quarta-feira, dezembro 17, 2008

"Simplex" da avaliação foi publicado

"Cada professor avaliador vai ter um hora semanal para avaliar três docentes. Esta é uma das medidas de simplificação e desburocratização do processo de avaliação de desempenho de professores, publicada ontem em Diário da República e que já está em vigor desde dia 4.
Os despachos da ministra da Educação e do secretário de Estado da Educação explicitam as situações em que pode haver delegação de competências do avaliador do coordenador de departamento curricular e do director de escola. É ainda referido que, quando num dos departamentos curriculares não existam professores titulares, pode ser nomeado um professor para exercer, transitoriamente, essas funções. Já em relação às quotas para os professores com Muito Bom e Excelente, o despacho ministerial estabelece que em cada grupo de docentes pode ser sempre atribuída pelo menos uma menção qualitativa de Muito Bom e uma de Excelente, independentemente da dimensão do grupo de avaliados".

Correio da Manhã

terça-feira, dezembro 16, 2008

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Medina Carreira na SIC, falando sobre Educação

Ver aqui a excelente entrevista de Medina Carreira ontem na SIC. A partir dos 30 minutos fala sobre Educação e faz alguns alertas que Maria de Lurdes devia ouvir com atenção.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Luta sem tréguas

Como era de esperar a reunião entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical deu em nada. Segundo Mário Nogueira, a tutela não aceitou qualquer proposta dos sindicatos, mantendo-se assim o impasse entre as partes. A partir de agora as pressões sobre os professores vão-se suceder, com ameaças e intimidações, de vária ordem, mas isso não nos deve impedir de continuarmos a lutar nas nossas escolas pela suspensão deste modelo de avaliação. O passo seguinte passa pela não entrega dos objectivos individuais o que desde logo impossibilita que o processo avance. De acordo com o decreto-lei 15/2007 e o decreto regulamentar 2/2008, um professor que recuse ser avaliado não pode progredir na carreira nesse ano. Esta é a única penalização possível pelo que não há razão para medos infundados. Nesta altura, não pode haver fracturas. Temos de estar unidos em luta pelo mesmo objectivo.

A eterna infância

Alberto Gonçalves
Sábado

quarta-feira, dezembro 10, 2008

terça-feira, dezembro 09, 2008

Para que serve a avaliação dos professores?

"A tremenda agitação que atravessa o sistema educativo não tem sido aproveitada para reflectir sobre o problema essencial que aquele defronta: a melhoria dos medíocres resultados motivados pela ineficiência da aplicação dos vastos recursos públicos já colocados à sua disposição.
A avaliação dos professores não deveria servir para assegurar o controle ideológico sobre o aparelho educativo, nem para o exercício gratuito da autoridade. Em vez destes propósitos, dever-se-ia prosseguir o objectivo de maximização dos reais conhecimentos dos alunos. Está em causa transformar um problema político de monta num exercício de gestão que as investigações recentes mais sofisticadas ajudam a simplificar: trata-se de afectar os melhores docentes aos piores alunos, aumentando, simultaneamente, a eficiência e a equidade do sistema. Reside aqui a importância da avaliação dos docentes.
Reuni na tabela acima a informação essencial sobre a questão; é aí resumido o sentido das melhores e mais recentes investigações acerca do efeito da qualidade dos docentes sobre os resultados dos alunos. Embora sejam realizadas num contexto diferente do português, aquelas investigações indicam tendências que se podem generalizar.

Os resultados relevantes do aparelho educativo são os conhecimentos adquiridos pelos alunos, medidos com rigor por padrões internacionais, e não pelos inúteis indicadores que a burocracia oficial abundantemente agita. Felizmente, a OCDE1 produz desde o ano 2000, no âmbito do projecto PISA, informação preciosa que permite comparar os conhecimentos adquiridos pelos jovens, aos 15 anos, nas áreas fundamentais da matemática, das ciências e da leitura.

A comparação dos resultados com os custos acumulados por estudante dá bem conta da ordem de grandeza do desperdício que atravessa o sistema educativo nacional. Sendo uma situação conhecida, ganha uma dimensão acrescida se adicionarmos dois dados de contextualização. Primeiro: para o conjunto da OCDE – com um eficiência média muito superior à portuguesa – há um potencial de 22% de melhoria dos resultados mantendo os actuais recursos. Segundo: a despesa acumulada por estudante explica apenas 15% dos resultados no caso particular dos conhecimentos de Ciências.

Existe hoje uma potente metodologia – desenvolvida, com sofisticados instrumentos estatísticos, desde meados dos anos 1990 – de avaliação dos docentes, baseada no valor acrescentado do conhecimento dos alunos atribuível aos docentes.

Estes estudos mostram que os bons professores estimulam os alunos e que a origem social da família de origem pode não determinar o destino do estudante. A correcta afectação dos docentes aos grupos de estudantes com diferentes prestações aumenta os resultados globais. Apenas 42% dos alunos fracos obtêm aproveitamento com maus professores; mas aquela percentagem passa a 90% se aqueles alunos tiverem bons professores. Por sua vez, 100% dos bons estudantes ensinados por bons docentes conseguem aproveitamento; a percentagem de aproveitamento destes alunos baixa para 90% se forem ensinados por maus professores.

Ora, sabemos que o sistema português – apesar da roupagem igualitária – gera uma afectação ineficiente e iníqua: os bons professores ficam, por norma, com as melhores turmas, enquanto os piores docentes ficam com as piores. O ganho da realocação de um bom docente de uma boa turma para uma turma fraca é muito superior à perda que se gera por substituir, numa boa turma, um bom docente por um docente fraco.
Felizmente, neste caso, o logos e o pathos do decisor público – ao contrário do que sucede na maior parte das vezes – não estão em contradição: as medidas de reforço da eficiência não diminuem a equidade – antes, reforçam-na.
No entanto, muitos já desistiram de usar o aparelho educativo como instrumento de mobilidade social, conduzindo políticas de facilitismo que, para além da evidente ineficiência, aprofundam as desigualdades sociais.
Na verdade, foi drasticamente diminuída a autoridade dos professores e da escola, o que reduziu o seu papel de incentivador da mobilidade social e reforçou os velhos constrangimentos da origem social dos alunos. Do ponto de vista intelectual, renunciou-se a entender a verdadeira influência que a escola e, em especial, os professores podem ter na redução das desigualdades sociais de partida, sob a preguiçosa alegação de que não seria possível isolar o papel da qualidade da escola e dos docentes nos resultados dos alunos. Ignoram-se, assim, os formidáveis progressos que os sofisticadas métodos estatísticos têm permitido realizar nos últimos 15 anos no esclarecimento deste problema. Este argumento está sempre presente: ora quando se trata de contestar os rankings das escolas, ora quando se pretende negar a importância dos resultados dos alunos na avaliação dos docentes.
Esta postura, este cansaço político e intelectual, conduziu ao monstruoso e ineficaz sistema de avaliação que agora é contestado na praça pública, contribuindo, assim, com mais um passo, para a desqualificação do sistema de ensino e o agravamento das insuportáveis desigualdades que ele comporta.
Uma avaliação simples e focada no acréscimo dos resultados dos alunos é a solução que se impõe.
1 Os dados aqui referidos, bem como muitos outros de grande relevância, podem ser consultados no sítio da OCDE (http://www.oecd.org/). Em especial, devem procurar-se os dados sobre os resultados dos conhecimentos dos alunos correspondentes às várias edições do projecto PISA (anos 2000, 2003 e 2006) e as análises aprofundadas dos sistemas educativos constantes nas diversas edições da publicação anual Education at Glance.
2 S. Babu, R. Mendro, “Teacher Accountability: HLM-Based teacher Effectiveness Indices in the Investigation of Teacher Effects in a State Assessment Program”, AREA Annual Meeting, 2003"

Avelino de Jesus
Jornal de Negócios

"O natal que eu quero" - Artigo de Daniel Sampaio

"Ninguém me pediu opinião, eu sei. Na escola é costume não ligar muito ao que pensam os alunos. Mas eu gramo a escola, gosto dos meus amigos e há uma data de professores que até são fixes.
Ando no 8.º, tenho bué de disciplinas, algumas não dá para entender. Estudo acompanhado para um gajo de 14 anos? Formação Cívica? Não percebo bem, é uma coisa de 90 minutos por semana em que o stôr, que é o director de turma (nós dizemos DT), está sempre a mandar vir, a dizer para nos portarmos bem.
Da Matemática não me apetece falar, o stôr tem pouca pachorra para tirar dúvidas. História é um bocado seca e percebo mal o livro, faço confusão porque não contam a vida dos reis como o meu avô me explicava, por isso estudo para os testes e depois esqueço tudo.
Não, não pensem que venho aqui criticar a escola, já disse que gosto de lá andar. O problema é que aquilo anda mesmo esquisito, podem crer. Já o ano passado os stôres andavam às turras com a ministra e apareciam nas aulas chateados, um gajo mandava uma boca e levava logo um sermão, às vezes diziam mesmo para nos queixarmos à ministra, como se chibar fosse coisa que desse jeito. Mas este ano está bem pior: falamos com os professores nos intervalos, "olá, stôr!" e eles andam mesmo tristes, a minha stôra de Inglês, que eu curto bué, diz que está"desmotivada" e que está farta de grelhas de avaliação e de pensar emobjectivos. Eu de grelhas não percebo nada e, quanto aos objectivos, os meus são divertir-me uma beca e passar o ano, não quero mesmo ficar para trás porque os meus pais dão-me nas orelhas e fico sem os meus amigos, que é uma das coisas porreiras que a escola tem.
Por isso peço a todos que se entendam. Ver os professores aos berros na rua é uma coisa que eu compreendo, têm todo o direito porque nós às vezes também andamos, o problema é que assim ainda há menos gente a preocupar-se connosco. Os nossos pais não têm tempo, andam sempre a trabalhar eficam descansados porque estamos na escola a aprender e a lutar pelo nosso futuro, mas agora a coisa está preta, os nossos stôres estãocansados, o que é mau para nós: quem nos ajuda quando estamos aflitos? Eu sempre contei com um ou dois dos meus stôres, o ano passado quando me achava um monstro (cheio de borbulhas e a sentir que as miúdas não olhavam para mim) foi a stôra de Português que me chamou no fim da aula e conversou comigo, bastou ela ouvir com atenção e dizer que compreendia o que eu sentia para me sentir muito melhor. E quando o Tavares disse que se ia matar porque a rapariga com quem andava foi vista a curtir com um gajo qualquer, foi o nosso DT que falou com ele e lhe arranjou uma consulta no psicólogo.
Não percebo nada da guerra dos professores, só sei que deve ser justa porque eles esforçam-semuito, já pensaram no que é aturar a malta, sobretudo alguns que só querem fazer porcaria, põem-se aos berros nas aulas e não obedecem, às vezes até palavrões dizem para os stôres? Muitos de nós querem aprender, mas o barulho é grande e há muita confusão, há lá gajos, repetentes e isso, que só lá estão porque são obrigados, depois há outros que são de fora e não percebem bem português, outros ainda têm problemas em casa e passam mal, a Vanessa que tem um pai alcoólico e que chora quase todos os dias ainda por cima foi empurrada na aula por um colega que só lá está a armar confusão... o DT disse que nós devíamos ser responsáveis e que tínhamos de acabar com isso, mas eu acho que a ministra devia era dar força aos professores para serem melhores, o meu pai diz que ela às vezes está certa mas eu não concordo, se vejo todos, mesmo todos os stôres da minha escola contra ela devem ter razão, os professores às vezes erram mas são importantes para nós, precisamos de estudar para ver se nos livramos do desemprego, isso é que é verdade!
Por isso espalhem este mail, façam forward para quem quiserem. Digam aos que mandam para terminarem com as discussões que já estamos fartos e como na minha escola somos todos contra isso dos ovos (uma estupidez), digam à ministra e aos sindicatos que já chega! Façam uma escola melhor, ajudem osprofessores a resolver todos os problemas das aulas (ninguém pode fazer isso em vez dos stôres) e arranjem maneira de nós aprendermos mais, para ver se percebemos melhor o mundo e nos safamos, o que está a ser difícil".

Daniel Sampaio
Revista Pública

Deputados da "Nação"?

"Não sei qual foi a surpresa da dra. Manuela Ferreira Leite por 30 dos "seus" deputados (pois é das direcções partidárias que os deputados são, não "da Nação") terem faltado a uma votação. Pelos vistos, a líder do PSD não faz a mínima ideia daquilo em que se tornou a AR.
Não faltaram só os 30 do PSD; faltaram ainda 13 do PS, 3 do CDS, 1 do PCP e 1 de "Os Verdes". Numa sexta-feira véspera de fim-de-semana prolongado, até foram poucos. Se aos deputados (gente, essa sim, com privilégios) se aplicasse o modelo de avaliação dos professores, e também eles tivessem que definir objectivos individuais, ter intervenções assistidas e ser julgados pelos "resultados", quantos aprovariam? Dir-se-á que são julgados de 4 em 4 anos. Não são. No meio das listas partidárias todos os gatos (mais rigorosamente, todos os ratos) são pardos, e sabem lá os eleitores em quem votam. O único critério de avaliação a que um deputado está hoje sujeito é o da obediência acrítica. Um acto de honestidade intelectual e política como o dos 6 do PS que pensaram pela própria cabeça pode custar-lhes o lugar. Se não, veremos".

Manuel António Pina, JN

segunda-feira, dezembro 08, 2008

O desnorte

"O alastramento do descontentamento entre os professores tem toda a razão de ser. O processo negocial, e de discussão pública, tem-se pautado por uma soberba sem limites, humilhando mesmo quem procura discutir, e resolver, um problema que cada vez é mais sério. As várias intervenções sobre o modelo de avaliação que têm sido produzidas pela ministra são contraditórias, não são perceptíveis para o cidadão comum – que nem é professor nem aplaude cegamente as propostas do Governo –, não se compreendem e, finalmente, não têm sustentação razoável.
Por outro lado, enquanto a ministra faz um discurso o secretário de Estado produz o sermão inverso e está aquele Ministério de tal forma baralhado que a única coisa em que acertou nos últimos dias foi no reconhecimento de que sofrera, por parte dos professores, a maior greve de que há memória entre aquela classe.
Parece que no essencial estão de acordo as duas partes: os professores devem ser avaliados. Discutem os métodos. Estão em guerra por causa da forma e não por causa do conteúdo. E sendo certo que até o primeiro-ministro já reconheceu que a proposta que continua teimosamente a ser imposta é burocrática e ineficaz, não faz sentido que em vez de escutar o protesto e perceber a razoabilidade das coisas se venha dizer que o modelo até pode ser mau mas não se mexe em tal coisa até ao fim do ano lectivo. Se é mau, então que se lhe ponha termo o mais depressa possível. Isto não é sério. Nem é sério confundir o protesto de tantos milhares com o estafado argumento de que os professores que andam nisto querem boa vida.
Numa sociedade que se quer desenvolvida, os professores são o instrumento mais poderoso de transformação. A classe que mais de perto determina a capacidade, a formação e o desenvolvimento das nossas crianças. Deve, pela sua importância social, ser tratada com o respeito que a sua função merece e aquilo que temos vindo a assistir é a um processo de humilhação que não é razoável num Estado democrático. Não admira a situação de pré-insurreição que se vive. Alguma humildade democrática faria bem a esta maioria absoluta. No caso dos professores, definitivamente o Ministério perdeu a razão".

Francisco Moita Flores, Professor universitário
Correio da Manhã

Artigo de Miguel Sousa Tavares


Artigo de Maria de Lurdes Rodrigues

Expresso

sexta-feira, dezembro 05, 2008

O regabofe das Novas Oportunidades

Alberto Gonçalves
Sábado

Ganharam os Bons

"362 escolas fecharam portas no dia de greve dos professores e, nas que não fecharam porque houve "aulas" (na maior parte dos casos porque houve "aula" ou nem sequer isso), mantiveram-se ao serviço 1, 2 ou 3 professores. Isto, para o felicíssimo secretário de Estado Pedreira, significa que "a maioria das escolas [esteve] aberta em dia de greve nacional dos professores"… Já para o contentíssimo secretário de Estado Lemos, ao fim da tarde de quarta-feira, "só" aderiram à greve "às 11 horas" 61% dos professores, o que constitui, obviamente, grande derrota dos professores, até porque, um pouco mais cedo, às 6 e às 7 horas, a adesão foi ainda menor.

Quanto à ministra, fez greve a jornais, TV e escolas e foi visitar… um hospital, pois, em dia de greve nacional de professores, estiveram abertos (nova derrota dos professores) 100% dos hospitais. A moral da história é que, como antes tinha sido anunciado por não sei quem, "os bons ganham sempre". Os bons somos nós (os bons, os justos, os altos, os inteligentes, os bonitos). Os maus, injustos, baixinhos, burros e feios (o Inferno) são os outros".

Manuel António Pina, JN

Educação sem dimensão

"A cedência não envergonha nenhum actor político – muito pelo contrário. Se uma proposta não tem condições mínimas para ser executada, se provocou muitos mais malefícios do que os eventuais proveitos que poderia recolher, a atitude política mais avisada e prudente é procurar algum resto de consenso capaz de evitar a destruição completa das intenções iniciais. Só que para isso é preciso grandeza: principalmente, nos protagonistas políticos.
A ministra da Educação jurou que não cederia um milímetro. Ela e os seus ajudantes atiçaram a mais feroz oposição social desde o PREC. Colocaram-se a si e ao Governo num beco quase sem saída. Se existisse grandeza assumiriam o seu falhanço. Mas querem perder gritando vitória – também não têm grandeza suficiente para isso".

Carlos Abreu Amorim
Correio da Manhã

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Falta apenas mais um passo atrás

"A ministra da Educação admitiu hoje estar disponível para alterar e até substituir o actual modelo de avaliação dos professores, mas apenas no próximo ano lectivo e desde que seja aplicado já este ano. "Uma vez iniciada este ano uma avaliação séria dos professores, estarei totalmente aberta à discussão de alterações a este modelo e até à sua substituição, mas em anos seguintes, não neste", disse Maria de Lurdes Rodrigues, no Parlamento

"É patético. Primeiro, o modelo era mais que perfeito e, como tal, qualquer alteração estava fora de questão. Na fase seguinte, foram-lhe detectadas pequenas imperfeições e o modelo transformou-se em simplex. Novo capítulo, mais imperfeições e o modelo atinge a sua fase simplex simplex. Nova variante, com a introdução da possibilidade de pagamento de horas extraordinárias pelo trabalho suplementar com a sua implementação: simplex simplex mais uns trocos. E hoje entra na fase simplex simplex mais uns trocos com possibilidades de alterações no próximo ano lectivo e desde que seja aplicado já este ano, apesar de não estar a ser aplicado na maioria das escolas. O modelo já tem muito pouco da sua versão original e não avalia o que quer que seja. Mas mantem-se à viva força para poder ser medida da intransigência de uma ministra a quem falta dar um pequeno passo atrás, no sentido de um novo modelo. Ou um passo à frente, para fora do Ministério. Um deles há-de dar. Falta apenas um".

O cumprimento das leis

"O que pede o Ministério da Educação? Que se cumpra a lei sobre "a avaliação". Quem fez a lei? O Governo e a sua maioria. A quem se dirige a lei? Aos professores. Os professores concordam com a lei? Não. É possível aplicar uma lei quando aqueles a quem ela se dirige não querem a sua aplicação? Não.
Este imbróglio diz respeito a todas as leis, ou seja, ao "espírito das leis", de que
falava Montesquieu. Há quem pense que basta redigir uma lei para que a lei se cumpra; seria fácil, a um punhado de "pessoas esclarecidas", passar um ano a produzir leis e três anos a mandar executá-las, fechando um ciclo eleitoral. Infelizmente, as leis dirigem-se a pessoas concretas que vivem em condições concretas, nem sempre as desejáveis. As "pessoas esclarecidas" às vezes não vêem isto".

Francisco José Viegas
Correio da Manhã

Cegos e surdos

Valter Lemos e José Pedreira tentaram negar a realidade: o êxito da greve de professores consubstanciada numa adesão massiva que paralisou a quase totalidade das escolas deste país. Nem mesmo quando confrontados com as imagens das várias televisões e os testemunhos de jornalistas, alunos e encarregados de educação, esta gente dá o braço a torcer. Percebe-se que o desespero seja grande e as ordens emanadas de cima sejam para seguir à risca, mas tanta cegueira começa a ser doentia. Já era tempo de estes senhores perceberem que este modelo de avaliação está definitivamente enterrado por muito que lhes doa esta evidência. Os professores fartos de serem perseguidos e vilipendiados na praça pública, estão desta feita determinados a não baixar os braços e a fazer valer as suas razões na defesa de uma escola pública de qualidade para todos. O governo socialista que se vá habituando à ideia de que os professores não vão desistir de lutar.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

E assim se adulteram as estatísticas quanto aos números da adesão à greve

"Exmo.(a) Senhor(a) Presidente do Conselho Executivo

Caro colega

Em virtude de termos constatado que a informação na plataforma sobre escolas encerradas não coincide com a realidade, importa clarificar que “escola encerrada” significa que o estabelecimento de ensino está de portas fechadas, não estando nenhum serviço em funcionamento.Pelo contrário, quando não há actividades lectivas, mas os restantes serviços estão assegurados, ou seja o estabelecimento de ensino pode prestar atendimento aos cidadãos, o estabelecimento não pode ser considerado “encerrado”.este contexto agradecemos que na recolha de dados, no segundo momento (tarde), se proceda à correcção, se for caso disso.

Bem haja

Saudações cordiaisA/O Director/a Regional"

M:A

terça-feira, dezembro 02, 2008

Mais um dia de luta

Todos juntos vamos voltar a demonstrar que os professores são capazes de dar uma resposta cabal às constantes afrontas do Ministério da Educação.

Agência para a Qualificação quer acelerar certificados das Novas Oportunidades

O presidente da Agência Nacional para a Qualificação (ANQ), Luís Capucha, reconheceu hoje que é preciso "acelerar" o ritmo da certificação de adultos para alcançar o objectivo de um milhão de certificados em 2010, no âmbito do Programa Novas Oportunidades.
Desde Novembro de 2006 até Novembro de 2008 tem havido uma média de 4000 adultos certificados por mês. "A este ritmo chegaremos a 2010 com 248.398 certificados", disse Luís Capuchas, no II Encontro Nacional de Centros Novas Oportunidades, considerando "impensável ficar com esta dinâmica". Luís Capuchas defendeu a necessidade de "crescer" para uma média de 29.900 adultos certificados por mês, o que significa que tem de se "multiplicar por sete" o número de certificados atribuídos para se atingirem as metas traçadas pelo Programa Novas Oportunidades.

Comentário - Vale tudo em prole das estatísticas. Não interessa a qualidade do que se ensina nem do que se aprende. O que importa é certificar, certificar, certificar...Até parece que estamos a falar de uma qualquer fábrica de encher chouriços. A falta de pudor deste governo socialista não tem limites e devia envergonhar todos os portugueses. Infelizmente ainda há por aí muito boa gente que lhes dá crédito. Triste país este que se deixa iludir com tão pouco.

Relato de um professor socialista que esteve sábado numa reunião na sede do PS

"Caros colegas,Sou militante do PS desde 1989 e estive ontem na sede do PS, Largo do Rato. Não tive a oportunidade de intervenção porque houve bastante participação. Inscrevi-me, mas confesso que abdiquei da minha intervenção pois iria repetir-me. Em resumo: insistência e muita propaganda para validar o modelo a qualquer custo. A divisão da carreira é para continuar, sendo que foi demonstrado cabalmente que não corresponde ao mérito mas sim a redução de custos e que mais de 2/3 dos professores jamais a atingem. Quero deixar a mensagem que só muito poucos é que tiveram a coragem de dizer as verdades. Enfim, a pressão é muita e o satus presente não permitiu que todos nos sentissemos "livres".

Porque sou socialista, porque acredito num verdadeiro PS e não neste, porque quero e luto por um PS mais justo, mais digno, mais fraterno... irei fazer greve assim como muito dos colegas presentes. Quero ainda dizer-vos: Este PS está aflito. Vai recorrer a tudo o que puder para levar por diante toda esta maquinação. Dizem que não podem perder a face.

Nós professores também não! Se ganharmos agora, ganhamos todos! Se perdermos neste momento, jamais nos levantaremos! O PS de Sócrates e não dos socialistas tudo irá fazer para nos vergar. Isto é uma certeza. Cabe-nos a nós resistir, porque resistir é vencer! Aguardo melhores dias para o meu verdadeiro PS.

PS: Foi dito por um colega que neste momento o PS já tinha perdido a maioria e que se arriscava mesmo a perder as eleições com esta luta contra os professores. Este PS não está mesmo preocupado... e todos nós julgamos saber porquê. Quem vier a seguir que feche a porta, pois estes já têm lugar de estadia e vôo marcado para destinos definidos e bem remunerados".

Professor socialista que não vota neste PS.
30 de Novembro de 2008 17:58

Uma ministra de rosto humano

"É uma boa notícia, há finalmente alguém a fazer trabalho competente e a obter "resultados" no Ministério da Educação. Trata-se da agência de comunicação encarregada do "marketing" da ministra.
Desde a recente manifestação de professores (120 mil na rua contra as políticas educativas), a ministra vem-se desdobrando em entrevistas e conferências de Imprensa, bem como em "perfis" nos jornais e TV do costume mas igualmente noutros.
Nesses "perfis", Lurdes Rodrigues tenta mostrar o seu "rosto humano" (o outro toda a gente o conhece), entreabrindo - levemente contrariada - aos portugueses em geral e professores em particular, a porta da sua intimidade.
Afinal, alguém que gosta de cozinhar e "[se sente] anarquista" não pode ser má pessoa. Nem alguém capaz de comover-se com um bom e comovente momento que, confessa, viveu um dia no Ministério: "Uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa […], e escreveu-me a dizer: 'Quando for grande, vou inscrever-me no PS'. É tocante..." Portugal pode ter uma péssima ministra, mas o PS tem uma excelente directora de recrutamento".

Manuel António Pina
JN

segunda-feira, dezembro 01, 2008