terça-feira, março 05, 2013

Marginais de sábado

"No último fim de semana o povo saiu à rua. Veio clamar por justiça e rejeitar as políticas seguidas por este regime moribundo.
Nas manifestações, em Lisboa, no Porto, e um pouco por todo o país, estava representada uma maioria sofredora, todo um povo que se sente num beco sem saída.
Um beco em que Cavaco, Guterres, Barroso e Sócrates nos encurralaram. Passos Coelho prometeu que nos iria resgatar deste atoleiro, mas apenas tem mantido o status quo, tornando-se assim co-responsável por uma das piores fases da vida da história do país. Esta é a geração mais espoliada nos seus rendimentos, que são transferidos pelo sistema político para os cofres dos verdadeiros donos do regime, bancos, construtores e promotores imobiliários. A política abastardou-se e transformou o orçamento de estado no instrumento que drena os recursos dos pobres para o bolso dos poderosos.
Nas manifestações de sábado marcou presença todo o tipo de portugueses, desesperados, revoltados ou deprimidos, injustiçados, letrados e analfabetos, velhos e novos.
Encontrei mães aflitas que já não têm comida para dar aos filhos, professores indignados porque os seus alunos chegam à escola sem pequeno-almoço, reformados deprimidos porque não têm dinheiro para passear, por via da redução das pensões, a par do aumento do preço dos transportes. Também lá estava a classe média, informada e culta, pois sente que a redução do seu poder de compra é em vão. Sabe que abdica de férias, passeios e almoços apenas para manter negócios criminosos como o das parcerias público-privadas.
Estavam jovens sem futuro, idosos sem presente. Pais e avós amargurados. Marcaram presença emigrantes, desde os que saíram para escapar à fome e à miséria, até jovens qualificados que tiveram de deixar o país porque não têm cá qualquer possibilidade de sucesso. Fartos de incompetência, rumaram a paragens onde a sua carreira depende do currículo e não do padrinho ou da filiação partidária.
Marginalizados da manifestação – os verdadeiros marginais no sábado – foram os partidos, a classe política, os sindicatos e todas as outras estruturas orgânicas do regime. Não havia caciques, todos eram pares. Sentia-se no ar o espírito de Grândola, "em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade".
 
Paulo Morais
CM

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Há cada vez mais alunos a chumbar no 12º ano

Em dois anos, os chumbos no 12º ano aumentaram 6,4%. É esta uma das conclusões de um inquérito do Observatório de Trajectos dos Estudantes do Ensino Secundário (OTES), divulgado pelo Ministério da Educação e da Ciência.
Segundo o observatório, 22,3% dos estudantes do 12º ano reprovaram ou tiveram disciplinas no ano lectivo passado, um aumento de 6,4% comparativamente à percentagem verificada no ano lectivo 2009/2010.
Para o inquérito relativo a 2011/2012, publicado em "Estudantes à Saída do Ensino Secundário 2011/2012", foram ouvidos 47.024 jovens de 680 escolas.

Por cá os tipos que desfalcaram o BPN e BPP continuam em liberdade

Político conservador grego condenado a prisão perpétua por desvio de 17 milhões de euros.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

MEC reitera que não haverá despedimentos nem mais horas de trabalho para os professores

"O secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, Casanova de Almeida, reiterou nesta terça-feira à Federação Nacional da Educação (FNE) que “não haverá despedimentos de professores, nem colocação em mobilidade especial contra a vontade do próprio, nem aumento do horário de trabalho dos docentes”, indicou ao PÚBLICO o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva.
O ministro da Educação, Nuno Crato, já o afirmara no Parlamento, mas continua sem se saber que medidas irá adoptar para reduzir despesas na educação no âmbito do corte de quatro milhões de euros nas funções sociais do Estado, que está a ser discutida com a troika na sétima avaliação ao cumprimento do memorando de entendimento, que ontem se iniciou".
 
Público

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Crato prepara-se para acabar com redução da componente letiva

"Além de reduzir nos professores contratados, a tutela prepara-se para acabar com a redução do horário em sala de aula (redução da componente lectiva) para os professores no topo de carreira, tal como avançou o Diário Económico. Segundo fonte do PSD, esta é uma medida que está a ser trabalhada há seis meses pelo Executivo. A intenção do Governo ainda não foi apresentada aos sindicatos através de uma proposta oficial, mas o dirigente da Fenprof, António Avelãs, confirmou ao Diário Económico que o sindicato "já recebeu indicações, pouco claras, do Ministério da Educação, de que há a intenção de acabar com a redução da componente lectiva".
 
Diário Económico

sábado, fevereiro 23, 2013

Mais de 22 mil professores concorrem a 603 vagas

O gabinete de comunicação do Ministério da Educação e Ciência (MEC) confirmou que as 603 vagas no concurso de professores serão concorridas por quase 23 mil docentes.
Um total de 30 001 candidaturas foi registado no processo, a que correspondem 22 662 candidatos, pode ler-se no Público. Recorde-se que cada proponente se pode candidatar a mais do que um grupo de recrutamento.
Estão elegíveis os professores que estavam a contrato há pelo menos três anos.
A discrepância entre o número de vagas e o de candidatos é justificado pelo MEC com a conjuntura económica e financeira que o País atravessa.                       

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Procura-se especialista em Excel

Ministério das Finanças
Procura-se (M/F)
 
Especialista em informática com detalhados conhecimentos de Excel.
Para desempenho de funções relacionadas com a reparação de fórmulas Excel que teimam em não funcionar da forma pretendida.
Conhecimentos de economia, seja macro, média e mini, constituem mais valia. Parece que aqui só há conhecedores de economia de papel.
Dá-se preferência a quem não tenha uma visão distorcida da realidade. Para isso já cá temos um.
Oferece-se remuneração compatível com as funções. O chefe gosta de cortar nos outros mas nos dele faz questão de mostrar apreço.
Respostas para Ministério das Finanças
Ex-Praça do Comércio (as lojas fecharam todas)
Ao cuidado do Vítor
 

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Secundário só com provas do 9.º

"Os alunos com necessidades educativas especiais (NEE) só poderão frequentar o Ensino Secundário na sua vertente mais comum – os cursos científico-humanísticos – se realizarem provas finais nacionais no 9º ano. A medida, que será aplicada a partir de 2014, consta na norma 01/2013 do Júri Nacional de Exames. "A partir do ano letivo 2013/14, os alunos que pretendam frequentar os cursos científico-humanísticos do Ensino Secundário têm de realizar, obrigatoriamente, as provas finais do 3º Ciclo a nível nacional" refere a norma.
Esta é a novidade mais polémica introduzida nas regras, que no restante articulado vai ao encontro de reivindicações de encarregados de educação, ao voltar a aceitar a leitura de enunciados de exames para alunos disléxicos e a realização de provas a nível de escola para alunos com NEE. Para Albino Almeida, da Confederação Nacional de Associações de Pais, estas duas alterações "são justas".
Já em relação ao ponto mais controverso, o dirigente afirma: "Acredito que no próximo ano será encontrada uma solução. Sugiro a introdução de uma alínea que permita sempre ao aluno apresentar-se a exame". A tutela esclarece que os alunos que façam provas a nível de escola podem seguir "cursos profissionais ou outros que não os científico-humanísticos".
 
CM

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

E a procissão ainda vai no adro

A Função Pública perdeu em 2012 mais de 28.000 funcionários, sendo que 13.600 são professores.

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Crato nega aumento da carga horária dos professores

"Cerca de 700 professores têm horário zero e estão a ser utilizados para desenvolver o ensino nas escolas e em outros locais, declarou ontem o ministro da Educação, Nuno Crato.
O governante negou a existência de milhares de professores com horário zero após uma visita à Associação de Formação para a Indústria (ATEC), em Palmela.
Segundo o ministro, é "falso" que vão ser despedidos 50 mil docentes. Considerou igualmente que as questões que têm sido levantadas "criam um alarmismo desnecessário às escolas". E salientou que o Governo "não está a discutir qualquer aumento de carga horária dos professores e muito menos de 35 para 40 horas". "É uma especulação alarmista", disse".
CM

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Parcerias? Patifaria

"Aqui chegados, só há uma solução aceitável: extinguir os contratos e prender quem os forjou.
Os encargos do estado com as parcerias público-privadas (PPP) são colossais, comprometem as finanças públicas por toda uma geração e hipotecam o futuro da economia do país. Mas os governos continuam a ser cúmplices destes negócios ruinosos. O atual ministro das finanças nem sequer diminuiu a despesa com as PPP, a que estava obrigado pelo memorando de entendimento assinado com a troika. Pelo contrário, os custos não cessam de aumentar.
Nos últimos quatro anos, os encargos líquidos com as PPP quadruplicaram, atingindo por ano montantes da ordem dos dois mil milhões de euros. O valor dos compromissos futuros estima-se em mais de 24 mil milhões de euros, cerca de 15% do PIB anual. Uma calamidade!
Fingindo estar a cumprir o acordo com a troika, que obrigava a "reavaliar todas as PPP", as Finanças anunciam, aqui e além, poupanças de algumas centenas de milhões. Valores ridículos, pois representam apenas cerca de um por cento do valor dos contratos.
Mas, o que é pior, Vítor Gaspar continua a proteger os privados. Já em 2012 e por decreto-lei, determinou que da nova legislação que regulamenta as PPP, "não podem resultar alterações aos contratos de parcerias já celebrados". As rentabilidades milionárias para os privados e a sangria de recursos públicos continuam como dantes... para pior. No último relatório disponível pode apurar-se que em 2011 houve, só nas PPP rodoviárias, um desvio orçamental de 30%. Sendo as despesas correntes de cerca de oitocentos milhões de euros, os custos com pedidos de reequilíbrio financeiro são de… novecentos milhões. A variação é maior que o próprio custo! Só ao grupo Ascendi e seus financiadores foram pagos, a mais (!), quinhentos milhões de euros. Uma patifaria. As poupanças do estado com a redução salarial da função pública em 2011 foram, afinal, diretamente para os bolsos do senhor António Mota, seus associados e financiadores.
Aos acordos ruinosos das PPP, vieram, ao longo dos anos, acrescentar--se custos desmesurados, resultado de negociações conduzidas por responsáveis públicos corruptos. Aqui chegados, só há uma solução aceitável: extinguir os contratos e prender quem os forjou".
 
Paulo Morais
CM

terça-feira, fevereiro 05, 2013

sábado, fevereiro 02, 2013

Esta é de gritos

Politécnicos sobem medem a alunos que acabem cursos no tempo previsto. Instituições de Leiria e Lisboa dão até um valor de bonificação. Alunos de outras instituições alertam para a "injustiça" desses bónus.

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Então, governantes, não é de dizer qualquer coisinha?

"Após um estranho e longo silencio, em que o que aparecia relativo às malfeitorias bancárias se resumia ao BPN, BPP e em menor grau ao BCP, a imprensa começa timidamente a falar dos banqueiros de topo, aqueles que fazem e desfazem governos e que estão sempre ao lado do poder, de Salazar a Passos Coelho, passando pelos socialistas. Não me refiro ao que é ilegal, porque disso deve cuidar a justiça, mas dos "esquecimentos" que levam milhões lá para fora sem serem declarados ao fisco, para depois a memória melhorar, ou ser melhorada e o dinheiro regressar cá dentro com um pequeno imposto para pagar de bónus.
Mas há um silêncio muito esquisito, se não fosse verdadeiramente pouco esquisito, no modo como as coisas estão: estando o governo envolvido numa luta épica para que os portugueses paguem impostos, nunca condenou estes "esquecimentos"? Insisto, condenar do ponto de vista da moral cívica, já que a lei é suposto ter outro andamento e outras consequências. É verdade que mesmo com a lei em curso, o governo às vezes fala à vontade, como a nossa ministra da justiça fez recentemente, dizendo que "a partir de agora deixou de haver impunidade". Mas era para o PS de Paris e não para a banca. Aqui é só silêncios e gentilezas. Para a banca faltosa, não há mesmo nenhuma palavrinha zangada, vindo do mesmo ministro e primeiro-ministro e dos vários secretários de estado que incham o peito contra as cabeleireiras, os mecânicos de automóveis, e os donos de café e restaurantes? Aí sim, há palavras duras e mostras de robusta firmeza.
Não deviam os governantes dizer alguma coisa? Dever, deviam. Dizer, não dizem".

Pacheco Pereira
Sábado 

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Governo devia ter vergonha por tomar decisões destas

Os pensionistas que ganhem mais de 293 euros terão de entregar IRS, este ano. Tudo porque, segundo as novas regras, quem tenha pensões superiores a 4104 euros por ano (equivalentes aos tais 293/mês) terão de o passar a fazer agora.

terça-feira, janeiro 29, 2013

Triste realidade

Aparentemente, estiveram na manifestação de sábado 30 a 40 mil professores. Resultados práticos desta iniciativa para a vida dos professores: rigorosamente nenhuns. Basta olharmos para o tratamento que a comunicação social deu à manifestação para facilmente chegarmos a essa conclusão.

domingo, janeiro 27, 2013

Sempre a roubar

Governo baixa salários na função pública. Cortes salariais temporários devem passar a definitivos. Mas alguém esperava outra coisa?

terça-feira, janeiro 22, 2013

Os cortes e a Corte

"O estado português tem de reduzir a despesa em quatro mil milhões de euros, por imposição dos compromissos que assumiu com a troika. Na hora de proceder a cortes, exige-se que esta redução atinja os privilégios e as rendas atribuídos aos mais poderosos e não seja feita à custa de mais sofrimentos infligidos ao povo. Até porque ao nível dos privilégios há muito por onde cortar.
Comecem, de uma vez por todas, por reduzir os custos das parcerias público-privadas (PPP), desde logo as rodoviárias. Não é admissível que se continuem a garantir, apenas pela existência e disponibilidade de uma qualquer autoestrada, rentabilidades anuais de dezassete a vinte por cento aos concessionários privados. E muito menos se admite que no fim de cada ano estes sejam ainda compensados com bónus milionários... por causa da baixa sinistralidade. Os governantes estão obrigados a baixar os custos que as PPP representam para o erário público em, pelo menos, mil milhões de euros. Para tal, negoceiem a sério ou, em alternativa, expropriem os equipamentos pelo seu real valor, o que diminuiria brutalmente os custos. Em qualquer caso, suspendam de imediato os pagamentos.
Haja ainda coragem de estancar a sangria dos juros da dívida pública, que representam a maior despesa do estado e consomem treze por cento dos impostos pagos por todos os cidadãos e empresas. Para baixar o custo do serviço da dívida é necessário competência para a reescalonar e renegociar, coragem para enfrentar o "lobby" financeiro e credibilidade para colocar parte da dívida no mercado interno. Com uma nova atitude, o estado pouparia bem mais de dois milhões de euros.
Poder-se-iam ainda economizar largas centenas de milhões nas rendas imobiliárias que o estado continua a pagar para favorecer amigos, começando no Campus de Justiça de Lisboa e acabando em qualquer pequena repartição pública na província.
É ao nível dos grandes negócios de favor e da Corte indecente de privilégios que se deve provocar a diminuição da despesa do estado; antes sequer de se discutirem quaisquer novos cortes na saúde ou na educação. Reduzir mais as regalias sociais, apenas para manter intactas as prebendas dos grupos económicos favorecidos pelo regime, seria uma infame traição ao povo".
 
Paulo Morais
CM 

quinta-feira, janeiro 17, 2013

Uma nota para Moedas - crónica de Santana Castilho

"Como estaria a educação nacional se tivéssemos um curriculum coerente, de alto a baixo? E se o modelo de gestão das escolas atraísse os melhores? Que teria acontecido se a política educativa privilegiasse a cooperação, que une, em detrimento da competição, que divide? E se os professores fossem respeitados, que não vilipendiados? O exercício dicotómico que esbocei prolongar-se-ia longamente, opondo o que é ao que poderia ser. Mas porque não aconteceu cada metade de cada pergunta, os putativos resultados permanecerão no campo da dialéctica. Diferente é o que está apurado e passou a factual. É por isso que o relatório do FMI está mal feito. Nesta crónica, que é uma nota para Moedas, apontarei alguns dos muitos erros que tornam mau aquilo que Moedas diz que é bom. E porque nem eles, técnicos, nem ele, político, podem ignorar a verdade, concluirei dizendo que uns e outro foram desonestos. Eles, intelectualmente. Ele, politicamente.

Diz o relatório, a abrir (p.58), que o sistema de educação em Portugal perde por comparação com os demais países da Europa, no que toca à relação entre os custos, por referência ao PIB, e os resultados. O relatório diz que gastámos, em 2010, 6,2 por cento do PIB. Está errado. Gastámos cinco, inferior à média da UE. Mas, porquê 2010? Depois de tanta avaliação e tantas missões, estes mafarricos não conhecem o valor actual, que se cifrará por volta dos 3,8 por cento? A afirmação é falsa e particularmente grave, por coexistir com a recente divulgação dos resultados de dois dos mais credíveis instrumentos de notação dos sistemas de educação: o TIMMS (Trends in International Mathematics and Science Study) e o PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study). Como, aliás, referi no meu último artigo, Portugal foi o país que mais progrediu no ensino da Matemática e o segundo que melhores resultados obteve no que toca às ciências. Que mundo observam estes peritos? Linhas à frente, afirmam que nos dois últimos anos o Governo melhorou a avaliação dos professores. Saberão que nesse tempo a coisa não mexeu, simplesmente hibernou?

Afirma o relatório (p. 61) que é evidente que o custo por aluno nas escolas privadas é inferior ao das públicas. Cita os dois estudos recentemente divulgados, o do Tribunal de Contas e o do grupo de trabalho designado pelo MEC. Mas só utiliza as conclusões do primeiro, aliás com validade condicionada pela própria autoria. Diligentemente, manhosamente, como se os colonizados fossem estúpidos e não simples vítimas de meliantes da mesma ideologia, o relatório escamoteia as conclusões do segundo estudo. Porquê? Porque essas conclusões dizem que 80 por cento das turmas financiadas pelo Estado ao privado têm um custo superior às públicas, de cerca de 15 mil euros. Porque, de outro modo, não poderiam sugerir à privatização do ensino. Demasiado baixo. Mesmo má moeda.

Recomenda o relatório (p. 63) o aumento das propinas no ensino superior. Mas mostra a realidade que os valores cobrados já são dos mais elevados da Europa, apesar de termos um rendimento per capita dos mais baixos e a carga de impostos mais alta. Dado o tom de sofisticação analítica que 24 quadros, cinco tabelas e duas caixas emprestam ao documento, seria de esperar um quadro comparativo com os valores cobrados no espaço Europeu. Como convém a recomendações pré-ordenadas, o documento é aí omisso. Como estamos a ver, a ocultação cirúrgica e a distorção mascarada de tecnicidade são figuras de estilo do relatório.

Exemplos similares podem ser abundantemente colhidos se deslocarmos a análise para as áreas da saúde ou segurança social e evidenciam que o relatório não conclui como corolário de uma exposição sequencial de factos. Antes, manipula números para forçar um preconceito, qual seja o de apontar o Estado social como o responsável pela crise. E não é. As despesas sociais pesam 19 por cento no PIB português, enquanto a média da zona Euro se cifra nos 21 por cento. A crise resulta da acumulação de erros políticos, nossos e da Europa. Só se resolve à escala transnacional, com crescimento económico. Se este relatório colhesse crédito, os países escandinavos seriam miragem. E não são. Existem.

Sem negar a importância dos dados quantitativos, temos que ter bem presente que a realidade, particularmente nas áreas sociais, não é redutível à simples linguagem numérica. Porém, quando intencionalmente distorcemos a realidade e por via da manipulação dos números, ocultando aqui, distorcendo ali, pretendemos modificar a percepção que os outros têm dela, resvalamos para o campo da canalhice. Em tempo de protectorado humilhante, importa redobrar a atenção cívica aos canalhas e aos colaboracionistas".

terça-feira, janeiro 15, 2013

Sem dó nem piedade

"Aos políticos corruptos nunca são assacadas nenhumas responsabilidades pelos seus atos. Violam leis e regulamentos, patrocinam negócios ruinosos para o Estado, enriquecem de forma obscena e nada lhes acontece.
Até hoje, a impunidade tem sido absoluta. O regime jurídico da tutela administrativa impõe, por exemplo, a perda de mandato num conjunto de circunstâncias. Na prática, Macário Correia ou Valentim Loureiro foram condenados pelos tribunais em perda de mandato, mas continuam em funções.
A legislação estabelece responsabilidade criminal aos titulares de cargos políticos que violem regras urbanísticas. No entanto, as alterações ilícitas aos planos diretores são prática comum, com ganhos milionários para os promotores imobiliários que financiam os partidos. Por todo o país nascem edifícios ilegais, do Vale do Galante na Figueira da Foz, ao edifício Cidade do Porto… mas a culpa sempre morre solteira. Enquanto em Espanha há mais de cem autarcas presos por crimes urbanísticos, em Portugal nem um! Nem sequer Isaltino Morais, várias vezes condenado, está preso.
Também nunca são acusados os responsáveis pelos desvios orçamentais. Quem contrate à revelia do orçamento incorre em responsabilidade criminal. Mas até hoje não há condenados, não obstante os milhares de milhões de desvios nos orçamentos na administração central e local. Como também não há responsabilização dos políticos que contratam negócios ruinosos para o Estado, tal é o caso das parcerias público-privadas. Além do mais, jamais são recuperados os bens que os corruptos subtraem à sociedade. E seria bem simples, afinal. Os edifícios ilegais deveriam ser demolidos ou, em alternativa, expropriados por valor zero. As fortunas acumuladas na sequência de fraude fiscal ou de processos de corrupção como o do BPN deveriam ser confiscadas. Apreendendo tanto o património detido em território nacional, como até os depósitos em bancos estrangeiros; à semelhança do que outros países vêm fazendo, como a Alemanha, a França, a Itália ou até a Grécia.
Já vai sendo tempo de punir políticos corruptos, retirando-lhes mandatos, obrigando-os a responder perante a justiça e confiscando-lhes as fortunas que têm vindo a acumular à custa do que roubam ao povo português".
 
Paulo Morais
CM

domingo, janeiro 13, 2013

Eu também não percebo

"(...) Desta vez, as notícias, entre outros apertos, procuram colocar mais 50 mil professores na rua. Não percebo a embirração com os professores. Sobretudo neste país semianalfabeto, com níveis de iliteracia angustiantes, sem formação que permita competitividade, produção de elites capazes, que consolide valores europeus no domínio do conhecimento e dos saberes. Não se percebe, já que se diz que este corte tem a ver com a refundação do Estado, qual a razão por que não é antes discutido o País que queremos daqui a dez, vinte anos, que mercado de trabalho se perspetiva, organizar a escola e a universidade em função dessa finalidade e, depois, logo se verá se é necessário prescindir de professores ou se é necessário formar ainda mais para as áreas consideradas estratégicas. Não! Cinquenta mil para o olho da rua e depois logo se vê. Por aqui não vamos lá".
 
Francisco Moita Flores
CM

sábado, janeiro 12, 2013

Extermínio puro e simples

Os professores vão ser tratados por este Governo como os judeus o foram por Hitler na 2ª guerra mundial.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

Propostas do FMI para a Educação

Uma terceira grande proposta do FMI dirige-se ao sector da educação. O Estado pode colocar entre 30 a 50 mil funcionários da educação em regime de mobilidade especial, o que permitiria uma poupança na ordem dos 430 a 710 milhões de euros por ano.
A juntar-se à entrada na mobilidade especial está ainda a proposta do FMI para que os funcionários do Ministério da Educação passem a trabalhar 40 horas semanais, uma proposta que, a ser aplicada, resultaria num corte de despesa de 150 milhões de euros por ano. Outros 300 milhões de euros de poupança podem ser conseguidos através do alargamento do bloco de aulas dos 45 para os 60 minutos, escreve nesta quarta-feira o Jornal de Negócios.
Com a saída dos quadros, o Estado consegue assim não só poupar com a factura da educação como também, defende o FMI, incentivar o “desempenho” dos professores “que querem ficar de fora das listas de mobilidade”.

terça-feira, janeiro 08, 2013

Banca Rota

"O país está falido, não há dinheiro para nada. Mas, para os bancos, os recursos continuam ilimitados. Sempre que um banco está em apuros, logo os governantes o auxiliam com os dinheiros públicos; isto apesar de o estado português se encontrar, ele próprio, em situação de pré-bancarrota.
Foi assim com o BPN. Ao longo de anos, a Sociedade Lusa de Negócios (SLN), grupo detentor do banco, realizou todo o género de negócios. Acumulou os lucros nas empresas da SLN, enquanto os prejuízos engrossavam o passivo do BPN. Em 2008, José Sócrates nacionalizou o banco, assumindo todos os seus prejuízos, mas deixou intacta a SLN. De seguida, o estado saneou as finanças do banco e vendeu-o a preço de saldo.
Triste é também a história do Millennium-BCP, entidade tomada de assalto pelo Partido Socialista no tempo de Sócrates e que, sob a gestão de Armando Vara, concedeu empréstimos sem critério e sem garantias. Está perto da falência, começa a despedir pessoal. E vem agora o estado, já em 2013, comparticipar, com apoios sociais, na operação de despedimento coletivo do banco.
A estes bancos falidos junta-se ainda o Banif, instituição cuja imagem foi profundamente afetada pelo escândalo da herança de Horácio Roque, disputada pela sua mulher Fátima, guerrilheira da Unita, e suas filhas Teresa e Cristina. Descapitalizado, sem quota de mercado, o banco vê agora os seus problemas resolvidos, pois recebe uma injeção de 1100 milhões do estado. Um absurdo!
Igualmente estranha foi a aquisição do Finibanco pelo Montepio Geral (MG). O MG, não sendo uma entidade pública, tem responsabilidades sociais óbvias, pois é a maior associação portuguesa, com cerca de 530 mil associados. Quando o Finibanco acumulava já enormes prejuízos, surge uma oportuna OPA por parte do MG. O Finibanco apresentou lucros apenas no semestre da venda, as ações valorizaram artificialmente dias antes da operação, com uma valorização de 22% em apenas três dias, inflacionando o valor da OPA em dezenas de milhões. O MG comprou muito caro o Finibanco, prejudicando os mutualistas.
Os exemplos sucedem-se de forma agonizante. Os bancos constituem autênticos sacos rotos onde são despejados, criminosamente, os escassos recursos do povo português".

Paulo Morais
CM