terça-feira, dezembro 30, 2008

Ainda o Cerco

"O triste episódio da Escola do Cerco, no Porto – com um miúdo a gritar "dás-me positiva ou levas um tiro" –, foi desvalorizado porque as crianças, parece, podem fazer o que lhes apetece. Mas dá uma ideia – mais uma – do que o Ministério ignora sobre a vida das escolas. Tendo abandonado os professores em vez de atacar, como devia, a corporação que abunda pelos corredores e gabinetes do Ministério, Maria de Lurdes Rodrigues escolheu o alvo mais fácil e o mais errado.
Os professores são a instituição que resta de uma escola despedaçada e desprotegida, alvo fácil de associações de pedagogos, de pais, de políticos e de energúmenos. Diante da cena macabra divulgada em vídeo, devia-se defender a professora ameaçada, e não desculpar os patifes. Estamos num Mundo de pernas para o ar".

Francisco José Viegas

domingo, dezembro 28, 2008

Ano dos professores

"O ano de 2008 foi o ano dos professores em Portugal. As suas tarefas aumentam todos os dias.
Dão aulas, organizam a sua escola, abrem-na ao meio, dialogam com os pais, guardam as crianças durante o horário laboral em crescendo, tentam disciplinar os jovens numa sociedade opulenta de casos de vigarice económica e de violência. Além disso, têm de perceber a psicologia do aluno e até distinguir, num ápice, se uma pistola apontada à cabeça, na aula, é verdadeira ou falsa. Reparem que nem falo do estatuto da carreira ou da avaliação.
Estes foram porém os temas que encheram as ruas e esvaziaram as escolas em 2008. Este ano foi o ano em que o Estado se distanciou dos professores da escola pública e a Igreja Católica se aproximou deles. Assim começam as novas eras".

José Medeiros Ferreira
Correio da Manhã

O Cerco

"Acho que já todos viram o filme. Numa escola do bairro do Cerco, no Porto, um bando de "alunos" do 11.º ano aponta uma pistola de plástico à professora de Psicologia e exige notas positivas (com sucesso, viu-se depois). Um "aluno" com vocação jornalística filma a cena com o telemóvel e põe-na a circular na Internet. O país indigna-se durante a ressaca natalícia. O sindicalista Nogueira interrompe a preparação de greves e abaixo-assinados nunca vistos para emitir uns protestos vagos. A presidente da escola em questão define o episódio como "uma chatice". A directora da DREN chama-lhe "uma brincadeira de mau gosto". Uma mãe local garante que "os jovens de 17 e 18 anos são assim". Um representante das associações de pais culpa a DREN por não impedir os telemóveis nas salas de aula.
Se bem se percebe, o consenso geral determinou não ser grave que estudantes criativos simulem um ataque armado a uma docente. Aparentemente, também não será grave que, segundo testemunhos diversos, a maioria dos ataques em escolas não sejam simulados e decorram com relativa frequência e armas reais. Grave, gravíssimo é que as versões filmadas dos acontecimentos irrompam por aí ao desbarato.
Sinto-me obrigado a concordar. O caso do Cerco é um mero sintoma do estado do ensino público. A "luta" entre professores e ministério é outro. Se as causas da miséria não cabem neste texto, a cura não cabe na realidade: a educação desceu a um buraco do qual, por incrível que pareça, nem os incontáveis méritos do computador Magalhães a conseguirão resgatar. Dissolvidos os últimos vestígios de disciplina, exigência curricular e tino, o "sector", para usar uma expressão corrente, abandonou há muito os motivos que começaram por justificar a sua existência. Hoje, com variações de grau que não comprometem o cenário geral, existe somente para distribuir empregos e remover fedelhos do mundo exterior. Lá dentro, no mundo "deles", decorre uma encenação ficcionada ou verídica da violência, da resignação e da apatia. Não é um espectáculo bonito de se ver, logo não há motivos plausíveis para que o vejamos.
Hipocrisia? Uma dose moderada nunca matou ninguém. E se matar ou magoar um bocadinho nós não sabemos".

Alberto Gonçalves
DN

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Violência nas escolas

"Costuma dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras e de facto as imagens de alunos a apontarem uma arma a uma professora da Escola do Cerco, no Porto, falam por si. A pistola é de plástico, mas esse é um pormenor num bairro em que a facilidade de encontrar uma arma real é semelhante à de um brinquedo. Enquanto um adolescente apontava a arma, outro ensaiava golpes de boxeur e a professora ameaçava com faltas disciplinares.
Tal como na agressão da Escola Carolina Michaelis, este caso só é do conhecimento público porque um aluno filmou com o telemóvel e as imagens foram colocadas na internet.
Se não existissem as imagens, estes casos não passariam de pequenos episódios. Provavelmente nem haveria inquéritos internos nas escolas. Quantas vezes os professores são humilhados na sala de aula sendo estes incidentes desvalorizados como 'brincadeiras de mau gosto, como chamou a directora da DREN a este caso do Cerco. A profissão de professor é das actividades mais nobres. Mas infelizmente os docentes têm vindo a perder prestígio e autoridade.
Urge devolver autoridade aos professores. Não haverá educação de qualidade se não houver professores respeitados. E a educação é a única arma que pode evitar que as novas gerações mergulhem na pobreza".

Armando Esteves Pereira, Correio da Manhã

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Segundo a Presidente do Conselho Executivo, os alunos até são bastante simpáticos

Alunos simulando intimidação de uma professora com uma arma de plástico e gestos agressivos, estragou as férias de uma turma do Agrupamento Vertical do Cerco do Porto. Para ver aqui.

terça-feira, dezembro 23, 2008

John Hiatt - Have A Little Faith In Me

Jorge Pedreira, o careca

Alexandre Pais
Sábado

Conselhos Executivos organizam-se para “reflectirem” e “acertarem posições” sobre avaliação de professores

"Um grupo de presidentes de conselhos executivos (CE) de escolas da Região Centro está a organizar uma reunião inédita, de representantes dos órgãos de gestão de estabelecimentos de ensino de todo o país, para “reflectir” “e acertar posições” sobre o modelo de avaliação de desempenho dos professores, soube o PÚBLICO.
A iniciativa partiu dos CE de 20 escolas de Coimbra, mas conta com a colaboração de representantes dos órgãos de gestão de estabelecimentos escolares de Viseu e de Santarém para fazer reunir, já no início do segundo período, todos os que se sentem “preocupados” com o actual “clima de intranquilidade”.

Público

sexta-feira, dezembro 19, 2008

A deterioração do regime democrático, os professores e uma lúcida e sensata opinião

"Em estudo recente sobre a “Reforma institucional em Portugal, perspectiva das elites e das massas”, da autoria de André Freire, Manuel Meirinho e Diogo Moreira, dá conta que 71.5 % dos eleitores não “estão satisfeitos com a qualidade da democracia em Portugal”( esta era a pergunta) e somente 28.5% afirma “estar satisfeita com a democracia em Portugal”. Em 1999 o “grau de satisfação com o regime democrático” era de 35%, enquanto em 1985 atingiu 40%. Em traços gerais, e sem esgotar o estudo, que concluir deste trabalho de André Freire, Manuel Meirinho e Diogo Moreira? Que o descrédito tem vindo a acentuar-se e a insatisfação com o regime democrático é a mais alta dos últimos 23 anos… Logo, algo vai mal no “reino da democracia”.
Na realidade, a satisfação das pessoas relativamente ao regime democrático passa, entre outros aspectos, pela resposta que este regime consegue prestar a questões como a habitação, a saúde, o apoio digno à terceira idade, a qualidade de vida, o ambiente, a criação de postos de trabalho e a consequente empregabilidade, a inserção e o bem-estar dos cidadãos na sociedade, a eficácia e a funcionalidade dos serviços, o apoio estatal às pequenas e médias empresas no sentido de as revitalizar… Sem esquecer uma política educativa que prepare adequadamente os jovens - cidadãos futuros deste país - para as variadas funções nos diversos sectores. E quem tenta preparar esses jovens? Naturalmente que os professores, ministrando-lhes conhecimentos, saberes, competências. Educando-os para a cidadania no pleno uso de comportamentos cívicos civilizados que permitem o bom relacionamento e o respeito mútuo na sociedade em que estão inseridos.
Hoje que vemos? Professores a serem acossados e violentados pelo ministério da educação com a descabelada avaliação “sem pés nem cabeça”, onde impera a burocracia, a injustiça, a trapalhada e onde a cizânia e o mau relacionamento inter pares começa já a ser uma realidade tangível. No entanto, da parte do ministério, as medidas economicistas são o principal escopo. De resto a putativa avaliação surge mais como manobra de diversão que se destina a deitar poeira nos olhos para distrair os portugueses do problema fulcral que é, na generalidade, o depauperamento e os problemas graves com que se debate o país e, em particular, o problema do actual sistema educativo, incidindo, ou pretendendo incidir as atenções sobre a classe profissional. Culpando-a. Pretendendo atingi-la na sua honorabilidade e dando a entender que com a execrável avaliação o sistema educativo melhorará, o que é falso. Não se esqueça que muitos alunos com comportamentos derrancados, desembestados, indisciplinados, violentos, continuam impunemente a perturbar o desenrolar das actividades nas salas de aulas, colocando os professores num ambiente desagregador, numa tensão permanente. Junte-se a cultura relaxada, laxista, permissiva e o “faz de conta que o aluno tem proveito”, estimulado pelo próprio ministério da educação que “não quer que os alunos chumbem” pois ficam muito caros ao Estado… Os alunos, numa visão romântica, lírica e puramente na linha do eduquês, “têm todos a mesma capacidade” e ao professor compete, por artes de prestidigitação e magia, exercer o “modus faciendi” para o pleno sucesso educativo. Não esquecendo as turmas de poucos alunos interessados, amalgamados com alunos inteligentes, normais, portadores de deficiências com maior ou menor gravidade, oligofrénicos, hiperactivos, malcriados, perturbadores… Para que servem os professores de educação especial? Por que têm os professores do ensino normal, de trabalhar com alunos a necessitarem, urgentemente, de necessidades educativas especiais? Foi contra este estado de coisas, que a súcia medíocre que está aboletada no ministério não resolve e não se cansa de destruir, a que se juntou a astuciosa invencionice da disparatada e disfuncional avaliação - medida puramente economicista, não será demais repetir - que se insurgiram os docentes nas grandiosas manifestações de Março e Novembro, revelando a sua “indignação”. O tal “direito à indignação” de que fala o sr. doutor Mário Soares, a “reserva moral e ética” da Pátria. Pois este indefectível demófilo aburguesado do “socialismo de lagosta” não teve pejo, num comentário inserido na pág. 2 do “Diário de Notícias” do pretérito dia 11 de Dezembro, afirmar que a simpática ministra “ tem uma orientação e tem sentido de responsabilidade e até uma coragem invulgar. Eu aprecio as pessoas de coragem”. Soares dixit (possivelmente o doutor Soares estaria também a pensar na coragem de Salvador Allende que resistiu a Augusto Pinochet; ou na coragem de Hugo Chavez que resiste ao imperialismo do tio Sam; ou em Fidel Castro que resistiu aos americanos; ou, até, na coragem de António de O. Salazar que resistiu aos terroristas, quando, em 1961, massacraram colonos, mulheres e crianças brancas, enviando as nossas forças armadas para a chacina não continuar e para defender os portugueses, independentemente da cor da pele, que labutavam nas colónias).
Então para este demófilo, as duas grandiosas manifestações de milhares e milhares de professores não “ tiveram uma orientação e um sentido de responsabilidade e até uma coragem invulgar” ao manifestarem-se contra a Medusa da educação? Então para este demófilo das “grandes causas”, não terão sentido de responsabilidade as palavras do sr. doutor João Lobo Antunes, distinto e simpático neurocirurgião, verdadeiro gentlemen, que afirmou numa recente entrevista que (e passo a citar): “conheço bastantes professores e nestes últimos meses não vi nenhum feliz”. Então para este demófilo, o facto de a Conferência Episcopal reconhecer como justa a luta dos professores, “não tem sentido de responsabilidade e coragem”? Então para este demófilo, a tomada de posição da srª drª Maria do Rosário Gama - (detentora de cartão socialista!), presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Infanta Dª Maria de Coimbra (a melhor escola pública do país no ranking nacional)-, arrasando este injusto, desmedido, inexequível e desconchavado sistema avaliativo não” tem sentido de responsabilidade e coragem invulgar”?
O sr. dr. Mário Soares ignora e desconhece o que se passa nas escolas públicas, mas, no entanto, fala, fala e aprecia “pessoas de coragem”… Melhor seria que apreciasse a abnegação, a disponibilidade e o sacrifício dos professores portugueses que lidam, diariamente, com alunos desrespeitadores, desordeiros, malcriados, indisciplinados, insolentes, boçais e violentos. E a culpa é, em muitos casos, dos pais que não os educam, não lhes modelam valores e referências, nem estarão para aí virados! O tempora! O mores!
À guisa de conclusão não posso deixar de reproduzir parte de um artigo do Prof. Doutor Soares Martinez (que o dr. Soares por certo muito apreciará) escrito num semanário no pretérito dia 25 de Novembro. Em vez de “apreciar a coragem” de Lurdes Rodrigues (qual coragem? Sim teimosia, arrogância, desprezo), o Professor Martinez faz a justiça de compreender os professores, escalpelizando a verdadeira origem de todo este mal-estar difuso e demolidor. Vale a pena transcrever parte do seu texto intitulado,”Quando os professores estão inocentes”, máxime a parte 3,”O caos do ensino não é imputável aos professores”. Afirma o Professor(...)”no seu conjunto, trata-se de uma classe profissional e social que a nação deverá especialmente acarinhar em termos de prosseguir, paulatinamente, com compreensão por alguma via que possa ainda conduzir a soluções de equilíbrio, de razoabilidade. No plano do ensino, a tarefa mais delicada, mais morosa, respeita à cautelosa formação de docentes. E os erros que aí se cometem repercutem-se por longos períodos. EM QUALQUER CASO, O ACTUAL CAOS DO ENSINO NÃO PODE SER ATRIBUÍDO AOS PROFESSORES. Resulta de um ambiente geral de indisciplina, de inconformismo, de impaciência, que, naturalmente, mais perturba os jovens de idade escolar do que a gente madura. Mas nem um mínimo de aproveitamento do ensino é exigível quando o professores ficam forçados a subordinarem-se a programas e compêndios inteiramente desajustados ao meio nacional, quando não se acham em condições de impor alguma ordem e alguma compostura nas próprias aulas, quando têm de dar por aprovados examinandos, ou frequentadores das escolas, ou meros inscritos nelas, contra a sua própria consciência de docentes-examinadores. A condição de professor passou a ser deplorável, a vários títulos. E, pela degradação das escolas públicas, sobretudo, o ENSINO TORNOU-SE OSTENSIVAMENTE ANTI-DEMOCRÁTICO, como nunca o fora antes. Porque quase só conseguem realmente aprender os filhos de gente rica, orientados por explicadores de satisfatória preparação e assídua aplicação; assim como aqueles que dispõem de um ambiente familiar de bom nível cultural, acrescido de disponibilidades bastantes para encaminhamento dos mais jovens. Mas os professores, colectivamente, estão inocentes. São as vítimas, em primeiro escalão, do caos do ensino, que a todos agrava, que a todos ofende, porque afecta e corrói os mais diversos aspectos da vida nacional”.
Mais palavras para quê? Está tudo dito".

António Cândido Gavaia
Semanário Transmontano

Sopa de Pedra

"Nos anos de chumbo da Guerra Fria, a propaganda ocidental comparava a economia soviética a um comboio parado dentro do qual, para que quem estivesse de fora acreditasse que a coisa estava em movimento, os passageiros, sob a batuta do PCUS, se iam inclinando ritmadamente para a frente e para trás. Passa-se algo parecido com o famoso modelo de avaliação que o ME desencantou, pronto a vestir, no Chile e importou com a louvável intenção de "chilenizar" a escola portuguesa.
Tendo-se os custos da coisa, principalmente os políticos, descontrolado, neste momento, a ministra já não quer saber do modelo para nada, só estando preocupada, ela e o Governo, que quem estejade fora acredite que a "reforma" vingou. Depois de todas as simplificações, alterações, excepções e derrogações em matérias que ainda no dia anterior eram "essenciais", agora são os professores que se reformarem até 2011 que já não "têm direito" a ser avaliados. O modelo de avaliação da ministra tornou-se numa sopa de pedra ao contrário. Vai-lhe tirando, um a um, todos os ingredientes e condimentos, desde que fique, ao menos, a pedra".

Manuel António Pina
JN

Quase 3/4 dos professores escolheria outra profissão se pudesse

"Os professores portugueses estão desiludidos com a profissão e quase 75 por cento preferia exercer outra actividade. Mais: 81 por cento dos docentes admite que se pudesse pediria a reforma, mesmo com penalizações. Estes dados pertencem ao Observatório da Avaliação de Desempenho, órgão criado pela Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) e pelo Instituto Superior de Educação e Trabalho (ISET) e resultam de um inquérito realizado entre 10 de Outubro e 15 de Novembro a 1018 professores a nível nacional.
O estudo revelou ainda que 40 por cento dos docentes não reconhece aos seus avaliadores "capacidade de avaliar com rigor e isenção", nem tão-pouco "conhecimento na sua especialidade".
Por outro lado, mais de 60 por cento dos professores considera que o processo de avaliação de desempenho vai "prejudicar" ou "prejudicar muito" a preparação e concretização das aulas.
Quase 70 por cento defende que o processo vai prejudicar a relação com os conselhos executivos, com os professores avaliadores e ainda a colaboração com os colegas.
Para João Dias da Silva, secretário-geral da FNE, estes dados revelam que o modelo de avaliação constitui "um corpo estranho" que as escolas rejeitam porque "não contribui para que o sistema educativo melhore".

Correio da Manhã

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Esta ministra é refinada

Maria de Lurdes veio hoje dizer que os professores em condições de pedir a reforma até 2011 estão dispensados da avaliação. E se estes professores decidirem não se aposentar mesmo estando em condições de o fazer? Ou quer isto significar que mesmo não se aposentando estes professores a partir de agora não mais serão avaliados? E assim se tenta "adesivar" mais uns milhares de professores para a causa da ministra.

Sigamos os bons exemplos

O Ministério da Saúde vai ter em conta as queixas dos médicos e vai reformular as propostas para a revisão das carreiras. Bastou apenas uma ameaça de greve e o governo recuou em toda a linha com medo da classe médica. É assim com os médicos, é assim com os juízes. Só com os professores é que a música é outra. Bem podem os professores fazer greves, bem podem os professores clamar pelos seus direitos que nunca as suas reivindicações são atendidas. E a culpa é toda nossa. Ao longo dos anos temo-nos habituado a amouchar, a sermos uns meninos bem comportados e os resultados estão à vista. Que o exemplo destas corporações nos faça reflectir e nos leve a tomar as medidas adequadas faça ao constante desrespeito e achincalhamento de que somos alvo pelo Ministério da Educação. Os próximos dias serão decisivos para se perceber o que é que os professores afinal pretendem. Uma coisa é certa: se capitularmos desta vez, nunca mais nos voltaremos a erguer!

"Simplex" da avaliação foi publicado

"Cada professor avaliador vai ter um hora semanal para avaliar três docentes. Esta é uma das medidas de simplificação e desburocratização do processo de avaliação de desempenho de professores, publicada ontem em Diário da República e que já está em vigor desde dia 4.
Os despachos da ministra da Educação e do secretário de Estado da Educação explicitam as situações em que pode haver delegação de competências do avaliador do coordenador de departamento curricular e do director de escola. É ainda referido que, quando num dos departamentos curriculares não existam professores titulares, pode ser nomeado um professor para exercer, transitoriamente, essas funções. Já em relação às quotas para os professores com Muito Bom e Excelente, o despacho ministerial estabelece que em cada grupo de docentes pode ser sempre atribuída pelo menos uma menção qualitativa de Muito Bom e uma de Excelente, independentemente da dimensão do grupo de avaliados".

Correio da Manhã

terça-feira, dezembro 16, 2008

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Medina Carreira na SIC, falando sobre Educação

Ver aqui a excelente entrevista de Medina Carreira ontem na SIC. A partir dos 30 minutos fala sobre Educação e faz alguns alertas que Maria de Lurdes devia ouvir com atenção.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Luta sem tréguas

Como era de esperar a reunião entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical deu em nada. Segundo Mário Nogueira, a tutela não aceitou qualquer proposta dos sindicatos, mantendo-se assim o impasse entre as partes. A partir de agora as pressões sobre os professores vão-se suceder, com ameaças e intimidações, de vária ordem, mas isso não nos deve impedir de continuarmos a lutar nas nossas escolas pela suspensão deste modelo de avaliação. O passo seguinte passa pela não entrega dos objectivos individuais o que desde logo impossibilita que o processo avance. De acordo com o decreto-lei 15/2007 e o decreto regulamentar 2/2008, um professor que recuse ser avaliado não pode progredir na carreira nesse ano. Esta é a única penalização possível pelo que não há razão para medos infundados. Nesta altura, não pode haver fracturas. Temos de estar unidos em luta pelo mesmo objectivo.

A eterna infância

Alberto Gonçalves
Sábado

quarta-feira, dezembro 10, 2008

terça-feira, dezembro 09, 2008

Para que serve a avaliação dos professores?

"A tremenda agitação que atravessa o sistema educativo não tem sido aproveitada para reflectir sobre o problema essencial que aquele defronta: a melhoria dos medíocres resultados motivados pela ineficiência da aplicação dos vastos recursos públicos já colocados à sua disposição.
A avaliação dos professores não deveria servir para assegurar o controle ideológico sobre o aparelho educativo, nem para o exercício gratuito da autoridade. Em vez destes propósitos, dever-se-ia prosseguir o objectivo de maximização dos reais conhecimentos dos alunos. Está em causa transformar um problema político de monta num exercício de gestão que as investigações recentes mais sofisticadas ajudam a simplificar: trata-se de afectar os melhores docentes aos piores alunos, aumentando, simultaneamente, a eficiência e a equidade do sistema. Reside aqui a importância da avaliação dos docentes.
Reuni na tabela acima a informação essencial sobre a questão; é aí resumido o sentido das melhores e mais recentes investigações acerca do efeito da qualidade dos docentes sobre os resultados dos alunos. Embora sejam realizadas num contexto diferente do português, aquelas investigações indicam tendências que se podem generalizar.

Os resultados relevantes do aparelho educativo são os conhecimentos adquiridos pelos alunos, medidos com rigor por padrões internacionais, e não pelos inúteis indicadores que a burocracia oficial abundantemente agita. Felizmente, a OCDE1 produz desde o ano 2000, no âmbito do projecto PISA, informação preciosa que permite comparar os conhecimentos adquiridos pelos jovens, aos 15 anos, nas áreas fundamentais da matemática, das ciências e da leitura.

A comparação dos resultados com os custos acumulados por estudante dá bem conta da ordem de grandeza do desperdício que atravessa o sistema educativo nacional. Sendo uma situação conhecida, ganha uma dimensão acrescida se adicionarmos dois dados de contextualização. Primeiro: para o conjunto da OCDE – com um eficiência média muito superior à portuguesa – há um potencial de 22% de melhoria dos resultados mantendo os actuais recursos. Segundo: a despesa acumulada por estudante explica apenas 15% dos resultados no caso particular dos conhecimentos de Ciências.

Existe hoje uma potente metodologia – desenvolvida, com sofisticados instrumentos estatísticos, desde meados dos anos 1990 – de avaliação dos docentes, baseada no valor acrescentado do conhecimento dos alunos atribuível aos docentes.

Estes estudos mostram que os bons professores estimulam os alunos e que a origem social da família de origem pode não determinar o destino do estudante. A correcta afectação dos docentes aos grupos de estudantes com diferentes prestações aumenta os resultados globais. Apenas 42% dos alunos fracos obtêm aproveitamento com maus professores; mas aquela percentagem passa a 90% se aqueles alunos tiverem bons professores. Por sua vez, 100% dos bons estudantes ensinados por bons docentes conseguem aproveitamento; a percentagem de aproveitamento destes alunos baixa para 90% se forem ensinados por maus professores.

Ora, sabemos que o sistema português – apesar da roupagem igualitária – gera uma afectação ineficiente e iníqua: os bons professores ficam, por norma, com as melhores turmas, enquanto os piores docentes ficam com as piores. O ganho da realocação de um bom docente de uma boa turma para uma turma fraca é muito superior à perda que se gera por substituir, numa boa turma, um bom docente por um docente fraco.
Felizmente, neste caso, o logos e o pathos do decisor público – ao contrário do que sucede na maior parte das vezes – não estão em contradição: as medidas de reforço da eficiência não diminuem a equidade – antes, reforçam-na.
No entanto, muitos já desistiram de usar o aparelho educativo como instrumento de mobilidade social, conduzindo políticas de facilitismo que, para além da evidente ineficiência, aprofundam as desigualdades sociais.
Na verdade, foi drasticamente diminuída a autoridade dos professores e da escola, o que reduziu o seu papel de incentivador da mobilidade social e reforçou os velhos constrangimentos da origem social dos alunos. Do ponto de vista intelectual, renunciou-se a entender a verdadeira influência que a escola e, em especial, os professores podem ter na redução das desigualdades sociais de partida, sob a preguiçosa alegação de que não seria possível isolar o papel da qualidade da escola e dos docentes nos resultados dos alunos. Ignoram-se, assim, os formidáveis progressos que os sofisticadas métodos estatísticos têm permitido realizar nos últimos 15 anos no esclarecimento deste problema. Este argumento está sempre presente: ora quando se trata de contestar os rankings das escolas, ora quando se pretende negar a importância dos resultados dos alunos na avaliação dos docentes.
Esta postura, este cansaço político e intelectual, conduziu ao monstruoso e ineficaz sistema de avaliação que agora é contestado na praça pública, contribuindo, assim, com mais um passo, para a desqualificação do sistema de ensino e o agravamento das insuportáveis desigualdades que ele comporta.
Uma avaliação simples e focada no acréscimo dos resultados dos alunos é a solução que se impõe.
1 Os dados aqui referidos, bem como muitos outros de grande relevância, podem ser consultados no sítio da OCDE (http://www.oecd.org/). Em especial, devem procurar-se os dados sobre os resultados dos conhecimentos dos alunos correspondentes às várias edições do projecto PISA (anos 2000, 2003 e 2006) e as análises aprofundadas dos sistemas educativos constantes nas diversas edições da publicação anual Education at Glance.
2 S. Babu, R. Mendro, “Teacher Accountability: HLM-Based teacher Effectiveness Indices in the Investigation of Teacher Effects in a State Assessment Program”, AREA Annual Meeting, 2003"

Avelino de Jesus
Jornal de Negócios

"O natal que eu quero" - Artigo de Daniel Sampaio

"Ninguém me pediu opinião, eu sei. Na escola é costume não ligar muito ao que pensam os alunos. Mas eu gramo a escola, gosto dos meus amigos e há uma data de professores que até são fixes.
Ando no 8.º, tenho bué de disciplinas, algumas não dá para entender. Estudo acompanhado para um gajo de 14 anos? Formação Cívica? Não percebo bem, é uma coisa de 90 minutos por semana em que o stôr, que é o director de turma (nós dizemos DT), está sempre a mandar vir, a dizer para nos portarmos bem.
Da Matemática não me apetece falar, o stôr tem pouca pachorra para tirar dúvidas. História é um bocado seca e percebo mal o livro, faço confusão porque não contam a vida dos reis como o meu avô me explicava, por isso estudo para os testes e depois esqueço tudo.
Não, não pensem que venho aqui criticar a escola, já disse que gosto de lá andar. O problema é que aquilo anda mesmo esquisito, podem crer. Já o ano passado os stôres andavam às turras com a ministra e apareciam nas aulas chateados, um gajo mandava uma boca e levava logo um sermão, às vezes diziam mesmo para nos queixarmos à ministra, como se chibar fosse coisa que desse jeito. Mas este ano está bem pior: falamos com os professores nos intervalos, "olá, stôr!" e eles andam mesmo tristes, a minha stôra de Inglês, que eu curto bué, diz que está"desmotivada" e que está farta de grelhas de avaliação e de pensar emobjectivos. Eu de grelhas não percebo nada e, quanto aos objectivos, os meus são divertir-me uma beca e passar o ano, não quero mesmo ficar para trás porque os meus pais dão-me nas orelhas e fico sem os meus amigos, que é uma das coisas porreiras que a escola tem.
Por isso peço a todos que se entendam. Ver os professores aos berros na rua é uma coisa que eu compreendo, têm todo o direito porque nós às vezes também andamos, o problema é que assim ainda há menos gente a preocupar-se connosco. Os nossos pais não têm tempo, andam sempre a trabalhar eficam descansados porque estamos na escola a aprender e a lutar pelo nosso futuro, mas agora a coisa está preta, os nossos stôres estãocansados, o que é mau para nós: quem nos ajuda quando estamos aflitos? Eu sempre contei com um ou dois dos meus stôres, o ano passado quando me achava um monstro (cheio de borbulhas e a sentir que as miúdas não olhavam para mim) foi a stôra de Português que me chamou no fim da aula e conversou comigo, bastou ela ouvir com atenção e dizer que compreendia o que eu sentia para me sentir muito melhor. E quando o Tavares disse que se ia matar porque a rapariga com quem andava foi vista a curtir com um gajo qualquer, foi o nosso DT que falou com ele e lhe arranjou uma consulta no psicólogo.
Não percebo nada da guerra dos professores, só sei que deve ser justa porque eles esforçam-semuito, já pensaram no que é aturar a malta, sobretudo alguns que só querem fazer porcaria, põem-se aos berros nas aulas e não obedecem, às vezes até palavrões dizem para os stôres? Muitos de nós querem aprender, mas o barulho é grande e há muita confusão, há lá gajos, repetentes e isso, que só lá estão porque são obrigados, depois há outros que são de fora e não percebem bem português, outros ainda têm problemas em casa e passam mal, a Vanessa que tem um pai alcoólico e que chora quase todos os dias ainda por cima foi empurrada na aula por um colega que só lá está a armar confusão... o DT disse que nós devíamos ser responsáveis e que tínhamos de acabar com isso, mas eu acho que a ministra devia era dar força aos professores para serem melhores, o meu pai diz que ela às vezes está certa mas eu não concordo, se vejo todos, mesmo todos os stôres da minha escola contra ela devem ter razão, os professores às vezes erram mas são importantes para nós, precisamos de estudar para ver se nos livramos do desemprego, isso é que é verdade!
Por isso espalhem este mail, façam forward para quem quiserem. Digam aos que mandam para terminarem com as discussões que já estamos fartos e como na minha escola somos todos contra isso dos ovos (uma estupidez), digam à ministra e aos sindicatos que já chega! Façam uma escola melhor, ajudem osprofessores a resolver todos os problemas das aulas (ninguém pode fazer isso em vez dos stôres) e arranjem maneira de nós aprendermos mais, para ver se percebemos melhor o mundo e nos safamos, o que está a ser difícil".

Daniel Sampaio
Revista Pública

Deputados da "Nação"?

"Não sei qual foi a surpresa da dra. Manuela Ferreira Leite por 30 dos "seus" deputados (pois é das direcções partidárias que os deputados são, não "da Nação") terem faltado a uma votação. Pelos vistos, a líder do PSD não faz a mínima ideia daquilo em que se tornou a AR.
Não faltaram só os 30 do PSD; faltaram ainda 13 do PS, 3 do CDS, 1 do PCP e 1 de "Os Verdes". Numa sexta-feira véspera de fim-de-semana prolongado, até foram poucos. Se aos deputados (gente, essa sim, com privilégios) se aplicasse o modelo de avaliação dos professores, e também eles tivessem que definir objectivos individuais, ter intervenções assistidas e ser julgados pelos "resultados", quantos aprovariam? Dir-se-á que são julgados de 4 em 4 anos. Não são. No meio das listas partidárias todos os gatos (mais rigorosamente, todos os ratos) são pardos, e sabem lá os eleitores em quem votam. O único critério de avaliação a que um deputado está hoje sujeito é o da obediência acrítica. Um acto de honestidade intelectual e política como o dos 6 do PS que pensaram pela própria cabeça pode custar-lhes o lugar. Se não, veremos".

Manuel António Pina, JN

segunda-feira, dezembro 08, 2008

O desnorte

"O alastramento do descontentamento entre os professores tem toda a razão de ser. O processo negocial, e de discussão pública, tem-se pautado por uma soberba sem limites, humilhando mesmo quem procura discutir, e resolver, um problema que cada vez é mais sério. As várias intervenções sobre o modelo de avaliação que têm sido produzidas pela ministra são contraditórias, não são perceptíveis para o cidadão comum – que nem é professor nem aplaude cegamente as propostas do Governo –, não se compreendem e, finalmente, não têm sustentação razoável.
Por outro lado, enquanto a ministra faz um discurso o secretário de Estado produz o sermão inverso e está aquele Ministério de tal forma baralhado que a única coisa em que acertou nos últimos dias foi no reconhecimento de que sofrera, por parte dos professores, a maior greve de que há memória entre aquela classe.
Parece que no essencial estão de acordo as duas partes: os professores devem ser avaliados. Discutem os métodos. Estão em guerra por causa da forma e não por causa do conteúdo. E sendo certo que até o primeiro-ministro já reconheceu que a proposta que continua teimosamente a ser imposta é burocrática e ineficaz, não faz sentido que em vez de escutar o protesto e perceber a razoabilidade das coisas se venha dizer que o modelo até pode ser mau mas não se mexe em tal coisa até ao fim do ano lectivo. Se é mau, então que se lhe ponha termo o mais depressa possível. Isto não é sério. Nem é sério confundir o protesto de tantos milhares com o estafado argumento de que os professores que andam nisto querem boa vida.
Numa sociedade que se quer desenvolvida, os professores são o instrumento mais poderoso de transformação. A classe que mais de perto determina a capacidade, a formação e o desenvolvimento das nossas crianças. Deve, pela sua importância social, ser tratada com o respeito que a sua função merece e aquilo que temos vindo a assistir é a um processo de humilhação que não é razoável num Estado democrático. Não admira a situação de pré-insurreição que se vive. Alguma humildade democrática faria bem a esta maioria absoluta. No caso dos professores, definitivamente o Ministério perdeu a razão".

Francisco Moita Flores, Professor universitário
Correio da Manhã

Artigo de Miguel Sousa Tavares


Artigo de Maria de Lurdes Rodrigues

Expresso

sexta-feira, dezembro 05, 2008

O regabofe das Novas Oportunidades

Alberto Gonçalves
Sábado

Ganharam os Bons

"362 escolas fecharam portas no dia de greve dos professores e, nas que não fecharam porque houve "aulas" (na maior parte dos casos porque houve "aula" ou nem sequer isso), mantiveram-se ao serviço 1, 2 ou 3 professores. Isto, para o felicíssimo secretário de Estado Pedreira, significa que "a maioria das escolas [esteve] aberta em dia de greve nacional dos professores"… Já para o contentíssimo secretário de Estado Lemos, ao fim da tarde de quarta-feira, "só" aderiram à greve "às 11 horas" 61% dos professores, o que constitui, obviamente, grande derrota dos professores, até porque, um pouco mais cedo, às 6 e às 7 horas, a adesão foi ainda menor.

Quanto à ministra, fez greve a jornais, TV e escolas e foi visitar… um hospital, pois, em dia de greve nacional de professores, estiveram abertos (nova derrota dos professores) 100% dos hospitais. A moral da história é que, como antes tinha sido anunciado por não sei quem, "os bons ganham sempre". Os bons somos nós (os bons, os justos, os altos, os inteligentes, os bonitos). Os maus, injustos, baixinhos, burros e feios (o Inferno) são os outros".

Manuel António Pina, JN

Educação sem dimensão

"A cedência não envergonha nenhum actor político – muito pelo contrário. Se uma proposta não tem condições mínimas para ser executada, se provocou muitos mais malefícios do que os eventuais proveitos que poderia recolher, a atitude política mais avisada e prudente é procurar algum resto de consenso capaz de evitar a destruição completa das intenções iniciais. Só que para isso é preciso grandeza: principalmente, nos protagonistas políticos.
A ministra da Educação jurou que não cederia um milímetro. Ela e os seus ajudantes atiçaram a mais feroz oposição social desde o PREC. Colocaram-se a si e ao Governo num beco quase sem saída. Se existisse grandeza assumiriam o seu falhanço. Mas querem perder gritando vitória – também não têm grandeza suficiente para isso".

Carlos Abreu Amorim
Correio da Manhã

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Falta apenas mais um passo atrás

"A ministra da Educação admitiu hoje estar disponível para alterar e até substituir o actual modelo de avaliação dos professores, mas apenas no próximo ano lectivo e desde que seja aplicado já este ano. "Uma vez iniciada este ano uma avaliação séria dos professores, estarei totalmente aberta à discussão de alterações a este modelo e até à sua substituição, mas em anos seguintes, não neste", disse Maria de Lurdes Rodrigues, no Parlamento

"É patético. Primeiro, o modelo era mais que perfeito e, como tal, qualquer alteração estava fora de questão. Na fase seguinte, foram-lhe detectadas pequenas imperfeições e o modelo transformou-se em simplex. Novo capítulo, mais imperfeições e o modelo atinge a sua fase simplex simplex. Nova variante, com a introdução da possibilidade de pagamento de horas extraordinárias pelo trabalho suplementar com a sua implementação: simplex simplex mais uns trocos. E hoje entra na fase simplex simplex mais uns trocos com possibilidades de alterações no próximo ano lectivo e desde que seja aplicado já este ano, apesar de não estar a ser aplicado na maioria das escolas. O modelo já tem muito pouco da sua versão original e não avalia o que quer que seja. Mas mantem-se à viva força para poder ser medida da intransigência de uma ministra a quem falta dar um pequeno passo atrás, no sentido de um novo modelo. Ou um passo à frente, para fora do Ministério. Um deles há-de dar. Falta apenas um".

O cumprimento das leis

"O que pede o Ministério da Educação? Que se cumpra a lei sobre "a avaliação". Quem fez a lei? O Governo e a sua maioria. A quem se dirige a lei? Aos professores. Os professores concordam com a lei? Não. É possível aplicar uma lei quando aqueles a quem ela se dirige não querem a sua aplicação? Não.
Este imbróglio diz respeito a todas as leis, ou seja, ao "espírito das leis", de que
falava Montesquieu. Há quem pense que basta redigir uma lei para que a lei se cumpra; seria fácil, a um punhado de "pessoas esclarecidas", passar um ano a produzir leis e três anos a mandar executá-las, fechando um ciclo eleitoral. Infelizmente, as leis dirigem-se a pessoas concretas que vivem em condições concretas, nem sempre as desejáveis. As "pessoas esclarecidas" às vezes não vêem isto".

Francisco José Viegas
Correio da Manhã

Cegos e surdos

Valter Lemos e José Pedreira tentaram negar a realidade: o êxito da greve de professores consubstanciada numa adesão massiva que paralisou a quase totalidade das escolas deste país. Nem mesmo quando confrontados com as imagens das várias televisões e os testemunhos de jornalistas, alunos e encarregados de educação, esta gente dá o braço a torcer. Percebe-se que o desespero seja grande e as ordens emanadas de cima sejam para seguir à risca, mas tanta cegueira começa a ser doentia. Já era tempo de estes senhores perceberem que este modelo de avaliação está definitivamente enterrado por muito que lhes doa esta evidência. Os professores fartos de serem perseguidos e vilipendiados na praça pública, estão desta feita determinados a não baixar os braços e a fazer valer as suas razões na defesa de uma escola pública de qualidade para todos. O governo socialista que se vá habituando à ideia de que os professores não vão desistir de lutar.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

E assim se adulteram as estatísticas quanto aos números da adesão à greve

"Exmo.(a) Senhor(a) Presidente do Conselho Executivo

Caro colega

Em virtude de termos constatado que a informação na plataforma sobre escolas encerradas não coincide com a realidade, importa clarificar que “escola encerrada” significa que o estabelecimento de ensino está de portas fechadas, não estando nenhum serviço em funcionamento.Pelo contrário, quando não há actividades lectivas, mas os restantes serviços estão assegurados, ou seja o estabelecimento de ensino pode prestar atendimento aos cidadãos, o estabelecimento não pode ser considerado “encerrado”.este contexto agradecemos que na recolha de dados, no segundo momento (tarde), se proceda à correcção, se for caso disso.

Bem haja

Saudações cordiaisA/O Director/a Regional"

M:A

terça-feira, dezembro 02, 2008

Mais um dia de luta

Todos juntos vamos voltar a demonstrar que os professores são capazes de dar uma resposta cabal às constantes afrontas do Ministério da Educação.

Agência para a Qualificação quer acelerar certificados das Novas Oportunidades

O presidente da Agência Nacional para a Qualificação (ANQ), Luís Capucha, reconheceu hoje que é preciso "acelerar" o ritmo da certificação de adultos para alcançar o objectivo de um milhão de certificados em 2010, no âmbito do Programa Novas Oportunidades.
Desde Novembro de 2006 até Novembro de 2008 tem havido uma média de 4000 adultos certificados por mês. "A este ritmo chegaremos a 2010 com 248.398 certificados", disse Luís Capuchas, no II Encontro Nacional de Centros Novas Oportunidades, considerando "impensável ficar com esta dinâmica". Luís Capuchas defendeu a necessidade de "crescer" para uma média de 29.900 adultos certificados por mês, o que significa que tem de se "multiplicar por sete" o número de certificados atribuídos para se atingirem as metas traçadas pelo Programa Novas Oportunidades.

Comentário - Vale tudo em prole das estatísticas. Não interessa a qualidade do que se ensina nem do que se aprende. O que importa é certificar, certificar, certificar...Até parece que estamos a falar de uma qualquer fábrica de encher chouriços. A falta de pudor deste governo socialista não tem limites e devia envergonhar todos os portugueses. Infelizmente ainda há por aí muito boa gente que lhes dá crédito. Triste país este que se deixa iludir com tão pouco.

Relato de um professor socialista que esteve sábado numa reunião na sede do PS

"Caros colegas,Sou militante do PS desde 1989 e estive ontem na sede do PS, Largo do Rato. Não tive a oportunidade de intervenção porque houve bastante participação. Inscrevi-me, mas confesso que abdiquei da minha intervenção pois iria repetir-me. Em resumo: insistência e muita propaganda para validar o modelo a qualquer custo. A divisão da carreira é para continuar, sendo que foi demonstrado cabalmente que não corresponde ao mérito mas sim a redução de custos e que mais de 2/3 dos professores jamais a atingem. Quero deixar a mensagem que só muito poucos é que tiveram a coragem de dizer as verdades. Enfim, a pressão é muita e o satus presente não permitiu que todos nos sentissemos "livres".

Porque sou socialista, porque acredito num verdadeiro PS e não neste, porque quero e luto por um PS mais justo, mais digno, mais fraterno... irei fazer greve assim como muito dos colegas presentes. Quero ainda dizer-vos: Este PS está aflito. Vai recorrer a tudo o que puder para levar por diante toda esta maquinação. Dizem que não podem perder a face.

Nós professores também não! Se ganharmos agora, ganhamos todos! Se perdermos neste momento, jamais nos levantaremos! O PS de Sócrates e não dos socialistas tudo irá fazer para nos vergar. Isto é uma certeza. Cabe-nos a nós resistir, porque resistir é vencer! Aguardo melhores dias para o meu verdadeiro PS.

PS: Foi dito por um colega que neste momento o PS já tinha perdido a maioria e que se arriscava mesmo a perder as eleições com esta luta contra os professores. Este PS não está mesmo preocupado... e todos nós julgamos saber porquê. Quem vier a seguir que feche a porta, pois estes já têm lugar de estadia e vôo marcado para destinos definidos e bem remunerados".

Professor socialista que não vota neste PS.
30 de Novembro de 2008 17:58

Uma ministra de rosto humano

"É uma boa notícia, há finalmente alguém a fazer trabalho competente e a obter "resultados" no Ministério da Educação. Trata-se da agência de comunicação encarregada do "marketing" da ministra.
Desde a recente manifestação de professores (120 mil na rua contra as políticas educativas), a ministra vem-se desdobrando em entrevistas e conferências de Imprensa, bem como em "perfis" nos jornais e TV do costume mas igualmente noutros.
Nesses "perfis", Lurdes Rodrigues tenta mostrar o seu "rosto humano" (o outro toda a gente o conhece), entreabrindo - levemente contrariada - aos portugueses em geral e professores em particular, a porta da sua intimidade.
Afinal, alguém que gosta de cozinhar e "[se sente] anarquista" não pode ser má pessoa. Nem alguém capaz de comover-se com um bom e comovente momento que, confessa, viveu um dia no Ministério: "Uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa […], e escreveu-me a dizer: 'Quando for grande, vou inscrever-me no PS'. É tocante..." Portugal pode ter uma péssima ministra, mas o PS tem uma excelente directora de recrutamento".

Manuel António Pina
JN

segunda-feira, dezembro 01, 2008

domingo, novembro 30, 2008

Políticas educativas - António Barreto

"A POLÍTICA DE EDUCAÇÃO é certamente um dos temas mais discutidos na vida pública nacional. Toda a gente (vários milhões de pessoas) tem um qualquer interesse na educação: pais, professores, jovens, empregadores, autarcas, trabalhadores e políticos. Estes últimos, em particular, pronunciam-se sempre que podem, dado que este tema é propício a declarações de eterno optimismo, de vigorosa determinação e de romantismo seguro. Ainda por cima, a educação (ou a falta dela) é quase sempre a “ultima ratio” que explica tudo, os falhanços, as incapacidades ou a ignorância. Perante um problema difícil, como a baixa produtividade, as taxas de abstenção eleitoral, a criminalidade, o desemprego, a corrupção, os desastres de viação ou a fuga ao fisco, um político, um analista ou um comentador, já para não dizer toda a gente, não deixa de concluir o seu raciocínio com uma frase parecida com esta: “O problema essencial é o da educação”. Também se pode substituir “problema” por “solução”. Uma variante afirma que “o mais importante é mudar as mentalidades. E isso começa na educação”. O problema é que estas declarações nada ajudam a resolver. Quando a última explicação ou a principal solução residem na educação, podemos concluir, sem margem de erro, que quem assim se exprime ou não percebe o que se passa ou não sabe o que fazer.
A análise das políticas de educação, tal como se encontram expressas nos programas dos governos e dos partidos, é um exercício frustrante. Com excepção de alguns aspectos mais extremistas ou radicais dos pequenos partidos, as políticas parecem-se umas com as outras. Além de que, em cada uma, está sempre tudo: a quantidade e a qualidade; o público e o privado; a autoridade e a democracia; o rigor e a facilidade; a severidade e a complacência; a autonomia e o dirigismo. Os partidos querem tudo, não querem deixar nada, nem ninguém, de fora. Apesar disso, a tentativa de análise é recompensada. Com efeito, percebe-se que, na verdade, se regista uma estranha continuidade de políticas desde os finais dos anos sessenta até hoje, A que não faltam objectivos centrais: o aumento da despesa pública, o alargamento do sistema, a expansão do número de professores e estudantes abrangidos e a ampliação da rede escolar. As diferenças e a evolução, que as houve, foram de pormenor, de instrumentos, de meios e de circunstância. Por isso todos dizem hoje que se deu excessiva importância à quantidade, em detrimento da qualidade. Apesar da unanimidade, não se retiram daí as lições adequadas.
Uma política é feita de princípios, objectivos, estratégia, organização e meios. A estes itens, importa acrescentar as condições políticas gerais, muitas vezes decisivas. Se olharmos bem, quase todos os partidos e governos coincidem, desde o fim da década de sessenta, nos princípios, na estratégia e nos objectivos. As principais diferenças são de meios, de instrumentos de acção, de medidas concretas de circunstância e mil outros pormenores. Estes factos explicam o paradoxo educativo português: mau grado a mudança permanente e apesar das sucessivas reformas, existe uma continuidade em tudo o que é essencial. É constante a mudança no acessório, o que desorienta a população estudantil, os pais e o corpo docente, mas o essencial fica imutável. Os grandes problemas (como a discriminação social implícita, a mediocridade de resultados, a falta de qualificação e o insucesso) são recorrentes e agravam-se. A preparação cultural e a formação profissional dos portugueses não melhoraram na proporção dos esforços feitos nesse sentido durante trinta ou quarenta anos. Assim é que os progressos quantitativos foram enormes, mas os progressos do conhecimento e do saber foram diminutos e medíocres, a ponto de Portugal ficar sempre muito mal colocado em todas as comparações internacionais.
Estas comparações, de grande utilidade, oferecem aliás muita matéria para reflexão. Sabe-se, por exemplo, que em Portugal: a) O número de professores é elevado. b) O número de alunos por professor é dos melhores do mundo. c) Os vencimentos dos professores, em proporção do produto nacional, são dos mais altos. d) A despesa pública com a educação é das mais elevadas. Ao mesmo tempo, estas comparações atribuem a Portugal uma posição medíocre, das piores do mundo, relativamente ao insucesso, o abandono escolar precoce, a formação profissional, o conhecimento em várias disciplinas (português, física, química e matemática) e o êxito pedagógico em geral.
É possível concluir (ou, pelo menos, formular uma hipótese): em Portugal, não existe um problema de insuficiência de meios financeiros, de recursos humanos, de equipamento e de instalações. Mas existem problemas de organização e de orientação. Um deles é a estabilidade política: 26 ministros e perto de cem secretários de Estado em 34 anos! Como se isso não bastasse, tem havido, ao longo dos anos, mudanças bruscas de acção (leis, medidas, meios e organização) dentro do mesmo governo ou do mesmo partido. Outro problema é o da politização excessiva da educação. Quase todos os governos e partidos fizeram da educação um terreno de combate político e eleitoral de primeira escolha, o que tem causado graves danos. Os governos interferem na escola, querem que os seus resultados sejam argumentos eleitorais, oferecem fundos e facilidades, distribuem equipamentos e desdobram-se em visitas às escolas, na esperança de ver a sua acção assim sufragada. A demagogia política, própria da democracia de massas, encontrou na escola um terreno ideal e favorável: é fácil demonstrar, diante de crianças, a generosidade dos políticos.
Uma observação do sistema educativo português e da sua evolução durante as últimas décadas permite pensar que, se os resultados qualitativos são tão medíocres, algo deve estar errado no essencial, naqueles aspectos que são evitados pelos partidos e pelos governos. Nesse plano, algumas ideias e concepções, recorrentes há décadas, deveriam ser postas em causa e discutidas. Por exemplo, a escola como sujeito da “formação integral do indivíduo”, tema simultaneamente laico e cristão, tradicionalista e republicano. Este modelo retira responsabilidades à família e afasta-a da escola, o que, nos tempos modernos, parece ser aceite geralmente, mas que na verdade cria um défice grave na formação dos alunos. Do mesmo modo, as concepções lúdicas da educação, com menosprezo pelo trabalho e pelo esforço, tanto individuais como colectivo, conduzem a escola a uma espécie de recreio permanente. Ensinar, aprender e estudar exigem trabalho, sacrifício e dedicação, não deveriam ser imaginados como se de um prazer se tratasse.
Também é nefasta a ideia de que o sistema educativo deve ser centralizado, unificado e integrado, sob a ordem superior, permanente e directa do ministério. Não só desaparecem as responsabilidades da escola e o empenho dos docentes, como são destruídos os laços que deveriam ligar a escola às comunidades. Vigora em Portugal a concepção “esclarecida” da comunidade educativa, limitando esta aos professores e aos estudantes, com exclusão dos pais, dos autarcas e dos cidadãos em geral. Esta escola é uma intrusa nas comunidades, um corpo estranho. Os pais e os autarcas consideram a escola como um fardo, uma ocupação dos jovens e uma guarda dos filhos, não lhe dão o seu melhor e nela não assumem responsabilidades. Esta escola, apesar da demagogia partidária e governamental, nada tem de autónomo, a não ser em algumas competências menores. Este é o modelo dirigista predominante em Portugal, vigente no Estado Novo e na democracia, com partidos de direita ou de esquerda no governo. Nunca os partidos e os governos, muito menos o Parlamento, estranhamente ignorante e absentista, ousaram pôr em causa o modelo e debater honestamente outras vias e alternativas.
Este modelo de escola é coerente com outra característica permanente do sistema educativo português: a sua opacidade e a sua impermeabilidade às influências externas, da sociedade em geral, dos cientistas, das universidades, das empresas, dos artistas e dos profissionais. Sabe-se hoje, por exemplo, que há graves defeitos de conteúdo, de ordenamento, de progressão e de método em várias disciplinas. Sabe-se que os manuais são em geral de má qualidade. Sabe-se que os programas pecam por excesso de matéria e de dificuldade. Como se sabe que muitos programas e manuais são dominados por concepções políticas e pelas modas. Perante esta situação, seria de aconselhar que pessoas qualificadas e independentes se debruçassem sobre os programas. Ora, o ministério (os governos e os partidos) recusa tal hipótese e repousa nas capacidades de criação e avaliação do próprio ministério e dos profissionais dependentes que formam as estruturas de decisão dentro daquele departamento governamental.
A instabilidade do corpo docente é outra causa de dificuldades pedagógicas e de mau funcionamento das escolas. Aquela tem como origem fundamental o facto de o recrutamento e a selecção dos professores não dependerem das escolas, nem das comunidades, mas do ministério, o que é coerente com o modelo “esclarecido”. Os docentes “pertencem” ao ministério, não às escolas. Apesar de alguma melhoria recente (três anos de contrato), a verdade é que a ligação dos professores à sua escola e à sua comunidade é frouxa, ténue e efémera. Só tarde na vida e na carreira de um professor é que essa ligação pode assumir uma dignidade mais sólida.
Em conclusão: estes são apenas alguns aspectos essenciais para formulação de uma política de educação. São temas a que escapa a maioria dos debates contemporâneos, pois a ortodoxia partidária e governamental tem obtido uma curiosa unanimidade. Ou, pelo menos, um consenso alargado. O fiasco evidente das políticas de educação seguidas há quarenta anos em Portugal não se fica a dever a erros intrínsecos das políticas de educação, mas sim às condições políticas gerais, assim como, sobretudo, à unanimidade das opiniões e dos programas relativamente à ordem estabelecida e ao modelo educativo consagrado. Há, sobre a educação em Portugal, toneladas de papel publicado, milhares de opiniões conhecidas. Mas há pouco trabalho independente de análise. Discute-se muito a educação, mas o debate está limitado ao acessório. O sistema de ensino, tal como ele é, e o modelo de escola vigente e predominante parecem tabus que condicionam as políticas de educação. Enquanto formos assim reféns, será difícil realizar um debate aberto e livre, sem constrangimentos. O que quer dizer que será difícil definir políticas de educação mais ajustadas às necessidades do país e dos seus cidadãos".

António Barreto

Veiga Simão, Maria Filomena Mónica e Nuno Crato num debate sobre Educação

A ver aqui.

sábado, novembro 29, 2008

A democracia segundo Jorge Pedreira

Jorge Pedreira afirmou hoje que o governo continua disponível para discutir o modelo de avaliação de professores, desde que seja respeitada uma condição prévia: que os sindicatos não apresentem condições prévias para negociar. Ou seja, as condições prévias só se aplicam aos sindicatos!

Lili Haydn - "Strawberry Street"

É só mais um caso isolado a somar a outros tantos casos isolados

"Artemisa Coimbra, professora de Inglês na EB 2/3 de Jovim, em Gondomar, foi ontem agredida a murro por um aluno de 16 anos que frequenta o 9º ano dos Cursos de Educação e Formação. Teve de ser transportada para o Hospital S. João, no Porto, tendo sido tratada na pequena cirurgia. À saída da Urgência ainda eram visíveis as marcas da agressão no olho.
O incidente ocorreu às 13h40, quando a professora saiu da sala dos professores rumo à aula. "Fui surpreendida pelo aluno a correr na minha direcção e a chamar-me de todos os nomes possíveis. Depois deu-me murros na cara", disse ao CM, Artemisa Coimbra, que é também responsável pelo Observatório de Mulheres Assassinadas, uma organização que combate a violência doméstica.
O incidente ocorreu depois de a docente ter levado o agressor ao Conselho Executivo, por este estar a dizer palavrões no interior da escola".

João Carlos Malta

Correio da Manhã

Mais um dos que pensa que a razão está do lado da ministra

"Bons espíritos aguardavam que da ronda negocial de ontem entre federações e Ministério da Educação brotasse um acordo, ou uma espécie de acordo, que pelo menos ajudasse a serenar os ânimos das partes em litígio. Os bons espíritos enganaram-se: das reuniões apenas brotou a agudização do conflito em torno do modo de avaliação dos professores. Como, de resto, seria de esperar. O problema central é há muito tempo evidente: só a "cabeça" da ministra satisfará por completo o íntimo desejo não dos professores, mas dos seus supostos representantes. Tudo o resto é poeira.
Havia dúvidas sobre isto? Mário Nogueira esclareceu-as ontem, à saída do encontro com Maria de Lurdes Rodrigues, quando pediu abertamente a demissão da ministra e, de seguida, apelou de peito cheio aos professores "com 'P' grande" para aderirem em massa à greve geral agendada para a próxima quarta-feira.
O que quer Mário Nogueira dizer? Duas coisas. Um: os professores com "p" pequeno que não aderirem à greve são criaturas inferiores que devem ser apontadas a dedo e estigmatizadas nas escolas em que leccionam (este muito torcido conceito da democracia mostra bem o estado a que este conflito chegou). Dois: o líder da Fenprof percebeu que a divergência está, agora, no "ponto de rebuçado". Quer dizer: os níveis de adesão à próxima greve são fundamentais para se perceber para que lado partirá a corda, de tão esticada que está. Se os professores ficarem em casa aos magotes, Mário Nogueira não se calará com o pedido de demissão da ministra. Se, porventura, a adesão for escassa (e o conceito de escassa é importante, uma vez que as expectativas estão muito altas), Mário Nogueira será obrigado a puxar pela cabeça para inventar novas formas de luta, porque esse seria um sinal de capitulação dos docentes.
Nada destes jogos deve, contudo, fazer esquecer o essencial. As etapas do tradicional processo de decisão foram todas queimadas durante as últimas semanas. Por isso, é tempo de o Governo seguir em frente e pôr em marcha a avaliação dos professores, fazendo publicar o respectivo decreto-regulamentar. Os docentes usarão, em resposta e até ao limite, se assim o entenderem, todos os recursos de protesto - e são muitos - que a democracia põe ao seu dispor. E, como são crescidinhos, arcarão com os custos de não cumprirem a lei. O que não pode acontecer, em nome dos interesses dos alunos e dos pais dos alunos, partes igualmente interessadas neste processo, é prolongar mais este percurso pejado de avanços e recuos.
Já chega de reclamar mais e mais diálogo. Esse tique "guterrista" dá um certo jeito à Esquerda avessa à tomada de decisões e à Oposição ao Governo. Mas tem o seu limite. No caso, o limite já foi há muito ultrapassado. O país precisa de seguir em frente".

Paulo Ferreira
JN

sexta-feira, novembro 28, 2008

Não houve acordo quanto à avaliação - FNE mantém greve

A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) mantém a greve de professores agendada para a próxima quarta-feira, depois de uma reunião com o Ministério da Educação ter terminado sem acordo quando ao processo de avaliação dos docentes.

Centros sem formação há um ano só apoiam avaliação

"Inactivos. O Estatuto da Carreira Docente determina que os professores terão de obter pelo menos 50 horas de formação, a cada dois anos, para evitarem penalizações na avaliação do desempenho, mas a reorganização da rede de centros está a gerar adiamento de cursos e preocupação.
Falta de oferta gera explosão na procura
O Estatuto da Carreira Docente determina que os 140 mil professores de escolas públicas terão de obter pelo menos 50 horas de formação, a cada dois anos, para evitarem penalizações na avaliação, mas os centros responsáveis não dão cursos há mais de um ano. Entretanto, têm estado apenas direccionados para o apoio à avaliação do desempenho.
No passado ano lectivo, o Ministério da Educação decidiu extinguir todos os 200 centros de formação de associações de escolas existentes e reduzir a rede através da fusão dos anteriores. Isto numa altura em que já estavam elaboradas as candidaturas ao apoio financeiro do Programa Operacional do Potencial Humano (POPH), que ficaram sem efeito com a reorganização da rede de centros, que deveriam ser homologados até Agosto. "Até ao momento, foram registados 92", informa Joaquim Raminhos, director do Centro de Formação de Escolas do Barreiro e Moita. "Com a reorganização, ainda não foi possível concorrer aos fundos do POPH. Há mais de um ano que não existem formações - isto apesar de o Ministério da Educação garantir que as acções de formação não pararam, inclusive através de serviços ministeriais - e antes de Janeiro não vai haver nada, o que gera o desespero em professores que vêem o tempo passar e têm a informação que precisam da formação para efeitos de avaliação."
Muitos professores decidiriam não esperar pela abertura dos novos centros, a que deve corresponder uma explosão na procura, e pagam as formações do próprio bolso. Nunca menos de 150 euros por curso de 25 horas. "Dinheiro pago por um serviço que o ministério é obrigado a fornecer", critica Luís Mateus, ex-representante dos centros da região de Lisboa e critico da reorganização do Governo, "que está a gerar dificuldades aos centros para conseguirem regressar à normalidade".
Em vez de formações, os centros estiveram no último ano a dar apoio à avaliação do desempenho, nomeadamente com acções de esclarecimento junto de conselhos executivos, avaliadores e professores avaliados. "Enquanto isso, não arrancaram os cursos para todos os grupos disciplinares existentes nas escolas, não só os tradicionais, como o Português ou a Matemática, como em novas áreas, como as tecnologias, que é uma das apostas do Governo." A este propósito, o coordenador do Plano Tecnológico da Educação (PTE), João Trocado da Mata, anunciou ontem que a formação e certificação de professores em competências de Tecnologias da Informação e Comunicação vai arrancar no primeiro trimestre de 2009.
Acções contabilizadas
Críticos do actual modelo de avaliação, os movimentos independentes de professores defendem o regresso ao regime anterior de progressão na carreira, em que o professor tinha de reunir créditos para passar de escalão. O que não seria praticável neste momento, em que os cursos de formação contínua estão parados. "
Além disso, o Ministério da Educação informou que as formações realizadas antes de 2005/2006, ano em que as progressões foram congeladas, iriam ser contabilizadas na avaliação. Importa perceber o que aconteceria àqueles professores que não têm acções anteriores a 2005 e que não as conseguiram fazer nos últimos dois anos por falta de oferta", questiona Mário Machaqueiro, da Associação em Defesa do Ensino".

DN

quinta-feira, novembro 27, 2008

Modelos

Áurea Sampaio
Visão

quarta-feira, novembro 26, 2008

Obviamente, demitam-se!


"Em três anos, conseguiram instalar o caos nas escolas públicas. Já não discuto as intenções, nem as causas; limito-me a registar as consequências: professores furibundos e insubordinados, que nenhum sindicato ou conselho executivo consegue já controlar; alunos nervosos e insurrectos, à espera do menor pretexto para fazerem desacatos; pais perplexos e divididos. Eu sei que o governo não desejava isto. Mas a realidade é esta e está à vista de todos. No caos, ninguém ensina e ninguém aprende e o processo educativo converte-se num pesadelo diário. As escolas públicas precisam urgentemente de paz. E precisam de um novo fôlego motivacional. Maria de Lurdes Rodrigues, Valter Lemos e Jorge Pedreira deixaram de ser parte da solução, para passarem a ser, simplesmente, o problema. Se são pessoas de bem e ainda querem o melhor para as escolas e para o país, só lhes resta um caminho: pedirem a demissão e darem o lugar a outros. E quanto mais depressa, melhor".
http://abnoxio.weblog.com.pt/

Um cadáver político


Santana Castilho
Público

terça-feira, novembro 25, 2008

segunda-feira, novembro 24, 2008

Suspensão ou simplificação?

Esta noite, no "Prós e Contras", debate-se a avaliação docente. A não perder.

domingo, novembro 23, 2008

A sorte da ministra

Expresso

Aplicar o modelo de avaliação a outras profissões

Alberto Diamantino Costa
Encarregado de Educação
Expresso

Confap - O outro parceiro

"Salvo as devidas, e raríssimas, excepções, a Educação não está a ser discutida por gente muito educada, pois não? Nem falo dos alunos indignados, já que os pobres não imaginam com quê ou com quem. Mas os jornalistas dedicam à ministra do ramo a arrogância que escondem no contacto com os restantes intervenientes da "luta". A ministra responde aos jornalistas com arrogância similar. Os professores na rua, pelo menos alguns dos que as televisões mostram, garantem que a dra. Maria de Lurdes "é feia" (sic). E Mário Nogueira, típico sindicalista indígena, dispensa comentários.
De longe, porém, o mais excêntrico dos "parceiros sociais" (desculpem o termo) é uma tal Confap, indistinguível do senhor que a preside. Se é público que a Confap é a Confederação Nacional das Associações de Pais e o presidente um sr. Albino Almeida, a natureza de ambos permanece um mistério. O que são? De onde vêm? Para onde vão? O "site"da Confap jura tratar-se de uma estrutura "independente", empenhada em "estudar os problemas relativos à formação global dos jovens" e "intervir junto dos poderes", informações algo vagas. Fora do "site", lembrei-me de dois ou três pormenores sobre a Confederação: costuma opor-se à avaliação e à reprovação das criancinhas; esforça-se por manter as criancinhas presas em "actividades extracurriculares"; defende que as criancinhas "são biologicamente nossas, mas socialmente de toda a comunidade"; certa ocasião, ameaçou processar os blogues que divulgaram o financiamento estatal que, na verdade, recebe. É pouco? Chega.
E sobra. Isto não faz um "parceiro social", faz uma paródia inadvertida dos piores delírios do ministério e dos piores pais. Em lugares menos exóticos, a Confap serviria no máximo de "sidekick", o figurante que dá as deixas essenciais às piadas. O esquisito é que ninguém, na balbúrdia egocêntrica em que o debate do ensino se transformou, aproveita as primeiras para dizer as segundas. Aqui, uma organização como a Confap é ouvida, comentada e levada a sério, o que não tem graça nenhuma. Ou tem, se formos particularmente perversos e, além disso, pudermos pagar escolas privadas".

Alberto Gonçalves
DN

sábado, novembro 22, 2008

A escola e a qualidade da educação

"Para se compreender o mal-estar que hoje grassa nas nossas escolas é preciso conhecer o que lá se passa, nas salas de aula, nos corredores, nas cafetarias, nos recreios, nas salas de professores, nos gabinetes dos conselhos executivos, sob pena de continuarmos a negligenciar a educação e a empenhar o sucesso dos nossos alunos, entendendo-se por "sucesso" tudo aquilo que possa vir a beneficiar um aluno quer em termos de aprendizagens quer em termos de atitudes e de preparação para a cidadania. Contudo, a grande ênfase tem sido dada não à procura desse conhecimento mas a outros factores de índole política, social e económica, olvidando-se que a educação de qualidade se processa nas escolas. Se a melhoria do ensino é uma prioridade, então será com base nas escolas que ela se processará e nunca através de um processo político baseado em premissas que se afastam dos interesses dos alunos, das famílias e dos professores. É da responsabilidade da comunidade escolar - professores, executivos, agentes especializados e pais - a organização de actividades multifacetadas que favoreçam o processo educativo, numa constante procura da excelência, excelência essa que só será atingida por aqueles, e só por aqueles, que fazem parte da realidade educativa que cada escola prefigura. Seja qual for a concepção de educação, a excelência só se obtém através de um processo educativo de qualidade sedeado nas escolas e não fora delas.
Este facto, geralmente reconhecido pela maioria dos professores e dos pais, continua à margem das esferas sociais e políticas, levando a mal-entendidos que, como temos tido a oportunidade de verificar, têm dominado a discussão pública. O desafio com que os professores, os alunos e os pais se têm vindo a confrontar tem-se mostrado de uma dificuldade extrema, tantas têm sido as pressões a que eles têm sido expostos, sem que elas se identifiquem com objectivos e processos educativos de qualidade. E se as expectativas e aspirações dos alunos podem, eventualmente, ser inculcadas por factores externos, será o ambiente escolar, com toda a carga que esta expressão acarreta, que virá a acentuar as suas capacidades e a moldar os seus comportamentos pela vida fora, reflectindo-se em contributos, mais ou menos positivos, nas comunidades onde vierem a inserir-se. A educação, de facto, será, assim, o resultado das aprendizagens que ocorrem durante o processo formal de ensino acrescido das experiências informais a que os alunos são expostos nas escolas. Deste modo, a maioria das aprendizagens dos alunos, bem como a sua qualidade, depende dos esforços conscienciosos, abnegados e laboriosos dos professores, sem os quais, provavelmente, a educação nunca se processará integralmente.
Assim sendo, o dilema que ora se nos coloca, com um braço-de-ferro declarado entre os professores, os alunos (e os seus pais?) e a ministra da Educação, traz consigo prejuízos avultadíssimos para os alunos e sequelas que, caso a situação continue, podem revelar-se desastrosas em termos de resultados escolares. Esta situação, sem precedentes nas últimas décadas, não emerge, subitamente, com o problema da avaliação dos professores, mas é consequência de uma política educativa infeliz que nos últimos anos tem contribuído para a degradação do ensino no País. Os erros têm-se sucedido, traduzidos numa catadupa de decisões políticas nada consentâneas com os resultados da investigação mais recente, apoiada em práticas educativas eficazes, por oposição a deliberações que, meramente, pretendem soar convincentes. Não soam. E por não soarem é que, cada vez mais, as carruagens se afastam da locomotiva ao ponto de poderem prescindir dela".

Luís de Miranda Correia
Professor Catedrático da Universidade do Minho
DN

Pacheco Pereira analisa a ministra da educação, os professores e os sindicatos


Sábado

sexta-feira, novembro 21, 2008

quinta-feira, novembro 20, 2008

Mais uma sessão de propaganda

Numa operação de charme a Ministra da Educação veio a terreiro procurar convencer a opinião pública da sua imensa bondade, apresentando um conjunto de medidas que permitem descomplicar o modelo de avaliação docente. Decidiu simplificá-lo porque finalmente percebeu (só agora?!) que as escolas estão a ter dificuldades na sua implementação, ainda que na sua douta opinião, estas dificuldades derivem da inabilidade dos professores que não o souberam interpretar. Esta simplificação em nada altera o essencial do modelo que continua a ter como objectivo único institucionalizar uma cadeia hierárquica dentro das escolas e impedir a progressão na carreira à maioria dos professores. Perante tal inflexibilidade da ministra, resta-nos continuar a lutar pela abolição deste modelo, o que permitiria o restauro da normalidade no quotidiano escolar e o recentrar da atenção dos professores naquilo que é realmente importante: ensinar.

Grande reportagem sobre a vida docente - Revista Visão (I)




Grande reportagem sobrea vida docente - Revista Visão (II)
















Ricardo de Araújo Pereira na Visão

quarta-feira, novembro 19, 2008

O "diálogo" segundo o Ministério da Educação

"(...) primeiro o ME põe a cassete a tocar, depois os restantes participantes dizem coisas distintas e o ME faz o fecho, terminando com a elaboração das conclusões do encontro, que são iguais ao conteúdo da cassete de abertura".

Anónimo

Simplesmente impressionante!


I think he Can Dance - Watch more Entertainment

Balanço do debate na SIC Notícias

O debate foi um "flop". Os colegas que nos representaram ficaram aquém das expectativas. Os aspectos mais tenebrosos deste modelo de avaliação não foram devidamente explorados. Apresentaram-se muito brandos, muito educados, aparentemente com receio de ferir susceptibilidades. Fica a impressão de que fizeram um pacto de não agressão. Em resumo: foi uma oportunidade perdida no que concerne ao esclarecimento da opinião pública.

terça-feira, novembro 18, 2008

Aprender...com os professores

"O pior cego é o que não quer ver. O Governo não pode continuar a afirmar que os professores não querem ser avaliados ou que estão a ser instrumentalizados pelas variadas oposições. Três manifestações em menos de um ano e sindicatos arrastados por movimentos independentes só podem querer dizer que a escola está a funcionar mal.
O mundo do ensino não pode estar recheado de professores que não querem trabalhar, que querem faltar, que não querem ser avaliados, que não querem que os seus alunos sejam bem sucedidos e passem de ano, que estão ao serviço de sindicatos ou oposições ao Governo.
É preciso começar a apelar ao bom senso de quem governa. A cegueira de não querer ver anda de mãos dadas com batalhas contra moinhos de vento, inimigos que se vêem por todo lado, como se quem governa estivesse isolado e fosse o único interessado na prosperidade e progresso do país. As verdades absolutas contribuem mais para o retrocesso que para o progresso, como nos revelam vários casos históricos. O permanente estado de crispação entre a ministra da Educação e os professores está a fazer pior ao ensino, nesta fase, que o bem que faria o novo estatuto ou a avaliação dos professores.
Ninguém com o mínimo de seriedade é contra a mudança na cultura da escola. Todos queremos uma escola em que o trabalho e mérito de professores e alunos sejam premiados. Todos queremos uma escola que ensine melhor e onde não se permita o que estivemos anos a ver, um grupo de professores dedicados, sem qualquer retribuição por isso, enquanto outros - em regra uma minoria - usavam o ensino como meio de ter um rendimento, ou antes, uma renda, ao fim do mês.
Querer não é suficiente para ter. É necessário conseguir concretizar as mudanças sem que a transformação destrua o património fundamental para que o novo ensino não acabe pior que o velho, apesar de todos os bons desejos.
Mudar é sempre difícil, para quem lança a mudança e para quem é alvo dela. Mas a política é isso mesmo, a capacidade de mudar o possível no tempo certo e com o mínimo de contestação. Compreendendo a dor que significa mudar para quem está no terreno e não caindo na tentação de ver em cada obstáculo mãos de opositores que apostam apenas no fracasso.
A ministra da Educação revelou desde o primeiro momento grande capacidade para lançar a mudança no ensino. Mostrou ser menos capaz em ouvir e compreender os custos da reforma no ensino, ajustando a sua velocidade ao ritmo possível da escola.
Não se muda o funcionamento de uma escola por decreto. Quando se lê o decreto regulamentar publicado em Maio deste ano e os diversos esclarecimentos do Ministério da Educação percebe-se, mesmo conhecendo mal o funcionamento actual das escolas, as dificuldades que os professores, avaliadores e avaliados, estão a enfrentar.
Uma escola onde o professor basicamente "dava aulas" não se transforma de um dia para o outro, por vontade política, numa escola participada por professores e alunos, numa organização com vida própria, com todos os procedimentos que isso exige.
É preciso abandonar a cegueira ditada pelo medo de ser dado como vencido. A escola e os professores precisam de apoio para concretizarem a mudança".

Helena Garrido
Jornal de Negócios

Professores vão estar esta noite num debate na SIC Notícias

Quatro professores vão estar esta noite na SIC Notícias, pelas 23 horas, num debate sobre a avaliação docente.

Entrega de objectivos individuais on-line

A anunciada aplicação informática para entrega dos objectivos individuais já se encontra aqui, mas é fundamental que nenhum professor proceda ao seu lançamento. Nesta fase da nossa luta deitaríamos tudo a perder se o fizéssemos. Aliás, é bom que se diga que esta medida é ilegal pois vai contra ao que a legislação diz relativamente à privacidade da avaliação.

Conselho das Escolas pede à ministra que suspenda a avaliação

A maioria dos professores presentes ontem na reunião do Conselho de Escolas com a ministra da Educação aprovou um documento pedindo à tutela que suspenda o processo de avaliação de desempenho.
O documento foi aprovado por 30 votos contra 23, sendo esta mais uma posição que fragiliza Maria de Lurdes Rodrigues na sua teimosia em manter este modelo de avaliação docente. Por esta altura, a tutela já só tem o apoio da CONFAP, devido a razões que se entendem perfeitamente.

segunda-feira, novembro 17, 2008

A desmontagem perfeita relativamente à "clarificação" do Estatuto do Aluno

"O Governo emitiu ontem um despacho para “clarificar” o Estatuto do Aluno. Clarificar é um eufemismo. O despacho altera materialmente o disposto na lei e cede às pretensões dos estudantes e oposição, pondo um ponto final no exame com carácter reprovatório para os alunos com faltas justificadas. Para salvar o que resta da face de um ministério moribundo, o secretário de Estado responde que a confusão teve origem nas escolas. Os regulamentos “não eram claros sobre essa questão”, diz Valter Lemos. Mesmo a desonestidade intelectual tem limites. O Estatuto do Aluno é bem claro e permitia, até hoje, a reprovação dos alunos com faltas justificadas.
É só comparar o que diz o despacho com o Estatuto do Aluno.

Ponto 5 do despacho do ME: “Da prova de recuperação realizada na sequência das três semanas de faltas justificadas não pode decorrer a retenção, exclusão ou qualquer outra penalização para o aluno, apenas medidas de apoio ao estudo e à recuperação das aprendizagens, sem prejuízo da restante avaliação”.

Artigo 22.ª, 2, do Estatuto do Aluno: “Sempre que um aluno, independentemente da natureza das faltas, atinja um número total de faltas correspondente a três semanas no 1.º ciclo do ensino (…) deve realizar, logo que avaliados os efeitos da aplicação das medidas correctivas referidas no número anterior, uma prova de recuperação, na disciplina ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite, competindo ao conselho pedagógico fixar os termos dessa realização.

Artigo 22.ª, 3, do Estatuto do Aluno: “Quando o aluno não obtém aprovação na prova referida no número anterior, o conselho de turma pondera a justificação ou injustificação das faltas dadas, o período lectivo e o momento em que a realização da prova ocorreu e, sendo o caso, os resultados obtidos nas restantes disciplinas, podendo determinar:

b) A retenção do aluno inserido no âmbito da escolaidade obrigatória ou a frequentar o ensino básico, a qual consiste na sua manutenção, no ano lectivo seguinte, no mesmo ano de escolaridade que frequenta;

c) A exclusão do aluno que se encontre fora da escolaridade obrigatória, a qual consiste na impossibilidade de esse aluno frequentar, até ao final do ano lectivo em curso, a disciplina ou disciplinas em relação às quais não obteve aprovação na referida prova”.

O Ministério da Educação tem razão num ponto. O despacho é clarificador. Sobre a incompetência legislativa da sua equipa e sobre o peso político que lhe resta. Mais leve que um ovo".

Pedro Sales
http://arrastao.org

A batalha dos ovos

"O país das escolas está a ferver. Os professores nas ruas. Os estudantes encerram escolas. A ministra promete que não verga. O primeiro-ministro promete que verga. Os sindicatos estão de cabeça perdida. O governo embasbacado. O Presidente da República vem pedir que tenham calma. Faz-me lembrar um adepto a pedir calma a uma claque enfurecida. A verdade é que as imagens que chegam espelham um conflito grave e revelam episódios bem tristes com estudantes, desbragados, a atirar ovos contra membros do Governo.
Nada disto faz sentido trinta anos depois da Democracia. Depois de muitos governos reformarem, depois de muitos professores protestarem, depois de muitos sindicatos reivindicarem, não faz sentido que uma querela laboral se transforme numa batalha campal de ovos e tomates.
Podem os professores ter razão nos protestos contra a avaliação. Pode, até, a ministra ter razão na sua intransigência radical. Ou pode ninguém ter razão. Mas a verdade é que quando deflagra um conflito destas dimensões creio que a única solução é o debate e a discussão aberta e franca sem que o poder ganhe radicalidade nem os manifestantes a falta de gosto a que temos assistido nos últimos dias. O exercício do debate democrático não retira privilégios a quem detém o poder. Pelo contrário, enobrece-o. Assim como a exigência legítima de condições dignas de avaliação de trabalho não pode deixar indiferentes os pais de muitos estudantes que percebem a necessidade de fazer regressar à escola a tranquilidade, a alegria de aprender e também a alegria de ensinar. Professores tristes, em luta, indignados, não é o modelo de professor mais adequado às exigências do futuro. E as crianças, aqueles a quem se destina o subsistema de educação, terão de estar acima de indignações profissionais e de pesporrênciasministeriais. Neste momento tão crítico do sistema educativo, não tenho a menor dúvida de que só o regresso ao espírito da democracia, ao espírito da tolerância e da inteireza democrática, pode devolver a dignidade a todo este processo.
Há momentos da nossa vida em que é preciso parar para pensar. Julgo que o Governo e os professores chegaram a esse momento de tomar decisões que motivem os professores, que não ignorem a legitimidade do Governo mas que, acima de tudo, devolvam à escola o que é da escola: aprender".

Francisco Moita Flores

Correio da Manhã