sexta-feira, abril 22, 2011

Profissão desgastante a nível psicológico

"João Grancho, Presidente da Associação Nacional de Professores, sobre estudo que aponta stress entre classe docente

Correio da Manhã – Um estudo de Maria Alexandre Costa, do Instituto Superior de Engenharia do Porto, conclui que os professores não conseguem desligar-se do trabalho e recarregar baterias nos tempos livres, funcionando como "baterias viciadas".

– A ciência vem demonstrando que há elevados níveis de stress na profissão docente, uma das mais desgastantes a nível psicológico. Mas a percepção social é a oposta, como se fosse uma profissão com muitas férias e pouco exigente.

– Como explica essa diferença?

– Decorre do desconhecimento em relação às dificuldades dos professores. A heterogeneidade dos alunos, a indisciplina, a falta de empenho. Há professores que fazem centenas de quilómetros para dar aulas e ficam esgotados. E quando vão para casa transportam a profissão consigo.

– Defende que devia ser uma profissão de desgaste rápido?

– Apesar de oficialmente a carreira docente ser especial dentro da Função Pública, na prática tem um tratamento idêntico. E as pressões exercidas nos últimos seis anos a nível social e governativo criaram mais dificuldades. As expectativas em torno da profissão são muito elevadas.

– Como superar o problema?

– Reduzindo as turmas para um limite de 20 alunos; dando espaço e tempo para os docentes prepararem aulas na escola; dotando as escolas com psicólogos; dando estabilidade aos docentes, pois muitos não sabem se terão emprego no ano seguinte. Os docentes precisam de sentir confiança de quem governa e da sociedade.

– Com a crise actual não deverá ser fácil as coisas melhorarem?

– Sim, apesar de haver muito por onde cortar, para poder aplicar no essencial. Não faz sentido requalificações de escolas megalómanas. Há que investir mais nas pessoas e menos no cimento, reduzir os pequenos poderes intermédios e dar autonomia às escolas".

CM




quinta-feira, abril 21, 2011

Estes portugueses são loucos

A um mês e meio das legislativas antecipadas, os socialistas então à frente dos sociais-democratas nas intenções de voto, segundo uma sondagem da Marktest, embora a diferença de apenas 1 ponto percentual deixe os dois partidos em empate técnico.

segunda-feira, abril 18, 2011

Vídeo: José Sócrates estará maluco?

"Entender as atitudes, tomadas de posição, devaneios e mudanças de orientação, mentiras e omissões descaradas, cinismos e hipocrisias deste Primeiro-Ministro é coisa que já não tento fazer. Estou farto dele. Completamente exaurido por esta figura detestável. O que num dia garante "jamais" fazer, no dia a seguir e depois do supremo e verdadeiro governante máximo do país (o Dr. Ricardo Salgado) lhe dar as devidas orientações, aparece a falar com ar combalido, voltando atrás e esquecendo tudo o que disse, e pedinchando. E faz tudo isto com a mesma cara. Com a mesma convicção. Varia entre o optimismo exacerbado e o sofrimento atroz. Um caso que provavelmente a ciência política estudará um dia como o mais grave caso de bipolaridade alguma vez registado num líder.

Se o FMI já está devidamente instalado num hotel da capital vai este senhor candidatar-se a Primeiro-Ministro depois de ter dito "não estar disponível para o fazer". Como é que vai descalçar a bota? Governa às terças, quintas e sábados e o FMI trata do resto dos dias da semana?

Existirá algum português que continue a acreditar nesta pessoa? Alguém com dois dedos de testa, perdão, com apenas um dedo e sem testa, cego, surdo, mudo ou mesmo falecido ainda consegue acredita nesta fantochada, numaa campanha permanente, neste departamento de Marketing transformada em partido político? Nesta feira de vaidades provinciana e de uma obediência patética a um líder? Continuamos a ser os parolos da Europa. Motivo de chacota de todos.

PS: Eu estou-me a borrifar para o PSD, para o PP ou para qualquer outro partido começado por P, B, E ou Z. Agora não gosto é de ter um Primeiro-Ministro que me faça de parvo. E há seis anos e meio sou obrigado a aturá-lo, e nunca por minha escolha. Não dá para suspender a democracia durante seis meses como disse Manuela Ferreira Leite?

Fica o vídeo de mais um exemplo de coerência, e aparentemente já ninguém liga, é quase normal:



Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

sábado, abril 16, 2011

Crónica de Santana Castilho

"1. O laudatório congresso do PS definiu a identidade actual do partido: é uma confraria que não renega o Querido Líder (expressão feliz de um congressista, de inspiração norte-coreana, para designar Sócrates), mesmo que ele conclua a destruição do país, que iniciou há seis anos. Invoco a carta aberta que nesta coluna dirigi a Sócrates, em 6 de Junho de 2005, quando a maioria o venerava e eu previ o que nos esperava, para não me surpreender o que lhe ouvi no congresso e nas massivas e insuportáveis intervenções públicas dos últimos dias. Sócrates é um simples manipulador de responsabilidades e um vulgar trasfego de culpas. A autocrítica não se vislumbra nele. A impunidade que caracteriza a sua actividade política tornou-o cada vez mais arrogante e contumaz na prática de erros. O que nos conduziu ao desastre em que estamos mergulhados foram as políticas desastrosas dos dois governos que chefiou. Foi isso que o deixou sem saída. Para não perder a face, manipulador como é, escondeu-se atrás do PEC IV, que urdiu e negociou com os de fora, traindo os de dentro, sabendo, medindo e desejando as consequências.

Os velhos socialistas, do tempo de Soares, desprezavam a tecnocracia e privilegiavam a política. Em nome da política, meteram o socialismo na gaveta, numa atitude do mais louvável bom senso. Perdeu o socialismo, mas ganhou o país. Os novos “socialistas”, do tempo de Sócrates, descobriram na tecnocracia inferior o instrumento mágico para lhes dar uma imagem de modernidade, que o vazio da sua preparação e a vacuidade das suas ideias jamais poderiam gerar. Deram-lhe estatuto de política e promoveram activamente interesses particulares, em detrimento do interesse público. Que parvos que nós fomos!

2. Que parvos que nós poderemos continuar a ser! As sondagens, valendo o que nem sempre valem, surpreendem-me. Mais de 30 por cento para a mentira e para a luxúria socialista?

A austeridade será um colete-de-forças para a maioria dos portugueses e para o próximo Governo. Dela ficarão excluídas (e a rir-se de nós) as clientelas já servidas do regabofe socialista. Sendo inevitável, não são inevitáveis algumas soluções para lhe responder. Os senhores que já chegaram a Lisboa não são uma irmandade altruísta, que nos vem salvar. São banqueiros e bancários, que vêm fazer negócio. Vêm contratar um empréstimo no quadro de duas organizações a que pertencemos e para cujo sustento também contribuímos, é bom lembrar. É confrangedor ver economistas e cronistas, mais papistas que o Papa, a darem como consumados mais cortes de salários, corte do subsídio de férias e de Natal, cortes de pensões, numa palavra, corte da goela dos que nada podem. Não se importam de virar a atenção para os gargalos anafados? O que está em causa é desenhar um plano de pagamento de 80 mil milhões de resgate. O emagrecimento do Estado, que os socialistas incharam, e a renegociação das condições leoninas das múltiplas parcerias público-privadas, que esbulharão a Nação durante os próximos 40 anos, são boas hipóteses a considerar.

É neste quadro que a próxima campanha eleitoral é muito importante. O país precisa de renascer. Compreendo que a economia e as finanças dominem o debate político. Mas é imperioso que nos envolvamos na discussão sobre o que queremos fazer com a Justiça, com a Saúde e com a Educação.

Considero essencial promover consensos sobre os grandes problemas de organização da Nação e do Estado. A minha visão sobre essa organização assenta na aceitação de que a democracia supõe a existência de serviços públicos fundadores da sua própria essência. E destes, dois não me suscitam qualquer dúvida: a Saúde e a Educação. Assim pensando, não me furtarei à discussão, útil e necessária, sobre os respectivos modelos de financiamento. Mas combaterei com a arma que tenho, a palavra, os que visarem destruir a Escola Pública e o Sistema Nacional de Saúde.

Ao Estado o que deve ser estrategicamente do Estado. Ao privado tudo o mais em que o Estado não deve interferir, a não ser para regular, defendendo a qualidade, impondo a ética e preservando o cidadão e o património colectivo da ganância do lucro desmedido. Choca-me que a mesma doença mereça tratamento diferente, consoante o dinheiro que o doente possua. Choca-me que idênticas inteligências e iguais qualidades de trabalho e aplicação ao estudo conduzam a resultados diferentes, em função de condições económicas diferentes.

3. Cavaco Silva pediu ao Tribunal Constitucional que se pronunciasse sobre a decisão maioritária da Assembleia da República, que suspendeu a avaliação do desempenho dos professores. Como referi no meu último artigo, o diploma parlamentar podia suscitar a questão da inconstitucionalidade. Por isso, não surpreende a decisão presidencial. Mas a incoerência do presidente, para não lhe chamar parcialidade (Cavaco Silva apoiou sempre Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues nas políticas persecutórias dos professores) não pode passar em claro. Com efeito, com maior razão formal do que a que ora usou, Cavaco Silva não deveria ter deixado passar sem fiscalização os normativos que salvaram as trapalhadas dos exames do 12º ano, no primeiro Governo de Sócrates, deveria ter enviado ao TC o diploma da gestão das escolas, que cilindrou a Lei de Bases do Sistema Educativo, e deveria ter perguntado aos meritíssimos juízes o que é que eles pensam dos cortes salariais dos funcionários públicos. Ou da anormal normalização da retroactividade das leis.

A bem da República. E da Nação".

quinta-feira, abril 14, 2011

Livro de estilo do jornalismo português: "sim, o Sócrates é mau, mas a direita é uma filha da puta"

"Factos relacionados com o governo dos últimos dias:

- Jornalista saneada na Lusa.

- TGV parado (o convento de Mafra de Sócrates vai parar)

- O ministro das obras públicas disse que o Aeroporto é para continuar.

- O ministro das finanças disse que só há dinheiro até junho (mas não estava tudo bem?)

- O ministro das finanças disse, numa entrevista, que Portugal tem vivido acima das suas possibilidades (uau, acordou agora?)

- Não há dinheiro para pagar salários nas forças armadas e polícia.

- O MAI está a cometer ilegalidades ao nível dos impostos.

E há mais.

Mas quais são os assuntos que causam buzz na comunicação social?

- A escolha de um deputado por parte do PSD (expliquem-me, como se eu fosse muito burro, como é que a escolha de um possível deputado é mais importante do que tudo aquilo que está aqui por cima?).

- As negas dos Capuchos a Passos.

- As perguntas óbvias e legítimas de Passos sobre as contas públicas (uau, perguntar sobre a ruína das contas públicas é mais grave do que o próprio descalabro das contas públicas. Genial, ah?!)

- As declarações de Santana Lopes.

Expliquem-me isto, mas como se eu fosse muito burro".

quarta-feira, abril 13, 2011

O agente duplo

"Tenho, cá para mim, uma teoria que tem vindo a tornar-se crescentemente "sustentável" (finalmente consegui escrever a palavra "sustentável"; tantas vezes deglutida por aí, com óbvios sinais de prazer, julguei que tivesse um sabor especial; não sabe a nada).
Onde é que eu ia? Ah, a tal teoria. É ela que o juvenil Pedro Passos Coelho, putativo futuro ex-primeiro ministro, é um infiltrado do PS.
A coisa (a teoria) começou a ganhar corpo durante as campanhas contra os contribuintes conhecidas por PEC 1, PEC 2 e PEC 3, e pelos subsequentes pedidos de desculpas do jovem líder aos portugueses por se ter alistado (forçado por quem?) nas expedições punitivas do PS contra funcionários públicos, pensionistas, desempregados & afins.
Depois, sempre que as sondagens pareciam dar ao PSD vantagem sobre o PS, Passos Coelho vinha a público estragar tudo: foi o anúncio de que o PSD acabaria com a proibição de despedimentos sem justa causa, com a escola pública, com o SNS; de que o PSD aumentaria o IVA; de que o PEC 4 não foi, afinal, "suficientemente longe"... Agora, coincidindo com nova sondagem, revelou à TVI que, contrariamente ao que dissera para justificar o voto do PSD contra o PEC 4, teve conhecimento prévio do documento e até o debateu pessoalmente com o primeiro-ministro em S. Bento.
Se Passos Coelho não for o director-sombra de campanha do PS para as próximas eleições é, pelo menos, um agente duplo".

Manuel António Pina



sexta-feira, abril 08, 2011

Mário Nogueira, Secretário-geral da Fenprof fala sobre envio para o Constitucional da revogação da avaliação dos docentes.

"Correio da Manhã –Ficou surpreendido com a decisão do Presidente da República de enviar para o Tribunal Constitucional a revogação do modelo de avaliação dos professores?

Mário Nogueira – A surpresa surge por o Presidente da República ter conhecimento de que os partidos que votaram favoravelmente a lei possuem na Assembleia da República gabinetes com juristas que naturalmente estudaram a constitucionalidade das alterações para que a lei fosse modificada.

– O Presidente da República foi coerente com a sua decisão anterior de ser favorável ao modelo de avaliação...

– Coerente, mas ao mesmo tempo também incoerente.

– Quer explicar?

– A decisão é um acto de coerência porque o senhor Presidente da República desde sempre esteve colado aos piores momentos da dr.ª Lurdes Rodrigues [anterior ministra da Educação] e do Governo de José Sócrates, nomeadamente nos tempos da avaliação de desempenhos, mostrando simpatia com o modelo. Mas o Presidente é também incoerente, porque raramente tem dúvidas sobre a inconstitucionalidade das leis. Recordo, por exemplo, que estava tudo bem quando o Governo decidiu pela redução dos salários ou o congelamento das carreiras sem haver negociação.

– Como interpreta o Presidente da República ter pedido a fiscalização preventiva da constitucionalidade das normas dos artigos 1.º, 2.º, 3.º e 4.º do Decreto?

– Com tantas dúvidas sobre a constitucionalidade de todas as normas dos artigos, parece-me que o senhor Presidente procura uma qualquer vírgula fora do sítio.

– Com esta decisão, em que vai mudar o futuro dos professores?

– Penso que a decisão não altera em nada o fim do modelo de avaliação. Parece-me uma aventura próxima de ficar encerrada quando a lei entrar em vigor".

quarta-feira, abril 06, 2011

A culpa

"A culpa de não haver PEC 4 é do PSD e do CDS. A culpa de haver portagens nas Scuts é do PSD que viabilizou o PEC 3. A culpa do PEC 3 é do PEC 2. Que, por sua vez, tem culpa do PEC 1.

Chegados a este, a culpa é da situação internacional. E da Grécia e da Irlanda. E antes destas culpas todas, a culpa continua a ser dos Governos PSD/CDS. Aliás, nos últimos 16 anos, a culpa é apenas dos 3 anos de governação não socialista.

A culpa é do Presidente da República. A culpa é da Chanceler. A culpa é de Trichet. A culpa é da Madeira. A culpa é do FMI. A culpa é do euro.

A culpa é dos mercados. Excepto do "mercado" Magalhães. A culpa é do ‘rating'. A culpa é dos especuladores que nos emprestam dinheiro. A culpa até chegou a ser das receitas extraordinárias. À falta de outra culpa, a culpa é de os Orçamentos e PEC serem obrigatórios.

A culpa é da agricultura. A culpa é do nemátodo do pinho. A culpa é dos professores. A culpa é dos pais. A culpa é dos exames. A culpa é dos submarinos. A culpa é do TGV espanhol. A culpa é da conjuntura. A culpa é da estrutura

A culpa é do computador que entupiu. A culpa é da ‘pen'. A culpa é do funcionário do Powerpoint. A culpa é do Director-Geral. A culpa é da errata, porque nunca há errata na culpa. A culpa é das estatísticas. Umas vezes, a culpa é do INE, outras do Eurostat, outras ainda do FMI. A culpa é de uma qualquer independente universidade. E, agora em versão pós Constâncio, a culpa também já é do Banco de Portugal. A culpa é dos jornalistas que fazem perguntas. A culpa é dos deputados que questionam. A culpa é das Comissões parlamentares que investigam. A culpa é dos que estudam os assuntos.

A culpa é do excesso de pensionistas. A culpa é dos desempregados. A culpa é dos doentes. A culpa é dos contribuintes. A culpa é dos pobres.

A culpa é das empresas, excepto as ungidas pelo regime. A culpa é da meteorologia. A culpa é do petróleo que sobe. A culpa é do petróleo que desce.

A culpa é da insensibilidade. Dos outros. A culpa é da arrogância. Dos outros. A culpa é da incompreensão. Dos outros. A culpa é da vertigem do poder. Dos outros. A culpa é da demagogia. Dos outros. A culpa é do pessimismo. Dos outros.

A culpa é do passado. A culpa é do futuro. A culpa é da verdade. A culpa é da realidade. A culpa é das notícias. A culpa é da esquerda. A culpa é da direita. A culpa é da rua. A culpa é do complexo de culpa. A culpa é da ética.

Há sempre "novas oportunidades" para as culpas (dos outros). Imagine-se, até que, há tempos, o atraso para assistir a uma ópera, foi culpa do PM de Cabo-Verde.

No fim, a culpa é dos eleitores, que não deram a maioria absoluta ao imaculado. A culpa é da democracia. A culpa é de Portugal. De todos. Só ele (e seus pajens) não têm culpa. Povo ingrato! Basta! Na passada quarta feira, a culpa...já foi.

Bagão Félix

Crónica de Santana Castilho

sábado, abril 02, 2011

Simplesmente fabuloso

Mais um a seguir o exemplo do chefe

"Leio nos jornais que Marcos Batista, administrador dos CTT nomeado pelo Governo, pediu suspensão do cargo devido a suspeitas de falsificação do currículo.

A questão é simples: será Marcos Batista licenciado em Economia? A dúvida não devia consumir o homem, que nestas matérias tem exemplos superiores para poder assobiar e seguir em frente. Mas Batista é uma alma honesta e, em carta aos trabalhadores, jura que é diplomado. Ou, pelo menos, acredita que sim. Primeiro, porque andou 8 anos (por extenso: oito) na universidade. E, depois, porque concluiu com aproveitamento "um número elevado de cadeiras" (sic), um argumento que devia encerrar o assunto. Eu, por mim, declaro-o encerrado. E mesmo na eventualidade do nosso doutor não ter concluído formalmente o curso, nem isso devia impedir a respectiva instituição de defender o seu aluno. Quem anda oito anos na universidade para fazer "um número elevado de cadeiras" merece reconhecimento público pela persistência. E, já agora, um diploma por caridade".

João Pereira Coutinho
CM

quarta-feira, março 30, 2011

Socrates School of Economics

"Vieira da Silva, Sócrates e o meio "jornalismo" português criaram uma nova escola de pensamento económico, a saber: a Socrates School of Economics (a malta, lá fora, tira o acento ao nosso primeiro). Esta escola decreta que um país pode entrar em bancarrota total em apenas duas semanas e apenas por causa de uma acção parlamentar. Esqueçam os anos de má governação, esqueçam os anos de más escolhas de política económica, esqueçam os anos de incompetência dos ministérios das finanças. Nada disso é verdade. A bancarrota surge porque uma borboleta, a oposição, bate as asas. A bancarrota surge por artes mágicas, porque existem umas pessoas más (a oposição) que não seguem as pessoas boas (o governo). Ou seja, a bancarrota é uma espécie de acto de vontade (da pérfida vontade da oposição que está aliada com o Sauron do guito, o FMI), e não uma consequência das políticas concretas que se tomaram ao longo de anos. Não é genial?"

Henrique Raposo

Aleluia

"Ninguém se lembra de ter visto, nos últimos anos, algumas figuras gradas de extracção socialista a chamarem a atenção do Governo de José Sócrates para as barbaridades que estavam a arrastar Portugal para o abismo e para a irresponsabilidade da governação. Deviam tê-lo feito pelo menos dia sim, dia não, mas não o fizeram.
O país ia-se arruinando, os portugueses iam resvalando para o beco sem saída em que se encontram hoje, o Governo ia garantindo exactamente o contrário daquilo que se estava a passar e dando provas de uma incompetência e de uma desfaçatez absolutamente clamorosas, mas esses vultos tão veneráveis abstinham-se de fazer a crónica dessa morte anunciada, não se mostravam grandemente impressionados com ela e sobretudo não sentiam o imperativo patriótico de porem cá para fora, preto no branco, numa guinada veemente e irrespondível, o que bem lhes podia ter ido na alma e pelos vistos não ia assim tanto.
Devo dizer que não fiquei nada impressionado com os apelos recentes e vibrantes de algumas dessas egrégias personagens, em favor da manutenção do satu quo ante em nome do mesmo interesse nacional que as terá remetido ao mutismo mais prudente sempre que a governação socialista dava mais um passo em frente para estatelar Portugal.
Sou levado a concluir que foram sensíveis, não ao descalabro a que a governação socialista acabou por conduzir o país, mas ao desmoronamento do PS enquanto partido de governo. Não lhes faz impressão nenhuma que Portugal esteja na merda por causa dos socialistas. O que os impressiona deveras é que o PS se arrisque a ficar na merda por causa de tudo o que fez. E então, então sim, apressam-se a invocar alvoroçadamente o interesse nacional, secundados por todo o bicho careta lá do clube que se sinta vocacionado para dar o dito por não dito e o mal feito por não feito e também, está claro, para fazer sistematicamente dos outros parvos.
Tal apelo surge todavia no ensejo menos adequado. Hoje, só faz sentido invocar o interesse nacional para esperar que o PS seja varrido impiedosamente de qualquer lugar de preponderância política e que a ignomínia da governação socialista fique bem à vista para a conveniente edificação das almas".

Vasco Graça Moura
DN





terça-feira, março 29, 2011

Carta aberta à ministra da Educação

"Foi com alguma incredulidade que lemos as suas declarações à imprensa, depois de a Assembleia da República ter aprovado a revogação do actual modelo da avaliação dos professores e aberto o caminho para o estabelecimento de um sistema de avaliação credível, justo e eficaz
Classificar como precipitada a decisão do parlamento revela grande insensibilidade face às preocupações manifestadas pela grande maioria da classe docente. Os deputados foram tudo menos precipitados. Até se poderia dizer que demoraram algum tempo a reagir às tomadas de posição aprovadas em centenas de escolas de norte a sul, aos muitos milhares de professores que subscreveram petições e abaixo-assinados, às posições dos directores escolares, dos sindicatos, dos movimentos e dos blogues de professores, às concentrações e manifestações de docentes, etc., etc.
Os deputados interpretaram correctamente o sentir de quem nas escolas, em condições tantas vezes adversas, diariamente dá o litro para formar os novos cidadãos. É justo dizer que a decisão que a Assembleia da República tomou no passado dia 25 honra todos aqueles que a votaram favoravelmente. Foi um acto que só dignifica o trabalho parlamentar, porque demonstrou que os representantes da nação - quaisquer que tenham sido as suas anteriores posições nesta matéria - não são insensíveis aos argumentos dos cidadãos e, ainda a tempo, souberam tomar a decisão mais correcta e sensata, mesmo correndo o risco de ser alvo de ataques destemperados.
Ao invés, a senhora ministra - apesar de já ter sido professora e até dirigente sindical - não foi capaz de fazer a "avaliação" do seu modelo de avaliação. Mas tinha a obrigação de saber que o modelo agora revogado não contribuiu em nada para a melhoria da qualidade do trabalho dos professores e que só representava um encargo inútil, desviando os professores do trabalho com os alunos (o único que é produtivo), ao mesmo tempo que criava nas escolas um ambiente verdadeiramente irrespirável, tal era a conflitualidade que esta avaliação inter-pares gerava.
E, perdoe-nos, mas vir falar agora de questões de constitucionalidade, além de revelar mau perder, é acordar demasiado tarde para a defesa do primado da lei. Já foi amplamente demonstrado que o modelo agora revogado estava repleto de disposições que desrespeitavam os princípios da justiça, da imparcialidade e da transparência, legal e constitucionalmente consagrados. Apenas três exemplos, entre muitos possíveis: colocava na situação de avaliadores e de avaliados professores que pertencem à mesma escola e que são concorrentes aos mesmos escalões da carreira; punha o mesmo grupo de pessoas a decidir a classificação dos colegas, mas também a reclamação e o recurso dessa classificação; impedia que fossem tornadas públicas as classificações obtidas pelos professores da mesma escola.
E poderá a senhora ministra afirmar, com conhecimento de causa, que esta avaliação estava assente na "cultura que do esforço vem a qualidade"? Se cada escola dividiu a bel-prazer os seus professores em avaliadores e avaliados, dada a flexibilidade proporcionada pela legislação. Nuns casos, valorizou-se o posicionamento na carreira; noutros, os professores votaram para escolher os relatores; noutros ainda, foi a qualificação académica que prevaleceu; ainda noutros, apenas as simpatias e antipatias; finalmente, em muitas situações, uma salada russa de todos estes "critérios". Resultado: docentes de escalões elevados a ser avaliados por professores com posicionamento na carreira muito inferior, bacharéis a avaliar licenciados e mestres, coordenadores de disciplina a ser avaliados pelos seus coordenados e uma infinidade de outras situações não menos anómalas e nada dignas.
E que dizer da "qualidade" de um sistema de avaliação em que às aulas dos relatores assistiam coordenadores de departamento de disciplinas diferentes da sua? Um professor de Educação Física a avaliar uma aula de Geometria Descritiva? Um professor de Geografia a ser avaliado por um de Filosofia? Ou um de Biologia, por outro de Física ou Matemática?
E que quer a senhora ministra que pensemos da sua afirmação de que "este modelo da ADD se encontra devidamente fundamentado do ponto de vista técnico e científico", quando um Muito Bom ou Excelente - que permitia ao professor contemplado ultrapassar centenas de colegas nos concursos - era atribuído com base em apenas duas aulas assistidas, enquanto nos dois anos lectivos do ciclo de avaliação são dadas 400, 500 ou mais aulas de 90 minutos? Isto já sem falar nos critérios e nos instrumentos de avaliação utilizados, que se baseavam nuns "padrões de desempenho docente" que, além de carecerem em absoluto de objectividade e clareza, atribuíam mais importância ao relacionamento (impossível de medir) dos professores com os seus colegas e com a comunidade, do que ao seu trabalho efectivo com os alunos.
Permita-nos aqui apenas um aparte para o senhor primeiro-ministro, quando este pergunta aos partidos da oposição o que é que estes vão dizer aos professores que tiveram Muito Bom e Excelente (presume-se que no modelo da sua antecessora): para isso, era preciso que soubessem quem eles são, pois esse é o segredo mais bem guardado nas nossas escolas, vá-se lá saber porquê...
Todos estes factos são, aliás, do seu conhecimento, pois ao seu gabinete tem chegado um volumoso caudal de tomadas de posições, muitas delas igualmente publicitadas na imprensa e nos blogues, além de denúncias de atropelos dos direitos profissionais, perpetrados por conta da sua ADD. Porém, em momento algum a ouvimos comentar estas evidências, só tendo saído do silêncio a que se remeteu (quase já nos tínhamos esquecido de si) para proferir estas declarações infelizes.
Permita-nos, a terminar, que retomemos mais uma vez as suas recentes palavras. "Momento triste" não foi a decisão soberana da Assembleia da República no dia 25 de Março. Momento triste foi ver alguém, contra todos os factos e o sentir de uma classe que merecia melhor consideração, revelar na hora da partida tamanha cegueira, ao obstinadamente tentar defender o indefensável. Senhora ministra, de facto é "a História que julga os actos". Já parou para pensar no que a História dirá de si?"

Ana Paula Correia, Isilda Lopes,

José Ribeiro e Maria Manuela Ferraz,

professores da Escola Secundária c/ 3º ciclo de Henrique Medina, Esposende

segunda-feira, março 28, 2011

Cavaco Silva não vai intervir na avaliação dos professores

"Cavaco Silva prepara-se para promulgar a proposta da oposição que revoga o modelo de avaliação dos professores, sabe o i. O Presidente da República não irá atender ao pedido do governo e não irá enviar para o Tribunal Constitucional o diploma de revogação do modelo aprovado a semana passada pela Assembleia da República. Belém considera que o argumentário do Partido Socialista sobre a inconstitucionalidade da proposta da oposição não é juridicamente correcto.

Na sequência da aprovação na Assembleia da República do diploma que punha um ponto final ao polémico modelo de avaliação dos docentes, o ministro da Economia, Vieira da Silva, veio a público pedir a fiscalização da proposta por parte de Cavaco Silva. "Julgamos que é absolutamente imperioso solicitar ao senhor Presidente da República uma particular atenção para comportamentos deste tipo e em particular para este diploma", defendeu o governante, considerando que se trata de "um diploma de duvidosa constitucionalidade" e com "meros fins eleitoralistas".
Sem o apoio de Cavaco Silva, resta ao governo, através do grupo parlamentar, pedir uma fiscalização sucessiva da proposta aprovada pela oposição.

Apesar de o agendamento da discussão e da votação desta proposta ter sido marcado antes de materializado o cenário de eleições antecipadas, a oposição, e principalmente o PSD, não se livraram da acusação de eleitoralismo. "Uma interrupção feita por uma oposição que está à beira de dissolução do parlamento, num momento em que não há dúvida para ninguém que o que se pretende é destruir aquilo que se construiu, parece-me realmente muito difícil de aceitar", considerou em entrevista à RTP a ministra da Educação.

Na resposta, o deputado do PSD Pedro Duarte acusou os socialistas de não lidarem bem com a democracia: "A vontade política manifestada pelo parlamento foi absolutamente inequívoca. Nós, em democracia, não podemos querer impor as nossas posições contra as maiorias que se estabelecem."

O PS aproveitou a ida a Belém, na última sexta-feira, para pedir a Cavaco Silva que "esteja atento a alguns sinais preocupantes que têm surgido na sociedade portuguesa". "Ainda hoje, quando todos os partidos vieram cá pedir eleições antecipadas, os mesmos partidos decidiram, em coligação negativa, aprovar um diploma de constitucionalidade duvidosa, com fins meramente eleitoralistas e oportunistas, no sentido de pôr fim à avaliação dos professores", referiu Vieira da Silva.

O diploma de revogação do modelo de avaliação dos professores passou na última sexta-feira com os votos a favor de todas as bancadas, com excepção do PS e do deputado do PSD Pacheco Pereira. Tratou-se da segunda coligação negativa contra o executivo, em dois dias, depois do chumbo ao PEC IV.

Os sociais-democratas defendem que seja uma comissão independente a avaliar os professores, rejeitando que sejam os professores a avaliar-se entre si".

Jornal i

domingo, março 27, 2011

Super - Sócrates

"... a quem o País tanto deve.
Cada vez que o ouvimos falar, fica sempre a ideia de que está a resolver os problemas e que até encontrou solução para a crise.
Que grande herói!
Infelizmente, o que a realidade nos mostra é que de discurso em discurso, orçamento após orçamento, mês após mês, PEC após PEC, a situação se vai degradando, o cinto vai-se apertando e as contas vão piorando.
A diferença entre a ficção da narrativa de Sócrates e a mais pura aldrabice é cada vez mais ténue".

Vitor Reis
http://quartarepublica.blogspot.com/

O vilão

"O dia em que o Governo cessou funções "normais" serviu para os socialistas culparem o PSD pela crise financeira, pela crise económica, pela crise política, pela destruição do Estado "social", pela entrada do FMI e pela perda da soberania pátria. Não os ouvi culparem o PSD pela tuberculose infantil e pelos terramotos no Japão, mas é possível que o tenham feito. Sempre é uma variação da época em que a culpa ia direitinha para a Grécia, para as agências de rating ou para a Alemanha, consoante as enrascadas e a manha.

O estilo, porém, é o mesmo. E o estilo da tropa que hoje manda no PS consiste em elevar a mentira a um ponto que lhe retira qualquer ligação à realidade. O eng. Sócrates e seus discípulos acham-se impunes para dizer o que calha, incluindo acusar o adversário do desastre que eles próprios fabricaram. No fundo, é isto: a penúria que nos espera não se deve a quem a criou ao longo de seis anos, mas a quem impediu os respectivos criadores de prosseguirem o trabalho. Os pirómanos acham-se com a capacidade - e com o direito - de apagar o incêndio".
Num país normal, tamanhos delírios mereceriam a chacota popular e, nos casos rigorosos, a camisa-de-forças. Em Portugal, onde a toleima socialista dispõe sempre de novas oportunidades, merecem receio. As sondagens mostram que os delírios ainda encontram um público empenhado em engoli-los. E se a quantidade de crentes decresceu nos últimos tempos, convém não lançar foguetes: a campanha eleitoral, aliás iniciada antes da demissão do eng. Sócrates, está em curso, e promete uma sordidez inédita.

O eng. Sócrates já mostrou ser capaz de tudo para alimentar a "sofreguidão pelo poder" que imputa a outros. Nas circunstâncias vigentes, será capaz de tudo e de mais alguma coisa. A confirmarem-se as eleições, os próximos meses assistirão ao aumento exponencial das mentiras e das ameaças, além da encenação da conhecida rábula "O eng. Sócrates contra o Mundo". Numa terra com tradição avessa à liberdade, muitos tomam a prepotência por virtude. É por isso que o modo como o primeiro-ministro e o ministro das Finanças abandonaram a meio o debate parlamentar que ditaria a própria queda não assegura que a queda seja definitiva: infelizmente, o desrespeito dessa gente pela democracia não implica o desrespeito da democracia por essa gente".

Alberto Gonçalves
DN


sábado, março 26, 2011

Palavras sábias

“Não sei se Sócrates é fascista. Não me parece, mas, sinceramente, não sei. De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições. Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação. No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu Governo”.

António Barreto

Presidente do Conselho de Escolas contra revogação da ADD

"Foi mais um disparate que se fez", contrapõe Manuel Esperança, presidente do Conselho das Escolas, um organismo consultivo do Ministério da Educação que representa os directores. O actual ciclo avaliativo termina em Dezembro. Falando a título individual, aquele responsável acrescentou: "Estávamos a fazer o que a lei nos pedia. Sempre na esperança de, no final, podermos apontar quais as deficiências que detectámos, e também as suas causas. E isso só se consegue quando se trabalha um modelo e não quando se interrompe a meio. É o que tem acontecido sempre no nosso sistema educativo. Fazem-se reformas constantes, estas nunca são avaliadas e inicia-se tudo de novo".

quinta-feira, março 24, 2011

quarta-feira, março 23, 2011

Apesar das aparências, convém não embandeirar em arco

Sócrates caíu mas muita água ainda vai correr debaixo das pontes. Há por aí muito boa gente, na área da educação também, a deitar foguetes e a julgar que daqui para a frente tudo vai ser diferente para melhor. Não teria tanta certeza. Convém não desvalorizar Sócrates e a sua máquina propagandística. Esta gente tem dado mostras de ser um adversário muito difícil de abater e há que não esquecer que grande parte dos portugueses tem uma faceta masoquista que os leva a votar em quem os maltrata. Isto já para não falar dos muitos beneficiários da política governativa - todos sabemos quais são - e da influência que eles têm na formação da opinião dos portugueses.

segunda-feira, março 21, 2011

domingo, março 20, 2011

As vascas de uma morte anunciada - crónica de Santana Castilho

"1. O discurso da posse de Cavaco Silva foi uma censura fúnebre ao Governo. O empossado, até agora embuçado com a cooperação estratégica, disse, tarde, coisas que devia ter dito antes, quando os sobressaltos cívicos de muitos lhe pediam intervenção. Cavaco Silva passou a ter, ele próprio, um problema de sobrevivência às expectativas que criou. A salvação da sua magistratura activa passa agora pelo finar definitivo do Governo que feriu. E a verdade é que os acontecimentos favorecem o desígnio. As manifestações de 12 passado foram surpreendentes, enormes e evidenciaram um descontentamento que extravasa em muito os jovens e dão razão a Cavaco, quando diz que há limites para o que se pede aos cidadãos. A provocação desabrida de Sócrates ao apresentar em Bruxelas mais um pacote brutal de confisco dos recursos privados, derrogando o acordado com o PSD e desdizendo sem pudor o que há pouco havia garantido a todos nós, provocou a pronta reacção de Pedro Passos Coelho e faz prever inevitáveis eleições antecipadas. Há pois uma conjugação da ausência de esperança cívica com obstáculos políticos irremovíveis, sob pena do PSD e Passos Coelho perderem a face, o que seria suicida para as suas legítimas ambições. A corda ficou, de repente, de tal modo tensa, que não sobra alívio para qualquer entendimento. Do mesmo passo, dentro do próprio PS as clivagens são cada vez mais evidentes. Em artigo de opinião do Diário de Notícias de ontem, é significativo que Mário Soares diga que às crises financeira, económica, social e de valores se soma agora uma crise política ditada por “erros graves”, “esquecimentos imperdoáveis ou actos inúteis” do primeiro-ministro. Tem, naturalmente, razão. Congelar pensões miseráveis por dois anos, sem redução dos gastos da gula majestática do Estado, é intolerável. Fazê-lo sem explicação ao país, sem dar cavaco a Cavaco e ao parlamento é de uma arrogância própria dos pequenos ditadores. Quando o PEC cair na Assembleia da República, Cavaco deve dissolver o parlamento. Chega de jogos e de mecanismos dúbios.


2. A 8 de deste mês completaram-se três anos sobre a primeira esmagadora manifestação de professores. Os 100 mil de Março e os 120 mil de Novembro de 2008 reduziram-se aos poucos milhares de fiéis que foram ao Campo Pequeno. A putrefacção deste poder contaminou e tornou moribundo o sindicalismo que se curvou ao “memorando de entendimento” e ao “acordo”.


3. Cessou por ora a vigência do diploma que extinguia o par pedagógico em Educação Visual e Tecnológica e a Área de Projecto e introduzia alterações no Estudo Acompanhado. Isabel Alçada, actual assessora do ministro de Estado e das Finanças, disse, por uma vez, algo claro: que as alterações no ensino básico visavam poupar dinheiro. Mas a necessidade de racionalizar os gastos de um Estado à beira do colapso não pode ser feita de forma cega, como era o caso. Sobra a substância do problema. A Área de Projecto e o Estudo Acompanhado não foram eficazes. O tempo e os recursos que lhes estão alocados carecem de redistribuição adequada a melhores resultados. As economias possíveis devem incidir, prioritariamente, na reformulação das estruturas administrativas e burocráticas, em programas megalómanos e de retorno miserável (intervenções faraónicas na rede escolar, várias versões das novas oportunidades e brincadeiras tecnológicas, por exemplo) e não na redução drástica dos efectivos docentes, como se desenhava. Mas isso é, obviamente, missão do próximo Governo. Este está morto.


4. Alexandre Ventura, enquanto presidente do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, escreveu que o respectivo modelo introduziu alterações caóticas nas rotinas das escolas. Caos instalado, Alexandre Ventura, ainda secretário de Estado, diz que a coisa só sofrerá alterações em 2012. A coerência (ou a sua ausência) é motivo frequente de análise quando os políticos fazem declarações estranhas. Se por um lado só os burros não mudam de ideias, por outro é necessário que os que mudam assumam que mudaram e expliquem por que mudaram. E, depois, há um tempo que é vital. E um processo que é normal. Mas quando a mudança se faz só em função do lugar que se desempenha, torna-se mortal.


5. A directora-regional de Educação do Centro demitiu Ernesto Paiva. Ernesto Paiva coordenava a Equipa de Apoio às Escolas de Coimbra desde 1996 e mantinha a leccionação de uma turma, num total de uma hora e meia por semana, na sua escola de origem. A estupidez vigente submeteu a hora e meia de trabalho docente de Ernesto Paiva às mesmas 4 dimensões de actividade, 39 indicadores e 72 descritores, já de si incríveis, que se aplicam aos docentes a tempo inteiro. Ernesto Paiva, professor e cidadão, assinando por baixo, pediu reflexão para o disparate, como, aliás, lhe competia como técnico da direcção-regional. A directora-regional, obedecendo aos donos, confundiu lealdade com servilismo acéfalo, ameaçou primeiro e purgou depois. Já não haverá tempo para a recompensa!


6. Os maiores bancos portugueses, devidamente caucionados pelo Estado, porque não têm vocação para a filantropia, já emprestaram 150 milhões de euros a cerca de 13.000 estudantes do ensino superior. Visto o brilhante horizonte de empregabilidade dos jovens licenciados, é bom de ver que, acabado o velório, o Estado pagará boa parte da factura. A dar fé à tradição, é expectável que os créditos venham a ser executados por zelosos administradores, ex-ministros signatários das respectivas cartas de conforto".

Santana Castilho

sábado, março 19, 2011

Exames: Professores classificadores têm dispensa de 16 dias

"Os professores indicados para a correção dos exames nacionais vão usufruir de uma dispensa de 16 dias e a formação que realizarem é considerada na avaliação de desempenho, se concluída com aproveitamento, anunciou hoje o Governo.
«Para a classificação das provas, que em cada fase terá a duração máxima de dez dias, os professores usufruem de uma dispensa de 16 dias», afirma o Ministério da Educação (ME), em comunicado divulgado hoje.
Questionado pela agência Lusa, o ME esclareceu tratar-se da dispensa da «componente não letiva».

Diário Digital