terça-feira, Setembro 09, 2014

domingo, Setembro 07, 2014

sexta-feira, Agosto 29, 2014

Governo avisa que só rescinde com docentes que não façam falta

"Maria Luís Albuquerque sublinhou ontem que pode recusar candidaturas de professores. Poupanças com os outros programas de rescisões e com a requalificação estão abaixo do previsto mas o Governo espera que aumentem em 2015.
Querer sair do Estado só não chega. Os professores que apresentaram pedidos de rescisão por mútuo acordo só poderão sair se não estiverem a fazer falta nas escolas".

Jornal de Negócios

terça-feira, Agosto 12, 2014

Professores que pediram rescisão vão ter turmas atribuídas

"Os 3.606 professores que estão à espera de saber se o seu pedido de rescisão será aceite não serão dispensados de dar aulas no próximo ano letivo, que começa já em setembro, confirmou à Lusa o gabinete de imprensa do Ministério da Educação e Ciência (MEC).
A Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGESTE) informou as escolas de que teriam de ser atribuídos horários aos docentes que tinham aderido ao programa de rescisões por mútuo acordo, lançado no final do ano passado.
Questionado pela Lusa sobre esta decisão, o gabinete do ministro Nuno Crato explicou que o programa destinado a professores do ensino básico e secundário não depende exclusivamente do MEC, sendo também da responsabilidade do Ministério das Finanças, "a quem compete a autorização final dos pedidos, de acordo com a legislação".
Além disso, o MEC lembra que os próprios professores também poderão decidir "não aceitar a proposta de acordo de rescisão".
Para garantir que nenhum docente que não veja o seu processo concluído fique sem dar aulas, a DGEstE "deu orientações às Direções de Serviço para que informem as escolas de que deverá ser atribuído horário aos docentes que entregaram pedidos de rescisão", explica o ministério.
O gabinete do ministro da Educação, Nuno Crato, sublinha que "este é um processo complexo e diferente do relativo aos pedidos de aposentação", uma vez que os docentes que pediram a aposentação podem ser dispensados de dar aulas.
Sobre a data de conclusão dos processos de rescisão, o MEC disse apenas que "o Governo está a trabalhar para que este processo esteja concluído tão depressa quanto possível".
O programa de rescisões começou no final do ano passado e o processo para entregar o pedido de rescisão terminou no final de junho".

Notícias ao Minuto

terça-feira, Agosto 05, 2014

Matemática e Português com média negativa na 2ª fase

As médias dos exames nacionais do ensino secundário, na 2ª fase, foram negativas a 15 das 23 disciplinas sujeitas a exame. Alemão, Biologia e Geologia, Filosofia, Física e Química A, Francês, Geometria Descritiva A, História A e B, História e Cultura das Artes, Latim A, Matemática A e B, Matemática Aplicada às Ciências Sociais, Português Língua Não Materna e Português tiveram uma classificação final inferior a 95 pontos.
Segundo os dados divulgados pelo Ministério da Educação e Ciência, 60% dos alunos que fizeram exame nacional de Matemática A na 1ª fase repetiram o exame na 2ª fase. No caso da disciplina de Física e Química A, Biologia e Geologia e Português a percentagem de alunos que repetiram foi de 50%, 37% e 24%, respetivamente.
Os exames da 2ª fase apresentaram, na maioria das disciplinas, resultados inferiores aos observados na 1ª fase. No entanto, o Júri Nacional de exames justifica o panorama por se tratarem de exames realizados principalmente por alunos que não foram aprovados na 1ª fase.
Tendo em conta apenas os alunos internos, as disciplinas de Geografia, Português, Biologia e Geologia e Matemática A foram as que registaram maiores taxas de aprovação.

segunda-feira, Agosto 04, 2014

Mais de 85% dos professores com prova de avaliação válida aprovaram no exame

Mais de 85% dos professores que realizaram a prova de avaliação, considerada devidamente válida, aprovaram no exame, informou hoje o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE).
Segundo os dados hoje divulgados, tiveram nota positiva 8.747 docentes, "o que corresponde a 85,6% do total de candidatos com provas classificadas" num universo de 10.220 provas realizadas.
O IAVE revela que 1.473 docentes reprovaram nesta prova, que permite o acesso à carreira docente de professores contratados, com menos de cinco anos de serviço.

domingo, Julho 20, 2014

A propósito do exame aos professores

"A marcação, em segredo, de um exame aos professores para dali a cinco dias, com o objetivo de evitar qualquer tipo de reação da classe e pondo em causa as vidas das pessoas, é um ato evidentemente nojento, indigno de um governo e desrespeitador dos mais básicos direitos.
Em qualquer democracia minimamente madura, um ministro que se atrevesse a fazer uma coisa destas era imediatamente posto fora do Governo, mas, de facto, já se ultrapassaram todos os limites".


Pedro Lopes
DN

sábado, Julho 05, 2014

Governo dá prémio a câmaras que trabalhem com menos docentes

O Ministério da Educação planeia pagar um prémio às autarquias que trabalhem com menos docentes do que os tidos como necessários.
Segundo o Público, o prémio em causa ronda os 12.500 euros por ano letivo e aplica-se sempre que o número de professores seja abaixo do estipulado no universo escolar. Mais concretamente, explica a publicação, uma autarquia receberia o prémio se trabalhasse com, a título de exemplo, 399 quando os necessários seriam 400.
Essa partilha em 50% do diferencial iria aplicar-se somente nas situações em que tal diferença entre os professores no ativo e os necessários não seja superior a 5%.
Para Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), esta medida encontra-se “no limite, muito perigosa” pois “permitirá aos municípios trocar professores em troca de dinheiro”.
Para o líder da Fenprof, Mário Nogueira, este “fator de eficiência” tem subjacente “uma intenção de premiar os municípios que consigam reduzir o número de professores”. Contudo, destaca que tal só pode ser concretizado ou através “da privatização ou da pior qualidade na resposta educativa”.

sexta-feira, Julho 04, 2014

A escalada da violência nas escolas

"Uma professora francesa foi esta sexta-feira esfaqueada mortalmente pela mãe de um dos seus alunos, no início das aulas numa escola pública no sudoeste de França, por razões ainda desconhecidas.
"A mãe de um dos alunos entrou na escola com uma faca e esfaqueou, diante dos estudantes, uma professora de 34 anos", disse um responsável judicial da cidade de Albi, Claude Derens, à agência AFP.
O incidente ocorreu no princípio do horário das aulas, esta manhã, numa escola pública que tem 284 crianças, entre os 3 e os 11 anos, no jardim-de-infância e na escola primária.
O presidente francês, François Hollande, reagiu de imediato, considerando este caso como uma "tragédia terrível" e anunciando a mobilização dos serviços de apoio às crianças que testemunharam o homicídio.
A violência nas escolas francesas tem vindo a aumentar nos últimos tempos, segundo a AFP, que lembra uma pesquisa de 2012, segundo a qual 35,8% dos funcionários escolares disseram que foram vítimas de abuso e 17,1% admitiu ter recebido ameaças.
Quase metade (49%) dos diretores de escolas primárias e infantários foram agredidos verbal ou fisicamente pelos pais durante o ano letivo de 2012-2013, revela outro estudo publicado em abril pelo jornal Le Parisien".

CM

segunda-feira, Junho 30, 2014

Mário Nogueira diz que 4% dos docentes poderá aceitar rescisão amigável

"Depois de 2.600 docentes terem aderido, até fevereiro, à proposta de rescisões amigáveis com o Estado, o representante da Fenprof revela que, terminado hoje o prazo, 4% dos professores do quadro poderá vir a aceitar a rescisão.
Em declarações à TSF, Mário Figueiredo diz que esta proposta do Estado poderá ser aceite por quatro mil docentes, mas realça que o alargamento do prazo está a prejudicar a preparação do próximo ano letivo.
“Em algumas escolas, em que se começa a preparar o ano letivo e ter de se saber com que professores se conta e a quem se distribui serviço, isso naturalmente causa perturbação”, destaca.
O líder da Fenprof destaca ainda que o alargamento do prazo se deveu ao facto de os números conhecidos estarem abaixo das perspetivas do Ministério da Educação.
O prazo para os professores pedirem a rescisão de contrato com o Estado termina esta segunda-feira, mas em fevereiro – data em que 2.600 professores aderiram – o Governo garantiu que o número de pedidos recebidos era suficiente para assegurar os objetivos de poupança definidos".

Notícias ao Minuto

quarta-feira, Junho 25, 2014

OCDE: Professores não se sentem valorizados mas estão satisfeitos com o seu trabalho

A maioria dos professores portugueses acredita no seu trabalho, mas apenas 10,5% dos inquiridos num estudo da OCDE sente que a profissão é valorizada pela sociedade, um número abaixo da média de outros países.
A OCDE divulgou esta quarta-feira os números do inquérito internacional TALIS 2013 (Teaching and Learning International Survey) que apontam para um sentimento de desvalorização profissional e, quando comparada com a média dos mais de 30 países envolvidos no estudo, esta indica que 30,9% dos inquiridos acredita ser valorizado.
Ainda assim, os professores portugueses declaram-se satisfeitos com o seu trabalho - 94,1% -, desta vez acima da média de 91,1% da OCDE.
Outro dado curioso: há 16% que preferiam ter escolhido outra profissão. A média na OCDE desce quase para metade, fica-se pelos 9,5% e só na Coreia e na Suécia há descontentamento maior.
Um quarto de tempo perdido a manter a disciplina nas aulas
Quanto ao aproveitamento das aulas, os professores portugueses afirmam que 25% se perde em tarefas administrativas, como a contabilização e registo de presenças, e a manter a ordem dentro da sala.
Sobra 75% para lecionar, uma realidade próxima da média do estudo - 78,7% do tempo de aula dedicado ao ensino.
Mais tempo a trabalhar
Quanto aos horários, o TALIS conclui que os professores portugueses são dos que dedicam mais horas ao trabalho - aulas, preparação e correção de trabalhos. Os docentes portugueses dizem que trabalham 44,7 horas por semana, contra uma média de 38,3 na OCDE.

O TALIS envolveu mais de 100 mil docentes do 3.º ciclo do ensino básico e diretores de 34 países e economias.                         

sexta-feira, Junho 13, 2014

4.º ano melhora média a Português e 6.º ano baixa notas a Matemática

Os resultados médios das provas finais do 4.º e 6.º anos a Português e Matemática mostram que os mais novos melhoraram a Português, face a 2012-2013, e que os mais velhos baixaram a média a Matemática.
Os alunos do 4.º ano obtiveram, na 1.ª fase das provas finais, notas médias positivas a Português (62,2%) e Matemática (56,1%), mas, no 6.º ano, apenas Português teve um registo médio positivo (57,9%), com a Matemática a ter média negativa (47,3%). Os resultados foram divulgados hoje pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), que destaca, em comunicado, as melhorias registadas a Português, mais significativas entre os alunos mais novos.
Em 2013, a nota média nacional das provas finais do 4.º ano, na disciplina de Português, tinha ficado próxima dos 49%, tendo os alunos do 1.º ciclo obtido melhores resultados a Matemática, com um registo médio de 57%. No final do ano letivo de 2012-2013, depois de conhecidos os resultados das provas finais do 4.º ano, o ministro da Educação, Nuno Crato, considerou os resultados dos mais novos insatisfatórios e reveladores do muito trabalho ainda a fazer com os alunos. A Português, a média do 6.º ano em 2013 foi de 52% e a de Matemática de 49%, superior à média deste ano.

quarta-feira, Junho 11, 2014

Chumbos prejudicam o desempenho dos alunos a longo prazo, concluem economistas do Banco de Portugal

"Dois economistas do Banco de Portugal aconselham a que não se chumbem os alunos do ensino básico, por ser prejudicial para o seu desempenho educativo a longo prazo. Esta é uma das principais conclusões de um estudo sobre a retenção escolar no ensino básico em Portugal, que foi publicado junto com o Boletim Económico de junho desta instituição.
De acordo com o estudo realizado por Manuel Coutinho Pereira e Hugo Reis, a existência de alunos repetentes implica custos adicionais, “incluindo a despesa de fornecer um ano adicional de educação, bem como o custo para a sociedade em atrasar a entrada do aluno no mercado de trabalho”. Em quase todos os países europeus a legislação prevê a possibilidade de um aluno repetir o ano durante o ensino básico. Mas a Noruega e a Islândia decidiram instituir a “progressão automática ao longo de toda a escolaridade obrigatória” e os resultados, dizem os autores, são visíveis:
“Nos países escandinavos e na Itália, menos de 5% dos alunos com 15 anos de idade repetiram alguma vez no ensino básico, enquanto em países como Portugal, a França, a Espanha e o Luxemburgo os números estão acima dos 30%”.
Nota importante é que o estudo se baseia nos dados do relatório PISA (da OCDE), mas de 2003 e 2009 – sem refletir os dados do último destes relatórios, publicado em 2013.
Os economistas consideram que, em alternativa à retenção escolar, uma solução mais vantajosa para evitar o insucesso escolar seria a substituição parcial desta prática por programas alternativos de apoio aos alunos que revelem dificuldades de aprendizagem no início da vida escolar. Em Portugal, um exemplo deste tipo de modelos é o Programa Mais Sucesso Escolar, “cujo objetivo consiste em apoiar o desenvolvimento de projetos de prevenção e combate ao insucesso escolar no ensino básico”. O programa foi lançado no ano letivo de 2009/2010, enquanto Isabel Alçada era Ministra da Educação.
O estudo considera ainda que as “características individuais, de família e dos colegas assumem um papel de relevo” no sucesso escolar do aluno. Em Portugal, os alunos com menor maturidade e com piores condições socioeconómicas têm uma maior probabilidade de repetir o ano escolar. Além dos aspetos socioeconómicos, “as características da escola e das diferenças ao nível regional e ao nível do país” também influenciam a repetição, ou não, do aluno".

Jornal Observador

sexta-feira, Maio 09, 2014

sábado, Maio 03, 2014

Estudo mostra que colégios inflacionam notas

Uma equipa de um centro de investigação da Universidade do Porto analisou mais de três milhões de classificações de exames do secundário e as correspondentes notas internas, ao longo de 11 anos, e chegou à conclusão que as escolas privadas independentes são as que mais "inflacionam" os resultados dos seus alunos, em comparação com as públicas e mesmo com os colégios que têm contrato de associação (particulares mas financiados pelo Estado). 
Os autores do estudo mostram ainda como essa inflação de notas pode condicionar o acesso ao ensino superior e beneficiar assim os estudantes do ensino privado independente que, regra geral, já são de meios socioeconómicos mais privilegiados. 
Diretores de escolas e pais reconhecem o problema e defendem alterações na forma como é feito o ingresso na universidade.


Expresso Online


quarta-feira, Abril 30, 2014

Os pais que fazem um "business plan" para os filhos

No estado de Nova Iorque, uma creche cancelou uma peça de teatro dos alunos invocando o seguinte argumento: nós estamos aqui para preparar as crianças para a sua carreira e não para brincadeirinhas teatrais. Numa carta assinada pelo director e quatro educadoras, a Harley Avenue Primary School (Elwood, NY) informou que o espectáculo marcado para 14 e 15 de Maio foi cancelado porque os alunos têm de continuar a trabalhar para que fiquem prontos para a "universidade e carreira". Repare-se que não estamos a falar de jovens de 16 anos, mas de crianças. A inocência está pela hora da morte.
Esta brutalidade executiva é chocante, mas obedece a uma mentalidade vigente em muitos papás de lá e de cá. Já repararam que as crianças já não podem ser crianças? Já repararam que, além da escola, elas têm o dia preenchido com actividades destinadas à construção do seu futuro profissional? É como se estivessem a cumprir um business plan cuidadosamente preparado por papás que parecem partir do pressuposto que as criancinhas são tabulas rasas, sem centelha própria, tabulas lisinhas à espera dos inputs centrados nas skills. Além das aulas normais, o pequeno-que-tem-de-ser-médico-custe-o-que-custar tem de passar por aulas suplementares de matemática, tem de cursar três institutos de três línguas diferentes, mandarim incluído, porque o mandarim vai ter muita saída, e ainda tem de vergar a mola em aulas de música e/ou desporto. Porquê a música? Porque gosta? Não, porque a música disciplina o cérebro, logo é útil no seu caminho até à medicina. Porquê a natação? Porque gosta de estar na água? Não, porque é uma actividade que disciplina, logo é bom para a sua futura carreira de Michael Phelps do estetoscópio. 
Sim, muitos pais não estão no business de criar filhos, o seu business é construir pequenos robôs, seres formatados desde a infância para um destino profissional. Aquela creche americana é só um eco desta nova estirpe de pais. O que fazer com crianças de quatro anos? Talvez um bootcamp de development de skills de networking necessária à entrepreneurship. Aliás, é um escândalo que uma criança de quatro anos não saiba já debater em inglês, não é verdade? Um escândalo só comparável ao facto de uma criança de seis anos querer brincar em vez de estar a preparar-se para a "faculdade e carreira". A idade da inocência está a acabar antes de começar. 

Henrique Raposo
Expresso Online


quarta-feira, Abril 23, 2014

O 25 de Abril e a escola de Durão Barroso e Nuno Crato - crónica de Santana Castilho

Tornou-se um lugar-comum dizer que a história da Educação da democracia é a história de sucessivas reformas avulsas, quase sempre descontextualizadas e elaboradas sem o concurso dos docentes. Mas a esta característica consensual veio acrescentar-se a desolação dos anos de Crato.
Os constrangimentos impostos pela crise sofreram a interpretação de um fanático dos resultados quantitativos que, incapaz de ponderar os efeitos das suas políticas, está a produzir sérias disfunções no sistema de ensino, que nos reconduzem à escola de 24 de Abril, aquela que Durão Barroso evocou e celebrou há pouco, no antigo Liceu Camões. Porque ambos nos querem fazer acreditar que o sonho de modernizar o país foi um erro, que estava acima das nossas possibilidades, que devíamos ter continuado pobres e sem ambições, a eles e a todos os que olham a Educação como mercadoria, aos que ainda não tinham nascido em Abril de 74 e hoje destroem Abril com a liberdade que Abril lhes trouxe, importa recordar, serenamente, o que Abril fez:
Em 1974 existiam apenas cerca de 100 escolas técnicas e liceus, para 40.000 alunos. Em 40 anos de democracia construíram-se mais de 1000 novas escolas, para mais de milhão e meio de alunos.
Em 1974 havia apenas 26.000 professores. Desses, apenas 6000 eram profissionalizados. Em 40 anos de democracia formaram-se e profissionalizaram-se milhares de professores. Antes dos predadores que hoje governam, eram 150.000.
Em 1974 imperava o livro único e quatro anos bastavam. Em 40 anos de democracia chegámos a uma escolaridade obrigatória de 12 anos.
Em 1974 fechavam-se crianças nos galinheiros e a taxa de cobertura do pré-escolar era 8%. Em 40 anos de democracia essa taxa ultrapassou os 80%, graças a uma rede de pré-escolar que acolhe hoje cerca de 270.000 crianças.
Em 1974 a taxa de escolaridade aos 17 anos era de 28%. Em 40 anos de democracia passou para 80%.
Em 1974 a universidade era para uma escassa elite e para homens. Em 40 anos de democracia trouxemos para a universidade cerca de 370.000 portugueses, dos quais mais de metade são mulheres.
A trave mestra do desenvolvimento da sociedade portuguesa, a Educação, foi liminarmente implodida pelo actual Governo, que rejeitou uma das bandeiras de Abril, a educação para todos. Agora que Abril dobra a esquina dos 40, é urgente que a denominada sociedade civil desperte para o sombrio que mancha a paisagem humana das nossas escolas: preocupantes sinais de violência na relação entre alunos e no seu relacionamento com professores e funcionários; esgotamento físico e psíquico do corpo docente, vergado pelo grotesco burocrático de tarefas inúteis, impostas por políticas despóticas; êxodo precoce dos professores mais experientes; clima de luta insana por uma carreira sem futuro, donde se esvaiu a cooperação e a confiança que cimentava a comunidade humana dos docentes.
Celebrar Abril, adiado para a Educação até um dia, passará, imperiosamente, por:
- Gerar um compromisso nacional duradouro entre as forças partidárias quanto às políticas que estruturam o sistema de ensino, despolitizando os serviços técnicos, desburocratizando a vida das escolas e protegendo a administração superior da volatilidade da política.
- Reestruturar a Inspeção-Geral da Educação, orientando-a prioritariamente para a supervisão pedagógica organizada em áreas científicas e colocando-a sob dupla tutela (Assembleia da República e Governo).
- Subtrair o financiamento básico do ensino obrigatório à lógica casuística de qualquer Governo, para que a escola inclusiva, para todos, não seja presa fácil de derivas de austeridades de ocasião.
- Adoptar a verdadeira e sempre adiada autonomia das escolas, como alternativa à municipalização do ensino, vertente falsa da falácia da desconcentração do poder.
- Reverter a política de privatização da escola pública, separando claramente o que é público do que é privado e clarificando os modelos de financiamento: financiamento público para o que é público, financiamento privado para o que é privado.
- Reorganizar globalmente os planos de estudo e os programas disciplinares, em sede de estrutura profissionalizada e especializada em desenvolvimento curricular, dando-lhes coerência, recuperando a dignidade das humanidades e das expressões e adequando-os, em extensão, ao que a psicologia do desenvolvimento
- Devolver dignidade e autoridade aos professores, devolver-lhes a confiança do Estado e devolver-lhes espaço e tempo para a indispensável reflexão sobre a prática profissional e sobre o ensino que professam.
- Devolver às escolas a democraticidade perdida, adequando a natureza dos órgãos às realidades sociais existentes e abandonando a lógica concentradora do poder num só órgão.
- Reverter a solução dos mega-agrupamentos, que provocaram custos humanos inaceitáveis para alunos, famílias, professores e funcionários postula como limites.

quinta-feira, Março 20, 2014

Futuros professores terão de fazer exame a Matemática e Português

"Todos os alunos do secundário que queiram ingressar na licenciatura em Educação Básica (imprescindível para dar aulas a alunos até ao 6º ano) terão no futuro de realizar exames nacionais nas áreas de Português e de Matemática. Esta é uma das alterações que decorre da aprovação hoje, em Conselho de Ministros, de novas regras nos currículos e acesso aos cursos superiores que formam professores.
A regulamentação específica sobre as provas de ingresso irá ainda ser aprovada e as novas regras não entrarão em vigor para já. Atualmente, a maioria das instituições de ensino superior exige apenas um exame nacional e os candidatos podem escolher qual, entre um leque alargado de disciplinas. Uma minoria de escolas exigem obrigatoriamente a prova de Português e nenhuma impõe a de Matemática.
A ideia de Nuno Crato é garantir que nenhum aluno chegue a professor de Matemática tendo chumbado à disciplina no secundário ou sem ter feito um exame nacional nesta área.
A importância acrescida dada à Matemática e ao Português fica patente noutras alterações. Os currículos da licenciatura em Educação Básica, que têm de estar adaptados até 2015/2016, terão de incluir mais horas destas duas áreas. Já no que respeita aos mestrados em ensino - formação obrigatória para dar aulas - fica claro um reforço na formação científica nas áreas a lecionar, em detrimento das cadeiras mais ligadas à pedagogia e ciências da educação.
Por exemplo, a formação para docentes do 2º ciclo (5º e 6º anos), que até aqui era genérica, é partida em duas áreas, precisamente para se garantir uma maior 'especialização' do conhecimento científico: Ciências Naturais e Matemática; História, Geografia e Português.
Outra das alterações agora aprovadas traduz-se no aumento da duração dos mestrados em ensino, passando a ter entre um ano e meio e dois anos.
O Ministério da Educação defende que estas alterações "reforçam os conhecimentos dos futuros professores sobre as matérias que irão lecionar" e consagram um "sistema mais exigente de acesso à formação inicial".

Expresso Online

quarta-feira, Março 19, 2014

O colapso da escola

"O Jornal de Notícias de 11 de Fevereiro dava conta que, numa escola de Braga, um grupo de pais tinha denunciado ao Ministério Público a prática de masturbação e o arremesso de bolas de papel incendiadas contra professores em salas de aula do 9.º ano. O director do agrupamento desmentiu a primeira parte, mas confirmou a segunda. Teve mesmo de chamar a PSP. Escassos dias antes, o mesmo jornal informava que, noutra escola básica de Braga, tinha havido um arraial de pancadaria no recreio, que causou vários feridos entre alunos e professores. Foi necessária a intervenção da GNR, tendo dois alunos ido parar ao hospital.
O que se passa nas nossas escolas? O livro A Sala de Aula, da socióloga Maria Filomena Mónica, que acaba de sair do prelo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, revela o interior dos edifícios escolares. Para o conhecer melhor a autora pediu a alguns professores e alunos que, sob a forma de diários anónimos, contassem o seu dia-a-dia na sala de aula e à volta dela. O que se passa dentro dos muros das escolas é, por vezes, tão chocante que ficamos a não estranhar casos como os de Braga, que, ao contrário de muitos outros, chegam aos jornais. No volume Diários de uma Sala de Aula, que acompanha A Sala de Aula, uma professora relata a violência usada por uma aluna contra a mãe. Segundo a docente, numa reunião tida com as duas, a aluna “reagiu muito agressivamente, a sua expressão foi assustadora, a linguagem muito ordinária”. O pai, separado da mãe, era toxicodependente, tendo ele próprio iniciado a filha no haxixe. Noutra escola, esta frequentada por meninos ricos, uma aluna diarista descreve uma cena de uma aula do 10.º ano: “Durante um minuto, a professora grita com o aluno que a ignorou, até perceber que é inútil. Como sempre aliás”. E outra aluna retrata assim o ambiente escolar: “A porta da escola mais parece uma chaminé de fábrica. Todos os intervalos é possível encontrar uma boa parte da população estudantil a fumar. Ora tabaco, ora charros. (...) Se os papás soubessem o que os filhos fazem durante o dia, provavelmente não os deixariam ir às aulas...” Segundo a própria aluna, os pais que não sabem estão a trabalhar para comprarem roupas de marca para os seus rebentos. Estas descrições serão extremas, mas não completamente atípicas. As escolas albergam uma multidão de alunos, pobres ou ricos, que tudo fazem para não ir às aulas e, quando vão, as boicotam por todos meios ao seu alcance. Nas salas de aula é hoje, por vezes, muito difícil senão mesmo impossível ensinar e aprender.
Filomena Mónica, que em 1997 tinha escrito Os Filhos de Rousseau, condenando as teorias românticas que em grande parte são responsáveis pela indisciplina reinante (de facto, o bom comportamento não surge espontaneamente, como pensava o filósofo suíço), analisa agora em profundidade a realidade educativa nacional. Passa em revista os alunos, a família e a comunidade, os cursos profissionais, os exames, as matérias, os professores, os sindicatos e o Ministério. Com uma clareza meridiana, que não é normal nos autores de ciências sociais e humanas, e apoiada não só nos depoimentos dos diários mas também em documentos oficiais, apresenta os pontos fracos da educação nacional. Não foge às comparações com a escola de antigamente, que critica sem hesitar, e com a escola de outros países mais desenvolvidos, que gostaria de ver aqui emulada. Sublinha alguns bons exemplos na escola portuguesa: a luta heróica de alguns professores que conseguem cumprir a sua missão num clima adverso. Embora verifique o colapso educativo, defende o papel insubstituível da escola pública como elevador social: “Continuo a acreditar que, se as escolas públicas forem boas, os filhos dos pobres poderão, até certo ponto, sair do círculo de miséria em que estão encerrados.” A autora é particularmente severa para com o Ministério, ou melhor para com os seus sucessivos ocupantes (28) após 1974. Critica o actual ministro, em quem muita gente, incluindo a maioria dos professores, depositava fundadas esperanças, por pouco ter feito para tornar a escola um lugar onde se ensina e aprende sem bolas de fogo ou refregas como as de Braga. Apesar de partilhar com Nuno Crato a aversão ao “eduquês”, a novilíngua que o Ministério criou e mantém, verifica com mágoa que ele não implodiu a máquina ministerial como queria fazer, que não deu às escolas a autonomia de que fala e que não tem dado poder aos professores como é preciso. Pelo contrário, o Ministério, povoado por assessores incompetentes e sustentado por plataformas informáticas que Kafka não imaginou, continua a infernizar a vida a professores e alunos. Conclui Filomena Mónica o seu capítulo sobre os docentes: “Além de não assegurar a qualidade do ensino, o Ministério impede o normal funcionamento das aulas.” Tendo a concordar".

Carlos Fiolhais
Público

sábado, Março 08, 2014

Colocar o engano no centro da política - crónica de Pacheco Pereira

"Sempre escrevi contra o moralismo em política.
Não quero saber se o político A ou B engana a mulher, ou tem uma filha que esconde do público, se fez ou não um aborto, se é homossexual e está dentro do “armário”, ou se fuma qualquer droga leve, e, consequentemente minta e oculte qualquer destes comportamentos privados em público. Detesto a exposição que a comunicação social anglo-saxónica faz da vida privada dos políticos e acho inaceitáveis as teses que para aí circulam de que existe um direito natural de violar a vida íntima de um político porque ele é político, e que se confunda deliberadamente o maior escrutínio sobre aspectos da sua vida pessoal quando esta toca o espaço público, o que é aceitável, com a devassa generalizada da sua vida privada e íntima. A esfera da intimidade é para mim inviolável por regra, mesmo que possa haver limitações em certos aspectos muito restritos da privacidade. Não aceito a tese, que também circula na esquerda, de que se um político andar a fazer campanha eleitoral com a mulher isso dá direito aos jornalistas de revelar que ele tem uma amante, ou se for mulher e falar contra o aborto, não pode ter feito um aborto, ou a tese muito comum na imprensa cor-de-rosa de que, ao usar para sua publicidade a exposição do jetset, isso obriga alguém a “assumir” (como eles dizem) “namoradas” umas a seguir às outras e a não ter vida privada.
A privacidade foi uma tão difícil conquista do modo “burguês” de viver, ou seja do progresso material de muitas pessoas nos últimos duzentos anos, da sua saída do mundo asfixiante das aldeias, onde todos sabem tudo de todos, que a última coisa que quereria repor esta era em nome de uma outra aldeia ainda mais pastosa, a “aldeia global”. Privacidade é liberdade, é uma forma peculiar de liberdade que permite a cada um ter uma identidade e uma efectiva capacidade de decisão “moral”. Exige, é certo, alguma cultura e alguma riqueza material, não está ao alcance dos mais pobres, mas a defesa da privacidade é um upgrade civilizacional, como a anestesia.
Isto serve de intróito para dizer que não considero que haja necessariamente uma impregnação dos “maus” comportamentos privados na vida pública, e detesto a máquina de tornar flat os políticos matando qualquer espessura psicológica que não suporte a pressão para a exposição total. Churchill não aguentaria um mês com os critérios de exposição moralista actuais, mas Hitler tinha uma vida privada sóbria e frugal. Já é outra coisa falsificar um currículo para anunciar títulos académicos que não se tem, usar de bens e recursos públicos para se “pagar” a vida que se tem, quando ela é mais complicada, assumir comportamentos pré-criminosos ou socialmente inaceitáveis como seja a violência doméstica. E, claro e como é óbvio, aceitar a corrupção.
Feita esta fronteira, há uma discussão sobre a moralidade em política de outra natureza e penso que ela é crucial nos dias de hoje. É quando a imoralidade, a mentira, o engano, o desprezo pelas pessoas comuns, o fácil pisar dos mais frágeis, torna a decência mínima que a política deve ter em democracia, um bem precioso e a indecência um veneno quotidiano.
Vivemos em tempos onde essas imoralidades abundam, todas elas tendo como efeito a destruição da dignidade do seu semelhante, o seu amarfanhamento pela indiferença ou o dolo, com o acesso ao poder de uma geração de políticos absolutamente amorais, criados numa escola em que a desertificação cultural e ideológica é total, em que o manobrismo reina no meio de pequenos círculos e em que a educação pela intriga, feita em meios muito medíocres, sem abertura a nenhum mundo, nem a organicidade dos meios pequenos, nem o cosmopolitismo. Eram os políticos de antes melhores? Uns eram, outros não, mas não havia esta fusão de mediocridade e amoralidade dos dias de hoje, como regra de vida e de carreira.
Este amoralismo não é um pragmatismo, que podia ser um mérito, nem sequer um oportunismo que a política em democracia aceita como necessário em certas circunstâncias. É outra coisa: é uma ignorância e uma indiferença, um egoísmo obsessivo mas de muito pequeno alcance. Está muito ligado à falta de mundo e de leituras, a um provincianismo atroz, e a uma vida enclausurada em experiências estandardizadas e triviais, que tiram dimensão ao exercício do poder. Quando estas pessoas chegam ao topo, isto revela-se de forma muito cruel. O problema é que há sempre quem pague um custo por este modus vivendi. O país e os outros.
Uma das formas mais evidentes deste amoralismo político é a introdução do logro, do engano, do dolo, no âmago da decisão política. Os cínicos dirão que este tipo de engano, esta coreografia, é comum no teatro da política e habitual na democracia. Mas mesmo que se aceite um quanto deste tipo de comportamentos, é muito diferente o seu uso e abuso, a sua despudorada exibição como instrumento de política. E isso é ofensivo para o comum dos mortais. 
A acusação ao Primeiro-Ministro de que a sua palavra não valia nada, provocou-lhe um surto de irritação mais do que de indignação. Na verdade, a começar pelo próprio, ele sabe muito bem que o valor da sua palavra é nulo, e isso não o preocupa muito, não porque seja “mau”, mas porque o “valor da palavra”  remete para um conjunto de valores que ele e a sua geração acham antiquados e arqueológicos.
Veja-se o caso do “temporário” / “definitivo” dos cortes, um exemplo típico de como a “palavra”, no sentido de uma afirmação de honra, não tem nenhum valor. Desde o primeiro corte do subsídio de Natal, ainda em 2011, que tal foi apresentado como excepcional. O mesmo aconteceu nos cortes sucessivos de salários e mais tarde de pensões. No ano seguinte, passaram a ser válidos apenas enquanto houvesse “programa”, adiantando-se o ano do fim para 2013. Em 2013, o fim da troika passou para meados de 2014, mas em 2014, estendeu-se até ao fim do ano. Com a mais recente afirmação do Primeiro-ministro, vemos que ele pensa que são para sempre.
Poderá dizer-se que então nesse caso ele estaria a falar verdade? Não, ele está mais próximo da verdade quando diz que “não são para voltar atrás”, mas isso não significa que a sua “palavra tenha valor” Quando fala em modo eleitoral, os cortes (desculpem, as “poupanças”) são “temporários”. Quando fala em modo constitucional, para o Tribunal Constitucional, são também “temporários” e “excepcionais”. Quando fala em modo troika diz-lhe que os cortes são “definitivos”.  Quando o Primeiro-ministro entra em modo de “mercados”, são também “”definitivos”. Que o governo, na sua concepção do “ajustamento” está do lado da troika e tudo fará para que sejam “definitivos”, não sobra dúvidas. Mas que valor tem a “palavra”, quando ela muda conforme os destinatários e conforme as circunstâncias?
Nada disto é muito sofisticado, nem elaborado, o dolo é mesmo muitas vezes muito grosseiro, e isso se deve a que o governo e o Primeiro-ministro acham que ter que dar explicações sobre esta matéria é um desperdício de tempo e tem um infinito desprezo por aqueles que lhe perguntam sobre as suas contradições. No seu entender, ele, o governo, fará o que tem que fazer, fará o que quer fazer, e como tem o poder, a faca e o queijo na mão, nem sequer se preocupam muito em disfarçar.
Ora isto, para milhões de pessoas, no receiving end,  não é uma abstracção nem um truque de retórica, isto é a sua vida. Tratá-los assim é obsceno e imoral. Ora desta imoralidade, que falta ao mínimo respeito pelas pessoas, todos temos que cuidar e muito a sério. E isso obriga a falar de novo de decência e moralidade, porque estamos em tempos de desprezo".

Pacheco Pereira
Público

quinta-feira, Março 06, 2014

Escolas vão ter novas regras no final deste ano para contratar professores

Cada estabelecimento passa a elaborar uma lista ordenada de docentes para contratar ao longo do ano.
A partir do próximo ano lectivo as escolas vão ter regras diferentes para contratar professores. Além de cair o critério da entrevista pessoal - que até aqui tinha um peso de 50% na selecção - todas as contratações feitas directamente pelas escolas vão passar a ter como base uma bolsa de contratados de cada estabelecimento.