segunda-feira, Novembro 24, 2014

quinta-feira, Novembro 20, 2014

Bandalhos, são todos uns bandalhos

"Fiquei boaquiaberto quando ouvi, mas se tivesse pensado bem não teria ficado assim tanto. José Lello do PS e Coito dos Santos do PSD vão propor na Assembleia da República a reposição da subvenção vitalícia dos deputados. E pelo que tem vindo a público, os respectivos grupos parlamentares já se preparam para fazer aprovar a medida.
A lei da vergonha de todos os que a assinaram em 1984 (Governo do… Bloco Central) vai ter mais um capítulo. De novo o Bloco Central dos interesses, agora os puramente pessoais, atropelando tudo o que diga respeito à ética republicana, seja lá o que isso for, à moral ou à simples dignidade humana.
Que essa gentalha tenha a coragem de propor essa medida já não me admira. Mas que um bando de centenas de energúmenos vá atrás, esquecendo tudo o que se foi aprovando nos últimos anos, é algo que me escapa. Não dos energúmenos e parasitas do PSD ou do CDS – desses espera-se tudo. Mas dos paladinos da verdade na política do PS, lembro-me assim de repente do cínico João Galamba ou da histriónica Isabel Moreira, desses – embora nada se espere  - assinala-se o facto de concordarem pela primeira vez com o PSD. Quanto a António Costa, já mostrou ao que vem, se é que ainda não se tinha percebido.
Até o PCP ficou calado. Enquanto se discutem os cortes nas pensões e nos salários, o PCP ficou calado. Calado! Será culpado por omissão, já que é fácil votar contra quando se sabe que a medida será aprovada na mesma.
Bandalhos, são todos uns bandalhos. Gente com quem tenho vergonha de partilhar a nacionalidade".

sábado, Novembro 08, 2014

Por cada professor que dispensarem câmaras recebem 13 600 euros

"Proposta apresentada aos municípios que vão integrar projeto-piloto da descentralização do ensino prevê corte de até 5% dos docentes necessários
Cada professor eliminado vale 13 594,71 euros. É esta a proposta - equivalente a metade do custo anual do docente pelo índice salarial 167 - que consta da cláusula 42 da última proposta que o Ministério da Educação e Ciência enviou há duas semanas aos municípios com os quais está a negociar um projeto-piloto para a delegação de competências em matérias de educação, incluindo edifícios, parte dos currículos e recursos humanos.
A proposta de contrato foi divulgada ontem pela Federação Nacional dos professores (Fenprof), numa conferência de imprensa onde o líder desta organização sindical,Mário Nogueira, equiparou a cláusula com o"coeficiente de eficiência relativo ao pessoal docente" a "um filme de John Wayne" em que, "depois de um assalto, se discute a divisão:metade para ti e metade para mim".
Questionado pelo DN, o Ministério confirmou a proposta. Já a Câmara de Famalicão, uma das 10 autarquias envolvidas na "fase-piloto" das negociações destes contratos, avisa que não está interessada em gerir e contratar os professores".


DN

domingo, Novembro 02, 2014

Mais de cinco mil professores já saltaram de escola em escola

"Desde o início do ano letivo, em meados de setembro, pelo menos 5.140 professores viram-se obrigados a trocar de escola. Em causa, escreve o Diário de Notícias (DN), estão os erros na bolsa de contratações e as mudanças obrigatórias por falta de turmas.
De acordo com a publicação, estas trocas parecem não ter fim à vista, uma vez que ainda se encontra a decorrer o prazo de 30 dias em que os últimos professores contratados podem rescindir e mudar de local de trabalho. Além disso, já começou a fase de permuta de docentes, o que irá originar uma nova onda de rotatividade.
O professor Arlindo Ferreira, do blogue Arlindovsky, fez as contas e revela que 4.360 dos professores que já andaram nesta ‘dança das cadeiras’ eram dos quadros e ficaram sem turma na escola em que agora estão colocados. Os restantes 780, escreve o jornal, são os professores que estavam colocados na primeira bolsa de contratação do Governo e que perderam o lugar, sendo, posteriormente, recolocados noutro estabelecimento de ensino.
Contudo, destaca o DN, a estes docentes devem ainda ser somados todos aqueles que, embora já colocados, quiseram trocar de escola por conseguir um horário melhor ou por ficarem mais perto de casa".

Notícias  ao Minuto

segunda-feira, Outubro 20, 2014

Escolaridade das mães determina sucesso escolar dos filhos

Na semana passada, o jornal Expresso divulgou dois estudos que indicam que em Portugal a escolaridade dos pais, em particular da mãe, é o fator que mais determina o sucesso escolar. Por exemplo uma criança filha de uma mãe com baixa escolaridade tem sete vezes menos hipóteses de prosseguir os estudos que um colega filho de uma licenciada.

quarta-feira, Outubro 08, 2014

É a indisciplina, estúpido!

O sucesso da campanha de Bill Clinton às eleições presidenciais norte-americanas, em 1992, é indissociável do slogan “É a economia, estúpido!”. Décadas passadas, por cá contentamo-nos com a vacuidade do “Pôr a economia a crescer”. Se no domínio das mais elementares condições de vida o discurso político vegeta a esse nível, na área do ensino arrasta-se uns furos mais abaixo. Nem sequer se chegou ao equiparável “Pôr a indisciplina a descer” e muito menos “É a indisciplina, estúpido!”.
Algumas notas introdutórias. Primeira, o funcionamento das escolas tem no âmago as atitudes e comportamentos dos que as frequentam. Segunda, as disfuncionalidades existentes neste domínio são em regra originadas por uma minoria, bastando um par de alunos para desestabilizar uma turma inteira e daí gerar-se o efeito bola de neve. Terceira, vivemos tempos em que o princípio respeitável de proteção das minorias atingiu características de paranoia coletiva porque se mantém mesmo quando significa atentar contra direitos elementares das maiorias, como o de ensinar e aprender com dignidade e qualidade.
Outra nota. Cada época tem a sua marca. Ora predominou, por exemplo, a identificação com o radicalismo religioso que permitiu a inquisição; ora predominou uma atitude de súbdito na relação com quem governava, o que explicou a radicalização do poder do estado nos tempos das ditaduras. Como sempre, apenas numa fase posterior as sociedades se apercebem dos seus estádios de alienação pretéritos. Nos dias que correm somos toxicodependentes do materialismo histórico e dialético (ou marxismo). Descodificado em senso comum, significa a crença avassaladora de que o essencial do funcionamento das nossas sociedades e instituições gira à volta das condições materiais. Acreditamos que com dinheiro tudo se resolve, tudo funcionará melhor.
Se é inegável que a disponibilidade de meios financeiros ajuda a ultrapassar parte das limitações ou disfunções sociais e institucionais, não é menos inegável que outra parte depende das atitudes e comportamentos dos indivíduos. Trata-se de domínios relativamente autónomos entre si – material e comportamental – e é de extrema importância conferir primazia a ambos de acordo com as especificidades de cada contexto.
Para além do défice de determinadas atitudes e comportamentos, se existe domínio no qual o dinheiro em excesso foi bastante prejudicial é o do ensino. Descontados os episódios risíveis dos investimentos no computador Magalhães, bem pior foi o facto do acesso fácil ao dinheiro a crédito na transição de século, aliado à “paixão pela educação”, ter impulsionado uma das mais desastrosas reformas. Na substância, traduziu-se na sobrecarga dos currículos do ensino básico e secundário ao longo de mais de uma década à custa da introdução, nos horários dos alunos, de áreas com rotulagens pomposas: Área de Projeto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica. O leitor não necessita de saber o que são. Quem por lá andou e teve formação intensiva para o efeito, como eu, acabou em idêntico estado.
Do que não restam dúvidas é do lastro dessa reforma. Durante a sua vigência, a indisciplina nas escolas agravou-se de modo continuado, o contrário do que prometiam os avultados investimentos. A ideia de aula foi desregulada, passando dos estáveis 50 minutos para a oscilação aleatória entre 45 e uns insuportáveis 90 minutos, oscilação com impacto na desregulação de atitudes e comportamentos dos alunos, uma vez que o sistema perdeu um dos referentes essenciais de estabilidade. O desrespeito pela sala de aula enquanto espaço para a tranquilidade da aprendizagem foi agravado, posto que tais inovações pedagógicas ajudaram, como nunca, a transferir o ambiente ruidoso do pátio para o interior da sala de aula. Foram sacrificadas horas letivas semanais de disciplinas estruturais (ciências, história, geografia, entre outras) no altar da nova ideia de escola. Fazia ainda parte da reforma desviar os professores das suas áreas de conhecimento científico ou académico de origem para se entreterem numa espécie de carnaval permanente rotulado de áreas transversais. Entre outras estultices.
Pejadas de resquícios do Grande Salto em Frente e da Revolução Cultural maoístas, pior só mesmo os responsáveis por tais engenharias sociais nunca terem sido confrontados com a dimensão dos seus erros, nem terem sido disponibilizados à opinião pública os custos financeiros, seguramente astronómicos, implicados na massificação de tais experiências de laboratório. Não foi apenas no betão (estádios de futebol e demais elefantes brancos) que se torraram dinheiros públicos. Certas utopias pedagógicas não são indiferentes ao descalabro financeiro. Porém, neste caso nem sequer existe consciência da gravidade dos abusos perpetrados, nem a opinião pública se mostra sensível. Por isso, o regresso em força dos pedagogos do regime depende apenas de uma próxima ronda eleitoral.
Quando comparo o que vou observando em Moçambique com o que conheço de experiência vivida das salas de aula do básico e secundário em Portugal, é muito evidente que o ensino português não sofre de limitações ao nível dos recursos materiais ou humanos. Há muito que a matéria-prima existente chega e sobeja para que as escolas funcionem muitíssimo melhor. O verdadeiro obstáculo é a fortíssima resistência cultural em aceitar que é no domínio das atitudes e comportamentos em salas de aula e face ao estudo que residem as mais graves carências do ensino.
Apesar de ser mais do que evidente tratar-se, acima de tudo, de um fenómeno cultural, ideológico, político e civilizacional – não se deteta em toda a classe política, nem nos discursos dominantes no espaço público, quem ouse filiar-se a slogans do tipo “Pôr a indisciplina a descer” ou “Pôr o estudo a subir” enquanto princípios orientadores da ação política e cívica no ensino. Sobrevivemos rendidos a uma dupla cobardia coletiva.
Por um lado, apesar de intuirmos que o núcleo chave da gestão do ensino reside na regulação de atitudes e comportamentos dos alunos e que qualquer coisa deve mudar a esse nível, o facto é que nos tornámos exímios na exibição frenética de comportamentos de fuga face ao que mais incomoda. Escudamo-nos na sobrevalorização obsessiva de temas como a avaliação dos professores, a liberdade de escolha das escolas, a renovação do modelo de gestão dos estabelecimentos de ensino, o ajustamento e renovação material da rede escolar, a revisão das carreiras docentes, a revisão da regras dos concursos de professores. Por aí adiante.
Desta interminável amálgama não vimos, não vemos, nem veremos resultados com impacto substantivo na melhoria do ambiente quotidiano das salas de aula, o espaço onde o verdadeiramente importante se decide. Não nego que os aspetos referidos possam fazer algum sentido. Mas qualquer deles, sem exceção, tem significado marginal quando comparado com o núcleo-chave que faz mover o ensino: “É a indisciplina, estúpido!”.
A outra parte da cobardia coletiva face à indisciplina tem a ver com o pavor de sermos alvos de anátemas lançados pelos novos inquisidores: “fascista”, “socialmente insensível”, “destruidor da escola pública”, “desrespeitador dos que menos têm”, “desconsiderador das minorias étnicas”, “insensível ao multiculturalismo”, “contrário à escola inclusiva”, “direitolas” e demais mimos. O temor de pisar o risco do politicamente correto tem sido nocivo para o destino das sociedades ocidentais.
Como entrei na sociedade portuguesa pela porta dos mais pobres vindo de África e como sempre trabalhei em salas de aula de periferias urbanas ditas difíceis, território por excelência de minorias étnicas e de segmentos da população tidos como excluídos, atributos que partilhei ou partilho, não hesito em considerar que a inércia que se arrasta há décadas no combate efetivo à indisciplina nas salas de aula constitui dos mais cínicos e refinados sintomas de desprezo pelos pobres, pelas minorias étnicas e pelos excluídos. Descontada uma escola de qualidade, estes praticamente não têm outras possibilidades de transformação da sua condição social de origem.
De resto, é esquisito viver numa sociedade onde a Assembleia da República é por excelência o lugar onde mais se concentram empresários de sucesso em sensibilidade social. Pela televisão vou vendo como certos grupos parlamentares estão povoados de negros, ciganos, mestiços, asiáticos, islâmicos e o mais. Guardo na memória as suas intervenções no hemiciclo. Os grupos parlamentares que os integram são o farol de uma ampla família de forças políticas e de portugueses decentes. Talvez por isso essa parte da sociedade portuguesa possua a auréola de titular exclusiva da legitimidade da defesa dos setores vulneráveis da população, a parte que inclui senhoras e senhores de olhar altivo, não-racistas, não-discriminatórios, moralmente superiores. Os demais indígenas, estes outros cujos grupos parlamentares com que se identificam são étnica e socialmente homogéneos, talvez devam ser merecedores de opróbrio.
Entre pesadelo, ficção e sem-vergonha às vezes é difícil perceber por onde anda a realidade.

Gabriel Mithá Ribeiro
Observador

terça-feira, Setembro 09, 2014

domingo, Setembro 07, 2014

sexta-feira, Agosto 29, 2014

Governo avisa que só rescinde com docentes que não façam falta

"Maria Luís Albuquerque sublinhou ontem que pode recusar candidaturas de professores. Poupanças com os outros programas de rescisões e com a requalificação estão abaixo do previsto mas o Governo espera que aumentem em 2015.
Querer sair do Estado só não chega. Os professores que apresentaram pedidos de rescisão por mútuo acordo só poderão sair se não estiverem a fazer falta nas escolas".

Jornal de Negócios

terça-feira, Agosto 12, 2014

Professores que pediram rescisão vão ter turmas atribuídas

"Os 3.606 professores que estão à espera de saber se o seu pedido de rescisão será aceite não serão dispensados de dar aulas no próximo ano letivo, que começa já em setembro, confirmou à Lusa o gabinete de imprensa do Ministério da Educação e Ciência (MEC).
A Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGESTE) informou as escolas de que teriam de ser atribuídos horários aos docentes que tinham aderido ao programa de rescisões por mútuo acordo, lançado no final do ano passado.
Questionado pela Lusa sobre esta decisão, o gabinete do ministro Nuno Crato explicou que o programa destinado a professores do ensino básico e secundário não depende exclusivamente do MEC, sendo também da responsabilidade do Ministério das Finanças, "a quem compete a autorização final dos pedidos, de acordo com a legislação".
Além disso, o MEC lembra que os próprios professores também poderão decidir "não aceitar a proposta de acordo de rescisão".
Para garantir que nenhum docente que não veja o seu processo concluído fique sem dar aulas, a DGEstE "deu orientações às Direções de Serviço para que informem as escolas de que deverá ser atribuído horário aos docentes que entregaram pedidos de rescisão", explica o ministério.
O gabinete do ministro da Educação, Nuno Crato, sublinha que "este é um processo complexo e diferente do relativo aos pedidos de aposentação", uma vez que os docentes que pediram a aposentação podem ser dispensados de dar aulas.
Sobre a data de conclusão dos processos de rescisão, o MEC disse apenas que "o Governo está a trabalhar para que este processo esteja concluído tão depressa quanto possível".
O programa de rescisões começou no final do ano passado e o processo para entregar o pedido de rescisão terminou no final de junho".

Notícias ao Minuto

terça-feira, Agosto 05, 2014

Matemática e Português com média negativa na 2ª fase

As médias dos exames nacionais do ensino secundário, na 2ª fase, foram negativas a 15 das 23 disciplinas sujeitas a exame. Alemão, Biologia e Geologia, Filosofia, Física e Química A, Francês, Geometria Descritiva A, História A e B, História e Cultura das Artes, Latim A, Matemática A e B, Matemática Aplicada às Ciências Sociais, Português Língua Não Materna e Português tiveram uma classificação final inferior a 95 pontos.
Segundo os dados divulgados pelo Ministério da Educação e Ciência, 60% dos alunos que fizeram exame nacional de Matemática A na 1ª fase repetiram o exame na 2ª fase. No caso da disciplina de Física e Química A, Biologia e Geologia e Português a percentagem de alunos que repetiram foi de 50%, 37% e 24%, respetivamente.
Os exames da 2ª fase apresentaram, na maioria das disciplinas, resultados inferiores aos observados na 1ª fase. No entanto, o Júri Nacional de exames justifica o panorama por se tratarem de exames realizados principalmente por alunos que não foram aprovados na 1ª fase.
Tendo em conta apenas os alunos internos, as disciplinas de Geografia, Português, Biologia e Geologia e Matemática A foram as que registaram maiores taxas de aprovação.

segunda-feira, Agosto 04, 2014

Mais de 85% dos professores com prova de avaliação válida aprovaram no exame

Mais de 85% dos professores que realizaram a prova de avaliação, considerada devidamente válida, aprovaram no exame, informou hoje o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE).
Segundo os dados hoje divulgados, tiveram nota positiva 8.747 docentes, "o que corresponde a 85,6% do total de candidatos com provas classificadas" num universo de 10.220 provas realizadas.
O IAVE revela que 1.473 docentes reprovaram nesta prova, que permite o acesso à carreira docente de professores contratados, com menos de cinco anos de serviço.

domingo, Julho 20, 2014

A propósito do exame aos professores

"A marcação, em segredo, de um exame aos professores para dali a cinco dias, com o objetivo de evitar qualquer tipo de reação da classe e pondo em causa as vidas das pessoas, é um ato evidentemente nojento, indigno de um governo e desrespeitador dos mais básicos direitos.
Em qualquer democracia minimamente madura, um ministro que se atrevesse a fazer uma coisa destas era imediatamente posto fora do Governo, mas, de facto, já se ultrapassaram todos os limites".


Pedro Lopes
DN

sábado, Julho 05, 2014

Governo dá prémio a câmaras que trabalhem com menos docentes

O Ministério da Educação planeia pagar um prémio às autarquias que trabalhem com menos docentes do que os tidos como necessários.
Segundo o Público, o prémio em causa ronda os 12.500 euros por ano letivo e aplica-se sempre que o número de professores seja abaixo do estipulado no universo escolar. Mais concretamente, explica a publicação, uma autarquia receberia o prémio se trabalhasse com, a título de exemplo, 399 quando os necessários seriam 400.
Essa partilha em 50% do diferencial iria aplicar-se somente nas situações em que tal diferença entre os professores no ativo e os necessários não seja superior a 5%.
Para Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), esta medida encontra-se “no limite, muito perigosa” pois “permitirá aos municípios trocar professores em troca de dinheiro”.
Para o líder da Fenprof, Mário Nogueira, este “fator de eficiência” tem subjacente “uma intenção de premiar os municípios que consigam reduzir o número de professores”. Contudo, destaca que tal só pode ser concretizado ou através “da privatização ou da pior qualidade na resposta educativa”.

sexta-feira, Julho 04, 2014

A escalada da violência nas escolas

"Uma professora francesa foi esta sexta-feira esfaqueada mortalmente pela mãe de um dos seus alunos, no início das aulas numa escola pública no sudoeste de França, por razões ainda desconhecidas.
"A mãe de um dos alunos entrou na escola com uma faca e esfaqueou, diante dos estudantes, uma professora de 34 anos", disse um responsável judicial da cidade de Albi, Claude Derens, à agência AFP.
O incidente ocorreu no princípio do horário das aulas, esta manhã, numa escola pública que tem 284 crianças, entre os 3 e os 11 anos, no jardim-de-infância e na escola primária.
O presidente francês, François Hollande, reagiu de imediato, considerando este caso como uma "tragédia terrível" e anunciando a mobilização dos serviços de apoio às crianças que testemunharam o homicídio.
A violência nas escolas francesas tem vindo a aumentar nos últimos tempos, segundo a AFP, que lembra uma pesquisa de 2012, segundo a qual 35,8% dos funcionários escolares disseram que foram vítimas de abuso e 17,1% admitiu ter recebido ameaças.
Quase metade (49%) dos diretores de escolas primárias e infantários foram agredidos verbal ou fisicamente pelos pais durante o ano letivo de 2012-2013, revela outro estudo publicado em abril pelo jornal Le Parisien".

CM

segunda-feira, Junho 30, 2014

Mário Nogueira diz que 4% dos docentes poderá aceitar rescisão amigável

"Depois de 2.600 docentes terem aderido, até fevereiro, à proposta de rescisões amigáveis com o Estado, o representante da Fenprof revela que, terminado hoje o prazo, 4% dos professores do quadro poderá vir a aceitar a rescisão.
Em declarações à TSF, Mário Figueiredo diz que esta proposta do Estado poderá ser aceite por quatro mil docentes, mas realça que o alargamento do prazo está a prejudicar a preparação do próximo ano letivo.
“Em algumas escolas, em que se começa a preparar o ano letivo e ter de se saber com que professores se conta e a quem se distribui serviço, isso naturalmente causa perturbação”, destaca.
O líder da Fenprof destaca ainda que o alargamento do prazo se deveu ao facto de os números conhecidos estarem abaixo das perspetivas do Ministério da Educação.
O prazo para os professores pedirem a rescisão de contrato com o Estado termina esta segunda-feira, mas em fevereiro – data em que 2.600 professores aderiram – o Governo garantiu que o número de pedidos recebidos era suficiente para assegurar os objetivos de poupança definidos".

Notícias ao Minuto

quarta-feira, Junho 25, 2014

OCDE: Professores não se sentem valorizados mas estão satisfeitos com o seu trabalho

A maioria dos professores portugueses acredita no seu trabalho, mas apenas 10,5% dos inquiridos num estudo da OCDE sente que a profissão é valorizada pela sociedade, um número abaixo da média de outros países.
A OCDE divulgou esta quarta-feira os números do inquérito internacional TALIS 2013 (Teaching and Learning International Survey) que apontam para um sentimento de desvalorização profissional e, quando comparada com a média dos mais de 30 países envolvidos no estudo, esta indica que 30,9% dos inquiridos acredita ser valorizado.
Ainda assim, os professores portugueses declaram-se satisfeitos com o seu trabalho - 94,1% -, desta vez acima da média de 91,1% da OCDE.
Outro dado curioso: há 16% que preferiam ter escolhido outra profissão. A média na OCDE desce quase para metade, fica-se pelos 9,5% e só na Coreia e na Suécia há descontentamento maior.
Um quarto de tempo perdido a manter a disciplina nas aulas
Quanto ao aproveitamento das aulas, os professores portugueses afirmam que 25% se perde em tarefas administrativas, como a contabilização e registo de presenças, e a manter a ordem dentro da sala.
Sobra 75% para lecionar, uma realidade próxima da média do estudo - 78,7% do tempo de aula dedicado ao ensino.
Mais tempo a trabalhar
Quanto aos horários, o TALIS conclui que os professores portugueses são dos que dedicam mais horas ao trabalho - aulas, preparação e correção de trabalhos. Os docentes portugueses dizem que trabalham 44,7 horas por semana, contra uma média de 38,3 na OCDE.

O TALIS envolveu mais de 100 mil docentes do 3.º ciclo do ensino básico e diretores de 34 países e economias.                         

sexta-feira, Junho 13, 2014

4.º ano melhora média a Português e 6.º ano baixa notas a Matemática

Os resultados médios das provas finais do 4.º e 6.º anos a Português e Matemática mostram que os mais novos melhoraram a Português, face a 2012-2013, e que os mais velhos baixaram a média a Matemática.
Os alunos do 4.º ano obtiveram, na 1.ª fase das provas finais, notas médias positivas a Português (62,2%) e Matemática (56,1%), mas, no 6.º ano, apenas Português teve um registo médio positivo (57,9%), com a Matemática a ter média negativa (47,3%). Os resultados foram divulgados hoje pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), que destaca, em comunicado, as melhorias registadas a Português, mais significativas entre os alunos mais novos.
Em 2013, a nota média nacional das provas finais do 4.º ano, na disciplina de Português, tinha ficado próxima dos 49%, tendo os alunos do 1.º ciclo obtido melhores resultados a Matemática, com um registo médio de 57%. No final do ano letivo de 2012-2013, depois de conhecidos os resultados das provas finais do 4.º ano, o ministro da Educação, Nuno Crato, considerou os resultados dos mais novos insatisfatórios e reveladores do muito trabalho ainda a fazer com os alunos. A Português, a média do 6.º ano em 2013 foi de 52% e a de Matemática de 49%, superior à média deste ano.

quarta-feira, Junho 11, 2014

Chumbos prejudicam o desempenho dos alunos a longo prazo, concluem economistas do Banco de Portugal

"Dois economistas do Banco de Portugal aconselham a que não se chumbem os alunos do ensino básico, por ser prejudicial para o seu desempenho educativo a longo prazo. Esta é uma das principais conclusões de um estudo sobre a retenção escolar no ensino básico em Portugal, que foi publicado junto com o Boletim Económico de junho desta instituição.
De acordo com o estudo realizado por Manuel Coutinho Pereira e Hugo Reis, a existência de alunos repetentes implica custos adicionais, “incluindo a despesa de fornecer um ano adicional de educação, bem como o custo para a sociedade em atrasar a entrada do aluno no mercado de trabalho”. Em quase todos os países europeus a legislação prevê a possibilidade de um aluno repetir o ano durante o ensino básico. Mas a Noruega e a Islândia decidiram instituir a “progressão automática ao longo de toda a escolaridade obrigatória” e os resultados, dizem os autores, são visíveis:
“Nos países escandinavos e na Itália, menos de 5% dos alunos com 15 anos de idade repetiram alguma vez no ensino básico, enquanto em países como Portugal, a França, a Espanha e o Luxemburgo os números estão acima dos 30%”.
Nota importante é que o estudo se baseia nos dados do relatório PISA (da OCDE), mas de 2003 e 2009 – sem refletir os dados do último destes relatórios, publicado em 2013.
Os economistas consideram que, em alternativa à retenção escolar, uma solução mais vantajosa para evitar o insucesso escolar seria a substituição parcial desta prática por programas alternativos de apoio aos alunos que revelem dificuldades de aprendizagem no início da vida escolar. Em Portugal, um exemplo deste tipo de modelos é o Programa Mais Sucesso Escolar, “cujo objetivo consiste em apoiar o desenvolvimento de projetos de prevenção e combate ao insucesso escolar no ensino básico”. O programa foi lançado no ano letivo de 2009/2010, enquanto Isabel Alçada era Ministra da Educação.
O estudo considera ainda que as “características individuais, de família e dos colegas assumem um papel de relevo” no sucesso escolar do aluno. Em Portugal, os alunos com menor maturidade e com piores condições socioeconómicas têm uma maior probabilidade de repetir o ano escolar. Além dos aspetos socioeconómicos, “as características da escola e das diferenças ao nível regional e ao nível do país” também influenciam a repetição, ou não, do aluno".

Jornal Observador

sexta-feira, Maio 09, 2014

sábado, Maio 03, 2014

Estudo mostra que colégios inflacionam notas

Uma equipa de um centro de investigação da Universidade do Porto analisou mais de três milhões de classificações de exames do secundário e as correspondentes notas internas, ao longo de 11 anos, e chegou à conclusão que as escolas privadas independentes são as que mais "inflacionam" os resultados dos seus alunos, em comparação com as públicas e mesmo com os colégios que têm contrato de associação (particulares mas financiados pelo Estado). 
Os autores do estudo mostram ainda como essa inflação de notas pode condicionar o acesso ao ensino superior e beneficiar assim os estudantes do ensino privado independente que, regra geral, já são de meios socioeconómicos mais privilegiados. 
Diretores de escolas e pais reconhecem o problema e defendem alterações na forma como é feito o ingresso na universidade.


Expresso Online


quarta-feira, Abril 30, 2014

Os pais que fazem um "business plan" para os filhos

No estado de Nova Iorque, uma creche cancelou uma peça de teatro dos alunos invocando o seguinte argumento: nós estamos aqui para preparar as crianças para a sua carreira e não para brincadeirinhas teatrais. Numa carta assinada pelo director e quatro educadoras, a Harley Avenue Primary School (Elwood, NY) informou que o espectáculo marcado para 14 e 15 de Maio foi cancelado porque os alunos têm de continuar a trabalhar para que fiquem prontos para a "universidade e carreira". Repare-se que não estamos a falar de jovens de 16 anos, mas de crianças. A inocência está pela hora da morte.
Esta brutalidade executiva é chocante, mas obedece a uma mentalidade vigente em muitos papás de lá e de cá. Já repararam que as crianças já não podem ser crianças? Já repararam que, além da escola, elas têm o dia preenchido com actividades destinadas à construção do seu futuro profissional? É como se estivessem a cumprir um business plan cuidadosamente preparado por papás que parecem partir do pressuposto que as criancinhas são tabulas rasas, sem centelha própria, tabulas lisinhas à espera dos inputs centrados nas skills. Além das aulas normais, o pequeno-que-tem-de-ser-médico-custe-o-que-custar tem de passar por aulas suplementares de matemática, tem de cursar três institutos de três línguas diferentes, mandarim incluído, porque o mandarim vai ter muita saída, e ainda tem de vergar a mola em aulas de música e/ou desporto. Porquê a música? Porque gosta? Não, porque a música disciplina o cérebro, logo é útil no seu caminho até à medicina. Porquê a natação? Porque gosta de estar na água? Não, porque é uma actividade que disciplina, logo é bom para a sua futura carreira de Michael Phelps do estetoscópio. 
Sim, muitos pais não estão no business de criar filhos, o seu business é construir pequenos robôs, seres formatados desde a infância para um destino profissional. Aquela creche americana é só um eco desta nova estirpe de pais. O que fazer com crianças de quatro anos? Talvez um bootcamp de development de skills de networking necessária à entrepreneurship. Aliás, é um escândalo que uma criança de quatro anos não saiba já debater em inglês, não é verdade? Um escândalo só comparável ao facto de uma criança de seis anos querer brincar em vez de estar a preparar-se para a "faculdade e carreira". A idade da inocência está a acabar antes de começar. 

Henrique Raposo
Expresso Online