segunda-feira, abril 23, 2012

A liberdade de escolha da escola dos filhos

"O Ministério da Educação despachou que, a partir do próximo ano lectivo, os pais terão "liberdade de escolha" (bonita expressão) da escola dos filhos, independentemente do seu lugar de residência. Só que não terão nada para escolher...
Com efeito, as vagas existentes nas escolas não são, descobriu com surpresa o Ministério, infinitamente elásticas e já hoje, nos centros urbanos, as mais procuradas não conseguem sequer satisfazer os pedidos de matrícula preenchendo as condições preferenciais previstas na lei, entre elas a da área de residência. Como tais condições se mantêm, bem poderão os pais "escolher" essas escolas para matricular os rebentos, que a sua "liberdade de escolha" se ficará por aí e não terá resultado prático algum.
O próprio Ministério teve que reconhecer, uma escassa semana depois de ter tão despachadamente despachado, que a medida "pode acabar por não ser tão eficaz quanto se desejaria em zonas de maior concentração populacional", isto é, nos centros urbanos. Restam as zonas rurais, de menor "concentração populacional". Mas aí haverá, quando muito, uma escola e a "liberdade de escolha" dos pais será a de... escolher essa escola, ou então as que eventualmente existam a dezenas e dezenas de quilómetros de distância, nos... centros urbanos de "maior concentração populacional".
Há, claro, uma solução (Nuno Crato já deve estar a fazer as contas): turmas, não com 30, mas com 3000 alunos".

Manuel António Pina
JN

sábado, abril 21, 2012

Expliquem-nos para nós percebermos

Custa a perceber como é que a sustentatibilidade da Segurança Social está em perigo quando 85% das reformas em Portugal não vão além dos 500 euros.

sexta-feira, abril 20, 2012

Afinal a austeridade está a levar o país à bancarrota e os cidadãos à miséria

Apesar de todos os sacrifícios que têm sido exigidos aos portugueses a receita fiscal cai mais do que o esperado e o déficite público aumenta. E esta gente que nos governa ainda nos quer fazer crer que este é o único caminho que nos pode tirar desta situação. Incrível!

quarta-feira, abril 18, 2012

A ver e ouvir com atenção

Vivam os exames!

"Um país que de há muito está "chumbado" em múltiplos aspectos, incluindo os atinentes à sua própria sobrevivência, se quiser mesmo sair desse catastrófico estado de coisas, não poderá deixar de aumentar a sua exigência em matéria de aproveita- mento escolar. Isto é, não pode deixar de encarar os exames e o rigor que lhes seja conexo como factores cada vez mais sérios do sistema e como condições indispensáveis da construção de um futuro decente.
O "eduquês" de serviço ao longo de décadas e de vários espaços ideológicos deu cabo da escola em Portugal. E agregaram-se-lhe a concepção da criança como bom selvagem que devia ser deixada tanto quanto possível nesse estado natural de brutidão, a impreparação de muitos professores, as teorias pedagógicas abstrusas e coladas com cuspo na cabeça de muitos outros, as catadupas de faltas ao serviço com atestado médico, as conspirações corporativas, o laxismo das famílias, a evaporação de um sentido mínimo dos valores e das responsabilidades, e tudo o mais que degenerou no presente estado de coisas. Se, em geral, o crédito bancário era fácil, o consumismo desenfreado, a permissividade total, e ninguém perdia tempo a pensar no dia seguinte, porque é que a escola havia de se comportar diferentemente e de abandonar a lei do menor esforço?
O eufemismo dominante chama agora "retenções" àquilo a que antigamente se chamava "reprovações" e, na gíria escolar, dava pelo nome de "chumbos". E, o que é pior, começa a isolar-se a questão das "retenções" do contexto em que elas ocorrem e a produzir argumentos viciados e viciosos contra uma maior exigência escolar.
A Portugal, diz-se, afivelando umas visagens consternadas pelos relatórios da OCDE, cabe a quarta maior percentagem de retenções nos países da organização. E talvez por isso a OCDE, num dos seus já habituais acessos de idiotia politicamente orientada, recomenda a eliminação gradual dessas perversidades, segundo o Público de 15.04.2012. Não sei se alguém ainda se lembra da visita de uma tal Déborah a Portugal, em tempos de governação socialista: não representava a OCDE, mas por cá a manipulação oficial inculcava o contrário, e então tudo ou quase tudo correspondia ao que a OCDE recomendava... Agora, das mesmas paragens cor-de-rosa sopra a brisa patética de que a introdução de exames corresponde a "uma visão pobre da educação".
Não percebo porque é que algumas almas tão acerbamente críticas não ficam identicamente agoniadas por verificarem que Portugal está num dos últimos lugares na escala de qualificações sérias e eficazes, no mesmo universo considerado. Se estivesse num dos primeiros, seria realmente estranho que houvesse tantas reprovações. Encontrando-se num dos últimos, seria normal que o número de chumbos crescesse na razão inversa da percentagem das situações positivas

Vê-se a mesma gente preocupada com o custo dos chumbos no orçamento das escolas e a repercussão desse problema no orçamento do país. É certamente uma questão que merece análise e procura de soluções, mas estas não passam por se acabar com aqueles. Passam por um enquadramento mais exigente dos repetentes e pelo aumento exponencial das aprovações fundamentadas.
O argumento, que parece ser o da OCDE, contra a diminuição dos chumbos a fim de se entrar numa poupança significativa é inconsequente. Para quem pensa assim, o futuro do país torna-se irrelevante. Poupar pela via da ignorância acumulada e de uma inércia favorecida pelo sistema é certamente a forma mais estúpida e mais cara de fazer economias.
O problema português, e não apenas na escola em qualquer dos seus níveis de ensino, tem muito que ver com o dilema exigência ou não exigência. O Governo sustenta, e muito bem, que o exame é parte integrante da educação, permite concentrar e avaliar a aprendizagem, estabelecer metas e saber se elas são atingidas, bem como identificar as fragilidades que possam ocorrer.
Na verdade, uma coisa é o custo dos chumbos no orçamento das escolas e outra o peso das aprovações e das qualificações no futuro do país. Só é aceitável que os chumbos diminuam por o aproveitamento escolar ser cada vez mais efectivo e significativo. E para se chegar a esse objectivo é imperativo que haja mais exames e que estes sejam feitos a sério".

Vasco Graça Moura
DN

domingo, abril 15, 2012

Decoração de interiores

"Chamada a explicar no Parlamento as trapalhadas da Parque Escolar, Maria de Lurdes Rodrigues resumiu-as numa frase: "A Parque Escolar foi uma grande festa para o País." Lembro-me como se fosse hoje. Os professores celebravam. As crianças riam ensandecidas. Populares davam vivas aos justos e magnânimos senhores que mandavam neles. As janelas abriram-se para mostrar colchas e rendas vistosas. Agrupamentos de escolas e EB 2/3 abraçavam-se e entoavam cânticos de louvor ao eng. Sócrates. Eu próprio saí à rua a fim de lançar meia dúzia de foguetes e juntar-me à alegria que tomara conta de Portugal inteiro. Fico assim sempre que um desígnio público entra em velocidade de cruzeiro e, mediante prebendas e desleixo, desata a espatifar o dinheiro dos meus impostos e enviar 180 milhões para destino desconhecido.
Mesmo os destinos conhecidos suscitam curiosidade. Veja-se, por exemplo, as verbas que, a troco de uns candeeiros, desaguaram no arquitecto Siza Vieira. Segundo a deputada socialista Isabel Canavilhas, os candeeiros de autor justificam-se porque Siza Vieira é "um grande artista" e o ambiente nas escolas não pode ser "nivelado por baixo", conforme, no entender da dra. Canavilhas, pretendem os actuais partidos do Governo. Esta linha de pensamento obrigaria a decorar as salas de aula com originais de Degas e Vermeer, artistas ligeiramente maiores do que Siza Vieira e sem dúvida dignos da apreciação dos nossos corpos docente e discente.
Em qualquer dos casos, é interessante notar que a repulsa pela nivelação por baixo apenas se aplica à decoração dos estabelecimentos de ensino. O ensino propriamente dito pode rastejar à vontade que o PS não se importa. O PS convive bem com os currículos anedóticos, a erosão dos padrões de exigência, a indisciplina e a pura violência frequentes nos liceus. O PS até convive bem com o baixíssimo nível dos senhores que coloca a tutelar o sector. A única coisa que o PS não tolera é uma escola feia, e quem sugerir ser absurdo gastar fortunas (e desviar fortunas) para embelezar uma inutilidade (e animar clientelas) escandaliza os socialistas da Parque Escolar e os comunistas que acusam PSD e CDS de aproveitar a Parque Escolar para denegrir o "investimento" estatal.
Aliás, o bom senso aconselharia a aceitar os candeeiros de Siza Vieira e o resto e, em troca, a dispensar as audições parlamentares, que invariavelmente servem para nada excepto para publicitar a impunidade com que se arrasa o dinheiro dos contribuintes. Se praticada em recato, a pândega custaria o mesmo ao bolso, mas muitíssimo menos à alma".

Alberto Gonçalves
DN

sábado, abril 14, 2012

As turmas na era de Nuno Crato

O homem já se esqueceu do que defendia antes de ter ido para o governo. É o problema desta gente: as convicções são ignoradas quando chegam ao poder.

sexta-feira, abril 13, 2012

Os pais não vão poder escolher a escola dos filhos

"Ou antes, só alguns é que vão poder escolher a escola dos filhos.
Se uma escola tiver 100 vagas e houver 200 candidatos, metade dos pais não escolhe, certo? Será que posso formular uma pergunta: quem vão ser os 100 que vão ficar de fora? Pois, acertou! É a Democracia da Cratinice em pleno!
Agora imagine que as notas dos alunos são consideradas para a avaliação dos Directores (imagine, porque é verdade!), que alunos o Director vai querer escolher? Os melhores, os que lhe garantem mais resultados. Assim, vamos ter na escola A os melhores e na escola B apenas as sobras… Viva o 24 de Abril da Escola Portuguesa".

quinta-feira, abril 12, 2012

Número de alunos por turma vai aumentar no próximo ano letivo

A partir do próximo lectivo, as turmas do ensino básico e secundário vão ser maiores.
Um despacho do Ministério da Educação e Ciência (MEC), que será publicado nesta sexta-feira em Diário da República, determina que, do 5.º ao 12.º ano, o número máximo de alunos de turma passará a ser de 30 em vez dos 28 actuais. Por outro lado, para a constituição de turmas será necessário um número mínimo de 26 alunos. Até agora eram 24.
Em Agosto passado, o MEC já tinha aumentado de 24 para 26 o número máximo de alunos por turma no 1.º ciclo, tendo então justificado com uma “procura excepcional de matrículas” neste nível de escolaridade. Este novo limite mantém-se.
Conforme já anunciado pelo ministro da Educação, Nuno Crato, o despacho confirma a possibilidade de, no ensino básico, os pais poderem escolher a escola dos seus filhos independentemente de qual seja o seu local de residência, mas as vagas existentes nas escolas continuarão a ser distribuídas como até agora, tendo prioridade os alunos com necessidades educativas especiais, os que têm irmãos matriculados no agrupamento e aqueles cujos pais residam ou trabalhem na área de influência da escola.

quarta-feira, abril 11, 2012

Faltar ao exame dá chumbo

"Os alunos que faltem a um dos dois exames nacionais do 6º ano (Matemática ou Língua Portuguesa) chumbam automaticamente.
O regulamento dos exames nacionais do Básico e Secundário, publicado ontem em Diário da República, estipula que as provas no 6º ano (que são realizadas pela primeira vez neste ano lectivo) vão ter um ‘peso’ de 25% na classificação final e que os exames serão cotados na escala de 0 a 100 por cento, sendo a classificação final expressa nos níveis de 1 a 5.
Ainda de acordo com o regulamento, o pedido de reapreciação de provas será acompanhado de uma caução de 25 euros, que serão devolvidos se a nota resultante da reapreciação for superior à inicial. As provas dos 6º e 9º anos têm a duração de 90 minutos. No Secundário, o exame de Matemática A vai ter 150 minutos, enquanto o de Português terá 120 minutos".

CM 

terça-feira, abril 10, 2012

Cavaco não engana ninguém

O Presidente da República invocou “razões de interesse nacional” para justificar, nesta terça-feira, a promulgação do diploma que “congela” as reformas antecipadas. Porém, sublinhou que a promulgação não significa o acordo do chefe de Estado em relação a todas as normas.
Este presidente tem dado provas continuadas de que é um mero corta-fitas. Limita-se a dizer amém a tudo mesmo que discorde (salvo quando lhe foram ao bolso). Se é para isto que lá está mais valia não se ter candidatado. O povo português merecia mais respeito.

sábado, abril 07, 2012

Afinal serão poucos os abrangidos pela suspensão das reformas

A suspensão do regime de acesso a reformas antecipadas vai abranger os funcionários públicos, mas apenas os que foram admitidos após 1 de Janeiro de 2005, altura em que os trabalhadores do Estado integraram o regime geral da segurança social.

sexta-feira, abril 06, 2012

Este governo não pára de nos desiludir

O fim das reformas antecipadas vai manter no ativo muito professores que se aprestavam para se reformarem e em consequência irá acentuar o desemprego entre os contratados.

quinta-feira, abril 05, 2012

Imagino a ansiedade dos contratados

Depois da declaração de Nuno Crato relativamente à prova de ingresso na carreira docente, ficaram a pairar algumas dúvidas que necessitam de um esclarecimento apressado, sendo que a principal reside em saber quem faz ou fica isento dessa prova. Esta é, por certo, a principal dor de cabeça para a maioria dos contratados. Mais do que a estrutura da prova ou o seu conteúdo.

quarta-feira, abril 04, 2012

Nuno Crato diz que professores vão fazer prova de avaliação para entrarem na profissão

Os professores com menos tempo de serviço vão realizar, este ano civil, uma prova de avaliação que terá influência no concurso de colocação, com vista a selecionar os melhores docentes, afirmou hoje o ministro da Educação.

sexta-feira, março 30, 2012

Triste realidade

Os mega e os tera agrupamentos vão ser a machadada final nos contratados.

quarta-feira, março 28, 2012

O homem tem razão

"Na oposição, PSD e CDS foram dos partidos que mais criticaram, e bem, a constituição de agrupamentos de escolas de dimensão irracional e desequilibrada.
Em 2010/11, Isabel Alçada criava os mega-agrupamentos que chegaram a atingir uma população escolar da ordem dos 3000 alunos. Não estranharam, por isso, as críticas a este processo de desumanização da escola. Depois de um ano de paragem para, segundo o atual MEC, avaliar e dialogar, este escreveu, em projeto de diploma legal, que a constituição de agrupamentos de escolas obedecerá, entre outros critérios, a uma "dimensão equilibrada e racional".
Nunca quis o MEC esclarecer o que era esta dimensão, mas à medida que começam a conhecer-se as propostas das quase extintas direções regionais de educação, começa a perceber-se a razão do silêncio: o teto furou e os agrupamentos a criar chegam aos 3600 alunos! Confirma-se que estes políticos do arco do poder gostam que olhemos para o que dizem (na oposição), mas não para o que fazem (no poder) e são, na verdade, as principais forças de bloqueio ao desenvolvimento de uma Educação de qualidade".

Mário Nogueira
CM

sábado, março 24, 2012

Tera agrupamento em Vila Nova de Gaia

Por este andar ainda vai chegar o dia em que só haverá um agrupamento por distrito. O senhores da troika agradeciam.

sábado, março 17, 2012

Carta da Sara, filha de Professora, aos Professores

"É um dos posts mais complicados que “tenho” para escrever no Aventar.
Conheci a mãe da Sara. Com ela discuti política e sindicalismo, com ela aprendi. Eu, um puto armado em revolucionário. Ela, a Professora disponível para ajudar, para dar a cara, para estar presente, como sempre esteve desde a fundação.
Estupidamente tudo acabou!
E a filha, Sara, revolveu escrever um apelo aos Professores:
Carta a professores, alunos, pais, governantes, cidadãos e quaisquer outros que possam sentir-se tocados e identificados.
As reformas na educação estão na boca do mundo há mais anos do que os que conseguimos recordar, chegando ao ponto de nem sabermos como começaram nem de onde vieram. Confessando, sou apenas uma das que passou das aulas de uma hora para as aulas de noventa minutos e achei aquilo um disparate total. Tirava-nos intervalos, tirava-nos momentos de caçadinhas e de saltar à corda e obrigava-nos a estar mais tempo sentados a ouvir sobre reis, rios, palavras estrangeiras e números primos.
Depois veio o secundário e deixámos de ter “folgas” porque passou a haver professores que tinham que substituir os que faltavam e nós ficávamos tristes. Não era porque não queríamos aprender, era porque as “aulas de substituição” nos cansavam mais do que as outras. Os professores não nos conheciam, abusávamos deles e era como voltar ao zero.
Eu era pequenina. E nunca me passou pela cabeça pensar no lado dos professores.Até ao dia 1 de Março.
Foi o culminar de tudo. Durante semanas e semanas ouvi a minha mãe, uma das melhores professoras de Inglês que conheci, o meu pilar, a minha luz, a minha companhia, a encher a boca séria com a palavra depressão. A seguir vinham os tremores, as preocupações, as queixas de pais, as crianças a quem não conseguimos chamar crianças porque são tão indisciplinadas que parece que lhes falta a meninice. Acreditem ou não, há pais que não sabem o que estão a criar. Como dizia um amigo meu: “Antigamente, fazíamos asneiras na escola e quando chegávamos a casa levávamos uma chapada do pai ou da mãe. Hoje, os miúdos fazem asneiras e os pais vão à escola para dar a dita chapada nos professores”. Sim, nos professores. Aqueles que tomam conta de tantos filhos cujos pais não têm tempo nem paciência para os educar. Sim, os professores que fazem de nós adultos competentes, formados, civilizados. Ou faziam, porque agora não conseguem.
A minha mãe levou a maior chapada de todas e não resistiu. Desculpem o dramatismo mas a escola, o sistema educativo, a educação especial, a educação sexual, as provas de aferição e toda aquela enormidade de coisas que não consigo sequer enumerar, levaram deste mundo uma das melhores pessoas que por cá andou. E revolta-me não conseguir fazer-lhe justiça.
Professores e responsáveis pela educação, espero que leiam isto e acordem, revoltem-se, manifestem-se (ainda mais) mas, sobretudo e acima de qualquer outra coisa, conversem e ajudem-se uns aos outros. Levem a história da minha mãe para as bocas do mundo, para as conversas na sala dos professores e nos intervalos, a história de uma mulher maravilhosa que se suicidou não por causa de uma vida instável, não por causa de uma família desestruturada, não por dificuldades económicas, não por desgostos amorosos mas por causa de um trabalho que amava, ao qual se dedicou de alma e coração durante 36 anos.
De todos os problemas que a minha mãe teve no trabalho desde que me conheço (todos os temos, todos os conhecemos), nunca ouvi a palavra “incapaz” sair da boca dela. Nunca a vi tão indefesa, nunca a conheci como desistente, nunca pensei ouvir “ando a enganar-me a mim mesma e não sei ser professora”. Mas era verdade. Ela soube. Ela foi. Ela ensinou centenas de crianças, ela riu, ela fez o pino no meio da sala de aulas, ela escreveu em quadros a giz e depois em quadros electrónicos. Ela aprendeu as novas tecnologias. O que ela não aprendeu foi a suportar a carga imensa e descabida que lhe puseram sobre os ombros sem sentido rigorosamente nenhum. Eu, pelo menos, não o consigo ver.
E, assim, me manifesto contra toda esta gentinha que desvaloriza os professores mais velhos, que os destrói e os obriga a adaptarem-se a uma realidade que nunca conheceram. E tudo isto de um momento para o outro, sem qualquer tipo de preparação ou ajuda.
Esta, sim, é a minha maneira de me revoltar contra aquilo que a minha mãe não teve forças para combater. Quem me dera ter conseguido aliviá-la, tirar-lhe aquela carga estupidamente pesada e que ninguém, a não ser quem a vive, compreende. Eu vivi através dela e nunca cheguei a compreender. Professores, ajudem-se. Conversem. E, acima de tudo, não deixem que a educação seja um fardo em vez de ser a profissão que vocês escolheram com tanto amor.
Pensem no amor. E, com ele, honrem a vida maravilhosa que a minha mãe teve, até não poder mais.

Sara Fidalgo
P.S. – Não posso deixar de agradecer a todos os que nos ajudaram neste momento de dor *"

Crónica de Santana Castilho


Público

quinta-feira, março 15, 2012

Professores portugueses estão cada vez mais horas nas escolas

"À medida que os anos foram passando, os professores portugueses foram permanencendo mais horas nas escolas. Os valores ficam acima da média da OCDE.
Segundo o estudo Preparing Teachers and Developing School Leaders for the 21st century apresentado ontem, em Nova Iorque, EUA, no âmbito do segundo encontro sobre a profissão docente, promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) – os professores viram as horas lectivas aumentar, entre 2000 e 2009.

Em 2000, os professores do 1.º ciclo leccionavam 815 horas anuais e, nove anos depois, esse valor subiu para 875. Quanto aos dos 2.º e 3.º ciclos aumentaram de 595 para 770; e os do secundário de 515 para as mesmas 770 horas.

Estes valores estão todos acima dos da média da OCDE, que, em 2009 é de 779 para os docentes do 1.º ciclo; de 701 para os do 2.º e 3.º; e de 656 para os do secundário.

Em termos de horário de trabalho, os professores portugueses também se situam acima da média da OCDE. Em Portugal, os docentes, do 1.º ciclo ao secundário, trabalham 1289 horas, quando a média da OCDE é de 1182 para os do 1.º ciclo, 1198 para os dos 2.º e 3.º ciclos, e de 1137 para os do secundário, nas escolas públicas.

Contudo, os docentes portugueses trabalham menos uma semana (37) quando comparados com a OCDE (38). Assim como, por cá, os dias de aulas são menos: os professores portugueses têm 175 dias, a média da OCDE é de 186 para o 1.º ciclo; 185 para os 2.º e 3.º ciclos; e 183 para o secundário".

Público

domingo, março 11, 2012

Coitados dos diretores

"Só o diretor é que não manda em ninguém. O seu papel está mal definido nesta proposta do Ministério da Educação e acaba por fragilizar a escola pública", lamentou Adalmiro Fonseca, no final da Assembleia Geral da ANDAEP, que hoje decorreu em Leiria.
"O facto de, no novo diploma que está em discussão, se prever que os coordenadores dos departamentos nas escolas sejam eleitos e não nomeados fragiliza a liderança dos diretores, que não podem sequer escolher a sua própria equipa", exemplifica".

quarta-feira, março 07, 2012

Concursos: análise ao acordo entre o MEC e alguns sindicatos

"Depois do acordo entre o MEC e alguns sindicatos, este é o momento de analisar o que foi assinando, comparando o acordo com a legislação hoje existente. Será falta de honestidade argumentar que entre a primeira proposta do MEC e esta última há muitas coisas melhores. Pois, mas essa todos perceberam que era, a primeira, apenas um isco.
Vamos lá então analisar o que está assinado:
a) É positivo que um só documento regule o sistema de colocação de professores. No entanto, continuam por esclarecer algumas questões que outro tipo de documentos poderão clarificar.
b) É negativo que o estado, enquanto patrão, admita que vai continuar a violar a lei e a ter professores com anos (mais de dez em muitos casos) e anos de contrato. Seria honesto que os sindicatos signatários escrevessem algo sobre isto.
c) É positivo (MUITO!) que se clarifique a situação dos professores com horário zero. Com um mas. Até agora, um docente não teria horário zero desde que houvesse uma hora para leccionar.
Agora, são seis horas (1ª prioridade – Docentes de carreira a quem não é possível atribuir pelo menos 6 horas de componente letiva). Os professores ficam a perder. No caso de existir horário zero, o Director tem que respeitar a graduação (a) Caso o número de voluntários exceda a necessidade, o diretor deve indicar por ordem decrescente da graduação profissional;b) Na falta de docentes voluntários, deve o diretor indicar por ordem crescente da graduação profissional.)
d) Os concursos eram de 4 em 4 anos. Continuam de 4 em 4 anos.
e) Agora existem critérios para regular as ofertas de escola. Acontece que 50% dos critérios são entrevista. Ou seja, o Director escolhe quem quer. Alarga-se a todas as escolas o erro das escolas TEIP! É algo negativo.
f) Até hoje, os Professores contratados tinham 4 intervalos de horários para concorrer. Perdem um: agora são 3.
g) Para ficar na primeira prioridade, um professor contratado deverá ter trabalhado “em pelo menos 365 dias no ensino público nos últimos seis anos.” Isto são regras piores do que aquelas que existiam. A brincadeira dos 4 anos completos em 6, era isso mesmo, uma brincadeira.
h) Docentes do privado – esta foi uma das questões mais polémicas, que pelo silêncio da FNE, sempre adivinhamos ver escrita no acordo final: “São igualmente ordenados na 1ª prioridade os docentes de estabelecimentos particulares com contrato de associação.”
i) Na legislação actual não há qualquer tipo de obrigação de preferências para os docentes dos quadros, é isso que fica com a legislação assinada".