quinta-feira, abril 30, 2009

Com a escolaridade obrigatória até aos 18 anos, teremos um 12º Ano transformado numa simples meta de ignorância

Editorial
Sábado

“É ilegal averiguar sem informar os pais”

Maria José Viseu, Pres. Confed. Nac. Indep. Pais e Enc. Educação
Correio da Manhã – Como viu os inquéritos da Inspecção-Geral de Educação (IGE) aos alunos envolvidos nos incidentes de Fafe, em que foram arremessados ovos ao carro que transportava a ministra da Educação?
Maria José Viseu – É mais um caso a juntar a outros. Esse processo de averiguações deveria ter tido o acordo dos pais. É ilegal a IGE ou a escola procederem a uma averiguação que envolva alunos menores sem que os pais sejam informados.
– Se defende que houve uma ilegalidade, o que espera agora que a tutela faça?
– Espero que a tutela accione um processo ao inspector responsável. Se é sempre necessário o aval dos pais mesmo para os alunos menores responderem a inquéritos de opinião, não se percebe porque é que neste caso não deram conhecimento a quem de direito.
– Noutro âmbito, qual a posição da CNIPE sobre o alargamento da escolaridade obrigatória?
– Concordamos, mas julgo que as escolas não estão estruturadas para isso e toda a estrutura terá de ser repensada. Poderemos vir a ter alunos de 18 anos no 8.º ano e teremos de criar estruturas para acompanhar esses percursos.

Bernardo Esteves

Correio da Manhã

quarta-feira, abril 29, 2009

Quem disse que atitudes pidescas acabaram?

"Vários meses depois de Maria de Lurdes Rodrigues ser recebida com ovos, um inspector foi ouvir os estudantes da escola local.
A Inspecção-Geral de Educação (IGE) já assegurou, através de ofício, que nada de ilegal ocorreu na Escola Secundária de Fafe. Mas o presidente da associação de pais, Manuel Gonçalves, não se conforma. Em carta enviada ao procurador-geral da República, ao provedor de Justiça e aos grupos parlamentares, denuncia o método usado por um inspector da IGE que, para apurar o eventual envolvimento de professores numa manifestação contra a ministra, interrogou alguns dos alunos, "incentivando um comportamento denunciante" que, considera, "é absolutamente inconcebível depois do 25 de Abril".

Público

terça-feira, abril 28, 2009

PS usou em tempo de antena imagens de crianças com o Magalhães pedidas pelo Ministério da Educação

"O Ministério da Educação pediu a uma escola do primeiro ciclo de Castelo de Vide autorização para filmar crianças a utilizar o Magalhães. Mas, segundo conta hoje o Rádio Clube e o jornal “24 Horas”, as imagens acabaram por passar num tempo de antena do Partido Socialista, na RTP, no passado dia 22.
Os pais pediram já uma reunião na escola, a exigir uma explicação e a escola por sua vez, pediu explicações ao ministério, como adiantou ao Rádio Clube Ana Travassos, presidente do Conselho Executivo do agrupamento de escolas de Castelo de Vide".

Público

Comentário - Este governo tem-nos habituado a situações destas com demasiada frequência, daí que já não surpreendam ninguém. Para atingirem os seus objectivos, esta gente é capaz de tudo sem que isso os envergonhe minimamente. Sem vergonha sobra-lhes o descaramento. Saibam os portugueses dar-lhes a resposta merecida nos próximos actos eleitorais.

domingo, abril 26, 2009

Doze anos obrigatórios

Público

É só doutores

"Passou sem polémica o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano. Pediram-se apenas melhores condições para as escolas e o inevitável ajustamento das leis laborais. Mas ninguém formulou a questão básica: e se, por absurdo que pareça, nem todos os alunos tiverem capacidade intelectual para chegar ao 12º ano?
Que fazer? Baixar, ainda mais, os níveis de exigência do ensino secundário para distribuir democraticamente os diplomas? Tudo perguntas proibidas. Para o romantismo educacional, o sucesso escolar nunca depende da inteligência do aluno. Depende das condições que o rodeiam, do esforço dos professores e até do eventual milagre do santo padroeiro.
O que espanta neste optimismo é o governo não ser ainda mais ambicioso e alargar a escolaridade obrigatória até ao doutoramento. Mas lá chegaremos".

João Pereira Coutinho
Correio da Manhã

sexta-feira, abril 24, 2009

José Sócrates mentiu mais uma vez: na maioria dos países europeus, a escolaridade obrigatória não vai até aos 18 anos


E a perseguição aos professores continua

Com o alargamento da escolaridade obrigatória, prevê-se a entrada de mais 30.000 alunos no sistema de ensino, o que faria supor a contratação de mais professores. Maria de Lurdes acha que não. Segundo ela, os professores que hoje estão nas escolas são mais do que suficientes para fazer face ao aumento do número de alunos. Ora isso só se consegue de duas formas: ou aumentando o número de alunos por turma, ou aumentando o número de horas lectivas dos professores. Se o próximo ministro da educação pensar da mesma forma, a vida dos professores vai-se tornar num verdadeiro inferno. Não tenhamos a menor dúvida.

Quatro ex-ministros da educação pronunciam-se sobre o alargamento da escolaridade até ao 12º Ano

"1 - Apoia o alargamento da escolaridade obrigatória ao 12.º ano?

2 - As escolas estão prontas para a mudança?

Marçal Grilo

1 - É uma medida muito positiva.

2 - Acho que é preciso criar as condições integrais para a cumprir, tal como ocorreu em 1986 quando se decidiram os nove anos de escolaridade obrigatória.

Roberto Carneiro

1 - Era uma medida que, mais dia menos dia, era esperada. A sociedade do conhecimento não pode repousar sobre um patamar abaixo do 12º ano de escolaridade. A cidadania, as empresas, a tecnologia não se compadecem com um nível inferior ao 12º ano. Temos ainda 35 por cento dos jovens que não concluem o 12º ano, mas temos de ter ambição. A medida legislativa por si só não resolve nada, é preciso medidas sociais e pedagógicas que apoiem e tornem possível uma medida legal.

2 - Imediatamente, se calhar, as escolas não estão preparadas. É preciso haver formação dos professores. Tem de haver formação muito intensa e, no concreto, cada escola tem de se organizar e tem de haver algum dinheiro disponível para isso.

Júlio Pedrosa

1 - Considerando que este Governo promoveu já um alargamento significativo do ensino secundário profissional, criando um leque de ofertas diversificadas, creio que se está em condições de considerar esta medida. Isto desde que se garanta um número de condições para a equidade no acesso e no seu sucesso: o apoio social aos estudantes de condição socio-económica mais vulnerável, mas também a consolidação deste universo diversificado de ofertas, a qualidade e condições de funcionamento das escolas, recursos humanos qualificados, acessibilidade dos próprios e um currículo adequado quer para as ofertas profissionais, quer para as ofertas de formação secundária geral.

2 - Não estamos ainda com os padrões adequados, mas temos três anos à nossa frente. Todos temos de ter consciência de que não podemos dar-nos ao luxo de usar mal esse tempo: temos de usar todos os minutos destes três anos para criar essas condições.

Couto dos Santos

1 - Acho a medida positiva. A grande dúvida é saber se existem condições de garantir, do ponto de vista social, que essa medida possa ser cumprida na sua plenitude. Temos hoje escolaridade obrigatória até ao 9º ano e há muitos que têm abandonado por dificuldades económicas. De nada servia estar a pôr o alargamento na lei se não houver condições que permitam que a grande maioria - se não todos - possa lá chegar.

2 - As escolas preparam-se rapidamente, temos professores com muita capacidade, mas se não houver um período transitório, com o diálogo e envolvimento de todos os agentes, corre o risco do fracasso. É algo que vem aumentar mais as responsabilidades das escolas, que já têm uma grande carga de trabalhos. Se houver um período de transição, há condições para preparar os órgãos da escola. Espero que o façam em diálogo com eles, porque vai exigir muito dos professores e dos pais".

Público

Isto já é diário

"Um homem armado entrou ontem de manhã no Conservatório de Música do Porto e ameaçou uma professora. Em causa terá estado uma classificação negativa, que a docente deu à filha do agressor e com a qual aquele não concordou.
Segundo fonte da PSP, o homem entrou nas instalações e pediu à professora para assistir a uma aula, mas aquela recusou. De seguida o pai da aluna apontou a arma à docente e exigiu explicações sobre a nota atribuída à filha.
Alguns alunos, que estavam no local, deram conta do que se estava a passar e chamaram as autoridades. O indivíduo não ofereceu resistência, acabando por ser detido pela polícia. Durante a tarde de ontem, o agressor foi presente ao Tribunal de Pequena Instância Criminal do Porto e foi libertado.
O incidente gerou uma enorme confusão no estabelecimento de ensino. Ao verem o homem armado alguns alunos entraram em pânico e tentaram fugir pelas janelas do conservatório.
O Conselho Executivo recusou-se a prestar qualquer esclarecimento sobre o sucedido".

Correio da Manhã

quinta-feira, abril 23, 2009

Começam a ser "casos isolados" a mais

"Um aluno da Escola Secundária Matias Aires, no Cacém, de 15 anos de idade, foi hoje esfaqueado por um colega da mesma instituição de ensino, de 17 anos, confirmou ao PÚBLICO o gabinete de relações públicas da Polícia de Segurança Pública (PSP).A vítima, que sofreu um corte na zona da omoplata, foi transportada para o Hospital Amadora-Sintra mas não corre perigo de vida.Fonte da PSP confirmou ainda que o ataque ocorreu por volta das 10h00 de hoje no recinto da escola secundária".

Público

Comentário - E com a escolaridade obrigatória a aumentar até aos 18 anos, a escalada de violência vai aumentar. É certo e sabido.

quarta-feira, abril 22, 2009

Professores não se entendem

Num sinal claro de desagregação, os professores não se entendem quanto às formas de luta a adoptar para o 3º período:
- os sindicatos querem mais uma manifestação nacional e a entrega da ficha de auto-avaliação;
- os movimentos preferem greves de uma semana em que cada professor faria dois dias de greve, culminando com uma greve geral numa sexta-feira, acompanhada de manifestação nacional, e greve às avaliações do 3º período;
- e, muito provavelmente, teremos a maioria dos professores (que há muito desmobilizaram desta luta) que não quer nem uma coisa nem outra.

A relembrar aos mais desatentos

Dos 5% que não entregaram objectivos individuais, é bom não esquecer que muitos deles só mantiveram esta posição porque tiveram a garantia dos seus Conselhos Executivos de que poderiam entregar a ficha de auto-avaliação em Junho. Caso assim não fosse, este número teria sido ainda bem menor.

terça-feira, abril 21, 2009

Saúde propõe aulas de reanimação no secundário

"O Ministério da Saúde quer incluir no programa obrigatório do Ensino Secundário formação teórica e prática sobre os suportes básicos de vida e os desfibrilhadores automáticos, equipamentos que visam a reanimação em caso de emergência.
A proposta, revelou ao DN Rui Ferreira, o coordenador nacional para as doenças cardiovasculares, será entregue em breve ao Ministério da Educação. e poderá ser incluída já no próximo ano lectivo.
Rui Ferreira - que avançou ao DN esta iniciativa durante o XXX Congresso Português de Cardiologia - explicou que já estão a ser desenvolvidos conteúdos para integrar nos currículos obrigatórios dos estudantes do secundário.
Numa altura em que se aguarda a regulamentação da lei do uso de desfibrilhadores automáticos e morte súbita, que afecta centenas de portugueses por ano, o Alto Comissariado da Saúde apela à intervenção da população.:"Queremos que os alunos aprendam quando devem contactar os hospitais, quando se utiliza o desfibrilhador e onde estão os equipamentos, qual o seu papel e como deve ser desencadeada acção".
Por outro lado, os estudantes podem ainda aprender as técnicas básicas de reanimação, como a massagem cardíaca, e a desobstruir as vidas aéreas".

DN

segunda-feira, abril 20, 2009

Turmas mistas prejudicam raparigas

"Uma reportagem do Guardian dava conta há um mês da diferença dos resultados escolares entre raparigas que estudavam em colégios femininos e as que estudavam em escolas mistas. Quando separadas dos rapazes, elas obtinham notas muitíssimo superiores. Dei por garantido que as escolas têm de ser mistas e que o tempo dos colégios só para meninos ou só para meninas já lá vai. Mas na semana passada saiu mais uma reportagem sobre o tema, desta vez no El Pais. A presidente em Espanha da Associação Europeia para a Educação Diferenciada defendia que não só as raparigas obtêm melhores resultados escolares quando separadas dos rapazes como estes se tornam mais competitivos quando não estudam na presença do sexo oposto. Em Espanha, cerca de 80% dos alunos conflituosos e com problemas de comportamento são rapazes e a maioria desenvolve pouco as capacidades linguísticas e de leitura. As raparigas são piores a Matemática. Mas tudo melhora - o comportamento nos rapazes e o raciocínio abastracto nas raparigas - quando são separados. Numa época em que a palavra de ordem é "inclusão", separar raparigas e rapazes parece um disparate total. Mas será assim tão disparatado?"

Carla Quevedo
Sol

sábado, abril 18, 2009

Absolutamente espectacular e comovedor

video

Susan Boyle - "I Had A Dream" - Britain Got Talent - 9 de Abril 2009

sexta-feira, abril 17, 2009

Educação Sexual d'Os filhos dos outros

"Os males da educação em Portugal já estão diagnosticados há muito tempo e a sua cura começa a pouco e pouco a ser do conhecimento público: escolas gratuitas e ampla autonomia na definição dos seus projectos educativos e na contratação dos seus professores; projecto educativo de cada escola com propostas claras em todas as matérias a leccionar e do conhecimento dos pais; liberdade de escolha da escola pelos pais de acordo com o projecto educativo mais adequado ao género de educação que querem para os filhos; igual apoio do Estado a todas as escolas, em função do número de alunos, ponderado por nível de ensino, características socioeconómicas das famílias, etc. Neste sentido, o debate em curso sobre o Projecto de Lei do PS, que estabelece o regime de educação sexual nas escolas, não reflecte nada de inteiramente novo; vem apenas mostrar com toda a transparência o facto já conhecido de que o sistema educativo carece da mais elementar liberdade de educação.
De qualquer modo, há um ou outro aspecto do debate que desperta a atenção dos mais atentos. Um desses aspectos é a desonestidade intelectual manifestada pelos defensores da lei. Se o argumento dos críticos do Projecto de Lei do PS faz o apelo à autonomia das escolas, há logo quem apareça a dizer que não se pode dar essa autonomia às escolas porque se abriria a porta à existência em Portugal de madraças islâmicas; se o argumento faz o apelo ao direito que os pais têm de escolher o género de educação dos filhos, há logo quem apareça a dizer que a educação sexual não é diferente da matemática e do português, e se os pais não têm o direito de impedir os filhos de aprender matemática e português, logo também não têm o direito de os subtrair à educação sexual; se o argumento denuncia o facto de uma maioria parlamentar, meramente circunstancial, estar a impor ditatorialmente uma moral particular a uma minoria, há logo quem apareça a dizer que a maioria tem todo o direito de impor essa moral particular, caso contrário não haveria forma de proibir a excisão feminina. Este género de contra-ataque é desonesto porque, à falta de argumentos capazes de responder com propriedade às preocupações legítimas dos críticos do Projecto de Lei, usa a mera forma como arma de arremesso e os exemplos extremos, completamente desadequados à realidade portuguesa, como arma retórica.
De facto, o que os defensores não querem dizer abertamente é que, sob a capa de uma preocupação legítima com a educação sexual das crianças e adolescentes portugueses, o Projecto de Lei procura efectivamente transformar e direccionar a mentalidade dos portugueses, mesmo daqueles que, à partida, recusam transformar a sua mentalidade e ser dirigidos por caminhos que desaprovam.
Para não tornar este post excessivamente longo, não vou elaborar sobre as razões que fazem com que a educação sexual não seja redutível a uma questão técnica (logo, não seja um problema que diga respeito apenas aos especialistas da área da saúde e muito menos aos governantes que administram a educação).
Não vou elaborar sobre as razões que fazem com que o facto de 3 + 4 = 7 e de “espontâneo” ser com “S” e não com “X” ser de uma ordem completamente distinta da escolha da contracepção ou da abstinência como meios mais adequados para a prevenção da gravidez na adolescência e das doenças sexualmente transmissíveis.
Não vou elaborar sobre as razões que podem levar os pais a estarem muitíssimo preocupados com o facto de o Projecto de Lei do PS prever o ensino das mesmas coisas e da mesma maneira a todas as crianças e adolescentes, independentemente da sua maturidade emocional, do à vontade que sentem ou não em discutir em público questões de índole sexual, do facto de serem rapazes ou raparigas – são evidentes as consequências gravíssimas que podem decorrer de uma educação sexual desproporcionada.
E não vou elaborar sobre a falta de oportunidade de os pais se verem na eminência de terem de desacreditar em casa o que o professor ensina aos filhos na escola e de terem o professor na escola a desacreditar os que os filhos aprendem em casa.
Independentemente da razoabilidade das questões que referi, reconheço que é muito raro encontrarmos uma pessoa que discorde que há muitas crianças e adolescentes para quem o estabelecimento de um regime de educação sexual nas escolas constitui a única forma de aproximação minimamente coerente aos problemas da sexualidade. Impedir que estas crianças e adolescentes tenham acesso à educação sexual seria uma forma de os privar da liberdade de poderem viver uma vida informada e adulta. Neste sentido, o estabelecimento de um regime de educação sexual nas escolas não pode ser simplesmente descartado.
Bem vistas as duas perspectivas, então, podemos concluir que estamos face a um conflito de liberdades, em que a ampliação da liberdade de alguns (o direito à informação minimamente coerente por parte de crianças e adolescentes com pais negligentes ou pouco preparados) tem o preço da restrição da liberdade de outros (o direito das crianças e adolescentes terem uma educação conforme aos desejos e escolhas dos pais que estão efectivamente preocupados com a educação dos filhos). Contudo, este conflito de liberdades não é uma fatalidade. É um conflito que pode ter uma solução de compromisso se o Legislador estiver verdadeiramente empenhado em encontrar uma solução para ele.
A solução ideal, que actualmente ainda não está à nossa disposição, já foi exposta por mim no primeiro parágrafo deste post. No contexto actual, dado que ainda não há uma efectiva liberdade de educação no sistema escolar português, a única solução de compromisso para o problema da educação sexual nas escolas, por forma a não se constituir como um acréscimo da liberdade de uns à custa da restrição da liberdade de outros, é a seguinte: proporcionar aos pais um conhecimento prévio dos conteúdos da educação sexual que vão ser ministrados aos seus filhos; informar os pais sobre quem são os professores que vão formar os seus filhos no domínio da sexualidade; nomear um responsável último pela educação sexual que os seus filhos têm na escola. Finalmente, nos casos em que os pais, com toda a informação transparente ao seu dispor, não estiverem de acordo com a forma como serão ministrados os conteúdos da educação sexual, que lhes seja reconhecido o direito de dispensarem a cooperação do Estado na educação dos seus filhos, ou seja, que lhes seja reconhecido o direito de recusarem a participação dos seus filhos nos momentos de formação que decorram do regime de educação sexual estabelecido pela lei.
Como facilmente se verifica, não são os críticos da educação sexual que estão cegos face à razoabilidade dos argumentos dos defensores da educação sexual nas escolas; muito pelo contrário, são os defensores do Projecto de Lei do PS que estão cegos face à razoabilidade dos argumentos dos críticos. As perguntas que têm de ser feitas são as seguintes: Porque razão não querem os defensores da educação sexual nas escolas conceder aos pais o direito e liberdade de decidirem sobre a oportunidade ou falta de oportunidade da educação sexual definida pela maioria parlamentar? Porque razão é que os defensores do regime de educação sexual previsto no Projecto de Lei do PS não se contentam com a aplicação da educação sexual a alunos que manifestamente dela necessitam e insistem na imposição da educação sexual a alunos cujos pais estão suficientemente preocupados com a educação dos filhos ao ponto de se manifestarem insistentemente contra o regime que agora é proposto?
Não é difícil de perceber que o que está realmente em causa no debate em curso sobre a educação sexual nas escolas não é a preocupação com as crianças e adolescentes que dela carecem mas antes a preocupação em revolucionar a mentalidade e herança cultural das crianças e jovens portugueses. E sobre este tema vale muito a pena ler o artigo que Francisco Vieira e Sousa escreveu no PÚBLICO de Sábado passado, 11 de Abril, onde justamente defende que o Projecto de Lei do PS constitui um caso gritante de "ditadura da maioria e de utilização do Estado para propagar uma dotrina moral particular""".

Nuno Lobo

Entrevista de Mário Nogueira

"GOVERNO ESTÁ DE NOVO A TENTAR ILUDIR AS PESSOAS": Mário Nogueira, Secretário-geral da Fenprof
Correio da Manhã – O secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, afirmou que na reunião [de ontem] com a Fenprof o Governo admitiu acabar com o limite de vagas de acesso a professor titular. Não seria uma forma de, na prática, acabar com a divisão da carreira que os sindicatos reclamam?
Mário Nogueira – A proposta que o Governo nos apresentou para o Estatuto da Carreira Docente (ECD) está num documento que é público e que mantém a divisão da carreira e o limite de vagas para acesso à categoria de professor titular. Na reunião, o secretário de Estado disse depois que admitia ir mais longe.
– Acabar com o limite de vagas para professor titular?
– Se os sindicatos assinassem um entendimento que reconhecesse esta proposta de ECD, o Governo admitia equacionar a questão das vagas, mas colocando logo uma condição que era impor mais requisitos para fazer a prova de acesso a titular, o que impediria que muitos a fizessem. No fundo, estar-se-ia a transferir as vagas do pós-prova para antes da prova. Como sabe, hoje um professor do quadro com 16 anos de serviço pode candidatar-se a titular.
– O secretário de Estado revelou que novos requisitos seriam esses?
– Disse que, caso acabasse o limite de vagas, tinha de se criar antes da prova uma situação qualquer, porque senão podiam todos candidatar-se. E nós perguntámos: ‘Mas diga o que é, que situação seria essa?’ E ele respondeu que nem valia a pena falar nisso, porque nós, sindicatos, somos contra a divisão da carreira, e nunca aceitaríamos.
– Está então a dizer que a alegada disponibilidade para recuar divulgada pelo Governo não corresponde à realidade?
– É uma tentativa de manipulação da opinião pública. Estão de novo a iludir as pessoas e a tentar criar a ideia de que estão com grande disponibilidade, quando na realidade não estão".

Bernardo Esteves
Correio da Manhã

quinta-feira, abril 16, 2009

Ministério admite acabar com limite de vagas para professor titular, mas só com contrapartidas

"O secretário de Estado Adjunto da Educação revela à Renascença que o Governo admite acabar com o número limite de vagas para professor titular.
Jorge Pedreira diz tratar-se de uma cedência do Ministério para terminar com o clima de conflitos entre tutela e sindicatos.

Depois de um mês de pausa nas negociações, o Governo não abre mão da divisão da carreira docente em professor e professor titular, mas admite franquear o acesso a esta categoria, desde que os professores preencham determinados requisitos.

Por exemplo, se os docentes “prestassem provas públicas – iríamos discutir quais – e tivessem determinadas condições de tempo de serviço e formação”, refere o secretário de Estado.

Jorge Pedreira lembra que esta hipótese só se verificará, se os sindicatos acordarem com o fim do conflito com o Ministério da Educação.Garantidas estão já outras alterações, como o encurtamento do tempo de permanência nos escalões mais baixos e a melhoria do índice remuneratório no topo de carreira".

MG/Cristina Nascimento
Rádio Renascença

O Valor da Matemática

"Portugal, Luxemburgo e a Suíça têm no seu sistema de ensino uma coisa em comum: os piores alunos a Matemática são portugueses. Já estamos habituados a que no nosso sistema de ensino os estudantes oriundos da Rússia, Ucrânia, Moldávia ou Roménia sejam naturalmente melhores a Matemática .
Não há provas de que haja alguma determinação genética para o fenómeno. Os portugueses podem ser brilhantes a Matemática, e não faltam casos, sem precisar de recuar até Pedro Nunes, o genial inventor do Nónio. Mas o nível médio é confrangedor.
Ainda recentemente ficou famosa uma decisão judicial que reduzia de "um sexto para um quinto" a execução de uma penhora.
Há algumas condicionantes que favorecem a fobia nacional. Aprender Matemática exige esforço, trabalho e concentração. Também é fundamental que haja professores que gostem de ensinar uma matéria, que quando é bem explicada chega a ser apaixonante. Sem bom ensino a Matemática, não podemos aspirar ter uma economia com inovação e competitiva. Saber Matemática é mais do que saber as operações aritméticas; é aprender a pensar de forma mais rigorosa. Em boa hora o Presidente da República pensou em dedicar o dia de ontem à Matemática, mostrando diversas aplicações práticas do dia-a-dia".

Armando Esteves Pereira, Correio da Manhã


quarta-feira, abril 15, 2009

Maria de Lurdes em alta



Ultimamente, Maria de Lurdes Rodrigues é só sorrisos. Tem motivos para isso: os professores capitularam na guerra contra o Ministério da Educação e isso é motivo mais do que suficiente para ela se sentir satisfeita. O mesmo não se pode dizer dos professores que ao baixarem os braços, deitaram tudo a perder, ficando agora nas mãos dos eleitores e na possibilidade de estes não permitirem uma maioria absoluta ao PS. É triste deixarmos nas mãos de estranhos a resolução dos nossos problemas, mas esta sempre foi a realidade da nossa classe pelo que não há razão para ficarmos surpreendidos.

Mais tecnologia não significa, por si só, melhores resultados

"Dizem-me que, dentro de um ano, haverá dois computadores por cada aluno da escola pública e um quadro digital interactivo por cada duas salas de aula. Os números, como confio na minha fonte, são de fiar.
Tamanho luxo deixa-me surpreendido, mas não agastado; apenas ligeiramente preocupado. Ao contrário do que quer fazer crer a equipa pedagógica que anda no Poder há dois ou três anos, mais tecnologia não significa, por si só, melhores resultados.
Leiam-se estudos recentes sobre o assunto para perceber que não é apenas com nova linguagem que se combatem novos problemas. Desenhar uma sociedade sem info-exluídos, mas com poucos hábitos de trabalho, é andar para trás. Uma viagem pela Ásia e pelo Leste mostra que não basta ter computadores aos molhos. É preciso trabalho".

Francisco José Viegas
Correio da Manhã

segunda-feira, abril 13, 2009

A propósito do plano de requalificação do parque escolar

Muito eu gostava de saber quais foram os critérios que presidiram à escolha das escolas a beneficiar de obras de requalificação. É que num determinado concelho deste país, das três escolas existentes, a escola que conseguiu integrar o plano de requalificação é aquela que menos necessidade tem de ser intervencionada. Será que o facto do director dessa escola ser uma figura destacada do PS local teve algum peso na decisão?

domingo, abril 12, 2009

sábado, abril 11, 2009

Escandaloso

"O presidente do Conselho Científico para a Avaliação de Professores (CCAP), Alexandre Ventura, passa a usufruir de subsídio de residência de 941,25 euros mensais e a ter direito a usar viatura do Estado, de acordo com dois despachos publicados quinta-feira em Diário da República.
Estas regalias acrescem à remuneração de cerca de 3700 euros por exercer cargo equiparado a director-geral, que acumula com o de professor auxiliar na Universidade de Aveiro a tempo parcial (30%). O subsídio é justificado por ter 'residência permanente em Aveiro' e o CCAP funcionar em Lisboa. Segundo o site do Ministério da Educação (ME), o CCAP só reuniu quatro vezes desde a sua nomeação em Novembro. O ME afirma que Ventura tem de dormir 'algumas noites por semana em Lisboa' porque além das reuniões há 'imenso trabalho que não se vê'. E garante que fica mais barato do que pagar hotel como até agora".

Correio da Manhã

quinta-feira, abril 09, 2009

16 anos para concorrer a titular e novo concurso para titulares ainda este ano civil

"O Ministério da Educação (ME) admite reduzir de 18 para 16 os anos de serviço docente efectivo necessários para se concorrer a professor titular, de acordo com uma proposta a que a Lusa teve acesso.
O documento servirá de ponto de partida para as negociações que tutela e sindicatos retomam na próxima semana a propósito da revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD). O Governo admite ainda antecipar de 15 para 14 anos o tempo de serviço necessário para um professor poder realizar a prova pública de acesso à categoria de titular.
O ME compromete-se a abrir nas escolas um novo concurso extraordinário interno, ainda este ano civil, sem prestação da prova pública, ao qual terão acesso todos os professores posicionados no 4º escalão da carreira. O ME faz ainda alterações aos prémios de desempenho e confirma que a prova de ingresso na carreira será de resposta múltipla".

Correio da Manhã

quarta-feira, abril 08, 2009

Novo modelo de gestão vai ser implementado com a maior das naturalidades

Estão recordados da polémica que gerou o novo modelo de gestão junto dos professores? A julgar pela normalidade com que está a decorrer o processo de substituição dos Conselhos Executivos pelo Director, parece que afinal os professores estão de acordo com o modelo ou pelo menos não discordam dele o suficiente para o rejeitarem. Já agora seria interessante fazer a estatística dos actuais presidentes dos Conselhos Executivos que já se candidataram ou se vão candidatar ao cargo de Director. Tenho para mim que a quase totalidade não perderá a oportunidade de se candidatar. É esta hipocrisia que desprezo e que contribui decisivamente para que a classe de professores não seja minimamente respeitada.

terça-feira, abril 07, 2009

Informação sobre avaliação dos professores é de acesso público

"A Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA) analisou uma queixa de um professor que reclamou o acesso ao processo de avaliação de uma colega avaliada em 2007/08. O docente alegava que uma vez terminada a avaliação do desempenho, este tipo de informação é de livre acesso a qualquer cidadão. A CADA concorda. Os sindicatos falam de “bomba ao retardador”.
A escola do professor bem alegou que o Estatuto da Carreira Docente determina que o processo de avaliação dos professores é confidencial. Mas um parecer da CADA a que o PÚBLICO teve acesso dá conta do entendimento da comissão: “Se a documentação da avaliação do desempenho da referida docente contiver, como é normal suceder, apenas apreciações de natureza funcional” – ou seja, juízos de valor sobre o exercício das suas funções – “será acessível a qualquer pessoa e sem restrições”.
Já se o processo contiver também informação que faça parte da esfera da vida privada da avaliada (sobre saúde, vida sexual, convicções filosóficas, políticas ou religiosas, por exemplo) essa informação não pode ser acedida por qualquer pessoa".

Público

Comentário
- Num país como o nosso, onde o compadrio e o amiguismo são costumeiros, esta decisão faz todo o sentido. Convém que haja transparência na avaliação dos professores, especialmente na forma como os "excelentes" e os "muito bons" serão atribuídos, pois há que saber se estas avaliações são de facto merecidas ou se são fruto de esquemas subterrâneos.

domingo, abril 05, 2009

Directores dispensados de dar aulas

"Os futuros directores e subdirectores de escola vão ficar dispensados das aulas. Segundo um despacho do Ministério da Educação (ME), os principais responsáveis das escolas vão exercer em exclusividade, enquanto os adjuntos, nos 2º e 3º Ciclos e Secundário, vão ter de dar aulas a, pelo menos, uma turma. Se os adjuntos forem educadores-de-infância ou professores Primários, ficam com uma componente lectiva de 5 horas, para apoio educativo.
Um outro despacho do ME fixa em três o máximo de adjuntos de direcção e só nos casos em que os agrupamentos ou escolas tenham mais de 1200 alunos".

Correio da Manhã

sábado, abril 04, 2009

Tese propõe novos rankings

Numa tese de mestrado, apresentada na semana passada, o economista André Sampaio (filho de Jorge Sampaio), critica a forma como são construídos os rankings da comunicação social e defende que o Ministério da Educação deveria chamar a si essa função, em vez de se limitar a divulgar dados em bruto sobre os resultados dos exames nacionais. Para este economista os rankings deviam ter em linha de conta factores como a nota dos alunos no início e no final do ciclo, o contexto sócioeconómico dos estudantes e o número de matrículas rejeitadas e anuladas.
Defende também um método inovador de avaliar as escolas que é apresentado no quadro acima.

Nota - Quadro retirado do semanário "Sol"

Multas para pais já tem 12 mil assinaturas

"A aplicação de multas ou a retirada de prestações sociais aos pais de alunos indisciplinados e faltosos vai ser discutida na Assembleia da República. A petição lançada há pouco mais de uma semana pelo presidente das Escolas de Durque (Viana de Castelo), Luís Braga, já recolheu mais de 12 mil assinaturas, número mais do que suficiente para entrar na AR. Luís Braga entende que as faltas e actos de indisciplina não são sancionados nas escolas de forma eficaz, sendo necessário outro tipo de medidas que não exclusivamente pedagógicas. E que devem passar por uma maior responsabilização dos pais".

Expresso

quinta-feira, abril 02, 2009

A revista "Sábado" sempre na vanguarda contra a escola pública

"Cada vez mais, as escolas têm apenas um objectivo - e não é ensinar as crianças a ler, escrever e contar. O que a escola quer, desesperadamente, é que os alunos lá vão e lá fiquem, no sossego possível, até que passe o tempo suficiente para poderem ser mandadas em paz à sua vida.
Mais importante do que um aluno que dá respostas certas é outro que se "porta bem", ou seja, que não envia colegas para o hospital todas as semanas, que não fura os pneus dos carros dos professores e que não destrói oginásio. Tanto que segundo os jornais desta semana, há cada vez mais alunos que passam de nota positiva para positiva só pelos seus instintos pacifistas. A tutela das escolas devia ser transferida, definitivamente, para o Ministério da Administração Interna".

Editorial
Sábado

Regime de faltas: as razões porque as estatísticas apresentadas não são fiáveis

"Apesar de ser estabelecido por legislação nacional, aos estudantes do ensino básico e secundário não está a ser garantido um tratamento igual quanto ao regime de faltas. Há professores que apontam o dedo à redacção "dúbia" do novo Estatuto do Aluno.
Uma pequena digressão pelos regulamentos internos que norteiam os estabelecimentos escolares mostra que a confusão está instalada quanto ao destino a dar às faltas cometidas pelos estudantes que tenham positiva nas provas de recuperação, que o novo Estatuto do Aluno tornou obrigatórias para os faltosos.
Um estudante nestas circunstâncias que frequente a Virgílio Ferreira, em Lisboa, ou a Fernando Lopes Graça, na Parede, verá as suas faltas serem relevadas. Se a sua escola for a D. Duarte, em Coimbra, ou a Secundária do Restelo, em Lisboa, todas as faltas injustificadas que tenha em excesso são justificadas pelo Conselho de Turma. O mesmo pode acontecer na Filipa de Vilhena, no Porto. Já na Eça de Queiroz, na Póvoa de Varzim, com positiva na prova recomeça a contagem de faltas, embora as antigas se mantenham em registo. No Agrupamento José Cardoso Pires, na Amadora, estas ficam "congeladas".
São apenas alguns exemplos. Por outro lado, em várias outras escolas os regulamentos internos ainda não foram adaptados ao novo Estatuto, aprovado no ano passado. Podendo encontrar-se nestas casos as regras em vigor com o diploma anterior, datado de 2002, que castigava a ultrapassagem do limite de faltas com a retenção.
O parágrafo no centro da confusão é este: com a aprovação do aluno na prova, "o mesmo retoma o seu percurso escolar normal, sem prejuízo do que vier a ser decidido pela escola, em termos estritamente administrativos, relativamente ao número de faltas consideradas injustificadas".

Público

quarta-feira, abril 01, 2009