sábado, junho 10, 2006

Professores mais faltosos terão mais trabalho depois das aulas

Os professores que menos faltaram ao longo do ano lectivo serão beneficiados pelos conselhos executivos na distribuição do trabalho que tem de ser realizado nas escolas após terminarem as aulas, determinou o Ministério da Educação.
Numa carta enviada hoje aos conselhos executivos pelas Direcções Regionais de Educação, a tutela dá às escolas orientações a nível da distribuição de tarefas como a supervisão de exames e os trabalhos de preparação do próximo ano lectivo.
A ideia é que os conselhos executivos "tenham em consideração a assiduidade e a sobrecarga de trabalho que alguns docentes tiveram ao longo do ano lectivo", beneficiando-os em relação aos mais faltosos.
Estou para ver quantos Conselhos Executivos terão coragem de aplicar esta medida. Têm aqui uma boa oportunidade de provarem que não existe compadrio, preferências pessoais e as habituais discriminações, algo de que muitos orgãos de gestão são acusados, e com razão, como todos sabemos. Vou estar atento ao que acontecerá na minha escola.

"Analfabetolândia da Europa"

"O velho sonho de gerações e gerações de madraços pode finalmente realizar-se graças à ideia da senhora ministra da Educação - com a avaliação dos professores por parte de papás ultraliberais e educadores demissionários, que só têm olhos para os seus queridos e superdotados cabulazinhos, o ensino ficará entregue a quem reúne de facto condições para fazer de Portugal a Analfabetolândia da Europa.
Para nos irmos defendendo, o melhor é seguir os conselhos do médico Fernando Vale, por altura do seu centenário: andar informado e acompanhar a novidade. Querem acabar com o que resta de bom-senso e racionalidade? Façam favor, vocelências é que sabem. Depois, não será difícil adivinhá-lo, chegará a vez de pôr os maluquinhos a avaliar os psiquiatras, os arguidos a avaliar os juízes e outras patetices nascidas na cabeça de quem, querendo deixar uma marca, não hesitará em nos sujeitar às maiores barbaridades.
Os saloios do meu tempo, que tiveram de aprender - a bem ou à custa da avaliação de bofetões e palmatoadas - os rios, as serras, as linhas de comboio e outras fantásticas minudências, bem podem ir metendo os papéis para a reforma, mesmo que Sócrates os queira no activo até aos 70. É que já não podem mais aguentar-se à tona na torrente de facilidade com que se destrói tudo o que, tendo defeitos, vai funcionando em Portugal. Foi assim com as polícias, foi assim com os militares, só não foi assim com os juízes porque eles teimam em resistir, jamais será assim com os médicos porque há sempre um dia em que um ministro depende do bisturi - e chegou agora a vez dos professores. Já eram insultados e agredidos pelos alunos, se calhar os moços até têm razão, portanto vamos lá meter estes déspotas na ordem.
Seria preferível menos espalhafato e menos demagogia, e mais respeito por pessoas que, em não poucos casos com gritante falta de condições, tanto se dedicam à nobre função de ensinar. E mais atenção, por exemplo, à orientação pedagógica, não só aconselhando aos jovens as profissões para as quais mostrem mais aptidões, como apontando os cursos que permitam, no futuro, trabalho e motivação, remuneração digna e realização pessoal. É criminoso que, por carência de informação, desinteresse do Estado e incompetência dos avaliadores políticos, mlhares de famílias portuguesas gastam fortunas para obter um diploma cujo primeiro destino é a sua exibição no centro de (des)emprego.
Mas a ânsia é a de cortar supostos privilégios e banalizar tudo o que se reja por princípios e obedeça a regras, e agradar à mole imensa do funcionalismo indiferenciado, condenando às galés das tarefas mais duras e mais mal remuneradas, e àquela tropa fandanga que vive na subsidiodependência sem que dela efectivamente necessite. O esforço de progressão na carreira, o sacrifício pelo conhecimento ou o investimento na qualificação merecem o desprezo desta gente. Avaliámo-los mal, foi o que foi."

Alexandre Pais, Director do "Record", na revista Sábado.

quarta-feira, junho 07, 2006

Descrédito

Tendo em conta o que vou lendo na blogosfera e aquilo que vou observando na minha escola, ou muito me engano ou a greve do dia 14 vai ficar muito aquém das nossas - professores - expectativas. Os zunzuns que apareceram na comunicação social que dão conta de haver uma grande percentagem de professores que torce o nariz ao facto de a greve ter sido marcada junto a feriados, não augura nada de bom. A confirmar-se uma baixa adesão será uma machadada muito séria nas nossas pretensões. A ministra esfregará as mãos de contentamento e, por certo, aproveitará o facto para dizer que afinal a maioria dos professores até subscreve as suas propostas. Há muito que defendo que somos uma classe de gente acrítica e abúlica que cinge os seus protestos à sala de professores. Quando é preciso lutar pelos seus direitos, encolhe-se e fica à espera que outros resolvam os problemas que deviam merecer o contributo de todos. Se numa altura difícil como esta não estamos unidos quando é que vamos estar?

segunda-feira, junho 05, 2006

Pedido de esclarecimento

Porque é que sempre que os professores convocam uma greve se verifica uma condenação quase generalizada dos media e da opinião pública em geral, e quando o mesmo acontece com outras corporações não se observa idêntica manifestação de repúdio? Alguém me consegue explicar?

domingo, junho 04, 2006

A greve do dia 14 de Junho

A FENPROF convocou uma greve para o próximo dia 14. A FNE, à semelhança do que tem feito, volta a ficar de fora (esta falta de unidade entre os sindicatos é exasperante e só serve para nos desacreditar). Confesso que estas greves não me seduzem. Não só porque nos retiram legitimidade aos olhos da opinião pública - mais ainda, quando são encostadas a um feriado, o que dá sempre aquela ideia negativa de um fim-de-semana prolongado -, mas também porque elas são habitualmente marcadas pela guerra dos números entre os sindicatos e o Ministério da Educação, com os primeiros a sobrevalorizar os níveis de adesão e o ME a procurar desvalorizá-los.
Até aqui a ministra da educação tem tido o maior acolhimento dos media na sua tarefa de achincalhamento dos professores. Este apoio dos media tem sido fundamental na sua estratégia. Ultimamente começam a aparecer vozes discordantes, algumas com peso no panorama nacional, o que pode constituir um duro revés nesta linha de actuação. Vários analistas têm vindo a apontar alguns erros à sua política e a recente reportagem da RTP sobre a violência e a indisciplina nas escolas deu um precioso contributo nesse sentido. Considero até que a referida reportagem causou um grande impacto na opinião pública, e terá feito mais pelos professores do que os nossos sindicatos têm conseguido fazer nos últimos anos.
Temos de saber passar para a opinião pública a mensagem de que a ministra está errada quando diz que o principal factor que impossibilita o salto qualitativo no ensino em Portugal, reside nos professores, na sua incompetência e no seu mau profissionalismo. Nós que trabalhamos nas escolas todos os dias sabemos que isto não é verdade, mas à força de a ministra tantas vezes repetir esta ideia, a sociedade portuguesa convenceu-se de que é essa a leitura correcta. A nossa luta deve passar por convencer a opinião pública de que a desacreditação do nosso sistema de ensino reside fundamentalmente nas políticas educativas, nomeadamente nas sucessivas reformas que as várias equipas ministeriais não se têm cansado de implementar. Bem sei que nos falta a capacidade mediática de outras corporações, mas é por aqui que devemos centrar os nossos esforços.
Claro está que esta greve dever ter a adesão de todos, caso contrário daremos uma imagem de desunião que em nada nos favorece. Quero contudo acreditar que a nossa luta não se fique apenas pelo recurso à greve, porque se assim for dificilmente alcançaremos os nossos objectivos. Pode ser um 1º passo, mas não pode ser o único.

quarta-feira, maio 31, 2006

Aspectos mais relevantes no ECD

Acesso à carreira
O ME, tal e qual uma futura (?) Ordem dos Professores, condiciona a entrada na carreira a uma prova nacional de conhecimentos e competências; o candidato a professor é ainda sujeito a um período probatório no final do qual só uma classificação de Bom lhe possibilitará a colocação no quadro.
Hierarquização da carreira
A carreira docente desenvolve-se pelas categorias hierarquizadas de professor titular e professor. O professor titular desempenhará todas as funções atribuídas ao professor, mais as funções de coordenação e supervisão de outros docentes, direccção de escola e direccção de centro de formação.
Esta hierarquização tem como objectivo fundamental estrangular o acesso a professor titular. Só la pode chegar quem tiver 18 anos de serviço. A mudança para a categoria de professor titular dependerá ainda da aprovação em provas públicas de avaliação e discussão curricular, mas também do número de professores titulares numa escola que não pode exceder 1/3 do número total de professores do quadro.
Avaliação de desempenho
A avaliação dos docentes integrados na carreira realiza-se em cada ano escolar e reporta-se à actividade docente desenvolvida durante este período. Progride-se na carreira com um mínimo de Bom na classificação e 25 horas anuais de participação em acções de formação contínua.
Intervenientes no processo de avaliação
O próprio professor; o coordenador de departamento; o conselho executivo; a comissão de coordenação da avaliação de desempenho e os pais/encarregados de educação.
Redução da componente lectiva
A componente lectiva a que estão obrigados os docentes dos 2º e 3º ciclos do ensino básico, do ensino secundário e da educação especial é sucessivamente reduzida de duas horas, de cinco em cinco anos, até ao máximo de seis horas, logo que os professores atinjam 50 anos de idade e 15 anos de serviço docente, 55 anos de idade e 20 anos de serviço docente e 60 anos de idade e 25 anos de serviço docente.
Faltas
O docente tem de obrigatoriamente leccionar 97% das aulas previstas, condição fundamental para lhe poder ser atribuída a classificação de Bom, sem a qual se vê impossibilitado de progredir na carreira.

segunda-feira, maio 29, 2006

Ministério propõe que pais avaliem os professores

O Ministério da Educação (ME) quer que os pais passem a participar na avaliação do desempenho dos professores dos filhos, necessária para a progressão na carreira dos docentes. Segundo a proposta de alteração do Estatuto da Carreira Docente (ECD) que o Ministério apresentou sábado à comunicação social e aos sindicatos, cada encarregado de educação individualmente vai fazer uma avaliação do trabalho dos professores que dão aulas aos seus filhos, uma apreciação que será depois tida em conta, juntamente com outros factores, para a subida de escalão por parte dos docentes.

Sobre a imbecilidade desta proposta há que dizer o seguinte:

1- A ministra da educação na sua cruzada contra a desacreditação dos professores conseguiu marcar mais um ponto perante a opinião pública, em especial pais e encarregados de educação. Esta ministra tem feito mais pela imagem do governo do que todos os outros ministros juntos. Sócrates bem lhe pode agradecer.

2- O que está subjacente a esta proposta não é mais nem menos do que uma forma encapotada de combater o insucesso e o abandono escolar e assim apresentar resultados em Bruxelas.

3- Que moralidade têm os pais para avaliar os professores quando a maioria deles se demite da função de educar e delegam na escola essa responsabilidade? Desde quando os pais têm condições para avaliar a competência científica, pedagógica ou relacional dos professores? Se lhes é reconhecida essa capacidade então, por uma questão de justiça e coerência, que se aplique esta medida a todas as outras profissões da função pública. Passaremos todos a avaliar juízes, médicos, enfermeiros, polícias, funcionários da administração pública e, inclusivé, os próprios políticos.

4- Quantos pais serão justos e imparciais na avaliação de um professor? Há aqui um claro conflito de interesses que não pode ser esquecido. O que a maioria dos pais quer é que os seus filhos tenham boas classificações, estando pouco preocupados se eles as merecem ou não. Por forma a não serem penalizados pelos pais, os professores serão impelidos a inflaccionar as notas. O “sucesso” escolar continuará a ser mascarado à custa da diminuição do nível de exigência.

5- O poder dos alunos sai reforçado – com a consequente desautorização dos professores - uma vez que a opinião dos pais sobre os professores é habitualmente determinada por aquilo que lhes é transmitido pelos seus filhos.

Chegou a hora de, uma vez por todas, os professores darem uma resposta cabal à constante descredibilização de que têm sido alvo por parte desta ministra. E não é através de protestos confinados aos corredores das escola e às salas dos professores que o nosso descontentamento será ouvido. Teremos de endurecer as formas de luta, através de todos os instrumentos disponíveis ao nosso alcance, de modo a fazermos ver ao país e à srª ministra que não somos uma classe de “panhonhas”, mas antes um grupo social que pode e deve fazer valer os seus direitos. De forma responsável e sustentada.

quarta-feira, maio 24, 2006

Número de cursos profissionais nas secundárias vai sextuplicar

O governo anuncia hoje o aumento da oferta de cursos profissionais nas escolas secundárias. O número de turmas de ensino profissional, que permite o prosseguimento de estudos superiores mas que visa sobretudo a inserção no mercado de trabalho depois de concluído o secundário, vai passar das actuais 72 para 449. Para além da certificação de estudos, conferem também uma qualificação profissional. Esta é sem dúvida uma boa notícia, uma vez que ela evita que milhares de jovens abandonem o sistema escolar, ao mesmo tempo que recupera muitos outros que haviam abandonado o sistema de ensino. Por outro lado, tal medida vem satisfazer as expectativas de pais e alunos, sabendo-se do número muito elevado da procura anual muito superior à oferta de vagas no ensino profissional.
Portugal tem uma das mais baixas taxas de participação em formação de toda a União Europeia, pelo que, se queremos crescer, inovar e aumentar os níveis de qualificação, então, o incremento do ensino profissional é um imperativo nacional. A sociedade da informação e a internacionalização dos mercados levam a que se fale cada vez mais em mobilidade, adaptabilidade e deslocalização. Daí que se torne absolutamente necessário preparar os nossos jovens para as profundas transformações que poderão afectar a nossa sociedade, confrontada com países com níveis de escolaridade incomparavelmente superiores e com uma mão-de-obra muito mais barata e especializada. Não podem restar dúvidas que a capacidade individual de aceder à informação, ao conhecimento, a novas tecnologias, vão ser factores determinantes para a integração dos nossos jovens não só no mundo do trabalho, mas também nos diferentes ambientes sociais e culturais. Neste sentido, uma política coerente deve continuar a apostar forte no ensino profissional, pois só assim podemos levar o nosso país ao estádio de desenvolvimento desejado.

sexta-feira, maio 19, 2006

A revisão do Estatuto da Carreira Docente

Aproxima-se a revisão do Estatuto da Carreira Docente e com ela a minha apreensão aumenta. Especialmente, quando se começa a perceber que ela vai ocorrer durante o período de férias dos professores. Tendo em conta os antecedentes, tudo aponta para que ele seja apresentado como um facto consumado, sem direito a qualquer negociação, e altamente lesivo dos interesses dos professores. É esperar para ver, mas estou muito pessimista.
No entretanto, vão sendo conhecidas algumas novidades para o próximo ano lectivo: os agrupamentos escolares poderão destacar os seus professores para darem aulas em diversos níveis de ensino (esta prática já acontecia nalgumas escolas mas não estava regulamentada); as aulas de substituição serão alargadas ao ensino secundário; cada docente deverá facultar ao Conselho Executivo um plano de aula caso saiba que vai faltar, sob pena de sofrer uma falta disciplinar, e irá surgir um novo Plano de Acção de combate ao insucesso na disciplina de Matemática. Enfim, há que reconhecer que esta ministra tem uma veia empreendedora que só visto!

quinta-feira, maio 11, 2006

A contratação de professores

Anda por aí muito boa gente a dizer que devia caber às escolas a escolha dos seus professores, do mesmo modo que os alunos deviam poder escolher a escola que querem frequentar. Quanto aos últimos nada me move relativamente à ideia. No que toca às escolas decidirem sobre quais os professores que a deviam integrar, aí o caso muda de figura. Sou manifestamente contra tal possibilidade. Só quem não conhece a realidade das nossas escolas podia aceitar uma medida destas. Sabendo-se do compadrio que há muito campeia nas nossas escolas, correr-se-ia o risco de ver muitos bons professores irem para a rua, só pelo facto de não alinharem com quem está à frente dos Conselhos Executivos. Imagine-se o poder com que ficava um presidente de uma escola ao dispor do privilégio de contratar quem bem lhe apetecesse. O perigo que constituiria. Toda a gente está recordada do que acontecia até há poucos anos atrás, quando alguns Conselhos Executivos não declaravam horários, para depois os entregarem a "amigos", muitas vezes sem habilitações. É por estas e por outras que não tenho dúvidas que tendo em conta a mentalidade nacional, tal medida traria o caos às nossas escolas, pois ninguém tenha a ilusão de pensar que os professores seriam contratados por critérios de qualidade, mas antes por nepotismo e amiguismo.

domingo, maio 07, 2006

Muita parra, pouca uva

Se tivermos em linha de conta tudo o que tem sido dito e escrito, sobre as medidas tomadas para a Educação neste último ano, somos levados a pensar que a actuação do ME tem sido exemplar. Os analistas tecem loas à ministra, os pais aplaudem-na, enquanto a generalidade da opinião pública enaltece a sua coragem em enfrentar uma classe privilegiada que não quer perder as sua regalias e é incapaz de reconhecer a sua responsabilidade no caos em que se encontra o nosso sistema de ensino. Infelizmente, os recentes estudos internacionais mostram-nos que não há razão para tanta crença. Desiludam-se os mais optimistas. É só preciso esperar mais um tempinho para se verificar que as taxas de reprovação e de abandono escolar continuarão em alta; que a indisciplina continuará a proliferar nas salas de aula; que os alunos continuarão a saber cada vez menos; que os professores continuarão a ser incapazes de encontrar estratégias para que os alunos aprendam sem esforço; que os professores incompetentes continuarão a leccionar sem serem incomodados; que os bons professores para além de não verem o seu trabalho reconhecido, ainda terão de redobrar o seu esforço em aulas de substituição completamente inúteis; que uma larga maioria dos pais continuará afastada da escola e a não preocupar-se minimamente com o percurso escolar dos seus filhos; que aos professores continuará a ser pedido que sejam simultâneamente, pais, psicólogos, assistentes sociais, polícias e sei lá que mais; que a escola irá continuar a organizar-se em torno do papel, com a burocracia a sobrepor-se aos aspectos pedagógicos…Enfim, quem vê nestas medidas a solução para os males de que padece o nosso sistema educativo, bem pode tirar o cavalinho da chuva porque o futuro se encarregará de provar a sua ineficácia.

sábado, abril 29, 2006

O professor

"É certo que não vou aqui andar feito Diógenes, com uma candeia na mão, à procura daqueles que merecem ou não estas palavras, mas reconheço, no entanto, que muitos não são dignos delas, mercê da sua marreca pedagogia e da sua postura em relação aos alunos, originando que estes, por um lado, não compreendam o que lhes é transmitido, e por outro tomem o freio nos dentes e se apossem de um desregramento que atinge os limites da razoabilidade.
Podem juntar-se todos os psiquiatras e neurologistas, sociólogos e assistentes sociais, numa tentativa vã para justificar o injustificável, porque as suas bonitas teses, vazias de conteúdo, nada justificam; antes pelo contrário: agravam mais a situação de insubordinação e a falta de respeito que actualmente se vive nas instituições de ensino, desde o primário até à universidade, onde o desrespeito abusivo é um facto dos nossos dias, cujas provas são de total irrefutabilidade.
Não venham os "entendidos" dubiamente armados de puritana compreensão, porque não foi neles que o "arganel" foi introduzido, imputar as culpas de tudo o que tem vindo a acontecer nas instituições de ensino, onde o professor é, por vezes, vexado e agredido, à descriminação social e à instabilidade familiar, porque isso, para além de ser caricato, só vem dar força aos novos energúmenos em fase de germinação e impulsionar os que já o são, a fazerem pior.
Ainda há bem pouco tempo numa das minhas crónicas, nomeei uma frase de Nietzch, "o medo é o pai da moral". O facto é que hoje ninguém tem medo e, por isso, a moral está decadente. Se os puritanos da filosofia do entendimento, nas suas intervenções televisivas e escritas, procuram justificar todas as atitudes dos desvios da personalidade que originam pulsões nefastas nalguns elementos constituintes da nossa sociedade, então é lógico que acabem de vez os castigos, porque ninguém faz nada de bom ou de mau sem uma razão de causa. Assim sendo, existe uma equivalência absoluta entre o bem e o mal. Neste caso, que reine a anarquia. Mas que o resultado dessa mesma anarquia ataque incisivamente aqueles que a defendem, que eles mudarão de ideias a curto prazo.
O problema actual existe por causa da existência do "culto" à impunidade, onde fiéis crentes tudo compreendem, ou fazem por isso, porque as coisas não se passam com eles e, por outro lado, têm um posto de trabalho a assegurar; eu compreendo-os, todavia não concordo com as suas alegações!
Actualmente quem dá o pão, já não o dá, ou não sabe dar a educação e, por vezes, nem uma coisa nem outra. Contudo, isto não deverá ser motivo para justificar a isenção implacável do castigo sem qualquer condescendência, que evidentemente deverá obedecer não só ao delito cometido, mas também a uma série de antecedentes que normalmente precedem a sua eventual consumação.
As instituições de ensino, no que respeita a comportamentos, são, em parte, a continuidade daquilo que no seio familiar é ensinado, não descurando porém, que independentemente disso, cada um sabe o que é o bem e o que é o mal.
Agredir um professor ao ponto de o mandar para o hospital, como recentemente aconteceu. Na minha cabeça, esta atitude não tem lugar para desculpas. No meu tempo, atitudes menos "poluentes" do que esta, resolviam-se com duas ou três chapadas no cangote, dadas por um Director ou até mesmo por um professor, que até davam para ver a Ursa-Maior; e chegado a casa, se apresentava queixa comia mais duas ou três. Era assim que as coisas andavam direitas.
Presentemente, com toda a compreensibilidade doentiamente vivente, não é permitido puxar a orelha ao menino porque ele fica traumatizado e o professor é condecorado com um processo disciplinar por agressão indevida. E os pais todos contentes, de mãos dadas com as leis governamentais, até alinham na fita do menino, ajudando a linchar a autoridade do professor, esquecendo-se de que país com ensino defeituoso e onde não existem regras, é país com espondilose anquilosante cívica, que lhes servirá de futura enxerga, onde jamais conseguirão descansar a consciência do seu osteoporoso esqueleto"
António Figueiredo e Silva

terça-feira, abril 25, 2006

A balda generalizada

Há bem poucos dias o país ficou indignado com a atitude dos senhores deputados, por estes terem faltado a uma sessão plenária, inviabilizando assim uma importante votação. Aceita-se a indignação, mas tal facto não nos devia surpreender. É que grande parte dos portugueses são iguaizinhos a eles. A balda há muito que está institucionalizada no nosso país. Seja em que sector for. E a Educação também não é excepção: assinar o "livro de ponto" quando não se esteve presente, é uma prática a que recorrem, por vezes, alguns professores; e sem as devidas consequências para os infractores - acrescento eu.

sábado, abril 22, 2006

Os exames nacionais

No Secundário, ainda não são conhecidas as provas-tipo dos próximos exames nacionais, o que vem deixando alunos e professores à beira de um ataque de nervos. Completamente à nora, os professores têm seguido as pistas que recolhem do conteúdo dos novos livros, tentando adivinhar o que os exames podem trazer de novo. Enquanto isso, o Ministério da Educação, no final do 2º período, preparou um exame de Matemática e testou-o em algumas escolas. Os resultados não podiam ter sido piores: nos Salesianos, uma das melhores escolas do país, houve apenas duas positivas em 60 alunos, o mesmo acontecendo numa escola de Cascais, onde a média se situou nuns indignos 3,2 valores. Obviamente que o exame nacional será certamente mais fácil, por forma a conseguirmos resultados que não sejam demasiado ridículos aos olhos da Europa. Conclusão natural: os nossos alunos sabem cada vez menos e parece que ninguém consegue encontrar o antídoto para esta situação.

quarta-feira, abril 19, 2006

Sai mais uma medida

Por determinação da DREL, centenas de professores que por motivos de doença estão incapacitados para a docência, e que estão deslocados da escola de origem, estão a receber ordem para «regressar de imediato» à escola a que são afectos, sem mais explicações. O Ministério da Educação já nem se dá ao trabalho de fundamentar as suas decisões. É assim e ponto final. Já nem as regras dos concursos são para respeitar. Um qualquer iluminado apetece-lhe mudar as regras do jogo a dois meses do final do ano lectivo e avança sem um mínimo de respeito pelas pessoas. Definitivamente, este pessoal do ME ensandeceu de vez!
P.S. - Leio agora que as ditas deslocações já não se farão por falta de enquadramento legal. É o cúmulo da incompetência! Então esta gente toma uma decisão e só depois é que vai conferir a sua legalidade?!

domingo, abril 02, 2006

A violência nas escolas

O artigo abaixo foi escrito por João Pereira Coutinho, no jornal "Expresso".


"Não vale a pena mergulhar em pessimismos. Portugal continua produtivo. De acordo com o Ministério da Educação, no ano lectivo de 2004-2005 registaram-se 1200 agressões no interior de das escolas nacionais. É muito? Talvez, se tivermos em conta que "violência" e "aprendizagem" não costumam andar de mão em mão: é muito difícil aprender Matemática enquanto se esmurra o professor de Matemática. Em contrapartida, é bom saber que a violência juvenil contribui para o funcionamento do sistema nacional de saúde: no mesmo período, 191 professores, funcionários e alunos receberam tratamento hospitalar. Esta semana, aliás, quando o Ministério relembrava estes números, uma professora dava entrada nas urgências, depois de confronto com "criança" de 15 anos. Como explicar esta tendência precoce para o crime?
A doutrina, como sempre, divide-se. Mas nas explicações correntes encontramos tese conhecida: famílias de miséria produzem crianças de miséria. Se me permitem, não cola. Esta espécie de determinismo social destrói a responsabilidade do agressor, explica o seu comportamento e justifica a natureza do acto. E, além disso, não são apenas famílias de miséria que produzem crianças de miséria. Hoje, talvez seja mais correcto afirmar que famílias de miséria produzem crianças de miséria que produzem famílias de miséria. Não são apenas os alunos a agredir os professores. os pais também gostam de molhar a sopa. Curioso avanço. Há duas ou três gerações, um filho com tendências criminosas era uma vergonha para a família. Hoje, é uma jóia de família. Comentários?
Apenas três. Primeiro, um sistema de ensino com 1200 agressões por ano não é um sistema de ensino; é uma escola de criminalidade para onde se entra vivo e de onde se sai com sorte. Segundo, o ensino português não precisa apenas de "inovação" ou "reformas"; precisa, antes de tudo, de autoridade e, em casos crescentes, de polícia. E, terceiro, a ideia simpática de que existe em todas as criaturas um desejo de aprendizagem não sobrevive à realidade: "crianças" de 15 anos que agridem professores não desejam, no fundo, coisa alguma."

Todos sabemos que estes números não espelham a realidade. Muitas agressões vão acontecendo que não são contabilizadas, porque os agredidos delas não fazem queixa, por vergonha ou por medo de retaliação dos agressores. O Ministério da Educação continua a não lhes dar a atenção devida, por entender, provavelmente, que ainda não há motivo para preocupação. Enquanto o Ministério não toma as medidas que há muito se impõem, os alunos vão "pintando a manta" a seu bel-prazer, porque sabem que não são devidamente penalizados pelos actos praticados. Aos professores, resta-lhes ir aguentando a situação como podem: com carradas de muita paciência e algum desespero à mistura. Quando o desespero atinge níveis insustentáveis, a solução é o recurso ao psiquiatra e, possivelmente, uma estadia em casa por tempo indeterminado.
Noutros países este problema é atacado de frente. O plano espanhol a aprovar esta semana obriga os pais dos indisciplinados a pagar aulas de reeducação e inclui nos castigos actividades ao serviço das escolas. Por cá, como sabemos, os pais nunca são responsabilizados pelos actos dos seus rebentos. Como dizia há pouco tempo na minha escola um pai de um aluno, quando confrontado com a indisciplina do filho: "Se pago os meus impostos a escola tem mais do que obrigação de aturar o meu filho. Era o que mais faltava se não o fizesse!".

sábado, março 25, 2006

O sistema de classificação do ensino básico

Se há algo no nosso ensino que sempre me fez confusão é o sistema de classificação do ensino básico. Percebe-se porque ele foi implementado: facilitar o sucesso escolar de todos os alunos. Neste sistema facilmente se altera um nível 2 para um nível 3 sem que nada de substancial o justifique. Quem é que já não participou em Conselhos de Turma de final do 3º período, onde alunos com uma catrefada de níveis negativos conseguem transitar de ano? A facilidade com que estas alterações chegam a ser feitas devia-nos envergonhar a todos. Muitos professores não reprovam os seus alunos, não porque entendam que eles devam transitar, mas apenas porque não querem ter a maçada de justificar as retenções. Como estas justificações não são necessárias em caso de progressão, escolhe-se o caminho mais fácil. Resultado: bastas vezes, as progressões acontecem, não devido a aprendizagens bem sucedidas mas antes por razões burocráticas e formais que se sobrepõem às razões pedagógicas. Inconcebível!

quarta-feira, março 15, 2006

Novas regras no acesso à docência

A ministra da educação continua a dar mostras de sede de protagonismo. O frenesim com que apresenta novas medidas para a educação é algo que não se vê em mais nenhum ministério. Desta vez são as alterações propostas às condições de acesso à profissão docente, onde ressaltam as diferenças existentes entre a formação exigida aos professores do 1º ciclo comparativamente com os dos 2º e 3º ciclos, e o exame nacional a que estes últimos serão sujeitos se quiserem ingressar na profissão. Fica por explicar esta aparente discriminação entre professores do 1º ciclo e os restantes, e o porquê da prova nacional que, pelos vistos, irá aferir se um determinado indivíduo reúne condições para ser professor. Mas desde quando é que um bom ou um mau resultado numa prova escrita pode esclarecer quanto à qualidade do futuro professor?!!
P.S.- Prevejo mais uma semana de elogios públicos ao desempenho da ministra.

sexta-feira, março 10, 2006

Áreas curriculares não-disciplinares

Alguém me consegue explicar qual a importância pedagógica das área curriculares não-disciplinares? É que eu até hoje ainda não consegui perceber e provavelmente o defeito é meu. Para além da desvantagem de sobrecarregar os horários dos alunos, não consigo deslumbrar nenhuma vantagem. As taxas de insucesso escolar não param de aumentar o mesmo acontecendo com os actos de indisciplina, o que faz pressupor que as áreas de estudo acompanhado e de formação cívica não estão a cumprir a sua função. É assim ou estarei enganado?

quarta-feira, março 08, 2006

O negócio das explicações

As explicações constituem para muitos professores um negócio altamente rentável, em especial para aqueles que acumulam a função de professor e de explicador. Tudo estaria bem se esta última fosse legalizada o que na maioria dos casos não acontece. Acresce que muitos destes professores se recusam a dar aulas de apoio na escola, mas em contrapartida acabam por aceitar os alunos da sua própria escola enquanto explicadores, o que do ponto de vista ético é altamente reprovável. Habitualmente, estes turbo-professores recusam na escola qualquer tarefa que vá para além do seu horário lectivo porque precisam desse precioso tempo para as explicações. Quem não conhece as situações de "panelinha" entre Conselhos Executivos e alguns destes professores no que toca aos seus horários escolares (ex: leccionam só de manhã estando as tardes preenchidas com explicações). Uma perfeita vergonha que só desprestigia a nossa classe. Depois admiram-se da imagem dos professores estar pelas ruas da amargura. Vem tudo isto a propósito da recente medida tomada pelo Governo de querer acabar com as ilegalidades dos milhares de professores que dão explicações sem declararem os rendimentos ao fisco. Neste caso, só tenho que aplaudir a decisão do Ministro das Finanças. Há que moralizar o sistema. Além do mais, se as escolas investirem nas aulas de recuperação talvez menos alunos precisem de recorrer a explicações privadas, por muito que isso custe a estes professsores.

terça-feira, março 07, 2006

Mais uma opinião

"A ministra seria sábia se conseguisse obter o apoio de muitos pais e suas organizações. Seria inteligente se obrigasse as autarquias a assumir as suas responsabilidades educativas. Seria avisada se procurasse, fora do sistema, fora dos professores requisitados para o ministério e fora das indústrias e do comércio educativos, apoio e opinião. Sózinha, não vai lá. Com os sindicatos de professores também não. Com a sociedade, os cientistas e os pais, talvez."
Quem assim escreve é António Barreto em artigo de opinião no "Público" . Ou seja, para este ilustre colunista, o sucesso da educação faz-se com o contributo de todos, menos com a ajuda dos professores. Achei piada a alusão aos pais. Pais que, como sabemos, a maioria deles, está-se perfeitamente borrifando para a escola e, em particular, para o acompanhamento escolar dos seus educandos. Não me parece que a educação tenha a ganhar com contributos como o deste senhor.

sexta-feira, março 03, 2006

E a tudo isto os professores respondem com a passividade absoluta

O texto que aqui coloco é da autoria da jornalista da revista "Sábado", Filomena Martins:
"No dia em que os professores iniciavam greve por causa das aulas de substituição no ensino básico, José Sócrates anunciou que já no próximo ano elas serão também obrigatórias no secundário. Uma afronta? Não. Uma boa razão. Porque pior que não ter argumentos é usar argumentos falsos. E é o que fazem os professores.
Comecemos pelos ordenados e pelo tempo. Os professores queixam-se porque estas aulas não são pagas apesar do tempo que perdem com elas. Esquecem-se de dizer que passam em média menos 379 horas por ano nas escolas que os colegas da OCDE e que ao nível dos salários ganham acima da média europeia. E esquecem-se de dizer que as aulas de substituição não afectam o horário de trabalho (35 horas por semana), fazem parte do tempo sem aulas (máximo de 25 horas semanais).
A seguir, as condições. Dizem os professores que não há espaços nas escolas. Esquecem a lógica: se um professor falta e eles têm de o substituir, podem usar a sala de aula que ficou vazia.
Por fim, a formação. Para os professores, não faz parte do seu estatuto entreter os alunos, apenas ensiná-los. Esquecem-se que se pode entreter ensinando; que é preferível o Sudoku ao cigarrinho nos furos; que podem aproveitar esse tempo para tirar dúvidas sobre as próprias matérias que ensinam. Enfim, que podem dar explicações sem ser em casa, pagos a peso de ouro e livres de impostos"
Um mimo! Cheio de inverdades e falsidades, mas cumpre o objectivo a que se propôs: achincalhar a classe dos professores, denegrindo a sua imagem perante a opinião pública. O que se estranha é que, perante tudo isto, os professores continuem a responder com a passividade absoluta!

quinta-feira, março 02, 2006

A boa imprensa da ministra da educação

Definitivamente, a Ministra da Educação caiu no goto dos opinion makers cá do burgo. Não se regateiam elogios à sua coragem, por finalmente pôr ordem na educação. Qualquer medida que a senhora tome, é imediatamente aplaudida por estes senhores. Sobretudo, porque estas medidas têm, supostamente, ido contra os interesses dos professores, essa classe canalha a quem se deve o falhanço da educação neste país. Fecho das escolas com menos de 1o ou 15 alunos; prolongamento dos horários; substituição dos professores faltosos; aulas de recuperação para os alunos com dificuldades de aprendizagem; permanência dos professores nas escolas por um período de 3 ou 4 anos e estabilidade nos manuais escolares, tudo medidas essenciais que contribuirão decisivamente para a melhoria na qualidade de ensino no básico e secundário. A sociedade aplaude, especialmente os pais, que vêem assim a possibilidade de, uma vez por todas, se demitirem - muitos deles já o fizeram há muito - da sua função de educadores. Quem pensa que a resolução de todos os problemas nas nossas escolas passa apenas pela implementação destas medidas, só pode estar a brincar, para além de revelar um grande desconhecimento da realidade escolar. Quem trabalha no terreno sabe que assim é. O ME também. Mas a demagogia sempre rendeu votos e quanto a isso não há nada a fazer.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Aulas de substituição no Secundário

Aproveitando a greve às actividades de substituição e de prolongamento de horário que decorre esta semana, o primeiro-ministro veio hoje anunciar que no próximo ano lectivo as aulas de substituição serão alargadas ao Ensino Secundário. Se estas se mantiverem com o mesmo figurino do 3ºciclo, prevejo desde já problemas na sua implementação. É que não estou a ver os meninos e meninas do Secundário a serem privados de um "furo", para estarem encafuados numa sala de aula entretidos com joguinhos lúdicos, tipo batalha-naval ou sudoku e/ou a fazerem os trabalhos de casa. Se assim for, adivinha-se uma escalada de actos de indisciplina porque a rapaziada não vai aceitar pacificamente estra intromissão nos seus "direitos". O "direito" a gozarem um "feriado" como bem entendem há muito que está instituído pelo que não vai ser fácil retirarem-lhes tão apetecido privilégio. Os professores que se cuidem.

sábado, fevereiro 04, 2006

O insucesso em Matemática

O insucesso em Matemática está bem expresso nos resultados alcançados pelos 84.980 alunos que realizaram o exame do 9º Ano, no ano lectivo transacto. 18.870 (22.2%) obtiveram uma classificação de nível 1; 41.214 (48.5%) uma classificação de nível 2; 17.141 (20.1%) uma classificação de nível 3; 6.747 (7.9%) uma classificação de nível 4 e 1008 (1.1%) uma classificação de nível 5. Os anos passam e esta situação insustentável mantém-se, se é que não se tem agravado. As razões apontadas são amplamente conhecidas e reconhecidas por todos: desde causas genéticas, má qualidade dos professores (ligeireza na formação e recrutamento), métodos de ensino ultrapassados, condições sócio-económicas do país e nível de educação dos pais, falta de pré-requisitos e de hábitos de trabalho, permissividade e facilitismo no sistema de avaliação dos alunos, entre outras. O diagnóstico há muito que está feito mas tardam em aparecer as soluções que permitam combater este flagelo. "Novas" medidas estão actualmente a ser implementadas nas nossas escolas. Aguardemos pelos resultados.