ao estatuto económico e financeiro das famílias e dos estados com que nos
comparamos, o seu significado aumenta exponencialmente e deita por terra o
discurso dos que odeiam os professores. Há bem pouco, Gaspar, arauto da
econometria e vuvuzela dos indicadores internacionais, rotulava de ineficiente o
sistema de ensino. O seu amanuense Crato, outrora impante de PIMMS e PIRLS na
mão, ficou mudo agora. Relativizo os resultados e discuto os critérios e os
objectivos destes estudos. Não os valorizo como eles os valorizam. Mas é por
isso que denuncio o silêncio oficial. Porque estes resultados, valham o que
valerem, são, inequivocamente, fruto do trabalho dos professores portugueses.
Apesar de tudo, quantas vezes apesar das políticas. Obrigado,
professores!".
Santana Castilho
Público
segunda-feira, dezembro 31, 2012
É mais fácil acertar do que no euromilhões
Neste novo ano que se avizinha prevejo mais um ataque sem tréguas aos professores: contratados fora do sistema, muitos professores do quadro a entrarem na mobilidade especial, cortes na tabelas salariais e aumento da carga letiva.
sexta-feira, dezembro 28, 2012
domingo, dezembro 23, 2012
Tudo a devolver
"O governo ainda não sabe como ficará o défice de 2012. Mas já vai pensando no desastre de 2013. Segundo as notícias disponíveis, a ‘estratégia’ para evitar derrapagens no próximo ano é continuar a cortar nos salários dos funcionários públicos. Uma medida inteligentíssima quando se sabe que é precisamente o definhamento da economia interna e a quebra das receitas do Estado que têm impedido execuções orçamentais imaculadas.
Claro que o raciocínio do governo pode ser outro: perdido por cem, perdido por mil. Que o mesmo é dizer: se a economia já não gera receitas, pelo menos vai-se directamente à fonte. Se é esse o caso, as minhas desculpas. E, já agora, uma sugestão: mais importante do que cortar salários seria exigir, retroactivamente, alguns salários de volta. Como diria o sr. primeiro--ministro, o valor que os funcionários públicos têm hoje não corresponde aos salários que no passado se pagaram por eles".
João Pereira Coutinho
CM
quinta-feira, dezembro 20, 2012
Governo abre apenas 600 vagas para vínculo extraordinário de professores
Sejam contratados ou do quadro, este MEC continua a gozar com os professores.
terça-feira, dezembro 18, 2012
Este Governo não se cansa de nos surpreender
Entregar a gestão das escolas aos municípios seria o cúmulo da desfaçatez deste Ministério da Educação. Imgine-se o que seria ver os professores sob o jugo das autarquias. Arrepio-me só de pensar nessa possibilidade.
sexta-feira, dezembro 14, 2012
É matemático
"Esta semana, foram conhecidos os resultados de dois estudos internacionais
sobre as competências em matemática, ciências e leitura de crianças de nove
anos. Quatro mil alunos portugueses de 150 escolas foram avaliados. Os
resultados são muito animadores: entre 1995, quando Portugal participou pela
primeira vez nestes estudos, e 2011, o ano a que estes últimos se reportam,
passou da cauda dos 50 países participantes para o grupo dos primeiros 20: é
15.º em Matemática e 19.º em leitura e Ciências.
Matemática - a disciplina na qual estávamos todos convictos, a começar pelo
ministro da Educação, de que os estudantes portugueses são uma nódoa. Pois entre
os 16 países da UE que entraram no estudo, Portugal ficou, nessa área, em 7.º
lugar, logo acima da Alemanha e da Irlanda. Parece mentira, não é? E, sobretudo,
parece muito mal a quem repete todos os dias que o nosso sistema de ensino é
ineficaz e "facilitista" e que isto só lá vai mudando tudo de alto a baixo, com
exames e chumbos e castigos e privatizações e demais cassete. Vai daí, Nuno
Crato olhou para os estudos e que viu? Que, ao invés do que pudesse parecer a
observadores menos prevenidos, aquilo que estes diziam não era que o seu país
progrediu de forma notável no ensino, e que isso deveria ser motivo de orgulho,
relevado e louvado, como incentivo às escolas e aos estudantes. Não: para Crato,
a conclusão foi, de acordo com o título do comunicado por si exarado, "Estudos
internacionais mostram necessidade de melhorar conhecimentos dos alunos em
Matemática e Ciências."
E como concluiu o ministro tal coisa? Assim: "Em todos os estudos, mais de
metade dos alunos portugueses não ultrapassam o nível intermédio de benchmark
(melhores práticas), o segundo mais baixo em quatro níveis."
É isto falso? Não. É um falseamento. Vejamos o caso da Matemática. 40% dos
estudantes portugueses estão no nível intermédio, mas a média internacional é
41%. E se esta é 21% para o nível "fraco", a portuguesa é 17%. Mas há melhor: a
média portuguesa é, no nível avançado, o dobro (8%) da internacional (4%), e, no
elevado, 32%, superior em oito pontos à outra (24%). Ou seja: sendo verdade que
mais de metade (57%) dos alunos portugueses estão nos níveis intermédio ou
fraco, 43% estão no elevado e avançado, o que é um resultado muitíssimo superior
ao interna- cional (28%). Aliás, no universo do estudo, só seis países têm mais
de 50% dos alunos nos dois níveis superiores.
Se um ministro deste Governo não hesita, para "vender" a sua ideia para a
Educação, em perverter desta forma os resultados de estudos internacionais
disponíveis a qualquer um na Net, que nos diz isso de qualquer coisa que o
Executivo diga sobre assuntos, como a média das indemnizações por despedimento
na Europa, sobre os quais nos falta informação imediatamente disponível? Podemos
ser muito maus em Matemática, mas mesmo assim, pelo mais rudimentar cálculo de
probabilidades, só podemos concluir que deve ser mentira".
Fernanda Câncio
DN
quinta-feira, dezembro 13, 2012
Paulatinamente vamos descendo na tabela
"O Produto Interno Bruto (PIB) expresso em paridade do poder de compra em Portugal estava 22,6% abaixo da média dos países da União Europeia (UE) no ano passado, revelou esta quinta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os portugueses ganhavam, assim, 77,4% da média dos seus parceiros europeus em 2011, uma descida face a 2010, onde o valor era de 80,3%.
Portugal manteve no ano passado a 19ª posição na tabela, liderada pelo Luxemburgo, que apresenta uma riqueza por habitante mais do dobro da média, seguindo-se a Holanda.
Na tabela de 37 países, há oito países da União onde os cidadãos, em média, são mais pobres do que em Portugal: Eslováquia, Estónia, Lituânia, Hungria, Polónia, Letónia, Roménia e, no fim da tabela, a Bulgária, onde cada cidadão do país ganhou, em 2011, 46% da média europeia".
Renascença
quarta-feira, dezembro 12, 2012
Crónica arrepiante de Pacheco Pereira sobre o futuro dos portugueses
"O Governo põe-se a jeito, é dadivoso, a troika
elogia-o pela subserviência e pede mais. Ele diz sim e
agradece
Vem a caminho um novo pacote de austeridade com o nome
pomposo de "refundação do Estado". Não é sobre a definição das funções do
Estado, como se tem feito o favor ao Governo de o tomar. Não é nenhuma política
nem de superfície, quanto mais de fundo: é o resultado de uma negociação feita
com a troika, sem nosso conhecimento, sobre a qual abundam declarações
contraditórias e algumas mentiras. É uma meta numérica para os cortes, nada
mais. Se tiver que se chegar lá "custe o que custar", chega-se. Como tudo que
tem sido feito nos últimos tempos "vem no memorando", mesmo quando o que vem no
memorando é outra coisa, o mesmo memorando que o Governo nalguns casos diz que
aplica, noutros recusa aplicar (a diminuição do número de concelhos), noutros
era para aplicar e não aplicou (os 4,5%). O Governo põe-se a jeito, é dadivoso,
a troika elogia-o pela subserviência e pede-lhe mais. Ele diz sim, sim e
agradece.
Já houve o PEC1, PEC2, PEC3, o Orçamento do Estado de
2010 com muitas medidas restritivas, várias medidas avulsas do Governo Sócrates,
pelo menos cinco "pacotes", tendo ficado pelo caminho o PEC4. Com Passos Coelho
tivemos o corte de metade do subsídio de Natal em 2011, mais uma série de
medidas avulsas, cortes de subsídios, alterações na lei laboral, seguido do
corte dos dois subsídios para a função pública, mais uma subida do IVA. Depois
veio o aumento da TSU, que ficou no papel, e os vários anúncios de novas medidas
sobre salários, subsídios de desemprego, RMI, aumento generalizado de IMI, e por
fim o "enorme aumento de impostos". Todos os dias, inclusive na proposta de
diluição do subsídio de Natal ou de férias, os especialistas em direito fiscal,
contabilidade e economia encontram novas formas de extorquir mais dinheiro,
muitas ilegais. Mas who cares?. É o "ajustamento", a correr muito
bem.
É verdade que tecnicamente algumas destas medidas não
são "pacotes de austeridade", mas na prática são-no. E vão continuar. Todas as
vezes que o Governo falhar uma meta, haverá mais impostos. Por isso vai haver
muito mais impostos e mais pacotes de austeridade estão a
caminho.
Isto é a descrição da "coisa" em abstracto, agora veja-se como é em concreto. Em Fevereiro de 2013, imaginemos um casal comum que vive em Loures, ele encarregado de armazém, ela funcionária pública. Ganham nos escalões das suas profissões um pouco acima do patamar mais baixo. Têm trinta e sete, trinta e nove anos, dois filhos, vivem num andar barato que compraram a crédito numa urbanização. Até ao fim deste ano, conseguiram aguentar-se: ambos têm salário, embora ambos também já tenham perdido parte do seu salário, com impostos e com o corte dos subsídios na função pública. Ele teve algum atraso no salário, mas o patrão conseguiu arranjar dinheiro para pagar aos seus cinco empregados. Costumavam poupar alguma coisa e uma vez fizeram férias em Espanha, num pacote turístico muito barato que pagaram sem aceder ao crédito. Aliás, não estão especialmente endividados, a não ser a casa. Levantaram uma pequena poupança quando terminou o prazo e, quase sem dar por ela, gastaram-na. Porém, nada de grave, têm medo das coisas piorarem, mas até agora apenas apertaram o cinto, "ajustaram-se" cortando nalgumas despesas.
Em Fevereiro de 2013, perceberam ao olhar o salário que recebem, que cerca de trinta por cento desapareceu. É muito. Estavam no limiar, agora estão abaixo do limiar, o dinheiro deixou de chegar. Não sabem como vai ser. A primeira consequência é que não há dinheiro para as propinas do filho mais velho, que estuda Psicologia, mas ainda não sabem como lhe vão dizer. Lembram-se do "piegas" do primeiro-ministro e começam a ficar zangados. Compram o Correio da Manhã, antes compravam o Diário de Notícias, mas agora não só compram o Correio da Manhã, como o lêem com mais atenção. Antes compravam o Expresso, agora decidiram poupar e uma das primeiras despesas a evitar foi o Expresso. A seguir virá o Correio da Manhã.
No primeiro semestre de 2013, apercebem-se de que cada conta que chega para se pagar implica que outra conta não é paga. Em Maio, cancelaram um empréstimo a prazo, toda a sua poupança, perdendo os juros. O banco fez tudo para atrasar a liquidação do empréstimo, inclusive oferecendo um novo crédito para consumo, para remediar a situação, mas ele sabia alguma coisa de contas e assustou-se com o que iria pagar e recusou. A partir desse mês, as contas começaram a ser pagas com a pequena poupança, mas cada vez havia mais contas e menos dinheiro para as pagar. A luz, gás, a água tinham subido, as despesas do telemóvel também. A prestação da casa era a única coisa que não tinha subido, e por isso foi a última coisa a deixar de ser paga, o que começou a acontecer por volta de Junho. Tinham a Sport TV, mas cancelaram a assinatura ainda em 2012, e em 2013, as contas da televisão, Internet, telemóvel foram as primeiras a deixarem de serem pagas. Pagaram o seguro do carro, mas já não pagaram o seguro da casa. Deixou de haver dinheiro para o passe dos filhos, para o condomínio, para roupa, para substituir um microondas avariado.
Quando ele recebeu o seu IRS, para além do que ele e
ela tinham já descontado, e logo a seguir o IMI pela casa, já não havia dinheiro
para pagar. A subida fora brutal, tanta que pensavam ter sido um erro, mas
sabiam que não valia a pena protestar contra o fisco, e não fizeram nada. Agora
tinham medo de ir à caixa do correio ou de receber mensagens no telemóvel da Via
CTT, nem as abriam porque já estavam em "incumprimento", a caminho de execuções
fiscais. Prazos cada vez mais curtos precediam uma nova conta das Finanças e uma
nova ameaça de execução. Numa espécie de vingança contra o fisco faziam gala de
não pedir factura de nada, a mesma atitude que alguns colegas no emprego já
tinham tomado. Não servia para nada, ajudavam uns aflitos como eles, e atingiam
o Passos e o Gaspar.
A seguir às férias ele perdeu o emprego, porque o
armazém fechou. Ela dissera-lhe que muitas pessoas na função pública estavam a
ser mandadas para a "mobilidade especial" com grandes cortes salariais. Quando
ele lhe disse que ia pedir o subsídio de desemprego, enquanto procurava um novo
emprego que sabia não ir encontrar porque era "velho" de mais, ela confessou-lhe
a chorar que tinha a certeza que estava para ir para a "mobilidade especial",
visto que era o "chefe" que escolhia e nunca se tinha dado bem com ele. No final
do ano, o desespero era total, os conflitos no interior do casal eram
quotidianos. Não se divorciavam porque não havia dinheiro para separar casas.
Ele jurava que nunca mais votaria na vida, para "não dar de mamar a estes
corruptos", ela participara pela primeira vez numa manifestação "indignada".
Perceberam pela primeira vez o preço de trocar direitos por
assistência.
Em 2014, não havia família, a casa estava em risco, o carro fora-se, e nenhum conseguia arranjar um único papel porque faltava uma declaração fiscal impossível de tirar sem "regularizar" as dívidas. De há muito que o seu prédio deixara de ter elevador, porque ninguém pagava o condomínio. Subiam cinco andares a pé, mas sabiam o drama que isso era para a senhora idosa do sétimo, que só subia e descia com muita dificuldade para ir levantar a reforma. Uma vez encontraram-na ofegante sentada na escada.
Estavam falidos e tinham ido à advogada da DECO, para fazer essa declaração. Sentiam uma enorme violência interior, e oscilavam entre uma apatia exterior, e uma vontade de partir tudo. Ambos pensaram no suicídio, mas foi só pensar. Ela pensou ir ao "Congresso Financeiro" da IURD, ele em assaltar um banco, mas foi só pensar. Será que os acomodados do poder acreditam que estes pensamentos não atravessam a cabeça de muita gente que nunca pensou tê-los? Desiludam-se, as coisas estão muito pior do que vem nos jornais.
Em dois anos tinham a vida estuporada, não acreditavam em nada. Tinham vergonha dos filhos, tinham vergonha dos pais, tinham vergonha dos vizinhos, tinham vergonha de si próprios. Não sabiam como iriam continuar a viver. Tinham perdido qualquer sonho, qualquer expectativa, qualquer esperança. Para a frente era só descer. E são muitos, mesmo muitos, quase todos. Experimentem passear a vossa riqueza, a vossa indiferença diante deles, sem polícias, sem barreiras de metal, e dizer "aguentam, aguentam!" aos "piegas".
(Versão do Público de 1 de Dezembro de 2012.)
terça-feira, dezembro 11, 2012
Quem cala consente
Nuno Crato diz que está tudo em aberto mas que é prematuro falar em aumento da carga horária dos professores em cinco horas.
Esta declaração vem confirmar que vai haver mexidas nos horários dos professores. Se não forem cinco são mais duas ou três (a juntar às duas deste ano) e, consequentemente, mais uns milhares de professores para o desemprego. Infelizmente, a nossa classe vai continuar a permitir isto e tudo aquilo que o MEC entender fazer. No fundo temos aquilo que merecemos por força do nosso gritante imobilismo.
Governo prepara-se para aumentar a carga lectiva dos professores
"Sindicatos estimam que aumento do horário em cinco horas de trabalho semanais leve à redução de 15 mil docentes.
O Governo prepara-se para alargar a carga horária lectiva dos professores que estão nos quadros da Função Pública, no âmbito do aumento do horário semanal de trabalho dos funcionários públicos da reforma do Estado, apurou o Diário Económico. O objectivo passa por aumentar o número de horas de aulas deste grupo de professores dos quadros (cerca de 120 mil), reduzindo assim o número de docentes contratados. Ao mesmo tempo, o número de docentes com horário zero (professores sem turma atribuída) pode disparar".
Diário Económico
quinta-feira, dezembro 06, 2012
Nuno Crato põe fim aos planos de recuperação dos alunos no ensino básico
Os planos eram contestados por professores e criticados também por pais. Quem chumbar por faltas volta também a poder candidatar-se a exame e os alunos do 6.º ano poderão repetir as provas finais.
Um despacho do Ministério da Educação e Ciência (MEC), já enviado para publicação em Diário da República, a que o PÚBLICO teve acesso, põe fim não só aos planos de recuperação, como também aos de acompanhamento, destinados a alunos que chumbaram no ano anterior.
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