domingo, junho 09, 2013

Quem anda a fazer mal aos alunos?

"Peço ao leitor que imagine um aluno. Dê-lhe um nome, escolha-lhe o sexo, invente-lhe dificuldades. Pense, ainda, que essas dificuldades podem resultar de vários factores mais ou menos malignos: violência doméstica, bairro complicado, pais ausentes, dificuldade de acesso a bens materiais e/ou bens culturais, ausência de estímulos intelectuais, o que quiser.
Dê a mão ao seu aluno imaginário e leve-o até à Escola do Primeiro Ciclo do Ensino Básico (se, com o fecho de centenas de escolas, ficar muito longe, vai ter de lhe dar boleia). A turma tem trinta alunos, todos eles numa idade em que a energia parece ser inesgotável. O seu aluno, devido às referidas dificuldades, precisa de um acompanhamento próximo, o que se torna impossível, porque o professor (pode imaginar uma professora, se preferir) não tem tempo para atender a todos os problemas de cada uma daquelas trinta crianças, trinta universos únicos.
É claro que a Escola sempre teve e continuará a ter dificuldade em resolver os problemas cuja origem esteja a montante ou ao lado, mas cabe a uma sociedade civilizada criar as condições para que, pelo menos, se aproxime, o mais possível, de um ideal. Aumentar o número de alunos por turma é escolher o caminho oposto ao do ideal.
O seu aluno, melhor ou pior, chegará ao final do Primeiro Ciclo com muitas das mesmas dificuldades que já trazia, porque, entretanto, os problemas pessoais, sociais e familiares, provavelmente, não terão desaparecido. No meio dos trinta alunos, ao longo dos quatro anos de escolaridade, a Escola dificilmente terá contribuído para minorar, o mais possível, as referidas dificuldades. Os exames impostos pelo antigo crítico do eduquês servirão para fingir uma exigência que não foi possível praticar e ensinar poderá ser substituído, facilmente, pelo treino para o exame.
O seu aluno irá prosseguir a vida escolar, muitas vezes acompanhado por vinte e nove colegas na mesma sala de aula, com professores a quem continuará a ser retirado o tempo necessário para preparar aulas ou corrigir testes, com currículos empobrecidos. As dificuldades avolumam-se, a desmotivação aumentará. Os que tiverem possibilidade, poderão frequentar explicadores. Os outros, face à crescente dificuldade em criar apoios nas escolas, terão de ser reprovados ou encaminhados para um ensino profissionalizante transformado em recurso, o que, perversamente, é a prova de que a sociedade não se preocupou em transformar verdadeiramente a Escola numa entidade que pudesse recuperar, compensar, o mais possível, os problemas de cada aluno.
Até 2005, a Educação, em Portugal, nem sempre soube escolher os melhores caminhos, mas, a pouco e pouco, com demasiados erros, é certo, era possível verificar melhorias. A partir de 2005, desde Maria de Lurdes Rodrigues até hoje, o edifício em mau estado tem vindo a ser demolido, metodicamente. Se os alunos têm aprendido, se têm evoluído, o mérito deve-se, apenas, aos profissionais do ensino, malabaristas que são obrigados a suportar os dislates que o Ministério da Educação lança, quotidiamente, sobre as escolas, ao mesmo tempo que vão, com crescentes dificuldades, fazendo o melhor possível.
Os professores, a várias vozes, andam, há anos, a tentar explicar aos sucessivos governos que as políticas estão erradas: com Sócrates, era o marketing dos relatórios da OCDE, os computadores e a festa da Parque Escolar; com Coelho, confirmou-se o despedimento de professores preparado pelos anteriores governos e o aumento do número de alunos por turma. E estou a ser escandalosamente sintético, porque há mais problemas.
Como já escrevi anteriormente – sem grande originalidade, de resto –, se uma pessoa qualificada numa determinada área fala, repete, aconselha, insiste e não é ouvida, o que lhe resta senão gritar? Depois de todo este tempo, os professores são obrigados, então, a recorrer a uma greve duríssima, porque o que está em causa é demasiado grave, também, para a vida dos próprios professores, profissionais que, por estranho que possa parecer, são pessoas.
Já se sabe que haverá quem se indigne, lembrando que há outros que estão piores e aguentam. Reconheço que vivemos numa sociedade em que o esboroamento dos direitos laborais retira a muitos a possibilidade de reivindicar. Espero, assim, que esta luta dos professores sirva de exemplo e possa arrastar todos aqueles que não estejam dispostos a aguentar, esse verbo tão da preferência de banqueiros.
Os governantes e respectivos satélites amestrados, todos responsáveis pela agressão quotidiana aos jovens, todos participantes nas mesmas políticas que retiram à Escola a possibilidade de ser melhor, andam pelos jornais e pelas televisões a derramar lágrimas hipócritas, procurando convencer a opinião pública de que os professores estão a prejudicar os alunos, ao decidir fazer uma greve que, afinal, está a ter efeitos. O desnorte é tal que Passos Coelho, coitado, dá por si a aconselhar os professores a fazer greve a outro exame.
Se o leitor for um cidadão responsável e informado, mesmo que não tenha filhos ou mesmo que o aluno imaginário não corresponda à situação do seu filho, deve tomar como lição o adágio que lembra que a educação de uma criança é da responsabilidade da aldeia toda. As agressões a que o governo sujeita os alunos não constituem um problema exclusivo dos pais: são um problema do país.
Seria importante que os sindicatos incluíssem esses problemas na lista de reivindicações? Com certeza que sim, mas é importante que os professores tenham a companhia de muitos outros".
 

sábado, junho 08, 2013

Verdadeiramente anedótico

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, apelou nesta sexta-feira aos sindicatos dos professores para que canalizem o seu protesto para a greve geral marcada para 27 de Junho, suspendendo a paralisação convocada para dias de avaliações e exames nacionais.
Esquece-se o primeiro-ministro que no dia 27 de junho estão agendados os exames de Matemática para o 6º e 9º anos. Não há palavras para descrever a incompetência deste senhor.

quinta-feira, junho 06, 2013

Entrevista de Mário Nogueira e José Dias da Silva à RTP Informação


Mário Nogueira, vai estar esta noite na TVI 24

O Secretário Geral da FENPROF é o convidado do programa de informação "Política Mesmo", que vai para o ar esta noite, às 22.00 H, na TVI 24. Durante cerca de meia hora, Mário Nogueira responderá em direto às perguntas do jornalista Paulo Magalhães.

Requisição civil sem efeitos práticos

"Para ser aplicada, o conselho arbitral tem de determinar serviços mínimos e estes não podem estar a ser assegurados na greve marcada para o dia 17.
A requisição civil, à disposição do ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, não terá qualquer efeito prático na intenção de evitar a greve geral convocada pelos professores para o dia 17. Para ser acionada, explicou João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE), são necessários dois pressupostos cumulativos: a determinação de serviços mínimos por parte do colégio arbitral e que estes serviços não sejam assegurados pelos docentes no dia do primeiro exame nacional (Português).
"O colégio arbitral tem até dia 12, no máximo, para decidir se há serviços mínimos para o dia 17. Se forem determinados, então só se os trabalhadores não os assegurarem é que o Ministério pode acionar a requisição civil", explica João Dias da Silva, acrescentando: "A greve é só de um dia. Dificilmente terá efeitos práticos, porque o Governo tem de confirmar, no dia, que os serviços mínimos não estão a ser assegurados."
Para Mário Nogueira, secretário--geral da Fenprof, a requisição civil é uma questão que não se coloca por ser ilegal. "Não se pode fazer uma requisição civil de professores porque não é permitido por lei", afirmou Mário Nogueira, que aguarda a decisão do colégio arbitral sobre a definição de serviços mínimos.
A mesma posição tem o Ministério, que aguarda a decisão do colégio arbitral para tomar uma posição que garanta a realização dos exames.
A única forma possível, dizem os sindicatos, para a greve geral ser desconvocada passa pelo recuo do Governo e do Ministério da Educação e Ciência na intenção de incluir os professores no regime de mobilidade e requalificação geral da função pública.
Para hoje está prevista a última ronda negocial entre as estruturas sindicais dos professores e representantes do Ministério da Educação e da Administração Pública. A expectativa dos docentes é que o consenso não será possível".
 
CM 

quarta-feira, junho 05, 2013

Os três pastorinhos e a greve dos professores - crónica de Santana Castilho

"Depois do presidente Cavaco, que não é palhaço como sugeriu Miguel Sousa Tavares, ter atribuído à Nossa Senhora de Fátima a inspiração da trindade que nos tutela para fechar a sétima avaliação, vieram três pastorinhos (Marques Mendes, Portas e Crato) pregar no altar do cinismo, a propósito da greve dos professores: “ … marcar uma greve para coincidir com o tempo dos exames nacionais … não é um direito … é quase criminoso … é uma falta de respeito … ” (Marques Mendes); “… se as greves forem marcadas para os dias dos exames, prejudicam o esforço dos alunos, inquietam as famílias …” (Portas); “… lamentamos que essa greve tenha sido declarada de forma a potencialmente criar problemas aos nossos jovens, na altura dos exames …” (Crato). Marques Mendes “redunda” quando afirma que a greve é um direito constitucional. Mas depois qualifica-a de abuso e falta de respeito. Que propõe? Que se ressuscite o papel selado para que Mário Nogueira e Dias da Silva requeiram ao amanuense Passos a indicação da data que mais convém à troika? Conhecerá Portas greves com cores de arco-íris, acetinadas, que sejam cómodas para todos? Que pretenderia Crato? Que os professores marcassem a greve às aulas que estão a terminar? Ou preferia o 10 de Junho? A candura destes pastorinhos comove-me. Sem jeito para sacristão, chega-me a decência mínima para lhes explicar o óbvio, isto é, que os professores, humilhados como nenhuma outra classe profissional nos últimos anos, decidiram, finalmente, dizer que não aceitam mais a desvalorização da dignidade do seu trabalho. 
  • Porque se sentem governados por déspotas de falas mansas, que instituíram clandestinamente um estado de excepção. 
  • Porque, conjuntamente com os demais funcionários públicos, se sentem alvo da raiva do Governo, coisas descartáveis e manipuláveis, joguetes no fomento das invejas sociais que a fome e o desemprego propiciam. 
  • Porque têm mais que legítimo receio quanto à sobrevivência do ensino público. 
  • Porque viram, na prática, os quadros de nomeação definitiva pulverizados pelo arbítrio. 
  • Porque rejeitam a vulgarização da precariedade como forma de esmagar salários e promover condições laborais degradantes. 
  • Porque foram expedientes perversos de reorganização curricular, de aumento do número de alunos por turma e de cálculo de trabalho semanal que geraram os propalados horários-zero, que não a diminuição da natalidade, suficientemente compensada pelo alargamento da escolaridade obrigatória e pela diminuição da taxa de abandono escolar. 
  • Porque a dignidade que reivindicam para si próprios é a mesma que reclamam para todos os portugueses que trabalham, sejam eles públicos ou privados. 
  • Porque sabem que a tragédia presente de professores despedidos será o desastre futuro dos estudantes e do país. 
  • Porque a disputa por que agora se expõem defende a sociedade civilizada, as famílias e os jovens. 

Rejeito a modéstia falsa para afirmar que poucos como eu terão acompanhado o evoluir das políticas de educação dos últimos tempos. Outorgo-me por isso autoridade para afirmar que é irrecuperável a desarmonia entre Governo e professores. A confiança, esse valor supremo da convivência entre a sociedade civil e o Estado, foi definitivamente ferido de morte quando a incultura, a falta de maturidade política e o fundamentalismo ideológico de Passos, Gaspar e Crato trouxeram os problemas para o campo da agressão selvagem. Estes três agentes da barbárie financeira vigente confundiram a legitimidade eleitoral, que o PSD ganhou nas urnas, com a legitimidade para exercer o poder, que o Governo perdeu quando escolheu servir estrangeiros e renegar os portugueses e a sua Constituição. Com muitos acidentes de percurso, é certo, a Nação cimentada pela gestão solidária de princípios e valores de Abril está a ser posta em causa por garotos lampeiros, apostados em recuperar castas e servidões. Alguém lhes tem que dizer que a educação, além de direito fundamental, é instrumento de exercício de soberania. Alguém lhes tem que dizer que princípios que o Ocidente levou séculos a desenvolver não se podem dissolver na gestão incompetente do orçamento. Alguém lhes tem que dizer que o desemprego e a fome não são estigmas constitucionais. Que sejam os professores, que no passado se souberam entender por coisas bem menores do que aquelas que hoje os ameaçam, esse alguém. Alguém suficientemente clarividente para vencer medos e comodismos, relevar disputas faccionárias recentes, pôr ombro a ombro contratados com “efectivos”, velhos com novos, os “a despedir” com os já despedidos. Alguém que defenda o direito a pensar a mais bela profissão do mundo sem as baias da ignorância. Alguém que diga não à transformação da educação em negócio. Alguém que recuse transferir para estranhos aquilo que nos pertence: a responsabilidade pelo ensino dos nossos alunos".
Santana Castilho
 

terça-feira, junho 04, 2013

segunda-feira, junho 03, 2013

A greve dos professores

"Paulo Portas fez dois apelos: que os professores não fizessem greve nos dias de exames e que a UGT negociasse com o governo em sede de concertação social.
 
A ideia de Portas é que os professores têm todos os outros dias do ano para fazer a paralisação. E que escolheram os piores de todos. O que mais mossa causa. Serei, como pai de uma aluna do 9º ano, prejudicado por esta greve. E, no entanto, acho este apelo descabido.
 
As greves não têm como objetivo fazer com que a entidade empregadora poupe um dia de salários, os grevistas vejam o seu ordenado ainda mais reduzido e, no dia seguinte, tudo continue na mesma. Só fazem sentido se forem uma forma de pressionar o outro lado de um processo negocial a ceder. Foi para isso que foram criadas.
 
Sim, fico irritado se esta greve acontecer. E, por isso mesmo, exijo, como cidadão, que o governo a evite. Recuando no que pretende fazer aos professores. Acho compreensível que, quem concorde com as medidas do governo, ache que são os professores que devem ceder. O que não me parece aceitável é que, numa luta que tem dois lados, se finja que só existe um. Pior: que se diga aos professores que só devem fazer greve quando ela não tenha qualquer efeito no processo negocial. Quem escolheu as vésperas de dois exames nacionais para avançar com estas brutais propostas? Quem apresentou medidas de tal forma radicais que nem podem ser consideradas uma base séria para qualquer negociação?
 
Paulo Portas quer evitar esta greve? Sendo membro do governo, use o lugar que ocupa para apelar ao primeiro-ministro, ao ministro das Finanças e ao ministro da Educação para recuarem. Não espere que, para não perder ele o emprego, os professores estejam disponíveis para perderem o seu e para verem as suas condições de trabalho brutalmente degradadas. Portas não pode falar como se fosse um árbitro nesta história. É uma das partes. A parte que não parece estar disponível para ceder".
 
Daniel Oliveira
Expresso Online

sábado, junho 01, 2013

Excerto da mensagem de Pacheco Pereira enviada ao encontro da Aula Magna

"(...) O que está a acontecer em Portugal é a conjugação da herança de uma  governação desleixada e aventureira, arrogante e despesista, que nos conduziu às portas da bancarrota, com a exploração dos efeitos dessa política para implementar um programa de engenharia cultural, social e política, que faz dos portugueses ratos de laboratório de meia dúzia de ideias feitas que passam por ser ideologia. Tudo isto associado a um desprezo por Portugal e pelos portugueses de carne e osso, que existem e que não encaixam nos paradigmas de “modernidade” lampeira, feita de muita ignorância e incompetência a que acresce um sentimento de impunidade feito de carreiras políticas intra-partidárias, conhecendo todos os favores, trocas, submissões, conspirações e intrigas de que se faz uma carreira profissionalizada num partido político em que tudo se combina e em que tudo assenta no poder interno e no controlo do aparelho partidário.

Durante dois anos, o actual governo usou a oportunidade do memorando para ajustar contas com o passado,  como se, desde que acabou o ouro do Brasil, a pátria estivesse à espera dos seus novos salvadores que, em nome do "ajustamento" do défice e da dívida, iriam punir os portugueses pelos seus maus hábitos de terem direitos, salários, empregos, pensões e, acima de tudo, de terem melhorado a sua condição de vida nos últimos anos, à custa do seu trabalho e do seu esforço. O "ajustamento" é apenas o empobrecimento, feito na desigualdade, atingindo somente "os de baixo", poupando a elite político-financeira,  atirando milhares para o desemprego entendido como um dano colateral não só inevitável como bem vindo para corrigir o mercado de trabalho, "flexibilizar” a mão de obra, baixar os salários. Para um social-democrata poucas coisas mais ofensivas existem do que esta desvalorização da dignidade do trabalho, tratado como uma culpa e um custo não como uma condição, um direito e um valor.


Vieram para punir os portugueses por aquilo que consideram ser o mau hábito de viver "acima das suas posses", numa arrogância política que agravou consideravelmente a crise que tinham herdado e que deu cabo da vida de centenas de milhares de pessoas, que estão, em 2013, muitas a meio da sua vida, outras no fim, outras no princípio, sem presente e sem futuro.

Para o conseguir desenvolveram um discurso de divisão dos portugueses que é um verdadeiro discurso de guerra civil, inaceitável em democracia, cujos efeitos de envenenamento das relações entre os portugueses permanecerão muito para além desta fátua experiência governativa. Numa altura em que o empobrecimento favorece a inveja e o isolamento social, em que muitos portugueses tem vergonha da vida que estão a ter, em que a perda de sentido colectivo e patriótico leva ao salve-se quem puder, em que se colocam novos contra velhos, empregados contra desempregados, trabalhadores do sector privado contra os funcionários públicos, contribuintes da segurança social contra os reformados e pensionistas, pobres contra remediados, .permitir esta divisão é um crime contra Portugal como comunidade, para a nossa Pátria. Este discurso deixará marcas profundas e estragos que demorarão muito tempo a recompor.

O sentido que dou à minha participação neste encontro é o de apelar à recusa  completa de qualquer complacência com este discurso de guerra civil, agindo sem sectarismos, sem tibiezas e sem meias tintas, para que não se rompa a solidariedade  com os portugueses que sofrem, que estão a perder quase tudo, para que a democracia, tão fragilizada pela nossa perda de soberania e pela ruptura entre governantes e governados, não corra riscos maiores.

Precisamos de ajudar a restaurar na vida pública, um sentido de decência que nos una e mobilize. Na verdade, não é preciso ir muito longe na escolha de termos, nem complicar os programas, nem intenções. Os portugueses sabem muito bem o que isso significa. A decência basta".

Pacheco Pereira
http://www.abrupto.blogspot.pt/


sexta-feira, maio 31, 2013

Professores prolongam greve após 18 de Junho se Governo não recuar

"A Fenprof decidiu prolongar a greve a partir de dia 18 de junho, caso o Governo não recue na proposta de colocar os professores em mobilidade especial e de aumentar o horário de trabalho.
“Caso as greves às avaliações, que vão decorrer nos dias 7, 11, 13 e 14, e a greve geral dos professores, do dia 17 de junho, não surtam efeito, serão entregues novos pré-avisos de greve até ao tempo que for preciso”, anunciou o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores, Mário Nogueira.
A possibilidade de prolongar a luta foi decidida durante uma reunião do secretariado-geral da Fenprof, que reúne docentes de todo o país, ilhas e estrangeiro.
O sindicalista disse ainda que para a greve geral de dia 17 de junho “também haverá um pré-aviso específico para o ensino superior” e que o dia de luta deverá também contar com os docentes do ensino particular e cooperativo.
Em relação à negociação sobre a mobilidade especial dos professores, Mário Nogueira anunciou hoje a posição do secretariado-geral, a qual vai fazer chegar ao Ministério da Educação ainda hoje.
“Simplesmente rejeitamos qualquer tipo de abertura”, acrescentou".
 
Público

As escolas e o trabalho das nossas famílias

"Cada vez me dou mais conta, também a nível profissional, de uma realidade intrigante que se vai acentuando com o tempo.
Consiste essa realidade no crescendo de solicitações aos Pais e Famílias dos alunos das nossas escolas para comparecerem em iniciativas e atividades, para lá das reuniões, até 4 horas por trimestre, já previstas na legislação laboral [artº 249º, nº 2, al-f) do Código de Trabalho].
Numa Instituição de que sou o primeiro responsável, acontece com cada vez maior frequência chamar por alguém e ouvir a resposta de que a pessoa em causa não está porque teve de ir à Escola da Filha ou do Filho. Depois, quando, simpaticamente, me procuram dizer o motivo – mesmo sem eu querer saber –, lá vem a referência a uma festa, a uma representação, a uma excursão. Cada vez mais chego à conclusão de que em várias Escolas se entende que os Pais não trabalham ou que, pelo menos, estão à disposição dos professores.
Acredito que eu e muitos outros tenhamos sido educados por métodos errados, reacionários, ou o que quiserem chamar. Mas nunca vi os meus Pais terem de ir à Escola, sequer para serem informados em reuniões do que se passava com o Filho. Trabalhavam e, mesmo que os chamassem, não poderiam ir. Como se justifica esta correria com as pessoas afogueadas a atravessarem a cidade para chegarem a horas de um sarau, da declamação de um poema, de uma peça de teatro? É que não se pode esquecer que se a Mãe ou o Pai não estão presentes, as crianças ficam tristíssimas, olhando para as outras cujos Pais puderam comparecer.
Os meus Filhos já têm vinte anos ou mais. Mas quando os mais novos estavam na Escola esta moda acentuou-se. Tenho Filhos de Irmãs que estão nos primeiros anos da formação e bem vejo o que se passa. Chega-se ao ponto de se pretender que os Pais participem nas aulas.
A questão é simples: e o trabalho? Como podem as pessoas justificar as faltas? As chefias ficam sempre com "cara de tacho" quando o pedido é feito, porque ninguém é capaz de dizer não a Pais que têm um Filho à espera? Não é só em Portugal que a moda pegou. Mas será justificável?"

Santana Lopes
CM





















quinta-feira, maio 23, 2013

A falta de senso dos defensores do consenso - crónica de Santana Castilho

Diariamente, grandes e pequenas coisas, afinal aquilo de que é feita a vida, desfilam em alardes de falta de senso, mesmo quando os seus intérpretes, por inerência dos cargos que ocupam, dele nunca devessem prescindir. O país não está só em recessão e depressão. Parece gerido a partir de uma nave de loucos. 
1. Em nome do consenso, Cavaco Silva criticou Paulo Portas por falar e expor, em público, a fragilidade da coligação moribunda. Mas não se coibiu, ele próprio, de defender, em público, o que Portas disse. Que a senhora de Fátima (segundo ele provável responsável pela conclusão da sétima avaliação) lhe ilumine o senso comum, já que os “cidadões” (novo presidencial plural) recusam consensos sabujos. 
 
2. Não é de senso comum ou sequer mínimo que se trata quando se ouve, como ouvimos, o primeiro-ministro afirmar, naquele jeito característico de estadista de Massamá, que os cortes apresentados ao eurogrupo não se aplicam à generalidade dos cidadãos mas, tão-só, aos reformados e funcionários públicos. A questão é de siso. Não o tem, de todo, quem teima em dividir os portugueses em subespécies: os espoliáveis, sem direito a pio, e a “generalidade”, salva e agradecida. 
 
3. Alguém dotado de senso mínimo acreditará que a pantomina da linha vermelha não seja a expressão combinada da total falta de senso de governantes empenhados em aterrorizar todos para aplicar a alguns as últimas patifarias do poder? Seria sensato Passos Coelho anunciar, a 3 de Maio, uma taxa sobre as pensões, sem que Paulo Portas o soubesse, ou que o primeiro ignorasse a fanfarronice que o segundo iria proferir, a 5, e engolir uma semana depois? Escrevi “patifarias do poder” e dou aqui por soletrada a expressão, para que resulte claro que pesei o que escrevi. Ou alguém de senso acha inadequado o qualificativo para designar o modelo anunciado de fuzilamento moral de funcionários públicos? 
 
4. O país não ensandecido assistiu, atónito, à leviana falta de senso de alguns deputados. “Os Verdes”, sem passarem os olhos pelos programas de ensino, propuseram resolver o que há décadas está resolvido, isto é, o estudo da Constituição da República Portuguesa no contexto de várias disciplinas curriculares, designadamente História e História e Geografia. Fernando Negrão, magistrado, deputado e cumulativamente presidente da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, tudo isto, pasme-se, defendeu que os nossos alunos não devem ter qualquer contacto com a Constituição vigente. Porque ele, a coberto da sua beca e imunidade parlamentar, a decretou “datada” e senhora de uma “carga ideológica muito forte”. Nuno Crato implodiu a área da Formação Cívica. Fernando Negrão quer banir o ensino da Constituição. Compreendemos porquê. Basta seguir a conduta protofascista de Passos e Gaspar. Os direitos humanos, os direitos sociais, os direitos culturais, as liberdades e as garantias, que resistiram às revisões de 1982 e 1989, são insuportáveis para quem governa em regime de excepção encapotada. 
 
5. Mal foi anunciada a greve dos professores, surgiram, cândidos, dois discursos: o dos que a condicionam a não perturbar a tranquilidade do chá das cinco e o dos que só militam na solução que nunca é proposta. Aos primeiros, é curioso vê-los invocar o direito de uns, com as botas cardadas calcando os direitos dos outros. Aos segundos, repito o que em tempos aqui escrevi: os professores sabem, têm a obrigação de saber, que todo o poder só se constrói sobre o consentimento dos que obedecem. Quando vos tocarem à porta, não se queixem! 
 
Trinta alunos por turma, 300 alunos por professor, mais horas de trabalho lectivo, mais horas de trabalho não lectivo, menor salário, carreiras e progressões congeladas vai para 7 anos, obrigatoriedade de deslocação a expensas próprias entre escolas do mesmo agrupamento, exercício coercivo a centenas de quilómetros da residência e da família, desmotivação continuada e espectro do desemprego generalizado, são realidades que afectam os professores, em exclusivo? Não afectam os alunos? Não importam aos pais? Ao futuro colectivo? 
 
A diminuição do financiamento dos serviços de acção social escolar, quando o desemprego dos portugueses dispara e a fome volta às nossas crianças, bem como a remoção sistemática, serviço após serviço, das respostas antes existentes para necessidades educativas especiais, é problema corporativo dos professores ou razão para que a comunidade civilizada se mobilize? A drástica diminuição dos funcionários auxiliares e administrativos, a redução das horas de apoio individualizado aos alunos, o aumento do preço dos manuais e dos passes e a deslocação coerciva de crianças de tenra idade para giga agrupamentos são problemas exclusivos dos professores? 
 
Santana Castilho

Nuno Crato volta a mentir


quarta-feira, maio 22, 2013

Professores sem horário podem ser colocados em qualquer escola

"Proposta inicial para a mobilidade dá poder ao Governo de colocar um docente com horário zero em qualquer ponto do país.
O Ministério da Educação quer ter o poder de colocar os professores com horário zero (sem turma atribuída) em qualquer escola do país, independentemente do seu lugar de origem, sem que se realize qualquer concurso. E pretende que a medida entre em vigor já a partir de Setembro. 
Esta é uma das várias regras que fazem parte da proposta inicial do Governo para o novo sistema de requalificação (mobilidade especial) para a função pública, que vai ser discutida amanhã numa reunião conjunta entre os sindicatos e o secretário de Estado da Administração Escolar, João Casanova de Almeida, e o secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino. Regime no qual, até este ano, os professores eram excepção entre os trabalhadores do Estado".
 
Diário Económico

Jogo baixo

"O atual primeiro--ministro garantiu em 2011, antes de ser governante, que o seu partido não retiraria os subsídios aos funcionários públicos.
O ainda ministro da Educação disse, em julho, que vincularia os professores com mais tempo de serviço, em setembro afirmou que não haveria professores na mobilidade especial e, em abril, garantiu que o horário dos professores não aumentaria para 40 horas.
O presidente do CDS jurou que o seu partido jamais deixaria passar qualquer medida que reduzisse ainda mais as pensões e reformas. Ainda na legislatura anterior, o PSD criticou a imposição de mega--agrupamentos, recomendando a sua suspensão, e suspendeu a revisão curricular da anterior ministra por se destinar, apenas, a reduzir professores. Também o CDS, em 2010, recomendava ao governo que vinculasse os mais de 8 mil contratados com 10 ou mais anos de serviço.
Chegados ao poder, tais partidos e governantes atraiçoam aqueles com quem assumiram compromissos. É esta a diferença entre os governantes e os professores. Enquanto estes assumem com grande dignidade a sua profissão e a sua luta, os primeiros jogam sujo e jogam baixo".
 
Mário Nogueira
CM

terça-feira, maio 21, 2013

Professores na mobilidade podem perder mais de metade do ordenado

Os professores que forem colocados na mobilidade especial em Setembro vão ter um corte de 33% a 53% no seu ordenado actual, alertou nesta terça-feira o líder da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira. A Fenprof recebeu ontem a proposta do Ministério da Educação e Ciência (MEC) sobre as condições em que será aplicado o regime de mobilidade especial aos docentes.
A primeira ronda de negociações está marcada para quinta-feira, mas Mário Nogueira já classificou esta proposta como “uma vergonha”. Segundo este dirigente sindical, os docentes como os outros funcionários públicos ficarão a receber menos 33% do seu ordenado a partir do momento em que entrem na mobilidade especial, uma redução que sobe para 53% no caso dos docentes que se encontram no topo da carreira, já que o tacto máximo da remuneração naquele regime são três salários mínimos (o equivalente a 1455 euros).
“Para os professores em topo de carreira o corte não é de um terço, mas sim de 52,9%. E, nestes casos, o que dizem que acontece aos professores ao fim de seis meses, para eles acontece logo no primeiro dia”, explicou Nogueira. O plano define ainda que, passado um ano, o corte atinja os dois terços do rendimento actual dos professores. “É um percurso de 18 meses a iniciar em Setembro, até ficarem sem salário ou serem despedidos”, resumiu o sindicalista.
Mário Nogueira considerou ainda como uma “coisa extraordinária” o facto de na proposta se garantir que os docentes em mobilidade especial terão preferência de colocação nos concursos: “O ministério está a dizer que, dentro de três meses, lhes vai cortar entre um terço e metade do salário, que daqui a ano e meio os vai pôr na rua, mas depois diz ‘não se preocupem porque daqui a quatro anos podem concorrer à frente dos outros’”.
O sindicalista avisou que tem poucas esperanças nos resultados das negociações de quinta-feira. “Já não estávamos muito convencidos de haver grandes negociações, mas ainda estamos menos desde que soubemos que também lá iria estar, pela primeira vez, o próprio secretário de Estado da Administração Pública, que é quem no Ministério das Finanças negoceia com os sindicatos e que, nesta matéria, tem sido absolutamente inflexível”, disse.

sexta-feira, maio 17, 2013

Governo vai criar mecanismos para nenhum professor ir para a mobillidade especial

O secretário de Estado do Ensino disse hoje que "não houve nenhum despedimento de professores dos quadros", garantindo que estão a ser criados mecanismos para que nenhum docente vá para a mobilidade especial.
Durante o debate de urgência sobre o estado da educação, pedido pela bancada parlamentar do PS, o secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar contestou a oposição, que acusa o Governo de despedir milhares de professores.
"Não houve nenhum despedimento. Houve redução de contratações. Para todos os professores dos quadros, os instrumentos que estão a ser preparados são para que não vão para a mobilidade", afirmou Casanova Almeida, durante o debate sobre "O estado da educação no ensino básico e secundário".

domingo, maio 12, 2013

Ministério da Educação admite aumentar horário de aulas dos professores

As reduções da componente letiva, previstas no Estatuto da Carreira Docente para professores com mais de 50 anos e 15 de serviço e que é compensada pelo exercício de outras tarefas na escola, totalizam quase 192 mil horas de aulas por semana a "menos".
O Ministério da Educação não adianta medidas mas assume que irá discutir com os parceiros o "alargamento do horário de trabalho dos professores e a sua forma de aplicação, nomeadamente nas diversas componentes", o que inclui tempo letivo e não letivo.
Mexer nas regras da redução da componente letiva ou aumentar o tempo letivo são cenários em cima da mesa.


quinta-feira, maio 09, 2013

Marques Mendes errou grosseiramente na SIC - crónica de Santana Castilho

"Marques Mendes referiu-se à situação dos professores portugueses, no sábado passado, durante o programa de análise política que mantém na SIC. Fê-lo com ligeireza. Evidenciou desconhecimento. Adulterou a verdade. Os erros em que incorreu serviriam para validar a tese oficial de que temos professores a mais e legitimariam os despedimentos futuros, se não fossem corrigidos. Marques Mendes apresentou três gráficos. O primeiro mostrava a evolução do número total de alunos, de 1980 a 2010. O segundo fazia o mesmo exercício, circunscrito aos alunos do 1º ciclo do ensino básico, para concluir que, entre 1980 e 2010, perdemos 51% desses alunos. E o terceiro gráfico dizia-nos que, no mesmo período, isto é, de 1980 a 2010, o número de professores tinha crescido 53%. Para que dúvidas não restassem, Marques Mendes colocou, lado a lado no écran, o 2º e o 3º gráficos e foi claro nas explicações acessórias: o crescimento dos professores fez-se em contraciclo; os governos anteriores falharam, fazendo crescer os professores à taxa de 53%, enquanto os alunos diminuíam à taxa de 51%. Só que, quando comparamos o incomparável, corremos o risco de passar de pavão a espanador. Marques Mendes, ao dizer na SIC, como disse, que os professores cresceram 53%, passando de 95.400 em 1980, para 146.200 em 2010, usou o número de professores respeitantes a todo o sistema escolar não superior (1º. 2º e 3º ciclos do ensino básico, mais o ensino secundário). Como é evidente para qualquer, Marques Mendes só poderia relacionar o decréscimo dos alunos do 1º ciclo com a evolução do número de professores do 1º ciclo. E o que aconteceu a esse universo de professores? Cresceu 53% como disse o descuidado comentador? Coisíssima nenhuma! Em 1980 tínhamos 39.926. Em 2010 eram 31.293. Não cresceram na disparatada percentagem com que Marques Mendes enganou o auditório da SIC. Outrossim, registou-se uma diminuição de 8.633 professores.

Dir-se-á, removido o disparate, que a diminuição de professores não foi proporcional ao decréscimo de alunos, no ciclo de estudos em análise. Outra coisa não seria de esperar, considerando as alterações curriculares introduzidas nos 30 anos em apreço. Cito, a mero título de exemplo, a escola a tempo inteiro, que aumentou drasticamente a permanência dos alunos na escola, a introdução do Inglês no ensino básico, as actividades de enriquecimento curricular, as múltiplas modalidades de apoio a alunos carenciados, a diminuição das reprovações e a forte redução do abandono escolar. Se extrapolarmos estas considerações para o ensino secundário, não pode ser ignorado o novo regime da escolaridade obrigatória de 12 anos nem, tão-pouco, a circunstância de o número de professores que Marques Mendes situa em 2010 (146.200) ser hoje, em 2013, bem mais baixo: 111.704 (uma redução, de 2010 para 2013, de 34.496 docentes). Que isto não caiba na folha de Excel de Gaspar, que não acerta uma, já não surpreende. Que seja menosprezado pela insensibilidade e demagogia de Passos Coelho, cuja palavra vale nada, já é normal. Que tenha passado ao lado do rigor que se esperaria de quem ajuda a formar a opinião pública, no momento em que os funcionários públicos, em geral, e os professores, em particular, estão condenados a carregar a albarda pesada da incompetência do Governo, é intolerável. É péssimo serviço público. É serviço sujo.

A diminuição da natalidade está muito longe de explicar a brutal redução do número de professores. O erro grosseiro de Marques Mendes ajudou a branquear o impacto de sucessivas medidas, cujo intuito se centrou, exclusivamente, em ganhos financeiros, a saber: encerramento de milhares de escolas, com a deslocação compulsiva de vastas populações de crianças de tenra idade e a correlata criação de criminosos giga-agrupamentos, inéditos no mundo civilizado; redução dos tempos lectivos de algumas disciplinas e abolição de outras; aumento do número de alunos por turma; aumento da carga horária dos professores; drástica redução das iniciativas de segunda oportunidade para os que abandonaram precocemente o sistema formal de ensino; e transferência para o Instituto de Emprego e Formação Profissional de valências que, antes, pertenciam às escolas públicas. Como se não tivéssemos 3.500.000 cidadãos, com mais de 15 anos, sem qualquer diploma ou apenas com a certificação do ensino básico. Como se não tivéssemos 1.500.000 cidadãos, entre os 25 e os 44 anos, que não concluíram o ensino secundário. Como se fosse possível crescer economicamente travando, sem critério nem visão, um esforço de 30 anos. Os 30 anos que Marques Mendes mal centrou na desfocada fotografia que revelou na SIC.

Marques Mendes não citou as suas fontes. As minhas foram: D.R., DGEEC/MEC, Pordata, “50 Anos de Estatísticas de Educação”- GEPE e INE".

quarta-feira, maio 08, 2013

A boa notícia

"Em 22 de março, em reunião realizada com a FENPROF, Nuno Crato disse ter uma má e uma boa notícia para anunciar.
A má é que a mobilidade especial (em versão terrorista, sabe-se agora depois do anúncio feito por Passos Coelho) se aplicaria aos professores; a boa é que não haveria aumento do horário de trabalho. Antes desta reunião, Crato tinha, como boa notícia, que a mobilidade especial não se aplicaria aos professores; após esta reunião, má notícia passou também a ser o aumento do horário de trabalho da Administração Pública.
Isto significa que, em próxima reunião, se houver, a anterior boa notícia será a novidade má e, decerto, o ministro terá para apresentar uma qualquer boa notícia que, apesar de ainda se desconhecer, já é temida por todos. Só por ingenuidade ou cegueira política alguém ainda pode acreditar no que diz um governante que não governa, pois a decisão política não é sua competência.
Assim, boa notícia, mas boa mesmo, será aquela que, um dia destes, ouviremos nas notícias ao acordar: o governo caiu! Que seja com estrondo para não voltar a levantar--se porque essa seria uma má notícia".
 
Mário Nogueira
CM

terça-feira, maio 07, 2013

Certeza

Com as novas medidas a implementar na Educação os psiquiatras não vão ter mãos a medir com os consultórios apinhados de professores.