quarta-feira, outubro 22, 2008

Bloco de Esquerda quer suspensão do actual modelo de avaliação de professores e propõe um novo modelo

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda entregou na Assembleia da República um projecto de resolução com vista à suspensão do actual modelo de avaliação de professores, considerado "burocrático e inadequado" e responsável pela instabilidade e "pandemónio" que se vive nas escolas. Em alternativa, o Bloco propõe "a adopção faseada de um novo modelo de Avaliação de Escolas e Docentes, formativo, integrado e participado".

Pensem e reflictam

8 de Novembro. 15 de Novembro. Datas tão próximas para duas manifestações de professores é um absurdo completo, tanto assim que o meu pessimismo crónico levanta voo na direcção errada. Apetece-me dizer asneiras. Chamar nomes a alguém. Não digo. Não chamo. Contenho-me. Interrogo-me se alguém no seu perfeito juízo considera ser esta a estratégia correcta para combater a política educativa do Ministério da Educação. A evidência é tão grande que não acredito que haja hesitação na resposta. Mas a classe docente é masoquista e tem um prazer especial em auto-flagelar-se. Continuemos assim que vamos longe!

Ainda o "Magalhães"

"Há cerca de vinte anos eu dava aulas numa universidade. Um dia lembrei-me de falar de ‘A Cidade e as Serras’ – em trinta alunos, só dois tinham lido. Como era uma turma de 4º ano e de formação de professores, achei que deviam ler o livro.
Choque e pavor. Percebi depois quando uma aluna me explicou que tinha aulas de Psicopedagogia, Pedagogia, Didáctica, História da Educação, Administração Escolar, Legislação Escolar – e até uma para lhes ensinar a usar projector de slides ou retroprojector. Não tinham tempo para ler. Ou seja: sabiam como ensinar e manusear toda aquela geringonça, mas não tinham nada para ensinar. Para pôr lá dentro. Vinte anos depois, vai por aí uma grande festança com o ‘Magalhães’. Números de circo e tal. Mas duvido que saibam o que pôr lá dentro. Pobres professores".

Francisco José Viegas, escritor
Correio da Manhã

segunda-feira, outubro 20, 2008

A avaliação dos docentes aplicada aos médicos

"Já que muitos jornalistas e comentadores defendem e compreendem o modelo proposto para a avaliação dos docentes, estranho que, por analogia, não o apliquem a outras profissões (médicos, enfermeiros, juízes, etc.).
Se é suposto compreenderem o que está em causa e as virtualidades deste modelo, vamos imaginar a sua aplicação a uma outra profissão, os médicos.
A carreira seria dividida em duas: Médico titular (a que apenas um terço dos profissionais poderia aspirar) e Médico.
A avaliação seria feita pelos pares e pelo director de serviços. Assim, o médico titular teria de assistir a três sessões de consultas, por ano, dos seus subordinados, verificar o diagnóstico, tratamento e prescrição de todos os pacientes observados. Avaliaria também um portefólio com o registo de todos os doentes a cargo do médico a avaliar, com todos os planos de acção, tratamentos e respectiva análise relativa aos pacientes.
O médico teria de estabelecer, anualmente os seus objectivos: doentes a tratar, a curar, etc. A morte de qualquer paciente, ainda que por razões alheias à acção médica, seria penalizadora para o clínico, bem como todos os casos de insucesso na cura, ainda que grande parte dos doentes sofresse de doença incurável, ou terminal. Seriam avaliados da mesma forma todos os clínicos, quer a sua especialidade fosse oncologia, nefrologia ou cirurgia estética...Poder-se-ia estabelecer a analogia completa, mas penso que os nossos 'especialistas' na área da educação não terão dificuldade em levar o exercício até ao fim.
A questão é saber se consideram aceitável o modelo? Caso a resposta seja afirmativa, então porque não aplicar o mesmo, tão virtuoso, a todas as profissões? Será???!!!
Já agora...Poderiam começar a 'experiência' pela Assembleia da República e pelos (des)governantes..."

Opinião de uma advogada

quarta-feira, outubro 15, 2008

Há limites para tudo!

Tenho aqui apelado à união entre sindicatos e professores, mas há que reconhecer que esta atitude divisionista dos sindicatos é ignóbil, vil e completamente despropositada. Sabendo que havia uma manifestação já formalmente autorizada para o dia 15 de Novembro, não faz qualquer sentido que os sindicatos venham agora promover uma outra para uma semana antes (dia 8). O que é que estes ganham em antecipar a manifestação por alguns dias? Rigorosamente nada. Esta manobra é claramente uma tentativa desesperada para manterem o protagonismo e acautelarem os seus interesses pessoais e partidários. Da forma como o fazem estão a seguir exactamente a táctica da ministra que tantas vezes têm reprovado: uma demonstração de força, de quero, posso e mando, tentando mostrar aos professores quem realmente detém e comanda os destinos da classe. É assim perfeitamente natural que a maioria dos professores deixe de considerar os sindicatos como os seus fiéis representantes. Deixaram de apoiar quem de facto deviam representar e, por isso, é hora de entregar o protagonismo a outros que, efectivamente, saibam defender condignamente a classe docente.

terça-feira, outubro 14, 2008

Haja bom senso (II)

A tríade ministerial, refastelada no sofá, estará com certeza deliciada e maravilhada, assistindo a esta luta fracticida entre professores e sindicatos. Não me parece que esta guerra traga algum benefício para qualquer dos contendores. Bem antes pelo contrário. Uma coisa eu sei: enquanto as comadres se degladiam, o Ministério da Educação continuará a somar pontos junto da opinião pública. Precisamente aquilo que realmente vai interessando no presente momento.

segunda-feira, outubro 13, 2008

Haja bom senso

“Estas acções desgarradas, sem promotores conhecidos, servem mais os interesses do Ministério”, disse ao CM Mário Nogueira, líder da Fenprof.

Esta frase assassina de Mário Nogueira, poderá significar a machadada final na relação de confiança entre sindicatos e professores. Oxalá isto não redunde num suicídio colectivo para as duas partes.

domingo, outubro 12, 2008

A manifestação de 15 de Novembro

Finalmente, parece que estamos dispostos a ir à luta. Já era sem tempo. Dia 15 de Novembro, os professores estão determinados em dar uma resposta cabal à política educativa deste governo que atenta contra a nossa dignidade e compromete de forma inequívoca o futuro do ensino público em Portugal. Até aqui totalmente de acordo. O (grande) senão reside no facto de muita gente pensar que se pode avançar para uma manifestação desta dimensão sem o apoio dos sindicatos. Quem assim pensa está a cometer um erro crasso que nos poderá ser fatal. É necessário traquejo na organização destes eventos e isso é algo que nos falta por muita boa vontade que possamos ter. Sem o apoio logístico dos sindicatos a manifestação pode redundar num fracasso e aí o feitiço vira-se contra o feiticeiro. Por outro lado, este é um momento-chave em que é necessário união de esforços e não de fracturas e discórdias. É verdade que os sindicatos têm cometido erros indesculpáveis, como foi aquele do “entendimento” com a tutela, mas há que deitar esses ressentimentos para trás das costas e avançarmos em conjunto, na defesa do interesse de todos. É fundamental termos a noção da proporção das coisas: o nosso inimigo é este governo e o Ministério da Educação e não os sindicatos.
Convém também que fique claro que a luta dos professores não se pode esgotar na manifestação, até porque o Ministério da Educação já deu provas que não verga com facilidade (ainda para mais quando as sondagens colocam o partido socialista perto da maioria absoluta). Esse foi o nosso erro, depois do 8 de Março. Pensámos que bastava reunir 100.000 professores e que, a partir daí, as nossas reivindicações seriam atendidas. Lixámo-nos, como bem sabemos. É bom que tenhamos aprendido a lição e não voltemos a cair nesse logro. Acredito que o sucesso da manifestação poderá ser importante, mas deverá funcionar apenas como um factor catalisador de um confronto com o Ministério que se prevê longo, conturbado e de grande desgaste. Seguramente que outras formas de luta têm de ser encontradas, sob pena de os nossos objectivos não virem a ser alcançados. O que não podemos, de forma nenhuma, é baixar os braços e esperar que outros resolvam os nossos problemas.

sábado, outubro 11, 2008

Educação é propaganda

"Não há registos, na memória da política da res publica portuguesa, de um Governo que tenha orquestrado uma tal campanha de propaganda baseada na tecnologização do ensino, que só tem paralelo no marketing da venda de produtos de multinacionais, a que o Governo retira os custos e lhes dá os benefícios. Computadores, o Magalhães - falsamente aclamado como o "primeiro portátil luso" -, quadros interactivos, ligações de banda larga, distribuição gratuita a alguns alunos - e nunca à maioria deles, mesmo que carenciados - promovidos por 23 ministros, secretários de Estado, directores-gerais, foram as notícias da educação, num mundo cor-de-rosa, em que o futuro em Portugal será, na perspectiva do primeiro-ministro, o da melhor educação.Só que o primeiro-ministro vive numa realidade virtual, convencido de que o faz-de-conta muda a realidade da educação. Até julgamos que a sua convicção é genuína, mas alguém terá de lhe dizer que, antes das tecnologias nas escolas, os alunos devem saber bem ler, escrever e contar, para depois as dominar, e que este desiderato deve ser validado por exames externos.Depois, a educação básica, obrigatória e gratuita, deveria, pois, possibilitar que todos tivessem, acessíveis e sem custos, os materiais de apoio às aprendizagens. Acrescentamos, ainda, que pouco ou nada resultará desta propaganda, se não se contemplar a formação de todos os docentes nas tecnologias da informação e comunicação (TIC), para rentabilizar as tecnologias, uma vez que a maioria dos jovens possui um domínio superior em relação a grande parte dos docentes.É necessário que os pais e encarregados de educação disponham de suficiente literacia e apetrechamento de competências nas tecnologias, para acompanhar os filhos. O Governo deveria disponibilizar aos pais mais carenciados, que hoje já abrange a classe média portuguesa - os novos pobres da Europa -, o acesso gratuito à Internet. Por último, todos estes itens devem estar garantidos à totalidade das escolas e dos alunos, pois só assim faz sentido o Estado democrático.Como nada disto corresponde à verdade da realidade portuguesa, a propaganda do Governo, na área da educação, pretende não só esconder a falência da sua pseudo-reforma, em que o insucesso está dissimulado pelo facilitismo, como também canalizar para áreas fictícias o descontentamento e desmotivação dos professores. Acena-se com tecnologia de ponta para a educação portuguesa, mas a iliteracia continua a alastrar, ameaçando a salubridade educacional do País.Nesta primeira etapa do ano escolar, o marketing do Governo venceu! Esperamos pelas etapas seguintes que, para já, não auguram nada de bom para a escola, pais e alunos que, deslumbrados pela propaganda do entretenimento tecnológico, se encontram pouco preocupados com a cultura do saber e desenvolvimento das capacidades dos jovens".

Carlos Alberto Chagas, Secretário-geral da FENEI/SINDEP
DN

quinta-feira, outubro 09, 2008

Golden State - All Roads Lead Home

Muitas semelhanças com os U2.

A grande evasão

"Se não ficasse na história da educação em Portugal como autora do lamentável "pastiche" de Woody Allen "Para acabar de vez com o ensino", a actual ministra teria lugar garantido aí e no Guinness por ter causado a maior debandada de que há memória de professores das escolas portuguesas. Segundo o JN de ontem, centenas de professores estão a pedir todos os meses a passagem à reforma, mesmo com enormes penalizações salariais, e esse número tem vindo a mais que duplicar de ano para ano.
Os professores falam de "desmotivação", de "frustração", de "saturação", de "desconsideração cada vez maior relativamente à profissão", de "se sentirem a mais" em escolas de cujo léxico desapareceram, como do próprio Estatuto da Carreira Docente, palavras como ensinar e aprender. Algo, convenhamos, um pouco diferente da "escola de sucesso", do "passa agora de ano e paga depois", dos milagres estatísticos e dos passarinhos a chilrear sobre que discorrem a ministra e os secretários de Estado sr. Feliz e sr. Contente. Que futuro é possível esperar de uma escola (e de um país) onde os professores se sentem a mais?"

Manuel António Pina
JN

quarta-feira, outubro 08, 2008

Ante-projecto da Fenprof sobre a Avaliação do Desempenho Docente

O ante-projecto da Fenprof sobre a Avaliação do Desempenho Docente pode ser consultado aqui

Os mais invejados

Para quem quiser consultar a última lista de reformados do Ministério da Educação. Saiu hoje. Vejam aqui.

Professores reformam-se à média de 400 por mês

"Em 2008 já se reformaram quase quatro mil professores e educadores de infância. E, apesar de perderem regalias, cada vez mais optam pela reforma antecipada. Só no mês passado houve 510 docentes a reformar-se.
Das duas uma: os professores portugueses estão a ficar velhos ou cansados. O JN comparou as listas de aposentados da função pública e constatou que, de um ano para o outro, estão a reformar-se, todos os meses, duas vezes mais professores e educadores de infância.
Por exemplo, comparando o mês de Setembro deste ano com o do ano anterior verifica-se que o número de aposentados mais que duplicou: de 249 passou para 510. Esta é uma tendência que parece estar a ganhar forma porque o número de professores e educadores de infância que se reformaram este mês de Outubro (322) é bem maior do que os reformados no conjunto de Outubro e Novembro de 2007 (272).
Ao todo e ainda com dois meses para contabilizar, este ano já pediram a reforma 3821 professores e educadores de infância. Sendo que os meses com mais reformas concretizadas foram Setembro (510) e Agosto (485) e o com menos foi o mês deMaio (126).
Como parece pouco crível que de um ano para o outro a população docente tenha envelhecido brutalmente e atendendo a que muitos pedem a reforma antecipadamente, sujeitando-se às respectivas penalizações (ver caixa), a resposta mais provável é que eles andam mesmo cansados e fartos. De quê, só os próprios poderão responder.
"Os professores estão saturados e desmotivados e, por mais que tentemos que não saiam prejudicados querem a reforma de qualquer maneira e com qualquer idade", diz Teresa Maia Mendes, do Sindicato de Professores do Norte. Esta docente auxilia os professores a calcularem quais os termos em que se poderão reformar e, por isso, conhece bem os motivos. Na sua opinião, "muitos professores, especialmente os que estão em topo de carreira, não estão a conseguir aguentar o ritmo da escola e dizem que mais vale sair com qualquer coisa porque, com o desgaste que estão a ter, vão acabar é no cemitério antes da idade da reforma".
A professora tem visto no Diário da República vários professores com pensões baixas o que significa que "muitos não estão a aguentar ir até ao fim". E comprova isso todos os dias pessoalmente. "Temos muitos pedidos de ajuda para a reforma antecipada e, mesmo avisando que vão ter uma quebra enorme com a aposentação, eles dizem que o clima nas escolas está impraticável e que não há maneira de dar a volta. Por isso, raramente mudam de opinião e fogem em frente", explicou ao JN".

Tiago Rodrigues Alves
JN

20 deputados chegavam

"(...) A bancada parlamentar do Partido Socialista, que tanto se orgulha da sua liberdade, é assim como uma claque de futebol: o chefe manda bater palmas, eles batem palmas; o chefe manda sentar, eles sentam-se; o chefe manda levantar a mão, eles levantam a mão. Sinto até um certo embaraço por um dia ter pensado que cada deputado tinha o seu próprio cérebro e que era com ele que votava na Assembleia de República. Graças ao badalado projecto de lei do Bloco de Esquerda, o grupo parlamentar do PS teve a amabilidade de me mostrar o quanto eu estava enganado.Por isso, pedia humildemente aos especialistas em ciência política que tivessem a caridade de esclarecer esta alma baralhada: para que raio serve, afinal, a disciplina de voto? Porque é que devemos permitir que os deputados que nós elegemos e cujos salários nós todos pagamos votem como se a única coisa que os distinguisse de um rebanho fosse a gravata? Para que é que existem 230 deputados na Assembleia da República se no momento mais nobre da sua actividade - a votação das propostas - eles não estão autorizados a decidir segundo a sua consciência? É que se cada deputado está impossibilitado de se exprimir individualmente, uns 20 tipos chegavam e sobravam para distribuir proporcionalmente os votos do País. Se a disciplina de voto é a regra, então há pelo menos 210 cabeças a mais em São Bento. (...)"

João Miguel Tavares
DN

sábado, outubro 04, 2008

A domesticação da sociedade


Revista Visão

O factor humano

"Não há ensino de qualidade, não há verdadeira Escola se os professores não contarem ou contarem pouco”.
Nos inúmeros périplos que o Governo tem efectuado pelo País a distribuir computadores, cheques e, principalmente, auto-elogios, os professores têm sido esquecidos como se na Escola fossem quem menos conta!
O ataque aos professores começou por ter expressão no plano social, tendo essa primeira fase pretendido preparar o terreno para as medidas que se seguiriam e que, sabiam os governantes, seriam fortemente contestadas.
Sobre os docentes abateram-se todas as medidas que se aplicaram à Administração Pública e, no caso do ensino particular e cooperativo, as decorrentes do código de trabalho… a que se juntaram mais algumas. Foi o novo estatuto da carreira docente que introduziu focos de grave instabilidade na profissão, com o seu absurdo e muito penalizador modelo de avaliação, a divisão da carreira em duas categorias ou a criação de uma prova de ingresso que visa empurrar milhares de jovens para fora da profissão; foram os horários de trabalho, muitas vezes ilegais, que impõem horas de actividade burocrática que seriam preciosas para o trabalho individual e vieram desorganizar, completamente, a própria vida profissional, pessoal e familiar dos professores; foi a nova gestão escolar, assente no pressuposto da desconfiança sobre os docentes e na necessidade de estender, para dentro das escolas, os tentáculos da tutela; foi a supressão dos apoios a milhares de alunos com necessidades educativas especiais, tornando mais difícil o trabalho na sala de aula.
É verdade que há escolas com quadros interactivos, com mais computadores nas salas e alguns edifícios foram recuperados… mas não foi dada a devida importância ao mais importante dos factores: o factor humano e, em especial, os profissionais docentes.
Como a UNESCO e a Internacional de Educação lembram no Dia Mundial dos Professores que amanhã se celebra, "os Professores contam!" Só que no nosso país, para o nosso Governo, estes têm contado pouco, o que é grave.
Não há ensino de qualidade, não há verdadeira Escola se os Professores não contarem ou contarem pouco, como tem acontecido, sendo natural que, quando assim é, as políticas educativas fracassem.
Seria perda de tempo esperar que para os actuais governantes os Professores passassem a contar; essa é razão suficientemente forte para que sejamos nós, Professores, com a nossa luta, a fazê-los compreender quanto contamos!"

Mário Nogueira, secretário geral da Fenprof
Correio da Manhã

sexta-feira, outubro 03, 2008

Antes "Henrique" que "Magalhães"

"Numa iniciativa que se saldou num enorme sucesso, o Grupo de Mulheres do PSD de Vila do Conde organizou, na passada semana, um «Fórum Educação». Quem esteve presente ouviu coisas de estarrecer, algumas que bastaria o recurso ao senso comum para serem corrigidas. A contestação à política educacional governativa é tão vasta e uniforme que, a crer na sua integridade de opiniões, não deve haver um único professor a votar no PS nas próximas legislativas. É a Lei da Avaliação, a da Autonomia das Escolas, são as medidas avulso que nada resolvem, pela simples razão que não há estratégia, mas apenas uma escolha casuística de acções.
Veja-se, por exemplo, o caso do computador Magalhães. Passando ao lado de que aquele produto já tem dois anos no mercado, não tenho o mínimo problema em aplaudir esta iniciativa. È fantástica a ideia de que cada aluno, na sala de aulas, possua um computador. Acontece que este equipamento, por si, não tem valor didático. Porque um computador é apenas uma ferramenta de trabalho, um auxiliar electrónico na acção educativa. Não é por existir um computador para cada aluno que os níveis de literacia e de sucesso escolar irão aumentar.
Por isso, talvez tivesse sido boa ideia abordar a questão de outra forma, começando pela formação dos alunos e dos professores. Poderia chamar-se «Henrique» a este projecto. Porquê? Porque evocaria o Infante D. Henrique que, antes de se lembrar de andar pelo país a distribuir naus e caravelas, criou uma escola, a «Escola de Sagres», dedicada ao estudo e planeamento das viagens marítimas. Ou seja, primeiro pensou e depois é que executou, num plano com princípio, meio e fim.
É isso que falta à actual política educativa: estratégia e planeamento. As medidas são debitadas arbitrariamente, os objectivos são apresentados e alterados aleatoriamente e nem sequer se escuta o que os visados têm para dizer. Com estes ingredientes, é óbvio que o apanágio governamental de uma política de educação com qualidade não encontra eco na realidade, já que alunos, pais e professores só conseguem ver uma acção errante, sem bússola, nem Norte".

Pedro Brás Marques

Vereador na CM de Vila do Conde

http://debateeducacao.blogs.sapo.pt/9433.html#cutid1

Professora com mestrado e doutoramento não é titular

"É o que sucede com Virgínia, que aos 50 anos já foi presidente do Conselho Executivo de uma escola do Algarve durante doze e tem mestrado e doutoramento na área da biologia e geologia. Ainda assim, arrisca-se a ser avaliada por professores apenas licenciados. «Sou das mais qualificadas e, ainda assim, acabo por ser a única não titular da Escola Secundária Dr. Mário Sacramento, em Aveiro», contou.
Este afastamento surge, por si, só como uma nítida violação do pressuposto principal de candidatura ao cargo de professor titular, explicado pelo ME: «É necessário ter 18 anos de tempo de serviço, podendo este período ser reduzido através da aquisição dos graus de mestre ou doutor e da obtenção de avaliações de Excelente ou Muito Bom».
Procurando justificações para o sucedido, Virgínia soube que a Comissão de Certificação da sua escola «entendeu que o doutoramento não estava de acordo com o decreto lei que regulamenta o concurso a professor titular». Incrédula, reclamou para o Ministério e até avançou para os tribunais, mas o problema continua por resolver. Não obteve qualquer resposta e os prazos foram ultrapassados".

Portugal Diário

quinta-feira, outubro 02, 2008

Professores do distrito de Leiria contra o actual código do trabalho

Categoria há só uma: professor e mais nenhuma" ou "Avaliação, sim, mas esta não" foram algumas das palavras de ordem gritadas, ontem, pelos professores do distrito de Leiria que se manifestaram em algumas artérias da cidade, na direcção do Governo Civil. Aí, foi entregue uma moção, aprovada durante o plenário para professores e educadores, organizado pelo Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC), que teve lugar no auditório da Escola Superior de Educação. O plenário ficou marcado pela discussão das leis que "maltratam os direitos laborais".Da ordem de trabalhos do SPRC constava a discussão sobre o actual Código do Trabalho e as repercussões que tem para a docência. Os professores, que compareceram de vários pontos do distrito, apresentaram as suas preocupações, e exemplificaram com casos reais o que dizem viver nas escolas e agrupamentos a que pertencem. Durante a sessão foram apresentadas questões sobre o actual estatuto da carreira de professor, avaliação de desempenho, regime de educação especial e actividades extra-curriculares. Os dirigentes sindicais presentes consideram que muitas das medidas tomadas "tiram qualidade ao serviço que prestamos e ao ensino público", e deram exemplos de professores que estão "mais tempo a preencher papéis" do que a leccionar. "Os horários são completamente subvertidos", afirmaram os dirigentes. No final do plenário, ficou patente um apelo à sindicalização dos professores. O Sindicato balizou uma meta de 10 mil sócios activos, para que os direitos sindicais não se percam. Depois de aprovada a moção onde se lê que os professores e educadores "rejeitam a política anti-social do Governo" e que prometem continuar "em luta em defesa dos seus direitos e por uma escola democrática", seguiram em manifestação até ao Governo Civil. "Parece que andam a gozar com a profissão", foi um dos desabafos mais ouvidos.

Diário de Leiria

quarta-feira, outubro 01, 2008

Jersey Girl - Bruce Springsteen

Um cover espectacular. Tom Waits sai prestigiado.