sexta-feira, setembro 22, 2006

De indignação em indignação

Maria de Lurdes Rodrigues, acorrendo a mais uma solicitação, vem à estampa, esta semana na revista "Visão", num artigo de opinião, onde a dado passo escreve esta coisa singela: "A estruturação da carreira docente em dois níveis, introduzindo a diferenciação e o reconhecimento do mérito dos professores, procurará estimular o seu empenho...". Como?! Desde quando é que os professores se podem sentir motivados quando sabem que, por muito que se dediquem ao seu trabalho e por melhores que sejam os seus níveis de competência, o mais provável é nunca ascenderem à categoria de professor titular pela simples razão de que esta senhora decidiu introduzir numerus clausus no acesso aos patamares mais altos da carreira? Escrever estas alarvidades com o maior dos despudores, revela uma falta de honestidade intelectual que revolta qualquer leitor mais esclarecido. Mesmo que esse leitor não seja professor!

7 comentários:

henrique santos disse...

Esta senhora tem mentido várias vezes. Uma das últimas que ouvi: o concurso deste ano não teve nenhuma anomalia.
E não há nenhum jornal ou jornalista que a desminta.

PJ disse...

Todas as carreiras da administração pública, sem excepção, desde a mais humilde até à mais prestigiada, possuem quadros limitados para efeitos de progressão. Nem todos os oficiais das forças armadas chegam a generais e nem todos os funcionários da carreira diplomática atingem o posto de embaixador. Por que é que com os professores deverá ser diferente? Porque é que o estatuto da carreira docente prevê quadros de dotação global que possibilita a progressão independentemente do mérito, tendo em conta que virtualmente TODOS chegam ao último escalão?

A Professorinha disse...

Esta ministra não sabe, na maioria dasvezes, o que diz. Fala fala e no fim não diza nada de novo. O que ela mais gosta de fazer é não responder à perguntas que lhe fazem e de se fazer de coitadinha quando não sabe responder as questões postas pelos professores ou representantes dos sindicatos ou mesmo pelos deputados.

Não tem estofo para ser ministra, aliás, nem para ser mais nada a não ser ficar em casa quietinha para não estragar nada.

PJ disse...

Não respondeu à minha questão professorinha. Atacar a ministra não é resposta para a questão que lhe lancei...

henrique santos disse...

a carreira docente ao nível do dito ensino não superior é uma profissão com um conteúdo funcional horizontal. Pode-se ser professor, embora com mais experiência supõe-se, do princípio ao fim da carreira. Isto não acontece nas carreiras hierárquicas que apontou, em que em vários níveis há conteúdos funcionais diferentes.
Pode-se querer diferenciar, na minha perspectiva artificialmente esta profissão.´São os argumentos da ministra, que parece desvalorizar o ser professor, desviando-o para cargos e funções ditas mais "nobres", de coordenação, de gestão. que função mais nobre existe numa escola do que directamente contribuir para educar e desenvolver os alunos? Que a avaliação deva ser exigente, tudo de acordo. Mas esta proposta de carreiras cuja única função é fazer estagnar a grande maioria dos "simples" professores num patamar de baixo rendimento salarial, não tem lógica. E se fala de pretenso mérito, logo aí falha pois o sistema de cotas de notas de muito bom e excelente fala por si.
Já agora gostava que desenvolvesse mais os seus argumentos pois esses da generala já estão um pouco estafados.

Anónimo disse...

Segundo pj,
Nem todos os oficiais das forças armadas chegam a generais e nem todos os funcionários da carreira diplomática atingem o posto de embaixador...
Parto do pressuposto que para estatutos diferentes se pretenda papéis diferentes e vice-versa.
Então, segundo a sra. ministra, pj e outros, os professores passam a ter diferentes funções, consoante o estatuto que atingirem. É isto? Deve ser, pois a sra. ministra deve conhecer este conceito básico da Sociologia.
Assim, tomando um dos exemplos de pj, uns professores (poucos) passam a ser "generais"; outros, "coronéis" e, assim, sucessivamente, até chegarmos aos "soldadinhos"! Quais serão as respectivas funções? Ou, melhor, quais dos estatutos ficará vinculado ao papel de transmitir alguns conhecimentos científicos? Será o de "general" ou o de "soldadinho"? E, no caso de ser o de "soldadinho", quais são os critérios para se chegar ao de "general"? Ensinar melhor ou pior??? Quiçá, fazer mais foguetório ou "cair em graça", pois, já diz o ditado, "mais vale cair em graça do que ser engraçado"! E, neste país, é cada vez mais notória a aplicação deste e de outros ditados populares... "Quem tem padrinhos não morre mouro", coitados dos que não são afiliados!
rd

Eurydice disse...

Pois... a carreira docente não pode ser comparada com a das Forças Armadas. Devem ser argumentos desses que levam a que o tipo de critérios de avaliação propostos mais pareçam disciplina militar em tempo de guerra! Percebi, finalmente, donde vem o ESTILO e a abordagem.
Será assim tão obscuro o facto de que um professor é SEMPRE PROFESSOR do princípio ao fim da carreira? E que sem estímulos e reconhecimento ninguém funciona bem? E que nesta profissão precisamos realmente de ESTAR LÁ com toda a alma e todo o coração?
E será legítimo vedar aos mais novos o exercício de cargos para os quais têm capacidades? Deixando para mais velhos que podem nem ter a capacidade nem a vontade de os exercer?
Pergunto: QUAL É O GESTOR DE RECURSOS HUMANOS QUE MANTINHA O LUGAR DEPOIS DE OPÇÕES DESTAS? Numa dessas empresas com que a ilustre senhora insiste em querer equiparar as escolas...

Claro que eu aceitaria muito melhor tudo isto se a senhora MInistra se demitisse por se considerar DEMASIADO NOVA PARA OCUPAR A CÁTEDRA MINISTERIAL... :P

Assim temos um tecido de contradições que nunca mais acaba. Como aquela de dizer "É evidente que a matéria tem que ser DADA mesmo que o professor falte"... desculpe?...mas as substituções não são parte da componente NÃO LECTIVA?... como podemos dar as aulas pelo colega?
Era bom que a senhora se deixasse destas coisas, não?!