quarta-feira, maio 08, 2013

A boa notícia

"Em 22 de março, em reunião realizada com a FENPROF, Nuno Crato disse ter uma má e uma boa notícia para anunciar.
A má é que a mobilidade especial (em versão terrorista, sabe-se agora depois do anúncio feito por Passos Coelho) se aplicaria aos professores; a boa é que não haveria aumento do horário de trabalho. Antes desta reunião, Crato tinha, como boa notícia, que a mobilidade especial não se aplicaria aos professores; após esta reunião, má notícia passou também a ser o aumento do horário de trabalho da Administração Pública.
Isto significa que, em próxima reunião, se houver, a anterior boa notícia será a novidade má e, decerto, o ministro terá para apresentar uma qualquer boa notícia que, apesar de ainda se desconhecer, já é temida por todos. Só por ingenuidade ou cegueira política alguém ainda pode acreditar no que diz um governante que não governa, pois a decisão política não é sua competência.
Assim, boa notícia, mas boa mesmo, será aquela que, um dia destes, ouviremos nas notícias ao acordar: o governo caiu! Que seja com estrondo para não voltar a levantar--se porque essa seria uma má notícia".
 
Mário Nogueira
CM

terça-feira, maio 07, 2013

Certeza

Com as novas medidas a implementar na Educação os psiquiatras não vão ter mãos a medir com os consultórios apinhados de professores.

segunda-feira, abril 29, 2013

Escolas podem renovar contrato mas apenas professores recrutados por contratação de escola vão poder prolongar vínculo

Os professores recrutados diretamente pelos diretores este ano letivo através de contratação de escola vão poder renovar os seus contratos, segundo as regras fixadas pelo Ministério da Educação e Ciência, algo que é vedado aos restantes docentes contratados, e está a gerar inúmeras queixas.
A medida prejudica docentes mais experientes, colocados em setembro de 2012 na contratação inicial e que não podem renovar, arriscando assim o desemprego. Além disso, as irregularidades já detetadas nas contratações de escola levantam dúvidas sobre a possibilidade de renovação.

quarta-feira, abril 24, 2013

De regresso ao passado - crónica de Santana Castilho

1. Nuno Crato, antes de ser ministro, tinha um farol para a Matemática: o TIMMS (Trends in International Mathemathics and Science Study), programa prestigiado internacionalmente, que, de quatro em quatro anos, mede os resultados do ensino da Matemática, num conjunto extenso de países. Clamava pela necessidade de entrarmos nessa roda, onde, em 1995, ocupámos um dos últimos lugares. Talvez por isso, ficámos de fora em 1999, 2003 e 2007. Voltámos em 2011, ano da Graça em que Crato passou a ministro e emudeceu em relação ao TIMMS. Porquê? Porque as pessoas que ele denegriu e os métodos que ele combateu fizeram história no seio do TIMMS. Portugal, em 2011, foi 15º em 50 países. Portugal foi o primeiro na escala que mediu o progresso: foi o país que mais progrediu no universo dos 50 classificados. Portugal foi melhor que a Alemanha, Irlanda, Áustria, Itália, Suécia, Noruega e Espanha, entre outros. E que fez Nuno Crato? Acabou com o programa de Matemática do ensino básico, que contribuiu para um sucesso a que não estávamos habituados. Substituindo qualquer avaliação fundamentada por juízos de valor, alicerçados no “achismo” que o caracteriza. Surdo à indignação dos docentes. Contra as associações de professores da disciplina. Com um comportamento autocrático, guiado pela sua nova luz: a do regresso às décadas do Estado Novo.

Em linguagem imprecisa e discurso sem rigor, o ministro justifica que o novo programa, que não é ainda conhecido, virá “complementar as metas curriculares”, cujo uso tem tido “resultados muito positivos nas escolas”. Um programa “complementa” metas? As metas a que se refere, ou não estão a ser aplicadas ou suscitam a perplexidade dos professores, que vêem nelas um retrocesso metodológico. Por onde anda o ministro? De que fala? Quem o informa?

O presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática admitiu que o novo programa irá originar uma confusão desnecessária. A Sociedade Portuguesa de Investigação em Educação Matemática, em sede de discussão pública das metas, em Julho passado, denunciou a incoerência que representavam, face ao programa vigente. João Pedro da Ponte, um dos autores do programa, considera que as metas estabelecidas para a disciplina configuram um recuo de décadas. No juízo que formulou é acompanhado pela presidente da Associação dos Professores de Matemática, organização que, em Março, ameaçou interpor nos tribunais uma acção para impedir a aplicação das metas, por conflituarem com o programa. O ministro parece ter actuado com impulso vingativo. Invocam conflito entre metas e programa? Corrigem-se as metas? Não! Muda-se o programa!

Borda fora, irresponsavelmente, vão milhares de horas de formação de professores e o envolvimento de anos de um enorme conjunto de instituições. Borda fora, levianamente, vai o financiamento de uma acção que deu resultados, internacionalmente reconhecidos. Borda fora irão os manuais escolares, há pouco aprovados. E alunos e professores aguentarão mais um experimentalismo, pedagogicamente criminoso, decidido por um rematado incompetente.
 
2. Correm rios de tinta sobre o concurso de professores. Não repetirei o que é público, o que os directores mais corajosos já denunciaram e o que os mais informados já escreveram. Não há concurso nacional de professores. Há uma coreografia sinistra, uma espécie de dança macabra de lugares, para preparar um despedimento de mais 12.000 docentes. É isso que está em causa. Não as reais necessidades das escolas, muito menos as do país vindouro. As estatísticas disponíveis (DGEEC/MEC, PORDATA), permitem concluir que tínhamos no sistema público de ensino não superior, em 2000, 1.588.177 alunos para 146.040 professores. Em 2011 (últimos dados disponíveis), passámos a ter 1.528.197 alunos para 140.684 professores. Ou seja, o sistema perdeu 59.980 alunos e 5.356 professores, mantendo-se a relação professor/alunos. Não há dados publicados referidos ao momento presente. Mas sabemos que a alteração da escolaridade obrigatória terá considerável impacto na necessidade de professores, sendo certo que a invocada diminuição da natalidade não é expressiva entre 2011 e 2013. E o que aconteceu ao número de professores? Considerando os contratados e os que saíram do sistema, teremos, hoje, cerca de 111.600. Em dois anos, perdemos 29.084 professores. Diminuição da natalidade? Sejam honestos: exclusiva preocupação com a redução de custos, sem nenhuma sensibilidade para o futuro. Porque temos 3.500.000 portugueses com mais de 15 anos, que não têm qualquer diploma ou apenas concluíram o ensino básico. Porque temos 1.500.000 portugueses, entre os 25 e os 44 anos, que não concluíram o ensino secundário. Porque, apesar dos progressos, persiste uma Taxa de Abandono Precoce de 27,1%, a maior da Europa. Porque estamos de regresso ao passado.



terça-feira, abril 23, 2013

Filhos na escola até às 17h30? Só se pais vierem pagar

O Governo está a ponderar pôr um fim à ‘Escola a Tempo Inteiro’ gratuita. Para fazer face ao chumbo do Constitucional e cortar nas despesas, o ministro Nuno Crato quer que os pais passem a pagar metade das horas até agora asseguradas pelo Estado. Desta forma, as actividades de enriquecimento curricular do 1º ciclo seriam gratuitas até às 16h30, sendo que os pais que queiram ter os filhos nas escolas até às 17h30 teriam de pagar.
Ao que o Diário de Notícias apurou o Ministério tem ainda outra possibilidade em mãos: a total eliminação dos apoios pagos pelo Estado às autarquias que promovem as actividades extracurriculares. Desta forma o Inglês, por exemplo, seria substituído pelo desporto e pelo apoio ao estudo, o que irá gerar uma grande polémica entre os pais.

domingo, abril 21, 2013

Professores procuram provas de manipulação do número de vagas positivas pedidas pelos diretores

O dirigente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Adelino Calado, disse este sábado, citado pelo Público, que a informação de que o número de vagas colocadas a concurso «corresponde às necessidades dos diretores» é uma «redonda mentira».

Em causa está a portaria, publicada na sexta-feira e que segundo o Ministério da Educação e da Ciência (MEC) foi desenhada com base nas informações que os diretores das escolas e agrupamentos entregaram no final do mês passado.

Segundo a informação divulgada, teriam sido apontadas 12.003 vagas negativas, ou seja, lugares do quadro que atualmente estão ocupados mas que não serão substituídos no caso de estes professores serem transferidos ou se afastarem da profissão.
Deste modo, sobraram apenas 618 vagas positivas, correspondentes aos professores que as escolas dizem estar em falta.

Adelino Calado diz não dispor de dados que lhe permitam confirmar a veracidade dos números apresentados pelo MEC, mas garante que lhe bastou telefonar «para vinte e tal diretores», para verificar que «em absolutamente nenhum caso o pedido de lugares no quadro foi atendido».

Arlindo Ferreira, autor de um conhecido blogue sobre educação (DeArlindo), juntou este sábado vários gráficos com tratamento de dados que indicam que o número e a localização de vagas agora abertas coincidem «quase a cem por cento, no que respeita aos grupos de recrutamento e às zonas, com as que abriram para concurso extraordinário em janeiro, ou seja, antes de os diretores das escolas fazerem a tal manifestação de necessidades».

sexta-feira, abril 19, 2013

quarta-feira, abril 17, 2013

Concurso de professores arranca na próxima 2ª feira

"Concurso nacional arranca na segunda-feira e há pelo menos 130 mil candidatos que querem mudar de escola ou entrar na função pública.
São pelo menos 130 mil professores que esta segunda-feira se candidatam a um lugar na escola pública. O concurso nacional 2013-2017 arranca no dia 22, mas nem todos vão concorrer em pé de igualdade. Os docentes que após a fusão do seu agrupamento escolar ficaram sem turmas (horário zero) têm prioridade sobre todos os outros colegas. A regra está prevista na legislação desde 1988, mas o impacto só será visível neste concurso com a conclusão do processo. Basta dizer que no último concurso, em 2009, existiam 1100 escolas ou agrupamentos que estão agora reduzidas a 307 novas unidades.
Professores e sindicatos temem que a prioridade dada aos docentes das escolas agrupadas provoque “algumas injustiças” com os mais experientes a serem ultrapassados por colegas menos graduados. “A questão aqui é que é muito difícil determinar se a redução horária é uma consequência da fusão do agrupamento ou de outros factores como aumento de alunos por turma ou diminuição da carga horária em algumas disciplinas”, alerta Fátima Ferreira, da Associação Sindical de Professores Licenciados.
A data do concurso nacional ainda não é oficial, mas a tutela espera poder lançar em Diário da República o aviso de abertura do concurso entre o fim desta semana e o princípio da próxima. O número de vagas a abrir, contudo, é ainda um segredo bem guardado no ministério de Nuno Crato. Há quatro anos, a tutela da ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues abriu cerca de 30 mil vagas na primeira fase para quase 112 mil docentes dos quadros e a contrato e no final do processo assegurou mais 38 mil colocações.
Actualmente, segundo os dados mais recentes do Ministério da Educação, cerca de 105 mil professores estão nos quadros e cerca de 12 mil foram contratados neste ano lectivo. Ainda de acordo com a tutela, desde 2008 reformaram-se perto de 20 mil docentes. Professores no desemprego, no entanto, estão por contabilizar. No registo electrónico da Direcção-Geral da Administração Escolar estão cerca de 140 mil docentes do ensino público e privado inscritos".

Jornal i

segunda-feira, abril 15, 2013

Ó Mário Nogueira, achas que os professores estão para aí virados?

Os professores admitem avançar para greve durante o período dos exames nacionais. Esta é uma das formas de luta equacionada pelos sindicatos para protestar contra o corte no número de professores, sobretudo contratados, que o Governo tenciona fazer e que vai estar em cima da mesa no congresso da Fenprof, marcado para o início de Maio.

quinta-feira, abril 11, 2013

quarta-feira, abril 10, 2013

Listas definitivas de Colocação e Não Colocação do Concurso Externo Extraordinário

Consultar aqui.

Quase 3,5 milhões de portugueses têm no máximo o 1.º ciclo

"Quase 3,5 milhões de habitantes não têm diploma ou completaram apenas o 1º ciclo do ensino básico, o ensino primário, segundo o relatório «Estado da Educação 2012», do Conselho Nacional de Educação, divulgado esta quarta-feira.
O relatório revela que há perto de 3,5 milhões de pessoas com mais de 15 anos sem nenhum diploma ou apenas com o 1º ciclo do ensino básico e mais de dois milhões e meio com qualificação de nível secundário, pós-secundário ou superior.
Quase um milhão de pessoas não concluiu sequer o primeiro ciclo e outros 2,5 milhões têm apenas os primeiros quatro anos de escolaridade, segundo dados dos Censos de 2011 compilados agora no relatório sobre o Estado da Educação.
«Somos um país de grandes desigualdades e contrastes entre os mais novos e os mais velhos», apontou a presidente do CNE, Ana Maria Bettencourt. De acordo com o documento, metade das pessoas com mais de 55 anos tem apenas a antiga quarta classe.
No entanto, mais de 1,5 milhões de pessoas entre os 25 e os 44 anos também não chegaram a concluir o 12º ano. Assim, a presidente do CNE sublinhou a importância de apostar também na formação de adultos. Ainda existem cerca de 600 mil jovens entre os 25 e os 34 anos que concluíram apenas o 3º
ciclo do ensino básico.
Por outro lado, o número de diplomados em Portugal tem vindo a aumentar na última década entre o grupo etário dos 30-34 anos: Em 2000, representavam 11,3% daquele grupo, em 2011 eram 26,1%.
No entanto, este número está ainda longe da meta da pela União Europeia: definiu para 2020 ter pelo menos 40% dos jovens entre os 30 e os 34 anos com formação superior"

terça-feira, abril 09, 2013

Primeiro-Mentiroso

"Passos Coelho, quando candidato nas últimas eleições, prometeu o céu. Mas remeteu-nos ao inferno. Em campanha, tinha garantido que jamais aumentaria impostos.
Afiançou também que não seria necessário baixar salários, pensões e reformas ou retirar subsídios. O equilíbrio das contas públicas far-se-ia com a redução de gorduras nos setores intermédios do estado, a diminuição das rendas das parcerias público-privadas e, a longo prazo, com uma profunda reforma da Administração. Dois anos volvidos, conclui-se que Passos Coelho aplicou medidas precisamente opostas às que tinha prometido. Mentiu-nos, numa atitude em que foi acompanhado pelo seu parceiro de coligação. O CDS defendia a diminuição da carga fiscal, até chegar ao governo e se tornar cúmplice do seu agravamento.
O antecessor de Passos, José Sócrates, fez o mesmo. Prometendo não aumentar impostos, não tardou em fazê-lo quando subiu ao poder. Mais um mentiroso. Da mesma forma, Durão Barroso tinha anunciado, na campanha de 2002, um choque fiscal, com uma brutal redução de impostos. Mal tomou posse, a primeira medida tomada pela sua ministra das finanças, Manuela Ferreira Leite foi… aumentar impostos.
O comportamento de dirigentes que, deliberadamente, enganam o povo em campanha não é admissível. A democracia só é autêntica quando se contrapõem, nas eleições, projetos alternativos. Os eleitos devem-se sentir obrigados a honrar e implementar o programa vencedor. Não há desculpas para não cumprir, nem mesmo o desconhecimento da realidade concreta. Quem se candidata a lugares desta importância não pode revelar tamanha incompetência.
Com estas práticas de mentira reiterada, desacredita-se todo o sistema democrático. Os deputados votam leis contrárias ao programa a que se vincularam em campanha, violando assim a lealdade que devem aos seus eleitores.
Os partidos do arco do poder transformaram os processos eleitorais, que deveriam servir para o debate de ideias e confronto de projetos políticos, em circos de sedução em que acaba por ganhar quem é mais eficaz a enganar os cidadãos. As eleições transformaram-se em concursos para a escolha do melhor mentiroso. O troféu em jogo é a chefia do governo".
 
Paulo Morais
CM 

segunda-feira, abril 08, 2013

Metade dos professores com atestado médico em 2012

Cerca de 58 mil dos 120 mil professores portugueses esteve pelo menos uma vez em casa, no ano passado, graças a atestado médico. O número do Ministério da Educação, citado pelo Diário de Notícias (DN), “parece exorbitante”, mas “é compreensível se contextualizarmos”, diz o responsável da Federação Nacional da Educação (FNE) que lida com as baixas.
Quase metade dos professores portugueses ‘meteu’ baixa em 2012. Dos 120 mil professores, 47 mil apresentou um atestado médico por doença, e a estes somam-se dez mil que estiveram de baixa por doença continuada, e que foi renovada pelo menos uma vez.
O sindicalista Alexandre Dias, da FNE, admite que os números possam ser exorbitantes, mas atribui-os ao contexto atual. “É normal, em situações de stress, que as pessoas quebrem, com efeitos diretos na produtividade e assiduidade”, justificou o responsável, citado pelo DN.
Já o sociólogo Luís Graça considera “os números interessantes”, mas alerta que têm de ser vistos “com muita cautela”, acrescentando que “falta o número de dias perdidos para ter ideia da gravidade do problema”.
Para o especialista, a baixa funciona como “uma almofada que amortece as crises individuais”, acrescentando que a Saúde e a Educação são os dois sectores com taxas mais altas.
Apesar de sublinhar que as baixas em Portugal têm de ser certificadas, calcula-se que parte delas seja fraudulenta, como em todas as profissões

terça-feira, abril 02, 2013

A misteriosa gaveta de Nuno Crato

"Pode parecer embirração ou configurar perseguição. Pode, acima de tudo, revelar que os meus horizontes são muito limitados. Então, quando as calotes polares derretem, quando a República Centro-Africana se agita, quando o Papa Francisco surpreende o mundo, quando chove há tantos meses sem parar, eu não tenho mais nada para perguntar?
Quando o país aguarda em transe uma decisão do Tribunal Constitucional, quando os portugueses se preparam para assistir à moção de censura do PS, quando Gaspar faz as contas a mais uma execução orçamental, é só mesmo esta a pergunta que me resta?
Sim, com Sócrates ao alcance, com Marques Mendes como alvo, com Marcelo na mira e com tantos políticos comentadores como assunto, é esta pergunta que me resta?
Confesso que o tema é pequenino, próprio do meu mundo e das minhas curtas deambulações. Mas pronto, aqui vai: que raio é que está a fazer há dois meses na gaveta de Nuno Crato o relatório final sobre as curiosas equivalências de Miguel Relvas?
Eu sei que o ministro da Educação tem que educar a pátria, salvar as crianças da ignorância e transformar os nossos petizes em alemães. Sei que os quer a fazer contas de cabeça e a escolher a profissão aos doze anos. Mas no meio de tanta coisa importante, será que o ministro se importa de abrir a gaveta da secretária e mostrar ao mundo o relatório sobre o seu colega que esconde há dois meses?
Eu sei que é pedir pouco, mas hoje deu-me para isto. Amanhã já penso em coisas importantes."

Ricardo Costa
Expresso Online

segunda-feira, abril 01, 2013

Temos menos funcionários públicos que a média da OCDE

"O Governo quer cortar na administração pública, considerando que a máquina do Estado é demasiado pesada. Mas, a realidade, é que o número de funcionários públicos e os salários estão abaixo da média da OCDE.
Em 2008, o peso do emprego no Estado estava já três pontos percentuais abaixo daquela média. E recuou ainda mais de então para cá.
Nos 21 países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o peso do emprego das administrações públicas é de 15% da população, contra os 11,1% por cá observados no final de 2011 - últimos dados disponíveis nas estatísticas do Emprego público".
 
DN

sábado, março 30, 2013

Sugestão do dia

"Que se adopte uma lei que estabeleça mínimos de QI exigíveis para o desempenho do cargo de primeiro-ministro a fim de impedir que um qualquer imbecil possa ser eleito para o cargo".

quarta-feira, março 27, 2013

Há quem nos diga que os porcos voarão - crónica de Santana Castilho

1. Quando, em dois de Janeiro passado, antecipei nesta coluna o descambar da situação do país, logo no fim do primeiro trimestre da execução do orçamento de 2013, não fui original. Tão-só acompanhava a voz dos que não acreditavam que algum dia os porcos voassem. Aumentou o desemprego. Cresceu o défice e a dívida. Galoparam a recessão e o sofrimento dos portugueses. E, enquanto a realidade evidencia que nenhum problema foi resolvido e todos se agravaram, há quem diga, de cara dura, que é uma questão de tempo, que sim, que os porcos voarão. 

2. Crato regressou da sua viagem à volta da Terra, em 14 dias, depois de a troika ter aviado a sétima avaliação. Fez bem. Assim, a troika decidiu por ele, sem lhe perguntar se concordava com a chuva. Nada do que se passa, aliás, depreende-se das declarações do ministro à chegada, tem a ver com ele, porque, disse, “… o mundo está a mudar muito depressa …”, “… a situação política é volátil …” e, além disso, “… não há nenhum ministro que decida tudo por si…”. Querem razão mais científica e tempo mais propício para um saltinho à China, Chile e Brasil? 

3. E que se passa, afinal? 

Em Março de 2010, sob a epígrafe “Europa 2020 – Estratégia para um Crescimento Inteligente, Sustentável e Inclusivo”, a Comissão Europeia desenhou um plano de revitalização da sua economia, que considerava indispensável diminuir a taxa de abandono escolar precoce para 10 por cento e elevar para 40 por cento a dos diplomados com o ensino superior, na faixa etária dos 30 aos 34 anos. 

Dados estatísticos, recentemente divulgados por David Justino, no âmbito de um trabalho que desenvolve no seio do Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa, revelam que a Taxa de Abandono Escolar (percentagem de jovens dos 10 aos 15 anos, que nunca frequentaram o ensino básico ou que o abandonaram sem concluir o 3º ciclo) se cifra em 1,7 e que a Taxa de Abandono Precoce (percentagem da população com idade compreendida entre os 18 e os 24 anos, que não frequentou o ensino secundário ou o abandonou sem o ter concluído) se fixa em 27,1. Estes dois indicadores, expressos em números absolutos, significam, respectivamente, 11 mil 417 e 220 mil 472 indivíduos. 

Pois é neste contexto que o Governo anunciou a passagem ao regime de mobilidade especial, modo eufemístico de mascarar o despedimento posterior, de 10 mil professores, que se somam aos 15 mil já dispensados este ano, tudo a acrescer a uma perda de rendimento da classe (considerado o aumento da carga horária) da ordem dos 30 por cento e a um concurso, em preparação, a reger por regras próprias dos tempos feudais. É sem uma réstia de pensamento estratégico para a Educação nacional e políticas centradas na destruição acéfala do que se conseguiu, e foi muito, apesar dos erros, que procuramos o futuro? É com professores mal pagos (não me venham contradizer com dados da OCDE, inflacionados por níveis salariais do último escalão da grelha salarial congelada, onde não há um único professor, e referidos a tempos anteriores aos cortes brutais dos últimos anos), apavorados pela ameaça do desemprego, desnorteados pela legalidade em construção, que lhes pode fixar o local de trabalho a mais de 300 quilómetros da residência e os sujeita a mais ignominiosas iniquidades, sempre introduzidas por cada uma das sucessivas alterações aos diplomas de concurso, sem visão de conjunto, que ajudaremos a economia a endireitar-se? É lançando na selva do mercado de trabalho jovens sem as qualificações básicas exigidas pela Europa, que combatemos a sua taxa de desemprego, a rondar já os 50 por cento? É cruzando os braços ante mais de dois milhões de activos, que não concluíram o ensino secundário, que melhoraremos a competitividade da nossa economia? Resolveremos o défice e a dívida cortando, sem critério nem visão, no essencial, a educação e a formação de um povo? Obliterados pela pressão do urgente, continuaremos a regredir no importante? 

Num estudo recente promovido pela Comissão Europeia, Portugal e Roménia são os únicos estados que reduziram as despesas públicas com a educação, em percentagem do PIB. Consignando-lhe 3,8 por cento de um PIB que caiu para valores próximos dos 152 mil 156 milhões, quando, em 2010, gastávamos 5 por cento de um PIB que se cifrava em 167 mil e 500 milhões, Portugal reduziu, neste curtíssimo período, 2 mil 594 milhões de euros com a educação. No memorando assinado com a troika, em Maio de 2011, fixavam-se os cortes em 195 milhões, em 2012, e 175 milhões, em 2013. A resposta às perguntas que formulei acima foi dada pela comissária europeia para a Educação, quando apresentou o estudo: “Se os estados-membros não investirem suficientemente na modernização da educação e das competências, ficaremos aquém dos nossos concorrentes mundiais e será mais difícil combater o desemprego juvenil”. 
 
Santana Castilho

Governo para a rua!

"Mobilidade especial para quem governa mal" é palavra de ordem nas manifestações.
 Os portugueses já perceberam que o recurso a tal mobilidade tem um de dois objetivos (ou os dois): i) exercer pressão sobre os funcionários públicos para aceitarem medidas gravosas, tentando escapar à mobilidade especial; ii) empurrar esses funcionários para o desemprego.
Tendo o FMI defendido que milhares de docentes passassem para a mobilidade especial e, mais tarde, a troika reiterado a medida, logo os governantes portugueses ajoelharam, anunciando-a como sua. Sem pejo, Crato desmentiu o que dissera antes e esclareceu que as suas declarações valem apenas para o momento em que se proferem, não devendo ser levadas a sério para mais do que esse tempo. É preciso que os governantes percebam que, ao contrário dos professores que fazem muita falta nas escolas, eles não fazem qualquer falta ao país porque o prejudicam. Parece-me ser tempo de mudar a palavra de ordem e, para que fique mais clara, a exigência deverá ser "Despedimento coletivo para este executivo". Ou seja, pô-lo no olho da rua!"
 
Mário Nogueira
CM

terça-feira, março 26, 2013

Novas mexidas na carga horária

"O Ministério da Educação e Ciência (MEC) vai voltar a mexer nos currículos dos ensinos Básico e Secundário, alterando a carga horária de algumas disciplinas já no próximo ano letivo. A informação foi transmitida às delegações dos sindicatos de professores nas reuniões realizadas a semana passada e confirmada, ontem, ao Correio da Manhã pelo MEC.
De acordo com a tutela, está prevista "a continuidade da política do MEC nesta matéria", com a introdução "de pequenas mudanças para ajustar o sistema", tendo isso mesmo sido transmitido aos sindicatos. O MEC sublinha que esta revisão não terá a dimensão da que foi efetuada no ano passado. O CM questionou ainda a tutela sobre quais as disciplinas que sofrerão alterações ou se haverá algumas que serão extintas, mas não obteve resposta.
Os sindicatos temem, contudo, que novas reduções na carga horária façam aumentar o número de professores contratados no desemprego e de docentes do quadro com horário-zero (sem turmas para dar aulas), numa altura em que paira sobre os efetivos a ameaça de passagem à mobilidade especial.
"Penso que se estão a preparar algumas mexidas que vão atirar para a rua mais docentes contratados e criar mais horários-zero", disse ao CM Mário Nogueira, da Fenprof. Segundo o dirigente, foi o próprio ministro quem confirmou na reunião que "vão continuar a fazer ajustamentos curriculares". João Dias da Silva, da Federação Nacional de Educação (FNE), também se mostra preocupado. "A revisão de 2012 prejudicou a educação, não pode haver mais cortes. Os professores não podem viver na incerteza de ir para a mobilidade especial".
Albino Almeida, da Confederação Nacional de Associações de Pais, reagiu com dureza: "Nuno Crato tem de se explicar ou ficará para a história como o ‘manga-de-alpaca' que mexeu na Educação a pedido das Finanças".
 
CM

segunda-feira, março 25, 2013

Depressão arrasa professores e alguns (até) perdem a memória

Apesar de o Ministério da Educação não divulgar dados, são cada vez mais os professores de atestado devido a depressões e burnout (exaustão física e emocional). Dirigentes sindicais e directores de escolas mostram-se convictos de que a crise agravou esta situação que, acrescenta o Diário de Notícias (DN), não afecta apenas os docentes contratados mas também os com décadas de carreira.
O DN apresenta, na edição de hoje, alguns testemunhos na primeira pessoa de professores afastados da sala de aula porque a “alegria” de leccionar deu lugar ao vazio escuro da depressão.
“Sei que fiquei mais gordo, por causa dos medicamentos, mas sei porque vejo nas fotografias, não me lembro disso”, confessa ao jornal um professor com 28 anos de carreira mas que passou os últimos três em casa, de baixa. Neste caso, a mudança de escola foi dramática e foi “perdendo as forças para controlar a sala de aula”.
A psicóloga Lígia Costa, da direcção de um dos sindicatos da Federação Nacional de Educação, destaca, ao DN, que os estudos “apontam o stress como factor explicativo de 50% a 60% dos dias de trabalho perdidos e como o segundo problema de saúde relacionado com o trabalho mais frequente”.
Ainda segundo a psicóloga, muitos destes “processos acabam por assumir a forma de quadros clínicos de ansiedade e perturbações depressivas”.
A crise estava evidentemente associada a esta situação. O dirigente da Fenprof, Mário Nogueira, refere que “a sobrecarga horária”, as “responsabilidades que vão muito além do que seria o papel do professor”, a “crescente hierarquização e controle”, bem como “a criação de grandes agrupamentos”, em nada contribuem para o bem-estar e trabalho dos docentes.
Um estudo europeu da Sociedade Portuguesa de Inovação, citado pelo DN e que data de 2011, indicava que os professores portugueses foram os que revelaram índices mais elevados de stress e burnout (exaustão física e emocional), de entre nove países estudados.